acho que eu tento de mencionar até hoje e as pessoas também tentam dimensionar até hoje o que se passou [Música] era meu primeiro final de semana em boate não tinha essa experiência antes daquis então uma série de questões não nem se passaram direito pela minha cabeça sabe de reconhecer que existe um mundo fora do meu quarto um certo ponto sabe e aí eu fui jogado para uma para uma realidade que era completamente estranha e com o tempo fui percebendo do pão absurdo era essa realidade naquele momento a dimensão do crime ele foi sentido pela grande
maioria das pessoas né tanto que gerou uma onda de solidariedade histórica e aos poucos isso foi se dissipando ao longo desses 10 anos esse movimento coletivo solidário foi se dissipando e a luta contra impunidade por exemplo ela é extremamente necessária porque a impunidade nos fere todos os dias porque é todo dia que eu vou dormir e sei que juridicamente falando o estado não demarcou essa história enquanto verdade tá bem eu sou Gabriel rouados de Barros tenho 28 anos sua sobrevivente da tragédia da Boate Kiss atualmente sou presidente da associação dos familiares de vítimas Sobreviventes da
tragédia de Santa Maria a vtsm tô nessa função desde agosto início de agosto de 2022 certo e Gabriel nesses dias né na iminência de completar uma década da tragédia o que tem passado pela tua cabeça tem passado esses últimos 10 anos numa retrospectiva de um ano só aparece sabe porque nesse último período de um ano nós revivemos tão intensamente por conta do julgamento e posterior anulação tudo que se passou e colocamos em cheque todas as certezas que a gente tinha tantas vezes tão intensamente que chegar nessa nesse Marco de 10 anos com o parâmetro e
o cenário que a gente encontra especialmente juridicamente falando é bastante frustrante né mas nós estamos sem jamais temos a possibilidade de nos entregar para a situação para circunstâncias para os obstáculos né Eu como sobrevivente fiquei muitos anos afastado do movimento demorei a meu ver muito tempo cronologicamente falando Para me aproximar do movimento literada da situação mas foi um tempo que eu tive que ter para me amadurecer mesmo para lidar com tudo e quando cheguei no momento de adentrar o movimento entrei de corpo pele alma todas as formas possíveis né ao ponto de assumir a associação
nessa função da presidência e propondo uma gestão que de frente bastante Ampla no sentido de enfrentamento né de pautar as questões jurídicas de forma pertinente de pautar a memória coletiva de readentrar as Universidades de mirar nas escolas no futuro para entrar com ideias de Formação permanente sobre essa história da tragédia Então são diversas frentes de esperança né de reconstrução de resgatar o passado para construir esse futuro a partir da situação com a qual encontro a própria história acho que eu tento dimensionar até hoje e as pessoas também tentam dimensionar até hoje o que se passou
porque eu digo isso enquanto sobrevivente conta uma história pessoal quanto eu fui afetado pelo que se passou comigo eu lembro de da noção do perigo e gradualmente aumentando conforme os segundos passavam naquela noite a um ponto de chegar na manhã seguinte ter dados da tragédia dados de vítimas e perder meus amigos que estavam comigo e sabendo com o perto fiquei de não conseguir sair naquele momento a dimensão da do crime ele foi sentido pela grande maioria das pessoas né tanto que gerou uma onda de solidariedade histórica e aos poucos isso foi se dissipando ao longo
desses 10 anos esse movimento coletivo solidário foi se dissipando especialmente Porque de fato a dimensão do que se passou é imensurável e para lidar com isso precisa de uma implicação comprometimento com a causa diversos esforços pessoais que demandam das pessoas e é compreensível a dificuldade Mas jamais vamos aceitar com que essa dificuldade impeça de que se fale sobre pelo contrário a gente acredita que falando sobre proporcionando espaços para falar sobre a história para contar ela repassar ela diante para que não se comentam os mesmos erros é é um caminho para um futuro Próspero e com
