resumidamente o que que o Freud vai apontar como mandamento do Superior da cultura naquele momento que ele tava escrevendo né vamos lembrar né o Freud é o sujeito que nasceu no final do século 19 viveu até a beiradinha aí da segunda guerra mundial então ele tá analisando esse momento precisamente tá tratando pessoas nesse momento e ele Analisa muito justamente o mandamento Cristão do amar o próximo como a ti mesmo né amar o próximo como a ti mesmo ele via como uma injunção super egoica extremamente difícil de ser atendida e que causava muitas dores aos pacientes
né ou seja amar o próximo como a ti mesmo é um pedido de renúncia muito radical né porque não é nada natural a gente chamar o próximo muito menos como a gente ama a gente mesmo que a gente tem que se amar muito para viver Olá pessoal meu nome é Nina saroldi eu sou Doutora em teoria psicanalítica fiz um pós-doutorado em sociologia da cultura atualmente Sou professora e diretora da Escola de Engenharia de Produção com ênfase em produção cultural da Unirio e organizadora da coleção para ler Freud onde eu escrevi o volume sobre o mal-estar
da cultura no nosso curso onipotentes deprimidos e excitados eu vou basicamente seguir um fio que o Freud deixou para gente no texto mal-estar na cultura que é a ideia de um supereu da cultura Então a gente vai falar a gente vai fazer Idas e Vindas a obra do Freud trabalhando sempre com essa ideia do Superior da cultura e sobretudo dos impactos que esse superior tem na nossa subjetividade hoje né daí o título onipotentes de excitados Talvez um título um pouco estranho exagerado para alguns mas que eu vou tentar mostrar que faz sentido se a gente
é segue esse fio do Superior da cultura na obra do Freud tá então eu vou começar obviamente fazendo um pequeno resumo do mal estar na cultura um texto de 29 é onde o Freud tem uma tese bastante potente que vai digamos irradiar em toda a teoria fradiona da cultura que é a ideia de que a civilização ou a cultura a gente não tem como entrar nessas filigranas de tradução aqui é o resultado da renúncia a satisfação direta das funções sexuais o essencial nessa ideia é que evidentemente nós todos não só queremos como Precisamos de uma
satisfação direta imediata das funções sexuais que na verdade para a teoria psicanalítica são punções de prazer né e o sexo não é a única maneira de obter prazer Mas nós nunca temos como humanos que somos o acesso direto imediato nós sempre temos que contornar alguma dificuldade para chegar a essa satisfação né então a ideia fundamental do texto é essa muito brevemente claro né E como é que a gente como é que ele chegou a essa tese né analisando como Freud sempre faz né a história da espécie em relação a história do indivíduo né a famosa
filogênese que repete né a ontogênese que repete a filogênese ele vai perceber que é ao longo da nossa história agressividade é parte do jogo e é fundamental para a vida né Todos nós temos e sempre tivemos desde os homens primitivos uma agressividade que é o nosso movimento fundamental para sobreviver nesse mundo tão duro né mas essa agressividade primitiva né que na pré-história por exemplo era diretamente orientada para fora Nem só na pré-história né Se a gente for analisar até hoje há muita infelizmente né muita barbárie na civilização Mas enfim quando a gente fala de civilização
a gente está falando desse impulso que seria orientado para fora voltado para dentro né então a gente só pode falar de Cultura de uma vida organizada por laser É bom lembrar a cultura significa isso né na cultura não é a lei do mais forte que importa não é ela que vai vigorar entre seres humanos por isso que eu digo que existe barbari até hoje porque existem lugares e situações nas quais a lei do mais continua funcionando né mas enfim voltando aqui é o Freud é o Freud vai recuperando então a história da nossa espécie pode
estudava Praticamente tudo antropologia filosofia literatura ele vai então chegar à conclusão de que as religiões elas foram grandes vetores né grandes promotores dessa introjeção da agressividade agora é óbvio que a gente não coloca a nossa própria agressividade para dentro sem custo e é por isso que nós vivemos num mal-estar na Cultura né o mal-estar da cultura ele é inerente ele habita a cultura porque nós precisamos respeitar as leis nós precisamos agir de maneira cordial e não é isso que a gente quer o tempo inteiro né a gente às vezes quer dar um tapão no ouvido
de quem tá nos incomodando e a gente não pode fazer isso e a gente não faz isso mas é como se diz engole o sapo por não ter feito né daí esse mal-estar inerente à cultura muito brevemente Quais são os entraves né porque que esse mal-estar é permanente né o primeiro obstáculo que nós temos diante dos nossos Prazeres e daquilo que a gente chama de felicidade reside e nós mesmos né o Freud vai mostrar que nós sentimos Prazer por contraste Só existe prazer se existe dor em última instância Então a nossa própria constituição psíquica Ela
