a história convencional atribui a origem do dinheiro ao escambo o dinheiro teria surgido a partir da necessidade de facilitar as trocas comerciais o dinheiro é certamente um facilitador de trocas comerciais e o escambo é certamente uma forma de troca comercial mais rudimentar sem o dinheiro sem um facilitador porém admitir que das trocas surgiu o dinheiro é admitir as trocas como algo natural nas sociedades humanas reparem gente aí a gente está falando de troca no sentido comercial trocas econômicas aquela troca que existe para suprir uma necessidade material da vida 'presunção parte da idéia da escassez de
recursos o que em tese levaria a troca que o homem primitivo que tinha acesso a peixes mas não a couro logo ele produz um excedente em peixes para trocar com quem não tem acesso à peixes mas têm acesso à curumim sim quem tem acesso a cor mas não há peixes produz um acidente a fim de trocar por peixes essa suposição é uma derivação realizada a partir da observação da propriedade de meio de troca existente no dinheiro e feita a partir do fato da nossa sociedade está organizada a partir das relações de troca comercial essa é
uma suposição clássica ela tá lá em adam smith e depois também pode ser encontrada reproduzida em toda a literatura clássica econômica enfim ela possui diferentes adaptações porém o princípio é o mesmo uma visão resultante de uma derivação lógica que assume como premissa a existência do homo economicus uma exposição que parte da premissa que existe na natureza humana uma vocação mercantil aquela ideia do selvagem primitivo negociante que calcula preferências temporais se abstém de consumir que produz inovação e esse dente e que busca outros pares para realizar uma relação de troca esse princípio do homem econômicos ele
se baseia não só na idéia da escassez mas também na idéia de ser natural a espécie humana a noção de produção de excedentes ea noção de propriedade privada essa explicação ela é interessante e faz uma dedução lógica a partir do que podia ser observado na conjuntura do arranjo de organização capitalista e de fato ela cumpre uma importante função no desenvolvimento do estudo do capitalismo evidentemente que existe uma lacuna e portanto uma necessidade de explicação essa explicação servia e existia o mesmo tempo um conjunto enorme de coisas que também precisavam de explicação e vamos lembrar que
o desenvolvimento da economia política enquanto ciência foi pautado também por uma intensa disputa política essa explicação era extremamente interessante nessa perspectiva a explicação que partilha do homo economicus não só preenche essa lacuna como também exercia outra importante função permitirá reduzir a complexidade das relações sociais humanas a um jogo de perde e ganha de utilidade e de satisfação ou seja permite reduzir toda complexidade das relações humanas a simplicidade das relações de troca comercial atendendo aos interesses da classe capitalista que se estabelecia no mesmo momento que se desenvolvia a economia política enquanto ciência essa redução ao homo
economicus permitiu a elaboração de modelos matemáticos usados que dizem que a liberalização dos fluxos é capaz de equalizar os rendimentos da redução em última instância é o que sustenta toda teoria clássica neoclássica e todas as teorias derivantes dessa matriz fundamental que temos que entender é que quando smith desenvolve essa idéia não existia produção histórica antropológica que sustentasse o que ele estava dizendo era uma lacuna a ser preenchida não havia materialidade que colaborasse tal hipótese antropologia e história utilizam fontes arqueológicas junto das suas elaborações portanto utilizam de recursos materiais para sustentar suas narrativas quando adam smith
escreveu não havia tal materialidade que explicasse a origem do dinheiro por isso era uma lacuna a ser preenchida pela ciência eo realmente importante que temos que saber é que quando a história e antropologia foram contar essa história baseadas em materialidade o que se observou foi justamente o oposto não a fonte histórica material que justifique a hipótese de adam smith não há precedente histórico que confirme o mito do selvagem negociante não há precedente histórico do dinheiro emergindo da necessidade de um facilitador de trocas em diferentes organizações de sociedades humanas não há precedente material que justifique esse
