bem pessoal hoje aqui eu gostaria de conversar um pouco com vocês sobre o livro 3 da República de Platão anteriormente eu tinha gravado dois vídeos anteriores que diziam respeito ao livro e ao livro do e agora resolvi aqui postar sobre o livro como a gente tentando fazer umaação breve e no livro Um a gente tinha discutido sobre os aspectos concernentes a discussão do que seria a justiça a gente até falou sobre os diores o lemarco o céfalo E também o trasímaco que foi o sofista o último dialogado do livro com o Sócrates e ali foram
debatidos vários conceitos de justiça e tudo mais no livro dois a gente teve a presença da figura do Glauco e do admo que foram os debatedores do Sócrates em todo o livro dois e nesse livro três também se mantém as mesmas os mesmos vão estar ali debatendo sobre os assuntos na verdade é uma continuidade né porque não há uma distinção temática muito clara por exemplo entre o livro dois e o livro TR ali ele vai continuar a no livro TR agora pensando no nosso objeto aqui do vídeo ele vai continuar a especificar quais deveriam ser
as medidas a serem tomadas para se criar ali uma cidade ideal basicamente é isso uma cidade ideal entendida por Platão como uma cidade que a formação Educacional é fundamental tudo tem que ser definido em classes não em classes sociais mas em classes no sentido de grupos e todos devem ter uma função uma única função o ideal é que todos tenham a única função porque ele entende que se uma pessoa tiver mais de uma função provavelmente ela não vai exercer de maneira plena nenhuma delas de tal forma que a perícia extrema como ele fala no livro
Só se dará se a pessoa tiver um único Ofício né uma única atividade a ser desempenhada pois bem eh dito isso O que é importante a gente perceber é que na construção dessa cidade ideal primeiro nesse livro três Platão vai se preocupar em algumas coisas relacionadas a à educação principalmente dos militares tá o livro todo esse livro ele tá preocupado fundamentalmente com a formação dos militares dos Soldados porque ele entende que essa classe é a principal classe constitutiva da sociedade até porque é dos militares que vai sair o governante o chefe de estado também é
dos militares que vai sair o grande filósofo na verdade o filósofo para ele sai dos militares e esse filósofo é quem inclusive deve se tornar o governante eh então o foco dele é esse na classe dos militares como se dará a educação voltada para essa classe e aí então ele vai se preocupar basicamente com alguns aspectos que são a poesia a arte a música A alimentação a ginástica que são aspectos relacionados uma espécie de escola vamos dizer assim né Como deve ser a escola desses militares eh mas aí pensando na sociedade maneira geral certo não
que eles vão ficar dentro de uma escola mas os o que poderá ser filtrado que deve ser passado para essas classes que tem potencial de ser militar já desde criança já desde a sua formação ali né do uma formação completa vamos dizer assim eles devem ser já encaminhados para isso Se tiverem as aptidões necessárias desde criança e o primeiro ponto que ele vai começar a conversar com com advant e com o Glauco é discutir Exatamente isso quais os tipos de poesia que a gente deve entender aqui que veja eles estão querendo construir uma cidade ideal
então a pergunta dele é quais as poesias ou Quais os tipos de poesias deverão ser entendidas por nós aqui como ideais dentro desse mundo ideal então é um pouco da continuidade até do livro dois que já se já se iniciou essa discussão lá e aí basicamente e eles o Platão vai dizer olha não me parece razoável que poesias que tratem eh sobre sempre dor sofrimento eh ou poesias que tratem os deuses como seres sempre suscetíveis a diversos erros conflitos e brigas eh sejam passadas para esses militares por quê Porque essas poesias elas primeiro elas não
representam a o Platão entende que essa quest relacionada aos deuses e os deuses eles não possuem uma natureza ruim como é pregada nas poesias então é o primeiro pressuposto dele é esse o segundo ponto é que a poesia em si ela tende a ter um caráter extremamente imitativo não só a poesia mas de a arte escrita de maneira geral o que tá querendo dizer com imitativa É principalmente as tragédias porque o que que é essa imitação O que que tá querendo dizer com imitação aqui veja bem quando um autor escreve uma tragédia ele tem ali
diversos personagens e os personagens né obviamente conversam entre si então ele dá vida a personagens que não é ele certo ele escreve o texto mas como se não fosse ele dizendo aquilo então ele tá entendendo que que isso é uma imitação certo e isso em si já é ruim por E aí tem um tem um ponto por de trás porque a gente tem que entender o seguinte a visão platônica de mundo é que o que nós enxergamos no mundo físico o que nós vemos não é a realidade certo é uma distorção dela porque a realidade
