[Música] Olá, pessoal. Estamos de volta com a disciplina Psicologia da aprendizagem. Nessa aula de hoje, a gente vai falar sobre a quarta revolução educacional.
Todos já viram sobre as três primeiras revoluções, na opinião do José Steve, esse autor espanhol. E nesse momento a gente quer falar um pouco do que poderia ser ou deveria ser essa quarta revolução educacional, como que metodologias ativas de aprendizagem e outros princípios que a gente vai ver um pouco nessa aula vem impactando a sala de aula contemporânea. Essa sala de aula que cada um de vocês, cada um de nós professores estamos enfrentando nos dias atuais.
Uma das coisas mais importantes desse desse processo é porque ele ajuda a gente a entender enquanto professores qual que é o nosso papel de fato sobre o que que deve a escola mudar ou se transformar para que isso de fato tenha significado para os nossos alunos e nossas alunas. Então a gente vai começar falando sobre eh uma coisa importante nesse nesse aspecto dessas dimensões que a gente fala da quarta revolução educacional. A primeira coisa que eu sempre deixo muito claro para as pessoas, nós estamos falando de da importância da conservação junto da inovação.
Nós estamos falando muito de dessa quarta que precisa inovar, que precisa trazer coisas novas para dentro da sala de aula para dar conta dos alunos que estão dentro desse espaço hoje em dia para aprender e também para ensinar. Mas ao mesmo tempo a gente não pode perder a perspectiva de que não existe inovação sem conservação. Essa ideia ela é um pouco contraditória, ela é paradoxal para algumas pessoas, ela é ambígua para para algumas pessoas.
Como que eu vou inovar e conservar ao mesmo tempo? A gente precisa entender que não existe inovação sem conservação. Por quê?
Porque o objeto da educação é exatamente a conservação. Para que que as crianças vão na escola? Elas vão na escola para aprender o quê?
o que a cultura, o que a sociedade já produziu nos últimos séculos, milênios. Portanto, a criança vai na escola quando ela vai aprender a língua, ela vai aprender as ciências, ela vai aprender a matemática. O que que ela precisa?
Ela precisa saber o que já foi produzido pela humanidade. Cada criança ou cada nova geração não tem que reinventar a roda. Portanto, o que é a base do currículo de uma escola, a base do que se ensina numa escola, é a conservação de conhecimentos que já foram produzidos historicamente pela humanidade.
E nesse sentido a gente se quer inovar, a gente deve procurar inovar para atender essa população que tá em sala de aula de hoje, mas sem perder a importância desses conteúdos, da dessa desse conhecimento que já foi historicamente construído. E pra gente fazer isso, a gente precisa entender, inovar e ao mesmo tempo conservar que esse novo modelo educativo precisa considerar em seu desenvolvimento dimensões complementares de conteúdo, de forma e de relações entre professores e alunos. Portanto, são três dimensões complementares que a gente precisa considerar se quiser de fato inovar e ao mesmo tempo conservar aquilo que de importante a sociedade produziu nos últimos séculos e milênios.
E é daqui que a gente começa então na dimensão do conteúdo. Vou focar um pouco nessa parte porque existe um consenso, a gente vai ver isso em outros momentos nessa disciplina sobre a o conceito de transversalidade, sobre novas prioridades e novos conteúdos que vê sendo eh oferecidos pelas escolas, que a sociedade vem pressionando as escolas para oferecer e que no fundo são novos conteúdos pra escola não trabalha apenas com conteúdo de português, matemática, história, geografia, ciências, etc. A sociedade tem outras demandas para serem assumidas por essa instituição criada para instruir e formar as futuras gerações, que é a escola.
Portanto, outros conteúdos precisam ser internalizados no dia a dia da sala de aula. Um deles principal é a dimensão ética e de responsabilidade social. Hoje qualquer formação, tanto em nível de educação básica quanto da da em nível superior, se fala muito da importância da ética e da responsabilidade social.
