Olá! Neste vídeo, eu vou discutir com vocês a questão da transferência em Melanie Klein, dentro da teoria gaiana. Bom, dentro da teoria clássica do Freud, a transferência seria uma questão temporal, passado que retorna, como sintoma, que é como um sonho, mas é sempre o passado no presente.
Na transferência com o Koenigsegg, cita-se que existe aí uma diferença crucial entre Freud e Klein. Claro, Freud era um analista de adultos, então ele pressupõe que alguma coisa que aconteceu na infância retornava na transferência. No caso de Melanie Klein, ela trabalha com crianças, ou seja, ela estava vendo um momento onde, supostamente, o trauma que Freud alegava estar acontecendo.
O que acaba acontecendo, em teoria clara, é que o trauma vai retornando no tempo, uma vez que Melanie Klein consegue verificar o sintoma da criança e cada vez mais. A mesma coisa que vai acontecer na psicanálise: o trauma vai ficando cada vez mais primordial, e a questão temporal é algo que aconteceu antes do "se tornando". Portanto, se eu estou analisando uma criança e vejo um sintoma, isso indica que algo aconteceu anteriormente.
O problema é que hoje eu já tenho pessoas trabalhando em B. C. C.
o Jacozinho, sintoma. Então, quando foi que aconteceu o trauma? Bom, mas essa discussão fica para outro vídeo.
Na análise de crianças, Klein percebe que logo de início essa noção de transferência já não estava cabendo muito bem na situação clínica. Ela vai percebendo também outra coisa: o brincar é uma forma de comunicação, porque crianças muito pequenas não conversam muito. Elas costumam mais brincar do que ficar falando o óbvio.
Portanto, Melanie Klein vai observando que brincar é uma forma de representar o seu inconsciente; é transformar aquilo que está no inconsciente em um grande teatro que se apresenta ali. Portanto, a transferência, esse é um ponto tosco do vídeo, deixa de ser temporal para ser espacial. É aquilo que a criança faz dentro do consultório, há em mim, junto com o analista, que informa para o analista sobre o inconsciente dela.
E não se trata mais de uma coisa do passado no presente; se trata de alguma coisa aqui e agora, espacialmente falando. Assim, ganha uma outra dimensão. Melanie Klein introduz uma dimensão tridimensional; não tem diferença própria entre o bidimensional passado e presente.
Isso ganha uma terceira dimensão: o espaço, porque ao tocar no passado, se ela quiser, vai carregar essa noção espacial para a análise de adultos. Então, a análise e a transferência dentro do conceito kleiniano é muito “aqui e agora”. O passado quase que perde importância ali; a fantasia inconsciente do que está acontecendo neste momento agora é que tem relevância.
Portanto, uma dessas dimensões freudianas ela perde força, que é a do passado, e a noção de fantasia do que está acontecendo no inconsciente agora ganha relevância. Portanto, é agora e neste espaço que está sendo compartilhado dentro do consultório. Eu creio que essa é a grande característica da noção kleiniana de transferência.
Óbvio que também ela vai colocar que a visão que ela tem do desenvolvimento humano na questão das posições, mas isso é algo que todos os autores vão abordar. Talvez não seja a grande característica da noção kleiniana de transferência. Bom, se você gostou desse vídeo, deixe o seu like, compartilhe o vídeo e não deixe de assinar o canal para não perder nada.
No próximo vídeo, eu vou trabalhar a noção de transferência em um único vídeo. Bom, até o próximo vídeo! Obrigado!