Narrativas para compartilhadas tem o prazer de continuar ouvindo Mário Luiz Mascarenhas contando mais um pouco a respeito do "A Vida Severina" no Facebook, a título de vagas, e também, né, não só paz para o mundo, mas também na cobertura do evento. Mas foi um mundo. Mário escreveu e o oráculo, a experiência deles, também, uma peça do museu.
É verdade, professor, assim acho que tudo começou com a morte de Celina, como a gente já comenta bastante. E aí, quando a gente fez a "Morte da Menina", para ter esse sucesso que ele teve, ou seja, o pessoal gostou bastante. A gente não ia conseguir fazer a mesma coisa porque, assim, "Uma Vida Feliz" e "Menina" foram os únicos netos.
Assim, foi uma peça para a nossa época. Para nós, como jovens na época, foi muito, muito, muito difícil a gente fazer muitos atores, e isso eram mais de 40 pessoas. Então, a gente não ia conseguir fazer que eu resolvi fazer, escrever e escrever uma peça de teatro, né?
Que foi para o mundo. Na verdade, foi um misto. A gente pegou o mesmo grupo que fez "Morte e Vida Severina", né?
A gente conseguiu também reunir as pessoas e decidimos juntos que poderíamos escolher outras peças, mas decidimos escrever, né? A gente ia fazer alguma coisa diferente. E aí, a gente pegou algumas músicas, então era uma peça voltada com trechos de música, desde Vandré, desde trechos de samba, e ficou um negócio muito legal.
O texto ficou muito bonito. Aí a gente fez, né? Isso foi logo no segundo ano.
E aí, no terceiro ano, que a gente fez "Chorar Quando Queria" para diversificar um pouco, fazer uma coisa diferente, né? Aí a gente foi para uma comédia, onde a gente tem orgulho hoje de falar, né? Que o nosso ator principal na época do oráculo era uma comédia, né?
Era o Flávio, que hoje a gente tem um grande respeito e um grande carinho por ele. Hoje, ele é nosso padre, é o padre Flávio, edital na Paróquia de São Judas Tadeu, faz um belíssimo trabalho, e ele, sempre que pode, comenta dessa época dele. Inclusive, faz um trabalho brilhante na Santa Casa.
Quem trocava, e eu não tenho dúvida que com essa experiência do teatro ele trouxe para a vida dele, não só para a vida sacerdotal que ele tem hoje, mas também com esse trabalho que ele faz na Santa Casa. Quais são os outros atores da boneca? Então, olha, basicamente eram as mesmas pessoas, né?
Então, a gente tinha lá o tenista Maria Carolina, tinha Elferiani, o Quilo, né? Então, assim, era um monte de neve, a gente criou nesses 23 anos um ambiente muito gostoso de agente. Eu acho que vale a pena, professor, a gente fazer uma parte com relação ao oráculo, porque nessa época nós tivemos um grande amigo nosso, já está nem o Jair Salim.
Ele não gostava de atuar, mas ele gostava muito, tanto no "Morte de Vida Severina" como no "Passo a Passo Para o Mundo", de ajudar nos bastidores. Então, desde as questões de iluminação, era só ele carregar cenário, ele sempre gostava. Aí chegou no oráculo, e a gente via que ele tinha que ele gostava, pouca gente.
Aí ele topou o desafio. A ideia era, né, seria nem ele ficar como um ator mesmo. E aí eu queria ficar só na direção.
Nas outras peças, eu fazia direção e atuava, mas eu não sei. Dessa vez, o que era? Até porque já estava chegando ao terceiro colegial, né?
Aquela coisa de ir para a faculdade, meus pais nunca gostaram. Aliás, eu fiz teatro à contragosto deles, o senhor sabe disso, né? Acho que hoje eu até entendo um pouco, mas a vontade de estar no palco, de captar com as pessoas, fez com que eu tivesse alguns problemas familiares até com meu pai, com a minha mãe.
Mas, graças a Deus, foram superados. Essa vontade de estar no palco junto com eles sempre fez eu olhar pra frente. E aí, nessa época, o Jair, um grande amigo nosso, decidiu atuar.
E foi por legal. Ele tinha um jeitinho de games que, na verdade, fez uma atuação brilhante no "Morte de Vida Severina". Ele praticamente leva a peça inteira, na época eram textos pesados.