não fica bem e ele cita guett é para falar disso né nada mais tedioso do que uma sucessão de dias belos então a gente precisa do dia ruim para poder perceber o dia bom então é por isso pela nossa própria constituição psíquica portanto por uma insatisfação tédio né que nos assola muito frequentemente que nós encontramos muito mais frequentemente sentimentos de infelicidade do que de mim do que de felicidade né então além disso a gente tem um corpo muito frágil né a outros mamíferos bem melhores do que nós bem mais fortes então nós sentimos muita dor
por conta da nossa própria constituição o nosso organismo é vulnerável a dor o mundo exterior as catástrofes naturais as forças da natureza a gente não controla isso nos causa dor e o que o Freud considera o pior o que nos causa mais dor no fim das contas é o relacionamento com outros seres humanos é claro que uma catástrofe há poucos dias o terremoto um terremoto enfim mata três mil pessoas mas ninguém fica com raiva da terra né É difícil sentir raiva da terra a gente sente raiva de pessoas Então é o que ocorre é que
o outro nos causa muito mais dor do que uma doença do que uma catástrofe porque a gente percebe que digamos assim tem uma algo de ruim adicional né o outro que é igual a nós não nos atendeu de alguma maneira então muito resumidamente o que a gente chama de felicidade que também já em se problemático né o Freud diz que existem momentos felizes basicamente uma felicidade duradoura pela nossa própria constituição é uma coisa que não existe né mas Digamos um certo bem estar no mal-estar é uma questão de acordo com a teoria freudiana da economia
libidinal de cada um ou seja isso na minha visão é o que as mais bonito né psicanálises mais libertaram nossos canal análise não há receita universalmente aplicável a psicanálise é exatamente o contrário da autoajuda né de dias que prometem uma cura permanente uma solução para os problemas não há isso na psicanálise pelo menos não numa psicanálise que seja realmente fiel ao Freud né É por isso que a psicanálise demora muito tratamento em geral demora muito é Custoso tem Idas e Vindas porque ele não mascara o fato de que a realidade é muito difícil e de
que o que a gente pode conseguir de satisfação na vida é sempre situado é sempre momentâneo a gente pode conseguir Claro obviamente satisfação com o mundo com todas as dificuldades que ele tem mas a gente tem que ter muita força né muita força para adaptar né adaptar as circunstâncias e a gente mesmo as nossas expectativas aquilo que é possível nesse mundo né Eu queria deixar claro que é um grande resumo aliás é um breve resumo de um texto muito rico já indo para o final do texto Freud fala tentando sintetizar que na verdade é um
texto que já é uma grande síntese da própria teoria psicanalítica ele fala dessa luta eterna entre Eros né o Amor e tanatos a morte né Isso é uma síntese de toda a discussão do mal estar na Cultura né então ele vai dizer que porque nós vivemos numa luta permanente entre elas a gente precisa de uma cultura a gente precisa de ideais éticos isso é muito importante porque esses ideais é que formam uma barreira para o escoamento da agressividade isso é essencial por isso que não é brincadeira quando a gente fala de ética a gente está
falando de uma espécie de que nos segura para que nós não nos tornemos bárbaros que seria nossa tendência e é seria não é né então é em cada indivíduo pensando agora em cada um de nós como é que isso acontece eu já está o tempo inteiro aqui relacionando né não vamos nos esquecer o supereu da cultura quer dizer aquilo são os mandamentos as regras as leis da cultura com aquilo que funciona para nós dentro de nós dentro de nós o Freud vai identificar no nosso aparelho psíquico uma Instância que inicialmente ele vai chamar de ideal
do Eu a gente vai ver isso mais para frente e posteriormente na teoria 1923 mais ou menos ele vai chamar essa Instância de que ocupa esse lugar dos ideais éticos dos mandamentos de superou então de uma maneira muito de novo né Muito resumida a ética é em última instância uma tentativa de livrar a civilização dessa nossa tendência inata para agressão mútua aliás eu acho muito divertido por exemplo ver criancinhas numa creche porque a gente vê isso em estado bruto né se não tiver gente olhando elas puxam o cabelo uma da outra enfim batem na cara
assim são pequenos homens primitivos ali num estado de natureza que aos poucos os professores vão tentando educar né então o desiderato digamos assim do Freud e que ele deixa explícito no mal-estar na cultura é que haja uma acomodação a cada momento histórico né entre as nossas premências individuais né é com o futuro da civilização quer dizer nós precisamos sempre viver numa solução de compromisso eu quero isso mas isso não é socialmente aceitável ou isso é contra a lei como é que eu vou fazer para que eu atenda aquilo que é permitido que é culturalmente aceitável
