Áudio livro O que é lugar de fala por de Jamila Ribeiro e o risco que Assumimos aqui é o do ato de falar com todas as implicações Exatamente porque temos sido falados infantilizados em fãs é aquele que não tem fala própria é a criança que se fala na terceira pessoa porque falada pelos adultos que neste trabalho Assumimos nossa própria fala ou seja o lixo vai falar e numa boa daí ele é González Racismo e sexismo na cultura brasileira apresentação o objetivo da coleção feminismos plurais é trazer para o grande público questões importantes referentes aos mais
diversos feminismos de forma didática e acessível por essa razão o grupo editorial letramento através dos selo justificando com a minha organização Uma vez que sou mestre em filosofia e feminista idealizamos algo imprescindível Quando pensamos em Produções intelectuais de Grupos historicamente marginalizados esses grupos como sujeitos políticos escolhemos começar com o feminismo Negro para explicitar os principais conceitos e definitivamente romper com a ideia de que não se está discutindo projetos ainda é muito comum se dizer que o feminismo negro traz cisões ou separações quando é justamente o contrário ao nomear as opressões de raça classe e gênero
entende-se a necessidade de não hierarquizar opressões de não Criar Como diz Ângela Davis em mulheres negras na construção de uma nova Utopia primazia de uma opressão em relação a outras pensar em feminismo negro é justamente romper com a cisão criada numa sociedade desigual logo é pensar projetos novos Marcos civilizatórios para que pensemos em um novo modelo de sociedade fora isso é também divulgar a produção intelectual mulheres negras colocando-os na condição de sujeitos e seres ativos que historicamente vem Pensando em resistências e resistências entendendo a linguagem como mecanismo de manutenção de poder um dos objetivos da
coleção é o compromisso com uma linguagem didática atentas a um léxico que dê conta de pensar nossas Produções e articulações políticas de um modo que seja acessível como nos ensina muitas feministas negros isso de modo algum é ser palatável pois as produções de feministas negras ou nenhuma preocupação que vincula a sofisticação intelectual Com a prática política não é sem fundamento ou sorte começarmos com o título O que é lugar de fala mas a razão é que vimos a necessidade de contribuir para um debate mais saudável honesto e com qualidade acreditamos que discussões estéreis e dicotomias
vazias que se balizam por abre aspas é um conceito importante ou não é fecha aspas tentam encerrar uma teoria em opiniões ou inversões lógicas e o mais importante a tentativa de Deslegitimação da produção intelectual de mulheres negras e ou latinas ou que propõe a descolonização do pensamento o propósito aqui não é impor uma epistemologia de verdade mas de contribuir para o debate e mostrar diferentes perspectivas o livro será vendido a um preço acessível pois nosso objetivo é contribuir para disseminação dessas Produções para além desse título vamos abordar temas como encarceramento racismo estrutural branquitude le Mulheres
indígenas e caribenhas transexualidade afetividade interseccionalidade empoderamento masculinidades é importante pontuar que essa coloração é organizada e escrita por mulheres negras e indígenas e homens negros de regiões diversas do país mostrando a importância de pautarmos como sujeitos as questões que são essenciais para o rompimento da narrativa dominante e não sermos tão Somente capítulos incompenhos que ainda pensam a questão racial como recorte grada quilomba em panteions Memories episódios of every diz esse livro pode ser concebido como um modo de tornar-se um sujeito porque nesses escritos eu procuro trazer à tona a realidade do racismo diário por mulheres
negras baseado em suas subjetividades e próprias percepções quilomba 2012 página 12 sem termos a Audácia de nos compararmos com o empreendimento de Quilombo é o que também pretendemos com essa coleção Aqui estamos falando em nosso nome um pouco de história antes de chegarmos ao que se entende sobre o conceito de lugar de fala propriamente dito é importante falarmos dos percursos intelectual e de luta de mulheres negras durante a história a escolha por soja né Cruz não é aleatória ao contrário serve para nos mostrar que Desde muito tempo as mulheres negras vêm lutando para serem sujeitos
políticos e produzindo discursos contra hegemônicos nascido em um cativeiro em Esporte que em Nova York Isabela banfree decidiu adotar o nome de sua genertrudes a partir de 1843 e tornou-se abolicionista afro-americana escritora e ativista dos direitos da mulher em decorrência de suas causas em 1851 participou da convenção dos direitos da mulher na cidade de Em Ohio nos Estados Unidos onde apresentou seu discurso mais conhecido denominado eu não sou uma mulher tal discurso feito de improviso foi registrado por Francis gases feminista e uma das autoras do grande compêndio de materiais sobre a primeira onda feminista denominado
de History porém a primeira versão registrada foi feita por Marcos Robinson na edição de 21 de julho de 1851 no dia antes Levy bem minha gente quando existe tamanho Algazarra é que alguma coisa deve estar fora de ordem penso que exprimidos entre os negros do Sul e as mulheres do Norte todos eles falando sobre direitos os homens brancos muito em breve ficaram em Apuros mas em torno de que é toda essa falação aquele homem ali diz que é preciso ajudar as mulheres a subir numa carruagem é preciso carregar Elas quando atravessam um lamaçal e elas
devem ocupar sempre os melhores lugares nunca ninguém me ajuda a subir numa carruagem A passar por cima da Lama ou me segue o melhor lugar eu não sou uma mulher olhem para mim olhem para o meu braço eu capinei Eu Plantei juntei palha no celeiros e homem nenhum conseguiu me superar eu não sou uma mulher eu consegui trabalhar e comer tanto quanto homem quando tinham que comer e também aguentei este cotadas eu não sou uma mulher parir cinco filhos e a maioria deles foi vendida como escravos quando manifestei Minha dor de mãe ninguém a não
ser Jesus me ouviu e não sou uma mulher e daí eles falam sobre aquela coisa que tem na cabeça como é mesmo que chamam uma pessoa da plateia intelecto isso aí meu bem o que é que isso tem a ver com os direitos das mulheres ou os direitos dos negros se minha caneca não está cheia nem pela metade e se sua Caneca está quase toda cheia não seria mesquinho de sua parte não completar minha medida então aquele Homenzinho vestido de preto diz que as mulheres não podem ter tantos direitos quanto os homens porque Cristo não
era mulher mas de onde é que vem seu Cristo de onde foi que Cristo veio de Deus e de uma mulher o homem não teve nada a ver com ele se a primeira mulher que Deus criou foi suficientemente forte para sozinha virar o mundo de cabeça para baixo então todas as mulheres juntas conseguiram mudar a situação e por novamente o mundo de cabeça para cima e Agora elas estão pedindo para fazer isso é melhor que os homens não se metam obrigada por me ouvir e agora a velha sua joané não tem muito mais coisas para
