E aí pessoal, tudo bem com vocês? Sou Mirot aqui do canal MK Fisiologia e nesse vídeo a gente vai explicar a diferença entre fluxo laminar e fluxo turbulento. Bora.
No vídeo anterior a gente viu que o fluxo sanguíneo é determinado pela diferença ou gradiente pressão del P e pela resistência R. A gente viu também que, segundo a lei de Poiséi, a resistência ao fluxo de sangue dentro dos vasos sanguíneos é determinada pelo comprimento dos vasos, pela viscosidade do sangue e pelo raio dos vasos. Porém, o que a gente não viu no vídeo anterior é que essa lei só vale enquanto o fluxo for laminar.
Se o fluxo se tornar turbulento, a lei de pois é não pode mais ser aplicada para descrever o fluxo sanguíneo. Pera aí, professora, mas o que que é fluxo laminar e o que que é fluxo turbulento? De forma simplificada, o fluxo laminar é um fluxo calmo, silencioso.
Pense em uma torneira um pouco aberta, deixando fluir apenas um filete de água. A água flui calmamente, silenciosamente e o único barulho que você ouve é o barulho da água batendo na pia. Esse tipo de fluxo é silencioso porque ele é organizado em lâminas ou em camadas que deslizam uma sobre as outras.
Por exemplo, o fluxo laminar de um fluido dentro de um tubo cilíndrico é organizado em lâminas ou camadas cilíndricas que acompanham a forma do tubo. A camada mais externa do fluido, que fica em contato com a parede do tubo, meio que gruda na parede do tubo, formando uma fina camada de fluido que não flui, que não se move. Porém, a camada seguinte pode se mover, pois ela desliza sobre a camada anterior.
E assim vai, uma camada se deslizando sobre a outra. E aí a cada camada o fluido flui cada vez com mais facilidade, cada vez com mais velocidade. Cada seta representa a direção do fluxo de cada camada do fluido e o tamanho das setas representam a velocidade do fluxo em cada camada.
Quanto maior a seta, maior a velocidade do fluxo. Portanto, no fluxo laminar, a velocidade do fluxo é zero na camada mais externa, que fica meio que grudada na parede do tubo, mas vai aumentando até atingir a velocidade máxima na camada mais interna, mais central. E é assim que normalmente o sangue flui por todos os vasos sanguíneos.
É só ter algumas condições fisiológicas e patológicas específicas em que o fluxo pode se tornar turbulento. E esse tipo de fluxo é agitado e barulhento. Pense uma torneira aberta no máximo, deixando fluir uma quantidade grande de água de uma vez só.
A água sai agitada, espirrando para tudo quanto é lado, fazendo muito barulho. E isso acontece porque o fluxo turbulento é desorganizado. Nesse tipo de fluxo, o fluido não flui uma única direção como no fluxo laminar.
Na verdade, ele flui em várias direções, formando pequenos vórtices ou redemoinhos que geram vibrações, ondas sonoras, ou seja, sons. Tá, professora? Acho que eu entendi a diferença entre fluxo laminar e turbulento.
Mas quando que um fluxo laminar pode se tornar turbulento? Bom, indo direto ao ponto, a probabilidade do fluxo laminar se tornar turbulento aumenta conforme a velocidade do fluxo aumenta. E se essa velocidade chegar a um determinado valor, que a gente chama de velocidade crítica, o fluxo deixa de ser laminar e se torna turbulento.
Então, presta atenção que agora a gente tá falando de velocidade. E velocidade não é a mesma coisa que fluxo. Fluxo é o volume de fluído que passa dentro de um determinado intervalo de tempo, ou seja, é volume por tempo.
Já a velocidade, a distância ou a área que esse fluío percorre dentro de um determinado intervalo de tempo, ou seja, é área por tempo. No caso da velocidade do fluxo que acontece através de uma estrutura tubular, ela é igual ao fluxo, que é volume por tempo, dividido pela área de secção transversal do tubo, medida geralmente em centm qu, ou seja, a velocidade do fluxo que acontece através de uma estrutura tubular é volume por tempo por área ou simplesmente fluxo por área. Então, lembre-se que embora a velocidade não é a mesma coisa que fluxo, ela depende do fluxo.
E como o fluxo depende do gradiente de pressão, a velocidade também depende do gradiente de pressão. E aí, quanto maior o gradiente de pressão del P, maior o fluxo e maior será velocidade. Ou seja, o gradiente de pressão é diretamente proporcional à velocidade, mas só até uma certa velocidade.
só até a velocidade crítica. A partir dessa velocidade, a velocidade não aumenta mais na mesma proporção que o aumento do gradiente de pressão. Isso porque a partir desse ponto, o fluxo deixa de se laminar e se torna turbulento.
E aí eu poderia ficar aqui explicando porque que a velocidade não aumenta mais na mesma proporção que o aumento do gradiente de pressão quando o fluxo é turbulento. Mas o que importa mesmo nesse momento é você entender que para um fluxo laminar se tornar turbulento, a velocidade tem que aumentar até atingir a velocidade crítica. Ok, professor?
Isso eu entendi. Mas qual seria o valor dessa velocidade crítica? O valor dessa velocidade crítica depende depende da densidade e viscosidade do fluido, no caso da densidade e viscosidade do sangue.
