Olá, pessoal. Voltamos agora para o segundo vídeo do texto A psicanálise e arte, a cruz da sublimação, aqui na nossa disciplina de psicologia e arte. Então, como a gente viu lá no primeiro vídeo, né, dando continuidade aqui o que a gente tinha visto lá no primeiro vídeo, no primeiro vídeo a gente viu que o, de modo geral, né, a psicanálise ela vai considerar, ela vai atribuir a arte como se num processo de sublimação, né, o próprio Freud vai falar isso. Ah, mas aí o autor lá do desse texto, né, ele vai colocar, mas que isso
não era uma bem uma uma constância, porque a gente vai ver muitas avaliações ali eh nas obras do Freud, né? Aí ele vai citar algumas obras além do Freud. O Freud faz a eh argumentações, ele faz afirmações sobre a arte que não estaria bem bem claro aí sobre a questão de que a arte seria única puramente um processo sublimatório, né? Eh, e aí vai falar inclusive que então que a a a arte e a psicanálise elas vão se cruzar eh por meio da imagem, né? A imagem vai ser o ponto central aí que vai unir
tanto a psicanálise, principalmente por questões da produção onírica do sonho, né, que a gente sonha por imagens. O inconsciente ele, a linguagem do inconsciente ela ética, né? Eh, e a arte basicamente ela vai produzir, né, por imagens, né, cara? Tem vários tipos de arte. A música, por exemplo, não tem imagem, mas assim, de modo geral, a imagem é algo que tá muito central aí na arte, né? E aí, por conta disso, inclusive, que o Freud vai começar a interpretar, a estudar a arte, interpretar arte por meio de imagens, mas especificamente por meio de quadros, né?
E aí a gente falou ali um pouquinho da análise que ele fez lá do quadro do Leonardo da Vin, né, lá a Madonna e o menino e a Santa Ana, né? E que aí deu aquela análise foi meio ruim, foi porque foi visto que, né, o Freud se equivocou ali naquela interpretação que ele faz. principalmente porque ele confiou numa tradução equivocada, né? Onde um sonho lá do Leonardo da Vin onde na tradução dizia que o Leonardo da Vin teria sido visitado por um abutre durante a noite e depois a tradução correta que não era um
abutre, era um milharf, né, ou um corvo, uma coisa assim. Eh, e aí toda a interpretação do Freud meio que ficou pendeng, pendenga, vamos dizer assim, né? Porque a base era que o animal era um abutre, né? E aí quando ele a a a tradução a gente viu que não era uma bultri com que o Leonardo tinha sonhado, a interpretação do Freud do analista, do do artista, né, ficou eh ela balançou, vamos dizer assim, né? E aí isso pegou muito mal. Aí o Freud parou um pouco de interpretar obras de arte, depois ele vai eh
voltar e aí ele vai fazer a partir então ele vai começar a fazer interpretação da obra e não do artista, que é o caso que ele vai fazer com e onde ele vai interpretar o Moisés, né? foi feito por Michelangel. Ele não vai interpretar, ele não vai fazer uma análise do Michelangel, ele vai fazer uma análise da escultura. E aí ficou muito boa, até falei para vocês, né? É uma análise que eu considero muito legal. A gente vai ver mais à frente na disciplina quando a gente for ler o livro lá do Moisés de Michelangelo.
Eh, e aí, basicamente, o que ele vai interpretar lá do do Moisés é que aquilo ali seria uma projeção, né, dos conflitos internos que o que o Michelangelo estaria eh sofrendo, vivendo lá no momento que ele tava construindo aquela aquela escultura, né? E a gente vai ver isso depois na disciplina. Não vamos não vou dar spoilers maiores agora, né? E aí a partir de então houve uma grande grande interesse pelos psicanalistas lá de interpretar obra de arte e tal e ver o coqueluche, todo mundo queria interpretar obra de arte e tal. E aí tudo bem,
todo mundo, né, vamos ter livros aí sobre a psicanálise e arte e tal, só que o problema é que no geral todos eles acabavam falando que que a, né, que que a aquela obra lá, aquela aquela escultura, pintura ou que fosse que tivesse sendo interpretado, era no fundo aí uma projeção, né, de algum conflito neurótico do do do sujeito ou, né, um processo sublimatório ali também de um indivíduo neurótico. E aí, aí eu até a gente colocou, né, que ficou mal, né, porque o próprio pessoal da história da arte falou assim: "Então toda a arte
é no fundo uma neurose, né? Então, tipo assim, todo artista é um cara problemático e toda a arte é no fundo um uma uma um sintoma de uma neurose, né? Pô, é difícil falar isso, né? Tal, isso pegou mal, né? No mundo fora o círculo ali dos psicanalistas, né? Até até brinquei, até falei, né? que olha que dentro do do do contexto da psicanálise você até consegue entender esse tipo de afirmação, porque para psicanálise, né, todo mundo é você ou você é neurótico ou você é psicótico ou você é perverso, né? Então, puxa vida, né?
