[Música] [Música] você está ouvindo o história [Música] FM história cultural quando eu falo isso você sabe do eu tô falando esse é o tema de hoje do história FM eu sou iis Rodrigues e para falar sobre esse assunto eu convidei o professor luí César de Sá a quem eu passo a palavra para se apresentar para vocês Então luí Seja muito bem-vindo fique à vontade para se apresentar pro pessoal Olá IES muito obrigado em primeiro lugar pelo convite é um prazer falar com você de um tema que me interessa muito eh eu sou professor de teoria
da história da Universidade de Brasília onde eu trabalho desde 2018 e as minhas pesquisas têm uma relação com a história cultural porque ela faz parte da minha formação eu estudo basicamente práticas intelectuais e atividades letradas nas Épocas moderna e contemporânea e me dediquei especificamente ao problema da autoridade e da controvérsia como digamos assim Chaves de leitura para entender eh o funcionamento de sociedades do antigo regime e também aquelas que aparecem no ocidente a partir do séculos XV e x então isso gente vamos entender um pouco mais o que que é Afinal história cultural depois que
eu D um recadinho para vocês [Música] Chegou a blackweek da insider entre hoje dia 24 de novembro e o dia 28 você consegue várias ofertas Novas Novas promoções que estão surgindo nessa semana que ainda não tinham Aparecido No resto do mês e se você usar o cupom história FM BF BF de Black Friday no caso você consegue 15% de desconto e somando isso com alguns descontos que você acha no site Se você pegar os descontos certos você pode conseguir até 40 % de desconto é quase metade do preço E por que que vale tanto a
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desse mês então corre lá porque depois que você usa insider você não quer voltar atrás e claro eu tenho que lembrar vocês da nossaa campanha no apoia Porque é ela que mantém esse podcast de pé desde o seu primeiro dia é a nossa campanha lá Em apoia.se bar obriga história que mantém o história FM no ar e você pode apoiar esse projeto você pode fazer parte disso a partir de dois por mês por cartão boleto como você preferir e os nossos novos apoiadores e apoiadores São Fernando Maria canezinho Bernardo Medeiros ke longen kif pelini e
Paloma Porto Muito obrigado pessoal são vocês que fazem esse podcast existir se eu pronunciei o nome de alguém errado me desculpem eu sei muito bem como é as Pessoas pronunciaram o seu nome errado e se você quer fazer parte disso você pode em apoia.se baró Ou se quiser fazer um apoio pontual você pode fazer isso Pela chave piix leitur obrigahistoria @gmail.com o Peter burk é um grande Historiador Talvez um dos historiadores mais reconhecidos hoje em dia Tanto que uma das frases dele que aquela famosa que a função do historiador é relembrar o a sociedade aquilo
que ela quer esquecer Virou inclusive um chavão para definir quem é o historiador e qual a função social do historiador [Música] para começar eu queria fazer uma pergunta que é bem básica entre aspas né que é a base desse Episódio mas que a resposta pode ser bem mais complexa do que aparenta que é perguntar afinal de contas o que seria história cultural né qual é a definição de história cultural exatamente e ela seria uma escola Historiográfica uma metodologia uma filosofia o que que é exatamente para tentar explicar o que que significa história cultural eu acho
que seria interessante começar de alguns casos tentar explorar algumas situações concretas e a partir daí buscar uma definição tanto historiográfica quanto epistemológica desse conceito que é tão complexo eh Então eu queria contar para você dois causos digamos assim que são interessantes o primeiro deles tem a ver Com a chegada do capitão Cook no Havaí Como você sabe o capitão Cook fez uma série de viagens eh naquela região do final do século XVI né são várias explorações que ele fez pelo Pacífico e em uma delas ele justamente descobre o arquipélago do do Havaí e a tripulação
a princípio Segundo Os relatos a que a gente tem acesso foi recebida com toda cordialidade e e com todo o respeito digamos acontece que E e essa parte da história também é bastante conhecida né Depois desse primeiro dessa primeira visita né que corre muito bem ele precisa retornar às Ilhas porque teve um problema com a sua tripulação e com o navio eh quando ele retorna Acontece uma espécie de tensão com o As populações autóctonas né porque porque a chegada da segunda vez não é bem vista e Acontece uma altercação que leva a que o próprio
capitão Cook seja assassinado ora essa história Ela acabou levando a uma grande controvérsia eh o pono dois antropólogos Antropólogos eh de alguma maneira especializados nas dinâmicas culturais de um lado um grande professor de Chicago chamado Marshall silence desenvolveu uma interpretação que se tornou muito famosa muito conhecida e muito respeitada inclusive aqui no Brasil sobretudo por um livro cham chado ilhas de história que todo mundo pode encontrar facilmente no caso da interpretação do Marshall Sens a morte do capitão Cook nessas circunstâncias Ela aconteceu por uma espécie de conflito cultural como a primeira chegada dele ao arquipélago
teria acontecido num período específico de festividades e rituais dos habitantes do Havaí O Cook teria sido imediatamente reconhecido como uma divindade no caso Deus é fertilidade daquela daquele coletivo e isso teria explicado então a recepção muito muito calorosa que ele teve eh acontece que quando ele precisou retornar eh de maneira completamente Eh desavisada isso entrava em contradição com o mecanismo ritualístico que o favoreceu no primeiro momento e então esse retorno dele teria justamente provocado uma grande incompreensão pelos da parte dos Havaianos e Por conseguinte ele teria sido então morto então e essa primeira interpretação ela
é interessante porque porque ela tenta resolver uma dicotomia uma dicotomia entre um acontecimento bem específico né singular um evento que seria a chegada Eh do Capitão Cuca o Havaí há digamos assim um esquema interpretativo que tem um peso muito mais generalizável do que esse acontecimento singular então haveria aí uma relação entre o evento de um lado e uma estrutura de outro que seria justamente o modo como os eh Havaianos compreenderiam a sua própria realidade a sua própria eh o seu próprio universo e com como eles acomodaram o episódio da chegada do capitão Cook a essa
visão de mundo a gente poderia Dizer assim para para ir rápido ora é um outro intelectual chamado ganf OB zicri se mostrou completamente contrário a essa interpretação né ele vai dizer e numa série de textos que o Marshall Sens sustentava no fundo uma visão completamente condescendente das populações Havaianas por quê Porque imaginava que os Havaianos fossem uma espécie de população num estado pré lógic do conhecimento ou seja eles seriam incapazes de entender que existe Uma diferença entre o navegador que chegou ali que seria o capitão eh Cook e uma divindade né seria como se eles
fossem eh absolutamente tributários de uma espécie de pensamento mítico e mágico então quando ele digamos encontra essa versão do salin ele acaba trabalhando numa possibilidade alternativa que seria a seguinte Os Havaianos mataram o capitão Cook porque eles perceberam que a presença do capitão Cook era perigosa para eles ela Ameaçava os seus interesses eh e esses interesses estavam portanto em risco se eles não tomassem alguma espécie de ação então é um ato de guerra e não necessariamente e nem um pouco na verdade uma reação aou uma circunstância ritualística né Eh no fundo o que o obser
tentava dizer com esse caso era que o outro antropólogo Marshall sing estava se baseando numa perspectiva eh eurocêntrica né no fundo ele tava dizendo que eh as fontes eh consultadas Para tentar entender isso revelavam justamente uma uma capacidade de ação dos havaianos que não era compatível com uma racionalidade Universal é que todos nós teríamos Ou seja a a racionalidade que permitiria entender que a chegada desse estranho comportava algum tipo de ameaça então no fundo o mito do Deus eh Cook né transformado em lomo seria justamente uma espécie de mito colonialista que os próprios Ingleses fabricaram
aí portanto um grande Conflito o Marshall silence quando Tom conhecimento dessa outra interpretação ou seja uma interpretação que levava a pensar que os nativos detinham uma espécie de racionalidade prática universal ele escreve um livro inteiro e para tentar rebater essa essa consideração do obsc e então o silins e vai vai basicamente dizer que a maneira de o obsc encarar essa situação cultural Ou seja a chegada do cook e o conflito com os Havaianos transformava na verdade Os havaianos em uma espécie de e coletividade idade burguesa do século XIX porque justamente eh imputava a eles uma
espécie de racionalidade que só poderia ser dada da filosofia europeia então no fundo a gente tá diante de duas interpretações de um lado uma interpretação que tenta levar em conta eh as circunstâncias simbólicas práticas cotidianas daquela população e essa interpretação é acusada de ser digamos assim estereotipada e preconceituosa e De outro lado a interpretação que dá a essas coletividades uma racionalidade Universal Total imediatamente e acusada por ser no fundo provinciana pertencer à Europa esse é um conflito que me parece ser útil para introduzir o problema da cultura tanto na antropologia quanto na história eu tenho
um segundo caso para contar que eu acho que pode também ajudar a entender eh os problemas que a gente vai discutir aqui hoje e que tem a ver agora com a corte francesa do final Do século XV do início do século XVII a história que eu vou contar Ela Vem de um Liv livro de um intelectual chamado Felipe bossan ele fez um livro que se chama Versales ópera e essa história foi muitas vezes repetida por um grande Professor brasileiro professor John Hans e e eu tô uma liberdade aqui de de recontá-la segundo esse livro e
num determinado momento no reinado do Luiz x chegou na corte a notícia de que um Embaixador turco eh estava em Marcélia e Esse Embaixador turco portanto foi convidado ao Palácio de Versalhes onde ele seria recebido com todas as honras e todas as digamos deferencias que alguém dessa estatura merecia ele então chega em Marcélia ele é muito bem recebido há várias festividades em todo o percurso dele e saindo de Marcélia em direção a Versales a aristocracia de Versales eh gasta recursos eh incontáveis para tentar organizar a festa mais elevada e mais sofisticada possível e a mesma
Coisa é feita diretamente pelo Rei ora quando o embaixador turco eh se aproxima adversário pouco antes de ele chegar vem uma outra notícia que entregue a coroa a a coroa é informada de que no fundo não se trata de um Embaixador turco coisa nenhuma mas sim de um Mercador de tapetes o Mercador de tapetes teria sido confundido com o embaixador por causa da sua idum mentário eh pelas roupas à moda turca que ele usava e portanto uma vez que ele começou a ser recebido dessa Forma ele não foi mais interrompido quando essa notícia chega a