dizer esse discurso de truss ainda no século 19 já evidencia um grande dilema que o feminismo hegemônico viria enfrentar a universalização da categoria mulher esse debate de se perceber as várias possibilidades de ser mulher ou seja do feminismo abdicar da estrutura Universal ao se falar de mulheres e Levar em conta as outras intersecções como raça orientação sexual identidade de gênero foi atribuído mais fortemente a terceira onda do feminismo sendo Judith um dos grandes nomes entretanto o que percebemos com discurso de truss e quais histórias e resistências e produções de mulheres negras desde antes o período
escravocrata e consequentemente com a produção e atuação de feministas negras é que esse debate já vinha sendo feito o Problema então seria sua falta de visibilidade essa discussão já vem sendo feita desde a primeira onda como nos mostra trufa assim como na segunda onda Como podemos ver nas obras de feministas negras como Bel roux audre Lorde entre outras apesar de ambas não serem caracterizadas por esse tipo de reivindicação pela perspectiva dominante Giovanna Xavier professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e organizadora do grupo de estudos e Catálogo intelectuais negras visíveis reivindica a prática feminista
como sendo negra em seu artigo denominado feminismo direitos autorais de uma prática linda e preta ela afirma dois pontos nesse diálogo que também se refere a protagonismo capacidade de escuta e lugar de fala façamos as perguntas que histórias não são contadas quem no Brasil e no mundo são as pioneiras na autoria de projetos e na condução de experiências em nome da Igualdade e da Liberdade De quem é a voz que foi reprimida para que a história única do feminismo virá se verdade na partilha desigual do nome e de como os direitos autorais ficam com as
mulheres negras as grandes pioneiras na autoria de práticas feministas desde antes da travessia do Atlântico como herdeiras desse patrimônio ancestral temos em mãos o compromisso de conferir visibilidade as histórias de glória e criatividade que carregamos esse turning Point das nossas narrativas relaciona-se com a principal pauta do feminismo negro o ato de restituir uma unidades negadas Truta já em 1851 desafiava modo pelo qual as representações do feminismo estavam sendo concebidas e na prática tentava restituir uma unidades negadas para citar Giovana Xavier também escreveu poemas em trechos de um desses intitulado ou no Human dress Point Quando
vi mulheres no palco na convenção pelo sufrágio da mulher no outro dia eu pensei que tipo de reformistas São vocês com asas de ganso em vossas cabeças como se tivessem indo voar vestida de forma tão ridícula falando de reforma e dos direitos das mulheres é melhor vocês mesmo as reformarem a si mesmas em primeiro lugar mas sua jornais é um velho corpo e em breve vai sair deste mundo em outra e vai dizer quando ela chegar lá Senhor eu fiz o meu dever e eu Disse toda a verdade ela não guardou nada alcaçoar do Chapéu
com penas de ganso trouxe enfatizava que se tratava de mulheres de classe social privilegiada portanto as que estavam na linha da frente do movimento pelo sufrágio feminino julgo interessante quando a poeta diz é melhor você se reformarem a si mesmas em primeiro lugar porque essa estrofe aponta para uma possível cegueira dessas Mulheres em relação as mulheres negras No que diz respeito a perpetuação do racismo e como naquele momento Esse fato não era considerado relevante como pauta feminista por elas interessava ali a conquista de direitos para um grupo específico de mulheres o que se perpetuou durante
muito tempo mesmo quando mulheres negras começaram a escrever sobre a invisibilidade da mulher negra como categoria política e a denunciar esse apagamento o que a voz de Sua Joana traz além de inquietações e necessidade de existir é evidenciar que as vozes esquecidas pelo feminismo hegemônico já falavam há muito tempo a questão a ser formulada é demoraram tanto a serem ouvidas a voz da ativista não traz somente uma disfonia em relação a história dominante do feminismo mas também a urgência por existir e a importância de evidenciar que mulheres negras historicamente estavam produzindo insurgências contra o Modelo
dominante e promovendo disputas de narrativas nesse sentido pensar a partir de novas premissas é necessário para se desestabilizar verdades a Pensador e feminista Negra lélia González nos dá uma perspectiva muito interessante sobre esse tema porque criticava a hierarquização dos saberes como o produto da classificação racial da população ou seja reconhecendo a equação quem possui o privilégio social possui o privilégio epistêmico uma vez Que o modelo utilizado e universal de ciência é branco a consequência dessa hierarquização legitimou como superior a explicação epistemológica eurocêntrica conferindo ao pensamento moderno ocidental a exclusividade do que seria conhecimento válido estruturando
como dominante e assim inviabilizando outras experiências do conhecimento segundo a autora o racismo se constituiu como a ciência da superioridade Euro Cristã branca e patriarcal essa reflexão de Lélia Gonzales nos dá uma pista sobre quem pode falar ou não quais vozes são legitimadas e quais não são leve Gonzales também refletiu sobre a ausência de mulheres negras e indígenas no feminismo hegemônico e criticou essa insistência das intelectuais e ativistas e somente reproduzir em humanismo europeu sem dar a devida importância sobre a realidade dessas mulheres em países colonizados a feminista Negra reconhecia a importância do feminismo Como
teoria e prática no combate às desigualdades no enfrentamento ao capitalismo patriarcal e desenvolvendo buscas de novas formas de ser mulher entretanto Gonzales afirmava que somente basear as análises no capitalismo patriarcal não dava conta de responder as situações de mulheres negras e indígenas na América Latina Pois para a autora faltava incluir outro tipo de discriminação tão grave quanto as outras citadas a opressão de caráter racial com Os Aliens evidenciou as diferentes trajetórias e estratégias de resistências dessas mulheres e defender um feminismo afro latino-americano colocando em evidência O Legado de luta a partilha de caminhos de enfrentamento
ao racismo e sexismo já percorridos assim mais do que compartilhar experiências baseadas na escravidão racismo e colonialismo essas mulheres partilham processos de resistências a pensadora também Confrontou o paradigma dominante e em muitos dos seus textos utilizou uma linguagem sem obediência às regras da gramática normativa dando visibilidade ao legado linguístico de povos que foram escravizados os trabalhos e as obras de Gonzales também tem como proposta a descolonização do conhecimento e a refutação de uma neutralidade epistemológica importante ressaltar o quanto é fundamental para muitas feministas negras e latinas A reflexão De como a linguagem dominante pode ser
como forma de manutenção de poder uma vez que exclui indivíduos que foram apartados das oportunidades de um sistema educacional justo a linguagem a depender da forma como é utilizada pode ser uma barreira ao entendimento e criar mais espaços de poder em vez de compartilhamento além de ser um entre tantos outros impeditivo para o uma educação transgressora Gonzales refletiu sobre o modo pelo qual As pessoas que falam errado dentro do que entendemos por nova curta eram tratadas com desdém e condescendência e no meu como português a valorização da linguagem falada pelos povos negros africanos escravizados no
