[Música] [Aplausos] Olá pessoal eu sou elissa professora de Literatura e no vídeo de hoje nós vamos conhecer um pouquinho mais sobre a biografia da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus mas primeiro inscreva-se no nosso canal e Ative o Sininho para receber as nossas [Música] novidades Carolina Maria de Jesus nasceu em Sacramento interior de Minas Gerais em 14 de Março de 1914 ela cursou até até somente o segundo segundo ano do curso primário Mas isso não foi impeditivo para ela ter um olhar poético para ela alimentar sua curiosidade leitora sua curiosidade com a poesia durante toda
a sua vida boa parte da sua vida ela viveu na na favela do Canindé eh hoje é uma favela instinta que fica ali na região da Marginal Tieté em São Paulo e em dura as condições como uma mulher negra mãe solo com 30 e poucos anos de idade então muito jovem sendo catadora de lixo tendo dificuldades com os vizinhos né como se ela não tivesse lugar mesmo diante de todas essas condições adversas Carolina se tornou uma grande escritora a sua obra mais famosa é quarto de despejo Diário de Uma favelada inclusive aqui no canal nós
temos também um vídeo sobre essa obra mas ela não escreveu somente a obra que foi publicada no ano de 1960 Carolina também produziu poemas produziu romances ela tem outros diários também alguns não chegaram ainda a ser publicados e atualmente tem sido muito pesquisada muito estudada na academia por conta mesmo do seu lugar de autoria o lugar do qual ela fala é um lugar que durante muito tempo a literatura não permitiu que se falasse né num lugar de total marginalização de total despr vestígio né durante muito tempo não houve privilégios ainda não há E aí ela
realmente precisou Ela escrevia despretenciosamente até que um dia ela foi descoberta Eu uso esse descoberta entre aspas porque ela já estava ali né produzindo mas o jornalista audálio Dantas foi fazer uma reportagem sobre a favela do Canindé ele tinha que que produzir publicar alguma coisa sobre isso sobre a situação né o descaso com que aquelas pessoas eram tratadas E aí ele conhece Carolina Maria de Jesus tem acesso aos diários dela e ele acha que é relevante publicá-la Então ela teve que ser autenticada por um Jornalista para conseguir virar público na época a obra virou um
bestseller um dos países que mais leu a a o quarto de despejo da Carolina foram os Estados Unidos essa obra foi traduzida para 16 idiomas diferentes até hoje é uma das obras mais comercializadas dessa escritora mas o que tem ali a além de uma simples narrativa do cotidiano há também ali o retrato de uma autoria que passou por essas dificuldades empíricas por essas dificuldades eh eh biográficas que ela conseguia reconhecer Muito bem outra coisa que ela registra nas obras dela que é muito interessante principalmente nessa obra mais famosa É sobre o seu estado civil ela
não chegou a permanecer casada e observando as vizinhas que às vezes sofriam violência doméstica ou os esposos as traí ela considerava que era melhor ficar solteira melhor ser mãe só do que viver muitas vezes com um homem que a tratasse mal ou que a agredisse fisicamente como artista Carolina Maria de Jesus tem uma escrita nua crua dura brutal Mas por outro lado também há uma suavidade há uma beleza há um lirismo que que doza muito bem todo esse peso Por que que é tão pesado por que que é tão denso porque ela vai trazer a
narrativa de uma realidade muito cruel muito dura que ela mesma vivenciou que ela conheceu muito bem é tão interessante que ela mesmo registra em alguns dos seus diários como ela não tinha lugar se por um lado Ela vivia na favela e não era muito bem Aceita pela Elite Paulista Paulistana por outro lado na favela por ela ser poeta por ser escritora e por ter muito domínio da linguagem os vizinhos achavam que ela era metida que ela era snob que ela era arrogante e não gostavam de se misturar com ela muitas vezes inclusive quando esses vizinhos
arrumavam confusão com ela ela os ameaçava dizendo que se eles não parassem de atormentar e não a deixassem em paz ela ia mencioná-los nos livros que elas que ela estava escrevendo e eles se sentiam expostos com esse tipo de situação então toda uma uma realidade que ela viveu muito bem na pele ela consegue narrar com muita verdade com muita honestidade mas mas também com muita elaboração poética e é até S poderia dizer que a obra de Carolina Maria de Jesus assim como qualquer outra biografia ou autobiografia a gente tem que ficar com um pé atrás
a gente tem que ficar desconfiado não pode acreditar 100% no que tá ali porque nem tudo é 100% confissão às vezes para preencher alguns elementos dos acontecimentos para deixá-los até um pouco mais interessantes ela vai inserir elementos ficcionais ela vai inserir elementos poéticos e esses elementos poéticos a parecem muito bem justamente para dosar para equilibrar com a brutalidade real que ela testemunha o tempo todo É desse modo a escritora Carolina consegue trazer na sua obra a poesia da vida ela consegue registrar a poesia da vida ao lado dos dos acontecimentos mais brutais da vida como
a violência urbana A violência contra a mulher o preconceito social as desigualdades sociais preconceito racial e tudo quanto é tipo de discrimin ação Então se por um lado você ela consegue localizar o poético da Vida em meio a essas agruras por outra ela consegue conduzir também muito bem o leitor por esses caminhos de modo a reconhecer esses lugares e isso tudo com uma linguagem muito específica muito peculiar porque por um lado nós temos uma dicção que aponta muito por uma oralidade por uma coloquialidade a linguagem é muito informal porque em alguns momentos é como se
você ouvisse a autora narrando o dia 14 de Maio o dia 13 de maio na vida dela é como se ela tivesse realmente falando querido diário aconteceu isso isso e isso hoje só que no meio de tudo isso né atravessando tudo isso nós temos por outro lado toda uma erudição toda uma elaboração linguística que aponta não só para um conhecimento da língua portuguesa um conhecimento de vocábulos Em alguns momentos considerados até mesmo rebuscados mas também o conhecimento de autores da literatura brasileira e da literatura estrangeira que são muito relevantes para dialogar com as imagens poéticas
que ela vai criar como o Manuel Bandeira por exemplo ou um Carlos drumon de Andrade então e há muito Há Há muitas dosagens muitas mesclas e muitas ambiguidades nessa obra é entre a biografia e a ficção entre a coloquialidade a oralidade e a erudição entre o brutal e pesado e o poético suave além de quarto de despejo outras obras de Carolina Maria de Jesus que merecem são ser conhecidas são casa de alvenaria inclusive é uma obra que ela publicou depois do resultado da fama e do sucesso que quarto de despejo fez que ela sai da
favela e vai viver ali num bairro do subúrbio e vai contar vai meio que trazer um diário de como é essa outra realidade pedaços de fome que também é uma obra que narra Essa realidade brutal essa crueldade que ela viveu porque havia dias em que ela não tinha nada para comer nem nada de dar de comer aos filhos dias que realmente eram de fome às 24 horas Diário de bitita que é um um diário também e é uma obra que foi publicada postumamente e o Brasil para os brasileiros que também é uma obra póstuma em
que a autora traz novamente essa visão crítica e esse desejo de mudar uma realidade tão dura que o Brasil durante tanto tempo carrega bem gente isso foi um pouco da escritora Carolina Maria de Jesus se vocês gostaram curtam compartilhem com seus amigos com seus colegas com leitores de Carolina ou com pessoas que desejam conhecer um pouco mais sobre essa escritora se quer saber um pouco mais sobre esse tema Não deixe de acessar os links na descrição e também não deixe de nos acompanhar nas redes sociais eu fico por aqui até a próxima [Música] tchau