[Música] queria primeiro agradecer a presença de vocês aqui e também há o apoio do ms e na casa azul flip para esses dois dias de eventos nada como desdobramento da exposição infinito vão na sua presença aqui no brasil em são paulo a gente espera que a exposição que foi feita que ainda está lá na casa da arquitetura em matosinhos em portugal possa vir ao brasil no ano que vem estamos com esse horizonte mas enquanto isso não acontece ontem tivemos o lançamento do livro catálogo e temos esses dois dias de debate nos quais hoje está hospedada
essa discussão sobre o meu livro dentro do nevoeiro e para isso tenho a alegria de editar que deu meu lado a giselle beiguelman manhã o agnaldo farias dois importantíssimos críticos de arte professores da fauusp meus colegas a gisele também artista multimídia e enfim vale explicar que esse vídeo que foi passado agora no início é um dos vídeos feitos para a exposição e finito vão pela mira filmes junto com a curadoria a gente tem passado na antes dos debates de cada um deles um dos vídeos então em ordem cronológica são seis ontem ele passou 11 e
12 é o terceiro a canção tropicália momento a dos anos 60 e e agora pra fazer pra entrar verdadeiramente no o assunto dentro do nevoeiro preparei uma curtíssima apresentação visual primeiro com a capa dos dois livros no infinito vão e do nevoeiro nos quais se vê é uma afinidade né no mínimo poética que justamente é sob o grande vão da liga do mundo está a fumaça no trabalho no arranque da laura vinci que entrou na capa do livro na há a questão do vão como definição de uma poética brasileira a gente vai conversar nos na
segunda no segundo encontro com o paulo mendes da rocha mas é eu não podia perder a oportunidade até porque quase um milagre que isso tenha acontecido mas a princípio são duas coisas o infinito vão dentro do banheiro mas a minha irmã marina winick fez um palíndromo em minha homenagem que eu quis então colocar aqui como uma epígrafe para essa conversa palíndromo são aquelas frases que você lê de frente e ao contrário ela é a mesma frase nesse palíndromo ela juntou o vão da neva então é assim isso dá uma coloca esse debate aqui plenamente em
casa digamos assim dito isso é o que eu vou fazer só uma uma introdução sobre o conteúdo do livro e vou passar fala para os meus comentadores que é um luxo temos aqui e depois a gente abre para perguntas da platéia em continua a conversa o tempo é curto então é eu vou dizer acho que assim como o modo de introduzir o assunto imagina que aqui na platéia alguns já leram um livro outros não é mas é o livro nasce da minha tese de doutorado que foi defendida em 2012 depois foi muito reescrita né e
quase que inteiramente transformada essa reescrita e essa transformação ocorre em paralelo ao momento em que eu entrei como professor na fau usp em 2013 para 14 portanto também quando passei a a dar aulas junto com aguinaldo e poder em aula a desenvolver muitas idéias e também está próximo da xl e conversar muito com ela sobre temas de tecnologia que eu desconhecia e que ela conhece tão bem e que foram muito importantes na reformulação da tese em livro então é essa tese que a origem do livro nasce de uma leitura uma percepção de um estado atual
da arquitetura contemporânea que alguma coisa que eu já percebi a e pensava sobre isso a presença dessas fachadas translúcidas nessas chamadas leitosa nas fachadas de vidros serigrafados chateados ou de policarbonato é de edifícios que têm uma espécie de aura de mistério onde a antiga idéia de transparência moderna foi transformada numa certa uma semi opacidade numa translucidez que cancelou aquela ideia aquele princípio iluminista de transparência como verdade historicamente está filtrado pelo momento pós moderno que negou completamente a transparência e e colocou nas fachadas uma espécie de anteparo opaco a situação contemporânea ser uma espécie de síntese
entre os dois momentos né onde volta a presença do vidro dessa poética porém não mais aquela transparência iluminista tem um texto seminal do collin errou com roberts lutas que se chama transparência literal e fenomênica é um texto do início dos anos 60 onde ele a partir do cubismo das telas cubistas ele de t determinam dois tipos de transparência literal seria essa a mais evidente moderna como as fachadas de vidro como prédio da bauhaus onde você vê através na massa' fenomênicas seria essa outra onde as coisas como elas não são vistas inteiramente elas se tornam ambíguas
