E aí [Música] o Olá pessoal sejam todos muito bem vindos a mais um podcast e filosófico atividade que é promovida pela organização internacional Nova Acrópole do Brasil e para a nossa conversa de hoje recebemos o professor voluntário e carb soutullo que é da Nova Acrópole de Santos em São Paulo seja muito bem-vindo Ricardo Olá Danilo lá todos e nossa conversa de hoje vamos falar sobre a história sob o olhar da filosofia não vamos esgotar o tema e não é essa nossa ideia e muito menos trazer aqui verdades absolutas mas como ressaltamos em todas as ocasiões nós vamos conversar refletir ponderar e por fim extrair elementos que sejam úteis e práticos para as nossas vidas de maneira geral bombas falávamos antes de começar a gravação não é Ricardo em relação a essa questão que traz a história a palavra história o conceito do que significa a história Nós pensamos muitas das vezes que a história é apenas uma matéria que nós estudamos ser é pública ou privada quando somos crianças jovens vamos amadurecendo e indo para faculdade a gente tem uma imagem da história como um registro cronológico daquilo que é importante para uma cidade para um povo para uma civilização para o mundo em geral mas eu gostaria que além disso além de ser uma matéria dessa conotação que a história tem como matéria Eu gostaria que você falasse Além disso sobre a história como a memória da humanidade como Esse aspecto profundo de transmissão e de atemporalidade sem sim Danilo é exatamente isso é a gente tem um certo uma certa forma de pensar talvez até um certo estigma em relação a esse conceito da história né quando nos perguntam sobre o que é história primeira coisa que vem na nossa cabeça são datas personagens históricos e talvez algum momento de maior algum fato de maior ou menor valor para uma civilização ou para humanidade Mas se restringe a uma cátedra O que é algo muito reducionista né algo muito pequeno se a gente for falar da história com H maiúsculo né na verdade a história Principalmente quando se estuda os povos tradicionais né tem contato com Esses povos a gente vê que a história Era muito mais do que isso a história Na verdade era a memória da humanidade como assim a história na verdade sempre esteve relacionada com recolhimento de experiências sempre esteve relacionada com a ideia de repetir os acertos e não repetir os erros seja no aspecto individual seja no aspecto coletivo né como sociedade como estado a gente vai ver que no fim das contas a história acaba sendo um grande aglomerado de experiências da própria humanidade então o fim das contas era utilizada exatamente com com essa finalidade repetir acertos e não repetir erros Resumindo a história é uma tendência evolutiva no melhores no melhor aspectos né de caminhar é algo mais alto um algum algo superior Sem dúvida inclusive Enquanto você falava eu pensei em um exemplo bem objetivo em relação a isso né quando a gente lembra da história dos nossos pais ou a gente se dá ao Luxo de perguntar como eles se conheceram Quais foram as suas relações Quais são os vínculos que eles tiveram para que é se casar se não tivessem filhos Qual é a história dos nossos avós que a gente pergunta para eles também em algum momento deveríamos fazer isso tudo isso indica que nós estamos buscando saber as nossas origens as nossas raízes e isso traz a ideia da pergunta que eu vou te fazer agora que está relacionada com a questão da identidade ou seja a história como elemento de identidade Humana porque se nós não sabemos que nós somos as nossas raízes os nossos valores humanos a gente tem uma tendência muito grande a se perder no caminho da vida que é complexo é um emaranhado de experiências que sem uma consciência fazem com que a gente não entenda que há uma unidade as coisas mas sim uma dispersão música do contrário a história como identidade nos dá um aspecto profundo de uma possibilidade de nos reconhecermos através das nossas experiências que os nossos antepassados trouxeram isso vai muito longe né Eu gostaria que você falasse um pouco sobre essa questão eu vou usar um exemplo lúdico para para clarear um pouco essa ideia né de história como como identidade né Vamos agir o seguinte que eu tinha um dia a gente tá saindo da Nossa Casa tranquilamente uma nosso trabalho e por algum motivo ela caiu no vaso na nossa cabeça e andando na rua e ficamos inconsciente apagamos e quando a gente volta a gente não lembra de mais nada a gente não sabe Da onde veio quem não sabe o nosso próprio nome e não sabe para onde vai por Um Apagão né não há memória quando a gente fica nesse estado a gente é muito frágil né imagina que nesse processo que você está se tentando puxado a sua memória quem é você Da onde você veio para onde você vai aparece uma pessoa e fala não eu sei quem é você você é tá o cara que veio de tal lugar e estava indo para tal lugar como você não tem referência não restou outra opção a não ser acreditar se essa é sua real identidade se a sua real memória não sabemos mas como você não tem opção O que resta acreditar