Brasil é engraçado como eles sociedade branca e Letícia gozam a gente quando a gente diz que é Flamengo chamam a gente de ignorante dizendo que a gente fala errado e de repente ignoram que a presença desse R no lugar do nada é mais Do que a marca linguística de um idioma africano no qual o inexiste Afinal quem é o ignorante ao mesmo tempo acham o maior barato a fala dita brasileira que corta os erres dos finitos verbais que condensa você em ser o está em tá E por aí fora não sacam que tão falando português
Gonzales de 1984 página 238 Léia Gonzales provoca e desestabiliza a epistemologia dominante assim como a linda alcove em uma epistemologia para a Próxima revolução a filosofa em posição de uma epistemologia Universal que desconsidera o saber de parteiras povos originários a prática médica de povos colonizados a escrita de si na primeira pessoa e que se constitui como legítima e com autoridade para protocolar o domínio do regime discursivo analisando como é realístico acreditar que uma simples epistemologia mestre possa julgar todo tipo de conhecimento originado de Diversas localizações culturais e sociais as reivindicações de conhecimento Universal sobre o
Saber precisam no mínimo de uma profunda reflexão sobre sua localização cultural e social alcool 2016 página 131 ao Coffee reflete sobre a necessidade de se pensar outros saberes pensando num contexto brasileiro o saber das mulheres de terreiro das hialorixás e babalorixás das mulheres do movimento por luta por creches Lideranças comunitárias irmandades negras movimentos sociais outras cosmogonia a partir de referências provenientes de religiões de natureza africanos outros geografias de razão saberes seria preciso então desestabilizar e transcender a autorização discursiva branca masculina Cis e heteronormativa e debater como as identidades foram construídas nesses contextos intelectuais negras bellux
fala sobre o Quantas mulheres negras foram construídas ligadas Ao corpo e não ao pensar em um contexto racista a pensadora afirma que a combinação entre racismo e sexismo implica em sermos vistas como intrusas por pessoas de mentalidade Estreita para além disso a própria conceituação ocidental branca do que seria uma intelectual faz com que esse caminho se retorne mais difícil para mulheres negras ultrapassando essa Fronteira Bel Hulk se Define como uma intelec aquela que une pensamento à prática para entender sua realidade concreta pensamento e prática que são realidades dicotômicas ao contrário são dialéticas conversam entre si
é muito comum feministas negras como Bel hookes serem chamadas de identidades assim como vemos no debate virtual pessoas dizerem coisas como os movimentos identitários não discutem questão de classe violentos e identitários E por aí vai pessoas que se Consideram progressistas se utilizando desse tipo de crítica para pessoas ligadas a movimentos negros feministas lgbtqia+ certo A autora que vos escreve conhece bem essa realidade linda ao Coffee novamente nos proveu uma reflexão muito interessante sobre isso a filósofa panamenha chama atenção para o fato de que para descolonizarmos o conhecimento precisamos nos aterrar a identidade social não somente
para evidenciar como O projeto de colonização tem criado essas identidades mas para mostrar como certas identidades têm sido historicamente silenciadas e desautorizadas no sentido epistêmico ao passo que outras são fortalecidas seguindo nesse pensamento um projeto de descolonização epistemológica necessariamente precisaria pensar a importância epistêmica da identidade pois reflete o fato de que experiências em localizações são distintas e a Localização é importante para o conhecimento nossos argumentos poderão receber críticas de que mais uma vez estamos voltando à política identitária que somos metafisicamente não sofisticados e politicamente retrógrados uma crítica que também tem sido brandida da Metrópole para
as periferias da academia Global A Crítica da política identitária tem mantido muitos escravos da acusação de Um essencialismo político grosseiro e de falta de sofisticação teórica acredito que a inclinação antidentidade tão prevalente na teoria social hoje é outro obstáculo para o projeto de de colonização do conhecimento uma vez que isso debilita a nossa habilidade de articular o que está errado com a hegemonia teórica Norte Global Além disso muitas pessoas envolvidas em movimentos sociais por Justiça tem aceitado a ideia de que política Identitária é algo diverso da luta de classes movimentos políticos baseados na identidade são
por definição inclusive em termos de classe porém mais do que isso são vistos como secretários de uma agenda baseada em classes como identidades propensas ao feticismo que apresenta identidades de um modo essencialista e a histórico obscurecendo o fato de as identidades serem produtos históricos e capazes de Mudanças dinâmicas tá as críticas a identidade são feitas pela direita pelos liberais pela esquerda todos unidos na argumentação de que a política identitária fratura o corpo político Isto é enfatiza doenças as custas das como analidades e que seu foco sobre identidades só oferece uma política reducionista que reduziria ou
substituiria uma avaliação de uma visão política da pessoa por uma avaliação de sua identidade Teóricos esquerdistas importantes como os Esec ebadiou tem recentemente se juntado à aqueles que acreditam que ao se propor a revolução social genuína uma organização política baseada nas identidades deve ser minimizada o problema que os teóricos esquerdistas apresentam em relação à política identitária entretanto não é somente em relação ao processo de como realizaremos a Revolução mas também sobre aquilo pelo que lutamos alguns imaginam que novas Comunidades idealizadas muito menos ênfase étnicas e raciais diferenças que vêm como resultantes inteiramente ou quase inteiramente
de estruturas de opressão tais como o escravismo e o colonialismo o colonialismo cria e Rei fica identidades como um meio de administrar povos e estabelecer hierarquias entre eles por isso muitos acreditam que devemos postular como objetivo um futuro no qual as identidades criadas pelo Colonialismo possam disso ao Coffee 2016 página 137 ao Coffee faz uma reflexão rica e sofisticada de como é preciso perceber como colonialismo Rei fica as identidades e como não é possível fazer um debate amplo sobre um projeto de sociedade sem enfrentar o modo pelo qual certas identidades são criadas dentro da lógica
colonial acusar-nos de afeccionados por políticas e identitárias é um argumento falacioso isso é quando se quer como dado aquilo Que se deseja provar pois o objetivo principal ao confrontarmos a norma não é meramente falar de identidades mas desvelar o uso que as instituições fazem das identidades para oprimir ou privilegiar o que se quer com esse debate fundamentalmente é entender como poder e identidades funcionam juntos a depender de seus contextos e como o colonialismo além de criar desdetima ou legitima certas identidades logo não é uma política reducionista mas Atenta-se para o fato de que as desigualdades