decisão da coroa pode nos parecer completamente estranha a coroa basicamente diz o seguinte nós vamos receber o embaixador turco e então ele chega ele é recebido as festividades acontecem normalmente e e nada mais é dito sobre esse assunto muitos anos depois eh um aristocrata francês eh escreve memórias em que ele se lembra dessa desse Episódio E aí ele faz a pergunta que eu ou você ou Qualquer outra pessoa teria vontade de fazer né Afinal de contas Por que que a coroa francesa sabendo que se tratava de um embuste des decidiu eh receber esse Mercador de
tapetes como o embaixador Tour e a resposta do san Simon é desconcertante ele diz assim eh nós o recebemos porque nós nunca nos enganamos ora eu acho que essas duas histórias elas são interessantes justamente porque elas nos permitem sintetizar uma série de problemas que se tornaram objetos de Estudo do ponto de vista da história cultural eh o primeiro problema já foi eh trazido à tona pela pela história número um ou seja as relações entre os acontecimentos singulares e digamos estruturas mais gerais do comportamento uma outra dimensão que talvez a História dois ajude a sublinhar seria
aquela que distingue as circunstâncias aconteciment ais ou seja aquelas ligadas aos eventos a dinâmicas sociais ou seja para entender como os acontecimentos digamos Assim se encaixam eh numa determinada ordem histórica seria absolutamente necessário saber como eles na verdade perpassam um conjunto de hábitos um conjunto de normativ Ades um conjunto de estruturas do cotidiano que são objeto e de uma interiorização invisível e quando a gente simplesmente se debruça sobre o acontecimento em si para vocês entenderem isso basta pensar também eh no modo como uma série de comportamentos que são nossos hoje estão completamente Na ordem não
diria do inconsciente mas numa ordem de interiorização Ou seja a imagem que eu poderia oferecer para explicar isso seria a seguinte quando você aprende a dirigir um carro e você vai lá e faz a prova as aulas da autoescola etc e você faz o teste e consegue a sua carteira de motorista A primeira coisa que acontece é que você se desempenha muito mal Você dirige mal você bate você tem dificuldade eh de controlar o veículo e e e tudo mais e Essas dificuldades elas só desaparecem quando acontece uma coisa que é justamente o esquecimento de
que você está dirigindo Ou seja quando você para de pensar em neste momento eu preciso fear neste momento eu preciso olhar para o retrovisor neste momento eu preciso controlar a marcha etc isso significa então que você finalmente começou a dirigir Ou seja a o excesso de consciência das regras eh que norteiam a direção é aquilo que impede a boa Execução da direção e no fundo tudo isso é o que está no horizonte do que a gente poderia chamar de cultura e também no horizonte do que a gente poderia chamar de história cultural uma vez que
a história cultural sendo ela muito complexa muito muito multifacetada muito eh permeada digamos por interpretações e possibilidades diferentes tem em comum eh No mínimo a ideia de que existe um campo da ação humana que precisa ser explicado e esse é um campo justamente Da nossa relação com o território do significado do simbólico mas também eh das ações que estão embutidas eh nesses significados e nesse campo do simbólico então basicamente seria isso e o que a história cultural nas suas várias versões e várias as possibilidades tenta estudar agora de maneira mais historiográfica para começar a conversa
eu acho que valeria a pena dizer que a história cultural também é uma tendência analítica Eu não vou usar aqui a Expressão eh escola ou a expressão tendência historiográfica propriamente porque a o estudo da cultura é um estudo absolutamente interdisciplinar no interior das ciências humanas mas de qualquer maneira eu acho que a gente pode dizer que se trata de uma tendência analítica que eh se desenvolveu com muita força em particular na França mas também em outros lugares como na Inglaterra nos Estados Unidos na Itália mesmo no Brasil eh para dar conta de Problemas relativos às
relações entre as agências humanas os vários agenciamentos humanos e o modo como Esses agenciamentos são organizados eh no interior de um discurso então de um lado a história cultural estudaria obras e gestos que escapam ao cotidiano e passam a receber a atenção de um juízo Ou ético ou intelectual ou filosófico específico por exemplo esses episódios que eu comentei mas de outro lado também todo o campo justamente das atividades Cotidianas eh Ordinárias eh no interior das quais a gente poderia ter acesso a vários retratos das dinâmicas coletivas então Eh quando a gente fala em História cultural
podemos dizer que estamos no território das práticas ou seja no interior das ações que são reguladas por normatividades relativamente invisíveis ou ou não necessariamente explicitados mas também estamos no campo das representações que seriam as maneiras como nós damos sentido a essas práticas E vice-versa ou seja as representações também constróem as práticas estamos entre o singular ou seja aqueles episódios que eh de alguma maneira chamam a atenção porque rompem com regularidades mas também estamos no território do geral porque a cultura se faz certamente para além dos indivíduos em particular no fundo então eu diria para concluir
I que a história cultural eh tem nos últimos nas últimas décadas tentado perseguir as várias circulações Do sentido eh numa dada sociedade ou Entre várias sociedades ou coletividades comparativamente além destes são citados outros autores de influência marxista que destacavam em seus trabalhos a perspectiva social evidenciando portanto as relações entre cultura e sociedade [Aplausos] [Música] uma vez que a gente entende melhor o que que significa história cultural e você poderia explicar melhor pra gente qual Foi o contexto histórico e político em que a história cultural foi desenvolvida ela dialogava com que outras linhas de pensamento ou
que outras áreas no momento que ela surge enfim como é que ela Brota né digamos assim essa é uma história bastante complicada porque como eu disse no começo eh eu acho impossível reduzir a história cultural a um perfil historiográfico em particular a uma única escola ou a um único conjunto de direções qualquer tentativa de definição Que eu fizesse dessa forma seria praticamente inútil né porque eh na verdade nos daria a impressão incorreta de que a história cultural eh está unificada eh a tentativa de definição que eu acabei de oferecer mostra como eh as questões da
história cultural eh só pode podem ser sintetizadas de modo muito muito genérico né mas de qualquer maneira para tentar te responder eu acho que a gente precisa pensar primeiro que existem questões comuns atacadas Tratadas por abordagens muito diferentes e diversas então eh uma primeira questão eh eu diria da da história cultural ou da nova história cultural tal como a expressão vai se afirmando nos anos 80 nos anos 90 eh seria Justamente a articulação entre questões singulares e Representações comuns então a questão essencial seria por exemplo a maneira como determinados agentes da sociedade se apropriam de
sentidos que existem em determinados Artefatos que a gente poderia chamar de culturais por exemplo os textos Mas isso também poderia incidir evidentemente na na ordem dos comportamentos e e vários outros Campos que enfim seriam igualmente digamos passíveis desse tipo de análise e que tá atenta portanto ao simbólico mas no fundo então a questão essencial seria Eh esses processos de apropriação do sentido os processos de circulação do sentido os processos de representação sociais né e e que estão Ancorados justamente numa relação entre o domínio do simbólico e o domínio em que esse simbólico é exercido no
interior das sociedades Então essa é uma primeira dimensão depois uma outra dimensão contemporaneamente importante seria Justamente a ideia digamos assim de construir estudos que digam respeito à recepção ou à resposta que determinad os indivíduos dão a processos de fôlego mais geral então por exemplo a historiografia Francesa vai sempre Associar a história cultural há uma espécie de sociologia há uma sócio-história muito inspirada por exemplo pela relação eh com o trabalho do Pierre bourdieu O Grande sociólogo e também ah trabalhos como o do Norbert Elias Ah no caso de um grande expoente da história cultural foi e
é né Roger charier a ideia de uma sociologia dos textos Ou seja a ideia de que ah o mundo dos textos e o mundo dos leitores Ah o mundo da digamos das Comunidades de Interpretação devem ser conectados tudo isso digamos assim eh está em jogo quando a gente tá pensando nos grandes temas da história cultural contemporânea um outro vetor que seria possível para pensar de maneira geral a a incidência eh mais recorrente da história da história cultural seria Justamente a ideia das relações entre os vários setores eh de uma determinada sociedade e como eles eh
lidam com problemas do simbólico durante muito tempo a Dicotomia principal nesse caso foi aquela que separava a dita cultura popular da Dita cultura eh erudita ou seja uma alta cultura e uma baixa cultura esses termos hoje estão completamente eh relativizados estão colocados em discussão Mas o que eu queria registrar aqui por essa com essa entrada era a ideia justamente de que a história cultural em geral ela está preocupada em pensar a circulação do sentido a partir de modelos modelos no Plural presentes numa mesma determinada sociedade né isso tem a ver um pouco com uma reação
da história cultural contra um certo tipo de história das mentalidades que foi praticado antes depois a gente pode voltar eh a essa questão da história das mentalidades porque ela ela é fundamental para entender a história cultural o que se chamou depois de uma nova história cultural né De qualquer forma o que eu queria frisar com essa ideia é Justamente então primeiro que existem eh dentro de uma determinada sociedade vários modelos digamos assim de funcionamento e esses modelos então deveriam ser objeto de uma comparação e de interpenetração eh Uma vez que eles não são fixos e
rígidos e também a a ideia de que seria interessante e necessário estabelecer um questionário né uma um um programa de estudos ligado à ideia de uma história cultural para aqueles segmentos das populações do Passado que em geral foram invisibilizados né como a gente sabe durante muito tempo a historiografia profissional eh se dedicou ao estudo de documentos e de indivíduos que certamente estavam ligados às camadas mais privilegiadas das respectivas populações porque esse era digamos assim um inventário primeiro um inventário mais acessível sem um esforço forte de um esforço significativo de teorização mas também por causa Claro
