[Música] Eu me chamo Silvana Oliveira Fênix tenho 54 anos e sou uma sobrevivente da violência [Música] doméstica primeira vez que ele me agrediu que achei que eu fosse morrer ele jogou álcool em mim ele não riscou fogo mas ele jogou álcool em mim depois que ele jogou álcool ele começou a a tentar me enforcar e eu pelo medo eu fiquei eu ficava quieta que eu tinha medo na verdade eu peguei as minhas coisas peguei apenas uma bolsa e Saí eu saí com a roupa do corpo na época para nunca mais voltar e não [Música] voltei
nós estamos firme porque nós somos Sobreviventes e nós estamos aqui para mostrar para todas que nós podemos sim sair de um relacionamento abusivo Eu me chamo Silvana Oliveira Fênix eu sou uma sobrevivente da violência doméstica hoje eu apresento para vocês a Silvana Oliveira Fênix de 54 anos ela foi espancada humilhada desacreditada invalidada e violada por 20 anos 20 anos de trauma e de desespero ela sentiu vergonha e sentiu medo e ela também achou que fosse morrer ela foi tratada como nenhum ser humano nesse universo deve ser tratado com crueldade e com covardia hoje essa m
aquies tover enfada pela violência doméstica e ela tá aqui hoje para ser a voz daquelas que ficaram Ela tá aqui hoje não apenas para representar as mulheres brasileiras mas as mulheres do mundo que acreditam que não tem voz porque nós queremos ter o direito de existir de viver de sermos tratadas com dignidade porque não Somos posse não somos objetos e não somos lixo Silvana nós temos muito orgulho de ter você aqui hoje corajosa e viva abrindo os trabalhos da campanha as 12 mulheres realizado pelo projeto bast a vencedora e sobrevivente Silvana ação amiga vai [Música]
lá [Música] [Música] he [Música] envolvi completamente com ele que ele era extremamente amoroso extremamente carinhoso e tudo que eu não tinha ele tentava fazer para me agradar aonde eu fiquei totalmente envolvida e dependente dos carinhos e o amor dele eu comecei o o meu relacionamento com ele como ele tinha aqueles ciúmes aquele cuidado eu achava até que seria bom porque ah ele tá cuidando de mim Mas de repente ele começou tirar as coisas que eu já gostava começou eh ter diferença da minha roupa ele começou a a falar sobre meu cabelo começou a ter algumas
mudanças e ele começou a a me agredir e uma das primeiras vezes que ele me agrediu ele e me deu um chute aonde eu eu eu estava trabalhando porque ele ficou com ciúmes num uma pessoa que fez uma pergunta de trabalho para mim e e como ele tinha como ele tinha os altos e baixos da mesma forma que ele me batia ele falava que me amava e nessa carência eu acabei deixando que eu pensava assim um dia ele vai mudar em 2006 eu eu descobri que eu estava com câncer e eu fiquei muito mal eu
tive eu eu eu eu fiquei na na dependência mesmo na dependência de alguém e nesse período de 2006 até 2009 ele cuidou muito de mim quando nós vivemos num relacionamento abusivo eh mistura-se o o o amor a dependência e a gratidão e eu acabei misturando tudo isso porque ele realmente cuidou de mim quando Ele olhou nos meus olhos e me empurrou me empurrou na no no no sofá e começou as agressões eu falei assim não agora deu mas ele ter falado para mim e eu não sou eu não sou ruim eu gosto de fazer a
maldade aí eu aí foi o foi o fim aonde eu peguei as minhas coisas peguei apenas uma bolsa e Saí eu saí com a roupa do corpo na época para nunca mais voltar e não voltei se você não contar se você não procurar alguém você pode ser a próxima vítima e e eu falo para todas Existe sim uma nova chance de você ser feliz com o amor próprio porque não é a questão de sair do relacionamento e procurar amor fora não você tem que primeiro ter o seu amor próprio eu mesmo hoje eu estou me
amando eu fiquei com um sentimento primeiro eu gritava porque eu falava assim meu Deus fazer parte de um projeto tão lindo desse e ser a mês de janeiro eu sou uma das mais velhas da das das meninas eu fiquei muito honrada é um projeto audacioso que mostra que nesse calendário cada mês que tiver uma menina vai ter uma história eu falo isso como madrinha do projeto nós não estamos aqui as 12 mulheres falando de dor nós estamos falando que nós superamos a violência [Música] doméstica é fora do comum enquanto eu tava eu estava raspando o