Então, esse é um conteúdo que precisa começar a permear o currículo das escolas. Quando se fala de temas transversais, quando se fala de projetos, a gente fala muito nessa preocupação da responsabilidade social dos futuros profissionais e da ética da população. Então, não dá pra gente pensar numa escola dessa sociedade que almeja a igualdade de todas as pessoas, a acessibilidade que a gente viu, a questão da equidade, sem considerar dimensão ética, perpassando o conteúdo, o currículo das escolas.
Uma segunda dimensão dentro do do dos conteúdos, um segundo item dentro dos conteúdos que a gente precisa entender é a ideia de pensamento sustentável, a ideia de sustentabilidade. Hoje esse é um tema que tá muito em pauta eh dentro da sociedade como um todo, que é a ideia de de um planeta sustentável, de relações sustentáveis com a natureza, entre as pessoas, que no fundo é uma dimensão ética também. E isso precisa ser incorporado no dia a dia das escolas, no dia a dia do currículo da sala de aula.
Não dá para pensar uma escola no século XX que não tem a sustentabilidade como um dos seus eixos principais. E por fim, uma outra dimensão de conteúdo que a gente precisa pensar é introduzir o cotidiano das pessoas dentro do currículo. nada mais e fora da realidade hoje que a gente conhece isso no nosso dia a dia, vocês enquanto alunos, na história de vida de vocês, do que você trabalhar com um conteúdo que não tem nada a ver, onde você tem que aprender coisas que você não sabe para que que serve, qual que é o impacto disso no seu dia, no seu dia a dia, na sua vida pessoal.
Eu costumo sempre brincar para que que a gente tem que aprender a hipotenusa de não sei o quê, a a o que que é uma um tipo de fruto, um tipo de árvore, a geografia, o os eh os afluentes do rio Amazonas, quer dizer, um conteúdo que muitas vezes não tem contextualização na nossa vida cotidiana. Claro que isso é importante, mas será que deve ser só apenas um conteúdo descontextualizado? Eu sei que isso todo mundo já já conhece, já tá vendo no dia a dia, mas a gente precisa trazer o cotidiano das pessoas para dentro da sala de aula, incorporar a resolução de problemas cotidianos.
Isso é um dado fundamental paraa formação das pessoas. ao mesmo tempo, a resolução de currículo, a a resolução de conflitos, desculpa, esse tipo de conteúdo que não perpassa a o currículo das escolas, ele precisa ser incorporado no dia a dia da da vida das pessoas e, portanto, no dia a dia da sala de aula. E é esse uma mudança fundamental que precisa impregnar os currículos, como vocês vão ver durante essa disciplina.
Agora a gente precisa falar um pouco da dimensão da forma, porque não adianta nada eu trazer conteúdos inovadores, por exemplo, trazer um conteúdo de orientação sexual para dentro da sala de aula e continuar dando aula expositiva, fazer como sempre foi feito desde o século 17, 18, ou seja, vou trabalhar a orientação sexual e coloco a imagem de um de um corpo humano aqui e começo a simplesmente pedir pr os alunos decorarem. O que que é isso aqui? Ah, isso aqui é peres.
Que que é isso aqui? Ah, isso aqui é ovário. Quer dizer, mantendo uma mesma forma de ensino, uma mesma forma de educação transmissiva.
Pra gente dar conta dessa diversidade, a gente precisa de fato mexer bastante com a forma com que a as aulas ocorrem. Que a gente colocou aqui, repensar os tempos, espaços e relações nas instituições de ensino e pesquisa. Um curso como esse da Univers, por exemplo, ele tá absolutamente coerente com esse tipo de dimensão que a gente tá falando aqui.
