Olá, moçada! Bom dia, tudo bem? Espero que sim.
Prazer reencontrá-los para mais um dia de reflexão estóica. Hoje, 19 de janeiro, com uma reflexão intitulada “Aonde quer que vá, lá está a sua escolha”, lembrando sempre vocês daquele meu pedido especial: né, não deixem de comentar, de curtir, para que a gente leve o projeto para mais e mais longe. Pois bem, diz Epicteto a respeito de “aonde quer que vá, lá está sua escolha”.
Um pódio e uma prisão são ambos lugares: um elevado e o outro baixo, mas, nos dois, tua liberdade de escolha pode ser mantida, se assim desejares. Como eu tenho uma atuação pública como professor de filosofia, como explicador das coisas da filosofia, sempre aparece para mim, no privado, no inbox, numa mensagem qualquer, alguém dizendo: “Professor, eu gostaria de fazer isso, mas as minhas circunstâncias me impedem. ” E aí a questão, do ponto de vista histórico, é menos o que as suas circunstâncias têm de fazer e mais o que você consegue fazer diante das circunstâncias que estão à sua disposição.
Por uma incrível coincidência, no momento em que eu estou fazendo esse vídeo, me mandaram na Cinha, lá do Instagram: “Eu não tenho hábito da leitura, não tenho livros em casa. Como travar contato com as coisas da filosofia? ” Ora, você tem que olhar: quais são as suas circunstâncias?
Tem biblioteca perto da sua casa? Você tem ido à biblioteca municipal? Você já deu uma olhada na biblioteca municipal, na biblioteca estadual, na biblioteca de alguma universidade, alguma coisa próxima a você que esteja a uma distância percorrível?
Sociais, tá aqui ó: YouTube, falando de filosofia. Então, quer dizer, se eu for esperar condições ideais para fazer aquilo que eu considero que precisa ser feito, eu vou morrer esperando. Eu mesmo olho aqui pro meu espaço e falo: “Puxa, tem um espaço extraordinário para trabalhar, mas podia ser um estúdio, né, com câmeras assim, assado, com câmeras digitais para todos os lados, com iluminação.
” Não! Pega o que você tem. No meu caso, eu já tenho o privilégio de ter coisas legais, e faça com o que você tem.
Comece, faça com as circunstâncias que te dizem respeito. Como diz esse carinha aqui, que também, por coincidência, tá aqui em cima, Ortega y Gasset: “Eu sou eu e as minhas circunstâncias. ” O fato de eu ter nascido no interior de Minas Gerais já inclui elementos de circunstâncias que seriam diversos se eu tivesse nascido em Nova York, ou se eu tivesse nascido no sertão nordestino, ou se eu tivesse nascido na África subsaariana.
Importa menos se eu estou no pódio ou se eu estou na prisão; importa mais o que eu faço disso, da liberdade que eu tenho de escolha dentro da minha realidade. Então, para de reclamar e encher o saco dos outros e de você mesmo, e trabalhe com o que você tem até que você possa ter, eventualmente, condição melhor. Enquanto isso, faça o que é possível com o que você tem, e você vai perceber, historicamente, que o que nós podemos fazer com as nossas possibilidades é algo realmente extraordinário.
Os comentadores, os autores, fazem um bom comentário a respeito desse trecho. Todos os estóicos ocupavam posições muito diferentes na vida. Alguns estóicos eram ricos, já outros haviam nascido na base da rígida hierarquia romana.
Aqui ele tá se referindo, obviamente, a esses estóicos tardo-antigos que nós estamos lendo nesses diários. Para alguns, as coisas eram fáceis, para outros, inconcebivelmente difíceis. Epicteto, mesmo que escreve essa meditação, que nos ofereceu essa meditação, era escravo.
Era um escravo até se tornar um professor de filosofia. Todos nós. .
. desculpa, isso também é verdade a respeito de nós: todos chegamos à filosofia vindos de diferentes origens, e mesmo em nossa vida experimentamos períodos de boa e má sorte. Mas em todas as situações adversas ou vantajosas devemos fazer apenas uma coisa: nos concentrarmos no que está sob nosso controle, em oposição ao que não está.
A vida é o seguinte: se você, num determinado momento, está se sentindo realizado, as coisas estão indo bem, tudo está correndo bem para você, saiba que isso passa. Se a vida tá um lixo, tá tudo muito difícil, tá tudo muito complexo, né, situação caótica, saiba que isso passa. Você não tem que depender disso; você tem que depender do modo como você vai lidar com isso.