são criadas Pelo modo como poder circula essas identidades são resultantes de uma estrutura de opressão que privilegia certos grupos em detrimento de outros essa insistência e não se perceberem como marcados em discutir como as identidades foram forjadas no seio de sociedades coloniais faz com que pessoas brancas por exemplo ainda insistam no argumento de que somente Elas Pensam na Coletividade que pessoas negras ao reivindicarem suas existências e modos de fazer político e intelectuais sejam vistas como separatistas ou pensando somente nelas mesmas ao persistirem na ideia de que são universais e falam por todos insistem em falar
em pelos outros quando na verdade estão falando de si se julgarem universais agora vamos entender o porquê muitas feministas negras pensaram a categoria mulher negra essas reflexões vão nos ajudar a entender Lugar de fala mulher negra o outro do outro eu não estou indo embora vou ficar aqui e resistir ao fogo sou João Neto falar a partir das mulheres negras é uma premissa importante do feminismo negro como nos ensina Patrícia Rio colins sobre a necessidade dessas mulheres se auto definirem assim como fez lélia González ao evidenciar as experiências de mulheres negras na América Latina e
no Caribe existe um olhar colonizador Sobre nossos corpos saberes Produções e para além de refutar esse olhar é preciso que partamos de outros pontos de modo geral disse que a mulher não é pensada a partir de si mas em comparação ao homem é como se ela se pusesse se opondo fosse o outro do homem aquela que não é homem a filósofa francesa Simone de Beauvoir nos dá uma perspectiva interessante ao cunhar a categoria do outro em o segundo sexo de 1949 tomando como ponto de partida a dialética do Senhor e do escravo de Hegel segundo
diagnóstico de boa a relação que os homens mantém com as mulheres seria essa da submissão e dominação pois estariam enredadas na má-fé dos homens que as veem e as querem como um objeto a intelectual francesa mostra em seu percurso filosófico sobre a categoria de gênero que a mulher não é definida em si mesma mas em relação ao homem e através do Olhar do homem olhar este que a confina num papel de submissão que Comporta significações e hierarquizadas sobre a perspectiva desse olhar a filósofa Funda categoria do outro bovoreano explicando como essa categoria é antiga e
comum que segundo o seu estudo nas mais antigas mitologias e sociedades primitivas já se encontrava presente uma dualidade da submissão e dominação pois estariam enredados na má-fé dos homens que as veem e as querem como um objeto a intelectual francesa mostra em seu Percurso filosófico sobre a categoria de gênero que a mulher não é definida em si mesmo mas em relação ao homem e através do Olhar do homem olhar este que a confina num papel de submissão que comporta significações e hierarquizadas sobre a perspectiva deste olhar a filósofo afunda categoria do outro belvoiriano explicando como
esta categoria é antiga e comum que segundo o seu estudo nas mais antigas mitologias e sociedades primitivas já se encontrava Presente uma dualidade a do mesmo e a do outro essa divisão não teria sido estabelecido inicialmente tendo como base a divisão do sexo pois a alteridade seria uma categoria fundamental do pensamento humano nenhuma coletividade portanto se definiria como uma sem colocar imediatamente a outra diante de si por exemplo Para os habitantes de certa Aldeia todas as pessoas que não pertencem ao mesmo lugar são os outros Para o cidadãos de um país as pessoas de outra
nacionalidade são consideradas estrangeiras os judeus são outros para o antissemita os negros para os racistas norte-americanos os indígenas para os colonos os proletários para as classes dos proprietários ao fim de um estudo aprofundado das diversas figuras da sociedade primitivas leve Deus pode concluir a passagem do Estado natural ao estado cultural define-se pela aptidão por parte do Homem em pensar as relações biológicas sobre a forma de sistemas de oposições a dualidade alternância a oposição e a simetria que se apresentam sob formas definidas ou formas vagas constituem menos fenômenos que cumpre explicar os dados fundamentais e imediatos
da realidade social Tais fenômenos não se compreenderiam se a realidade humana fosse exclusivamente um mitsen baseado na solidariedade e na Amizade esclarece-se ao contrário se segundo ragel descobre-se na própria consciência uma hostilidade fundamental em relação a qualquer outra consciência o sujeito só se põe em seu pondo ele pretende afirmar se como essencial e fazer do outro o essencial o objeto do voar 1980 página 11 e 12 para filósofo Francesa A mulher foi constituída como o outro pois é vista Como um objeto na interpretação que Povoa faz do conceito do em si sartriano de forma simples
seria pensar na mulher como algo que possui uma função uma cadeira por exemplo serve para que a gente possa sentar uma caneta para que possamos escrever seres humanos não deveriam ser pensados da mesma forma pois isso seria destituir-lhes de humanidade mas esse olhar masculino segundo a pensadora coloca a mulher nesse lugar Impedindo-a de ser um para si sujeito em linguagem ontológica sartreana e isso também se dá porque o mundo não é apresentado para as mulheres com todas as possibilidades sua situação limpõe esse lugar de outro se para Simone de Beauvoir a mulher é o outro
por não ter reciprocidade do Olhar do homem para agrada que lomba a mulher negra é o outro do outro posição que a coloca num local de mais difícil reciprocidade as mulheres negras foram Assim impostas em vários discursos que deturpam nossa própria realidade um debate sobre o racismo onde o sujeito é homem negro um discurso de gênero onde o sujeito é a mulher branca e um discurso sobre a classe onde raça não tem lugar nós ocupamos um lugar muito crítico em teoria é por causa dessa falta ideológica argumenta rei de safira misa em 1997 que as
mulheres negras habitam um espaço vazio que se sobrepõe As Margens da raça e do Gênero o chamado terceiro espaço nós habitamos um tipo de vácuo de apagamento e contradição sustentado pela polarização do mundo em um lado negro e de outro lado de mulheres mirza 19974 nós no meio Este é é claro um dilema teórico Sério em que os conceitos de raça e gênero se fundem estreitamente em um só Tais narrativas separativas mantém a invisibilidade das mulheres negras nos debates acadêmicos e políticos que Lomba em 2012 página 56 Para Quilombo é necessário enfrentar essa falta esse
vácuo que não enxerga a mulher negra numa categoria de análise quilomba sofistica A análise sobre a categoria do outro quando afirma que mulheres negras por serem nem brancas nem homens ocupam um lugar muito difícil na sociedade supremacista Branca por serem uma espécie de carência dupla a antítese de branquitude e masculinidade nessa análise percebe o status das mulheres brancas como oscilantes pois São mulheres mas são brancas do mesmo modo faz a mesma análise em relação aos homens negros pois esses são negros Mas homens mulheres negras nessa perspectiva não são nem brancas e nem homens e exerceram
a função de outro do outro percebemos assim que a pensadora discorda da categorização feita por bovoir para filósofo francesa não há reciprocidade pois a mulher sempre é vista pelo olhar do homem num lugar de subordinação como o outro absoluto bem Como essa afirmação de bovar diz respeito ao modo de ser mulher no caso a mulher branca que lomba além de aprofundar A análise engloba a mulher negra em seu comparativo colocando o quê nesse esquema a mulher negra só pode ser o outro e nunca se mesmo para ela existe um status oscilante que ora pode permitir