de fato a verdade ela está no mundo das ideias Ou seja no nosso pensamento nosso raciocínio ela não tá no mundo físico o mundo físico é uma é o mundo sensível vamos dizer assim o mundo sensível que eu enxergo de maneira distorcida o mundo inteligível que é aquele que tá no nosso pensamento o mundo das ideias é a verdade efetiva plena então quando um poeta por exemplo eh escreve uma tragédia por exemplo Vamos pensar na tragédia com base em dados sensíveis em dados fáticos aquilo que eu enxergo no mundo aquilo já é uma imitação aqu
já é uma uma cópia por quê Porque a verdade está no mundo das ideias então quando ele imita um objeto material ele já tá imitando uma cópia certo então é uma dupla cópia e essa é a crítica fundamental dele em cima disso quer dizer já é uma cópia em si os dados materiais eu ainda vou escrever uma outra cópia então ele já critica assim de plano A a poesia eu diria até de maneira geral justamente por ter Esse aspecto poesia aqui no sentido genérico da palavra justamente por ter Esse aspecto imitativo certo e aí o
que que acontece e tem outro aspecto também por detrás disso mas depois a gente fala disso mais na frente porque é um dado um pouco mais complexo porque o que que acontece nesses livros do Platão eventualmente ele vai abrir ele vai falar sobre determinada tense isso é muito comum até nos outros livros depois vocês vão perceber que ele muda um pouco a tese Inicial porque ele coloca um um novo não é que ele mudou de de ideia é porque ele introduziu aquilo certo de maneira ainda rudimentar e depois ele torna ela mais complexa E aí
dá entender que ele tá mudando de tese mas não necessariamente Porque depois ele vai falar que há sim um modelo de poesia imitativo que serve a cidade mas a gente vai entender o que que ele vai querer dizer com isso é porque a gente precisa avançar em certos pressupostos para conseguir compreender essa parte pois bem então dando prosseguimento a isso então o Platão entende que essas poesias imitativas principalmente porque essas poesias elas tratam de diversos aspectos relacionados à dor sofrimento eh como eu falei eh desvirtua a ética dos próprios deuses e ele entende que o
militar o militar tem que ser uma pessoa que aguente firme por exemplo o sofrimento e a dor da vida então se uma poesia queem um quem seu conteúdo qu em seu conteúdo ela estimula o sofrimento estimula o sei lá a fraqueza de espírito isso vai reverberar no próprio militar e na sua própria ética e no seu próprio modo de agir Essa é a crítica que ele tá fazendo também nesse ponto importante porque óbvia inclusive até hoje é assim né o treinamento militar o militar por exemplo é colocado à prova a todo momento nos treinamentos é
colocado diversas situações em que ele irá passar por sofrimento e etc e ele inclusive diz que isso é essencial já Essa época ele dizia isso eh inclusive dizendo que a formação dos militares deve ser empresar disciplina obediência e etc e esses essas poesias imitativas que pregam o contrário disso que pregam o medo da morte por exemplo que pregam o medo do Ades elas farão eles sucumbir entendeu porque quando você entra em contato de mais com isso você gera em você muito medo então você fala poxa se viver já é um risco imagina se for militar
PR guerra é pior ainda então por isso ele fala que não é benéfico ess esses aspectos né da poesia imitativa pensando nos pensando nos militares desculpe Deixa eu ver o que mais beleza depois disso ele vai falar um pouco também sobre a música e sobre a ginástica no primeiro momento Platão el chega à conclusão isso até nos livros anteriores que a música é boa para e a ginástica é boa para o corpo ginástica exercício físico basicamente né a música Ele também entende da mesma forma em relação à poesia que a música que pregue o sofrimento
exacerbado a detp dos Deuses não é benéfica pros militares a música Dev ser volt para na verdade extar as boas virtudes a temperan austi e etc e que ela serviria à alma enquanto que a ginástica serviria ao corpo certo mas depois ele muda essa ideia dizendo o seguinte na verdade tanto a música quanto a ginástica ela serve a alma não ao corpo porque veja Platão ele faz uma distinção aqui entre alma e corpo a alma é justamente o ápice né é como se fosse a a sua personalidade em em em sentido máximo de existência o
corpo é o corpo é físico é perecível entendeu então a alma nesse sentido obviamente é muito mais superior e por que que ele tá dizendo que a a a alma por que que a alma é importante porque é na alma que a gente vai alojar as condições de ser uma pessoa justa eh de fazer o bem Entendeu de conceber O que é o Belo e tudo mais e não no corpo físico meramente que é um dado sensível até veja que o corpo físico também é um dado sensível certo e aí ele vai dizer o seguinte
na verdade tanto a música quanto a ginástica servem a alma porque a boa alma retifica o corpo ou seja e quando a alma é efetivamente boa você retifica o seu próprio corpo físico então ele não entende que a ginástica é diretamente para o corpo ela na verdade é diretamente para a alma e a alma indiretamente é quem Aliás a ginástica indiretamente e servirá para a alma retificar o corpo então ele faz essa inversão de papéis é um pouco metafísico isso né mas assim é é a conclusão que ele chega no texto eh veja bem depois