de uma Espécie de a priori que nós por muito tempo estabelecemos na hora de pensar o passado e o que é relevante no passado então no século XX Com certeza surgiu um esforço concentrado de buscar discutir aspectos da cultura digamos popular entre aspas como uma reação a esse modelo anterior que eh estava demasiadamente concentrado numa espéci de Cultura eh erudita ou ou elitizada então aqui a gente tem acesso a várias questões interessantes primeiro a gente Ganha acesso graças ao esforço da das histórias culturais para dizer assim a possibilidade de pensar as relações de dominação de
maneira muito mais sofisticada porque agora a gente não tá pensando simplesmente por exemplo numa noção de dominação que venha de cima para baixo da Elite pro povo digamos assim mas como por exemplo existe todo um universo Popular que funciona segundo regras particulares eh e que são regras que vão muito além da simples aceitação De um sistema de dominação supostamente imposto por uma elite ela mesma unívoca né unicamente dirigida para uma certa direção então aqui a gente tem a autonomização das dinâmicas ditas populares ao mesmo tempo em que os sistemas de dominação são qualificados são repensados
para levar em consideração as dinâmicas de resistência as dinâmicas de negociação eh e mesmo as dinâmicas de circularidade eh esse é um termo que foi introduzido eh com muita Pertinência por exemplo pelo Carlo ginsborg na segunda metade do século XX para mostrar eh e ele faz isso com Na minha opinião com grande sucesso que aquilo que na verdade eh a gente pode constatar nas documentações por exemplo ligadas à época moderna é que existe um grande trânsito um grande influxo daquilo que a gente chamaria de dimensão Popular da Cultura e aquilo que a gente chamaria de
dimensão erudita da da cultura um exemplo né fabuloso eh e que Todo mundo acha que conhece todo mundo que gosta de de história de historiografia acadêmica Vai se lembrar disso é o livro O queij os Vernes né o momento em que o ginsborg consegue dar uma demonstração muito muito eloquente dessa circularidade né Eh uma vez que se trata ali de um como vocês lembram de um moleiro né que é eh interpelado pelo pelo Santo Ofício e quando ele é interpelado sobre as suas convicções sobre o universo sobre o Cosmos etc o Que aparece ali para
o grande espanto né dos inquisidores é justamente espéce de fusão de um conjunto de saberes letrados muito sofisticados que são ligados por exemplo a Escolástica eh ao universo aristotélico e assim por diante eh mescladas com imagens que vem por exemplo de sistemas de crença eh consolidados de maneira subterrânea eh não necessariamente explícitos e e ao mesmo tempo num cotidiano bastante Vivo ou seja das Interações que essa pessoa tinha com parentes com amigos eh e assim por diante então uma maneira de eh colocar tudo isso em síntese seria justamente mostrar Olha como no fundo a história
cultural está tocando vários elementos que de outra forma seriam segmentados Então ela tá preocupada com a história das religiões ela tá preocupada com a história da literatura ela está preocupada com a articulação Entre várias temporalidades no sentido de que A gente pode pensar que as ações de um indivíduo estão ligadas às digamos às turbulências e eh continuidades da sua sociedade mas também a processos muito mais abrangentes eh de natureza antropológica e assim por diante então eu diria para para terminar que no fundo a história cultural do século XX ela tá em grande medida voltada para
enfrentar os processos de exame do passado que dão eh origem a considerações eh homogêneas eh sobre as sociedades que estudam então No fundo é uma é um enfrentamento é um é um embate é um desafio a ideia por exemplo do Espírito Nacional a ideia de uma espécie de civilização ocidental a ideia de unificação dos comportamentos a partir de grandes prismas de grandes vetores que são justamente aqueles eh que a gente poderia definir como uma uma espécie de mentalidade geral e que se fosse decifrada explicaria imediatamente quais são eh digamos assim todas as as raízes das
decisões que as pessoas eh Tomam ao longo das suas vidas o conceito de cultura ele é um conceito polissêmico e tal dá para ser interpretado de diferentes maneiras e por conta disso eu queria te perguntar se o a noção né o conceito cultura pra história cultural é uma coisa um pouco mais fechada ou a gente tem diferentes interpretações a respeito do que seria cultura e aproveitando a pergunta o conceito de cultura é trabalhado do mesmo jeito pela história e pela antropologia ou melhor Dizendo é definido do meso mesmo jeito pela história e pela antropologia ou
existem diferenças mais notáveis existem diferenças notáveis ao mesmo tempo em que existe uma profunda interpenetração desses Campos acho que a primeira coisa fundamental de dizer é que seria muito ruim para compreenção dos Desafios colocados pela história cultural que nós estabelecemos recortes muito drásticos entre as várias abordagens disciplinares eh certamente a antropologia eh Desenvolveu um robusto acabolso teórico para lidar com o problema da cultura assim como a própria sociologia mas ao mesmo tempo é certo que a historiografia primeiro muitas vezes tomou inspiração nesse diálogo eu me lembro sempre de uma frase de um grande intelectual eh
do século XX que foi o Yan heing o ozinga como a gente costuma dizer no Brasil né o autor de um grande livro que poderia ser relacionado à história da cultura eh chamado outono da idade média ele ele Era um especialista da linguística mas que depois se transforma num num Grande de historiador se eu posso dizer assim e ele diz em um certo momento que a história é a ciência mais dependente de todas a história é a disciplina que mais eh carece de aportes eh teóricos de outros Campos porque é assim que ela frutifica né
ela traz então uma especificidade que é a compreensão das ações humanas nos vários tempos ao mesmo tempo em que ela puxa para si e os Grandes desafios teóricos eh de outros Campos reorientando essas ferramentas que ela obtém eh paraas suas questões porque se você parar para pensar IES acho que uma uma primeira distinção interessante que a gente poderia fazer é justamente a ideia de que a historiografia ela está preocupada com a alteridade no sentido eh simetricamente distante daquele eh que é proposto pela antropologia né a antropologia está preocupada com alteridade no presente eh E quando
ela se volta para o passado ela muitas vezes está atrelada a uma perspectiva digamos assim eh que busca fixar eh o sentido da da trajetória de uma determinada população ao longo do tempo é isso que se chamava eh e ainda se chama por muitos de presente etnográfico mas ali portanto nós estamos diante de um problema justamente da construção do sentido do que o outro é né e de como o outro funciona digamos assim é essa questão é A colocada pelos historiadores né quando se voltam para pros seus objetos eh com a diferença substancial Claro de
que e para a historiografia o estudo do da alteridade eh no passado significa também tentar entender como é que essas eh sociedades funcionavam para além de marcadores digamos assim marcadores epistemológicos eh fixos então no fundo é entender como é que como é que essas sociedades funcionavam em movimento eh e é por isso que a dimensão por exemplo Processual é tão importante eh em História né mas de qualquer maneira com isso dá para dizer que existe um diálogo não só disciplinar mas um diálogo epistemológico unindo eh historiografia e antropologia né que é justamente a dimensão do
do outro do alter que eh nos interessa a todos nós que que temos alguma relação com isso eh por outro lado é quando a gente fala do termo cultura aí também existe uma grande discussão que não é só uma discussão Historiográfica mas uma discussão histórica afinal de contas eh o conceito de cultura é um é um conceito absolutamente disseminado socialmente hoje e ele próprio tem uma história né Eh Alguém já tentou fazer o inventário da das definições possíveis do termo cultura e o resultado foi absolutamente estarrecedor né H há literalmente centenas de definições pra noção
de Cultura ainda que ao mesmo tempo a noção de Cultura como alguma Coisa do território do simbólico seja relativamente recente no ocidente né digamos o conceito de cultura no antes do do final do século XVI sobretudo ele estava mais ligado ao Ed de cultivo né inclusive o cultivo agrícola n por exemplo eh portanto não necessariamente ligado eh à ideia dos fenômenos eh sociais e a ao território do simbólico como eu tentei falar mas então pra gente tentar entender o que que significa cultura é preciso pensar certamente eh Nas várias descontinuidades que nos separam de diferentes
eh sentidos de cultura é por isso que eh eu tenho dito a você que é preciso tomar muito cuidado com a ideia de unificar a noção de Cultura ou a noção de uma história cultural porque por exemplo houve momentos em que a as histórias do Heródoto ou o ensaio sobre os costumes do Volte foram ados é história da cultura ou história cultural né O que significaria uma espécie de longuíssima Continuidade né como se desde a antiguidade passando por exemplo pelo século XVI nós fizéssemos eh histórias culturais mais ou menos norteadas pelos mesmos princípios então eh
eu me parece que essa é uma abordagem correta ela é improdutiva justamente porque ela não permite eh distinguir as Profundas diferenças que nos separam não só do Passado no singular mas dos vários passados no plural também acho que é um outro um outro ponto interessante é que A noção de Cultura ela tem uma inscrição digamos assim na própria nas próprias filosofias da história né que vão emergir por exemplo no século XIX desde o século XVI né então Eh ela tá presente por exemplo na noção eh de cultur Ah o termo alemão que foi estudado profundamente
pelo Norbert Elias ela tá presente nos escritos do herder eh ela tá presente na origem de uma certa história e que emerge como disciplina científica no século XIX e em todos Esses locais ela eh aparece de maneiras específicas mesmo do ponto de vista da antropologia se a gente quiser considerar o outro lado da cerca digamos assim essas diferenças se colocam então por exemplo se você tá diante de dos escritos ã de antropólogos culturalistas eh a noção de Cultura vai necessariamente recair sobre a dinâmica do simbólico que é por exemplo aquilo que fez o o antropólogo
perdão Clifford gerz nos Estados Unidos eh aliás Trabalho muito apropriado por um grande Historiador que é o Robert darton se você pensar por exemplo na antropologia contemporânea de um autor como Felipe descolar a noção de Cultura está necessariamente ligada à noção de natureza então a reflexão é completamente deslocada digamos pro território do simbólico e ela vai entrar numa outra dimensão que é a a de entender é que aquilo que a gente acredita ser a nossa cultura eh de Maneira geral na verdade é um modo de distinção entre a cultura e uma natureza que ela própria
Claro uma invenção entre aspas da Cultura né Ou seja a ideia de uma natureza com n maiúsculo né ou seja tudo aquilo que não é humano né tudo aquilo que acontece eh no mundo e que na verdade só serviria de palco para pro teatro das ações humanas porque aí sim esse teatro das ações humanas seriam seria o horizonte da da cultura então aí nós teremos uma dimensão completamente Diferente uma outra eh possibilidade seria pensar a cultura como saltos de um espírito né um espírito geral Dea época ou o espírito geral de uma população e então