e também não tenham sofrimento psíquico insuportável Essa é a grande questão então digamos uma uma cultura que consegue se estruturar de uma maneira mais ou menos razoável para os seus membros é aquela que permite esse encontro né entre o individual e o coletivo só brevemente eu falei do ideal do Eu é uma expressão que ele usa 1914 eu não mencionei isso depois em 1921 ele ainda usa isso em 23 ele vai usar esse então é ideal do Eu é só para lembrar o ideal do Eu também é muito associado a o que a gente chama
de consciência tá famosa consciência tenha consciência né Isso tudo é ligado a questão do superior e da consciência tá é uma coisa bastante importante é o fato de que o sentimento de culpa é essencial para que a gente faça parte de uma cultura para que a gente seja um membro de uma cultura de uma civilização como é que surge esse sentimento de culpa né inicialmente digamos em não dá para a gente falar por exemplo da perversão da Psicose aqui então vamos falar digamos o sujeito dito normal ou seja neurótico né todos nós quando somos normais
para outros canalhas e somos é mais ou menos neuróticos um áudio formação psíquica esse sentimento de culpa ele vai surgir inicialmente do medo da autoridade a gente sabe que autoridade primeira para as crianças são os pais em condições mais ou menos normais né Depois Como eu disse aqui os professores dependendo da cultura está sacerdotes então há sempre uma autoridade que vai dizer não pode isso tira o dedo da tomada tirou a mão daí né quer dizer essa essas pequenas ordens que vão organizando a vida de uma criança elas vão criando um certo receio porque porque
se há a desobediência da autoridade provavelmente virar uma punição no mínimo uma perda de amor aquela história que Muitos pais usam hoje né porque hoje em dia tá fora de moda a questão da autoridade explicitamente então muitas vezes a fica tão tristinha se você fizer isso às vezes funciona né porque a criança Foi Puxa eu não quero que a mamãe fique tristinha então vai lá e para de fazer aquilo como come o brócolis né alguma coisa desse tipo Então essa dinâmica da culpa ela vai sendo gerada né na cultura na própria cultura no próprio movimento
de integração à cultura é muito bonito a gente vê de novo no desenvolvimento das crianças é pelo menos eu ah talvez as outras pessoas não acham eu acho bonito isso a gente vê quando superou já tá ali digamos assim né é o momento em que a criança ela já não faz a coisa eu me lembro por exemplo uma criança das minhas relações que queria comer brigadeiro não tava na hora de comer o brigadeiro e aí ainda era uma criança bem pequenas sei lá quatro anos e aí eu falei que não tava na hora de comer
brigadeiro eu percebi que ela tava olhando para pegar o brigadeiro escondido né tentando ver oportunidade mas ela eu fiquei de olho ela não pegou ou seja ela já tinha consciência já tinha um sentimento de culpa ali e já tinha consciência de que pegar o brigadeiro fora da regra fora da hora acarretaria alguma coisa fosse uma punição fosse uma perda de amor do adulto que tá ali vendo se ela tá comendo brigadeiro na hora ou não né então em última instância muito brevemente a chamada o que a gente chama de consciência é uma disposição para sentir
culpa Isso é que é o problema Por isso que eu falei que não dá para a gente entrar nas patologias porque justamente as patologias do sujeito não sente é uma pessoa dita normal que não não tem uma outra constituição ela tem experiência porque ela tem culpa por isso que a gente diz para pessoas que estão inseridas na cultura puxa põe a mão na consciência né acho que a gente supõe que ela tem culpas suficiente dentro dela para se dar contas que ela fez alguma coisa errada né então a consciência é uma coisa muito bonita porque
na verdade ela é fruto do amor do medo de perder o amor de alguém que faz diferença para gente né claro isso no início e depois o medo de que a própria cultura nos abandone o medo de se tornar otária né na cultura também existe né esse amor digamos coletivo né então sentimento de culpa ele é inevitável na relação com o outro né e é muito interessante também como a partir de determinado momento do nosso desenvolvimento psíquico não faz diferença se a gente puxou o cabelo do outro deu um tapa ou se a gente desejou
dar um tapa porque a gente vai sentir culpa por ter desejado né Isso é extremamente importante é para psicanálise o desejo de fazer o mal já é suficiente digamos assim para excitar para usar o termo do nosso título O sentimento de culpa né então o mal aquilo que a gente chama mal inicialmente digamos assim a bússola do que é bom e do que é mau não é necessariamente o que está nos 10 mandamentos ou na religião tal e qual embora as religiões obviamente se formam a partir desse sentimento de culpa individual né mas o mal
é primitivamente aquilo que nos ameaça com a perda do Amor com o desamparo e com a solidão também por isso que a gente quer tanto atender ao superior da cultura para ver se a gente é um pouco mais amado do que a gente é de qualquer maneira é extremamente importante explicitar aqui que essa expressão superior da cultura no mal-estar na cultura parece muito no finalzinho já do texto e ela não aparece sem problematização para o Freud Isso é uma uma ideia em si um pouco problemático né porque porque ele vai dizer o seguinte olha não