a minha cabeça foi um flashback de quase 20 anos lembrando dele ele ele me beijando Lembrei dele falando que me amava e lembrei dele também ele ele me espancando mas existe uma coisa que toda mulher que tá na superação ela tem que ela tem que ter isso ela tem que colocar uma pedra em cima ela não tem que mudar a a página ela tem que arrancar a página e fazer uma nova história eu me chamo Silvana Oliveira Fênix eu sou uma sobrevivente da violência [Música] [Música] doméstica Teve um dia que ele tava no quarto ia
fazendo almoço arroz na cozinha e de repente ele saiu lá do quarto chegou perto do fogão deu um tapa Fortíssimo no meu rosto e o sangue saiu tão rápido do meu nariz quando eu me dei conta a panela do Arroz estava vermelho não tava com a água do Arroz tava cheia de sangue Demorou uns dois anos pro psiquiatra descobrir que eu tava com depressão e síndrome do pânico eu comecei a tomar os medicamento paraa síndrome do pânico e para depressão eu só lembro da dor de ter deitado e cinco dias depois eu acordei no hospital
achando que eu tava na minha cama o médico me sedou novamente depois de 9 horas que passou o efeito da sedação que eles me contaram que eu tinha tido um infarto e pelo cateterismo detectou que era o segundo que eu tinha tido um anterior dormindo e eu fui passar no cardiologista no Hospital das Clínicas e no Psiquiatra e ele falou eu vou te falar uma coisa você não tem predisposição hereditária para nenhum tipo de doença e nem pro infarto e se você não contar pra psicóloga o que se passa na sua vida pra gente poder
te ajudar você vai ter um próximo e vai morrer e daquele dia que eu saí do hospital eu falei eu não posso morrer meus filhos são pequenos precisa de mim eu acho que ele parou quando eu mudei pra rua que mora minha mãe e meus irmãos que é onde eu tô até hoje lá eu consegui respirar a gente não acha força a autoestima fica muito lá embaixo Mas assim Vocês conseguem e contar pros parentes pros amigos fazer boletins denunciar procurar delegacias da mulher gritar se tiver no meio da rua correr menos ficar ao lado de
um [Música] agressor Como se eu tivesse jogado na Mega Cena e acertado eu tô hiper feliz eh o projeto me acolheu assim com todo o carinho com toda a proteção faltaria palavras para agradecer o projeto porque eu sou assim imensamente grata é uma coisa que eu levarei pro resto da vida no projeto básico chorando Ô T Eu também tô com lágrima no olho ô meu Deus e daí a gente quer passar imagem de forte mas é é é um choro de alegria é um choro que vale a pena é que eu tô votando T é
você sabe quando você conta que você vota lá ai meu Deus mas eu não é de tristeza não é por eu sei ô meu Deus como é que a gente grava chorando Tata meu nome é Maria Soares e o que eu tenho para falar para vocês hoje que sim Existe vida após o abuso [Música] me me sacudiu tomou o celular da minha mão porque eu ia ligar pra polícia porque eles estavam me agredindo ele simplesmente me pegou no meu braço ele sacudiu e berrava comigo e daí ele tomou o celular da minha mão e jogou
né longe isso porque ele falou eu vou embora falei vai pode ir fica à vontade pode ir embora e ele começou a fazer um super escândalo e foi horrível horrível daí depois ele esse dia ele fingiu né ele simulou um ataque começou a estrebuchar no chão ele começou a estrebuchar no chão eh falava que ia morrer que tava eh tendo um ataque não sei qu e me fez E aí tirou Meu foco né de denunciar me fez me fez levá-lo no hospital me fez levar no hospital né E hoje eu sei que não é [Música]