por exemplo a ideia de que ah existiriam valores eternos que nós poderíamos examinar através da história eh como por exemplo a originalidade a criatividade a estética etc né tudo isso já muito criticado todos esses eh valores denunciados pelo que eles são né na verdade valores muito ancorados em Certos contextos e que passam a impressão de serem valores eternos mas ah eh isso que eu tô dizendo agora é na verdade ainda emcontra respaldo social muito significativo né se você por exemplo perguntar a alguém hoje qual é a origem da literatura essa pessoa poderia responder talvez que
seria a Ilíada ou a odisseia Ela poderia responder eh que é a epopeia do jameo ou ela poderia responder por exemplo que é a Bíblia Sagrada eh dos cristãos mas todas essas Respostas deixariam de colocar em questão a pergunta número um que uma eh historiografia Teoricamente orientada faria né que é será que a noção de literatura faz parte fez parte dessas desses tempos em que a gente tá buscando eh encontrar a sua origem n então no fundo a o problema da da noção de cultura é que ela ganhou uma abrangência eh quase que tirânica na
ordem das nossas sociedades a partir do século 18 e ela na verdade coloca uma espécie de Neblina eh nos nossos olhos eh na medida em que essa Esse princípio de uma cultura Universal ou de grandes valores que poderiam ser eh inseridos na ideia de uma histó história cultural eh estariam necessariamente disponíveis em todos os lugares e em todos os tempos então no fundo Essas são as definições eh que eu penso que eh estejam mais digamos assim acessíveis ainda hoje entre nós e a história cultural e a antropologia eh Contemporâneas tem tentado justamente colocá-las em discussão
debatê-las e eh mais uma vez qualificá-las tanto para delimitar melhor o alcance delas quanto para colocar em questão o lugar cultural para por assim dizer da dos historiadores historiadoras antropólogos antropólogas que lidam com esses problemas né então no fundo eu diria que hoje o desafio de estudar cultura de modo geral é justamente o desafio de conciliar as pretensões eh Universalistas que esse conceito carrega historicamente que são muito fortes ainda como eu tenho insistido a localização necessariamente explícita ou que deveria ser explicitado daqueles que colocam essas perguntas né então eh no no fundo no fundo eu
acho que é o mais importante pra gente tentar entender essas relações e de modo geral né entre antropologia e história é justamente tentar pensar que sempre se trata eh de uma questão de local de lugar ou seja Qual é a minha posição quando eu lido com problemas da cultura ou quando eu tento definir o que seria a cultura eh e as várias posições dos outros que eu estudo sejam ou eh da antropologia que muitas vezes se debruça sobre coletividades que ainda digamos estão em funcion ento que podem portanto ser objeto do esforço etnográfico ou etnológico
ou no caso dos historiadores de estados digamos culturais passados né processos que às vezes já estão Encerrados mas que ainda assim podem se fazer sentir eh nas nossas sociedades hoje eh residualmente na década de 60 alguns historiadores passaram a estudar a cultura popular ligadas também aos âmbitos econômico e político neste momento fica evidenciada a complexidade de se definir quem é o [Aplausos] [Música] [Aplausos] povo ainda nessa linha de definir o Conceito história cultural e tal qual é a diferença de história cultural e história da Cultura em algum momento essas duas abordagens elas se tocam a
gente tá falando de coisas muito diferentes são coisas e bastante diferentes I porque quando eu tô fazendo referência à história cultural ou a nova história cultural Como disse no começo estou fazendo referência a uma perspectiva a um conjunto de tendências eh analíticas bastante contemporâneas né Que tem a ver com o desafio a história das mentalidades é que aparece nos anos 80 90 a história cultural funciona eh a pleno vapor no início dos anos 2000 ela consegue até uma espécie de hegemonia digamos assim eh no cenário historiográfico mais abrangente sobre tudo no que diz respeito à
França e isso Não tem necessariamente a ver com a noção de história da Cultura que seria uma espécie de outro filão e que tem a ver eu diria mais propriamente com eh Uma perspectiva historiográfica ligada a eh intelectuais do século XIX e do começo do século XX que estão eh preocupados com as relações aliás entre cultura e arte eu poderia dizer para ser simples né para não eh levar o assunto longe demais para não extrapolar os limites do que a gente pode discutir aqui num num conversa como essa eh que a história da cultura ela
tem um momento forte eh na segunda no início segunda metade do século XIX com por exemplo as Pesquisas eh de um Historiador suíço conhecido eh de nós até hoje que é o Jacob burgard ele é conhecido por causa de um livro em particular que se chama em português a cultura do renascimento na Itália e que é um livro que buscava eh de alguma maneira dar conta de dois processos né primeiro tentar eh imaginar o que é que seria o universo do renascimento a partir de um Conjunto de características que o distinguiram da idade média no
caso de burkhard é um Valor importantíssimo seria a afirmação o nascimento do indivíduo então a ideia de que a idade média seria o território das coletividades ao passo que o renascimento seria a descoberta do homem do mundo e e de outro lado a tentativa de imaginar eh a partir de análises bastante abrangentes por exemplo das sociabilidades ou seja das festividades da religião eh da escrita da história mesmo e uma outra e uma série de outros fatores eh o que que seria um quadro Daquela época né ou seja seria possível pintar uma época como uma espécie
de quadro seria possível eh estabeleceu uma imagem eh de uma época como um todo essa essa é uma pergunta né que foi colocada ali eh que na verdade Ganhou muito fôlego porque a história da cultura pensada por autores como burkhard eh se acomodava muito bem a um sistema social no interior do qual eh havia uma preocupação com o destino das Nações eh e também com o espírito das populações Né então a ideia de que o passado eh de certa maneira conteria grandes ilhas de sentido grandes bolhas socioculturais que poderiam ser isoladas e depois descritas Então
esse é um primeiro a primeira marca digamos assim do que a gente poderia chamar mais eh idoneamente de história da cultura mas depois também existem eh estudiosos que vão levar esse desafio para direções diferentes acho que um grande exemplo seria o historiador eh da arte e da cultura AB Varb alguém é que é responsável por formar muitos pesquisadores fundamentais paraa história do século XX grandes historiadores da arte e da cultura também como ervin panofsky eh que até hoje é muito lido e conhecido eh Francis Yates e Edgar vind e muitos e muitos outros ou seja
ali eh no Instituto VB que aliás tem uma grande importância não só porque ali se desenvolveram certas concepções importantes da significativas quero dizer da história da cultura mas Também porque aparece com o esforço desse intelectual AB varb uma grande biblioteca eh para a história da cultura que ele acumulou eh durante a sua vida que estava em Hamburgo Originalmente e é removida para Londres Onde fica onde está até hoje com a ascensão dos nazistas esses eh intelectuais eles estavam todos preocupados de alguma forma com as várias consequências da sobrevivência da pós-vida eh do que a gente
chamaria de uma tradição clássica Né então no fundo eh ao estudar problemas por exemplo da arte eh do renascimento mas não só havia o interesse de buscar nexos com eh outras épocas com a sobrevivência por exemplo de determinadas formas formas emocionais fórmulas patéticas eh que a gente poderia encontrar nas imagens ou então a a sobrevivência de determinadas tipologias culturais e que eh seriam portanto colocadas no interior de uma de uma perspectiva orientada pela tradição Né No fundo é o que prevalece eu quero chamar a atenção é é o que prevalece a ideia de que a
o estudo das continuidades é importante então eh a história da cultura tem esse esse traço e esse um traço digamos assim que depois também vai encontrar eh respaldo em outras em outras iniciativas intelectuais né aí tem uma Enfim uma história enorme Como eu disse que eu não tenho condições de de contar agora de descrever mas eu poderia marcar a Valorização justamente então de fenômenos recorrentes e uma relação profunda entre as singularidades da história e digamos as as continuidades eh e as permanências que eh São ou explícitas aos indivíduos que as praticam ou não né no
caso por exemplo da de uma ideia da pós-vida das fórmulas de Patos né né as fórmulas emocionais que a gente poderia encontrar em certos quadros Ou seja a ideia de que um determinado gesto significa o medo ou de Que outro gesto significa coragem não está necessariamente na cabeça dos indivíduos que contemplam as obras ou que as produzem mas o historiador da cultura poderia justamente percebê-las né então é claro que aqui ah em grande medida pelo menos nesses estudiosos eh ligados ao círculo mais Imediato do AB VB era esse a o um primeiro um primeiro viés
uma primeira uma primeira entrada entrada é que até hoje continua dando frutos porque a esse círculo eh Intelectual ainda vive e em alguma medida graças a pessoas que continuam preocupadas com perguntas como essas Mas então para sintetizar é só dizer que a história da cultura portanto ela tá ligada a a um filão intelectual germânico por assim dizer e que vai se conectando com outros eh ao longo do século XX mas que não tem relação Direta com a história cultural por exemplo acesa que parte de outro de outro lugar às vezes eu vejo uma certa confusão
Acontecer que é a dificuldade que algumas pessoas têm diferenciar a história Cultural de história das mentalidades que foi muito forte na França e tal e aí eu te pergunto essas áreas são a mesma coisa com nomes diferentes ou são coisas diferentes mesmo onde é que tá a diferença é uma ótima pergunta iis Porque de fato a gente eh sobretudo no Brasil eh Às vezes tem o hábito de entender que a história das mentalidades é uma espécie de Pré-história da história cultural e na verdade é um pouco mais complicado do que isso porque história das mentalidades
não é a mesma coisa E que história cultural especificamente na França pelo contrário a história Cultural de certa maneira é uma reação à história das mentalidades agora ao mesmo tempo isso não significa dizer que Ambas estão completamente desconectadas isso é impossível porque de certa maneira os grandes intelectuais ligados à Formulação teórica e prática da história das mentalidades são os intelectuais que estão eh na base do da perspectiva do Z anal eu percebam não quis aqui fazer referência à ideia de uma escola do Z anal eu acho acho essa expressão é bastante perigosa porque ela leva