garantias de segurança com garantias que a juventude de mais ninguém que seja ceifada do jeito que foi e eu falo tanto pelas vítimas quanto pelos grandes partes de sobreviventes que carregam grandes sequelas não somente físicas mas a psicológicas da ordem de ser constantemente engatilhado por diversas situações de uma vida cotidiana e a luta contra impunidade por exemplo ela é extremamente necessária porque a impunidade nos fere todos os dias porque todo dia que eu vou dormir e sei que juridicamente falando o estado não demarcou essa história enquanto verdade e como que a gente procede enquanto sociedade
sem uma história demarcada uma história tão brutal demarcada na história da própria sociedade reconhecida pelo Estado para que se cria garantias e tem uma vida segura a partir daí Então são diversas esferas que convergem nesse ponto de se criar um espaço seguro para que a gente fale sobre se ampliar o debate público sobre o sofrimento de cada um e acolher esse sofrimento acolher o que as pessoas passaram passam até hoje e vão seguir passando e eu quero que esse futuro se encaminha para um futuro com menos adoecimento das pessoas dos familiares dos Sobreviventes e da
sociedade enquanto tal principalmente sociedade de Santa Maria porque eu vejo o caminho e é com isso que a gente luta e é com pelo amor que a gente tem um pelos outros e por quem ficou que a gente segue lutando é difícil saber essa me questionavam pauta nessa época eu tinha 18 anos estava no primeiro ano de faculdade inclusive 27 de janeiro é uma data que marca tanto a tragédia da Boate Kiss quanto também a minha primeira vez que eu passei no vestibular nesse mesmo dia só que eu passei no vestibular em 2012 então eu
sempre faço esse paralelo entre a minha história de juventude de um futuro né que eu poderia ter e quem eu era na imaturidade que eu tinha na adolescência que eu ainda tava vivendo era meu primeiro final de semana indo em boate não tinha essa experiência antes daquis então uma série de questões não nem se passaram direito pela minha cabeça sabe de reconhecer que existe um mundo fora do meu quarto um certo ponto sabe e aí eu fui jogado para uma para uma realidade que era completamente estranha e com o tempo fui percebendo do quão absurdo
era essa realidade e que eu não tava louco por me sentir tão frustrado e tão e por doer tanto dentro de mim isso que eu tava sentindo que era culpa de ter sobrevivido que era a culpa por não ter conseguido fazer mais a culpa por uma série de fatores que influenciaram muito na minha vida eu acho que isso e talvez tudo que eu esteja fazendo hoje seja ainda para responder um pouco dessa culpa não tenho dúvida disso mas eu demorei até a ser preferida da sentença para acreditar que pelo menos parte dessa culpa não era
minha então ali eu senti e eu já acreditava que a justiça tinha esse potencial de adequar os sentimentos de alguma maneira mas com a sentença proferida eu vi os meus olhos sentindo a minha pele o efeito que a justiça pode ter o efeito reparador e com anulação se criou uma grande confusão assim internamente no meu sentimento sabe de do que se passou Será que alguém deveria me colocar em cheque Será que eu deveria colocar tudo isso que eu venho formulando a quase 10 anos em cheque e como eu disse não se tem tempo para cair
nessas situações Então me juntei Aos familiares que estavam ali com a gente ou Sobreviventes E pensei não caminha para frente que a gente tem que seguir e a frente é um caminho ainda com um obstáculos mas nós temos a direção que é a nossa ambição com base nos nossos propósitos de amar segurança no futuro lutar pela prevenção de sempre ser uma pauta constante lutar pela conscientização coletiva de cobrar as próprias os responsáveis estabelecimentos né criar essa consciência fiscalizatória nesse sentido Próspero que a palavra pode ter e de cumplicidade com isso que promove a vida né
isso que preza pela dignidade que preza por um futuro e que coloca a vida em primeiro lugar nós entrevistamos aqui pessoas relacionadas a aqui Muitas delas dizem o seguinte né que levavam vidas comuns até o dia 27 de janeiro de 2013 então de um momento para o outro né Se vira envolvidas em áreas como a política o sistema judiciário Por exemplo algo que nunca imaginava que queria acontecer e aí eu te pergunto é isso aconteceu contigo também como foi como tá sendo isso a tua percepção da política também né não são escolhas que a gente