verdade bom ele me estori eu não sabia né me estori ele me manipulou de uma forma que ele conseguisse levar tudo que eu tinha do jeito que ele queria e simplesmente depois conseguiu tudo que ele queria e mais né ele sumiu foi embora a forma como ele me manipulava era sempre falando que ele iria me pagar então eu acreditava né porque assim eu jamais imaginei que uma pessoa pudesse fazer uma coisa dessa eu achei que a pessoa ia ficar lá e realmente me pagar então ele fazia eh ele pedia as coisas ele ia pedindo com
ele ia pedindo meio que induzindo né né ai vamos fazer isso ai vamos fazer aquilo e e eu falava assim para ele e e você vai pagar como você tem dinheiro e aí ele não mas eu vou te pagar eu vou te pagar e isso desde o começo da comecei a fazer isso E aí foi indo assim foi Indo aos poucos e eu achando sempre que ele ia pagar que ele ia pagar ele simplesmente não trabalhava eh O pouco que ele trabalhava ele achava que era muito ele achava que ele tinha direito a tudo que
eu tinha conquistado a todos os anos antes de eu conhecer [Música] ele Procurei no face e achei ela lá né na Gabriela e aí e aí eu falei com ela falei olha queria saber o que que aconteceu com você porque né Eh aconteceu Esso is isso comigo ele me roubou aí ela falou assim que ele era um psicopata que era para eu agradecer que ele tinha saído da minha vida porque podia ter acontecido Algo pior e que ela tinha pena dele mas que tudo o que eu tava contando que eu relatei que ele fez comigo
ele fez com ela só que ela conseguiu recuperar o carro dela né porque porque estava no nome dela só que ele quando ela pegou o carro de volta o carro estava todo depenado eh eu de tudo isso que aconteceu de toda essa esse caos da minha vida assim que eu achava que não ia aguentar mais a coisa que a única coisa que me deu força para continuar porque nem foi a minha família porque até assim quando eu voltei para cas do meu pai meu pai também me esculachava e não entendia não sei a única coisa
que me dava força para continuar era o Suel o meu cachorro porque era era com ele que eu ficava o tempo todo era ele que tava em cima de mim o tempo todo eh eu tava desempregada né eu tinha saído do mercado Então tava desempregada então assim era com ele que eu saía eu ia no parque com ele todo dia só para para eu não enlouquecer né e ele ficava do meu lado o tempo todo Foi por causa dele que eu consegui que bonitinho n tem pessoas prontas para te ajudar tem grupos ess trabalho é
um trabalho que eu eu para isso também para mostrar que existe sim uma saída procure ajuda tem uma saída Sim a gente conseguiu E você também [Música] consegue bom chegou minha vez de falar Eu dirigi as 11 meninas e agora Que Chegou Minha Vez dá uma travadinha básica Mas vamos tentar seguir em frente sem travar muito gaguejar muito difícil difícil porque enfim eu vou ter que resumir em pouco tempo todo o meu sentimento a minha gratidão e a minha alegria por est realizando hoje essa campanha né Eh bom meu nome é thí eu sou fundadora
do projeto bastter fundadora da campanha as 12 mulheres e É uma honra poder trabalhar com essas 11 meninas É uma honra poder contar a história delas né eu sofri 5 anos de violência doméstica onde tinha agressão psicológica agressão física e E aí quando eu eu saí dessa relação e eu descobri que de fato se tratava da da da violência doméstica porque a gente tem uma uma visão meio distorcida do que é a violência doméstica e quando eu saí dessa relação e eu vi a quantidade de pessoas de mulheres que passam por isso eu fiquei com
uma vontade muito grande de poder sair eh e falar pro mundo que isso existia que isso existe que tá do nosso lado e que a quantidade de mulheres que passam por isso é imensa né então a princípio a minha ideia não era criar o projeto ele foi uma consequência de uma página no Facebook que eu criei para falar sobre sobre o tema e depois veio a ideia de fazer o projeto past né que a princípio são os serviços a valor social para as vítimas de relacionamento abusivo E aí no segundo semestre desse ano me veio