Quando vocês estão fazendo um um curso semipresencial, um curso a distância, a gente tá mexendo radicalmente com tempo, a gente tá mexendo com espaço, porque não é mais o espaço da sala de aula, não é mais o tempo da sala de aula onde você fica sentado. Cada um organiza o seu tempo de assistir as videoaulas, de participar da das atividades, ao mesmo tempo que mexe na relação professor, aluno, o professor tá tá num vídeo como eu estou aqui agora com vocês. O surgimento de uma proposta educativa como essa da UNIVS, por exemplo, ele tá de acordo com esse tipo de concepção que vem pro mexendo com a forma de organização da educação e que, portanto, consegue atingir a muito mais pessoas simultaneamente.
Vocês não precisam estar numa sala com 30, 40 alunos para poder assistir essa aula, por exemplo. Então, essa dimensão da forma, ela tem a ver incorporando os avanços tecnológicos, etc. , que permitem com que isso aconteça, levar o conhecimento a mais pessoas com uma melhor qualidade.
Lembra daquela daquela imagem onde a gente fala sempre que o foco é melhorar a qualidade na educação? Então isso a gente vem conseguindo, por exemplo, utilizando a tecnologia como aliada desse processo, não como a ferramenta principal, mas como aliada como um um uma ferramenta para que a gente consiga que um conhecimento de maior qualidade chegue a um maior número de pessoas. por exemplo.
Então isso é mexer bastante com a forma, mexer com tempo, espaço e relações dentro de sala de aula. Eh, o que que isso significa que nós estamos falando? Primeiro também romper os muros da escola, romper os limites.
Nós não estamos mais naquela sala de aula do século XVI, do século XIX. A gente está agora, por exemplo, aqui vocês estão na sua casa, vocês estão no trabalho, vocês estão em vários espaços. Eu também estou aqui no no estúdio.
Nós estamos rompendo os muros da sala de aula e ao mesmo tempo utilizar a tecnologia, como eu já reforcei aqui, open and distance learning, isso é é o termo em inglês, eh aprendizagem aberta e à distância e a utilização das tecnologias, informação e comunicação. Elas são a chave hoje em dia pra gente poder ampliar essa busca pela qualidade na educação. Aí agora a gente chega na dimensão da relação professor aluno, que é talvez a que a gente vai mais explorar durante essa disciplina e mesmo durante esse curso da UNIVESP.
quer dizer, essa mudança no papel do professor e no papel do aluno. Eh, quando a gente fala do processo de ensino e aprendizagem, quando a gente fala na dimensão eh da relação professor aluno, nós estamos falando que a relação de ensino, aprendizagem deve sofrer uma inversão. Isso é o mais difícil que a gente tem hoje na prática profissional dos professores, deixando tal processo de centrar-se no ensino e sim na aprendizagem e no protagonismo do sujeito da educação que deve ser autor do conhecimento.
Então essa é a chave nós estamos falando aqui, é o protagonismo do aluno. Quando a gente falou da terceira revolução educacional, que a gente falou de metodologias ativas que buscam exatamente mudar o foco, tirar o foco do professor que ensina e esse professor passa a ser o mediador, o tutor do processo de ensino aprendizagem e quem de fato passa a ter o seu protagonista do processo de aprendizagem passa a ser o aluno. Então, o currículo da escola, as metodologias da escola, elas estão voltadas agora, precisam estar voltadas, principalmente para que o aluno seja o protagonista, para que ele tenha um papel de autor do conhecimento e não alguém fica sentado esperando alguém ensinar para ele as coisas.
Claro que a transmissão é importante, como a gente tá vendo aqui, cada nova geração não tem que reinventar a roda, certo? tem conhecimentos que eu, como profissional da área, domino, estou transmitindo para vocês em vídeos de 15 minutos aproximadamente, mas o conhecimento em si vai ser construído por vocês na prática através de ações, como os projetos que vocês desenvolvem, etc. Por isso, de novo, retomo aqui essa ideia das metodologias ativas de aprendizagem, como que elas são uma das chaves pra gente fazer essa mudança na escola.