faz por vontade por não é quase nem chega para essa ser uma escolha muito sabe se apropriados diferentes Campos que é aqui afeta e são vários né Eu por exemplo eu fazia jornalismo na época e por conta de sofrer a violência de cobertura naquela época ali foi a gota da água para não seguir naquela profissão naquele momento e eu fui para psicologia por conta de ter conhecido a terapia e perceber que aquilo era uma coisa útil que funcionou para mim e que eu queria ser útil de alguma maneira sabe que naquela noite eu fiquei muito
com uma uma frase que eu ouvi lá na cabeça que era estar respirando e tá andando Tá bem então levei isso mais de ano essa frase meio como mantra assim sabe não tô respirando também até o reconhecer através da terapia que Opa tinha outras férias que podem não estar tão bem e tem como resolver isso através da palavra muitas vezes né através de da terapia descobrir uma potência assim isso me despertou para viver isso isso foi um pouco até meu Álibi para viver porque até o momento da tragédia me colocava como eu me perguntava muito
que eu era se eu era sobrevivente o que mais que mais que eu era eu não queria ser só sobrevivente não queria que esse nome me definisse eu sentia que definia naquele momento Então fui cursar Na graduação e foi esse período até o meu fim do mestrado praticamente que eu fiquei nas sombras do movimento para me formar fazer uma graduação se alguém para além de sobrevivente para então ter coragem de ser também sobre a gente além de ter as minhas atribuições né E foi esse caminho que eu escolhi e de fato com aproximação da associação
e da próxima da própria história daqui são múltiplos setores que aqui adentra enquanto o assunto enquanto falta ainda mais estando numa posição de liderança da Associação É preciso se apropriados diferentes Campos né É Preciso Saber aprender a ler legislação entender que aquilo se diz Ou pelo menos saber quem contatar para tentar entender por conta né se apropriar da temática se apropriado do assunto e eu sinto que eu venho emprestar um pouco também dessa formação que eu tive a oportunidade de fazer por fora né por fora digo enquanto eu não estava no movimento porque muito do
que eu tive é da Psicologia no mestrado de alguns entendimentos sobre a psicologia social diversas áreas que que abordam o contexto de Sofrimento psíquico e sociedade vamos dizer assim isso tem tido efeito hoje nas ações que a gente tem promovido nas práticas como a gente tem pensado a gestão e como a gente pensa do quão importante é a presença de pessoas enfim diferentes formas de abordar que eu sinto que há de um traço meu que eu deixo Como contribuição e tento colaborar nesse movimento coletivo né e eu vejo muito o papel da cidade nisso sabe
E aí toca talvez na esfera de discussão política e essa discussão política fiquei bem claro dizer político não quer dizer partidário eu acho que isso é sempre importante frisar Toda a relação é política né Toda existência política a gente cabe nós não desculpa não negligenciar esse fato de que a existência é política fazer parte de movimento é um ato político muitas vezes né e é com essa consciência que vem da minha formação que eu tive a oportunidade de concluir e é da vivência do próprio movimento de perceber as relações que se criam com pessoas com
instituições né e tendo como base a essência do próprio movimento que são esses propósitos que eu já citei para segurança em prol da vida tão é uma grande rede de assuntos de setores de pautas que que a gente precisa estar pronto enquanto associação para saber conversar e para estar pardos da discussão para não deixar retroceder em nenhum ponto Certo Gabriel tu falaste do papel da cidade né nesse processo aproveitar para te perguntar passados esses 10 anos né na tua avaliação Santa Maria conseguiu assimilar o incêndio da boate Kiss como algo dessa magnitude Deva ser assimilado
não ainda tá distante um pouco disso a gente pode ver por quanto a resistência própria Associação encontra as próprias familiares recebem bastante resistência por parte de parte da população eu digo parte porque eu acredito que eu acredito pessoalmente que seja uma uma pequena parte da população Mas é uma pequena parte que não tem vergonha de fazer barulho né enquanto se a gente invertesse a situação e quem apoiasse entender essa dimensão não tivesse vergonha de fazer barulho talvez teriam saídas mais positivas né e É nesse ponto que essa gestão tem tentado pontuar e trazer e convocar