sobretudo nós aqui que estamos um pouco distantes né do mundo eh Universitário francês a imaginar uma espécie de instituição unificada e unificadora que teria produzido uma perspectiva eh Intelectual única ou unívoca isso seria incorreto de dizer aquilo que digamos assim caracteriza o legado dos análises é justamente a pluralidade das interpretações eh e das perspectivas mas ao mesmo tempo é óbvio existe sim um elo digamos assim é que é possível perceber quando a gente recorre essa ideia né todos os historiadores e historiadoras ligados à tradição e dos anal e que justamente produz Então essas tensões entre
história cultural e história das Mentalidades para falar um pouco de mentalidades eu acho que é preciso eh dizer que no campo da historiografia existe francesa existe uma dualidade de sentido quando a gente pensa nesse conceito porque o conceito de certa maneira ele remete as obras e do Mark Block e do Luen fev mas a a ideia de mentalidade para ambos eh tinha sentidos um tanto quanto diferentes então no caso do Lu and Fed seria importante dizer que as mentalidades elas consistem numa Espécie de Psicologia histórica e aliás o Lucian FB quando pensa nesse conceito tá
recorrendo em grande medida a um psicólogo chamado brond Della é que por sua vez toma emprestado essa noção de mentalidade da obra de um antropólogo Levi brull Luciano Levi brull então aqui é mais um exemplo para vocês perceberem as relações Profundas entre história da cultura e antropologia perdão história cultural e antropologia nesse sentido o termo mentalidade vai designar uma Espécie de sistemas eh de sistema de representações de uma época como um todo e um conjunto de categorias de sensibilidade de expressão que eh seria dotado de uma coerência interna o termo mentalidade era um termo muito
polêmico eh nesse momento por causa da definição desse antropólogo chamado Levi PR o o conceito tal como ele o usava apareceu em seus trabalhos sobre a a noção de mentalidade primitiva e esse termo Claro mentalidade primitiva essa expressão eh Foi muito atacada justamente pela sua conotação digamos reducionista das coletividades não ocidentais né o o levos Por Exemplo foi um grande crítico do lev por causa disso o próprio Levi admite num certo momento que eh a ideia de uma mentalidade de uma mentalidade primitiva ela deu origem a profundos Mal entendidos né porque por exemplo ele argumentava
de maneira mais Sutil do que o que eu vou dizer agora mas essa é a maneira como ele foi recebido muitas Vezes ele argumentava que as sociedades ditas primitivas elas eram caracterizadas por um pensamento pré-lógico e aí então nós temos uma mentalidade pré-lógica no sentido então de um grande sistema de interação do mundo que estaria presente nas mentes de todas essas eh coletividades como o próprio Levi tenta mostrar o pré-lógico a que ele recorreu Não significava de certa maneira nem uma nem um a lógico nem um antilógico que seriam Talvez as Eh Chaves de leitura
que nós adotariam no primeiro momento sem estudar esses temas a fundo né então quer dizer o pré-lógico entendido como uma espécie de antilógico ele queria dizer com pré lógico simplesmente que a mentalidade dita primitiva ela não se esforçava como a nossa essa uma passagem dele para evitar contradições né Ou seja a racionalidade ocidental seria uma racionalidade que seria caracterizada por uma reação às contradições quando Você flagra uma contradição o pensamento se interrompe e toma uma direção diferente e as sociedades primitivas não teriam as mesmas exigências lógicas que as nossas você pode ver eh iis que
nessa discussão do levip que já faz um século estão colocados de certa maneira os desafios que aparecem até hoje nos nossos debates da antropologia e da historiografia né No fundo no fundo o debate entre o salin e obser que eu citei como um causo interessante para Começar a nossa conversa tem a ver justamente com isso né Será que as coletividades Extra modernas né não ocidentais Elas têm uma racionalidade que não recorre às mesmas exigências as lógicas que são as nossas ou por outro lado Elas têm sim os mesmos pressupostos lógicos que os nossos porque os
pressupostos lógicos seriam universais e elas apenas dão outros sentidos para essa para essas exigências né Então essa é uma grande questão para começar o que Deve ficar para entender o que que significa mentalidades é justamente Essa Ideia de um universo mental coletivo agora como é que a gente acessa esse universo mental coletivo né no caso do Luan fev a possibilidade mais imediata e mais frutífera seria é justamente a de você recorrer às realizações dos indivíduos não para fazer uma história dos indivíduos em si né o os anal como vocês sabem né tem início com um
programa que justamente visava Questionar uma história muito Atenta às trajetórias dos grandes personagens eh tomadas por elas próprias o o que acontece aqui é de outra ordem na verdade é a ideia de que o acesso a uma biografia de um indivíduo do passado eh daria as daria condições de enxergar qual era o campo de possibilidades digamos assim culturais disponíveis para esse indivíduo e aí a gente entende porque que lucien fev vai estudar o Rabel ah ou vai estudar o Martinho Lutero e no fundo esses indivíduos eles na verdade seriam fontes de uma riqueza extraordinária para
estudar aquilo que seria o ferramento mental o equipamento mental dos indivíduos do século X de modo geral então a obra do Rabel por exemplo daria uma chave de leitura para entendermos a as condições sociais em que ela estava inserida ela daria por exemplo a ideia digamos de um campo de testes melhor dizendo pra gente tentar entender qual qual era o limite do Pensamento naquele período Então qual é o quadro mental da época é essa digamos a a questão que aparece é claro que essa perspectiva ela coloca um desafio que é a ideia de que existiria
uma coerência entre a visão de mundo desse indivíduo particularmente dotado brilhante inteligente Sagaz e o quadro mental da sua época então aqui temos um um primeiro desafio uma primeira questão e de qualquer maneira então esse tipo de história das mentalidades adota a Perspectiva eh de análise de uma interação contínua entre os indivíduos e suas sociedades ou até mesmo entre os indivíduos e suas civilizações né a palavra civilização aparece né no no vocabulário do Luan FEB embora de maneira bastante nuançada então assim embora o este Historiador né conceda atenção aos indivíduos no fundo o que ele
está tentando mostrar é que determinados aspectos mentais Gerais São instalados nas consciências eh desses Indivíduos que vivem eh em sociedade então de certa maneira a história das mentalidades teorizado dessa dessa forma ela estabelece a historiografia como uma ciência efetivamente do Social e uma ciência voltada aos parâmetros linguísticos aos parâmetros conceituais aos parâmetros antropológicos eh e assim por diante no interior de uma grande psicologia coletiva é que toma o indivíduo como seu seu termômetro de outro lado nós temos o Mark Block que e Não vai se concentrar em uma abordagem individualista como a do Luen fev
para tentar se voltar mais para sistemas de representações e para sistemas de crenças Então nesse sentido o que ele vai buscar é justamente demonstrar a partir de um vasto questionário com inúmeras fontes O que é que a gente poderia e descobrir em termos dos ritos de uma sociedad das suas práticas simbólicas quando a gente a observa em longa duração Eu acho que o exemplo mais Interessante mais fascinante an an desse tipo de abordagem é o livro Os reis taumaturgos que como a gente sabe né tinha o objetivo de tratar da ideia da cura que os
reis eram capazes de fazer eh das escrófulas né Então essa era uma prática de longuíssima duração de certa maneira porque era uma prática de origem medieval e que é é demonstrada por ele persistir até o início do século XIX é muito impressionante né dessa forma então eh a ideia seria como é que a Gente pode entender um programa como esse seria ideológico né Ou seja a ideia que vocês eram capazes de curar as escofinas com uma realidade eh social absolutamente eh ancorada estabelecida né não questionada durante muitos séculos e aí Portanto o que a gente
tem é uma crença que vai ser relacionada a um contexto sociopolítico a partir de vários documentos diferentes então documentos entre aspas oficiais régios eh textos que a gente chamaria de Literários e todos eles demonstrariam então elementos psicológicos profundos Ou seja a crença da sacralidade dos Reis e e os fenômenos sociológicos que vão moldando essa crença estável né então no fundo o que ele tá tentando mostrar é a escala dos grandes valores e como esses valores eh na verdade Dão origem a processos históricos de grande fôlego né E que na verdade demoram muito a a se
consolidar e uma vez consolidados são muito dificilmente desgastados o caso Das escrus é interessante justamente porque é um caso em que a eficácia dessa suposta cura é verificada por indivíduos de vários extratos sociais e como eu disse há pouco por muito tempo de certa forma também seria eh importante sublinhar né que a abordagem que se coloca aqui ela não tá voltada somente pro estudo das ideologias e paraa transmissão social dessas ideologias ela também está preocupada com o estudo de estruturas sincrônicas que são as Estruturas políticas são as estruturas eh jurídicas e até mesmo as lógicas
de parentesco de certa maneira eh seria possível falar que eh a que todas essas demonstrações elas estão buscando constantes antropológicas eh então lógicas sociais inconscientes que são naturalizadas a ponto de serem percebidas como universais É isso que eu tô querendo dizer com a noção de de Antropologia ou seja são fenômenos que a sociedade vai internalizando de maneira Tão Cabal que a pergunta pela validade dessas eh interioriza sões já não se coloca Então são hábitos realmente muito eh eh interiorizados não só na ordem intelectual mas também na ordem afetiva na ordem corporal e é só isso
que pode explicar como que uma crença dessas eh foi transmitida durante tanto tempo e produziu uma série de de consequências o que que dá para tirar disso né segundo a historiografia eh contemporânea que se voltou para pra história cultural né dá Para dizer que as mentalidades não são redutíveis ao escopo ideológico das representações Porque existe toda uma dimensão social eh que fundamenta essas representações e ao mesmo tempo da para dizer que as mentalidades seriam sistemas de representações inconscientes e esses sistemas teriam uma lógica que os historiadores poderiam encontrar no caso do Lucian F como eu
L disse há pouco a mentalidade seria um problema teórico solucionado pela Via psicológica Enquanto eh que no caso do Mark Block seria um problema das dinâmicas sociais das práticas em perspectiva eh sobretudo antropológica então Eh eu poderia dizer que esse problema das mentalidades ele tá eh ancorado nesse local né nesse nesse primeiro momento dos análises só que depois tem uma outra eh discussão que é igualmente importante que é a ideia eh digamos assim das mentalidades algumas décadas depois ou seja como as mentalidades eh foram apropriadas pelo Programa dos análises e que de certa maneira claro