dá por exemplo para a gente fazer uma terapia da Cultura né A Gente Faz terapia de um indivíduo mas não faz da cultura porque o indivíduo você compara com o outro como é que você compara uma cultura com a outra e ele não era bobo nem nada conhecia muita antropologia e sabia muito bem cada cultura se organiza de um jeito né E algumas coisas são estranhas para uma cultura não são em outras né então ele diz bom é complicado né numa terapia individual a gente pode fazer esse digamos assim essa linha é esse sujeito e
saudável e sujeitos doentes neuróticos e no caso da cultura isso é baixa muito mais complicado né De qualquer maneira ele também deixa para nós essa tarefa de fazer o que ele chama de uma patologia das Comunidades Eu acho essa expressão muito interessante foi o que me animou abolar esse curso né O que que patologia das Comunidades é justamente a gente investigar Quais são as características do super eu que a gente pode pescar no comportamento cultural e não diretamente no comportamento do indivíduo né então o Freud vai dizer por exemplo que o superior da cultura ele
tem uma origem muito semelhante a do Superior do indivíduo tudo isso que eu expliquei anteriormente né então ele é a cada cultura tem também digamos assim os seus pais né o exemplo que ele dá para cultura Judaica Cristã né mas enfim judaico Judaica também é Jesus Cristo né Por que que Jesus Cristo é tão importante é até hoje aliás para alguns círculos cada vez mais inclusive né porque que Jesus Cristo é essa figura tão seminal tão fundamental na nossa cultura porque ele foi maltratado a gente olha Cristo crucificado não tem como não sentir alguma dor
e alguma culpa né É difícil até para um ateu ver tanto sofrimento não senti nada né então existe uma coisa na figura que mobiliza em nós tua a culpa um direcionamento moral e uma certa identificação também com essa com esse sofrimento né tô falando de Jesus por motivos óbvios Estamos aqui no Brasil inseridos é numa cultura muito marcada pelo cristianismo né É mas é claro que isso não explica tudo né é claro que a gente tem na nossa cultura quer dizer na verdade vou falar da cultura atual daqui a pouco mas enfim é o que
é importante a gente marcar para já ir fechando essa primeira conversa né é assim como superou individual é ele ocupa ele ocupa o lugar da autoridade é uma autoridade introjetada e por isso mesmo ele esta rigorosas exigências ideais eu tava uma vez refletindo sobre isso e conversando com o psicanalistas de criança que disseram uma coisa sensacional né Por exemplo aprender a ler é uma operação dificílima em termos cognitivos né É uma coisa muito bonita uma criança aprender a lei muito difícil também uma grande conquista né é de onde a criança que tá lá brincando fazendo
um monte de coisa legal com os amigos de onde ele estrai essa essa mobilização psíquica para aprender a ler né geralmente para agradar os pais né para aceder a um determinado patamar cultural que ela percebe como importante por isso que também é tão importante que a criança veja os pais lendo que a leitura seja valorizada porque senão ela não tem porque querer aquilo né é o ideal é atender alguém o que quer que você faça isso para você ser mais amado né e isso é internamente ilimitado o nível de exigência né quer dizer é mais
fácil a gente ver de novo na cultura a coisa um pouquinho mais obscura mas a gente vê muitas vezes é o superior quer dizer na verdade é difícil na coletividade é difícil também em cada um de nós né como é que funciona essa Instância crítica né na verdade na Cultura a gente tem a arte tem a literatura tem as expressões culturais que às vezes nos ensinam mais do que o caso a caso né do que um a um mas para a gente fechando é resumidamente o que que o Freud vai apontar como mandamentos do Superior
da cultura naquele momento que ele estava escrevendo né vamos lembrar né o Freud o sujeito que nasceu no final do século 19 viveu até a beiradinha aí da segunda guerra mundial então ele tá analisando esse momento precisamente tá tratando pessoas desse momento e ele Analisa muito justamente o mandamento Cristão do amar o próximo como a ti mesmo né amar o próximo como a ti mesmo ele via como uma injunção super egoica extremamente difícil de ser atendida e que causava muitas dores aos pacientes né ou seja amar o próximo como a ti mesmo é um pedido
de renúncia muito radical né porque não é nada natural a gente chamar o próximo muito menos como a gente ama a gente mesmo que a gente tem que se amar muito para viver a autoestima é uma coisa fundamental então para fechar o que se a gente tiver que ficar com uma síntese né do que era esse mandamento do Superior da cultura nesse momento é final do século 19 século 20 seria essa ideia da renúncia mas a gente vai continuar falando mais disso daqui a pouco