Módulo 6 aula 6 Nesta aula, iremos especificar um pouco sobre os procedimentos do ensino do mando. A primeira coisa é que o mando deve ser imediatamente reforçado, ao ser inicialmente ensinado. Então a criança fala a palavra alvo, a palavra que a gente está querendo ensinar, e a gente deve entregar o reforçador imediatamente.
É interessante que a gente evite elogiar a criança ou elogiar o comportamento da criança quando ela emite um mando. O reforçador para o mando é específico, nós não devemos elogiar, nós devemos entregar aquilo que é o reforçador específico para aquele mando que a criança emitiu. É interessante observar quais palavras a criança já sabe falar e quais são alguns estímulos reforçadores para ela.
Isso aumenta as chances de que ao ver um determinado estímulo e falar o nome daquele estímulo, a gente consiga reforçar aquela resposta verbal como um mando. É mais fácil que a criança fale porque ela já fala em outros contextos, então ela já tem articulação vocal necessária para emitir aquela resposta verbal. Ensinar mais de um mando de cada vez pode ser interessante porque o nosso objetivo é que a gente ensine mandos que sejam específicos de reforçadores.
Se nós ensinamos apenas um mando, uma topografia para várias coisas, isso pode tornar mais difícil que essa criança aprenda outros mandos. Vou dar alguns exemplos disso. Algumas pessoas tendem a ensinar a criança a dizer ajuda.
E aí essa criança diz ajuda quando ela quer água, quando ela quer um brinquedo, quando ela quer sair de algum lugar, quando ela quer colo, veja que essa resposta vocal, esse mando vocal, não é específico. Então ela não especifica um reforçador, uma consequência. Ela fala aquilo de modo generalizado.
Essa não é uma resposta muito eficiente porque quem está ao redor não sabe exatamente o que a criança quer. Ela tem que fazer uma leitura e uma interpretação se essa criança está voltada para alguém ou para algum objeto, olhando para algum objeto, mas o mando não é específico da consequência que precisa ser produzida. Outros exemplos é que as pessoas ensinam as crianças a dizer mais, ou por favor, ou simplesmente dá quando a criança quer alguma coisa.
Mas novamente essas são topografias ruins, um pouco difíceis porque elas vão ser usadas em situações de privação diversas. Então fica muito difícil o adulto saber o que a criança quer. Escolher alimentos para ensinar mandos inicialmente é uma boa estratégia, então você entrega um pedaço de alimento para a criança diante de um mando específico daquele alimento, e é interessante porque a criança vai consumir, desde que o pedaço de alimento seja pequeno e ela ainda está em privação.
Ou seja, ainda tem uma operação motivadora ali e aí essa criança pode pedir novamente e novamente. Então você pode obter várias ocorrências do mando. O mando pode ocorrer várias vezes ao longo de uma sessão e não é necessário, diferente de quando a gente utiliza um brinquedo, pedir de volta aquele estímulo.
Então usar alimentos quando nós estamos começando a ensinar mandos e alimentos que sejam altamente reforçadores para uma criança é uma boa estratégia. Também é interessante arranjar um ambiente de modo que haja outros reforçadores no campo visual da criança. Mas esses reforçadores não devem estar ao alcance da criança.
Então eu posso colocar alguns livrinhos, brinquedos ou itens comestíveis no campo visual da criança e eu posso incentivar a criança, porque ela está vendo aqueles estímulos e ela pode estar querendo aqueles estímulos. Então se ela falar o nome daqueles itens, eu vou entregar para ela uma unidade daquele item. É muito importante evitar dar muitos itens de uma só vez porque você perde a oportunidade que a criança exerce de falar aquele mando, ou seja, pedir por aquele item.
Uma criança que comece a brincar com uma bola, nós podemos deixar ela brincar um pouco, a gente pode interromper a brincadeira e depois segurar esse item e esperar que ela peça por esse item. E essa também é uma estratégia interessante porque nós já sabemos que aquele item é interessante para aquela criança, é um item preferido naquele momento, ou seja, há uma operação motivadora, agindo e nós podemos simplesmente parar a brincadeira e esperar a criança emitir o mando. Aqui eu estou dando vários exemplos de comestíveis, de objetos, de brinquedos, mas não necessariamente o ensino de mandos precisa passar por esse tipo de item.
Algumas vezes nós fazemos brincadeiras sociais e essas brincadeiras sociais podem também envolver a prática de mandos. Então vamos pensar numa situação em que eu esteja brincando com uma criança de aviãozinho. Eu posso ensinar essa criança a dizer avião e essa criança diz avião e eu pego ela, carrego ela e faço a brincadeira do aviãozinho com ela.
Essa é uma brincadeira interessante para os mandos porque essa criança não consegue ter acesso a esse reforçador que é uma atividade sozinha. Ela precisa de um mediador, ela precisa de uma outra pessoa que reforce o comportamento dela. Uma última dica no ensino de mandos é usar uma estratégia menos estruturada para os mandos.
Nós vamos discutir em um outro módulo algumas estratégias e estruturas de ensino, mas nessa circunstância do ensino de mandos é muito interessante que a gente use um ensino naturalístico ou incidental. Ou seja, que a gente participe da brincadeira, que a gente consiga seguir as operações motivadoras da criança, os interesses da criança, momento a momento. Estratégias muito estruturadas podem deixar escapar os interesses da criança naquele exato momento e às vezes a gente se sente na obrigação de ter que fazer aquele ensino, de que a criança de fato peça pelas coisas.
Uma situação menos estruturada e mais divertida pode favorecer a ocorrência de mandos e também facilita o que nós chamamos de generalização. Então, é muito importante que essa criança consiga pedir, não apenas quando eu estou tentando ensinar para ela, mas quando qualquer pessoa está interagindo com ela. Nós vamos falar depois sobre generalização e a importância da generalização, mas aqui já antecipando um pouco esse tópico, quando a gente ensina mandos em situações pouco estruturadas, as chances de que essa criança também peça, também emita esses mandos diante de outras pessoas em outros contextos, aumenta bastante.
A gente sempre começa ensinando mandos de maneira mais simples, mandos mais simples com uma palavra, uma palavra curta, uma palavra de duas ou três sílabas. Isso vai depender um pouco do repertório dessa criança. Mas depois a gente precisa avançar para mandos mais complexos.
Os mandos são uma parte muito importante do repertório verbal de um indivíduo. Os meus exemplos até aqui foram de mandos bastante simples, mas existem mandos mais complexos. Por exemplo, quando alguém faz um pedido por informações pessoais, alguém pergunta qual seu nome, onde você mora, quantos anos você tem?
Essas respostas, essas perguntas, elas são mandos. São mandos por informações pessoais. Quando alguém pede a localização ou pergunta onde é algum lugar, por exemplo, ah, onde fica a escola?
Qual é a saída? Onde fica a sala 15? Essas são perguntas que são mandos, por informações.
Mandos por explicações também são considerados mandos. Quando eu digo como isso funciona, eu estou pedindo explicações para alguém sobre alguma coisa. Ou como se faz um bolo?
Esse também é um mando. Existem detalhamentos que alguém pode pedir. Por exemplo, qual ônibus eu devo pegar para ir para o centro da cidade?
Ou o que é isso? O que você quer dizer com isso? Todos esses são mandos.
No entanto, eles são mandos um pouco mais complexos ou muito mais complexos do que aqueles que a gente ensina inicialmente para uma criança. No entanto, à medida que o nosso cliente vai aprendendo mandos mais simples, nós vamos também ensinando para ele mandos mais complexos como uma forma de melhorar o repertório verbal do nosso cliente.