[Música] Olá pessoas Eu Sou elissa professora de literatura E hoje nós vamos falar um pouco sobre a obra Rosa do Povo do Carlos drumon de Andrade mas primeiro inscreva-se em nosso canal e Ative o Sininho para receber as [Música] novidades a Rosa do Povo foi publicada no ano de 19 5 e é considerado uma das obras mais politizadas do poeta drumon os poemas que ali constam foram compostos entre 1943 e 1945 e de certo modo os poemas ali potencializam temas aspectos que já haviam sido antecipados e explorados nos dois livros anteriores sentimento do mundo e
José a Rosa do Povo está contextualizado num momento muito difícil da nossa história na Europa estava Endo a Segunda Guerra Mundial a ascensão de governos totalitários Ascensão do nazismo e do fascismo e no Brasil estava acontecendo a ditadura Vargas era o momento da era Vargas momento de muita censura de muita repressão e de muito atraso todos esses fatos todos esses acontecimentos não deixaram de aparecer não deixaram de se fazer presentes nessa obra de drumon Diferentemente dos primeiros livros sobretudo de alguma poesia em que o Tom é mais cômico um certo tom de piada apesar de
aparecer certa melancolia a Rosa do Povo apresenta única e exclusivamente há um predomínio de um tom muito sério um tom sisudo um tom até mesmo Sombrio pessimista diante das agruras do mundo diante da miséria da condição humana Mas além desse Tom triste desse Tom melancólico Há também um certo tom de revolta há um certo tom de inconformismo com essa realidade que estava sendo vivida na época então então o eu lírico que fala aí dentro que fala dentro dos poemas de a Rosa do povo é muito preocupado com questões do mundo com as questões históricas daquela
época muito seriamente chega a ser grave mas também está está cansado está extenuado de todos esses acontecimentos o título do livro A Rosa do Povo apresenta uma ambiguidade porque ao mesmo tempo que a gente se pergunta a rosa é para o povo esse livro traz uma rosa para o povo ou esse livro retrata uma rosa que vem do povo que o povo entrega que o povo carrega ao mesmo tempo que há essa ambiguidade no tít a gente percebe que de fato o povo e todos os seus significados de simplicidade de um lugar de silêncio de
dificuldade acaba protagonizando os temas desse livro nós percebemos também a ressignificação desses signos flor e rosa até porque no final das contas nessa obra do drumon além de haver a ressignificação de certos temas sublimes temas clássicos da poesia sobre sobretudo de flor e Rosa Há também a ressignificação da beleza o conceito de beleza o conceito de Belo que até então estava estabelecido por uma tradição passa por certas reformulações e acaba adotando novos parâmetros dentro desta obra nessa ressignificação do Belo o que acaba se fazendo mais presente dentro dos poemas de a Rosa do Povo são
questões do cotidiano elementos feios considerados feios e até mesmo elementos considerados patéticos dignos de pena dignos de riso ao mesmo tempo que há ressignificação do Belo há também uma consciência crítica do do poeta H uma consciência crítica poética de que nesse contexto é impossível criar a beleza é impossível representar a beleza porque ela está sendo destruída por por tanta violência por tanta barbária e brutalidade mas também é impossível criar a beleza é impossível se conectar com a sociedade através do Belo no final das contas o que acaba pesando né e é por isso que a
Rosa do Povo é considerado o livro mais politizado de Carlos drumon de Andrade é a questão social a gente pode chamar os poemas ali de poesia social de poemas sociais porque há o predomínio do Povo da sociedade do mundo e todas essas tensões ficam bem evidentes ficam bem mimetizadas representadas dentro dessa poesia além disso em a Rosa do Povo há poemas que trazem uma reflexão existencial uma reflexão de car Car existencial carregados de pessimismo inclusive em que esse eu retorcido que é típico da poesia do drumon fala aparece remetendo inclusive ao goch do Poema de
Sete Faces que abre o livro de estreia desse poeta alguma poesia que inclusive já temos um vídeo sobre essa obra aqui no canal então em a Rosa do Povo nós temos todas essas preocupações todos esses temas que são muito típicos dessa poesia inquieta dessas inquietudes da poesia do drumon só que um pouco mais adensados um pouco mais agravados por conta desse contexto desse cenário inclusive outro tema que é recorrente na obra do drumon e que aparece aqui inclusive no livro no poema de abertura procura da poesia é a questão da metalinguagem a questão da metapoesia
e fica evidente ali que a poesia precisa da interlocução do leitor ela não está sozinha ela não pode estar sozinha no mundo é preciso que o leitor carregue a chave para conseguir destravar os novos sentidos que a palavra carrega então é um poema que abre a mostra a abertura da ressignificação das palavras dentro deste livro que chama a atenção do leitor para o papel do leitor como a importância dele é é atribuída nesse momento de leitura e de ressignificação do poético e da poesia como eu tinha falado antes o cotidiano aparece na ressignificação do Belo
mas o cotidiano também aparece como tema como como questão central de alguns poemas né os poemas não vão tratar de grandes aventuras de grandes heróis mas de questões banais de questões Ordinárias do nosso dia a dia assim como o cotidiano o amor também acaba sendo um tema recorrente na poesia do drumon aparece aqui também em a Rosa do Povo mas de qualquer maneira é bom acentuar é bom reforçar que o tema central o tema predominante de a Rosa do Povo é a questão social é o mundo não só num sentido filosófico num sentido existencial não