elas são como que para incestos ela se sobrepõe e você enxerga tudo isso meio que plasmado junto né essa imagem é essa essa transparência mais misteriosa mais ambígua e também mais empática de certa forma nem fala mais aos nossos sentidos inclusive nos convida a tentar decifrar essa espécie de mistério na mínima ela teria e tem eu acho uma identidade muito forte com a sensibilidade do mundo contemporâneo vejo isso em projeto solucionar por exemplo na cultura japonesa em grande medida à risca uma analogia com as músicas do radiohead é e uma certa percepção de um estado
contemporâneo de flutuação de abolição de hierarquias mas isso é onde nasceu a coisa digamos um olhar para a cultura contemporânea que de onde se percebe matrizes como grande vidro do chan né a um quadro feito em vidro um vidro estilhaçado que se torna e voado ou então as pinturas embaçadas de guerra richter e toda uma tradição que vem das artes plásticas e que aponta problemas para o embasamento pra uma recusa de se olhar de definição da imagem que teria a ver com a transparência iluminista é porém depois defendido o doutorado e com o andamento do
mundo pós 2013 o doutorado foi defendido em 2012 em 2013 a sensação é que o mundo todo mudou muito eu sentia aquilo tudo como antigo quer dizer o que era antigo era aaa a restrição de uma discussão quase autônoma dentro de uma questão estética né eu ao mesmo tempo intuir percebi aí e me convencendo de que a metáfora do nevoeiro ela era cada vez mais atual e forte para pensar o mundo contemporâneo mas ele tinha que ser pensado de maneira muito mais ampla porque a nuvem é também a nuvem das clouds da internet né são
as nuvens de capital financeiro que migram é de forma muito volátil então as o nevoeiro ele é também um sistema de controle que foi sendo urdido estabelecido de maneira muito terrível no nosso mundo e e além disso ele está presente como que nas nas imagens algumas cenas que marcam as viradas de página da história recentes começando por proíbe tais gol em 72 na demolição do conjunto habitacional dp itaipu em santa luz que é o rito da morte do movimento moderno como propôs o diário gentes né aqueles conjuntos é tombando e levantando o pó é um
ritual fúnebre de morte que ao mesmo tempo como se fosse a morte do moderno seria o nascimento de alguma outra coisa que no caso é o pós modernismo mas nasce com uma morte e essa morte é uma morte de ver que levanta fumaça né isso retorna das picaretas sobre o muro de berlim 89 que também é um ritual de demolição e em 11 de setembro de 2001 de maneira absolutamente espetacular digamos assim é então essa recorrência como que traz para o primeiro plano essa idéia de que a névoa ela tá como presença marcante é na
estruturação do imaginário dos ritos de inauguração do o mundo é portanto esse estado de nevoeiro no qual nós estamos porque de fato acho que todo mundo aqui deve concordar que a gente vive um momento histórico de de perda de referências né onde não se sabe bem onde estamos hoje é tudo muito incerto portanto essa incerteza que isso que oculta uma grande regressão conservadora mirada nessas imagens de grande demolição elas combinam essa é uma espécie de passa maceira de um nevoeiro de incerteza contemporâneo com um fundo trágico pulsa no fundo dessa desse estado de nebulosidade um
pulso trágico muito forte que é o da destruição criativa moderna que vai sendo turbinada na destruição criativa aquele princípio que opera digamos desde a reforma de paris com osman cada vez mais né a ideia ea urbanização chinesa é isso em grande medida com essa introdução que eu ia fazendo o meu lugar mais e vou passar a palavra para os meus convidados ea gente não combinou antes quem falaria primeiro então aguinaldo de lei é boa prática em lei o acerto é um dia todos é um prazer muito grande estar aqui em companhia dele e da miséria
e que agradecer o convite que lhe foi feito pela maneira sales e sobretudo pelo infinito vão a figura do mauro mendonça que também está ligado flip casa azul que tá promovendo de complementar o nook muito especialmente da casa arquitetura porto e fernando serapião que foi junto com ele visite a curador é o curador da exposição em infinito bom que está acontecendo e uma exposição que eu tive a felicidade de assistir de visitar pois bem é falar desse livro também tem implicações de várias ordens tenho muita ligação com o autor do livro já antes propriamente a
de entrar dentro da universidade e mais a partir dos últimos seis anos a convivência diária ea interlocução contínua porque nós damos cursos juntos e mesmo quando os cursos estão separados eles estão em sintonia e aí era importante é salientar que ele este livro que me impressiona e é uma versão como ele já avançou a uma versão muito a depurada tese de doutorado dele muito transformada ao longo dos ao longo dos anos não só porque quando você faz uma tese fica no geral insatisfeito primeiro que se foi pelo tempo e aí que a partir daí passou