que a mulher branca se coloque como sujeito Assim como homem negro Entretanto a autora rejeita ficcês desse status Além de mostrar que mulheres possuem situações diferentes que lomba rompe com a universalidade em relação aos homens também mostrando que a realidade dos homens negros não é a mesma da dos homens brancos ou seja evidencia que também em relação a esses é necessário fazer a pergunta de quais homens estamos falando é muito importante perceber que homens negros são vítimas do racismo inclusive estão abaixo das mulheres brancas na pirâmide social trazer à tona Essas identidades passa a ser
uma questão prioritária em sua análise ao não universalizar nem a categoria mulher e nem a homem que lomba cumpre esse papel reconhecer o status de mulheres brancas e homens negros como oscilante nos possibilita enxergar as especificidades desses grupos e romper com a invisibilidade da realidade das mulheres negras por exemplo ainda é muito comum a gente ouvir a seguinte discussão Mulheres ganham 30% a menos do que homens no Brasil quando a discussão é desigualdade salarial essa afirmação está incorreta logicamente não mas sim do ponto de vista ético explico mulheres brancas ganham 30% a menos do que
homens brancos homens negros ganham menos do que mulheres brancas e mulheres negras ganham menos do que todos segundo pesquisa desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica aplicada e pé de 2016 39,6% das mulheres negras estão inseridas em relações precárias de trabalho seguidas pelos homens negros 31,6% mulheres brancas 26,9 brancos 20,6%. ainda segunda pesquisa mulheres negras eram o maior contingente de pessoas desempregadas e no trabalho doméstico essa e outras pesquisas que pensam a partir dos lugares marcados dos grupos sociais conseguem estar mais Próximas da realidade e gerar
demandas para políticas públicas isso porque quando ainda se insiste nessa visão homogênea de homens e mulheres homens negros e mulheres negras ficam implícitos e acabam não sendo beneficiários de políticas importantes e estando mais apartados ainda de serem aqueles que pensam Tais políticas quando muitas vezes é apresentada a importância de se pensar políticas públicas para mulheres comumente ouvimos que as Políticas devem ser para todos Mas quem são esses todos ou quantos cabem nesses todos se mulheres sobretudo negras estão num lugar de maior vulnerabilidade social justamente porque essa sociedade Produza essas desigualdades se não se olhar atentamente
para elas se impossibilitam avanço de modo mais profundo melhorar o índice de desenvolvimento humano de grupos vulneráveis deveria ser entendido como melhorar o índice de desenvolvimento Humano de uma cidade de um país e para tal é preciso focar nessa realidade ou como as feministas negras afirmam há muito nomear se não se nomeia uma realidade se quer serão pensadas melhorias para uma realidade que segue invisível a insistência em falar de mulheres como universais não marcando as diferenças existentes faz somente parte desse ser mulher seja visto segundo o mapa da violência de 2015 aumentou em 54,8%, o
assassinato de mulheres negras Ao passo que o de mulheres brancas diminui o 9,6%. Esse aumento alarmante nos mostra a falta de um olhar étnico racial no momento de se pensar políticas de enfrentamento a violência contra as mulheres já que essas políticas não estão Alcançando as mulheres negras o mulheres aqui atingiu majoritariamente mulheres brancas para elucidar o argumento vamos apresentar dados de uma importante pesquisa que serviu para dar Visibilidade a uma realidade violenta que acometia e infelizmente ainda comete mulheres negras no Brasil na década de 1980 mulheres negras tiveram esterilizadas forçadamente seguindo pesquisa de Jurema Werneck
o movimento de mulheres negras é protagonista no combate ao genocídio da população negra e a usurpação da Liberdade das mulheres iniciando a luta sobre a forma de denúncia essa luta resulta na criação da comissão parlamentar de inquérito em 1991 a CPI da esterilização Como ficou conhecida constatou que houve essa prática seja na prestação inadequada do serviços oferecidos pelas instituições privadas financiadoras de métodos contraceptivos principalmente nas regiões mais pobres do país seja nas medidas contraceptivas e reversíveis se as mulheres negras não tivessem denunciado Essa realidade e lutando que o debate sobre essa violência viesse à tona
provavelmente Essa questão seria ainda mais grave tirar essas pautas da invisibilidade e um olhar interseccional mostram-se muito importante para que fujamos de análise simplistas ou para Se romper com essa tentação de universalidade que exclui a história tem nos mostrado que a invisibilidade mata o que focou chama de deixar viver ou deixar morrer A reflexão fundamental a ser feita é perceber que quando pessoas negras estão reivindicando o direito a Ter voz elas estão reivindicando direito a própria vida em um segundo sexo Povo argumenta sobre o fato de que quando indivíduos são mantidos numa situação de inferioridade
eles de fato são inferiores mas nos Alerta sobre como precisamos entender o alcance da palavra ser segunda filósofa o problema é dar um valor substancial a palavra ser quando ela tem o sentido dinâmico hegeliano ou seja ser é ter se tornado é ter sido tal Qual se manifesta sim as mulheres em seu conjunto são hoje inferiores aos homens Isto é sua situação oferece-lhes possibilidades menores mulheres negras por exemplo possuem uma situação em que as possibilidades são ainda menores materialidade e sendo assim nada mais ético do que pensar em saídas emancipatórias para isso lutar para que
elas possam ter direito a voz e melhores condições nesse sentido seria urgente o deslocamento do pensamento Hegemônico e a ressignificação das identidades sejam de raça gênero classe para que se pudesse construir novos lugares de fala com o objetivo de possibilitar vós e visibilidade a sujeitos que foram considerados implícitos dentro dessa normatização hegemônica ainda sobre a mulher negra continua quilomba ser essa antítese de branquitude e masculinidade dificulta que ela seja vista como sujeito o olhar tanto de homens brancos e negros e Mulheres brancas confinaria mulher negra no local de subalternidade muito mais difícil de ser ultrapassado
Collins também nos oferece uma visão interessante sobre esse lugar do outro e a necessidade de mulheres negras se auto definirem a insistência de mulheres negras auto definirem-se auto avaliar em si e a necessidade de uma análise centrada na mulher negra é significativa por duas razões em primeiro lugar definir e valorizar a consciência do Próprio ponto de vista autodefinido frente a imagens que promovem uma alta definição sobre a forma de outro objetificado é uma forma importante de se resistir a desumanização essencial aos sistemas de dominação o status de ser o outro implica ser o outro em