a ideia de fazer o calendário né quando a gente fala de violência doméstica a gente fala muito a gente foca muito na questão da tragédia da da quantidade de de de feminicídio que a gente tem que é muito alta e temos que falar sim Temos que falar mesmo desses números e bater mesmo nessa tecla mas a gente também tem que falar que existe a possibilidade de sair que nós conseguiremos reduzir a taxa de feminicídio se a gente trabalhar Unidas para isso então a gente também tem que falar da [Risadas] Esperança então o que eu quero
falar hoje pras meninas pras vítimas de relacionamento abusivo e violência doméstica é que sim dá para sair sim tá a gente quando tá ali a gente acha que não é possível que não vai dar que a gente não tem força mas dá para sair porque todas as 12 desse calendário nunca imaginaram que conseguiriam sair da relação porque é muito difícil é muito trabalhoso porém não é impossível e o nosso trabalho aqui hoje é falar para vocês que não é impossível que dá sim para sair tá Porém você precisa de uma rede de apoio você precisa
ler muito sobre o tema falar muito sobre o tema com as pessoas de confiança tá se você não tem uma rede de apoio dá para achar na Internet nós mesmo do projeto bast temos um grupo de telegram onde as vítimas conversam trocam ideias Se apoiam é fundamental a terapia sem terapia dificilmente você vai conseguir tá e mas em um determinado momento você vai precisar virar uma chavinha você vai vai doer no começo mas um dia de cada vez é possível nós conseguimos Então a gente tem certeza que qualquer mulher também consegue sair tá coragem força
e vamos à luta que ainda tem muito trabalho para se fazer [Música] no começo ele era carinhoso atencioso protetor romântico e fazia planos a gente teve uma filha junto e eu pensei eu passei muito foi muito chado para mim Criar uma filha sozinha eu não queria passar por isso de novo com a com a filha que a gente com a nossa filha na verdade ele deu sinais bem bem no começo né eu que fui demorando a perceber porque eu reclamava e dei pequenas coisas por exemplo minhas vestimentas foi logo no começo tipo que ele falava
que mulher de família ou mulher casada não usava tal roupa que nem eu saía muito com a minha filha mais velha aos finais de semana a gente sempre em algum lugar e aí ele questionava o fato de eu sair sozinha já que ele eu tinha ele eu não tinha que sair sozinha ele como ele é na minha casa ele mexa no computador né ele deixou o e-mail dele aberto e daí com o e-mail dele eu entrei na conta do Facebook no na conta do Badu no e-mail tudo e aí eu descobri que ele se relacionava
com monte de mulher um monte um monte e números aí quando vi lá ele marcando encontro eu com a minha filha recém-nascida com cólica chorando em casa e ele marcando encontro com outra mulher aí eu falava e se eu fizer maiso com você aí ele falou assim aí você se prepar que eu raspo sua cabeça corto sua orelha entendeu porque eu posso não eu não posso te matar mas eu vou te deixar marcada E aí ele veio para cima de mim aí ele quando ele veio para cima de mim a minha filha né já tava
com 12 13 anos e aí ela foi para me defender ele pegou ela e jogou para fora só por ele ter jogado ela no chão Eu já queria ir para cima dele mas ele não deu tempo ele jogou ela pegou ele me jogou no que eu voltei para ir para empurrar ele ele fechou a porta em cima porta de vidro em cima de mim e foi no mesmo momento que eu empurrei rasgou no abço meus braços atravessaram a porta e aí eu lembro esguichou sangue assim na parede eu pensei meu cortou meu braço aí eu
segurei né e eu lembro que eu s assim no chão pensei meu Deus e agora ele não me socorreu entendeu porque o pensamento dele era que se eu fosse se ele me levasse ele ia ser pres em flagrante eu vi minha mãe apanhar do meu pai e eu entendia que sim quem ama bate eu tava ensinando de novo PR minhas filhas e eu falei eu não vou ensinar isso para elas eu não quero elé tá sofrendo agora um dia eu posso ver elas sofrendo Igual a mim então por elas eu vou sair dessa o amor
