Olá estamos aqui paraa nossa segunda aula que vai discutir um pouco sobre a temática dos métodos de alfabetização na aula anterior você viu um pouquinho sobre os diferentes métodos de alfabetização numa perspectiva histórica essa história dos métodos de alfabetização ela vai até mais ou menos a década de 80 porque na década na década de 80 ã surge no cenário né e nas discussões sobre alfabetização algo bastante diferente do que se tinha até aquele momento que é justamente uma discussão sobre o construtivismo pedagógico na alfabetização a partir da teorização da Emília Ferreiro e da Ana tebos
conhecida como a psicogênese da língua escrita então né ã com a discussão adinda dessa teoria dessas duas autoras a gente tem uma mudança paradigmática na área da alfabetização outras mudanças paradigmáticas na na área da alfabetização também já havia ocorrido né ao longo da história aí dos estudos das pesquisas e das práticas alfabetizadoras nas salas de aula uma dessas mudanças né A primeira delas é entre a soletração método bastante antigo né usado desde o século X e os métodos sintéticos e analíticos no final do século XIX tá Então nesse período aí se tem uma primeira mudança
paradigmática em relação à área da alfabetização justamente porque se passa uma organização metodológica né de lições H na qual se organiza em certo nível de complexidade ao longo dessas lições né uma progressão ao longo dessas lições do ponto de vista ã nesse momento ainda do adulto né como é que o adulto pensa o que seria mais fácil o que seria mais simples ou o que seria mais difícil ou mais complexo pra aprendizagem da leitura e da escrita uma segunda mudança então paradigmática na área da alfabetização é justamente o surgimento do paradigma construtivista em meados da
década né de 1980 ã uma comparação então entre essas duas discussões é o que a gente vê ali nesse quadro Então vamos conversar um pouquinho sobre os elementos que estão compondo esse quadro em que nós temos ã numa coluna né os métodos de alfabetização e na outra coluna elementos né do construtivismo pedagógico em relação aos métodos de alfabetização a gente vê um predomínio do ensino em relação a aprendizagem se a discussão justamente É sobre o método o método é ele tá colocado né do ponto de vista de quem tá ensinando então do ponto de vista
da professora do ponto de vista da escola que ensina as habilidades básicas de ler e de escrever né então a gente tem aqui discussões que estão muito mais eh sobressalentes né em relação ao ensino e muito menos focadas na aprendizagem da criança tá então uma discussão sobre métodos de alfabetização nesse período aqui né vai se focar nas questões do ensino as discussões também eh que compunham né esse cenário eh dos métodos de alfabetização ã tavam muito reduzidas Justamente a escolha de um método então falar pensar sobre alfabetização era pensar sobre qual método vai ser utilizado
pro Ensino da leitura e da escrita métodos esses que a gente já viu na no nosso vídeo anterior aqui na aula anterior tá ã a criança que tá colocada né ã nesse nessas diferentes metodologias de alfabetização é uma criança que vai aprender por ex estratégias perceptivas então a criança vai se apropriar né vai se apropriar não ela vai aprender não vamos usar a palavra apropriação aqui para falar de método a criança que ela vai aprender né Eh a ler e a escrever a partir de estratégias perceptivas visuais a estratégias perceptivas auditivas né sonoras e estratégias
perceptivas motoras né então São esses os elementos que estão em Pauta aqui nos métodos a criança vai fazer uma relação de associação entre o som que ela escuta a letra que ela grafa no papel tá então há muito essa perspectiva aqui de relação né entre estes elementos ã quando se pensa sobre quem é a criança que tá aprendendo a lei escrevendo uma discussão sobre métodos de alfabetização até a década de 1980 a criança também aqui ela recebe um conhecimento que é transmitido para ela externamente né então a criança ela precisa ã se apropriar né Desse
conhecimento que um adulto ã apresenta para ela certo e a criança então vai por meio dessas estratégias perceptivas conseguir aprender as relações entre fonemas e grafemas as relações entre sílabas e os sons né Para poder ler e escrever tá Então essas são são alguns dos elementos Há muitos outros né aqui tá simplificado assim resumido alguns dos elementos que compõe essas discussões sobre métodos de alfabetização então a partir da década de 80 a gente tem ã um crescimento aí de estudos no âmbito do que se chamou de construtivismo pedagógico tá o ativismo pedagógico ele tá muito