relação a algo ou ser diferente da Norma pressuposta de comportamento masculino branco nesse modelo homens brancos poderosos definem-se como sujeitos os Verdadeiros atores e classificam as pessoas de cor e as mulheres em termos de sua posição em relação a esse eixo masculino branco como foi negada as mulheres negras a autoridade de desafiar essas definições esse modelo consiste de imagens que definem as mulheres negras como um outro negativo a antítese virtual da imagem positiva dos homens brancos Collins 2016 página 105 logo Definir-se é um status importante de fortalecimento e ao de demarcar de possibilidades de transcendência
na Norma colonizadora em aprendendo com outsider a significação sociológica do pensamento feminista negro Patrícia Rio Colin fala da importância das mulheres negras fazerem um uso criativo no lugar de marginalidade que ocupam na sociedade a fim de desenvolver em teorias e Pensamentos que reflitam diferentes olhares e perspectivas o conceito Outsider ruiding o qual numa tradução seria o mais próximo a forasteira de dentro é muito importante para posteriormente entendermos lugares de fala para colins a mulher negra dentro do movimento feminista ocupa esse lugar de forasteira de dentro por ser feminista e pleitear o lugar da mulher negra
como sujeito político mas ao mesmo tempo ser uma de fora pela maneira como é vista e tratada dentro do próprio movimento a começar pelo modo Pelo qual as reivindicações do movimento feminista foram feitos críticas que também se estende quando falamos de teoria feminista A autora define ao designer como posição social ou espaços de Fronteira ocupados por grupos com poder desigual na academia por exemplo esse lugar permite as pesquisadoras negras constatar a partir de fatos de suas próprias experiências anomalias materializadas na omissão ou observações distorcidas dos mesmos fatos sociais e Embora colem se refira a sociologia
pode se pensar como prática política a ser desenvolvida em todas as áreas do conhecimento a estudiosa ainda argumenta que as mulheres negras ao mesmo tempo em que fazem parte de algumas instituições não são consideradas como iguais dando exemplo das trabalhadoras domésticas que trabalham em casa de família a tentativa das pessoas brancas em dizer o quanto elas são importantes e quase da família ao mesmo tempo em que elas ainda seguem Ocupando um lugar de marginalidade segundo colins por outro lado essa relação de insider tem sido satisfatória para todos os envolvidos ela cita como exemplos as biografias
dos brancos ricos nas quais É frequente o relato de seu amor por suas mães negras ao passo que Os relatos das trabalhadoras domésticas negras saltam a percepção de auto afirmação vivenciada pelas trabalhadoras ao verem o poder Branco sendo desmistificado Saberem que não eram intelecto o talento ou a humanidade de seus empregadores que justificavam o seu estado superior mas sim o racismo colins 2016 página 99 porém colins aponta como é preciso aprender a tirar proveito desse lugar de Alto Sider pois esse espaço proporciona as mulheres negras um ponto de vista especial por conseguiram enxergar a sociedade
através de um espectro mais amplo não à toa ao pensar conceitos como Interseccionalidade perspectivas revolucionárias essas mulheres se propuseram a pensar novas formas de sociabilidade e não somente nas opressões estruturais de modo isolado seria como dizer que a mulher negra está no não lugar mas mais além consegue observar o quanto esse lugar Pode ser doloroso e igualmente atenta também no que pode ser um lugar de potência Sueli Carneiro no artigo enegrecendo feminismo a situação da mulher negra na América Latina a partir de uma perspectiva de gênero nos mostram uma interessante perspectiva de entendimento sobre a
categoria mulheres negras quando falamos do mito da fragilidade feminina que justificou historicamente a proteção paternalista dos homens sobre as mulheres de que mulheres estamos falando nós mulheres negras fazemos parte de um contingente de mulheres provavelmente majoritário que nunca reconheceram em si mesmas esse mito porque nunca fomos Trata como frágeis fazemos parte de um contingente de mulheres que trabalham durante séculos como escravos nas lavouras ou nas ruas como vendedoras que tuteiras prostitutas mulheres que não entenderam nada quando as feministas disseram que as mulheres deveriam ganhar as ruas e trabalhar fazemos parte de um contingente de mulheres
com identidade de objeto ontem a serviço de frágeis sinhazinhas e de senhores de Engenho tarados são suficientemente conhecidas As condições históricas nas Américas que se construíram a relação de coisificação dos negros em geral e das mulheres negras em particular sabemos também que em todo esse contexto de conquista e dominação a apropriação social das mulheres do grupo derrotado é um dos momentos emblemáticos de afirmação de superioridade do vencedor hoje domésticas de mulheres liberadas e dondocas ou de mulatas tipo exportação Quando falamos em romper com o mito da Rainha do lar da musa idolatrada dos Poetas de
que mulheres estamos falando as mulheres negras fazem parte de um contingente de mulheres que não são rainhas de nada que são retratadas como antimusas da sociedade brasileira porque o modelo estético de mulher é a mulher branca Quando falamos em garantir as mesmas oportunidades para homens e mulheres no mercado de trabalho estamos garantindo emprego para Que tipo de mulher fazemos parte de um contingente De mulheres para as quais os anúncios de emprego destacam a frase existe-se boa aparência quando falamos que a mulher é um subproduto do homem posto que foi feita da costela de Adão de
que mulheres estamos falando fazemos parte de um contingente de mulheres originárias de uma cultura que não tem Adão originárias de uma cultura violada folclorizada e marginalizada tratada como coisa primitiva coisa do diabo esse Também um alienígena para nossa cultura fazemos parte de um contingente de mulheres ignoradas pelo sistema de saúde na sua especialidade porque o mito da democracia racial presente em todas nós torna desnecessário registro da cor dos pacientes nos formulários da rede pública informação que seria indispensável para avaliarmos as condições de saúde das mulheres negras no Brasil pois sabemos por dados de outros países
que as mulheres brancas e Negras apresentam diferenças significativas em termos de saúde portanto para nós se impõe uma perspectiva feminista na Qual o gênero seja uma variável teórica mas como afirmam linda ao Coffee Elizabeth Potter que não pode ser preparada de outros eixos de opressão e que não é possível em uma única análise se o feminismo deve liberar as mulheres deve enfrentar virtualmente todas as formas de opressão a partir Desse ponto de vista é possível afirmar que um feminismo negro construído no contexto de sociedades multirraciais pluriculturais e racistas como são a sociedade latino-americanas tem como
principal eixo articulador o racismo e seu Impacto sobre as relações de gênero uma vez que ele determina a própria hierarquia de gênero em nossa sociedade Carneiro 2003 página 50 a 51 Carneiro nos mostra que o racismo determina as hierarquias de gênero em Nossa sociedade sendo assim necessário que elementos feministas pensem maneiras de combater a sua pressão caso contrário também contribui por manter as relações entre as mulheres hierarquizadas reproduzindo discurso hegemônico A análise de estudiosa ainda nos permite perceber a necessidade de uma identidade reivindicada de mulher negra que se constitui como sujeito histórico e político porém