mito de que o dinheiro na forma de sal ou de peles tenha surgido como um facilitador de trocas comerciais que aconteciam anteriormente em forma de escambo o que há é justamente o contrário os mercados e o dinheiro ou seja a existência de um meio de troca exclusivamente voltado para a reprodução da vida material ou seja voltado para a realização de trocas materiais que estariam ali para cumprir uma função não na reprodução da vida material só existem só apareceram depois da existência do estado só apareceram só são observava fez em sociedades de estado que quer dizer
com isso que a troca entre dois indivíduos ou entre grupos de indivíduos a fim de cumprir uma função de preencher uma necessidade material só é observada em sociedades que já tinham o estado como organizador das relações de produção e reprodução da vida material e que a materialidade da arqueologia aliada aos estudos de antropologia da história nos mostram é que essas características ainda aparecem somente em sociedades de estado que já desenvolveram um certo grau de complexidade ou seja bem depois do aparecimento do estado portanto o que a materialidade nos indica que primeiro surgem os estados e
com o desenvolvimento desse tipo de sociedade surgem os mercados em sociedades como nice ou seja em sociedades que o contrato social não envolve nenhuma forma rígida hierarquia social ou seja em sociedade sem estado não existem sinais de existência de noção de propriedade privada e de produção de excedentes e logicamente dessa forma também não há sinal de trocas comerciais a propriedade dos meios de reprodução da vida material era de posse coletiva logicamente então não havia a necessidade de troca se aquela sociabilidade estabelecida tem acesso a peixes e num curu ela utiliza outra coisa pra substituir o
coro uma coisa que ela tem acesso às chamadas ordens primitivas ainda lá nômades caçavam coletavam pescavam juntos a escassez provocava conflitos com grupos rivais não no interior da sociabilidade estabelecida internamente o grupo sabia da importância do bando pra própria sobrevivência a gente sabe que biologicamente tem um monte de espécie que li por aí isolada agora não é o caso da espécie humana nós vivemos um bando a gente pode encontrar exemplos na história que a arqueologia nos conta do uso de dentes de leão de conchas em troca as primitivas só que essas trocas não tinham sentido
econômico essas trocas tinham sentido de reorganizar a algum aspecto da vida social por exemplo podiam ser usadas para arranjar um casamento podiam ser usadas para estabelecer uma relação de cooperação com um grupo distante ou mais ou menos distante trocas primitivas envolvendo esse tipo de recurso como instrumento não tinham a função de cumprir com uma necessidade material da reprodução da vida não tinha função econômica nos agrupamentos sedentários onde a organização da vida social não foi estruturada a partir de uma hierarquia vertical também não se desenvolveu a noção da produção de excedentes e de trocas comerciais como
instrumento para resolver o problema da escassez material para que essa noção se desenvolvesse foi necessário que a noção de dívida assumisse um pressuposto de reciprocidade imediata ou seja as relações sociais precisarão ser pautadas por ações que exigiam uma outra ação imediata em contrapartida é importante que a gente saiba nas sociedades não estruturadas à parte da noção da troca já existia a noção da dívida a dívida é o que gera um compromisso moral você deve a sua existência a seu grupo você não existiria sem os que vieram antes não existiria sem a estrutura que permitiu que
você se desenvolver se esse tipo de noção de dívida aparece de uma forma de outra em todas as sociedades humanas só que essas dívidas elas não existem para serem quitadas servem para estabelecer vínculos sociais e estão no centro da organização das sociedades humanas portanto se relacionam também diretamente com a reprodução da vida material na sociedade sem a existência de contrato social verticalizado ou seja sem estado essa dívida se expressa na organização da hierarquia social horizontalizada na construção de relações baseadas na sobrevivência do grupo o compromisso é com o grupo as relações de consumo são comunais
