"Senhor, ensina-nos a orar como João Batista ensinou aos seus discípulos", foi esse o pedido dos apóstolos a Jesus depois que viram Jesus passar uma noite em oração. O início do capítulo 11 de São Lucas quando Jesus, então, ensina o Pai Nosso. "Domine, doce nos orare", esse é o pedido mais importante que nós poderíamos fazer a Jesus e não somente.
Nós devemos aprender a orar e ensinar a orar. O Catecismo do Concílio de Trento, quando inicia a quarta parte que é dedicada à oração, ele faz uma afirmação que pode parecer, para algumas pessoas, exagerada. Ele diz assim: "Entre as obrigações do ministério pastoral, a mais necessária para a salvação do povo fiel é o ensino da prece cristã.
Por isso, o principal empenho do pároco" - Veja só, é superlativa a coisa: é o principal empenho do pároco! - "está em conseguir que os seus piedosos ouvintes compreendam que devem pedir a Deus e de que maneira o devem fazer. " Ora, se o Concílio de Trento está dizendo isso, que esta é a principal obrigação dos párocos, nós que estamos nos tempos atuais vivendo após o Concílio Vaticano II e passamos esta obrigação dos párocos de catequese para todos os catequistas, para todos os ministros leigos, então, nós precisamos todos, todos aprender a orar e ensinar a orar.
Mas, por que que a oração é tão importante? Por que a Igreja coloca tanta ênfase nessa realidade da oração? Deus, afinal das contas, não é amor, não é misericórdia?
Ele não está disposto a nos perdoar se a gente falta com as nossas orações? O que acontece é o seguinte: é verdade, Deus é amor e misericórdia, mas nós somos muito egoístas. E aqui está a dificuldade.
A dificuldade está no fato de que nós precisamos sair do nosso egoísmo e Santo Agostinho nos recorda que se nós não conseguimos fazer uma coisa e Deus pede, Deus não pede o impossível. Então, se Ele está pedindo uma coisa que nós não conseguimos, nós precisamos pedir a Ele, ou seja, a oração é necessária exatamente pela nossa incapacidade de amar. Nós precisamos pedir a Deus aquilo que nós mais necessitamos.
Por isso, Agostinho diz 'da quod ubes et ubis quod vis", dá, Senhor, aquilo que mandas e manda o que quiseres. E Ele nos manda verdadeiramente amar. Mas, para isso, precisamos pedir, suplicar a Ele humildemente que nós dê a graça de amar.
Por isso, a oração é tão necessária. Nós estamos hoje começando este pequeno curso, uma espécie de "crash course", um curso bem rápido a respeito da oração, essa realidade tão importante. Nós temos em nosso site um curso bem maior, mais amplo, sobre "O caminho da perfeição", de Santa Teresa, para aqueles que querem aprofundar, mas aqui, nós temos em cinco minutinhos, pequenas aulas que vão introduzir nós dia após dia nesse realidade da oração.
Por quê? Porque queremos nos salvar. Santo Afonso Maria de Ligório, neste famoso livrinho "A oração", ele coloca exatamente, de forma lapidar, a importância da oração para a nossa salvação.
Ele diz assim: "Quem reza se salva e quem não reza, certamente se condena. Terminamos esse primeiro ponto concluindo, de tudo que dissemos que quem reza certamente se salva e quem não reza certamente está condenado. Todos os bem-aventurados, exceto as crianças, salvaram-se pela oração.
Todos os condenados se perderam porque não rezaram. Se tivessem rezado não se teriam perdido e esta é e será a maior desesperança no inferno. O desespero, o poder ter alcançado a salvação com facilidade, pedindo a Deus as graças necessárias e agora esses miseráveis não têm mais tempo de rezar".
Mas nós, nós temos tempo. Nós temos tempo de rezar, mais do que isso, temos tempo de aprender a rezar, por isso a nossa primeira oração é aquela que nós aprendemos quando éramos criança e dirigimos a Nossa Senhora: "Mãezinha do céu, eu não sei rezar, eu só quero dizer 'eu quero te amar'. " Exatamente porque queremos amar, precisamos aprender a rezar e dizer: "Senhor, ensina-nos a rezar".
"Domine, doce nos orare".