não machuca quem ama não machuca a gente não pode se culpabilizar mas a gente tem que se responsabilizar Qual é a nossa parte nessa relação por que eu estou com uma pessoa [Música] abusiva o que eu tenho para falar é que nós nascemos Livres nós nascemos Livres já saímos pro mundo a gente sai para viver a gente só depende durante pequenininho para aprender a se cuidar até se cuidar sozinho depois a gente sabe se virar sozinho e é só a gente [Música] acreditar nós nos encontramos na festa do filho de uma amiga muito educado muito
carinhoso muito falante e os outros encontros passaram a ser praticamente diários e ele sempre muito carinhoso muito educado muito gentil muito cativante essa que é a verdade e a primeira vez que eu me dei conta que tinha alguma coisa errada foi quando eu fui fazer um treinamento e ele não foi me buscar nesse treinamento e quando eu cheguei em casa ele brigou muito comigo muito arrumou uma confusão do nada e eu comecei a me questionar o que estava acontecendo Eu ainda não entendia o que estava acontecendo mas foi ali que eu me deu uma coisinha
atrás da orelha assim alguma coisa tá errada e se eu saía com a minha filha ele queria que eu voltasse logo porque se eu estivesse fora eu não estava cuidando dele que eu não era uma mulher bacana como ele achou que eu era que que ainda bem que ele descobriu antes que por que os meus ex-maridos não ficaram comigo porque eu realmente não era uma boa pessoa e assim por diante eram sempre comentários nesse nível o momento mais marcante da relação para mim foi quando terminou na agressão física e o motivo da briga foi por
causa da ex-mulher dele ele sempre colocava a ex-mulher no relacionamento o tempo inteiro e foi uma conversa que começou tranquila e acabou virando uma briga muito grande e ele me pegou me sacudiu pelo rosto me deu um tapa e me jogou na cama isso foi muito traumático para mim ele eu só consegui que ele fosse embora depois do falecimento da minha mãe que aí eu chamei alguns amigos para ficar em casa que ele havia me isolado de todo mundo então voltei com os amigos pedi mesmo socorro e nesse momento ele foi embora no dia que
eu fui pegar meu carro que foi quando ele Chutou o carro ele me ameaçou dizendo que eu teria que mudar de cidade ele falou as palavras foram exatamente assim você sabe né que você vai ter que mudar de cidade porque que eu vou te pegar e ele só parou de falar porque eu falei que eu estava gravando mas eu não estava foi um medo muito grande e eu queria que ele [Música] parasse vocês vão sim vocês vão conseguir vocês tem uma força dentro de vocês que vocês não acreditam e não conhecem vão conseguir sim persevere
faça terapia e essa força aparece e você consegue [Música] a importância de eu estar no calendário é algo assim que eu nunca imaginei eu encontrei na página do projeto bast o apoio que eu não tinha e não tive de ninguém não porque eles não queriam mas porque eles não sabiam eu não falava então comecei a procurar hoje eu sinto que esse projeto é importantíssimo pra gente falar tem que ser falado muito o calendário das 12 mulheres me dá a sensação assim eu posso eu Eu Venci e assim estou feliz cada vez mais feliz e tenho
força com isso quando eu estou junta com as meninas quando eu estou na página quando eu estou conversando eu sinto essa força que eu realmente vou conseguir sair disso após TRS meses que a gente estava junto eu engravidei E aí ele começou a mostrar um pouquinho as caras sabe mas eh tudo começou com ofensas e a princípio assim bobas que para mim Eu até achava Ah não Ach que exagero da minha parte mas começava com falando que eu não não era capaz de cuidar de um bicho que eu era inútil e soube logo na sequência
uma traição e aí ele alegando que ele tinha que ter esse esse essa despedida eh com essa ex dele e isso eu já estava grávida eh se negava a a me ajudar na gestação sabe me forçava o serviço braçal no sítio que a gente morava [Música] eh por algumas vezes me forçou ao sexo no dia mesmo dessa traição quando eu descobriu ele ele me obrigou ao sexo depois que a nossa primeira filha nasceu eh ele ficou bom digamos assim um Uns poucos meses mas aí a gente mudou de casa e só ele voltou ao que