Platão vai falar também sobre um aspecto muito interessante nesse livro três que ele faz uma distinção entre como eu falei Platão basicamente se cuida de falar dos militares da formação eh dos militares formação da formação Educacional desse militar já desde criança só que ele faz algumas exceções durante o livro e fala sobre Alguns alguns outros ofícios como por exemplo do médico e do juiz o Ofício do médico ele diz que o médico desde criança ele já tem que estar eh em contato com os corpos justamente porque alcance a perícia máxima no Exercício desse Ofício eh
Então o que ele tá querendo dizer o médico ele já desde o início ele tem que estar em contato com os corpos ou seja com a doença entendeu basicamente é isso que ele tá querendo dizer Diferentemente do juiz porque devido ao fato do juiz exercer uma atividade que na visão dele é a prática da Justiça então uma atividade que tem muitos meandros metafísicos vamos dizer assim o juiz no caso eh ele não deve estar em contato desde criança com a criminalidade e com as injustiças do mundo por quê Porque ele deverá ser capaz de quando
se tornar juiz de reconhecer a injustiça no outro e não em si mesmo porque se ele Reconhecer essa injustiça em si mesmo ele poderá relativizar-se juiz Aliás a formação ideal de um juiz é que ele desde cedo seja sempre eh digamos digamos assim colocado à prova no sentido de ter bons valores bons costumes e nunca o contrário nunca está em contato por exemplo com as ilegalidades com as injustiças porque quando ele efetivamente se tornar juiz inclusive ele fala que é ideal que o juiz seja um idoso ele deverá reconhecer a injustiça no outro e não
em si mesmo porque obviamente quando a gente tá em contato porque a ideia do Platão no verdade aqui é quando se tem muito contato com a injustiça a sua alma Primeiro ela começa se modelar no sentido contrário por isso inclusive que T falando dos ensinamentos aqui dos militares quer dizer sempre em contato com as ditas eh boas práticas e tudo mais então se você tem contato com essas injustiças isso vai modelando a sua alma de tal forma que quando você for exercer o Ofício de Juiz você não terá a imparcialidade suficiente para julgar Aquele caso
tendo em vista que de tanto conhecer a injustiça você enxerga a justiça de maneira distorcida de maneira tal que você consiga inclusive relativiza porque que ele já tá a injustiça já está de certa forma impregnada em você então é essa é a distinção que ele faz distinção bastante importante eu diria Mas ele foi bem pontual dentro do livro pois bem dando seguimento a isso a gente já falou então sobre os aspectos concernentes à poesia depois falamos sobre a questão da música que ele também cita muito no texto e e depois ele faz inclusive um paralelo
que eu na verdade até Adiantei um pouco como eu falei ele fala que a música e a ginástica servem a alma porque ele entende de que a alma ela tem duas vertentes a alma representa tanto a coragem ela tem uma vertente que é a coragem como também tem a vertente da filosofia e veja por Óbvio a ginástica é quem vai despertar esse ímpeto de coragem certo porque ela vai trabalhar mais no vigor físico e tudo mais que é um aspecto atinente à alma né essa coragem que eu falei e já a música irá blindar o
aspecto relacionado ao agir filosófico uma certa capacidade cognitiva de conceber como o mundo efetivamente existe certo Então nesse aspecto específico Ele tá dizendo é necessário que o militar seja eh o seu ensinamento deve ter esses dois aspectos tanto a ginástica como também a música porque a ginástica irá gerar o vigor físico mas a música por outro lado irá gerar um despertar filosófico isso é importante até pela ética militar que ele já tinha citado anteriormente ele até volta a citar isso Porque como ele falou antes no outro livro anterior o o militar ele deve ser dócil
com os seus ou seja com a pensando na Grécia com a Grécia né e obviamente rigoroso com seus inimigos de guerra ele não pode ter só coragem entendeu ele também tem que ter docilidade e esse é um aspecto que ele vai adquirir fundamentalmente através da música por isso que ele entende que as duas coisas estão dissociadas elas devem ser e objeto de ensino para os policiais e para os militares tô usando Tero policial porque é um anacronismo histórico né vamos dizer assim o ideal é entender não é policiais mas é militares soldados que eram Como
eram chamados a época então esses dois aspectos são indissociáveis dentro da formação do dos Soldados Ok eh e aí por último para finalizar o texto eh o Platão ele vai fazer um ele vai falar sobre um mito e aqui é interessante observar que quando ele fala do mito primeiro Ah o Platão usa mito ele usa inclusive mas não é que ele acha que aquilo é uma verdade absoluta Porque tem uma parte no livro inclusive que ele fala olha a mentira ela entra em particulares ela nunca é bem-vinda óbvio né Ela é sempre um mal inclusive