pautado em autores sociointeracionistas né seja eles H sendo eles né o jamp piag e o lev vigotsky os mais conhecidos aqui no Brasil tá e o no construtivismo pedagógico e nas discussões né Desse âmbito né a gente vê uma prevalência da dimensão da aprendizagem em relação ao ensino então vejam que aqui há uma inversão enquanto nos métodos o foco era muito mais no ensino a discussão do construtivismo pedagógico vai se pautar muito mais na discussão de quem é a criança que aprende e como essa criança aprende tá a aprendizagem da língua escrita então nessa perspectiva
ela vai se dar por uma construção né progressiva do princípio alfabético então aqui a criança vai se apropriando do princípio alfabético de modo progressivo Então ela começa pensando algumas coisas sobre o funcionamento do nosso sistema de escrita até chegar ao pensamento que é compartilhado digamos assim no mundo dos adultos sobre o que é ler e escrever o nosso sistema eh de escrita tá ã o construtivismo pedagógico então ele vai propor né que eh A criança precisa interagir com textos reais ela não pode ficar restrita aos textos que são H produzidos exclusivamente para o ensino de
da leitura e da escrita para o ensino Inicial né das habilidades de ler e de escrever a a proposta aqui é que a criança possa desde sempre interagir com textos que estão no mundo que estão na sociedade textos de verdade tá e há um apagamento aqui a partir do construtivismo pedagógico da distinção entre aprendizagem da leitura e da escrita e os usos da leitura e da escrita ã que a criança vai fazer né nas diferentes práticas na sua vida seja como criança seja como adulto no futuro o que difere da discussão sobre métodos nós vimos
antes que o que estava em pauta na discussão dos métodos era Justamente a compreensão de como que se usa as letras para ler e escrever e só né O uso que vai ser feito dessas habilidades de ler e de escrever é uma discussão posterior que não tá posta na discussão sobre métodos de alfabetização e que o construtivismo pedagógico traz à tona Então a partir da década de 80 o que que acontece no final da década de 80 que vai impulsionar e o construtivismo pedagógico no âmbito da pesquisa no âmbito dos estudos sobre alfabetização e no
âmbito das práticas também tá das práticas alfabetizadoras o que vai fazer esse impulsionamento então é justamente a publicação aqui no Brasil da psicogênese da língua escrita pesquisa conduzida por Emília Ferreiro e Ana teberosky né com crianças de língua espanhola ã a partir do qual as autoras tinham como objetivo né a apresentação e a Interpretação do processo de aprendizagem da leitura da escrita do ponto de vista do sujeito que aprende ou seja para elas o que interessa aqui é como a criança aprende a ler e escrever na discussão sobre métodos o que importava era como a
professora ensina a criança a ler e escrever Então veja que se trata de discussões diferentes tá ã o o Marco teórico conceitual que as autoras vão utilizar que é psicologia genética né então muito pautado lá nos estudos do Jan piag né a Emília Ferreiro foi orientando de doutorado do jan piag em Genebra inclusive né então tanto a psicologia genética quanto a psicolinguística são os domínios conceituais que vão embasar toda essa pesquisa conduzida pelas autoras as autoras tinham três princípios muito interessantes para organizar essa pesquisa que elas eh fizeram né lançaram mão tá um dos princípios
que elas tinham era não identificar leitura com decifrado o segundo princípio era não ID ficar escrita com cópia de um modelo e o terceiro não identificar Progressos na conceitualização com avanços no decifrado ou na exatidão da Cópia então com base nesses princípios básicos aqui as autoras estão explicitamente criticando os métodos de alfabetização porque nos métodos de alfabetização justamente né aprender a ler era aprender a decodificar bem né a oral ar em voz alta sílabas palavras frases e textos que estavam por escrito tá compreensão não era algo que estava em jogo aqui nesse momento ainda tá
a escrita pros métodos de alfabetização estava muito pautada em atividades de cópia de modelo então copiada cartilha copiada lousa né então a cópia era uma prática muito utilizada na época dos métodos de alfabetização e as autoras aqui estão dizendo justamente que saber ler não é apenas saber decifrar um texto ler em voz alta um texto saber escrever não é apenas copiar um modelo Pronto né E que a gente não pode H entender avanços na decifração e nessa cópia como avanços na compreensão do funcionamento do sistema de escrita e para explicar como isso acontece né elas