Óbvio que o óbvio que o artista é neurótico, porque todo mundo é neurótico e tal, né? Eh, mas eh mesmo assim fica forçado, né? E aí eu falei que isso pegou mal, né? Eu não, né? O autor ali do do texto falou que isso pegou mal. Muita gente questionou isso e mesmo dentro do próprio movimento psicanalítico, isso começou a sofrer questionamentos. E aí, principalmente lá foi do Jung, né? A gente parou aqui nesse slide, né? Vou continuar daqui. E aí o próprio Jung vai dizer aqui, né? Jung vai, ele vai criticar a ideia de que,
né, tudo seja fundo de de fruto de todo toda a produção artística seja fruto de sublimação, né? E aí ele vai colocar aquele que aqui Yung vai discordar da interpretação freudiana de arte e vai propor um modelo mais abrangente, mais próximo do simbolismo tradicional, né, do simbolismo mítico. Inclusive ali o o Jung no texto ele vai falar, né, que o Jung vai fazer a análise lá da obra do Leonardo lá, da Madonna e a Virgem e o Menino com Santana, né? E e vai dizer que aquela ali tava muito mais próximo da do do simbol,
né, simbolismo do motivo mítico das duas mães, né, do que efetivamente lá uma análise do abutre, da homossexualidade do do Leonardo e fal. Então o inclusive o Jung vai propor uma outra análise para aquele quadro ali. Ele vai dizer: "Olha, no fundo, no fundo, no fundo, toda a arte ela tá falando de arquétipos, né? Que aí o arquétipo na teoria do do inconsciente, do inconsciente do do Jung, né? Então são arquétipos que o artista capta e preenche com a obra de arte. Então toda a arte, no fundo, ela estaria falando de de, vamos dizer assim,
de conteúdos míticos, vamos usar essa expressão, ou de conteúdos transcendentais, no qual o artista consegue entrar em contato via aí um consciente coletivo, via arquétipo, via alguma coisa assim, e ele traz pr pra concretude de uma obra de arte, né? Então, basicamente que o Jung vai começar a interpretar sobre arte vai ser vai ser nessa direção, né? Aí o o autor lá do livro do texto que ele fala, né? Para Jung, a essência da obra de arte não consistia no fato dela ser afetada por idio ind idiossincrasias idiossincrasias pessoais, mas elevar-se acima do pessoal e
falar ao espírito. Vou botar aqui, ó. falar ao espírito e ao coração da humanidade, né? Não devendo ser tratada como uma neurose. Veja, é aquilo que eu tava falando antes aí. O que que o Yung vai dizer? Olha, a não dá para você dizer que a arte ela é fruto de uma sublimação, uma projeção de um conflito neurótico, porque senão, pô, toda a arte então ela é uma neurose, todo artista então ele é neurótico, né, é problemático, não é isso, né? A arte ela transcende. A arte meio que ela ela capta algo, como ele vai
falar ali, né? eh, leva-se acima do pessoal e fala ao espírito e ao coração, não do indivíduo e da humanidade. Então, o que o vai est falando assim é que a arte ela capta eh, desculpa, ela não capta, né, eh, eh, elementos da da idiossincrasia, da vida, da, da, das pendengazinhas pessoais ali, das misquinharias individuais de cada sujeito, não, né? O artista quando ele vai produzir uma obra de arte, ele se eleva, ele vai acima do do mundano ali do do, né, do vulgar, da própria existência dele. E ele acessa, né, conteúdos mais importantes, que
é a questão ali dos arquétipos do inconsciente coletivo e tal, né? Eh, então a arte não, a arte teria que ser entendida como algo mais transcendental e não como uma neurose, né? OK, bacana. Realmente gente, já a gente dá para entender, né, que sim, né, eu acho que inclusive concordo com o Yung, eu acho que tem muitos elementos disso daí também, só que o problema é que aí o Jung faz a mesma coisa ao contrário, né? A gente vai dizer toda a arte, ela é então uma elevação do espírito, um, né, um uma uma manifestação
de um conteúdo mítico por intermédio de um arquétipo que o cara E aí também é meio que é forçar a barra porque você fala é igual o Freud, você falou a mesma coisa só que do outro lado, né? Então, como a Freud vai dizer que tudo é sublimação, aí o Freud vai dizer, o vai dizer não, que tudo é uma manifestação arquetípica mítica, mitológica, né, da da essência da humanidade. Também não é assim, porque de novo, você vê sim muita obra de arte, como é o caso lá do do Moisés, do Michelangelo, né? Você vê
ali assim uma projeção do do dos conflitos do cara ali e tal. Então, de novo, forçou a barra, só que pro outro lado, né? Mas de novo, né? ele já mostra uma um outro entendimento do que um outro entendimento dentro aí do cabedal psicanalítico barra psicologia analítica, né, que seria a psicologia do Jung aí, né, eh, que não é só apenas uma questão de uma de uma sublimação, né? Aí eu coloquei coloquei até aqui, eh, porém muitas pessoas se opõem à teoria do Jung por considerá-la tanto reducionista quanto a teoria do Freud, só que do
outro lado, né, do lado metafísico espiritual, aquilo que eu tinha falado, né? Então, o Jung ele dá uma outra visão, que beleza? dá uma outra visão, só que aí já é tudo é tudo isso, né? Tudo, toda a produção artística, toda a arte, ela é no fundo aí um uma manifestação metafísica da do espírito humano. E também não dá, né? Não dá para você dizer que toda a arte é assim, né? Eh, assim, né? Podemos ver, como argumenta la Planh, que a sublimação é certamente uma das cruzes, né, em todos os seus sentidos da psicanálise.
Isso aqui que eu tinha falado lá no vídeo anterior, que eu falei que o que o autor do texto aí, ele pega, né, uma uma citação do planche para usar aí como título do do artigo dele, né, que é a cruz, né, a cruz, cruz da sublimação, a a psicologia arte, a cruz da sublimação, né, que é isso aqui, ó, né, a sublimação, ela acaba sendo a cruz, né, da psicanálise em todos os seus sentidos. Eu tinha até falado lá no outro no outro vídeo, né? Ela é o local onde tudo se cruza, né? Onde
onde a onde as onde os embates começam começaram efetivamente a ser travados, né? No caso, mais especificamente aí do Jung, eh, com o Freud. E ao mesmo tempo ela acaba sendo uma acaba sendo um peso paraa psicanálise, porque toda a explicação para tudo que se realiza no mundo, então é é sublimação, é pesado, né? É forçado, né? Então, de novo, eh, é interessante como a realmente o conceito de sublimação, a a eh eh amplo, não só da sublimação, mas também o conceito de expulsão de morte, que vai ser mais à frente, né, que o Freud
vai também ter muita muita briga por conta da da pulsão de morte, né, como isso acaba eh sendo um local onde se cruzam muitos conflitos dentro do mundo psicanalítico, né? Então, a polêmica entre Freud e Jung, buscando entendimento sobre o sublime, né, sobre o que que é o belo, para a formulação de uma estética estética psicanalítica, ela ainda é algo em aberto, tá? Então, de novo, não foi batido o martelo, né? Então, até hoje, digamos assim, essa essa discussão sobre a estética da psicanálise, a gente vai, inclusive depois mais paraa frente eh ter uma aula
só especificamente aí sobre a questão da estética psicanalítica, né? Eh, ela tá aberta ainda, né? Ela ninguém bateu martes. Ah, é isso, né? Porque esses conflitos eles nunca foram resolvidos, né? Um colocou Freud coloca uma posicionamento, o Yun coloca outro posicionamento. A gente vai ver que o Wincot vai falar outra coisa, o Lacan vai falar outra coisa, né? Outros outros autores vão falar outras coisas e essa discussão ainda tá em aberta, né? Ah, então nas décadas se seguiram, deixa ter uma golinha d'água aqui, muitos teóricos realizaram uma tentativa de aprimorar os estudos, né? De modo
a produzir um conhecimento que legitimass compreensão psicanalítica da obra de arte. então da e da produção artística, né? Então, posteriormente a isso, né? Essa essa treta inicial, vamos dizer assim, outros teóricos, outros psicanalistas tentaram ainda, né? Tentaram e tentam até hoje, né? Vamos dizer assim, eh resolver essa questão, resolver esse impasse. Esse próprio texto aqui, de certo modo, ele é um pouco disso, ele é um pouco dessa tentativa, né? E aí, claro, aí o o autor vai citar vários autores ali que vocês vocês vários teóricos, né, que vocês leram ali no texto, muitos até desconhecidos.