a ser premiada pela editora que também não facilitou muito mais do que a maneira de oportunidade dele reverva aspectos como eu pude notar um contra a asma é uma mudança bem grande e 1 a 1 a luz dos acontecimentos últimos nos últimos anos e esses acontecimentos eles repercutindo diretamente na nossa disciplina as nossas disciplinas que na verdade não são apenas disciplinas porque eu ele mais a fernanda fernandes e mais outras pessoas ligadas em grupo de pesquisadores que estão ligados a nós empreendemos o linhas de pesquisa ligados sobretudo com a arte contemporânea e arte e arquitetura
e o livro é uma no meu ponto de vista ele já se a figura como uma grande resposta uma grande contribuição surpreende pela pela amplitude pela abrangência pela ambição da própria testa porque é muito grande o elenco de de arquitetos de produções a respeitáveis e ea e essa essa produção é discutida a não por ela em si fechada no que seria uma abordagem mais formalista mas sempre dentro de uma de uma visão de contexto e um contexto muito muito intrincado como diz flutuante é um nevoeiro e nesse mundo instável qualquer pretensão mas totalizante ela quer
uma visão compreensiva do que está acontecendo tem de a a a patinar mas acho que com muita segurança apontando aspectos que são efetivamente cruciais o livro vai dando a informações e sobretudo conceitos e visões que é muito consistentes e que nos ajudam a entender o mundo em que nós estamos vivendo é mesmo muito impressionante e sobretudo muito importante o papel da arquitetura nisso tudo como é que a arquitetura materializa plasma traduz ea seu modo também provoca em genebra não é só entrada à qual é o papel dela como protagonista dentro desse processo é um processo
mais amplo com ela faz parte isso me interessa muito sempre me interessou porque eu sempre desde o começo no princípio mais pretensão mas no começo da minha carreira com o professor sobretudo o professor pesquisador ligado às questões da arte e da arquitetura é me preocupava com o alijamento o deslocamento arquitetura entendida dentro do campo da cultura uma acepção mais ampla e ela estava no meu ponto de vista no começo e ainda se mantêm ao menos aqui no brasil né meio alijada do debate tem muito muito a margem certo modo a negligenciada ao fim os arquitetos
terminam por não ser muito procurados a comentar o que está acontecendo tenho uma posição ainda marginal e é patente isso quase a desaparição da arquitetura do antigo da imprensa não que a imprensa seja exatamente o local arena por excelência dos grandes debates mas ela é indubitavelmente muito importante do processo e arquitetura enfim não tinha uma coluna não havia uma preocupação em se cobrir o que era produzido aliás a grande exceção mesmo foi o próprio billy quando durante alguns anos na primeira década de 2000 depois e escrever regularmente pela folha de são paulo sobre arquitetura e
temas afetos à arquitetura mas ele saiu da folha isso acabou hoje em dia você tem algumas uma e outra apenas a presença quando surge algum tema mais palpitante e entra no caderno de cidades que é um bom lugar para se estar enfim mais no âmbito da cultura dificilmente entra só quando o volume da rocha nenhum prêmio é o que nos últimos anos tem sido bastante frequente mas enfim acho que ele já esgotou todos que tinha para ganhar e oscar neymar já morreu portanto vai ganhar mais nenhum e nesse momento nós estamos a na espera do
que pode acontecer é que eu queria depois de fazer se essa breve introdução também a maneira de complementação para que vocês possam entender é até o histórico o que subjaz a esse livro a produção disse ele na presença desse livro hoje entre nós ea importância que eu consigo a ele é quando eu me formei em arquitetura no final dos anos 70 e no final e no começo dos 80 comecei a dar aulas na usp são carlos eu me envolvi com alguns alguns colegas na verdade três colegas na construção de um curso de arquitetura lá em
são carlos usp são carlos e nós éramos todos professores em começo de carreira e foi empreendimento quase além das nossas próprias forças mas a gente é muito pretensioso como se é quando é jovem e tinha de fato e certas posições muito arraigadas diria vitórias não a gente pensava saber de uma série de coisas e eu lembro que há nesses primeiros anos do curso de arquitetura eu dando aulas de história da arte no curso de arquitetura eu ajudei a criar o curso ajudei a bola no currículo e e coloquei uma seqüência de história da arquitetura história