só o fator histórico do mundo mas a questão social a questão das classes sociais a função social do poeta a função social da poesia e muitas vezes como essa sociedade hostil acaba eh deixando impotente tanto poeta quanto poesia quanto a forma em a Rosa do Povo a predominância de versos muito longos os versos são longos a metrificação não é rígida então nós temos a predominância de verso livre são esses versos que não são metrificados de uma maneira regular de uma maneira exata e há também o predomínio do verso branco que são os versos que não
tem muita marcação de rimas no final né o final de cada verso não há uma marcação rígida de rimas é claro que se levarmos em consideração a adicção de a Rosa do Povo nós podemos ressaltar que a linguagem é peculiar justamente porque aponta para uma oralidade às vezes até aparenta uma espontaneidade embora o projeto tenha sido muito bem elaborado muito bem calculado se aproximando muito da voz de um eu que se abre que se confessa que se derrama e que se que se expõe nesses poemas para ilustrar um pouco essas características presentes em a Rosa
do Povo eu vou fazer a leitura de um poema que é clássico é um dos mais conhecidos do drumon é um dos mais famosos desse livro A Rosa do Povo inclusive é até comum de se confundir esse poema com o título da própria obra que é a flor e a náusea preso a minha classe A algumas roupas vou de branco pela rua cinzenta melancolias mercadorias espreitam-me devo seguir até o enjo posso sem armas revoltar-me olhos sujos no relógio da Torre não o tempo não chegou de completa o tempo é ainda de feses maus poemas alucinações
e espera o tempo pobre o poeta pobre fundem-se no mesmo mesmo impasse em vão me tento explicar os muros são surdos sob a pele das palavras H cifras e códigos o sol consola os doentes e não os renova as coisas que tristes são as coisas consideradas sem ênfase vomitar este tédio sobre a cidade 40 anos e nenhum problema resolvido sequer colocado nenhuma carta escrita nem recebida todos os hom voltam para casa estão menos Livres levam jornais e sram o mundo sabendo que o perdem crimes da terra como perdoá-los tomei parte em muitos outros escondi alguns
achei belos foram publicados crimes suaves que ajudam a viver ração diária de erro distribuída em casa os ferozes padeiros do Mal os ferozes leiteiros do mal por fogo em tudo inclusive em mim ao menino de 1918 chamavam anarquista porém meu ódio é o melhor de mim com ele me salvo e dou a poucos uma esperança mínima uma flor nasceu passem de longe Bondes ônibus Rio de aço do tráfego uma flor ainda desbotada ilude a polícia rompe o asfalto faça um completo silêncio paralisem os negócios garanto que uma flor nasceu sua cor não se percebe suas
pétalas não se abrem seu nome não está nos livros é feia mas é realmente uma flor sento-me no chão da capital do país às 5 horas da tarde e lentamente passo a mão nessa forma insegura do lado das montanhas nuvens maciças avolumam-se pequenos pontos brancos movem-se no mar galinhas em Pânico é feia mas é uma flor furou o asfalto o tédio o nojo e o ódio Esse é um dos poemas mais importantes do drumon é um dos poemas mais importantes de a Rosa do Povo e é um dos poemas de caráter social mais acentuado a
gente percebe aí que o poeta vai falar da sua classe a sua classe A classe de poeta que classe é essa uma classe desfavorecida desprestigiada que não tem muita voz e ainda mais numa situação de estado de exceção é censurado inclusive mais à frente do poema ele fala o tempo pobre o poeta pobre os dois se fundem nesse mesmo momento nessa mesma época o título inclusive faz referência àquilo que eu tinha falado anteriormente sobre a ressignificação do signo Flor do signo Rosa porque essa flor que nasce essa flor que representa a revolução é uma revolução
é uma flor revolucionária é uma flor da Resistência apesar de significar esperança é feia ela não é bela ela é desbotada nesse cenário todo triste todo apagado todo Cinzento né E esse poeta vestido de branco ainda querendo trazer uma pureza mas no mundo em que tudo é tudo tudo é espreitando por mercadorias e melancolias se não é cheio de de tristeza é objetificado é transformado em coisa é reificado né O homem é coisificado transformado em coisa transformada em objeto a humanidade se perde E também temos referência nesse título do poema a nusia que faz referência
a uma obra uma das obras mais importantes do famoso filósofo existencialista francês Jean Paul Sartre que tinha uma obra chamada náusea Então esse tom pessimista essa aparente falta de sentido numa existência nessa existência que não oferece muita liberdade é sua bombardeia de Notícias transforma tudo em coisa inclusive as pessoas e que tristes são as coisas consideradas sem ênfase eh carregam esse tom de início de século XX desse momento de grandes transformações em que as esperanças na virada do século eram enormes mas todas elas foram dolorosamente tragicamente frustradas lá já logo na primeira metade do século
XX com tanta guerra com tanta barbárie com tanto ódio mas a flor está aí para romper tudo isso para romper o ódio para romper o nojo para romper o tédio que é um dos Sentimentos mais terríveis porque simplesmente a anestesia paralisa qualquer sujeito e também para enfrentar essa náusea a náusea do poema bem pessoal isso aqui foi um pouco sobre o poeta se vocês quiserem saber um pouco mais sobre essa obra sobre esse poeta acessem os links aqui na descrição acompanhe-nos também nas redes sociais no podcast curtam compartilhem esse conteúdo eu vou ficando por aqui
eu agradeço a atenção até a [Música] próxima