E aí, as narrativas compartilhadas têm o prazer de continuar ouvindo Mário Persico, agora no bloco 2. Nesse bloco, nós vamos começar ouvindo a respeito da trilogia que ele está desenvolvendo atualmente aqui em Sorocaba, sobre a escravidão. Telmário, continuando a sua história, e a sua narrativa está muito gostosa de ser ouvida.
Bom, vamos lá então! Essa trilogia é um projeto do PRO aqui da Secretaria da Cultura do Estado, que nós ganhamos. Fomos aprovados, e saiu a aprovação em dezembro de 2019.
Aí, no começo de janeiro de 2019, nós já demos início a algumas oficinas, sobretudo com Carlos Carvalho Cavalheiro, que é um historiador que estava nos assessorando nessa questão da escravidão. O italiano, nós começamos as oficinas de voz com a fonoaudióloga Karen Souza. E aí, em fevereiro, que nós íamos começar o processo mesmo das peças, veio a academia e nós tivemos que parar com tudo.
E aí, o PRO concedeu um prazo maior para esse processo acontecer. Durante todo o ano de 2020, eu aproveitei e escrevi os três textos, que inicialmente ainda não tinham sido escritos, na medida em que o processo pôde evoluir. Como foi um processo que ficou estacionado, eu resolvi, para dar uma adiantada, escrever as três peças, né?
E aí, em 2021, no comecinho, nós passamos por uns percalços, e tudo isso aconteceu. Aí, houve uma endurecida de novo na questão da pandemia e, novamente, colocamos as vagas de molho, com um prazo um pouco maior. E daí, a resposta que o último prazo teria seria agora, em 2021, até outubro de 2021.
Em agosto, a gente falou. Eu fiquei pensando: "mas, de algum modo, eu até tinha pensado nesse meio do caminho em fazer por vídeo. " Aí conheci fazer presencial e solicitei autorização.
Eles tinham até conseguido, só que quando eu fui ver como ia fazer essa transposição, pensei: "vale a pena, vamos esperar um pouco mais. " E, enfim, esperamos em agosto, as condições pareciam um pouco mais fáceis. Muitas pessoas do grupo já estavam vacinadas, então começamos a trabalhar.
Ah, e assim, essas peças são três. A primeira delas se chama "Mãe – Uma Lei para Inglês Ver", que fala exatamente da questão do tráfico de escravos, quando o tráfico foi proibido. Esse mercado, né, continuou existindo, apesar da proibição.
E aí, esses negros eram capturados e, como não podia ter mandado de volta à África, eram encaminhados para empresas da coroa, da República e do Império. E aí, alguns vieram, muitos vieram para a fábrica de ferro de São João de Ipanema trabalhar. O acordo que a coroa, né, o Império tinha com eles era: "vocês trabalham por um período de quatorze anos.
Após isto, vocês terão direito à plena liberdade. " Só que isso acaba não acontecendo, e as pessoas iam ficando 15, 16, 20 anos, ainda como escravos, quando já teriam direito à plena liberdade. Por isso, o subtítulo da peça é "Uma Lei para Inglês Ver".
E cada um dos espetáculos, a gente teve também o cuidado de fazer dentro de um gênero teatral da época. O "Mãe" é o mesmo programa, foi a nossa referência e, sobretudo, um espetáculo do Jurandir Alencar que se chamava "Mãe. " Por isso que o nosso também se chama "Mãe.
" A história é parecida, mas vai por uma outra vertente. Mas "O Mãe" do José de Alencar serviu de inspiração, não só pelo gênero, o melodrama, como também. .
. a história, mais ou menos, ela nos inspirou na nossa condução. Outro espetáculo é "Islamismo", do Bruno Brasil.
Esse espetáculo fala da chamada "Revolta dos Malês" no Brasil. Ela fala do medo que a Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador, causou. Eram negros de origem muçulmana que sabiam ler, não em português, mas em árabe, o que lhes dava um certo poder de organização maior.
Eles tentaram uma revolta e a ideia era tomar o poder e instituir uma república islâmica no Brasil. Não deu certo; foram denunciados e isso foi abafado já no próprio dia que aconteceu, até porque os números eram muito pequenos. Mas isso causou um certo pavor no resto do país, e os negros puderam começar a pensar em se organizar e fazer levantes.
Não que não tenha havido um aviso, né, mas a Revolta dos Malês, ela tinha uma força, uma importância maior. Bom, e fora isso, já havia, havia do Haiti, né? Eles eram maioria absoluta e cruzaram os braços, falando: "não, não vamos continuar", e tomaram o poder, formando a primeira república negra das Américas.
Isso também causou um grande temor nos outros países do continente americano que dependiam desse sistema, né, escravagista. Aconteceram os períodos marcantes no Haiti e a Revolta dos Malês aqui. Isso causou esse pavor.