Não importa se eu tô numa prisão, como vários dos históricos ficaram, saindo de condições privilegiadas e sendo jogados num buraco, num cárcere, como aconteceu com Sêneca, né, que frequentava a alta corte romana e de repente foi acusado de ter conspirado e foi pra cadeia. E não se matar, não se desesperar, não se desestruturar, manter-se firme no propósito dentro daquilo que você pode controlar. Agora mesmo poderíamos estar abatidos com as lutas cotidianas que todos nós temos, ao passo que apenas alguns anos atrás talvez tivéssemos vivido no luxo; e, dentro de apenas poucos dias, poderemos estar tão bem que o sucesso seria realmente um fardo.
A gente não sabe o que vai acontecer daqui a pouco, daqui a tantos anos. Nós não temos ideia do que a vida nos reserva. Os gregos — eu tô falando de um período anterior a esse dos filósofos estóicos — eles já conjugavam o verbo no futuro como uma excrescência linguística.
Para os gregos antigos, conjugar o verbo no futuro era, em si, um paradoxo. Existia o futuro, a forma do futuro do verbo em grego antigo, mas é uma forma estranha. Eles chamavam de.
. . nós chamamos, na verdade, essa forma do grego de futuro desiderativo, né, de futuro do desejo.
Por quê? Porque os gregos já sabiam que o futuro é um campo completamente aberto sobre o qual não temos qualquer domínio. Você controla algumas variáveis do que está diante de você, mas você não.
. . Olá!
Acontecer exatamente. Nossa, eu me preparei. Estudei para o concurso, estudei todas as variáveis e fiz de tudo para que minha empresa desse certo, e acabou dando errado, faliu, destruiu etc.
etc. Porque o futuro é incerto, é a marca da incerteza. Então, até no registro verbal, os gregos sabiam disso.
Que quando eu digo: "eu vou fazer amanhã mais um diário estoico", eu estou manifestando simplesmente um desejo sobre o qual eu não tenho qualquer controle. Eu, no meio de uma gravação dessa, posso cair aqui, ter uma parada cardíaca. Seja lá o que for, um avião cai em cima da minha casa e não acontece mais.
Então, eu vou ficar esperando isso? O que pode ou o que não pode acontecer? Eu faço o que me cabe nesse momento.
Uma coisa, portanto, permanecerá constante: nossa liberdade de escolha, tanto no quadro geral quanto no restrito, tanto no microcosmos da minha vida, com quem eu quero ficar, com quem eu não quero ficar, o que eu vou fazer, ó, o joinha aí aparecendo, o que é. . .
Ah, com que eu vou me alimentar? Qual o propósito que eu vou conferir à minha vida? Na verdade, isso é clareza.
Por isso, não há solução fora da filosofia. Não há solução para o homem fora da filosofia. Só a boa meditação filosófica pode fazer com que o indivíduo compreenda a sua natureza e aja de acordo com essa natureza.
Isso é ter clareza. Não importa quem somos ou onde estamos, o que interessa são nossas escolhas. O que são elas?
Como iremos avaliá-las? De que maneira faremos a maioria delas? Essas são as perguntas que a vida nos faz.
Seja lá qual for nossa posição, como você responderá? Eu gravei uma postagem lá no Instagram agora há pouco, lembrando de uma passagem dos mitos antigos, dos mitos gregos, especialmente em Homero. Em Homero, os deuses se referem aos homens como seres efêmeros.
Efêmero, efêmero em grego. Acho que eu já comentei aqui em alguma meditação para trás. É aquilo que dura um dia na visão de um Deus, sem terno.
Na visão de um Deus que vive para sempre, nós, mortais, nós vivemos um dia. Nossa vida é isso aqui. Exatamente por termos uma vida que é isso daqui, mais do que qualquer outro ser, nós devemos calibrar bem aquilo que é importante para a nossa vida.
Isso é fruto de reflexão filosófica. Portanto, um Deus que vive para sempre não tem que se preocupar tanto com essa reflexão que nós estamos fazendo aqui. Não faria muito sentido um diário para um Deus eterno.
Um diário estoico faz sentido para alguém que tem a vida breve, como nós temos, mas suficientemente breve, dá para viver suficientemente bem, diante dessa realidade complexa que é a nossa, fazendo boas escolhas, contemplando o que deve ser contemplado, fazendo um registro mais alto da vida e, principalmente, lidando bem com aquilo que é próprio das nossas circunstâncias. Beijão para vocês, a gente se encontra aqui amanhã em pé.