foram pesquisar com crianças então elas fizeram entrevistas né entrevistas dentro da metodologia ã da Psicologia genética né com crianças para saber como que as crianças estavam escrevendo que escrita era essa e o que que elas pensavam sobre os as palavras escritas as letras enfim tá um ponto importante de salientar aqui é que a psicogênese da língua escrita ela não é um método tá ela é uma abordagem teórico conceitual para pensar o processo de aprendizagem na alfabetização o processo de aprendizagem da criança na alfabetização e que por consequência traz impactos no processo de ensino mas a
psic a psicogênese em si não vai falar sobre método de ensino tá ela vai falar sobre o processo de aprendizagem da criança o que que a Magda Soares nos diz então sobre isso ela vai dizer assim no construtivismo o foco é transferido de uma ação docente determinada por um método pré-concebido para uma prática pedagógica de estímulo acompanhamento e orientação da aprendizagem respe adas as peculiaridades do processo de cada criança O que torna inadmissível um método único e pré-definido Então a partir dos resultados dessa pesquisa conduzida pela Emília Ferreiro né e pela Ana teberosky se tem
um mapa digamos assim de diferentes hipóteses pelas quais as crianças passam quando estão compreendendo e se apropriando do funcionamento do sistema de escrita alfabética as crianças passam por essas etapas né sucessivas ou por essas Fases em diferentes momentos da sua vida e não estão todas as crianças de uma mesma turma numa mesma etapa ou fase nesse sentido não faz o menor sentido se ter um método único no qual a lições pré-determinadas que devem ser seguidas por todas as crianças de uma turma porque justamente desse modo esse método ele não vai ser eficaz ele não vai
funcionar para todas as crianças da turma então a partir de toda essa discussão A Magda suar vai nos dizer que se houve o houve um Novo Movimento pendular se antes o movimento do pêndulo era entre métodos ã de alfabetização sintéticos e métodos de alfabetização analíticos o que a gente tem agora é uma desmetalização da alfabetização então com os estudos H da psicogênese da língua escrita houve um certo abandono um certo esquecimento das questões metodológicas porque afinal as professoras precisavam prestar atenção em como as crianças Em que momento do processo as crianças estavam né no nas
salas de aula enfim em relação à sua apropriação do sistema de escrita então vejam que é uma outra abordagem em relação a como conduzir as práticas de alfabetização dentro das salas de aula a Magda Soares também vai nos dizer lá no alfabetização a questão dos métodos que esse movimento pendular ele é impulsionado por diferentes fatores Então por que será que o pêndulo se move pros métodos sintéticos Por que que ele é então ã eh direcionado pros métodos analíticos Por que que há essa esse novo movimento do pêndulo para uma desmet modiz da alfabetização e ela
vai nos dizer então que um dos eh grandes impulsionadores né desse movimento pendular é justamente o fracasso escolar e os altos índices de reprovação de repetência de evasão que se tinha na escola hoje em dia a gente pode complementar aí esses índices né de reprovação repetência e evasão com os dados das avaliações externas de larga escala que também tem nos mostrado um infelizmente né um grande percentual de crianças que Avança na escolarização que chega até o terceiro ano do Ensino Fundamental sem ter desenvolvido habilidades básicas de leitura e de escrita Então o que a gente
vê é esse reiterado fracasso escolar esse reiterado fracasso da instituição escolar brasileira em alfabetizar todas as crianças que ingressam na escola né então a gente vê aí uma produção de futuros analfabetos então índices muito elevados de analfabetismo talvez não tanto um alfabetismo H um analfabetismo absoluto digamos digamos assim porque afinal o acesso à escola está garantido né 98% da população brasileira em idade escolar está dentro da escola então o acesso à escola tá garantido mas as habilidades mais aprofundadas mais consolidadas de leitura e de escrita não t sido garanti para as crianças pros adolescentes de