E a gente fala nessa peça desse medo também entre os senhores de escravos aqui na nossa região. E aí, o modelo de ação, gênero que a gente se inspirou, é a tragédia romântica. O último espetáculo se chama "É Preciso Perseverança" e fala exatamente do protagonismo que a Maçonaria teve aqui em Sorocaba na questão da abolição da escravatura.
Alguns maçons, que não eram escravagistas, se afastaram da loja Constância, criaram a loja Perseverança e fizeram jantares, festas e bailes para arrecadar verba para comprar cartas de alforria. Também criaram uma escola para capacitar essa mão de obra negra, que ia deixando de ser escrava, para que eles se inserissem no mercado. Tanto que, quando tivemos a abolição no Brasil, Sorocaba já não tinha mais nenhum escravo em função desse trabalho.
E a loja Perseverança. Então, esse espetáculo fala sobre isso. Ontem, esse pedaço da nossa história, a referência do gênero teatral foi a comédia de costumes do Martins Pena, sobretudo.
E aí serviu de inspiração dois espetáculos do Martins Pena: um, que é o "Irmão das Almas", que também fala da questão dos maçons, ou seja, do certo preconceito e medo que algumas pessoas tinham em relação aos maçons. Sabe, aquela coisa do diabo? Essa é uma questão meio religiosa, e o Pati Penna brinca com isso no espetáculo "Irmão das Almas".
A outra referência é um espetáculo dele chamado "Os Ciúmes de um Pedestre" ou "O Terrível Capitão do Mato". E aí, baseado nesses dois, nós criamos, eu criei, não é? Uma outra da Mata Urgía, contando, e virou a peça que se chama "É Preciso Perseverança", fazendo uma alusão à loja.
Perceberam? E isso é o espetáculo. Está acontecendo, já estamos na segunda semana de apresentações.
Na minha escola, então, aconteceram sexta, sábado e domingo. Cada dia é um espetáculo, todos eles são de entrada franca, gratuitos. Algumas medidas, claro, né?
De segurança, alguns protocolos, embora já esteja liberado 100%. Mas é o uso de máscara, a temperatura na porta, o álcool gel. .
. A equipe está acontecendo, as pessoas estão, infelizmente, voltando. Estamos exigindo também o comprovante de vacinação.
Para quem não tiver com duas, pelo menos uma tomada, são alguns cuidados que a gente toma para que as pessoas que vêm nos ver assistindo também estejam mais confortáveis. Então, segurem, né? No ambiente fechado, com muitas pessoas, enfim.
. . O que a turnê se ajustando, essa realidade que nós, de repente, estamos vivendo.
Nós conversamos lá, na verdade, não foi de um tempo para cá, não foi agora com a trilogia da escravidão. Nós já estamos, a mesma, sendo alguns testes para ver como é que funcionava. Tanto do primeiro espetáculo da Rede, bem, nós fizemos capilar, ela fez shield, naquele protetor de acrílico no rosto dos atores, trabalhando com aquela máscara para a segurança de todo mundo.
Aí, aos poucos, estamos tirando esse shield, exigindo só a máscara da plateia. A gente está indo conforme a realidade, este momento está nos permitindo. E foi uma coisa, na verdade, muito triste, sobretudo para nós, parte geral.
Mas nós vínhamos de um momento de sete anos de espetáculos todos os finais de semana, religiosamente. Às vezes, nós tínhamos na sexta, no sábado e domingo, sempre, às vezes, nós tínhamos um domingo à tarde, espetáculo infantil. .
. Enfim, era uma efervescência mesmo, tanto que era comum já algumas pessoas virem final de semana aqui; elas não sabiam nem que espetáculo era, mas sabiam que ia ter uma peça. E aí, de repente, olá, tudo isso para lá o Felipe.
Mas não foi só nós, né? Todo mundo parou, todo mundo teve que parar. Mas foi muito triste, e sobretudo porque esses passos quase fecharam, né?
Porque aluguel não para, noção para as despesas todas não param. Bom, e como fazer para gerar alguma renda que mantenha minimamente. É isso aqui, a graça da Aldir Blanc.
Este espaço não fechou e está aqui, resistindo até hoje. Estamos, finalmente, dando bem que a volta por cima, né? Muito sacrifício, mas está voltando, retomando, não com a mesma força que tínhamos, com algum mesmo repertório amplo de poder preencher todos os finais de semana.
Mas, né? Estamos retomando. Nós já temos uma agenda, pelo menos até esse final de ano, já quase que com todos os finais de semana preenchidos, felizmente.
E não tivemos, no nosso grupo, pelo menos, um grupo grande, são mais de 20 pessoas. Não tivemos perdas, algumas pessoas ficaram muito mal, mas sobreviver, felizmente, né? E estamos nessa retomada, tentando voltar com a mesma força que tínhamos antes da meio-dia.