Eu não conheço boa parte daqu daqueles autores ali que ele cita no texto, né, que tentaram propor, ah, então a a arte é isso, a arte é aquilo, tal, e eles vão fazendo essa essa proposição aí. Mas aí dos quais, né, cabe a gente destacar aqui os mais, não é, mais relevantes, mas os mais conhecidos, né, que seria, por exemplo, aí o Winicot e o Lacan, né, aí que vai colocar lá, né, que o Winicot, né, com o seu processo transacional, transicional, vocês ainda vão estudar o que que é isso aqui, tá? Eu sei que
vocês ainda não viram o que que o inicot não sabe o que que é isso aqui, mas não se preocupa, vou dar vou dar uma explicaçãozinha rápida aqui e vocês vão estudar esses conceitos depois mais para frente, tá? Em outras disciplinas, não na minha, tá? O inicot com o seu processo transicional, né? coloca a imaginação, ou seja, a criatividade, né, como resultado de uma ligação precoce do sujeito com o objeto transicional, né, que serve de ponte entre o familiar e o estranho, conferindo um conferindo um sentido de realidade e identidade quando da separação da mãe.
Esse processo não termina na infância, continuando posteriormente no jogo, na fantasia e nasaberações estéticas. Bom, o Wincot vocês vão é um autor que vocês vão estudar mais para frente e ele ele tem um conceito interessante que é esse aqui, que é o conceito do objeto transicional. O que que o Winicot fala sobre objeto transicional? O que que é objeto transicional? Enquanto vai dizer assim, existe um momento, né, na vida de todo mundo, quando você é bebê, que você meio que faz, você, você se separa da mãe, você tem que se separar da mãe, mas não
dá para você ficar eternamente grudado ali no corpo da mãe. Então, aos poucos, a criança ela vai tendo, ela vai aprendendo a ter uma independência da mãe. Só que esse processo ele não é ele não é isento de angústias, ele não é isento de sofrimento. A criança, ela imagina você tem medo. Imagina, hoje adulto é fácil dizer: "Ah, minha mãe tá em casa, eu tô na escola e tudo mais". Mas quando você é bebezinho lá, tem alguns alguns meses, alguns anos de idade, 2, 3 anos de idade, se separar da mãe é uma coisa que
causa muita, muito sofrimento, muita angústia, né? E aí o que o que o Will Cott fala, ele sugere inclusive assim que para facilitar essa essa essa fase aí de eh permanência com a mãe e separação da mãe, é é interessante que se utilize eh objetos eh transicionais, como tá aqui, ó, um objeto transicional. O que que seria um objeto transicional? Por exemplo, aqui é um ursinho de um ursinho de pelúcia, né? As crianças elas naturalmente, aliás, né? né, que se faz isso. Naturalmente as crianças fazem isso. Então a criança tem, ah, é um ursinho, é
uma boneca, é um cheirinho, é um, é um pano, né? Que aquele esse objeto ele remete a ideia da a lembrança da mãe. Então, quando a mãe não tá presente, né, a criança ela fica, como tá esse bebê aqui, ela fica agarrada ali naquele naquele naquele objeto, né? Ou então quando ela sai para passear com a tia, sai para passear com com o vizinho, ele leva o objeto junto, porque aquele objeto ali é uma lembrança, é uma segurança que a criança tem de que aqui ela vai retornar ao contato com a mãe, né? porque aquilo
ali é como se fosse uma uma extensão do corpo da mãe. Então, ao mesmo tempo que isso dá segurança paraa criança, isso faz com que a criança vá pro mundo, ela, né, ela saia tal. Então, efetivamente ela consegue transicionar, né, sair dessa situação de apego ali da mãe e a separação total da mãe. El não é uma separação abrupta, né? ela é feita com a ajuda desse objeto que faz essa transição, né, do apego à separação. Então esse objeto, né, que nos ajuda a nos desapegar daquilo que já é conhecido, daquilo que já é seguro
para irmos na direção daquilo que é desconhecido, daquilo que a gente ainda, né, não tem segurança, né, que no caso do bebê, da criança aí pode ser um ursinho, um bico, né, uma uma almofada, um travesseirinho, alguma coisa assim, né, que tem lá o cheiro da mãe e tal, alguma coisa assim. O helicóptero vai dizer: "Olha, isso não se encerra na infância, né? Isso não é uma fase que passa ali e tal". E o que acabou? Isso continua pra vida, pra vida toda. E aí vai colocar aqui, né? Esse processo não termina na infância, continuando
posteriormente no jogo, na fantasia e nas elaborações estéticas. Então é como se oicote falasse assim: "A arte elas nos ajuda a fazer isso, a gente entrar em contato com aquilo que é desconhecido, com aquilo que é seguro, né? porque ela ela nos faz eh nos remete àilo que a gente já conhece, aquilo que a gente já eh já vivenciou, né? E aí ela nos dá segurança efetivamente para ter uma experiência aí com outra coisa que a gente desconhece. Isso é muito interessante, principalmente quando você, por exemplo, você pode pegar exemplos como um teatro, por exemplo,
né? E na psicologia é muito comum até a gente fazia isso, a gente, eu fiz isso durante muito tempo, a gente trabalhava com orientação profissional, né? Ou até mesmo muitas vezes com trabalho com adolescente, quando você faz aquele que a gente chama de role plan, que é um jogo de papéis, você bota a pessoa para interpretar um papel, né? Então, muitas vezes, eh, quando você vai vivenciar, vai ter que vivenciar alguma coisa na sua vida adulta que você ainda não tem segurança, não sabe como é que é aquilo, você pode jogar um jogo, né? Tipo