era e até pior eh porque eu tinha que ainda cuidar de tudo de uma filha e ele não se dava por satisfeito e e continuava as ofensas de eh eu sou inútil desgraçada eh que eu não servvo para nada eh vinha saber há 2 anos e a minha filha guardou isso por 2 anos ou seja já fazem 4 anos isso mas eu só soube a dois que ele passou a mão na bunda da minha filha mais velha que na época tinha 13 anos hoje ela tem 17 e ele nega ele fica extremamente nervoso quando eu
falo sobre isso então eu acho que esse nervosismo dele já é uma entrega né do que aconteceu Ele chegou a dizer uma vez a nossa filha tinha do anos quase 3 anos por aí que a nossa filha Maria Clara iria se prostituir porque eu a estava educando eu comecei né um tratamento com o psicólogo psiquiatra quer dizer mantive o meu tratamento com o psiquiatra e comecei a fazer terapia AC cultura na minha gestação quase toda para eu tentar um equilíbrio né e assim depois que a nossa filha nasceu a Elisa eh eu me senti mais
forte ainda sabe muito determinada a não voltar por mais que ele chorasse porque ele chegou a chorar pedindo pra gente voltar tá dizendo da nossa família porque é isso que eles fazem né então assim eu realmente passei a cuidar de mim do meu emocional do do meu psicológico mesmo sabe tentar achando tentar achar esse equilíbrio eh E focar nas minhas filhas uma vez que eu ainda não conseguia ter um foco para mim né então o meu foco principal era eu não quero que as minhas filhas vivenciem isso para que num futuro elas aceitem isso [Música]
sabe e o recado que eu passo para vocês mulheres é se olhem olhem para dentro de vocês e busque o antes o agora e imagine o seu depois dentro no relacionamento imagine o seu futuro como que vai ser e fora dele como que vai serer vai ser mais colorido Olhe PR você se vista para você sorria PR você olhe para dentro de você com amor [Música] sabe eu tava numa maré de mais notícias e de repente me apareceu aquele homem maravilhoso né é um príncipe me tratando como uma rainha me dando joias me dando presentes
e dizendo quanto eu era maravilhosa e E aí você confia né você confia tanto que você passa a partilhar todos os seus segredos com aquela pessoa né todas as suas fragilidades eh todos os seus problemas todas as suas dificuldades e E aí até que ele começa sem que você perceba ele começa a usar essas fragilidades contra você né Eh primeiro como uma forma de proteção né então ele começa a te afastar das pessoas que ele acha que são tóxicas eh e e isso você eh ele vai criando na eh um um ambiente onde só existe
ele né e e isso no início você se sente fortalecida porque Ah é uma pessoa que eu posso contar e tá aqui para para para mim por mim Mas de repente você olha em volta e você não vê mais ninguém uma primeira agressão fui eu que fiz comigo foi foi quando eu permiti que ele ditasse a minha forma de me vestir a minha forma de me falar de falar a minha forma de me relacionar com as pessoas Essa foi a primeira agressão eh depois começaram as agressões verbais de fato tá eh então ele pegou Todas
aquelas aquelas histórias do início Todas aquelas fragilidades que eu tinha é todas as inseguranças que eu tinha e começou a expor aquilo tá E e aí a coisa vai ficando mais baixa né Eh de incompetente você passa a ser vulgar você passa a ser eh piranha você passa a né se você não tá olhando para ele no metrô você tá dando em cima de alguém então e você é uma vagabunda e essas discussões elas param de ser só dentro da sua casa Elas começam a ser na rua Elas começam a te expor cada vez mais
e durante uma discussão você leva um empurrão e cai e e a culpa é sua porque você se colocou na frente e você leva um tapa e mas a culpa é sua porque você provocou aquilo o meu impulso foi quando eu vi que a minha vida estava passando diante dos meus olhos e que aquela pessoa estava prestes a realmente me matar né porque a a última agressão ele realmente tentou Me sufocar e e fechou o o punho para bater no meu rosto e no momento que eu ouvi aquilo e eu vi né eu acordei e