da arte forte e me encarreguei de começar das aulas de história da arte a moderna arte moderna então esse vínculo é evidente sobretudo no capítulo da guarda as modernas que é por onde começamos e bom com o passar do tempo a ausência de debate era era angustiante basicamente não só lá debatíamos muito em são carlos debatíamos incessantemente a cada leva de contratações a incrementavam número de colegas e era manhã tarde noite uma realidade que nunca mais vi vii saímos da faculdade de música pizzaria para onde havia de navia outro lugar para si e continuavam discutindo
arquitetura e depois iremos para casa porque morávamos todos juntos quase e aí continuamos discutindo noite adentro arquitetura e o clima em geral que víamos a todos contando aí o a nossa arrogância era muito desestimulante e é possível entender por exemplo dois livros seminais dos anos 60 a arquitetura da cidade do alto a voz e complexidade de contração na arquitetura do adventure anos foram publicados nos estados unidos e no brasil só chegou no final dos anos 90 não tínhamos uma edição portuguesa do rossi complexidade entravam via gustavos de lilia pela espanha e aí tudo o que
você pode imaginar relacionado com as discussões mais a emergentes no âmbito da arquitetura e correlatos ligados à arte isso não chegava isso não era debatido mas o pior panorama era dentro das escolas só era triste porque quando eu chegava nos anos 80 e nós assinalou nesta revista enfim estávamos interessados o que estava acontecendo e até a folha ilustrada aquele então folhetim quer o caderno de cultura mais visitada então no período dentro da grande imprensa falava sobre o pós modernismo e nós do ano dura há já que estávamos no mesmo molde do fato de que há
pelo menos a chancela pós moderna ela devia se mais arquitetura do que provavelmente as artes visuais e literatura a em que pese mário pedrosa haver criado essa rua brinca um comício de 60 olhando a obra de ligia irl universe de castro enfim e em que pese essa presença arquitetura começou a ser debatido em todos os quadrantes aqui no brasil ela não era debatido não só não era debatido como os professores que haviam sido meus professores os professores dos anos 80 que nós nos encontrávamos por aí eram visceralmente contra e colocavam a todas as tendências vertentes
eram muitas no espectro que ia de laterais e manchar smur eu posso imaginar que esses dois não podia conviver na mesma sala são dois tipos completamente antípodas os nossos professores colocavam meus professores ea pós moderna tudo pós-moderno jogava tudo na conta do pós moderno sem se dar ao trabalho de ler em de discutirem a e aí eu a isso ora muito era de fato muito irritante essa pobreza intelectual essa esse preconceito não é essa essa área 10 isso ea contra todos os meus princípios aquilo que nós lá e mais alguns fomos nos reunindo e fomos
encontrando e reagimos contra isso alega que teria uma uma um congresso no rio grande do sul ufrgs na federal do rio grande do sul e um congresso de história a história da arquitetura organizado pelo professor carlos eduardo como nosso amigo a rex o mafuz entre outros o professor rogério e eu lembro que eu fiz uma coisa que foi foi atrevida muito atrevida demasiado atrevido a escola d eles se organizaram um esse encontro se congresso história da arquitetura e no meio do caminho descobrir que eles não tinham história da arquitetura no curso a não que precisa
ter mas era e fato de eles criarem se se encontra assintomático da importância que eles conseguirão importância que nós também dávamos e aí eu fui até o microfone na primeira intervenção que eu fiz depois de ter lido a minha comunicação num dos debates e falei que eu a minha proposta para cursos de arquitetura é que a disciplina de projecto desaparecesse que não houvesse mais disciplina de projecto é eu pensava que isso é importante para que isso salvar-se arquitetura salvar a arquitetura do que de lá ser se transformando um curso técnico é curso técnico entendido na
acepção mais pedestre o que pode significar a questão técnica o curso de arquitetura ver se transformado naquele tempo eu tenho um que não tenha se modificado muito desde então no re passamento de algumas rotinas projetuais rotinas projetuais à luz de algumas leituras de algumas idéias de alguns conceitos de arquitetura de um mar que é devidamente metabolizada naturalizada essa é a minha preocupação naquela altura quando eu saí eu fiquei o que eu fiz aqui né que é isso que eu fui falar eu acho que eu estava com a razão ainda hoje o diabo é que eu
acho que eu continuo com razão que a grande proposta é acabar com o concurso de projeto de faculdade que tentou continua valendo é não se machucar e o pior é que eu vou como os de segundo e se movimentou mais o olho mais para os segundos esqueça os minutos mas então já caminhando para o fim a nós precisamos a culpa disso tudo isso é uma culpa evidentemente o primeiro foi a arquitetura brasileira deu certo durante um certo tempo e justamente porque ela deu certo ela parou de ser discutida segundo esse deu certo se traduziu em