RPG, sabe? Quando você, ah, eu sou o mago, eu sou o guerreiro, pô, na vida real você não é nenhuma, você é um bundão, né? Você não é guerreiro, você não é mago, você não é nada. Mas é o tipo de coisa que você anseia, né? é o tipo de coisa que você quer ser, quer ter, tal, e você não consegue, porque na vida real você é fraquinho, você é sei lá, né? Você não tem um corpo e tal, mas ali no jogo você se coloca como um guerreiro valente e tal, que vai e corta
o dragão e mata não sei quem lá, tal, né? Isso faz com que você experimente essas coisas que na vida real seriam muito arriscadas, né? Imagina você na vida real puxar a briga com um cara que é duas vezes do teu tamanho, não é muito seguro, né? Mas ali no jogo, na brincadeira, né? na fantasia, você consegue fazer isso e experimentar esse papel para que você vá se preparando para na vida real você depois executar essas tarefas, né? A gente fazia isso muito com princialmente com o adolescente, né? Esse esse roleplin, esse jogo de papéis,
interpretar papéis. Então o que o Willot mais ou menos coloca é que é isso que a arte ela faz, ela faz isso, né? Ela nos ajuda a nos preparar para entrar em contato com aspectos do mundo ou de nós mesmos que somos conhecidos ainda, né? Então ela faz essa ela ela ajuda nesse sentido aí de uma transição. É bem interessante essa essa essa abordagem aí do do inicot, né? Além do inicoté, né? Tem também o Lacan, né? Então tá aqui, por sua vez, o Lacan vai enfatizar que o que está no centro da sublimação é
o que fornece a constituição da realidade. Eh, desculpa. E o que fornece a constituição da realidade para o sujeito é a coisa ou o dasdin, né? Aí aqui, gente, em relação ao Lacan, eu vou ser bem sincero para vocês, eu não eu não conheço Lacan, não, tá? Eu não domino Lacan, não, não li muito pouco de Lacan, que eu vou falar para vocês aqui o que tá ali no texto, um pouquinho das coisas que eu sei tal, né? Mas assim, não me pede para explicar Lacan, é isso que eu tô querendo dizer, porque para mim
é bastante difícil a a leitura do Lacan e tal, né? Mas o que tá ali no texto, eh, que vai falar, olha que o Lacã, então ele vai colocar que a sublimação, né, ela fornece, eh, e o que e aquilo que fornece a constituição da realidade pro sujeito é o que o Lacan vai chamar da coisa, né? O que que é a coisa? O que que é esse dasding? Então, tá aqui tirado lá do próprio texto, a citação lá do do próprio Lacan, né, que o Lacan vai dizer a coisa, né, ou em alemão, né,
das ding, se apresenta como uma unidade velada do real a aquilo que padece de um significante. Então, a essa coisa seria algo, né, que existe, né, modo velado na realidade, no real, mas que ela não tem um signific, ela não tem algo que que que a gente possa ver, que que nos mostre, tá? Vocês vão estudar depois futuramente o Arcan, vão entender essa questão de significante, significado que são conceitos lá do Acan, mas entenda assim como significante algo que nos mostra a coisa, tá? Eh, tipo, na no caso da de uma palavra por a escrita,
a escrita é o significante, né? Quando você lê uma palavra, aquele desenho, aquele ali é o significante. Então você consegue ver a, né, o signo, o significado por meio daquele desenho que é escrito das letras, que são os significantes. Então o que o Lacan tá dizendo é que essa coisa que é uma unidade velada do real, ela não tem um significante, ela não tem algo que eu possa ver, que eu possa pegar. Ah, então isso aqui é é é a coisa, né? Deve se eh deve então ser representada por outra coisa. Então, já que já
que essa coisa não tem o significante, eu tenho que representar ela por uma outra coisa, né? É meio confuso por causa da das palavras aqui, né? Que se repetem a coisa com outra coisa, né? Ah, algo que está para além do princípio de prazer, algo que tem sua função numa inexistência, um furo, um buraco, um vazio, hum, um vaso, por exemplo, no dito clássico do Lautsé, que Lacan lembra, ou no macarrão Pene. Bom, o que que o Lacan tá querendo dizer aqui? tá querendo dizer, e eu concordo, tá? Eu acho bem interessante essa essa esse
entendimento do Lacan, essa perspectiva do Lacan, é que o que dá sentido para as coisas e seria o essa inexistência, seria esse vazio, a falta. A falta é o que dá o sentido para pras coisas, né? E aí ele dá o exemplo do vaso, né? O vaso ele só se torna um vaso porque o vaso dentro dele não tem nada, ele é vazio, né? Se eu tivesse um vaso totalmente preenchido com cimento, não seria um vaso, seria um peso para papel, um peso paraa porta, para segurar a porta ali, mas não seria um vaso. O
que torna o vaso um vaso é o fato de que ele não tem nada dentro dele. A mesma coisa aqui o macarrão pene, né? Ele vai dar o exemplo aqui de macarrão pene, macarrão pene, não sei se você sabe, é aquele macarrão redondinho aqui, furadinho, né? Que é um, é um canudinho assim furadinho, né? Então assim, o que que é que dá sentido? O que que é que faz o macarrão pene um macarrão pene? o fato de que ele é fechado, né, e não é preenchido, que se ele fosse preenchido seria um espaguete, né, um
espaguete grossão, né, se ele titivesse, se ele fosse aberto ele seria um talhadinho, né, ele seria aqui macarrão talhado, né? Mas como ele é fechado ali dentro dele e dentro dele não tem nada, ele é um macarrão pene. Então o que dá a o sentido pro macarrão pene é o fato de que ele não tem nada. É a mesma coisa uma flauta. A flauta ela só é ela só você só consegue ouvir o som, né, da flauta porque a flauta ela é oca, né? Então muitas coisas aí, né? O vaso, a flauta, o macarrão, né?