é fundamental a tentarmos para as heterogeneidades que circundam Essa categoria para que não pensemos nessa categoria de modo fixo e estável uma característica interessante de muitas feministas negras é que elas não se restringem a se pensar somente como teórica mas como ativistas militantes feminismo negro segundo Sebastião seria um movimento político intelectual e de construção teórica de mulheres negras que estão envolvidas no combate às desigualdades para promover uma mudança social de fato não seriam mulheres Preocupadas somente com as opressões que lhe atingem mulheres negras estariam discutindo e disputando projetos Audrey Lord feminista Negra caribenha e lésbica
também nos traz uma visão importante sobre a importância de lidarmos com as diferenças que nos circundam em muitos os seus escritos Lorde ressaltou a importância de não se hierarquizar opressões e sua própria dificuldade em se sentir pertencida algum movimento posto que não movimento feminista Dizia-se que a questão era de gênero no movimento negro racial e no lgbtqia+ de orientação sexual como mulher negra e lésbica ela se via obrigada a escolher contra qual opressão lutar sendo que todas a colocavam em um determinado lugar a autora dizia que não podia negar uma identidade para afirmar outra pois
fazer isso não seria transformação real e sim reformismo assim como sua jornais truss apontava no século 19 Lorde enfatiza a importância de se ampliar o Olhar e não existia fazer o questionamento até que ponto se legitima o poder que se Condena em ferramentas do mestre não vão desmantelar a casa grande Lord traz um olhar crítico que fundamental para se pensar as intersecções e como a própria autora enfatizava matar a parte do opressor em nós a feminista negra que também era poeta fez esse discurso em 1979 na New York University afirmando como Fundamental a responsabilização das
mulheres brancas para combater em um reformismo e se engajarem na luta por uma transformação profunda da sociedade audre Lord nos instiga a pensar na necessidade de reconhecermos nossas diferenças e não mais vê-las como algo negativo o problema seria quando as diferenças significam desigualdades o não reconhecimento de que partimos de lugares diferentes posto que experienciamos gênero de modo diferente Leva legitimação de um discurso excludente pois não via visibiliza outras formas de ser mulher no mundo essa atenção ao que a autora chama de evasão de responsabilidade das mulheres brancas por não se comprometer em com a mudança
pode ser entendida como uma falta de postura ética em pensar o mundo a partir dos seus lugares o fato de não demarcarem esses lugares e seguirem ignorando que existem pontos de partidas diferentes entre mulheres faz com que Essas mulheres brancas sigam ignorando suas tarefas e adicionarem e consequentemente reproduzam opressões contra mulheres negras ou contra como Lord chama no texto aquelas que não são aceitáveis essas de seus lugares sociais sabem que sobreviver não é uma habilidade acadêmica tudo bem até aqui então agora vamos aprofundar o que seria lugar de fala o que é lugar de fala
porque eu escrevo porque tenho que porque minha voz em todas as suas Dialéticas foi silenciada por muito tempo Já começamos a Rose todos os caminhos percorridos até aqui foram importantes para que pudéssemos ter um maior entendimento do que é lugar de fala o lugar social que as mulheres negras ocupam e o modo pelo qual é possível tirar proveito disso nos apresenta uma trilha interessante esse percurso foi necessário porque existem muitas dúvidas em relação ao conceito antes de mais nada é preciso Esclarecer que quando utilizarmos a palavra discurso no decorrer do livro e a importância de
se interromper com regime de autorização discursiva Estamos nos referindo a noção fucotiana de Discurso ou seja de não discurso como amontoado de palavras ou concatenação de frases que pretendem um significado em si mas como um sistema que estrutura determinada Imaginário social pois estaremos falando de poder e controle todo mundo tem lugar de fala Minha resposta ao racismo é raiva eu vivi boa parte da minha vida com essa raiva ignorando-a me alimentando dela aprendendo a usar antes que jogasse minhas visões no lixo uma vez fiz isso em silêncio com medo do Peso meu medo da raiva
não me ensinou nada o seu medo dessa raiva também não vai te ensinar nada audre Lorde um dos equívocos mais recorrentes que Vemos acontecer é a confusão entre lugar de fala e representatividade uma travesti negra pode não se sentir representada por um homem branco Cis mas esse homem branco Cis pode teorizar sobre a realidade das pessoas TRANS e travestis a partir do lugar que ele ocupa acreditamos que não pode haver essa desresponsabilização do sujeito do Poder a travesti negra fala a partir de sua localização social assim como o homem Branco ciss se existem poucas travestis
negras em espaços de Privilégio é legítimo que exista uma luta para que elas de fato possam ter escolhas numa sociedade que as confina num determinado lugar logo é justo a luta por representação apesar dos seus limites porém falar a partir de lugares é também romper com essa lógica de que somente os subalternos falem de suas localizações fazendo com que aqueles inseridos na Norma hegemônica sequer se pensem em outras palavras é preciso cada vez mais que homens brancos se estudem branquitude se geremidade masculinos Como disse Rosane Borges para a matéria O que é lugar de fala
e como ele é aplicado no debate público pensar lugar de fala é uma postura ética pois saber o lugar de onde falamos é fundamental para pensarmos as hierarquias as questões de desigualdade pobreza racismo e sexismo Outra crítica no nosso entendimento equivocada que comumente ouvimos é de que o conceito de lugar de fala Visa restringir a troca de ideias encerrar uma discussão ou impor uma visão grada que lomba explica bem essa questão ao falar de repressão mas J Mombaça no artigo notas estratégicas quanto aos usos políticos do conceito de lugar de fala também alucina bem essa
questão muito se fala sobre como esse conceito tem sido apropriado de modo a conceder Ou não autoridade para falar com base nas posições e marcas políticas que um determinado corpo ocupa no mundo organizado por formas desiguais de distribuição das violências e dos acessos O que as críticas que vão por essa via aparentemente não reconhecem é o fato de que há uma política e uma polícia da autorização discursiva que antecede a quebra promovida pelos ativismos do lugar de fala Quero dizer não são os ativismos do lugar de fala que instituem o regime de autorização pelo contrário
os regimes de autorização discursiva estão instituídos contra esses ativismos de modo que o gesto político de convidar um homem Cis Euro Branco a calar-se para pensar melhor antes de falar introduz na realidade uma ruptura do regime de autorizações vigente se o conceito de lugar de fala se converte numa ferramenta de interrupção De vozes hegemônicas É porque ele está sendo operado em favor da possibilidade de Emergências de vozes historicamente interrompidas assim quando os ativistas do lugar de fala desautorizam eles estão em última instância desautorizando a matriz de autoridade que construiu o mundo como evento epistemicida e