todos os locais do Brasil Então esses são fatores que impulsionam o pêndulo a se mover se a gente tem um fracasso escolar um fracasso na alfabetização Será que são os métodos sintéticos que vão me ajudar a resolver esse fracasso Será que são os métodos analíticos que vão me ajudar a resolver esse fracasso Será que são os o construtivismo pedagógico que vai me ajudar a resolver vai ajudar a escola brasileira a resolver esse fracasso Então a gente tem aí o movimento pendular sendo impulso AD por essa esse infeliz né fracasso escolar da alfabetização H que é
ao longo que ao longo do tempo tem sido observado e segue sendo observado até hoje 2024 aí í temos esse Panorama né no Brasil também Outro fator que impulsiona esse movimento pular são os modismos né Então tá na moda agora fazer trabalho com o método fônico agora é moda levar muitos gêneros textuais para dentro da escola e de deixar as crianças lá rolando em cima do jornal né então são os diferentes modismos que vão aparecendo no campo Educacional e que tem sim impactos nas práticas pedagógicas e nos resultados que essas práticas vão ter na aprendizagem
ou não né das crianças e nesse movimento do pêndulo aí dessas discussões né que vão impulsionando o campo da alfabetização mas o principal fator que vai incidir sobre a questão dos métodos na alfabetização é a concepção sobre o que é o objeto da alfabetização o que se ensina quando se está pensando nos métodos de alfabetização é a leitura o que se ensina no construtivismo pedagógico né a uma ênfase muito maior na escrita e numa escrita espontânea uma escrita que a criança vai fazer sem a cópia de um modelo pronto tá nos estudos sobre letramento por
exemplo que a gente não entrou nessa discussão aqui ainda ã mas nos estudos sobre letramento que se enfatiza são as práticas sociais de leitura e de escrita Então a gente vai vendo aí nesses diferentes enfoques eh quando se vai tratar do Campo né da alfabetização e das práticas de alfabetização o objeto ou seja aquilo que é o foco do ensino vai mudando ora leitura ora escrita ora as práticas sociais de uso da língua ora consciência fonológica mais recentemente né então a gente vai vendo esses diferentes componentes da alfabetização né sendo enfatizado pela pelos diferentes métodos
pelas diferentes discussões do campo da alfabetização teve uma entrevista que a Magda Soares fez logo depois que ela lançou o livro alfabetização a questão dos métodos lá por volta de 2016 2017 que ela que eu trouxe aqui pra gente duas frases dela dessa entrevista que eu acho muito interessantes né ela vai trazer o seguinte ela vai dizer assim as pessoas disputam métodos e não os fundamentos dos métodos Pois é importante vencer a guerra dos metos porque você vende vence social culturalmente comercialmente em uma sociedade Isso é o que justifica a guerra essa posição de que
é Isto ou Aquilo quando na verdade é isso e aquilo então aqui a gente já tem uma pista bem importante dessa autora que é uma referência Nacional assim a maior referência de alfabetização aqui no nosso país dizendo que uma guerra dos métodos hoje em dia já é bastante en fundada Porque a gente já sabe que uma boa metodologia de alfabetização vai se valer de diferentes ã concepções de diferentes fundamentos de diferentes práticas destes diferentes métodos para compor uma alfabetização eficaz de qualidade e que permite que todas as crianças de uma sala de aula possam aprender
a lei escrever então a gente vai finalizando aqui esse essa discussão ã desse vídeo vídeo dessa aula né entendendo que método não é uma varinha de condão método não é uma receita método não é algo pronto que a gente pega e aplica e que ele vai dar certo para todas as crianças em todas as regiões do Brasil em todas as cidades em todas as situações né então um método pronto único totalmente estruturado e que funcione para todas as crianças ele é inviável ele é impossível o que que vai fazer então com que as professoras tenham
práticas de alfabetização interessantes importantes e produtivas o que vai fazer isso é as é as professoras terem sim um método as professoras terem uma metodologia composta por diferentes práticas e isso tudo que vai ser chamado de um método de alfabetização mas esse método não vai ser único ele não vai ser estruturado ele não vai ser H sempre o mesmo porque afinal as crianças são diferentes elas vivem situações diferentes ela tem Elas têm contextos diferentes elas precisam ser consideradas numa discussão que vai viabilizar aí as práticas pedagógicas eficaces de qualidade e capazes então de alfabetizar as
crianças brasileiras