Eh, elas são elas são e eh estruturadas em torno do vazio. E aí o que o Lacama mais ou menos vai dizer que nós somos a mesma coisa. Nós também temos uma falta dentro de nós. Nós temos uma, né, que a vai falar da coisa, uma coisa dentro de nós que a gente não sabe nem dizer o que que é. A gente, a gente não tem um significante, a gente não tem algo para dizer: "Ah, isso que me falta". Hum, eu não sei o que que me falta. Eu só sei que eu tenho um buraco
dentro de mim, né? Eu, ser humano, todo mundo, né? E o que me torna eu são as minhas tentativas de lidar com esse buraco ou de tampar esse buraco. Tudo que eu faço na minha vida, né, ao longo da minha existência são movimentos de tentar aplacar esse buraco, essa falta, esse vazio que eu so dentro de mim. E aí as minhas tentativas de fazer isso acabaram estruturando aquilo que eu vou chamar da minha personalidade, a minha vida, né? Eh, sei lá, eu fui estudar alguma coisa, eu fui fui trabalhar em determinado lugar ou fui namorar
com determinada pessoa ou eu não tive namorada. Então, todas as minhas ações que eu faço na minha vida, elas giram em torno desse dessa coisa, né, que não tem um nome, que não tem um significante, que não tem uma não tem uma um sentido, né, mas é isso que dá sentido pra minha existência, né? Então a arte, como eu vai colocar aqui, a arte, então é uma tentativa sublimada, botar aqui, tentativa sublimada de dar forma a esse vazio. É isso que tá falando, não só arte, né? Tudo, tudo, tudo que eu vou fazer é uma
tentativa sublimada de dar forma a esse, esse esse buraco que eu tenho dentro de mim, esse vazio que eu tenho dentro de mim. Qual o problema disso daqui, né? Problema nenhum. Até concordo. Eu acho bem interessante essa essa visão do Lacan. O problema é que ele volta para cá, ó. ele volta pra sublimação. Então, na verdade, em última análise, a arte continua sendo uma sublimação, não uma sublimação aí das das pulsões sexuais lá, como o FO falaria, mas uma tentativa de dar uma estruturação para esse vazio, uma forma de eu conseguir eh eh eh, né,
como como fala aqui de eh da forma, né, de fazer uma estruturação ao entorno desse a arte seria isso, né? Então, toda a produção artística, ela seria uma forma do artista tentar tampar um vazio que ele tá dentro dele. Então, a gente volta lá pro pro mesmo problema da da interpretação freudiana, né? Então aqui, então, para Lacan, não só a arte, mas também a ciência, a religião, né? Eh, formas clássicas de sublimação, seriam modos de dar sentido às tentativas de organizar essa coisa das verdade, né? De novo, eu não acho que esteja errado, eu acho
que até faz bastante sentido, tal, mas de novo você calar no probleminha inicial, porque tudo então é uma sublimação, né? A religião é sublimação, a ciência é sublimação, a arte é sublimação, tudo é uma tentativa de dar sentido para esse vazio existencial que a gente tem. Eh, de novo, dá para você interpretar assim? Dá para você entender assim? Dá, dá, né? Não, eu não acho que seja assim tão tão tão absurdo fazer esse tipo de de análise, vamos dizer assim, né? Ou ou de entendimento, né? Mas o problema é que do mesmo modo ele acaba
sendo forçado, né? Como tá aqui, ó, essa coisa da Isma uma citação do Lacan, né? Essa coisa da qual todas as formas criadas pelo homem são do registro da sublim, não essa coisa. da qual todas as formas criadas pelo homem são do registro da sublimação, será sempre representada por um vazio, OK? Né? Toda arte se caracteriza por um certo modo de organização em torno desse vazio. OK? De novo, OK? Eu acho que não tem problema nenhum. O meu problema com Lacan é tá aqui, ó. Quando ele vai falar isso aqui, ó, é toda, né? Que
aí de novo aqui que a gente já tinha falado lá no vídeo anterior, você cai no reducionismo. Tudo então é isso, não é? Toda a produção artística. Então é uma tentativa de você tampar esse vazio existencial para você ter de você de novo força, né? É o mesmo, é o mesmo problema do lac do do Jung, né? O mesmo problema do Freud, então recai naquele problema, né? Mas enfim, né? Essa aqui é uma, é uma concepção, é um outro entendimento que é o entendimento aí feito pelo Lacan, né? Que o autor aí vai tá colocando
no texto. Então, desse modo, para Lacan não é a frustração que está na base da sublimação, né? Mas sim o vazio, né? Porque para Freud seria frustração, né? Sou impedido de de realizar minha pulsão sexual, então eu desvio a minha pulsão e realizo ela na arte, por exemplo. Aí para Lacan não seria a frustração, mas seria o vazio, seria essa coisa do eu tô desejando, mas tô desejando o quê? Eu não sei, né? Ah, assim a arte se estruturaria também em torno desse vazio. E para ilustrar isso, ele usa um exemplo do quadro aqui, os
embaixadores do Hans Robin, né? E aí, eh, isso aqui é um exemplo, eu eu não li, tá, o livro do Lacan, eu não sei como é que como é que o Lacan eh analisa isso aqui, tal. Tô só pegando a perspectiva que tá ali no texto, né? Mas ele usa esse quadro aqui para ilustrar os embaixadores. A essa altura do campeonato, eu acredito que eu já mostrei esse quadro para vocês em sala, a gente já discutiu sobre sobre e eh esse esse quadro em sala. Então, me desculpa aí quem tá vendo só o vídeo, né?
Mas enfim. faz parte, né? Ah, então qual é o o grande motivo aqui deste quadro? Como vocês já viram, já devo ter mostrado esse quadro para vocês, o grande motivo tá aqui, ó. Eu vou vou circular aqui, ó. Tá nessa parte aqui. Opa, não dá para não dá para aqui, ó. Vocês conseguem ver aqui que eu tô passando com o mouse aqui, ó. É aqui embaixo essa cores estendida que tá aqui, ó, né? Ó, tô passando o mouse aqui, ó, né? Epa, fugiu aqui, né? O foco do quadro, o nome do quadro é os embaixadores.