eu percebi que aquilo ali não era normal né que eu não poderia est ouvindo aquilo do meu marido n do do cara que eu achava que era o amor da minha vida se no seu coração tem alguma coisa errada provavelmente aquilo está errado não deveria estar acontecendo Então Observe o que você tá sentindo naquele momento eh a importância do calendário para mim é é justamente mostrar que existe vida depois do do abuso depois da violência eu já não queria me arrumar porque eu já não conseguia ver beleza em mim Eh eu eu não achava que
eu merecia ser vista por outras pessoas eu não merecia outros relacionamentos Então você se coloca nessa situação enquanto você é convidada a a tirar fotos a mostrar a mulher que você é e quando você olha as fotos e e você vê ainda que que existe uma pessoa ali pessoa bonita uma pessoa que sorri uma pessoa que tem alegria nos olhos é aí que você começa a se reconectar com você né é a arte te trazendo de volta Então para mim o calendário é isso tá é é o grande recado do projeto grande recado do calendário
é Existe vida tá a gente pode sair e Estamos todos aqui para ajudar [Música] vocês bom Eh o meu ex na verdade ao contrário do que todas as outras vítimas relatam creio eu e ele sempre se mostrou ser um cara muito grosseiro desde o início Mas como eu morava em outro país eu achava que eu não tava mais habituada Ao jeito brasileiro e tal eu de certa forma achei que que fosse normal ou que eventualmente ele estivesse passando por algum problema na altura ente até tava o pai dele morreu acabou morrendo tava doente então ele
nunca foi exatamente um príncipe encantado eu é que não fiquei atenta aos sinais bom as piores coisas que ele fez comigo e ele me puxava Isso é o que me marcou mais ele me puxava é pela casa inteira pelo cabelo ele arrancava né tufos de cabelo meu batia com a minha cabeça na parede e eu acho que pior de tudo mesmo foi me agredi grávida com socos pontapés tapas enfim primeiro eu achei que depois que eu ficasse grávida Jamais isso aconteceria tanto que quando aconteceu eu fiquei chocada fiquei em choque mesmo quando o bebê nasceu
ele chegou a me agredir algumas vezes com a criança no colo também eh e foi bem bem complicado e para vocês que estão passando por uma relação de violência doméstica e não tem força para sair se eventualmente for o parceiro de vocês a sair de casa eh inicialmente vai parecer uma Tormenta um pesadelo porque é muito difícil viver com a falta deles mas uma coisa é certa foi um livramento então depois de uns anos como hoje eu estou aqui depois de 6 7 anos eu só tenho agradecer Ainda bem que ele saiu de casa bom
eu me sentia muito culpada eh por duas razões primeiro eu sentia que algumas coisas que aconteciam entre a gente que a culpa era minha Porque eu deveria ser mais compreensiva eu deveria ser mais paciente enfim eh é mas ao mesmo tempo e vinha um um lampejo de de de Lucidez e eu percebia que não que eu era vítima só que eu me sentia culpada por não conseguir sair [Música] dali eu acho que fazer parte desse calendário é É sim uma um Manifesto assim a superação mas é Principalmente um ato de coragem porque a gente aguentou
tanto tempo calada né a gente ficou com tanto medo de denunciar e hoje é como se fosse um grito de libertação a gente poder assumir a nossa história sem vergonha e ao mesmo tempo mostrando para todo mundo que a gente conseguiu superar sem medo de nada sem medo inclusive do do passado quando a gente se envolve com o agressor a gente perde a nossa alma a gente perde a nossa autoestima a gente perde a nossa a nosso brilho então eu acredito que para todas nós seja um momento de reencontro e de reconexão com a nossa