Isso muda toda toda a direção do seu destino Isso muda toda a sua concepção de passado Isso muda toda essa concepção de quem você é Resumindo não saberá a própria história acaba Mudando completamente quem é a quem a gente é ou até mesmo o nosso destino destino no sentido de Para onde vamos então é a memória como identidade quando a gente for Traz esse tema né É exatamente a gente ter saber qual é quais são os nossos princípios da onde nós viemos o que estamos aqui o que devemos fazer e na ideia de destino em última instância que é o que devemos alcançar o que devemos construir a onde Devemos chegar e se não temos história tudo fica muito solto E aí a gente tá a gente acaba sendo vítima de certas coisas por exemplo de manipulações de opiniões afinal de contas a gente não sabe de onde veio nem para onde vai então qualquer coisa serve então a gente acaba sendo o realmente vítima de de manipulações jogos de interesse em fim e a justamente sobre isso que eu quero perguntar para você algo bem específico quando a gente perde essa memória essa característica de lembrar que nós somos De onde viemos Quais são as nossas virtudes Quais são os valores pelos quais a gente atua cotidianamente isso faz com que a gente perca a noção de indivíduo e de sociedade e Por conseguinte de um estado por exemplo de romance uma ideia de identidade muito claro em relação seus valores as suas virtudes E isso se deu em um período da história a gente pode encontrar a mesma coisa em relação aos egípcios Ou seja a valores e a ideias específicas O que define uma civilização por isso ela é tão é lembrada historicamente agora quando não é esse processo a gente acaba se fragilizando o seja nós ficamos mais débeis mais frágeis perante a própria história perante o nosso próprio destino digamos assim tanto individual quanto coletivamente Eu gostaria que você falasse sobre algum exemplo inclusive que você queira relatar Nesse sentido porque é muito importante que a gente saiba quem nós somos uma maneira mais profunda e que a gente construa essa identidade humana e nesse processo evidente que a filosofia e todos os valores morais atemporais são preponderantes e quando esse processo não acontece quando isso não está inserido no nosso modo de vida nosso mostrar utilizamos como indivíduos e coletivamente se dá o mesmo processo e por isso eu gostaria que você falasse nessa questão específica da ausência de identidade como um processo de fragilização individual coletiva e civilizatória também Talvez um ponto mais sério disso seja é o fato de que sem identidade ficamos ficamos mais frágeis né ficamos suscetíveis a manipulação a a sendo vítimas de jogos de interesses enfim de exemplos o que o que podemos trazer e eu acho que até relativamente próximo ao nosso mundo ocidental são os próprios Romanos quem você citou quando a gente pega os historiadores Romanos é basicamente eles têm uma preocupação e é realmente é guardar de experiências quando você pega um Cícero você pega um Tito Lívio você perguntar se tu tiver essa finalidade histórica você vê que a preocupação maior deles é um aspecto que é fundamental em Roma que era política e não política no sentido o lugar que conhecemos hoje mas a política como essa capacidade de convivência e essa capacidade de dirigir homens de dirigir a humanidade Então a gente vai ver constantemente a história relacionada com a política porque é um aspecto humano e não pode ter muitos erros um aspecto humano fundamental então a história vai ser meio que um livro de experiências Para que erros não se repitam e acertos ocorre novamente e até mesmo é uma obra do Tácito chamado Germânia ele fala dos povos bárbaros Os Germanos né que era chamado de barbas e interessante porque quando ele relata Esse é um livro Betinho um livro fala de 50 60 páginas e quando ele relata sobre esse povo e ele relata as virtudes desse povo relato meu que tem Melhor mesmo sendo Romano resumido ao recolhimento de experiências é uma visão muito Ampla né Não mas não está presa a sua civilização o seu momento histórico é uma visão ampla bom então a gente vai ver talvez é a expressão né que eu sou humanos usam na qual a história como mestra de vida isso fica muito claro quando a gente pega alguns bons historiadores dessa época e vê como como a história é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento humano E recolhimento das experiências desenvolver no aspecto individual né complementando um pouco a resposta é sem história ou sem memória e como consequência sem a identidade Já falei a gente fica muito frágil né E essa fragilidade é a carreta com que a gente já e é levado por modas nosso período especial Modas certas formas de pensar e não condizem com a gente destas formas de sentir e não condizem com a gente o incluindo certas formas de atuar e não são muito próprias do homem vamos chamar assim né seus aspectos mais alto então quando quando a gente fala da história como como começa a ferramenta né que que pode nos afirmar em relação a nós mesmos estamos falando essa ideia de sermos cada vez mais nós mesmos através da história não sermos arrastado no mundo tão carente de valores né não e quando eu falo carente de valores eu quero dizer que no mundo em que as pessoas estão buscando coisas e acabam achando pseudovalores né então você faz fundamental esse essa ferramenta que a gente conhece hoje como história Oi e essa ferramenta chamada história como você bem colocou inclusive você falava dos Romanos no início da sua fala e é curioso observar como a história é um processo de transmissão de valores inclusive quando a gente se detém a estudar por exemplo os povos antigos os povos tradicionais como a gente costuma dizer por exemplo os romanos já citado enfim Esses povos tradicionais da antiguidade 3. 