Os embaixadores são esses dois que estão aqui, né? Mas o o quadro quando você olha para ele, ele não gira em torno da figura dos dois embaixadores, porque a hora que você vê esse quadro, imediatamente o que que chama atenção é esse troço aqui no meio. Que que que é isso, né? Que coisa é essa, né? Você olha pro quadro vez, você vê duas pessoas gritar, mas imediatamente o teu olho já é jogado para você ver essa coisa esticada, que porcaria é essa? Enfim, você vocês já viram o quadro, né? Eu já mostrei para vocês
em sala. O que que que é isso? Isso aqui isso aqui é um crânio, né? Para quem tá vendo o quadro pela primeira vez aí, você provavelmente não deve estar vendo um crânio aqui, né? Eu que já vi, né? Você vê direitinho, mas é porque esse crânio ele tá em ângulo. Você não consegue ver o crânio olhando de frente. Você teria que estar com o quadro a a a sua a sua direita em cima e olhando para ele de baixo para cima. Se você olhar de baixo para cima, né? Eu vou aqui, ó. Eu vou
botar uma setinha aqui. Se você olhar para ele assim, nessa direção, né, de baixo da esquerda pra direita, para cima, você olhar aqui, ó, aqui, ó, botar a seta aqui, ó, nessa direção aqui, mas tem que olhar de baixo para cima. Assim você não consegue ver. Se você olhar aqui nessa direção, você vê um crânio que a imagem aqui ela tá distorcida, ela tá esticada, mas se você se colocar num ângulo, né, você consegue aí a imagem ela ela gira e você vê um um crânio direitinho, um crânio, um crânio redondinho aqui, essa coisa esticada
fica um crânio redondinho pelo ângulo que você tá. Então isso aqui é uma habilidade muito grande aí do Hin, né, que vai fazer esse esse quadro que é muito interessante. O Lacan chama a atenção dele para dizer, ó, tá vendo, ó? o o o o a arte vai se estruturar em torno do vazio, né? Assim como esse quadro inteiro, ele vai se estruturar em torno dessa imagem aqui que você não consegue ver, que você não sabe o que que é, né? Mas você percebe que tem alguma coisa que tá ali e tal, né? E por
que que o Roben vai fazer esse esse esse crânio, então ali, né, que vai Lacan vai utilizar, né? Vai dizer ali esta obra, esta é uma obra, né, de 1533, época em que a Europa havia passado por uma por toda uma riveira volta. Seu autor, o Hans Robin, né? Pintou o embaixador Jean de eh Jean de Dinteville e George de Cel S selve, né? Esse aqui deve ser o Jean e esse aqui deve ser o George, né? Que era o bispo de Lavoar, né? Que ocasionalmente foi embaixador na França, no Sacro Império Germano Romano Germânico,
na República de Veneza e na Santa Série. Olhando a pintura de de frente, aquilo que eu tinha falado antes, né? Logo abaixo podemos ver um objeto anamórfico que tá aqui, né? Ó, tá de novo aqui, já tá aqui o objeto anamórfico, né, que não tem forma. Mas se observarmos por um outro ponto de vista, ou seja, na diagonal, o observador terá a chance de ver um crânio, né? Ah, ainda que o crânio seja obviamente entendido como um vanitas ou um memento morori, não está claro porque o Han lhe deu tal proeminência nessa pintura. O que
que é um vanitas e um memento mó? Só para vocês entenderem, o vanitas, traduzindo do latim, vanitas significa vaidade, efemeridade, vacuidade, tá? Eh, e representa isso, é uma representação de algo que é que é efêmero, algo que é que é vaidade, né? Lembra na hora do Salomão? A vaidade de vaidade, vaidade das vaidades, tudo é vaidade, né? Então, a vida é vaidade, é vacuidade, né? E Mementomori, eh uma uma expressão também em latim que era uma na época do do império romano. Tinha depois me pede para contar essa história em sala de aula que eu
conto a história todinha direitinho para vocês. Mas na época do Império Romano, quando um general ele tinha uma grande vitória em batalha, agora não vou lembrar que o cara tinha que qual quais eram as vitórias que ele tinha que ter, tal, ele tinha direito a ter um triunfos, eu agora não vou lembrar do nome do direito do do nome, é, triunfos romanos, uma coisa assim, que enfim, era uma era era um um, como é que eu vou dizer, um um uma agraciamento que o general recebia e isso era era recebido num desfile. que ele que
ele fazia que ele tinha direito de fazer em Roma, né? Então se abria, né, um um um buraco, né, um buraco, vamos dizer uma um portal, vamos dizer assim, nas muralhas da cidade e aí ele atravessaria por aquele por aquele portal, né, e ele receberia todas as glórias. teria tipo uma parada militar onde o cara era era honrado e tal, toda a cidade lá eh eh eh ovacionando o cara enquanto ele tava lá nesse desfile, né, andando lá pela cidade numa carruagem que pintava o rosto o rosto dele era pintado de vermelho e tal, atrás
na carruagem vinha o escravo correndo, né? E de tempos em tempos o escravo subia na carruagem, nem subia ali onde estava o general lá dando tchauzinho para todo mundo e tal, e ele vinha atrás do do ouvido do do general e falava assim: Mement Tomori, né? Memento more. Aí ele descia, aí continuava, continuava a a desfile, aí ele subia de ah memento mori, o que que significa memento more? Memento mori significa lembras, lembra-te que és mortal, né? Memento de memória, memento, né? Recorda e more de morte, né? Então lembra que vais morrer. Para que que
é isso? Isso era para você, pro general, era assim, olha, não sobe muito a tua cabeça, não, tá? Não pensa que você é o bambã, que você é o a última batatinha do pacote, porque você é um mortal, cara. Você morre como qualquer um. Você é um ser humano. Você não é um deus não, tá? Você teve aí uma vitória muito grande na na batalha. Você teve um mérito muito grande, mas você vai morrer também, tá? Então baixa a tua bolinha, né? Então tanto o Vanitas quanto o Mementomori era um recurso que era muito utilizado
na arte nesse período aqui de 1500 e pouco, que era de colocar na pintura geralmente uma figura de um crânio. Você já deve ter visto isso assim. pinturas nessa época tinha um crânio, um ossos ou então uma fruta podre ou alguma coisa se decompondo, alguma coisa quebrada na na na na cena, né? Que era o quê? Que era uma lembrança de olha, lembra como se fosse uma uma coisa pedagógica aqui, uma coisa meio moral, né? Lembra que por mais que você aqui é é um tremendo de um embaixador, rico, poderoso, tudo mais, tal, baixa a