cisma papéis sociais definidos por aptidão por exemplo a experiência dos mais velhos necessária para a sobrevivência do grupo ou por exemplo a defesa das mulheres e dos mais jovens já pensando na espécie futuramente a especialização de suas sociedades organizadas em formato de hierarquia vertical em comum o aparecimento da força como instrumento organizador da sociabilidade processo de sedentarização necessariamente envolve um processo de divisão social do trabalho portanto envolve um grau de especialização essa especialização acontece por aptidão esse organização é constituída em uma sociabilidade que deriva de uma estrutura horizontal onde tradições são mais rio levantes na
manutenção do arranjo social a tendência é a formação de uma sociedade comunal como a dos tupinambás aqui no brasil que não conheciam a produção de acidentes ou à propriedade privada muito menos o mercado se a estrutura de organização deriva de uma sociedade onde não há estabilidade para que as tradições tenham mais peso do que a força para a manutenção da sociabilidade que garante a reprodução da vida material a especialização leva à formação de uma sociedade de estado os determinantes constituintes dessas estruturas são muitos e envolvem o tempo eo espaço se envolve onde esse agrupamento se
sedentarismo ou envolve quais recursos naturais estão disponíveis no momento da sedentarização desse agrupamento temos que observar também as diferenças nas matrizes culturais que deram origem a esses agrupamentos quanto à serys sócio historicamente desenvolvidos a proximidade ou não com outros grupos além é claro do tempo de desenvolvimento de cada agrupamento em cada local o que materialmente a história ea antropologia nos provam é que o mercado só ser desenvolveu nas sociedades onde a característica do uso monopolista da força pelo soberano existiu nessas sociedades a noção de dívida pela vida que eu citei a pouco deixa de ter
uma conotação moral comunal onde você deve a um comportamento ao seu grupo e passa a ter uma conotação de dívida material que você tem com a estrutura que existe onde você vive ou seja essa estrutura organizada de forma e hierarquicamente vertical ou seja você deve algo material ao estado em resumo você deve o seu trabalho ou fruto dele a estrutura que permite a sua existência material essas estruturas e hierarquizados verticalmente nascem das disputas sociais onde a força é o determinante para a resolução do conflito essa força nasce da associação de grupos em torno de um
conjunto de crenças morais estabelecidas por dívidas decorrentes de rearranjos sociais que formam estratos sociais capazes de exercer dominação em relação às forças produtivas estabelecendo a divisão de classes sociais e portanto a luta de classes imposta pelo estado esse tipo de organização que estou dizendo agora ele foi observado no crescente fértil e também na américa onde os povos tinham organização em sociedades de estado assim o estado passa a cobrar essa dívida informa de tributos esses tributos vão ser usados na manutenção da sua própria estrutura a maior parte dessa estrutura é a sua estrutura de força que
é o condicionante da sua existência a especialização desse tipo de organização implicou na existência de forças cada vez maiores e cada vez mais permanentes momento da população a disputa pontos grupos que também tinham a mesma lógica de organização social obrigaram a ampliação das forças desse tipo de organização estatal e só para citar um exemplo quanto maior o exército mais gente seria necessária para produzir proventos para essa força pra esse exército o poder soberano do estado pode resolver esse problema usando sua força pra cobrar por sua estrutura de proteção ele pode manter seus exércitos oferecendo para
seus soldados um crédito sim um crédito de dos cidadãos sujeitos à proteção do estado para consigo um instrumento como esse pode ser qualquer coisa que o estado aceite como pagamento de tributos ao fazer isso ele obriga a todos que estão sob seus domínios a possuírem esse instrumento eles precisam disso para pagar os seus impostos assim o estado cria um valioso mercado para esse instrumento o estado poderoso expansionista ao invadir determinada região sim depois de derrotar as tropas locais ele leva consigo esse instrumento aí eles podem trocar pela produção local com os produtores locais os produtores