dois prêmios impressionáveis que são opcionais porque tudo que se produzir receber esse prêmio ela é de fato a maior qualidade porém elas nasceram porque foram críticas e acho que a pior relação que se pode estabelecer com uma obra extraordinária é de referência excessiva porque a referência não já era crítica e é incompatível com a crítica que gerou essa arquitetura que é referencial precisamos recuperar a crítica sobre esse ponto de vista precisamos portanto desnaturalizar essas rotinas e procedimentos é precisamos pensar qual é a pertinência e relevância aquilo que nós fazemos no âmbito de um mundo que
se ela estava com muitas complicações com muitas risadas entendo perfeitamente que nós não devemos abandonar as nossas tradições lembro e sou muito sensível o texto roberto alex quando ele fica comentando sobre a troca de modas que a gente vê no campo da sociologia da filosofia isso pode acontecer também no campo da arquitetura mas ainda assim acho muito reverencial a atitude e acho que nós precisamos começar a discutir a arquitetura de novo é que tudo que se produz mundialmente percorrer assim como portugal fez trazendo daqui levando para lá uma exposição de arquitetura brasileira pelo simples interesse
em conhecer o que está sendo produzido aqui eu lembro quando álvaro siza foi projetar no rio grande do sul fernando pode me confirmar houve um rechaço por parte de arquitetos lá de porto alegre contra a presença do arquiteto estrangeiro projetando naquele lugar nós temos aqui teto da mais fina a extração conversas da mais fina a ação mas isso ainda é a há a menor parte a menor parcela mas é assim a estrutura departamental das escolas garante que se perca uma visão horizontal que se percam a visão de conjunto professores estão encastelados dentro das suas seus
ateliês e com uma disciplina de projeto responde em 60 em alguns casos mais do que isso por cento da formação do arquiteto eles ficam tranqüilos lá sem ter que discutir quais são os parâmetros quais são os métodos de representação de projetação quais são as estratégias mediante as quais eles chegam nos produtos nada disso é questionado tudo isso é naturalizado então é terrível perceber que o sistema de projetação são os mesmos essas coisas não são discutidas e passei a minha vida inteira discutindo isso brigando por isso por isso que não sair da escola de arquitetura porque
desde os anos 80 e justamente por falta de interlocução também bandieira popular das artes plásticas mas nunca quis sair porque ama arquitetura a sua arquitetura essencial e acho essencial para a arquitetura a discussão não só das artes coisa que foi muito estigmatizado e aqui segue sendo muito estigmatizado mas é importante como se vê no mundo inteiro em todos os lugares enfim como de resto não só as artes visuais literatura como de resto também filosofia psicologia como sociologia coisa aqui é o o livro dentro do nevoeiro do nosso colega e disney apresenta de forma cabal conclusiva
então acho que é um momento muito interessante a publicação deste livro porque subir a importância de se retomar o debate é e pararmos com essa posição tão indiscutível a essa altura do campeonato manter essa posição é discutir belíssimo além de contraproducente muito obrigado [Aplausos] bom um dia tudo está funcionando esse microfone bom dia a todos ea todas e oh oh oh oh começar de forma não muito original agradecendo não só a presença de vocês mais especialmente o convite para que pudesse fazer parte dessa ilustre misa e oportunidade de discutir um livro é que desde já
é e eu afirmo que é obrigatória a a a leitura é a oportunidade de ver pela primeira vez um dos vídeos que o guilherme já havia me comentado que ele vinha preparando é pra exposição infinito vão e fiquei encantada como eu já imaginava que ficaria a oportunidade de encontrá lo vivo para além do espaço informacional mel com nuno sampaio e teu enfim aqui a a condição de brevemente indicar alguns pontos do que me chamou a atenção e na leitura do do dentro do nevoeiro do que era no tênis nike que é por onde eu vou
me concentrar aqui eu deixei minha memória nas nuvens então eu tô aqui com o ipad no colo porque já já num determinado ponto da idade eu já me decidi que eu tenho que fazer download algumas coisas nem lo que ser mas na leitura do livro me trouxe um começou com uma série de recordações porque é não só para as questões que o guilherme já chamou a atenção aqui o aguinaldo com relação a 2013 todas as transformações que nós estamos vivendo mas por um fato que é mencionado ao longo da narrativa porque o livro também tem