Ele decorou com uma facilidade, o Denis, no tênis, isso. Mas, ele também atuou junto tanto no "Passo Para o Mundo" como no "Oráculo". Só que no "Oráculo" era uma peça curta, né?
Eu falei: "Não, deixa eu ficar de fora. " E o Jair foi para a peça, aí ensaiamos, estava tudo pronto já com data para estrear no festival. O figurino do "Oráculo" era uma comédia, mas uma comida mais antiga.
Então, os móveis, a gente procurou mais antigos, roupas, né? O sapato era tudo diferente, e a gente conseguiu. E aí, eu acho que essa junção são coisas da vida.
São fases que a gente precisa passar. E aí, eu já estava, nem veio, veio, sofreu um assalto à casa dele, né? E aí, uma coisa que a gente leva hoje pra as nossas vidas.
Ele é assaltado na casa dele na Rua Pomba do Jerry, e pra ele, na hora dos dois, embora lá, eles queriam levar o carro e queriam levar a mãe dele, a Dona Nadir Salim. E eles não: "Você pode levar todo mundo, pode ver o carro, pode bater, mas a minha mãe não sai daqui. Eu vou negar minha mãe.
" Então, na verdade, é o Jair que se colocou à frente, né? Porque os bandidos queriam levar minha mãe dele. E, nem tragicamente, aqui na Cruz de Ferro, né?
Teve um acidente. Eram adolescentes, né? Não sei, na época, eu não me lembro, mas eram dois adolescentes; um deles estava dirigindo, e o outro não sabia dirigir, provavelmente.
E aí, na Cruz de Ferro, teve um acidente. Ali, ele veio a falecer no local, mas a gente ficou em vigília, né, no Hospital Santa Lucinda. Eu nunca fui lá, e na escola também.
Todos estavam em silêncio na sala de aula. É muito difícil dar aula todos os dias, esses caras. Então, em vigília, nossa torcida, a gente ficou em vigília por uma semana.
E, claro que a gente sabia da gravidade do problema. Manejei que sabia de tudo que estava acontecendo, mas a gente tinha uma força muito junta entre a gente, um espírito forte nesse período. Mais tarde, numa aula de esporte, eu lembro que era muito difícil dar aula.
Nesse dia, eu cheguei à sala de aula e, claro, tínhamos que ficar em silêncio no começo. As pessoas deram as mãos, parecendo assim, organizando para que ele voltasse. E aí, a professora disse que a gente tinha uma opção: a gente parava para curar, comparava com teatro.
Por que não fazer uma graça? Não se fazia, porque estava era ele, o Denis, né? Ele, o Denis, a Ana, a Mina, e o padre falava.
Na verdade, o padre Flávio, era ele que encenava. E aí não tinha mais graça, perdeu a graça, né? Perdeu com a saída.
Depois de uma semana, ele veio a falecer. É tanto que o festival tinha prazo para fazer essas peças, para fazer os ensaios. Aí, até a professora Sônia, que você também conhece, havia um clima, não só no nosso grupo, mas também nos outros grupos.
Mas eu acho que aí que está a beleza. A Dona Nadir, a Tonha, salienta que a mãe dele sempre estava lá nos ensaios, acompanhando bastante, né? Uma mãe maravilhosa, todos a amavam.
Hoje ela veio e falou pra mim: “Eu quero ver essa peça. Mesmo, ou seja, o meu filho, porque eu sei que nessa peça quem estiver, quem gostar dele, é eu quero ver continuidade a isso. ” Me marcou muito.
Eu assumi o lugar dele, foi muito difícil, foi muito complicado, mas a gente precisava dar uma resposta para os nossos sentimentos. São sentimentos que, depois de 20 e 30 anos, a gente ainda sente ele muito presente. E a gente precisava dar uma resposta não só para os pais que sempre estavam acompanhando a gente, mas pra gente mesmo.
A gente precisava disso, a gente precisava ir pra frente, a gente precisava seguir, porque eu não tenho dúvida que se ele tivesse sido ao contrário, ele faria a mesma coisa. Então, foi muito difícil a gente subir, a gente continuar, pegar as falas que ele fazia com o Denis e colocar a gente junto, né? Mas é, porém, a gente fez a peça, continuou, deu continuidade e fizemos até uma apresentação.
