Olá! Você sabia que muitas mulheres levam a fama de hipocondria que é injusta? Pois é, quando eu era pequena, a minha mãe me chamava de Maria das Dores.
Eu não gostava de colo, não gostava que pentear meu cabelo, não era fã de muito chamego e outros. Devia ser quando ela viu aqui no canal professor autista dizendo que ela também sente os toques superficiais, percebe esses toques especiais como dor. Eu sou assim; até o relevo da impressão do baixo das tiras das Havaianas me machuca.
Eu aposto que você nem sabia que existia essa impressão lá debaixo das tiras. Depois, você olha, os abraços para mim também têm que ser mais apertados, mas eu não tenho diagnóstico de autismo. Talvez seja mesmo só uma alteração de processamento sensorial e sensibilidade, como diz a doutora Helen Rose.
E quando mencionam que eu tenho um sorriso social, já descartam a possibilidade de autismo. Mas essa é outra questão, que vocês comentam aqui também, que costuma ter um sorriso estereotipado, às vezes fora de hora, e eu tinha e tenho isso às vezes também. Já me causou vários problemas; a minha mãe tinha que explicar que não era por mal, eu gostava de rir mesmo.
E teve uma vez, em um colégio militar, que eu tive uma crise de riso e o professor ficou muito bravo; ele queria me expulsar da aula, mas como eu não parava de rir, eles me levaram para a enfermaria e descobriram que eu não era a única, mas 10 outras pessoas que tinham comido um sanduíche natural estragado também estavam passando mal. Olha só, é diferente, né? Então, a reação, a resposta pode ser atípica.
Enfim, todo mundo percebe essas nossas estranhezas, mas o mais comum é que as pessoas sensíveis sejam julgadas como reclamonas ou loucas, e os incômodos físicos geram comportamentos incoerentes, assim, né? Como chorar muito ou como rir, no meu caso. Hein, se alguém vai cogitar a possibilidade de ser autismo ou de ser uma alteração no processamento sensorial.
Bem, mas voltando aqui aos nossos sintomas físicos mais relatados pelas meninas, né, pelas mulheres neurodivergentes, essa lista é gigante e começa pelas dificuldades na escola, às vezes pela sensibilidade auditiva, que deixa a criança confusa. Ela às vezes não consegue prestar atenção na aula. A sensibilidade à luz também pode prejudicar a participação dela nas atividades de educação física.
Aí, olha só a reflexão: a falta de equilíbrio, que já costuma ser um problema, tende a piorar porque ela não se exercita. E o sedentarismo também pode causar fraqueza muscular, encurtamento, dores na coluna, por exemplo. Quer dizer, a falta de atividade pode levar a várias outras coisas.
A dislexia também é uma queixa super frequente e, até que se faça o diagnóstico, a criança pode ter que experimentar vários tipos de óculos e isso pode causar enjoo, dor de cabeça, irritação, problemas na escola. Também a seletividade alimentar, que é super frequente, também tende a causar desnutrição. Aí, o cabelo fica fraco, menos brilhante, as unhas tendem a ficar quebradiças, o intestino pode não funcionar bem, e até porque a pessoa tem que escolher alimentos processados ou carboidratos simples, como pão, macarrão, açúcar, que inflamam o corpo inteiro.
Aí, sem os nutrientes e com o intestino inflamado, a moça pode não produzir os neurotransmissores como deveria, não tem os hormônios que precisa para ganhar energia e aí o resultado fica mais letárgico, tenso, dolorido e ansioso. Olha só que problema. Na minha época do vestibular, eu estava tão estressada que cada dia eu tinha um sintoma diferente.
Para mim, era como se eu estivesse prestes a ter um infarto, um piripaque, qualquer coisa; eu passava mal mesmo. Então, eu ia ao meu cardiologista quase toda semana porque ele era o meu médico de confiança. Daí, um dia ele me esperou na porta do consultório, no final do corredor, e quando eu cheguei até ele, né, até a sala, ele me perguntou, rindo: "E então, Lígia, qual é a 'síndrome' dessa semana?