como a gente sabe colocava tanto luon F quanto Mark Block como uma espécie de eh grande cânone fundador e portanto absolutamente decisivo uma questão que a gente poderia colocar para tentar explicar isso eh rapidamente seria eh justamente então que a partir dos anos 60 eh essas possibilidades das mentalidades elas são tomadas para se associarem a novidades metodológicas que estavam aparecendo justamente para Garantir a sustentação epistemológica da historiografia quando desafiada pelas demais Ciências Sociais então por exemplo a emergência da história quantitativa é somada à discussões teóricas sobre mentalidade só podia dar numa combinatória né que é
assim eu posso Então a partir agora dos novos procedimentos de quantificação das informações e estabelecer um questionário que vai dar corpo bem mais concreto para esses sistemas de Pensamento e esses sistemas de comportamento então a história quantitativa de certa maneira permitiria realizar o sonho da história das mentalidades anteriormente eh definidas E aí aparece o coletivo como uma espécie de objeto que seria eh estudado a partir da noção de automatismo ou seja aquilo que é repetitivo aquilo que poderia ser objeto de um estudo serial e um estudo estatístico então aqui a gente tem uma fusão por
exemplo eh Entre esses Paradigmas das mentalidades com a história das economias a a história das sociedades a história das populações em vários eh ambientes cronológicos então por exemplo os medievalistas se beneficiaram profundamente da da ideia de uma história das mentalidades mas também os historiadores da época eh moderna outros tentaram estabelecer eh sínteses de de grande duração eu me lembro por exemplo do do grande livro sobre a história do Medo no ocidente de Qualquer maneira eh O Privilégio aqui é sempre dado às Fontes massivas né em grande quantidade porque Elas seriam eh largamente representativas e estariam
disponíveis para épocas diferentes Então é isso que permitiria justamente verificar as mentalidades né então os inventários os testamentos eh os arquivos eh judiciais de maneira geral São todos considerados eh corpora interessantes para pensar os problemas da mentalidade e ao mesmo tempo um Segundo paradigma seria tentar conciliar esse questionário das mentalidades com o modelo brodel Iano das temporalidades né então a a curta duração a longa duração e assim por diante por quê Porque aí e dentro desse tempo longo medido estatisticamente a gente poderia mudar e testar perdão as as variações eh de crenças e as variações
das sensibilidades e assim por diante uma outra questão que é importante colocar que é muito bem lembrada pelo cogar que Alguém que tem muita relação tanto com a história das ment idades quanto com a história cultural é a ideia de que a história das mentalidades estabelece uma relação específica com a sociedade e essa relação ela tá caracterizada sobretudo eh pelo apagamento das Diferenças eh a ideia se você quer Eh estudar uma sociedade do ponto de vista da sua mentalidade Isso significa que você vai colocar as diferenças em segundo plano para tentar justamente Perceber as regularidades
os sentimentos comuns e até mesmo as características arquetípicas de uma determinada de um determinado processo Porque sem isso você não chegaria portanto a uma espécie de consciente coletivo que seria justamente aquele que daria o arcabouço né das representações partilhadas por todos e com isso que a gente pode perceber então é um primeiro momento de crítica né porque Justamente a história cultural vai eh olhar eh para esse tipo De de de de estrutura interpretativa de estrutura analítica com grande eh desconfiança mas não apenas a história cultural Mas enfim correntes historiográficas de de V de vários locais
e de várias filiações epistemológicas vão partir desse princípio né de que a história das mentalidades por mais sedutora que ela seja e ela me parece até hoje sedutora ela no fundo parte de uma premissa que é dificilmente demonstrável que é a dessas Regularidades vastíssimas que dariam origem a um inconsciente social que nós pudéssemos descrever se você quiser colaborar com o história FM você pode fazer isso via PX usando a chave leitura obrigahistória @gmail.com e assim você colabora para manter esse projeto Educacional gratuito no ar quando esse núcleo dos análises surge ele aparece tecendo algumas críticas
a paradigmas anteriores Incluindo aí o Marxismo né só que isso não quer dizer que autores marxistas não tragam a cultura paraa centralidade de alguns debates como por exemplo faz o Antonio grams o Edward Thomson Então queria te perguntar qual foi a contribuição do o Marxismo a história cultural levando em conta que esses dois Campos às vezes têm os seus conflitos certamente eu acho que a figura do Thomson em particular é absolutamente eh fundamental pra gente perceber que o o questionário da cultura Ele adentrou diversos tipos de perspectivas teóricas né no caso do Thomson por exemplo
né Eh existe uma espécie de correlação entre os princípios eh epistemológicos marxistas e um determinado conjunto de dinâmicas sociocultura que esses princípios não teriam condições de dar conta num primeiro momento né Eu acho que o primeiro rator a colocar no interior dessa discussão é justamente a própria noção de uma cultura vista de baixo né a Expressão história vista de baixo é uma expressão fundamental em grande medida pelo trabalho do Thomson né ele ele prega essa expressão num artigo publicado em 1966 portanto justamente nesse momento em que eh na França eh se está buscando né esse
esforço de quantificar S aliado à busca pelas mentalidades do jeito que eu eh tentei descrever em linhas Gerais agora a pouco mas então Aqui nós temos uma abordagem que quer tentar entender a o ponto de Vista eh dos de baixo sem necessariamente recorrer a ao apagamento digamos da sua dimensão criativa da sua dimensão eh de agência na grande nuvem das séries de dados eh generalizantes e que eh dariam origem a um a um instrumento analítico de amplo alcance né então no fundo o desafio aqui seria justamente encontrar uma maneira de entender a por exemplo as
lutas de classe sem jogar fora as práticas cotidianas dos indivíduos os Procedimentos de interiorização por exemplo o o o Thomson tem um artigo um texto aliás muito interessante sobre como a a transformação da Ordem do tempo tem impactos eh decisivos eh na estrutura do trabalho enfim são os vários textos que aparecem no livro The making of The English working Class e que que até hoje fazem escola e que foram lidos são lidos né e nos cursos de graduação porque justamente apresentam essa perspectiva a perspectiva de você Reconstruir sensibilidades políticas no interior de quadros eh de
apropriação de normas culturais conflituosas né Eh que é justamente a dimensão do trabalho então de certa maneira dá para falar sim que vários historiadores e não só historiadores também antropólogos ligados eh a perspectivas que eu poderia chamar genericamente de culturalistas se voltaram para eh digamos assim esses mesmos Desafios que estavam colocados em outros contextos Aliás a a própria noção Do de ver a história de baixo né vai para além do do próprio Marxismo né ela vai aparecer por exemplo na própria experiência metodológica da microhistoria ela vai aparecer na historiografia norte-americana depois de importantes debates na
na Inglaterra eh sempre sobre esse enfoque mais uma vez das vidas eh ordinárias e do cotidiano dos excluídos Então acho que para para dizer assim em síntese né alguma coisa a respeito desse problema eu insistiria na Ideia de que a essa perspectiva marxista ela tá ela concilia eh no caso do Thomson me parece com grande eficácia as ações as práticas os hábitos os valores há um conjunto de crenças que podem ser eh examinados à luz de contrastes e de conflitos sociais abrangentes então aqui também de certa maneira parece uma dimensão digamos circular das relações de
classe com os constrangimentos que são eh estabelecidos sincronicamente por exemplo então no fundo eh a ideia de que A ordem social só pode ser compreendida no diálogo permanente entre o sincrônico e o diacrônico e na correlação entre eh características mais gerais do conflito social que poderiam ser descritos por exemplo com apoio das perspectivas marxistas marxianas mas também vistas na dimensão do simbólico né É É importante lembrar que essa discussão ela tinha um valor enorme né porque se nós tomarmos digamos esses paradigmas de maneira de maneira um tanto grosseira né à Distância a gente tenderia a
pensar que a história da cultura seria preocupar alguma coisa da Ordem do da superestrutura e não da infraestrutura e pensar dessa forma naturalmente Colocaria a história cultural num patamar de certa maneira inferior ou menos importante ou menos eficaz do que a a história sociopolítica ou história econômica por exemplo né então no fundo a grande contribuição me parece é de colocar a as dinâmicas entre aspas Infraestruturais e e e super estruturais em posições relativamente simétricas o que justamente permite dar conta de um tipo de história de fôlego social mas que não deixa de ter atenção às
características entre aspas culturais que seriam visíveis eh nos comportamentos de um indivíduo ou de um pequeno grupo de indivíduos uma vez já faz uns bons Anos Antes da pandemia e tal eu tava fazendo uma live no Instagram e um cara me perguntou qual Era a diferença do conceito de cultura pro Edward Thompson Roger charti e o Peter burk Na época eu falei para ele que eu não tinha como responder isso porque embora eu tenha lido esses três autores eu nunca li com essa pergunta na cabeça e tal e essa pergunta sozinha dá um artigo até
um TCC inteiro então eu falei não tem como responder isso assim de sopetão né mas inspirado nessa pergunta levando em consideração que eu preparei seu roteiro te mandei antes tal Então eu queria te perguntar a gente consegue encontrar algumas diferenças significativas na forma como esses três autores trabalham um conceito de cultura e na inserção deles no campo da história cultural eu acho que sim em embora eu preferisse insistir é que existem continuidades nessas diferentes abordagens pelas razões que eu espero estejam Claras neste momento né Eh porque no final das contas por exemplo se nós tomarmos
a perspectiva da Dinâmica entre o que se chamaria de popular e erudito todos esses eh historiadores que você citou tem alguma coisa a dizer a respeito é claro que a mesma coisa acontece por exemplo com a renovação eh teórica ainda que essa renovação teórica assuma diferentes vetores para dar um exemplo mais concreto né se a gente quisesse por exemplo distinguir a abordagem de Roger Chartier da história da cultura da abordagem thompsoniana uma primeira Distinção poderia ser feita no sentido daquilo que dá elementos para esses dois intelectuais conduzirem os seus trabalhos do ponto de vista do