E certo, eu acho que. . .
Sei lá, chegaremos lá. Não sei, são tantas variantes que também vão surgindo no meio do caminho. A gente nunca sabe quando isso vai realmente acabar.
Mas, olhando para trás, nós já tivemos uma realidade de 4 mil mortes por dia no país. Hoje, nós estamos na faixa dos 300. Então, a vacinação está funcionando, né?
A gente está vendo isso. Parece que, embora falar de 300 possa parecer banal, que é pouco. .
. Não, não é pouco, é muito. Mas, em comparação aos momentos que a gente passou, eu acho que a coisa está.
. . Me lembro hoje e espero que essa vacinação prossiga, eu.
. . As crianças também.
. . Posso grande, e parece que.
. . Eu não estou muito por dentro agora, mas parece que paramos nos 12 anos, né?
Não sei, acho que menores dessa idade não estão sendo ainda vacinados. Mas estamos torcendo para que todo mundo possa se beneficiar com isso e o país possa retomar, e a arte possa retomar, e o teatro possa retomar com a mesma coisa que tinha. Não era fácil antes, já não era fácil.
Mas já tivemos que matar um leão por dia, ou após, baby, aumentou o número de leões que a gente tem que matar por dia. Então, a gente continua matando, porque a gente não sabe mais. .
. É outra coisa. Então, estamos aí, né?
Passando por esse período, descobrindo outras formas de se fazer. Nós criamos uma rádio-novela, "Drcula", o "Brastokio". Fizemos uma rádio-novela de 30 capítulos, cada um gravando na sua casa, seu celular.
É, encontrando formas de limpar, fazer um tom mais limpo, descobrindo que gravar com a porta do guarda-roupa aberta funciona melhor em filha. Vamos entrando em um mundo que a gente não conhecia, né? Eu lembro quando era criança.
. . Virar de novela, mas não é.
E somente foi muito, muito interessante fazer hoje. Quando eu ouço os capítulos, eu vejo: nossa, foi muito bom, sobretudo pensando nas condições técnicas, nenhuma, né? Que nós tínhamos para estar fazendo isso.
Foi tudo feito na raça. E o que nós sentimos era vontade, né? Voltar a digitar, realizando alguma coisa, já que nós estávamos todos fechados, cada um na sua casa, sem poder dar continuidade a essa loucura desses últimos sete anos.
E foi esse espaço aqui. E aí a rádio novela trouxe um alento para nós, é, pesquisar trilhas, músicas, descendo direito autoral que não tivesse problema, não é? Porque era tudo gratuito, não tinha dinheiro para nada.
Então, surgimos, nos aproximando de um mundo do audiovisual, usando o próprio celular, muitas vezes, né, como câmera para estar registrando algumas coisas. É o sarau que a Converte fez, ele participou, né, dirigindo alguns alunos. Fiz também, para no canal da Fundec, alguns trabalhos em vídeo com os alunos do núcleo de artes cênicas, e ainda estamos fazendo.
Hoje mesmo gravei, hoje de manhã, lá na sala, com uma aluna, uma aluninha, a cantora infanto-juvenil. É um vídeo. Enfim, nós fomos descobrindo, né, outras maneiras de extravasar, para dar vazão à nossa atividade, para não ficar totalmente parado, entendeu?
Eu escrevi cinco peças esse ano de 2020, as três da trilogia "Drw a Escravidão", e escrevi uma continuação do espetáculo que nós estamos fazendo há mais de 20 anos, que é sobre o azul do céu. É uma história de pai e filho, um drama familiar. E assim, uma mulher zumbi.
Há 25 anos o trabalho do céu. Daí, logo atrás, também uma temporada longa, né? E ganhou agora nessa parte uma segunda parte que a gente deve ainda começar a ensaiar.
E a gente foi se virando para chegar até aqui, mostrando algum resultado, mesmo que não seja presencialmente, né, no palco, como com a plateia, aqui como nós gostaríamos que fosse. Mas, por exemplo, de alguma forma, né? E isso foi importante, pelo menos para a gente mostrar aqui que esse é o motivo só que não vamos abandonar a voz do nosso posto, né?
Então, antes, mas tipo Xbox One, mais uma calcinha. Tá bom, vamos a mais uma pequena pausa e, daqui a pouquinho, nós voltamos novamente. Quando você vai contar, vai continuar contando.
Banda adianta, tem provocações, e para você, no sentido de você contar um pouco mais agora sobre o teatro, a importância dele na sua vida, o teatro nele, cartão, o teatro na escola, e por aí, perdões. Tá bom então, até daqui a pouco. Aqueles que estão nos acompanhando, até daqui a pouco, quando nós estaremos no terceiro bloco.
Até já, então, tudo de bom!