para o debate público né para participação pública das nossas eventos das nossas ações que é autorizar as pessoas a falar do seu próprio lugar de fala sobre aquilo para falar sobre aqui não precisa falar enquanto um familiar enquanto um sobrevivente é preciso falar do seu próprio lugar de enquanto alguém que mora na cidade enquanto alguém que estuda na cidade enquanto alguém que lembra de onde estava quando aquilo aconteceu é reconhecer é fazer um trabalho interno primeiro de se reconhecer até que ponto aqui pertence a sua própria história até que ponto aquilo impacta aquilo choca aquilo
traz um sentimento que pode ser compartilhado Porque a partir daí que a gente constrói coletivamente uma memória coletivamente uma narrativa todo mundo da cidade naquela época Perdeu alguém todo mundo sabe dizer um dois nomes ou mais de alguém que conhecia algum colega alguém alguma vítima e ainda mais se for considerar se conhece algum sobrevivente né todo mundo se conhece nessa cidade e é e através do Carinho um com o outro que a gente pode levar adiante e eu não acho que como eu disse que que o silêncio seja tão benéfico Nesse sentido porque muitas vezes
o silêncio ele tem um tom de cuidado né de não querer despertar naquela pessoa algo isso é muito carinhoso pela intenção mas os efeitos às vezes desse silêncio é justamente não criar oportunidades para se falar sobre disponibilizar um espaço para discussões da Universidade por exemplo pode ser feito com muita seriedade e responsabilidade e carinho e pode ser um espaço produtivo para criações de ações para criação de um mural que que grave essa história né da própria história da Universidade por exemplo são diversas ações que vão surgindo pensando só tendo com base a conversa o diálogo
sobre o assunto para quem não se caia no esquecimento né e são muitos caminhos e eu acredito que a associação pelo menos como eu tenho tentado levar pode ser muito mediadora para impulsionar essas discussões feitas de forma responsável né É pelo menos a minha intenção com vocais diferentes espaços a dialogar discutir a produzir nós fizemos várias ações ali na fachada da crise desse último final de ano a partir de outubro me contaram com a participação de pessoas e fizemos a colagem 242 estrelas na fachada da crise a maioria delas foi pintada por crianças onde deixaram
mensagens essas crianças eram de Agudo eram nem de Santa Maria e mensagens muito bonitas muito muito carinhosas muito singelas do afeto e da inocência de uma criança sabe e eu tenho a crença de que as crianças elas sabem perguntar e responder muito melhor que os adultos sobre coisas difíceis para nós Então nesse sentido também acredito que inserir o debate sobre essa história nas escolas seja uma via de uma produção de um futuro com maior responsabilidade responsabilidade social justiça social nesse sentido de prezar pela memória então vejo muitos caminhos vejo muitos caminhos e espero conseguir compartilhar
com mais gente essas possibilidades e acessar em um ponto sincero de cada um que puder ouvir o que eu tenho para dizer enquanto a associação enquanto propostas enquanto o futuro por exemplo diretamente ainda não ainda não podemos dizer que fizemos contato com escolas né mas isso tem sido falta das intervenções isso tem sido falta nas nossas pessoas que têm organizado suas ações que ajudam o coletivo de psicanálise de Santa Maria o próprio coletivo da Quiz que não se repita né entrou na Câmara dos Vereadores junto a uma vereadora para um projeto de lei que torna
o dia 27 um dia de memórias vítimas aqui e dentro desse projeto de lei tem uma série de premissas assim de justamente disseram nas escolas do debate dá uma abertura com uma firmeza Legislativa para exceção desse debate desse contexto escolar e de promover ações e memória abre uma porta bem importante nesse sentido e o próprio coletivo daqueles que não se repitam coletivo muito importante que acessam pessoas que a própria Associação não consegue às vezes ter pernas para acessar que é um público geralmente acredito mais jovem das mídias sociais então expande de Santa Maria e região