Thomson nunca deixa de estar presente a dinâmica da luta de classes por exemplo e ainda que ela seja totalmente qualificada como eu acabei de de explicar na respondendo à pergunta anterior né no caso de Roger Chartier a sua relação com Pierre bourd leva o ário para um lugar um pouco diferente ao invés de pensar em lutas de Classe o que eu acho que está em jogo no na história cultural ligada a esse pesquisador é a luta de classificação a luta de classificação isso aqui claro vem efetivamente da obra do Pierre bourd seja pelas suas noções
mais consagradas né razão prática hábitos Campo etc tem a ver justamente com a a descrição e densa das interações entre práticas e Representações nunca entendendo que as práticas são meramente eh constitutivas das Representações ou o contrário as representações puramente constitutivas das práticas ou seja no fundo é para entender a ordem cultural eh seria necessário eh esclarecer quais são eh e como se afirmam historicamente provisoriamente os vários sistemas de classificação que permitem aos indivíduos constituirem eh representações e como as representações por sua vez quando se estabelecem vão delimitando o horizonte das práticas Então é muito mais
um sistema de classificação que na verdade prescinde um pouco da da dimensão da luta de classes que se vê eh colocada aí no caso do Peter burker eu acho que é um pouco mais complicado assim porque de alguma maneira a obra dele eh mais classicamente ligada à história cultural que tá envola eh no final dos anos 70 durante os anos 80 por exemplo o grande livro dele estatura Popular eh na primeira época moderna ainda eh me Parece recorrer a estruturas de interpretação que são generalizantes que eu não seria totalmente divorciadas da dos pressupostos da da
história das mentalidades ainda que ele eh tenha buscado tomar distância delas e e essa ambição totalizante no Peter Burg aparece inclusive nas suas descrições sobre esses mesmos processos né porque eh um um livro por exemplo que é muito lido no Brasil até hoje é um livro por exemplo que constava do meu programa de Leituras da disciplina que eu cursei de introdução aos estudos históricos na na na minha própria graduação 18 anos atrás é o livro sobre o que é a história cultural e quando você lê esse livro a imagem que desponta é justamente a de
uma espécie de história cultural totalizada eh porque as várias distinções das práticas intelectuais na verdade seriam totalmente unificadas pelo próprio conceito de cultura então por exemplo se vocês abrirem esse livro Hoje vocês vão ver que no começo dele ele ele trata da história da cultura e ao tratar da história da Cultura a partir de burkhard e outros ele constitui esses eh intelectuais como quase que a o os genitores de um de um tipo de de raciocínio que depois vai ser continuado por outros então aí uma uma dimensão teleológica que hoje eu acho muito difícil de
de se sustentar e é a mesma coisa que ele faz por exemplo com o livro sobre a escola dos anal e quando Ele divide a escola eh dos Anali em gerações a primeira a segunda terceira a possibilidade de uma quarta etc não é que não haja relações entre esses autores eu mostrei algumas dessas relações aqui eh mais cedo mas eu acho que é extremamente redutor pensar nesses termos né de gerações e de gerações que se sucedem no tempo de maneira direta e não em gerações que entram em conflitos se apropriam de determinados traços intelectuais do
seu passado do seu Passado epistemológico e eu acho que de certa maneira a dinâmica que o Peter burk estabelece impõe aos seus estudos da cultura popular ela no fundo termina nesse mesmo digamos nesse mesmo limite nesse mesmo desafio né que é a o de eh pensar em identidades que são Eh mais ou menos estáveis e que portanto podem ser eh passíveis de comparação e processos que de certa maneira então são desprovidos das tensões que são muito visíveis muito mais visíveis tanto nos Trabalhos do Thompson quanto nos trabalhos do Chartier eh nos dois casos É certo
que problema das estabilidades digamos assim que caracterizaria uma cultura ou um sistema de classificações ou um sistema de luta de classes tá sempre revestido é de conflitos ou seja a ideia de que a a força dos modelos culturais dominantes ela ela não apaga a a deflagração de especificidades E no caso caso do do peterb eu acho que trabalho dele de maneira geral ele não Necessariamente conseguiu eh em todos os momentos demonstrar essa essa dinâmica de apropriações ou de resistências de reformulações de maneira tão bem sucedida quanto aconteceu no caso dos outros historiadores então para terminar
eu diria que os três são muito diferentes e muito semelhantes ao mesmo tempo eles são semelhantes no sentido de que Os questionamentos que perpassam suas obras até certo ponto são comuns porque em a medida eles eh produziram Grandes livros mais ou menos nas mesmos nos mesmos anos ao longo das mesmas décadas mas eh as maneiras de tratar eh desses problemas são são absolutamente diferentes e inclusive geraram heranças eh distintas e foram apropriadas de maneiras distintas o uso do termo cultura em um sentido amplo sem as distinções entre alta e baixa cultura entendemos a aproximação que
historiadores e economistas fizeram com a antropologia Ao proporcionar uma visão sobre a importância dos valores para explicar a produção a acumulação e o consumo da [Aplausos] [Música] riqueza todo Campo na historiografia é criticado por adeptos de outros Campos correntes Vertentes metodologias enfim Quais são as principais críticas que a história cultural recebe e normalmente quais são os argumentos usados para defender a história cultural dessas Críticas Bom eu acho que a primeira crítica que poderia ser feita a história cultural tem a ver um pouco com o seu sucesso porque no fundo eh se a gente recapitular um
pouco o que aconteceu com a história cultural a partir dos anos 80 nós vamos perceber eh mais uma vez isso tem uma relação principalmente com a França mas também com os Estados Unidos a gente pode pensar no livro importante da lin Hunt eh sobre a noção de Nova História cultural é que esse modelo ele Ele ganhou muita força no Brasil também né nos anos 90 nos anos no início dos anos 2000 se você fizer um mapeamento acho que dos trabalhos historiográficos publicados as categorias básicas por exemplo de prática de representação elas são muito muito presentes
e alguns diriam que praticamente onipresentes Então esse sucesso ele introduziu na verdade um grande problema que é a ideia de que cultura significaria tudo no fundo e essa é a grande a grande crítica A ideia de que digamos a capacidade eh de alcance do questionário da história cultural apagaria as especificidades eh da história política da história social das lutas ideológicas e das várias outras maneiras que nós temos de digamos tratar eh desses problemas então no fundo no fundo o o que me parece é que a categoria de representação sobretudo ela se tornou uma categoria quase
que automática e automatizada para tratar de problemas eh eh da Ordem do simbólico Então no fundo esse sucesso teórico produziu um silenciamento e uma falta de oxigenação da Prática historiográfica eu não digo no no no plano teórico porque no plano teórico sempre houve desafios e críticas eh bastante violentas a a esse a esse tipo de perspectiva que é sobretudo francesa né Por exemplo se você considerar a emergência da própria microhistoria a micro-história eh surge como uma espécie de desafio a um desequilíbrio o que era percebido por Historiadores italianos do mercado historiográfico uma expressão famosa né
que tá lá nas origens da da Micro hisória então a micro hisória seria de certa maneira uma tentativa de reposicionar eh outras abordagens e outras perspectivas para fazer um desafio digamos a um modelo francês de de pensamento histórico né então Eh eu te diria isso wiles que essa é a grande Esse é o grande problema né e a história cultural se tornou objeto de uma Profunda eh generalização e é interessante porque ela na verdade acabou criando o monstro que ela própria visava a enfrentar ou seja se ela apareceu historiograficas Para justamente eh dar conta dos
processos de interiorização dos comportamentos das representações das práticas processos esses que pela sua própria eh configuração não eram visíveis sem sem muito esforço intelectual no fundo a eh história cultural acabou se Interiorizando como se fosse Quase que o exercício da historiografia em si mesmo e como se então as categorias básicas dela fossem categorias quase que que eh obrigatórias ou incontornáveis eh no fundo eu acredito que a solução para esse desafio para essa grande crítica foi justamente a ideia de qualificar essa história cultural para que ela não se perca como a história em si ou a
maneira em si de tratar do passado ao mesmo tempo em que ela eh foi Necessariamente objeto de de rivalidade de modelos diferentes então eu já falei aqui da microhistoria que coloca questões distintas ainda que conectadas a gente sabe por exemplo que a obra do gings bog tem uma relação muito significativa com a historiografia Francesa com Mark Block né que era um modelo para e que na sua perspectiva de mentalidad guardava uma relação com problemas culturais e assim por diante Mas agora nós temos por exemplo a História global que coloca outros desafios nós temos a microhistoria
Global nós temos eh renovações da história política desde os anos 70 agora existe uma história social da política por exemplo que é Ganhou força várias possibilidades de pensar a história das ideias ou da história ou a história intelectual e tudo isso portanto tornou o nosso cenário muito mais plural e muito mais eh digamos assim interessante eu diria né porque recoloca como eu Disse a história cultural num lugar mais razoável e e e e menos tirânico por assim dizer né Eh eu termino lembrando que hoje por exemplo a história cultural está muito mais eh incorporada a
a outros tipos de abordagem mesmo no interior do que a gente chamaria dos análise eh hoje por exemplo tá muito Decididamente claro né que o território do simbólico é insuficiente e isso significa então que eh toda história cultural tem que necessariamente se Revestir de instrumentos de análise social ao mesmo tempo a história cultural reaparece eh em Campos eh que se demarcaram dela num primeiro momento hoje na França por exemplo a história intelectual é necessariamente vista como uma história cultural uma vez que o o território das ideias por si só é incapaz de dar conta dos
fenômenos que a gente chamaria de intelectuais né um grande exemplo disso está na própria obra do Roger Chartier sobre a Revolução Francesa né as origens culturais da Revolução Francesa é que é um livro que de certa maneira aparece para criticar a a perspectiva de uma eh história das origens intelectuais da Revolução Francesa então no fundo eu acho que o nosso momento atual é um momento de grande fertilidade é um momento bastante animador para a historiografia justamente porque esses sistemas de classificação rígidos tem t dado lugar a exploração interdisciplinar e mesmo no Interior da historiografia é