agora eventualmente o governante devido ao fato de ser governante ele poderá usar da mentira para evitar um caos para evitar violência porque certas coisas se ditas podem gerar caus social violência guerra então ao governante É cabível sim eventualmente ter que mentir Então nesse sentido quando ele fala desse mito aqui não é que esse mito seja uma verdade absoluta Mas é porque na verdade esse mito faz com que as pessoas consigam compreender o papel delas dentro desse mundo ideal inus Na minha opinião nesse nesse ponto aqui ele tá querendo dizer Exatamente isso é um mito que
poderia inclusive ser feita pelo governante nesse sentido ele vai dizer olha todo mundo é fruto da própria terra todo mundo é filho da terra e todo mundo é dividido em classes E aí ele diz que existe a classe Ouro e Prata que seriam os militares e seus auxiliares e a classe do ferro e do Bronze que seriam as demais pessoas em regra deve-se evitar que haja Eh vamos dizer assim uma relação entre essas classes no sentido de gerar filhos e etc as classes têm que ser digamos bem distinguidas dentro do extrato social mas eventualmente de
militares vai nascer bronze vai nascer ferro ou dos de bronze e ferro vai nascer alguém que seja ouro que seja prata ele não tá ele não tá criando aqui um certo determinismo não tá ele tá ele tá ele tá dizendo o seguinte não é isso aqui não é objetivo não é matemático não é que somente militares irá gerar Não não é isso pode haver certas misturas inclusive elas devem ser identificadas de plano e já colocadas no modelo Educacional que eles estão criando aqui se identificado né Por exemplo o ouro prata a gente sabe que existe
um modelo e militar Educacional todo que ele tá desenhando aqui inclusive muito parecido com modelo Espartano essa questão do Rigor essa questão até da hierarquia e tudo mais inclusive no ponto em que ele vai tratar dessa distinção aqui que eu falei ele vai colocar que é fundamental que pensando na classe dos Ouro e Prata que aí seriam os militares primeiro que eles têm que viver em conjunto eles têm que viver em comum certo já desde cedo segundo que eles não podem possuir bens em nome próprio Eles serão sustentados terão roupa comida tudo à disposição mas
não podem ter Bens Materiais é aqui é muito parecido como eu falei com o modelo Espartano ali de exército eh Por fim eu gostaria de voltar a um ponto importante que eu não falei antes que é sobre a poesia comecei a falar sobre a poesia falei Platão eu entende que a poesia imitativa em regra ela não é benéfica pra formação desses militares porque primeiro que ela já é em si uma imitação só que aí ele vai relativizar um pouco isso durante o livro também que ele vai falar aquelas poesias músicas que for que seja imitativa
mais imitativa do bom caráter da Justiça em si mesma da temperança elas obviamente serão bem-vindas e devem compor a for formação desses militares Por que que ele tá fazendo essa relativização porque ele tá falando o seguinte Olha quem escreve Quem produz a arte não está totalmente dissociada dela então o que ele tá querendo dizer aqui é o seguinte então quando um poeta escreve que deuses são X e Y ou que a justiça ela tem aspectos de injustiça em si vamos dizer assim é porque a alma desse poeta não está totalmente íntegra ess Essa é a
crítica que ele tá querendo dizer por de trás quando um poeta escreve e distorce a realidade é porque talvez ele faça isso até de maneira inconsciente é porque a própria alma dele já não consegue mais conceber a verdade dos fatos a realidade tal qual ela deveria ser por isso inclusive ele critica esses poetas que escrevem ess essas questões diferente medo de morte não sei o quê Porque Porque eles estão escrevendo sobre uma coisa que eles não conhecem então quando eles vão escrever por exemplo sobre a justiça Eles escrevem sobre um olhar a leio porque eles
não conseguem conceber O que é a justiça de fato e por isso eles a distorce entendeu então é esse o aspecto imitativo fundamental que ele tá querendo que ele tá querendo criticar aqui porque é uma imitação alheia à própria condição da coisa é como se o poeta estivesse escrevendo Então vamos dizer um poeta quer escrever sobre justiça mas a alma daquele poeta ali ela tá impregnada de injustiça porque ela não está totalmente purificada vamos dizer assim aond ele não tem a temperança e a harmonia necessária por isso ele vai lá e distorce o que é
a justiça entendeu E por isso ela é ruim agora se o poeta estiver eh com a sua alma equilibrada e ciente do que é efetivamente a justiça ele vai colocar ali na sua poesia os parâmetros do que que é efetivamente a justiça e essa poesia imitativa das boas ações no caso da da Justiça em si deverá sim ser privilegiado dentro dessa construção dessa cidade ideal então basicamente foi isso o livro três é um livro