000 4. 000 anos dois mil anos Mil Anos Atrás todos eles deixam um legado muito importante através do registro histórico e a palavra que me vem à mente é a palavra tradição Por exemplo quando a gente estuda Eduard bom só com um exemplo onde relata o povo romano da época de nerva da época de Marco Aurélio ele relata um período Áureo da história onde uma série de experiências de valores foram difundidos naquele momento e o povo vivenciou aquelas experiências com mais profundidade por isso é importante falar sobre essa ideia da história como um aspecto de tradição e de transmissão de valores atemporais de eu fiz em relação à virtudes isso para os povos antigos que eu já havia relatado é algo muito importante eu gostaria que você falasse também da importância de nós compreendermos Essa visão que eles tinham desse processo histórico da tradição da transmissão e esse valor que eles davam para a história e o que nós podemos aprender das experiências deles também porque independente de nós sermos Romanos ou não egípcios ou não a experiência é humana e portanto ela transpasso as questões geográficas e temporais também os povos tradicionais que você falou só acho que têm duas palavras que definem muito bem né uma delas é você já aceitou aqui a transmissão EA outra é continuidade à ideia de transmitir para que o processo continue né se a gente tá falando aqui a a história da acaba sendo uma ferramenta para que a gente vai arrumar um destino e é mais que necessário que seja que tem uma continuidade né um galgar constante né uma construção constante dos povos tradicionais a história vai acabar sendo tão tão essencial tão fundamental e a história vai fazer parte da vida mítica quando a gente vê por exemplo os gregos né A gente vai ver que vai ter uma deusa da memória Oi irmãozinho e essa deusa vai vai ter relações com um dos deuses principais do Olimpo né quer Deus se encarna toda invés de potência né dê força e os filhos desses Deuses surgem as mudas as nove musas né que são as artes podemos chamar assim né E uma delas se chama aquele que é a musa da história é muito interessante a gente parar para refletir porque a história é uma deusa né aspecto é esse né então tão importante e para os gregos as musas eram fundamentais Porque sem as musas o homem não se constituía como grego ele não se tornava indevido Resumindo as musas eram aspecto fundamental da formação do homem grego a forma da da educação grega o e sem memória não é possível ter formação não é possível você integrar esses ensinamentos dentro desse então a memória nesse aspecto de recolhimento de experiência é fundamental para a formação do homem grego amor como eu citei né os romanos é era um pouco mais práticos nesse aspecto nós vamos chamar assim e os grandes historiadores que a gente vê na ocidentais em especial escrevendo entre os romanos né o intuito mesmo de não repetir erros e desenvolver a certos mais um aspecto que que eu acho que Vale ressaltar novamente exatamente a história dos povos tradicionais né a história como uma forma de transmissão e para que haja uma continuidade rumo ao seu destino em você citou você não tem história vai estar eternamente recomeçando e não faz nem sentido né chega ser pouco inteligente bom então com história da esse daí se sentido Perpétuo rumo ao seu destino né então sempre vai a gente vai ver sempre esse teor esse teu mítico por trás da experiência da humanidade por trás da do desenvolvimento dessas experiências tem uma outra questão que não há como não fazê-la em relação aos mitos a ideia que nós temos hoje de um modo geral ela é bastante limitado em relação O que significa um mito a gente relacionou mito como uma lenda como uma historinha para criança algo no âmbito da fantasia algo que é ilusório que não é real e que não tem serventia Por conseguinte O que é equivocado porque quando a gente vai estudar Platão só como um exemplo ele recorre muitas das vezes aos mitos e o mito tem sempre uma moral é como se fosse uma fábula seja de la fontaine de Esopo ou de outro Grande Fábio lista de qualquer lugar do mundo aonde em cada fase a moral da história ou seja ao ensinamento um mito é a mesma coisa com muito mais profundidade e por exemplo historicamente a gente consegue dar certos eventos históricos e