é a primeira vez que eu vi um filme do diretor japonês hayao miyazaki e devia ter uns 11 anos eu tinha ido ao cinema ver a viagem de chihiro uma animação sobre a qual eu não sabia quase nada em algumas horas depois quando eu sair da sala de cinema eu tava completamente maravilhado e eu sempre fui fã de fantasia de histórias incríveis com seres estranhos dragões magia mas isso aqui isso aqui era algo diferente e eu não sabia explicar o porquê desse filme ser algo diferente com o passar do tempo o miyazaki se tornou um
dos meus diretores favoritos eu conheci outras obras dele e muitas delas me tocaram profundamente não é à toa que dois longas dele estão na minha lista de filmes favoritos de todos os tempos a viagem de chihiro e o castelo animado é mas a verdade é que eu nunca consegui explicar direito porque os filmes do miyazaki me impactaram tanto mesmo depois de rever as animações dele várias e várias vezes e até que um dia eu li uma entrevista que o crítico americano de cinema roger ebert fez com o miyazaki em certo momento da conversa o crítico
decidi elogiar um aspecto específico dos filmes dele hibbert disse que adorava o movimento gratuito nas obras do cineasta japonês ou seja como os filmes dele de vez em quando parecem dar uma pausa na trama e mostrar momentos em que não acontece nada de especial ii a liberty disse em vez de todo momento ser ditado pela história às vezes os personagens vão apenas sentar por um momento o vão suspirar olhar um córrego ou fazer algum outro não para avançar a história mas apenas para dar uma sensação de tempo de espaço e de quem eles são é
a primeira cena que me veio à cabeça quando ele isso foi esse trecho aqui de a viagem de chihiro quando a chihiro e os sem-rosto fazem uma viagem de trem e durante esse trecho nada demais acontece a gente só vê os dois no vagão não tem diálogo não tem ação só eles olhando a paisagem passar e quando liberty falou que gostava desse movimento gratuito mesaque tinha uma resposta pronta a gente tem uma palavra para isso em japonês é chamada de má o vazio isso instalar intencionalmente e eu percebi então que isso era uma das coisas
que eu achava fascinante dos filmes do miyazaki mas sem nunca ter entendido direito oi má e esse conceito realmente é algo muito antigo na cultura japonesa para entender melhor o que ele representa vamos pegar o símbolo usado em japonês para escrever ma e ele é a combinação de outros dois caracteres um que significa porta o portão e outra o que significa sol a partir daí a gente já começa a ver a relação entre esses dois conceitos e a ideia de amar como assim calma você já vai entender que nem minhas aqui disse na entrevista mas
é um vazio mas não é só isso ele não é um vazio qualquer ele é um vazio com propósito ele é importante e tem um significado o significado que se expressa na ausência de algo e os caracteres usados para escrever na ajudam a entender isso lembra que eu falei que aqui a gente tem porta e sol juntos pois bem uma porta aberta é essencialmente o espaço vazio um vão é mas através desse vazio que a gente consegue enxergar a luz do sol que passa pela porta ou seja na é uma ausência que permite que algo
se manifeste através dela oi e essa ideia é muito usada na expressão artística nas artes plásticas por exemplo o mata em relação com o que se chama de espaço negativo e negativo aqui não é no sentido de ruim é apenas o espaço não preenchido mas enquanto muitas pessoas podem enxergar o espaço negativo apenas como o fundo da imagem a ausência de figura outras podem entender ele como parte crucial da composição a gente pode ver isso muito bem por exemplo no trabalho do artista mc s a o quê para nessa obra aqui e ele brinca com
nossas ideias do que compõem o fundo e o que compõem o primeiro plano e eu quero espaço negativo começa a se tornar cada vez mais uma figura proeminente e aí a gente vê esse uso do espaço negativo com propósito até mesmo em logomarcas de empresas quanto tempo demorou por exemplo até você perceber que a logo do carrefour é na verdade um c e muitas vezes a gente demora pra entender isso justamente porque a gente está acostumado a achar que o branco é apenas um espaço vazio mas é nele que se encontra o verdadeiro símbolo da
empresa a letra inicial dela o uso de existe também em outras áreas no desenho industrial e na arquitetura é a ausência de material mas que faz parte da composição e nos quadrinhos é a transição entre os quadros o espaço em branco que faz a ligação entre as imagens e na música é a pausa entre as notas tão importante quanto as próprias notas 1 ah pois bem agora que a gente já entendeu melhor o conceito de mar como a gente consegue ver isso nos filmes do miyazaki bom é bem o que o rádio liberty falou na
entrevista com o cineasta os filmes do miyazaki são repletos de ação e de movimento isso não dá para negar é mas a questão é que essas histórias têm um senso de equilíbrio muito grande é isso significa que a gente também tem cenas que apenas fazem uma pausa há momentos de pura contemplação e esses momentos em que nada acontece entre aspas podem até não avançar a história mas as minhas aqui quer mostrar para gente que isso não é necessariamente um problema que também é importante tem um tempo para contemplar para absorver os mundos e os personagens
que ele nos apresenta na entrevista com liberty unisac comenta sobre como outros cineastas fazem filmes infantis as pessoas que fazem filmes tem medo do silêncio elas ficam preocupadas que o público vai se entediar que eles vão se levantar e ir comprar pipoca mas só porque o filme é oitenta por cento intenso o tempo todo isso não significa necessariamente que as crianças vão te abençoar com a concentração delas é o que realmente importa são as emoções subjacentes você não deve abandonar os eu acho que essa é uma das razões que me fez sair do cinema tão
impressionado quando vi a viagem de chihiro pela primeira vez naquela época eu ainda não entendia mas o que me aconteceu foi um sentimento intenso de imersão não só graças ao meu fascínio pelos elementos fantásticos do filme mas também porque miazaki permitiu que o mundo criado por ele se construísse na minha frente com um ritmo com um propósito e eu vivi as aventuras de chihiro mas também contemplei o mundo ao redor dela ela parou e eu parei com ela o que cada vez que eu vi a outro filme da minha zaqui essa experiência se repetir e
o castelo animado caminhando lentamente pelas montanhas é um pouco roxo voando em seu avião o motor ea satsuki esperando um ônibus na chuva [Música] ah e hoje eu consigo entender melhor o porquê dessa cenas terem marcado porque para mim é através desses momentos vazios que os mundos imaginários de miyazaki se manifestam com mais intensidade e tal como a luz do sol que passa pelo vão da porta lá [Música] bom então é isso olha tem bastante tempo que queria fazer o episódio sobre o miyazaki e em especial sobre esse tema que a gente falou hoje porque
faz uns três anos eu acho que ele essa entrevista e desde então ela ficou na minha cabeça agora eu quero ouvir o que vocês tem a dizer vocês também são as minhas aqui e você se lembra de outros filmes que também tem essas pausas que tem na fique à vontade para escrever aqui embaixo nos comentários tudo que vocês pensam a respeito disso lembrando que se vocês quiserem conferir as nossas fontes e links para outras coisas legais relacionados a este episódio é só dá uma olhada aqui embaixo na descrição do vídeo que se esta é sua
primeira vez aqui no entre planos eu ia adorar se você se inscrever no nosso canal para não perder nenhum dos nossos episódios basta clicar no botãozinho vermelho de se inscrever que tá aqui embaixo desse vídeo mais uma vez muito obrigado pela audiência um abraço e até a próxima seção 1 e aí