estão também desautorizando a ficção segundo a qual partimos todas de uma posição comum de Acesso à fala e a escuta a interrupção no regime de autoridade que as múltiplas vozes tentam promover faz com que essas vozes sejam combatidas de modo a manter esse regime existe a tentativa de dizer voltem para os seus lugares posto que o grupo localizado no poder acredita não ter lugar assim entendemos que todas as pessoas possuem lugares de fala pois estamos falando de localização social e a partir disso é possível debater e refletir criticamente Sobre os mais variados temas presentes na
sociedade o fundamental é que indivíduos pertencentes ao grupo social privilegiado em termos de loco social consigam enxergar as hierarquias produzidas a partir desse lugar e como esse lugar impacta diretamente na Constituição dos lugares subalternizados numa sociedade como a brasileira de herança escravocrata pessoas negras vão experienciar o racismo do lugar de quem é o objeto Dessa opressão no lugar que restringe oportunidades por conta desse sistema de opressão pessoas brancas vão experienciar do lugar de quem se beneficia dessa mesmo opressão logo ambos os grupos podem e devem discutir essas questões mas falarão de lugares distintos estamos dizendo
principalmente que queremos e reivindicamos que a história sobre a escravidão no Brasil seja contada por nossas perspectivas também e não somente pela perspectiva de Quem venceu Benjamin em tese sobre o conceito de história estamos está apontando para a importância de quebra de um sistema vigente que invisibiliza essas narrativas com todos os limites o espaço virtual tem sido um espaço de disputas de narrativas pessoas de grupos historicamente Discriminados encontraram aí um lugar de existir seja na criação de páginas sites canais de vídeos blogs existe nesse espaço uma disputa de Narrativa mas ainda a quem do ideal
por conta de Barreiras institucionais que impedem o acesso de vozes dissonantes como expressar-se não é um direito garantido a todos e a todas ainda há necessidade de democratização das Mídias e rompimento de um monopólio a discussão sobre liberdade de expressão também não pode ser pautada unicamente no direito não absoluto de expressar opiniões friso que mesmo diante dos limites impostos vozes dissonantes tem conseguido Produzir ruídos e rachaduras na narrativa hegemônica o que muitas vezes desonestamente faz com que essas vozes sejam acusadas de agressivas justamente por lutar contra a violência do Silêncio imposto o grupo que sempre
teve o poder numa inversão lógica e falsa simétrica causada pelo medo de não ser único incomoda-se com os relevantes levantes de vozes Entretanto mesmo com essas rachaduras torna-se essencial o prosseguimento do debate estrutural uma vez que uma coisa não anula a outra definitivamente numa palestra performance que realizou em 2016 no Brasil chamada descolonizando o conhecimento grada Quilombo descreve de forma simples e Brilhante a importância de se romper hierarquias instituídas pelo discurso autorizado algo passível de se tornar conhecimento Torna-se então toda epistemologia que reflete os interesses políticos específicos de uma sociedade Branca colonial e patriarcal por
favor deixem-me lembrar-lhes o que significa o termo epistemologia o termo é composto pela palavra episteme que significa conhecimento e Logos significa ciência epistemologia é então a ciência da aquisição de conhecimento que determina um os temas quais temas ou tópicos Merecem atenção e quais questões são dignas de serem feitas com o intuito de produzir conhecimento verdadeiro 2 os paradigmas quais narrativas e interpretações podem ser usadas para explicar um fenômeno Isto é a partir de qual perspectiva o conhecimento verdadeiro pode ser produzido três os métodos e quais maneiras e formatos podem ser usados para a produção de
conhecimento confiável e verdadeiro Epistemologia como eu já havia dito define não somente como mas também Quem produz conhecimento verdadeiro e em quem acreditarmos é comum ouvirmos o quão interessante nosso trabalho é mas também ouvimos o quão específico ele é isso não é nada objetivo você tem que ser neutra se você quiser se tornar uma acadêmica não pode ser pessoal A ciência é universal não subjetiva seu problema é que você super interpreta a realidade você deve se achar a rainha da Interpretação Tais comentários ilustram uma hierarquia Colonial pela qual pessoas negras e racializadas são demarcadas começamos
a falar e proferir conhecimento nossas vozes são silenciadas por Tais comentários que na verdade funcionam como máscaras metafóricas Tais observações posicionam nossos discursos de volta para as margens como conhecimento Desviado e desviante enquanto discursos brancos permanecem no centro como Norma quando eles falam é científico quando nós falamos não é científico Universal barra específico objetivo barra subjetivo neutro barra pessoal racional/ emocional imparcial/pacial eles têm fatos nós temos opiniões eles têm conhecimento nós experiências nós não estamos lidando aqui com uma coexistência pacífica de Palavras mas sim como mãe hierarquia violenta que determina quem pode falar podemos ver
como essa citação de Quilombo como a similaridades nas reflexões trazidas pelas principais autores aqui pensadas todas refutam a neutralidade epistemológica a necessidade do reconhecimento de outros saberes e a importância de entendê-los como localizados e a importância de se romper com um postulado de silêncio tanto lélia Gonzales como linda Alcoófise entre outras pensam a necessidade de romper com a epistemologia dominante e de fazer o debate sobre identidades pensando o modo pelo qual o poder instituído articula essas identidades de modo a oprimir e a retificá-las pensar lugares de fala para essas pensadoras seria desestabilizar e criar fissuras
e tensionamentos a fim de fazer energia não somente contra o discursos posto que ser contra ainda é ser contra alguma coisa Ser contra hegemônica ainda é ter como Norte aquilo que me impõe Sim esses discursos trazidos por essas autoras são contra hegemônicos no sentido de que visam desestabilizar a norma mas igualmente são discursos potentes e construídos a partir de outros referenciais e geografias visam pensar outras possibilidades de existências para além das impostos pelo regime discursivo dominante não há que a imposição de uma epistemologia de Verdade mas um chamado a reflexão as obras apresentadas pelos diversas
autoras desvelam as opressões sofridas por diferentes grupos conforme elas continuam a agir de modo a restringir direitos não é um Dever ser mas aí um desvelamento dos processos históricos que coloca um determinados grupos em posições subalternos pensar lugar de fala seria romper com o silêncio instituído para quem foi subalternizado um movimento no sentido de romper com a Hierarquia muito bem classificada por derrida como violento a pessoas que dizem que o importante é a causa ou uma possível voz de ninguém como se não fossemos corporificados marcados e deslegitimados pela Norma colonizadora mas comumente só fala na
voz de ninguém quem sempre teve voz e nunca precisou reivindicar sua humanidade não à toa iniciamos esse livro com uma situação de lélia Gonzalez o lixo vai falar e numa boa