Então são forças que podem convergir podem atuar em conjunto e Total Harmonia com esses propósitos básicos que já mencionei então no decorrer desses 10 anos as investigações sobre a tragédia daqui eles passaram por diversas etapas desde o primeiro inquérito lá da Polícia Civil até o julgamento agora no final de 2021 ou seja foram 10 anos nos quais fatos vieram à tona puderam ser analisados e ajudaram a construir a história da tragédia assim de pergunto é na tua avaliação com tudo que a gente sabe hoje quem são os principais responsáveis pelo ensino de no boate Kiss
todos eles estavam retos Então isso é uma posição Clara pela associação pela história da associação do quanto os pais foram processados justamente por reclamar dos bancos dos réus Como foram reduzidos Aos Quatros né nesse processo criminal e é o que motiva para Associação tem sua história o início das tratativas com e fugiu o nome a comissão internacional de direitos humanos É né agora me fugiu A nomenclatura mas essa ação internacional que justamente busca destravar esse recuo por parte do Ministério Público na época da condenação da denúncia sobre diversos possíveis delas né E aí temos responsabilidades
da prefeitura a responsabilidades dos próprios da própria Ministério Público responsabilidade de diversos esferas que não somente os quatro Réus essa essa tratativa tá seguindo desde 2017 temos estamos tendo avanços mas avanços muito lentos porque o ritmo nesse tipo de corte é bastante lento em comparação ao nosso tempo de vida diária né e anulação ainda no processo criminal ali do julgamento que aconteceu em 2021 é um soco no estômago que a gente levou de do nível de absurdo né a gente se sentiu completamente desumanizado pelo que aconteceu toda a história foi reduzida a uma vírgula técnica
processual que nada tem a ver com o andamento do Júri né Por atuação de alguém por então pela condenação ser contra não ter coerência com as provas não tem nada de argumento assim né foi argumento técnico da conduta do juiz e numa reunião que anularam os dez dias de intensidade 10 dias de adoecimento 10 dias de que foram ao mesmo tempo 10 anos e 10 minutos né foi uma montanha russa de tempo e o que a gente tem que prezar é que a a falta da responsabilização ela é um convite aberto para para que se
ocorra de novo para que se matem mais de 200 pessoas em qualquer outra situação porque a condenação aí é mais complicada né então quase um convite aberto Absurdos que acontece então são muitas frentes de responsabilização que a gente segue lutando e nós estamos de fato buscando a condenação dos quatro e a atuação de dos mais responsabilizáveis também diante dos órgãos públicos olhando sobre a luz dessa década que passou olhando que tu eras tu tinha 18 anos hoje tu tem uns 28 né eu quero te perguntar o quanto hoje que a tragédia impactou na tua vida
tragédia me matou tenha dúvida [Música] aquilo que eu era não consigo nem prever como seria um futuro aquilo que eu fui naquele dia até aquele dia e tento construir algo que faça sentido eu ter tido essa chance até hoje e assim seu sonho tão grande é porque dói mais ainda e eu juro que que o tamanho desse meu sonho de mudar o mundo é do tamanho da dor que eu sinto e eu tenho a confiança que a gente vai conseguir sabe não é Não é justo a situação como se encontra Não é justo a gente
ter tanto amor para oferecer e não ser reconhecido pelo amor e não é justo que pessoas nos acusem de Vingança quando a gente busca a responsabilização A Vingança mesmo seria se a gente não tivesse esperança no futuro Vingança mesmo seria se a gente não lutasse para ter um futuro com responsabilidade com segurança para todos inclusive para os filhos daqueles responsáveis pelo que aconteceu então é eu sigo consigo fazendo carta de despedida para aquele Gabriel que eu fui sabe sigo tentando prestar contas para aquilo que aconteceu comigo e com meu passado então é por amor que
a gente faz isso como eu já disse de construir eu tô eu tô Mirando num futuro para os meus netos e nem quero ter filho entende é um futuro impessoalizado Nesse sentido tô pensando no meu futuro não é não tem esse nível de vaidade sabe nessa projeção e nesse sonho nessa esperança então enquanto quanto Janeiro não puder ser vivido teve que sempre ser revivido a gente tem muito trabalho a fazer muito trabalho que não pode ser só nas nossas mãos [Música]