A chave pro que a gente chama da quarta revolução educacional, é introdução de metodologias ativas, onde o professor tem um papel diferente dentro do processo de ensino e aprendizagem. Aqui, por exemplo, eu vou trazer algumas imagens. Essa é uma é uma sala de aula onde a gente vocês podem observar aqui que não tem um professor em sala de aula, são alunos aqui de uma universidade, tá?
na Dinamarca, onde o professor não está aqui presente, os alunos estão trabalhando em equipe, como vocês muitas vezes fazem nesse curso da Univesp, trabalhando em equipe para poder desenvolver um projeto ou como a gente vai ver agora numa próxima imagem, eh essa aqui é uma imagem da de uma sala na Universidade de Stanford, na Califórnia, onde o professor, olha que beleza, o professor tá aqui, ó, ele tá na tela interagindo ao vivo com os alunos aqui. Como vocês já tiveram essa experiência dentro da Univesp também, eh, onde o professor ele participa da discussão do grupo muitas vezes a distância do escritório dele, pessoa que beleza, aquele professor que às vezes você fala: "Tá conversando demais, você vai lá, pumba, aperta uma tecla, o professor some da sala de aula, certo? Professor chega, deixa de trabalhar agora, você vai lá e aperta a tecla, ele some.
Ou o professor que tá trabalhando em outras coisas, quero ver como tá o desenvolvimento do trabalho do grupo. Eu vou entro e entro na sala de aula de forma virtual com Google Hangouts, com Turf que vocês já conheceram, com várias ferramentas possíveis. interajo com os alunos enquanto eles estão tendo papel ativo aqui de exatamente trabalhar esse esse conhecimento.
Quer dizer, são exemplos que eu tô trazendo para vocês aqui. É um exemplo que que utiliza a tecnologia mediando esse processo, mas ao mesmo tempo eu vou trazer uma imagem aqui de alunos meus, por exemplo, da da Universidade de São Paulo, na USP Leste, que estão desenvolvendo, como vocês estão desenvolvendo, projetos nas escolas públicas. Eles estão, o o espaço de de aprendizagem não está mais dentro da sala de aula das quatro paredes.
Ele acontece principalmente no espaço público, naquele espaço da vida cotidiana, como vocês também estão desenvolvendo nos vários projetos durante esse curso. Quer dizer, essas são mudanças que a gente tá promovendo através do que a gente chama de uma quarta revolução educacional, muitas vezes mediada pela tecnologia, muitas vezes sem tecnologia, mas através de metodolog metodologias ativas, como aprendizagem baseada em problemas e por projetos, que a gente vai ver vários exemplos aqui nessa disciplina, e que o que é importante aqui é romper os muros da escola, como a gente falou, romper os muros do espaço educativo, onde os alunos vão ser autores do conhecimento. eles vão para fora da escola e o professor vai ter um papel de tutorar, de orientar esses alunos na busca do conhecimento que eles estão construindo.
E esse é uma, essa é uma mudança significativa que permite com que a diferença entre alunos, lembrando a ideia da acessibilidade e da e da equidade, ela permeia o processo educativo. Porque a hora que eu dou espaço pros alunos serem protagonistas do processo, eles vão utilizar a sua experiência, o seu conhecimento para poder trazer isso para dentro do currículo, para dentro do projeto da escola e não simplesmente ficar de novo com a escola do século XVI X sentado numa sala de aula ouvindo alguém dizer e depois se reproduzir isso numa prova. Agora eu vou colocar a minha experiência, a meu olhar, a minha visão, por exemplo, num projeto dentro de uma escola pública e trazer isso para dentro do currículo.
O professor vai aprender com esse aluno? Eu aprendo muito com os meus com meus alunos quando eles vão para para fora pro campo e trazem conhecimentos que eu nunca tinha ouvido falar, por exemplo. Então eu, professor, aprendo ao assumir um papel diferente.
E é essa a expectativa que se tem do professor do século XX, desse professor que vai estar trabalhando de forma coerente com o que a gente chama da quarta revolução educativa. Bom, é isso por hoje nessa aula e um abraço a todos e a todas.