esse aspecto apesar de ser um livro conceitual e teórico é um livro narrativo um livro em ensaio que tem um poder desenvolver um leitor que é um dos aspectos mais meritórios e que merecem destaque mas num determinado ponto se recorda a a nuvem de cinzas do vulcão impronunciável da islândia anos e me perdoe mas eu não vou fazer nenhum esforço mas vocês devem lembrar do fato eu fiquei presa nessa nuvem é eu estava na áustria é participando do júri do ars electrónica e fiquei 12 dias é meu vôo não foi um dos vôos cancelados e
a sensação de equipos por um momento assim de que nunca mais voltaria para casa que nunca mais os aeroportos iriam voltar a funcionar num contexto como aquele para quem tem uma noção arte eletrônica é o festival mais importante radical de mídia e arte do mundo aonde há dez anos atrás já se falava de inteligência artificial machine landim e robótica num ambiente como aquele é você se vê impedida de viajar nem os trens já mais funcionavam para o tudo é por um cataclismo natural que leva tecnologia a aaa seu grau de impotência máximo é um momento
de que que nos coloca numa posição de ter que repensar até que ponto essas é essas redes essas dinâmicas informacionais de fato são tão eficientes quanto ela se autoproclamam ea nossa fragilidade em relação à natureza nem me lembro de um um determinado momento eu e mais uma outra outro membro do júri que era uma americana nós nos pegamos assim procurando já na internet cruzeiros é é da europa que pudesse nos levar de volta para as américas né porque parecia se num determinado momento que nunca mais usa os aeroportos voltariam a a funcionar é eu parto
dessa dessa desse momento em um pouco tanto quanto anedota típico porque ele me parece sintomático dessa expedisse contraponto dessa experiência do nevoeiro néon um nevoeiro que ele não só é um grau de opacidade com relação à nossa total impossibilidade de ler o nosso presente mas é um nevoeiro também pela sua fragilidade na sua incompetência de resolver os alarmes mais urgentes em relação às situações dos cataclismos da natureza esses aspectos me chamaram muito a atenção livre um dos pontos que o eu traria a ke ha ha ha ha como uma das pautas assim é de mais
interessantes do livro mas não única né outra outro elemento que me toca profundamente nessa leitura eo quanto já isso já vem implícito até no próprio título é o quanto numa era de super exposição é e de imagens cada vez mais poços humanas nunca o real nos foi tão opaco tão inacessível então e rastreável muito embora ao mesmo tempo todas essas infra-estruturas nos tornem cada vez mais capturar a weiss mais rastreáveis mas uma espécie de bancos de dados ambulantes que vão deixando as nossas pegadas por todos os lados nessa ambivalência de uma opacidade de um mundo
que se torna opaco de nuvens que se tornam opacas para nós e ao mesmo tempo que fazem com que nós sejamos transparentes e visíveis para servidores que nós não vemos é um dos nós as centrais de cinema o euro que é muito bem articulado e discutido a partir de pontos de vista é muito diversificados é que vão aparecendo livro inteiro nem cruzando referências da arquitetura do campo das artes da música pop do cinema é isso tudo que vai dando essa textura um pouco de narrativa é aos ensaios que eu comentava no início dessa minha fala
né como nós não temos muito bom muito tempo eu vou me limitaria a destacar pontos que me parecem interessantes entre outras que certamente cada uma das leituras aí vão chamar a atenção né então sim particularmente essa dinâmica entre visibilidade invisibilidade na contemporaneidade e o quanto ela é central na reflexão sobre a arquitetura contemporânea sobre a arte contemporânea e sobre as estruturas de poder na contemporaneidade como isso é se coloca numa ou no outro formato biopolítico isso é me parece cada vez mais urgente ser discutido e são questões que o livro introduz com uma elegância e
um rigor particular é para se eu tivesse que argumentar qual a urgência dessa discussão basta nós lembrarmos que no começo da semana retrasada quando nós soubemos é que parece eu não sei se foi passada retrasada nós estamos vivendo em um momento no brasil em que cada dia é um novo episódio de uma temporada que ninguém descobriu ainda que é um roteirista né mas amy parece que foi no começo da semana retrasada que o enfim os assassinos da seria melhor falar os executores né da marielly da marielly franco foram enfim localizados e isso foi o resultado