Nessa época, tínhamos que ir lá no Projeto do Sesi, e aí ele foi convidado para fazer uma apresentação no Oráculo no Teatro Municipal. Então, a gente saiu do ambiente da escola, né? E a gente foi lá no Projeto do Sesi, então foi uma coisa bem legal.
Mas a gente tem isso até hoje. A gente tem essa certeza de que o teatro e a nossa educação são uma educação transformadora. Eu acho que não só esse sentimento que a gente tem pelos nossos professores, pelos nossos amigos, mas esse fato, em particular, que mexeu muito com a gente.
E a gente ainda era muito jovem, de 18 e 19 anos na época, né? Isso fez a gente reagir. A gente fez o Oráculo, fizemos três apresentações, não só pelo Jair, é porque realmente ele está presente até hoje, a gente tem grandes lembranças, mas pelos pais.
E pelos pais que não estão, a gente tem uma dor muito grande. E o Jair também faleceu; a Dona Nadir está viva, graças a Deus. Mas eu acho que esse momento foi muito marcante.
Foi marcante não só para o nosso grupo, mas foi marcante para Getúlio. Hoje eu encontro a Dona Nadir com a diretora, com a Sônia. A gente encontra o Carlinhos, como é com Carlos Camargo Costa, e a gente lembra desse fato.
Mas eu só acho que essa coisa transformadora, essa garra que tinha, falou mais alto. Então, acho que essa experiência de 'A Morte e a Vida Severina', né? Se você pegar esses três anos, porque a gente ficou junto, essa morte e vida severina, essa paz para o mundo e essa alegria de uma comédia.
Imagine a cara que a gente não tinha! A comédia naquela época era uma coisa impensável, né? Mas eu acho que esses três anos de 'A Morte e a Vida Severina', 'Paz para o Mundo', finalizar com uma comédia com esse evento do Jair, a gente tem que se reerguer.
Eu acho que essa é a nossa missão como jovens, né? E hoje, não tão jovem, com 50 anos, mas eu procuro passar isso para os meus filhos. Erraram, com certeza, temos que lutar bastante, mas se erguer.
Eu acho que nas dificuldades que cada um de nós enfrenta, muitas dificuldades, mas esse foi um exemplo de superação. Porque eu lembro que já estava tudo preparado, faltando uma semana para fazer, para acontecer o festival quando. .
. Ele faleceu. Eu usei o mesmo sapato dele.
Nem tão assim! O sapato do Jair é uma coisa. .
. É, eu dou condições. Não era uma coisa muito maluca.
E você tem que entrar; você tem que olhar para aquelas pessoas, né, e saber que o Jair não estava fisicamente, mas ele estava presente em cada cena, em cada olhar, em cada gesto, porque a gente conviveu. A neve conseguiu. Ainda tem um tempo, e isso foi uma coisa muito, muito marcante.
Então, eu acho que são esses pequenos exemplos, né, que através do festival, através do senhor, dessa brilhante ideia de Deus, festivais. . .
isso é um pequeno exemplo que eu acredito que outras pessoas que participaram desse momento, não só o nosso grupo, né, mas outros grupos, cada um tem a sua particularidade. Eu lembro muito que nós concorremos na época dourada. O odor acumulou, ou esperando o motor.
O Zezinho hoje se tornou a Yum, é um dos melhores diretores de teatro. O Oráculo estava disputando por "Esperando Godot". É uma coisa assim, né?
Eu espero. Voltou, é uma coisa que naquela época, professor, era assim: a gente ficava olhando aquele negócio lá. Era surreal.
"Morte e Vida Severina" foi. . .
foi legal! A gente ganhou todos os prêmios; a gente ganhou, beleza! Mas não tinha muita coisa; era muito mais a interpretação.
"Esperando Godot", o professor Zezinho. . .
era uma coisa que naquela época ninguém imaginava que ele. . .
que eles iriam fazer aquilo. É uma coisa surreal. É uma.
. . sabe assim?
É. . .
acho que o Zezinho, já mudando um pouco, mas acho que o Zezinho nasceu pra isso, né? Então, eu lembro muito da Mônica, né? Então, andar.
. . porque ela possa partir daí.
Você contar isso aí, pensar na questão. . .
Toma! Como que você viu "Esperando Godot"? E mais algumas coisas que vimos.
. . O que você é?
Obrigado. Então, uma pequena pausa. Depois, nós finalizamos com o Mário falando sobre o esperanto.
Doeu. . .
fechamento. Até já!