E depende ainda do diâmetro do tubo, no caso do diâmetro dos vasos sanguíneos. Por isso, não se preocupe em saber o valor da velocidade crítica para saber exatamente quando o fluxo sanguíneo pode se tornar turbulento. Se preocupe mais em entender que conforme a velocidade aumenta, maior vai ser a probabilidade de o fluxo chegar na velocidade crítica e se tornar turbulento.
Portanto, tudo que aumenta a velocidade do fluxo sanguíneo aumenta a probabilidade desse fluxo se tornar turbulento. E aí, lembra que a velocidade do fluxo é diretamente proporcional ao fluxo. Então, tudo que aumenta o fluxo aumenta a velocidade que pode eventualmente chegar na velocidade crítica.
Por exemplo, durante uma atividade física intensa, o coração aumenta o débito cardíaco, ou seja, aumenta o volume de sangue que o coração ejeta na artéria aorta, aumentando assim o fluxo sanguíneo, aumentando assim a velocidade desse fluxo, que pode eventualmente atingir a velocidade crítica na artéria aorta e o fluxo sanguíneo nessa artéria pode se tornar turbulento durante uma atividade física intensa. Portanto, esse é um exemplo fisiológico que pode fazer o fluxo sanguíneo se tornar turbulento na artéria horta. Já a anemia é um exemplo patológico que pode aumentar a probabilidade do fluxo sanguíneo, principalmente no coração, se tornar turbulento.
Isso porque na anemia a viscosidade do sangue diminui por causa do menor número de hemácias. E como a gente já viu, quanto menor a viscosidade, menor será a resistência. E quanto menor a resistência, maior o fluxo sanguíneo e maior será a velocidade desse fluxo, que pode atingir a velocidade crítica, tornando fluxo turbulento, principalmente no coração.
E aí, como o fluxo turbulento é barulhento, é possível ouvir esse barulho usando um estetoscópio. E todo barulho a mais que a gente ouve no coração, além das bulhas cardíacas, a gente chama de sopro, nesse caso, sopro anêmico, pois é causado pela anemia. Outro exemplo patológico que pode aumentar a probabilidade do fluxo sanguíneo se tornar turbulento é a estenose valvar e arterial.
Na estenose valvar ocorre o espessamento das válvas cardíacas, principalmente da válva semilunar aórtica ou simplesmente válva aórtica, que é a válva por onde o sangue deixa o ventrículo esquerdo e é ejetado na artéria horta. O espçamento dessa válvula torna o caminho do sangue mais estreito, ou seja, diminui a área de secção transversal por onde o sangue precisa passar. E aí, sabendo que a área de secção transversal é inversamente proporcional à velocidade do fluxo, quanto menor for essa área, a velocidade do fluxo aumenta, podendo atingir a velocidade crítica, tornando o fluxo turbulento ao ser ejetado do ventrículo esquerdo pra artéria aorta.
Esse fluxo turbulento também pode ser ouvido usando um estetoscópio, ou seja, temos aqui um outro tipo de sopro. A mesma coisa acontece na estenose arterial em que ocorre o espessamento da parede de uma a artéria. Esse espessamento torna o caminho do sangue mais estreito, ou seja, diminui a área de secção transversal por onde o sangue precisa passar.
Isso de novo, aumenta a velocidade, que pode eventualmente atingir a velocidade crítica, tornando o fluxo turbulento a passar por essa artéria, sendo possível ouvir o barulho desse fluxo usando o estetoscópio, principalmente quando a artéria afetada é mais superficial. Então, tá aí a importância clínica do fluxo turbulento. O barulho desse fluxo pode ajudar no diagnóstico de várias patologias, de várias doenças que afetam o coração e os vasos sanguíneos.
Ah, e além disso, o fluxo turbulento ainda pode ser usado para medir a pressão arterial, mas isso a gente deixa para explicar em um outro vídeo. Nesse momento, mais importante é você entender a diferença entre o fluxo laminar e turbulento. E o que é que pode aumentar a probabilidade do fluxo laminar se tornar turbulento.
Bom, então, resumindo tudo que a gente viu nesse vídeo, lembre-se que o fluxo laminar é calmo e silencioso, pois o fluxo é organizado. Já o fluxo turbulento é agitado e barulhento, pois o fluxo é desorganizado. Conforme o fluxo aumenta ou a área de secção transversal diminui, a velocidade do fluxo aumenta, aumentando assim a probabilidade do fluxo se tornar turbulento.
Pois quanto maior a velocidade do fluxo, maior será a probabilidade de se atingir a velocidade crítica. Bom, espero que esse vídeo tenha te ajudado de alguma forma e se ele te ajudou, não esquece de curtir e compartilhar esse vídeo com aquele seu amigo que também tá precisando estudar esse conteúdo. E se você quiser contribuir ainda mais com o canal, considere se tornar membro do canal.
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A gente se vê num próximo vídeo. [Música] Abraço. Pera aí, pera aí.
Parou, parou. Não acaba o vídeo ainda não, que eu ainda tem uma pergunta para fazer aqui. Produção, ei, você aí que ainda tá assistindo esse vídeo, esse canal já te ajudou a entender alguma coisa da fisiologia que você não tá conseguindo entender muito bem?
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