de uma busca como todos nós como todos vocês devem ter acompanhando que cedeu inteiramente no espaço informacional né é preciso lembrar que esse foi um crime aonde não se supostamente os executores raciocinando à moda antiga do século 20 acharam que não deixariam rastros porque a arma desapareceu e o carro desapareceu eles foram capturados a partir de buscas que foram feitas inteiramente no espaço informacional a partir da quebra de sigilo dos dados que permitiu o que a recuperação das buscas nas nuvens em que o eles operaram é é poucos dias antes de da ação contra marielly
né então buscas no facebook vindo quais eram os eventos que a marielly freqüentava buscas no google é que revelavam que haviam procurado silenciadores é a quebra de a triangulação das antenas de celular que acabou levando em cruzamento com um microssegundo da câmera de vigilância que permitiu identificar que havia um celular dentro do carro e aí toda uma caçada nas dentro do mar das eletromagnético das das operadoras telefônicas para se localizar qual era a linha telefônica que tinha operado naquele ponto jel localizado em que o crime ocorrer né tudo isso dá uma vitalidade para as discussões
que estão nesse livro que dificilmente fará com que ele envelheça muito cedo porque todo o pânico de quem trabalha nessa área e começa é digo na área é de discussão das tecnologias é sempre tudo que eu falo agora já envelheceu e não interessa mais publicar nada sobre esse tema o fato é que as discussões relação de uma profundidade que independentemente dos fatos elas ser propagaram no tempo fran não me alongar muito então eu destacaria primeiro essa questão da visibilidade oco em segundo lugar o quanto essas questões reverberam uma nova dinâmica piu política em uma nova
dinâmica das relações sociais e da infraestrutura urbana a qual não pode mais negar que nós vivemos num espaço urbano que tanto informacional quanto real ou seja essa dimensão informacional é parte da cidade contemporânea assim como da arquitetura é o quanto isso é uma questão nevrálgica na arte contemporânea nem o quanto é não por acaso a visibilidade à invisibilidade passam né cada vez mais a atravessar as discussões das artes seja nos novos nos novos modos de usar os dispositivos como drones como câmeras de realidade virtual na recuperação dos procedimentos muitos cientistas de panoramas é o que
anda muito em pauta na produção contemporânea que aparece se bastante no livro e por último o quanto o livro traz à tona num contraponto que me parece bastante interessante é nessa era que de novo tudo é numa era disposição tão recorrente que o real nunca é nos foi tão opaco quanto translúcido e merge por um lado como uma espécie de textura critica especialmente quando se pensa que é essa arquitetura translúcida ela pode ser pensada com 11 um contraponto também a um certo delírio das vanguardas modernistas que as partes têm recuperado é é quando elas pretendem
entregar mundo arc transparente e previsível porque todos os aplicativos já poderiam pré comandar as cidades e prevê todas as idades todas as soluções para os problemas que nós teríamos nós nem temos mas nós viríamos a ter então todas essas é relações me parecem que muito ao contrário de nos lançar no mundo de transparência absoluta vamos convencendo que nós estamos submergindo é no mundo para lado nenhum eu ir né mundo de opacidade é cada vez mais cifrada cada vez mais complexa é dominado por algoritmos que nós não sabemos ler que nos lêem o tempo todo e
evitar a discussão sobre essas questões é evitar a compreensão é do nosso presente e portanto evitar discussão das possibilidades de mudança né mundo que ao contrário do que e é se insiste em entregar na propaganda mais é recorrente como o mundo abstrato e leve mundo que é absolutamente material e o mundo que vêm se tornando cada vez mais não previsível mais programável né e não só nas instâncias algorítmicos mas nas próprias instâncias dos novos materiais arquitetônicos na interessante do livro quando esse retoma eu finalizo por aqui o allianz arena por exemplo do sol que tem
um ea gente pensar hoje em dia que isso é uma espécie de arqueologia da história da mídia arquitetura né quando a mídia arquitetura hoje se volta já para o grafeno e pra esses novos materiais e pensando em espaços reversíveis e de novo espaço os vigilantes espaços que apesar de absolutamente matéria us e de peso são os espaços que operam nas nuvens nos espaços informacionais e que sugerem portanto outras estéticas outras outras formas de resistência mas também todo numa nova dinâmica de opacidades de controles e de enigmas né que já de alguma forma estão mapeados e