bastante plural eh dos fenômenos a que se tem que juntar também um último elemento que me parece interessante que é a possibilidade de historiadores e historiadoras de locais que não se reduzem a digamos ao norte Global participarem dessas desses debates com bastante sucesso eu acho que aí também eh a gente tem um um campo muito fértil de interações né e não de troca ou seja substituição eh de um pensamento Supostamente europeu por um outro que não seja mas a interação eh intelectual sistemática das várias partes do mundo e me parece que ela vai vai dar
origem a novas figuras eh da história cultural que tem ainda muito a a contribuir para terminar eu queria te pedir eh algumas dicas que dicas você dá para os graduandos em história que gostariam de trabalhar com história cultural seja num artigo num TCC ou talvez até num projeto de Mestrado O que que você falaria para Esses graduandos eu diria primeiro que a o estudo da História cultural significa necessariamente um um estudo reflexivo então a primeira digamos tarefa que eu me poria Se eu quisesse enveredar por esse campo é entender o que que significa reflexividade nas
ciências humanas e na historiografia e por reflexividade eu quero dizer em termos Gerais a necessidade que deve se impor a todo Historiador e a toda historiadora de dar conta não só de um conjunto de Princípios teóricos que poderiam animar uma pesquisa mas das origens e e das transformações eh que esses mesmos conceitos T na história então para dizer de maneira bem simples seria historicizar as próprias ferramentas intelectuais de que nós nos servirmos então a história da Cultura como a gente tentou mostrar aqui conversando hoje ela tem uma história é uma história bastante complicada complexa efetivamente
e que precisa ser minimamente compreendida Para que uma filiação epistemologicamente consistente seja produzida em segundo lugar é interessante pensar também que os termos ligados à história da da cultura ou a história cultural necessariamente estão inscritos na própria ordem social ou seja estudar a história da Cultura não significa simplesmente tomar posse de um conjunto de ferramentas historiográficas mas também entender como é que a cultura se estabelece como conceito socialmente E essa esse estabelecimento de um conceito de cultura ele se dá da mesma forma no tempo então mais uma vez para tentar ser direto eu acho que
seria importante tentar estabelecer a historicidade da noção de história cultural antes de fazer o uso dela e ao mesmo tempo tentar estabelecer a historicidade da noção de cultura no lugar que é o meu ponto de partida por exemplo como historiador brasileiro que se formou em uma determinada tradição é Num campo de saber e a partir de uma certa tendência analítica então no fundo o convite que eu faria é sempre o da busca da autoconsciência Porque sem a autoconsciência é muito difícil eh estabelecer uma perspectiva do outro né a perspectiva do outra de uma alteridade ela
só é possível quando a minha identidade é retirada de uma espécie de posição Universal a partir da qual pudesse encarar a os modos de existência que existem no nosso mundo no nos vários Tempos que nos interessam como se fosse eh digamos assim o meu ponto de vista um ponto de vista absoluto né e e que pudesse portanto objetificar os pontos de vista dos outros eh no fundo a o jogo da digamos da historiografia é sempre um jogo eh multifacetado ele tem a ver com o meu presente o passado que eu quero estudar mas também com
os vários processos de mediação que me separam desse passado e isso é evidente por exemplo na maneira como eu eh lido com Os arquivos e com os documentos né Eh Se eu por exemplo quero ser um estudante de história eh cultural medieval não basta que eu dê conta das especificidades do meu tempo e das especificidades por exemplo do século XIV Mas de todos os tempos que me separam do século 14 e que permitiram que eu tivesse acesso a determinados documentos que poderiam perfeitamente não ter sido preservados ou que poderiam simplesmente por força do acaso não
existir Então eu tenho que Fazer uma história cultural dos arquivos que em os documentos que que eu vou eh utilizar eu preciso fazer uma história entre aspas cultural das várias maneiras de estudar os problemas que agora eu quero eu mesmo desenvolver e no fundo então é esse e o paradigma de uma reflexividade a ideia de uma de um constante questionamento da minha posição e ao mesmo tempo uma espécie de higiene conceitual para que eu entenda o lugar dos conceitos que eu decidi eh Empregar e as interações desses lugares que eu emprego hoje com os vários
usos dos mesmos conceitos ou de conceitos eh diferentes que incidem no mesmo Campo semântico nas outras épocas se você quer e saber um pouco mais sobre a vida especificamente do Peter Burg suas obras é parte do seu pensamento eu indico para vocês um vídeo de um canal muito interessante que chama obriga história obriga história esse canal tem um vídeo só sobre o Peter Berg De tão bom que o Peter Berg é ele ele caiu lá no canal do obriga história que é um canal Maravilhoso né [Música] recomendações de leitura para quem ouviu até o final
se interessou quer estudar mais sobre o assunto se você tivesse que recomendar até uns três livros sobre o tema O que que você recomenda Três livros que me parecem fascinantes sobre dinâmicas culturais são os seguintes e primeiro eu diria que a leitura da lin Hunt é fundamental essa grande historiadora escreveu um livro que se chama invenção dos direitos humanos em que ela busca mostrar que Justamente esse problema dos Direitos Humanos ele tá muito além da dimensão digamos jurídica ou política que mais imediatamente formou ou forjou documentos como a Declaração Universal dos Direitos do Homem e
do Cidadão um argumento interessante que ela faz que eu acho que tem profunda relação com as Dinâmicas culturais que foram abordadas aqui no episódio é justamente a ideia de que a noção de que haveria Direitos Humanos ela nasce por exemplo da criação e da produção de um espaço público de um público que reconhece se reconhece como igual e isso teria acontecido por exemplo é um argumento desafiador que ela lança pela leitura de romances então a leitura partilhada da literatura no final do século XVII seria um componente indispensável para entender porque que Uma comunidade vasta de
pessoas passa a estabelecer o princípio eh de que elas são todas iguais e portanto passíveis dos mesmos direitos Esse é um livro então Eh que eu acho muito muito bom no segundo livro que eu recomendaria porque também coloca dimensões interessantes sobre o problema da reflexividade é um livro do pesquisador Antoine lilti H atualmente professor no colégio de France eh e que se chama invenção da celebridade esse livro já existe no Nosso mercado há alguns anos foi traduzido assim como o seu livro mais recente que se chama a herança das luzes ambivalências da modernidade mas no
caso da invenção da celebridade é é interessante justamente porque ali ele vai colocar no século XVII um problema que nós em geral atribuímos ao século XX que é o nascimento por exemplo da figura do fã a figura por exemplo de indivíduos que se interessam profundamente por grandes intelectuais grandes artistas Etc não porque compartilhem com eles um sistema interpessoal eh intelectual mas simplesmente porque essas pessoas alcançaram um status eh social que as tornam dignas de eh adoração ou de ódio ou de rejeição então por exemplo o caso do Rousseau que é é fascinante na medida em
que H Rousseau publica uma série de textos visando com esses textos estabelecer um diálogo público eh de ordem intelectual para encontrar no no lugar disso muitas vezes pessoas Interessadas simplesmente em eh cumprimentá-lo e dizer que queriam eh tocá-lo e que queriam conhecê-lo de perto e saber quem era essa pessoa né isso até cria uma cisão famosa né entre o Jean jaac e o rousse né que foi objeto de de interesse durante muito tempo e que é abordado de forma fascinante inteligentíssima por esse grande Historiador e que representa inclusive um um eh movimento de renovação da
da tradição poítica dos anál e por fim eu Acho que um livro eh de Roger Chartier que é muito lido aqui no Brasil mas esse livro em particular me parece pouco conhecido Vale a Pena Ser eh mencionado justamente por se tratar de um exemplo digamos de uma abordagem de história cultural levada a ao limite isso seria o livro cardenio História de uma peça perdida esse é um livro que foi traduzido há alguns anos a por volta de 10 anos se não me engano ele é de 2012 e ele justamente tem a ver com a ideia
de Tentar recuperar práticas de leitura e circulação digamos assim de de do sentido a par de uma peça que eh já não existe né Essa peça esse texto eh do cardenio é um manuscrito que se perdeu e eh não se sabe Exatamente é como é que eh portanto essas representações poderiam se dar na contraluz desse texto supostamente inaugural e que é atribuído Em algum momento ao Shakespeare né então eh eh justamente tentar partir de um não documento né ou seja de uma ausência Para tentar produzir o conjunto de reflexões sobre os modos como eh as
pessoas recebiam e o teatro e como ele era adaptado pensado e transformado é realmente um um trabalho formidável Talvez seja eh para mim certamente é o livro mais interessante que Roger Chartier ah escreveu e eu acho portanto que vale muito a pena conhecê-lo então é isso gente Luiz tem alguma consideração final somente te agradecer a a oportunidade da Interlocução IES eh dizer que de minha par Estou sempre à disposição inclusive de pessoas que eventualmente eh se interessem por algumas das discussões que foram apresentadas então Eh se se desejarem eh conversar mais profundamente a respeito delas
eh na medida do possível Estou super à disposição e como é que o pessoal pode entrar em contato contigo pode entrar em contato comigo pelo meu e-mail institucional eh I Júnior tudo junto @b.br e pode encontrar informações Claro no site do departamento de história da UnB e e se quiserem conhecer um pouco do do trabalho também podem encontrar a minha página por exemplo no academia.edu onde eu coloco vários textos e que podem também servir de de enfim um ponto de acesso né alguns dos problemas que a gente discutiu obrigado então é isso gente muito obrigado
por ter ouvido até o final não se esqueçam que os livros mencionados no fim do episódio você Encontra eles no post desse Episódio na nosso site storia fm.com não se esquece segue a gente lá no Instagram @bg hisória dá uma nota C pra gente lá no Spotify e claro colabore com o nosso trabalho em App o.se obrigahistória Então é isso muito obrigado e até a [Música] próxima o stor FM é uma produção do canal leitura obriga história apresentação iis Rodrigues edição Samuel gambini roteiro Vitor Alexandre e i Rodrigues o financiamento deste programa é realizado pelos
nossos colaboradores em apoia.se bar obrigahistória [Música] esse podcast Foi editado por Samuel gambini Samuel gambini audio.com