Qual é a 'síndrome' de hoje? ". Porque eu já tinha tido sinusite, osteíte, condrite, dermatite, gastrite, todas as doenças possíveis.
E só naquele momento é que caiu a minha ficha de que realmente eu estava adoecendo por estresse. Eu tinha tido tudo que tinha direito. Mas, além da ansiedade, o problema é que a minha alimentação era praticamente baseada em farinha, então a minha flora intestinal estava de mal a pior.
Porque hoje eu sei: eu amo açúcar, e na adolescência eu trocava o almoço por um lanche, por pão do McDonald's. Ou seja, não dá para culpar só a nossa sensibilidade; tem esses maus hábitos também que são comuns. E, além, é claro das crises, das dores físicas, das somatizações, é muito comum que as mulheres autistas e que essas meninas mais sensíveis sofram especificamente com as crises de ansiedade e com a depressão.
Por exemplo, as dores emocionais. Inclusive, às vezes, o autismo é diagnosticado a partir dessas queixas, e às vezes só depois de adultas é que as mulheres vão entender que os seus sintomas sempre fizeram parte do espectro do autismo ou de outra condição vigente, e que, na verdade, as suas queixas não eram uma lista infinita de condições distintas, cada uma uma caixinha, e não era hipocondria também. Agora, pergunto: por que então os sintomas não aparecem desde cedo, desde a infância?
Por que essa espécie de hipocondria costuma aparecer mais na adolescência? E a resposta é a seguinte: talvez essas demandas da vida tenham sido bem administradas até aquele momento. O DSM-5 novamente descreve que os sintomas e os sinais do autismo podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades da pessoa.
Então, se a criança está em um ambiente natural, se ela convive com pessoas calmas e se não tem muita exigência social, muita exigência acadêmica, a criança pode ficar. Super bem, super tranquila. E alguns pais até vão questionar o diagnóstico de autismo quando o filho ou a filha não tem crises.
Não tem mel, da-os, mas não tem crises. É um ótimo sinal; pode ser um sinal de que as demandas estão abaixo dos limites da sua pessoa e de que não estão sobrecarregando a criança. Então, eles estão fazendo um excelente trabalho.
O DSM-5 também destaca que as características do autismo podem ser mascaradas por estratégias apreendidas durante a vida, e esse, aliás, é o nosso objetivo: nós não queremos, é claro, de jeito nenhum, não ajudar a pessoa a mascarar mais do que ela já tem, nem chamar os caras, né? O ABA faz emoções e os desconfortos que ela tem, mas é muito importante aprender estratégias de enfrentamento e melhorar, por exemplo, os nossos hábitos alimentares e suas rotinas de exercícios físicos. Se você é como eu e não gosta de esportes em grupo, se a bola tem que ficar na sua cabeça, você fica desesperada; ou se você não gosta de atividades que dependam de contato físico, como o judô, ou que tenham muita queda, como no judô também, ou no jiu-jitsu, você pode fazer caminhada, pilates.
. . Agora, por exemplo, estou fazendo um treino com kettlebell.
Tem algo na internet e tudo que você precisa é de um pezinho. Sim, bom, então não tem desculpa! Eu tenho um professor que sempre diz que, se você advoga pelo seu problema, esse problema tende a se perpetuar.
Então, claro, é excelente saber das nossas características; é excelente saber que, mesmo que você seja a Maria das Dores ou a rainha da vidas, a culpa não é sua. Mas também é muito importante se responsabilizar pelas mudanças necessárias. Então, comente aqui abaixo se você também sentiu, se você já sentiu muitas dores físicas ou dores emocionais, se você foi mal julgada por isso, e compartilhe com a gente quais são suas estratégias de enfrentamento.
Se você ainda não começou a se cuidar, então aproveite também esse alerta e dê seu primeiro passo, menina, porque ele disse que vai fazer muita diferença na sua vida. Então, grande abraço e até o próximo vídeo! Tchau tchau!