Olá, caros alunos! No último vídeo, falávamos sobre Jean-Paul Sartre, o maior expoente do existencialismo na Europa. Hoje, vamos falar um pouco sobre Martin Heidegger, que influenciou muito Sartre em sua filosofia.
Heidegger nasceu na Alemanha em uma família católica tradicional, estudou teologia e filosofia, e foi assistente de Edmund Husserl, sobre quem vamos falar no próximo vídeo. Ele publicou uma obra fundamental chamada "Ser e Tempo". Muitas pessoas viram em seu pensamento uma forma de apoio ao nazismo, mas existe muita polêmica em cima disso, e nós vamos deixar de lado essa polêmica e focar apenas na sua filosofia.
Para Heidegger, o ser humano é sobretudo um ser que existe no mundo, e dispõe de livre arbítrio. Ele pertence ao universo que só adquire significado a partir de sua reflexão. Daí ele vai trazer um conceito muito famoso chamado Dasein, que seria o conceito sobre a essência do ser humano.
Para Heidegger, somos mais do que indivíduos isolados; somos Dasein, uma forma única de ser no mundo. O Dasein é a nossa experiência fundamental de estar lá ou estar aí, imersos na realidade, interagindo com o mundo ao nosso redor. É a nossa existência que dá sentido ao mundo e não ao contrário.
Então, segundo o existencialismo de Heidegger, estar no mundo é a condição definidora do ser humano. Corresponde à primeira intuição que todo indivíduo tem. Nessa medida, a condição humana não pode ser provada por meio de argumentos.
Outro conceito importante em Heidegger é o "ser para a morte", que confronta nossa existência. Heidegger nos desafia a confrontar nossa mortalidade. Para ele, a morte não é apenas o fim da vida, mas a possibilidade mais autêntica do Dasein.
É ao encarar a morte como inevitável que nós nos tornamos verdadeiramente livres para viver de forma autêntica, dando significado às nossas escolhas e ações. Ou seja, a morte é uma maneira de encarar a finitude da vida e buscar uma vida que seja autêntica. A vida será inautêntica ou banal se o ser humano for levado pela conveniência ou pelo conformismo e ficar preso ao passado, ocupando-se de projetos que mais cedo ou mais tarde cessarão.
Será autêntica se o ser humano chamar a si as responsabilidades, projetando-se para o futuro, tomando consciência da possibilidade última e certa de todo ser humano, que é a morte, e se apropriando de sua própria finitude para viver bem a vida. Ou seja, se a vida é uma viagem entre o nascimento e a morte, devemos aproveitar bem essa viagem. Como falamos em morte, também vem o conceito de angústia.
A angústia, para Heidegger, não é apenas um desconforto passageiro, mas sim um estado fundamental da existência humana. É através da angústia que confrontamos nossa própria finitude e a vastidão do ser. É um chamado para reflexão profunda sobre quem somos e qual é o nosso lugar neste mundo.
Por meio da angústia, que traz consigo a experiência do nada, o ser humano toma consciência da sua sujeição constante à morte. Segundo ele, a possibilidade mais própria, não relativa e não superável do homem é a morte. Ela sobrevém ao homem no decurso da sua vida, porque o homem apenas começa a existir já está atirado nessa possibilidade.
É daí que podemos definir ou resumir a filosofia de Heidegger naquele famoso ditado: "viver cada dia como se fosse o último".