tua bola, lembra que você é um ser humano que você vai morrer, né? Então o Vanitas e o Mementori, ele seria isso, seria uma busca para você que tá lá todo deslumbrado com o teu poder, com a arte, com a obra que você comprou, lembrar que isso tudo é passageiro, né? Que isso tudo é vacuidade, que isso tudo é, né? Enfim, é legal, aprecia, usa, né? Goza disso, mas não faz isso subir a tua cabeça, porque isso não vai te, isso não vai mudar o teu destino, que aí no final todo mundo acaba apodrecendo num
caixão, né? todo mundo acaba no final uma caveira, né? Então, por isso que vocês vão ver muito nessa nessas pinturas dessa desse período. Isso, uma uma caveira, muitas vezes é uma caveira inteira, tem a pintura inteira lá e tem um um esqueleto lá assim olhando pro cara. É muito comum nessa época aqui, né? Então seria isso aqui, esse vânitus, né? Esse vanitas, esse memento moreore, né? Então como como eu coloco aqui, né? Ainda que o crânio seja obviamente entendido, né? Como isso, como o Memento More, não tá claro porque o Robin deu tanto destaque, porque
ele podia ter feito um caminhãozinho em cima da mesa ali, como geralmente se fazia, né? Mas aqui não, ele pegou e meteu ali no, né, na frente dos dois atravessados no chão. Caraca, para que que o cara fez isso, né? E aí não se sabe, né? A gente não sabe, né? Há quem, então há quem diga que o Hold Robin, né? queria questionar a realidade, outros que era apenas uma assinatura do artista, já que Rubben em alemão quer dizer osso vazio. Então podia ser assinatura dele, podia, né? Ah, por esse eh por esse motivo a
ideia de pintar um crânio, né? também foi levantada a hipótese de que a pintura ter eh ter sido pensada para estar pendurada numa escada, de modo que as pessoas subindo as escadas e olhando a pintura pela esquerda ficariam assustadas com o surgimento do crânio. Eu já li uma interpretação desse quadro que falava isso, que esses dois aí eram dois caras assim meio barra pesada da época lá, né? E eles teriam encomendado esse quadro que era para assim, a sala deles ficaria no segundo andar lá do castelo, sei lá, da casa deles e essa e esse
quadro ele ficaria na parede de modo que a pessoa ou quando ela entrava ou quando ela saía subindo a escada, ela olharia pro quadro para ver os dois e ela no que ela olharia, ela ver os dois, ela veria o crânio, tipo assim, como quem diz assim, não nos traia, né? Porque se você trair a gente, se você fizer alguma coisa contra a gente, o teu destino tu já sabe qual é, né? Então, seria tipo assim como uma forma de uma ameaça interessante. Eu acho bem, de todas as interpretações que eu já ouvi nesse quadro,
essa foi a que eu mais gostei assim, porque eu acho que realmente tem uma certa lógica, né? Você bota isso no no canto al o cara vai subindo, o cara vai olhando e aí já é um recado, tipo assim, ó, vem, quer fazer negócio com a gente, né? Vem para cá, a gente faz negócio. Mas se você der bobeira com a gente, se você trair a gente, a gente vai atrás de você e o jeito que a gente resolve é esse aí que você tá vendo, né? Então seria uma forma de passar um recado. Poderia
ser isso, poderia, né? Ou uma outra possibilidade é que Robin simplesmente quis mostrar o seu domínio da técnica a fim de engarear futuras encomendas. Também não pode ser isso, né? Porque olha, o cara que consegue fazer isso aí, o cara realmente é bom, né? Então tudo bem, tirando aí a obra, a obra eh de lado, né? Mas assim, voltando que o que que ela o que que esse crânio ali faz? Ele faz aquele que o falou, né? Toda a pintura emigida em torno daquele ali, então em torno desse vazio, né? Então, como se fosse então
dessa sublimação ali, né? Então, a crítica sobre Lacan, né, seria a de que ele não introduziu nada de novo na teoria psicanalítica, né, da eh sobre a interpretação de obras de artes. Afinal, continuava sendo uma sublimação. Então, o que o Lacan vai propor, tá certo que ele vai ele vai modificar a ideia do que que é sublimado ali, não é pela repressão e sim porque é uma tentativa de responder o vazio. OK, beleza, muda ali o que que é. Mas no fundo a arte continua sendo sublimação. Isso aí já tinha sido falado antes. Então, Lacan
não inova, né? E mesmo a teoria do vazio proposta por ele não é algo bem conhecido nos círculos místicos orientais, eh, religiosos, principalmente no tauísmo, né? Eh, que eh que deriva do pensamento de um alto cit dado pelo Lacan. Então, assim, de novo, a crítica do Lacan é que quando ele propõe esse negócio do vazio aí da falta, isso também não é novo, né? Qualquer um que já estudou um pouquinho aí sobre eh vou dizer pensamento oriental, o budismo, extintoísmo, taoísmo, isso aí tá lá na base, né? a principalmente no hinduísmo, na na filosofia hindu,
a ideia de que o vazio, aliás, a própria meditação, ela começa aí, né, com a ideia do vazio, que existe um vazio. Inclusive, quando você pratica a meditação, você tenta entrar em contato com esse vazio, né, se esvaziar de você. Ah, então a crítica pro Lacan, a da da fala do Lacan, é que ele não botou nada de novo, né? Seria, seria isso. Ele só reescreve, né? Ele só propõe uma outra coisa, mas ele não mudaria. E aí então se fica o questionamento, né? Então aí o o o altura ali do texto ele vai colocar
então qual seria então a metodologia possível para uma interpretação psicanalítica da obra de arte? Então sim, o Lacan põe nada de novo. O coloca uma contribuição, mas tudo bem, né? O que o Jung fala é um reducionismo tão grande quanto que o próprio Freud fala. Então qual é o que que a gente vai fazer então? E esse aqui foi o principal motivo, o objetivo que eu trouxe esse texto para vocês, tá? Que é no sentido de a gente começar, então como é que para que que serve então? como é que a gente vai, não é