e e sulcados aí num no livro do gui que é algo recém lançou eu acho que encerro por aqui vocês devem ter questões mais interessantes a colocar pra colher me pegada [Aplausos] obrigado agnaldo obrigado gisele nós temos cinco minutos para o momento de perguntas então assim se houver perguntas eu peço que que sejam trazidas agora e é difícil um conto como esse onde tem três comentários ainda ter tempo para perguntas em uma hora né então perdoem essa nessa exiguidade mas de qualquer maneira vamos tentar vocês estão passando o papel que significa que tem alguma pergunta
vindo ou não tem é aí acho que facilita se perguntar direto é a vontade ea a assinatura para significa 11 até sócio econômico é também grande aquela que a tocha colorido é um tablet é o mesmo país então ele é nosso mesmo é bom há uma tendência de scott além das estruturas é parcial já é pensando assim é nós temos 10 está falando já longe de se salvar e causa e internacionais então talvez a nossa arquitetura é onde nós já tem duas estruturas continuar isso não para a cidade de rio grande não seja uma maneira
de manifestar a nossa condição de tentar continuar a letra várias peças do século 19 não estou no mesmo hotel é e você termina pergunta no momento em que o relógio chega no final aqui portanto difícil de foi de em segundo responder mas é não sei é uma pergunta interessante é legal a gente tem que pensar um pouco desenvolver sem ter tempo diria uma coisa curioso é que quando o paulo mendes da rocha ganhou o prémio pritzker em 2006 a ata do júri destacava o fato de que ele é um arquiteto low tech é e por
isso era uma das pecs que o que o júri valorizável atribuiu o prêmio evidentemente que o paulo não gostou nada dessa designação porque ele sempre pensou assim como artigos pensava a arquitetura que eles fazem como high tech no contexto brasileiro a indústria do concreto o desenvolvimento do país não é então existe uma defasagem com agora quando se fala em atrasada um subdesenvolvido é porque o subdesenvolvimento foi tomado como força né uma estética da fome tem todo um período ali dos anos 60 e 70 em que se transforma essa digamos essa pobreza em força e eu
acho que quiser por aí que eu leio a nossa arquitetura mas mas por esse aspecto não pela precariedade sim pela afirmação mas enfim sem poder e e adiante só queria terminar porque o com uma uma idéia que que ocorreu a partir do que você estava falando porque tem mesmo na arquitetura brasileira mesmo no momento atual enevoado mesmo num prédio como esse muito bem observado que talvez seja o grande expoente contemporâneo no brasil de uma arquitetura que dialoga com essa tradição contemporânea mesmo assim toda a estrutura tempo todo evidente tem uma uma linguagem brasileira claro isso
é essa linguagem brasileira lá é o tempo todo a seria brutal a lista no sentido dessa alta exposição né dos elementos por cento ante 7 x tanta que não quero esconder nada quer revelar porque isso é uma demonstração de honestidade no próprio processo nesse sentido a poética brasileira estaria ligado a uma história de explícita a ação dos seus elementos claros pode ser uma viagem total agora mas eu pensei nisso enquanto se ouvia falar e queria dizer que o braga por outro lado o brasil é o país da mestiçagem né o país né da mistura onde
então essa idéia de destacar as coisas claramente como se fossem parte separadas e como identidades puras por um lado ao contrário do de toda uma leitura que se faz no brasil como sociedade que é onde as coisas todas perderam nitidez do ponto de vista das identidades se misturaram curiosamente alguns de vocês devem ter visto que essa semana o atirador australiano da nova zelândia além de ter filmado o massacre ao vivo deixou uma carta de 74 páginas em que ele explicita todas as suas idéias racistas e à certa altura ele diz que o problema do mundo
é essa essa imigração horrível nessa é esse outro que está nas bordas e que vem em direção ao centro que vai tomando espaço do suprema dos brancos e etc e ele exemplifica a certa altura dizendo que o grande emblema de tudo isso hoje o que há de horrível no mundo é o brasil que esse país misturado e diverso então eu queria lembrar isso pra pensar aqui que apesar né a gente não vai aqui agora querem retomar o mito da democracia racial mas é bom lembrar que com o mesmo com tudo que está acontecendo hoje no
brasil ele ainda é lido internacionalmente como esse país obrigado bom é isso que se dizer temos daqui a pouco uma nova conversa vocês já sabem e nuno sampayo vamos conversar com paulo mendes da rocha queria dizer também que é um pouco tempo pra perguntas na quinta-feira dessa próxima semana cinco horas na sala 17 da fau usp para uma nova discussão do livro dentro do nevoeiro com claudemir safatle quem puder [Música]