diante da dominação sabem que terão de pagar seus tributos utilizando esse tipo de instrumento dessa forma são assim induzidos a também aceitará também criar um mercado para tal instrumento esse instrumento é justamente o que podemos chamar de dinheiro o valor desse dinheiro seja lá qual ele for pele com o chez ao sei lá é dado pelo poder do estado que o exige como pagamento de seus tributos a espécie desse instrumento aquilo que ele é feito é necessariamente algo de difícil acesso de difícil reprodução de difícil falsificação e daí a preferência por metais raros é por
isso que na antiguidade locais como minas eram locais de disputa política locais altamente interessantes para os impérios outra coisa extremamente importante é que ao estabelecer o dinheiro como a dívida a ser paga ao estado o estado também cria a unidade de conta sem unidade de conta não há como organizar um mercado de trocas em escala portanto não há como organizar uma sociedade pautada a partir das trocas ao criar uma forma de manter a estrutura de força a partir da noção de dívida o estado criou uma unidade de conta uma reserva de valor já que ele
assegura o valor desse instrumento e também um meio de troca um facilitador então minha gente o estado é que cria o dinheiro que é fundamental para a existência do mercado ao manter a organização social baseada numa dívida moral cobrada por ato de força ea usar como meio para quitar essa dívida um instrumento específico o estado criou forçadamente uma mudança nas relações sociais introduziu a necessidade de produção de excedentes e também introduziu a noção de propriedade privada ao determinar o que iria cobrar de cada um fazendo com que cada um tivesse em sua propriedade aquilo que
o estado o cobraria a cada um portanto coube produzir um excedente aquilo para o seu sustento e no mínimo a mais para garantir o que o estado o cobria o estado cria a noção de excedente e de propriedade privada isso é observado quando percebemos que a sociabilidade estabelecidas sem a noção do estado não desenvolveram essas noções crianças noções ele forçou a todos desenvolver uma sociabilidade que permitisse acesso ao dinheiro que eu tô querendo dizer com isso gente estou querendo dizer que o estado cumpriu a necessidade de existirem trocas comerciais para a obtenção desse instrumento que
é o dinheiro que é como as pessoas tinham que pagar suas dívidas ou seja meus amigos o estado criou o mercado a gente só encontra exemplos assita na história de sociedades que utilizavam um escambo como trocas comerciais a fim de resolver a falta de alguma materialidade em sociedades que já conheciam anteriormente o mercado ou seja em sociedades onde o mercado o dinheiro já haviam sido introduzidos por sociedades que conheciam o estado os campos aparece quando tem um sumiço do dinheiro a gente pode observar isso por exemplo no colapso do império romano na transição para a
idade média o mercado não desaparece completamente porém a moeda romana praticamente some o escambo substitui a moeda na realização das transações contudo antes de haver escambo havia moeda e mercado e inclusive a moeda romana servia ainda neste momento como unidade de conta portanto que eu tô aqui afirmando é que o dinheiro não derivou do escambo é o contrário o escambo como forma de solucionar um problema econômico de vôo do dinheiro todas as formas que conhecemos de escambo um de instrumento de troca anteriores ao estado não cumpriam funções econômicas ou seja não existiam pra acessar recursos
materiais responsáveis pela reprodução da vida existiam para cumprir funções ritualísticas e/ou de reorganização das relações sociais e outra coisa importante em todos os casos aconteceram entre estranhos não acontecia internamente nos grupos sociais gente eu sei que o vídeo ficou longo mas esse tema é muito importante e é controverso esse vídeo é baseado nesse livro que esse livro aqui o que chama se divida os primeiros cinco mil anos o the grinder ele é o antropólogo e nas mais de 700 páginas pelo menos 200 são de notas e fontes fontes que recorrem a instrumentos primários lá da
arqueologia ao estudo da antropologia da história econômica enfim se você quer aprofundar mais esse conhecimento eu sugiro que você leia este livro que vai tá aqui na descrição valeu moçada lembrando todo o conteúdo do site da matrix é um oferecimento dos nossos mecenas que como eu chamo as pessoas que espontaneamente ajudaram na manutenção do canal também aqui na descrição vai estar o líquido na sua posse e o link do nosso site se você quiser outras formas de ajudar os é de matrix valeu moçada falou e até a próxima [Música]