para que que serve, mas assim, eh, como é que a gente pode, então, por meio da psicanálise, eh, fazer uma interpretação de uma obra de arte, né? E talvez aí o autor coloca, né? Talvez a resposta possa ser encontrada na própria fala do Freud, que é isso aqui, ó. Em consequência do caráter especial das nossas descobertas, nosso trabalho científico em psicologia consistirá em traduzir processos inconscientes em conscientes e assim preencher as lacunas da percepção consciente. Então, como é que a gente vai efetivamente utilizar a psicanálise? Ah, é para mostrar que era uma sublimação. Ah, que
é uma realização do do do espírito. Ah, um elemento mítico do sujeito. Ah, era uma forma de transição, um objeto transicional. Ah, é é uma sublimação, sim, mas é em torno de um vazio que compõe o sujeito. Você pode fazer tudo isso, não tem problema. Mas o que vai efetivamente interessar para nós é isso aqui, ó, que a eh aplicar a psicanálise a uma obra de arte é uma tentativa de você traz traduzir ou trazer paraa consciência processos que estão no inconsciente. Então, quando você olha uma obra de arte, quando você faz uma obra de
arte ou quando você analisa uma obra de arte, quando você contempla uma obra de arte, o que você tenta fazer, basicamente é tentar identificar naquela obra elementos que falam do inconsciente para o consciente. traduzir isso são coisas que na tua consciência você não consegue talvez eh entender, compreender, mas ao observar a obra de arte, uma obra de arte, o teu inconsciente fala com com os elementos do inconsciente do artista que foi projetado, que foi sublimado, que foi transcendido. Aí não nos interessa, né? De novo, aquilo que a gente tinha falado lá no comecinho da disciplina,
eu não sei o que que é arte, eu não sei te dizer de onde é que ela vem, talvez isso nem seja tão importante. O importante é para que que ela serve. né? E ela serve para isso aqui, ó. Ela serve para que a gente possa efetivamente nos compreender, né? Compreender a nós mesmos por meio de uma observação de elementos nossos que estão presentes ali e naquela obra, né? E aí a gente só vai conseguir fazer isso se a gente interpretar aqueles elementos de inconsciência do inconsciente eh por meio da consciência, né? Então você vai
olhar os elementos que estão naquela obra, você vai identificar, porque eu tenho inconsciente vai falar com o inconsciente da obra, né? Você vão, você vai ter uma identificação ali e aí você vai interpretar, compreender aquele significado lá, que na verdade a hora que você tá compreendendo aqui o A, você tá compreendendo a parte de você, porque tanto é que você se identificou, não é à toa, alguma coisa mexeu em você ali, né? Então você traz pra consciência, né? Eh, essa essas lacunas na percepção do consciente, né? Ah, ou seja, já deu 42 minutos de novo,
né? Vamos lá. Ou seja, talvez o melhor proveito que se possa tirar da aplicação da psicanálise na interpretação das obras de arte seria a possibilidade, ó, é essa aqui que eu tava colocando antes, né? A possibilidade de trazer a consciência, de trazer para a consciência ah o que está inconsciente por meio da análise dos objetos presentes na obra em si, né? E que sejam aplicáveis à maioria das pessoas, no caso aí a cultura. ao invés de ficar tentando fazer uma psicanálise do artista e por meio da sua obra, que foi o que o Freud fez
lá no no caso do do Leonardo da Vin, né? Então é isso, gente, o que vai nos interessar é isso aqui, ó, tá? A melhor proveito que a gente possa tirar aqui da aplicação, até frisar aqui, ó, de uma aplicação, né, da psicanálise na interpretação da obra das obras de arte. que eh a obra de arte seria a possibilidade de trazer a consciência o que está no inconsciente por meio ah de da análise de elementos presentes na obra em si. É isso aqui, ó. É isso, tá? Então é que eu tava falando antes ali, é
a possibilidade que a gente tem de trazer paraa nossa consciência, tá? Elementos do nosso inconsciente que a gente não consegue lidar, que a gente não consegue entender, que a gente não consegue trabalhar, mas que estão também projetados. na obra e como é que a gente sabe que tá lá? Porque a gente se identifica a hora que você olha aquela aquela obra bate em você mais você f assim: "Nossa, mas aqui tem alguma coisa que me incomoda ou aqui tem alguma coisa que me que que que me emociona, aqui tem alguma coisa que me afeta, né?
Isso tudo é o meu inconsciente falando com com o que tá projetado ali naquela obra. E aí a partir disso, da interpretação que eu faço na obra, eu consigo compreender a mim mesma. E aí aqui só um detalhe, né, que tá aqui, né, as grandes obras, né, que eu vou até entender, vou até falar assim, né, as grandes obras são aquelas que são aplicáveis não apenas a uma pessoa, mas que ela fala com várias pessoas, né, que ela fala de conteúdos que estão presentes em várias pessoas, ou seja, em toda uma cultura. Por isso que
essa obra ela se destaca na humanidade, né? Um exemplo fácil para vocês entenderem isso, pra gente ver isso é o caso do Édipo, né, do Sófocles, né? Por que que aquela peça de teatro, ela foi feita lá na Grécia, né, 2500 anos atrás e até hoje a gente continua reproduzindo ela e em teatrinho, de colégio aqui no Brasil, tal, porque ela bate, ela fala de algo que apresente em você, em todo mundo, né? Então é uma obra que fala de um conteúdo que é meio que universal em todas as pessoas, né? Portanto, em toda a
cultura. Por isso que ela se torna uma grande obra de arte e não apenas uma obra de arte. eh uma obra pequena, né? O que vai diferenciar, né, nesse caso aí uma grande obra de arte de uma obra de arte pequena é que ela tem a capacidade de falar com muitas pessoas e não com uma ou duas ou três ou muitas vezes só com o próprio artista, né, que a gente tem aquelas obras que o cara faz e todo mundo olha e diz: "Tá bom, né? Tá bom, né? Se você gostou, que bom que você
gostou e tal", né? Certo, gente? Então, por hora era isso, deu 45 minutos já de novo, né? Ah, anotem as dúvidas aí, leiam, releiam um texto. Acho que agora ficou um pouco mais claro, né? o com a minha fala eh os conteúdos que estão apresentados lá no texto, mas qualquer dúvida, né, de novo, anotem e aí na próxima aula, quando a gente se encontrar presencialmente, aí a gente conversa melhor e tira qualquer dúvida, tá bom? Então, de novo, bons estudos, até o próximo vídeo.