quando isso foge a uma datação histórica as vezes acaba caindo num processo Místico onde Nós não sabemos quando isso aconteceu em que lugar aconteceu isso pouco importa Mas o que importa é a história o mito que está ali por trás o que se resguarda profundamente o que se revela é aquilo que nós podemos compreender como uma realidade profunda vivencial e claro aplicavam em nossas vidas como por exemplo os mitos heróicos dos heróis das heroínas que nos ensinam o modelo de exemplo de valores ante as provas da vida eu gostaria que você falasse dessa relação mito e história justamente em função desses aspectos que eu relatei para que a gente compreenda que a uma fundamentação nisso tudo e não é uma historinha para criança no sentido pejorativo do que isso implica sem sem esse é um aspecto fundamental Danilo fundamental mesmo o mito é que nem você falou e não é uma historinha né Daniel alguns autores colocam né que é uma forma de explicar fenômenos da natureza né na história para explicar a natureza não omisso fala da realidade profunda do ser humano seja no surgimento do Cosmos seja no surgimento da Humanidade seja na Fundação de uma civilização Ou seja no desenvolver de uma virtude seja no combate contra as habilidades internas sempre vai do mito então o mito é meio que o espírito de um povo Oi e a história são os fatos que nem você falou são os acontecimentos qual é o a grande relação que há entre estes dois aspectos é que todo fato é movido por um mito os fatos na verdade a expressão de um fato ter como motor massa interna algo de caráter espiritual geralmente por exemplo o que leva um povo a construir um templo e leva um povo açaí em campanha e expande um território O que leva um povo ser de caráter mais filosófico ou mais artístico ou mais Marcial tudo isso é porque tá regido por um mito é um olhar muito profundo na verdade que infelizmente o homem contemporâneo foi perdendo é que toda toda a expressão factual né Toda expressão manifestada vamos chamar assim é na verdade é apenas um resultado de uma mentalidade mítica né é movido por um espírito mítico por exemplo se você quer entender porque o povo Espartano é é de caráter Marcial e tem essa forma de pensar e essa forma de vida você tem que entender seus Mitos É sim sim a gente investigar conhecer os aspectos míticos a gente vai cair em preconceitos e vai cair em dogmas a gente vai cair em e opiniões e diga-se de passagem é algo muito atual né Por mais que Platão falasse sobre a doxa né que é opinião O que é algo muito atual há porém se a gente conhece os mitos de um povo a gente vai com a entender Por que tá o povo ajude tal forma Resumindo os fatos a história é apenas a expressão de algo mais interno que geralmente é de caráter mítico E caminhando agora para o encerramento do nosso podcast Eu gostaria que você fizesse as suas considerações finais tratando de elementos que você não abordou ao longo da nossa conversa fazendo uma síntese do que você considera como principal nesse processo de olhar a história do ponto de vista da filosofia e como nós podemos fazer isso também sendo estudantes ou não de filosofia praticantes ou não de Filosofia de uma maneira inteligente de uma maneira eficaz para que a gente possa se relacionar com a história e construído também a nossa história por isso que é muito importante é esse processo filosófico para olhar para a história e com essa mensagem eu gostaria que você encerrar se então o nosso podcast de hoje o Corinthians já acrescentou né no mundo que parece até certo ponto de valores a gente tem acesso a a história a grandes feitos a Grandes Homens tudo isso inspira a alma na tudo isso inspira a humanidade Luís faz com que ela ela tem esperança então a história faz a gente se lembrar e resgata a certas experiências e talvez o fato das dificuldades atuais parecem perdidas mas não estão perdidas Por que pertence a nossa pertence a humanidade bom então a a história tanto no seu aspecto individual como coletivo se bem trabalhada e bem investigado a se bem desenvolvida ela realmente pode elevar a humanidade patamar você pode fazer com que a gente se torne um pouco mais alto um pouco mais elevado e tem e nos dê é um destino Claro para onde a gente deve ir um e também nos de uma ideia de ancestralidade sabe da onde nós viemos em veio antes de nosso que fizeram bom e com tudo isso ficando cada vez mais claro o nosso destino enquanto humanidade eu quero final de contas a humanidade é Una né Por mais que as formas sejam diferentes o espiritual mesmo então a história pode realmente é nos dá um Panorama de destino um Panorama por onde nós devemos ir e a grandeza da onde nós devemos chegar dessa maneira encerramos então o nosso podcast de hoje agradecendo novamente a presença do professor Ricardo soutullo a Nova Acrópole de Santos e claro desejo que seja sempre muito bem-vindo obrigado Danilo Obrigado a todos e para aqueles que queiram nos contatar podem fazer através do nosso site nova-acropole.
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