essência e a nossa essência não admite sofrer a nossa essência não admite ser subestimada ser colocada para baixo então acredito que todas nós estamos vivendo um momento muito importante de vida e fazer parte desse calendário é chancelar esse [Música] momento [Música] fiquei com ele em torno de 28 anos ele bebia né e ele era machista ele era aquela aquele homem que para ele mulher não não tinha Tinha que trabalhar a mulher tinha que ficar dentro de casa e foi um relacionamento assim a fantasia eu fantasiava um casamento eu fantasiava uma família e ele sempre ele
me mostrava todos os indícios que ele era sozinho que ele não tinha ninguém na vida até porque ele era filho adotivo e eu sempre falava Ah mas você tem uma família ah eu não tenho ninguém então assim ele sempre dava indí isso ele mostrava que não família mas eu queria né ter aquela família aquela coisa toda e eu fui levando né até porque tive uma filha então eu achava que a minha filha tinha que ter a presença de um pai né e eu tinha aquele Tabu de ter vergonha de separação ter vergonha de ser uma
mulher mãe solteira com 17 anos então eu resolvi levar então teve algumas vezes não vou dizer que todas as vezes né teve a agressão física psicológica mas ele aos poucos ele foi me afastando da minha família ele xingava minha mãe ele falava que ninguém eh que eu não precisava de ninguém que só ele era né era a única pessoa que eu só precisava dele e aí veio a bebida né ele ele bebia e cada vez mais ficava bebbia me fazia passar vergonha para ele eu era vagabunda isso foi o que mais mexeu com o meu
psicológico porque ele vivia falando que eu tinha machos eu cheguei a sair de um emprego por causa disso porque é uma era uma época que eu trabalhava do lado da empresa dele e ele fala falava que eu ficava com um e ficava com outro e isso aí foi me machucando me machucando E aí teve também algumas alguns Episódios de agressão física que quando ele chegava um pouco alterado né e eu ia falar qualquer coisa ele partia para cima ele ficava meio nervoso socava a parede fazia que i a jogar já chegou a jogar panela né
no chão jogar prato né Eh fazia com que ia me me dar murro pegar já chegou a pegar nos meus cabelos né E sempre com as palavras você não presta você é uma inútil Você é burra Você jumenta até hoje isso fica na minha cabeça e o abuso pior até hoje que me machuca muito foi que eu sempre tive vontade de ter outro filho e eu cheguei uma vez para ele e falei se a gente tiver um filho homem e ele falou Se nascer branco é meu filho se nascer preto não é imagine eu branco
desse jeito andar com um macaco no colo isso me machucou muito e eu cheguei a tomar pílulas ao mesmo tempo usava o Dil e ao mesmo tempo fazia duchinha vaginal para não engravidar e isso foram [Música] anos e aí no final de 2016 e eu descobri que eu estava com depressão e estava com ansiedade assim altíssima E aí eu comecei a fazer tratamento com psicólogo E aí eu contando todos os fatos que que surgiam na minha vida E aí ela foi fazendo com que eu entendesse que realmente eu estava num relacionamento abusivo Porque até então
eu não achava que não achava que era o jeito dele que a culpa era minha né E aí tinha aquela coisa da família né de falar que é uma cruz é uma cruz que você tem que carregar ele é desse jeito você se você demonstrar amor ele vai mudar e nisso eu fui me reprimindo fui me reprimindo não tenha vergonha por muitos anos eu tive vergonha do que as pessoas iam pensar de mim do que as pessoas iam falar porque eu me separei não vou dizer que foi fácil não é fácil mas é muito importante
que você tenha apoio psicológico que você acredita que você não é essa pessoa que a pessoa fez você achar que é que você tenha pessoas para conversar ponha isso para fora eh eu tenho eu dou graças a Deus porque eu tive pessoas que me apoiaram que me escutaram eu tive psicóloga eu fui procurar ajuda eu olhei para mim e falei não eu não quero isso eu não sou isso então eu fui procurar ajuda e isso me fortaleceu não vou dizer que da noite pro dia você já vai conseguir se libertar De tudo não mas de
grão em grão você [Música] consegue [Música] C [Música] [Música] [Música] [Música]