[Música] bom para falar sobre o sufrágio feminino no Brasil eu vou voltar um pouquinho no tempo para falar sobre o Brasil do século 19 nesse século nós temos diversas transformações diversas mudanças não só no Brasil mas também na Europa pós-evolução francesa após Revolução Industrial Então essa modernidade aí entre aspas acaba influenciando também os acontecimentos históricos aqui do Brasil e no século XIX no Brasil não foi diferente a gente vai ter independência vamos ter depois do desdobramentos do primeiro e do segundo reinado até por fim chegar na proclamação da república em 1889 e É nesse contexto
histórico que nós vamos ter aí o surgimento de das primeiras mobilizações a respeito do papel da mulher dentro desse contexto da modernidade onde nós vamos ter mais sobre essas questões vai ser na imprensa bom lá para 1850 18 esse modo de vida burguês europeu vai começar a ter influências mais fortes aqui no Brasil Então os periódicos os jornais as revistas da época vão refletir essa questão E aí em 1860 a gente tem o surgimento de um jornal dedicado às mulheres dedicado aos assuntos vamos dizer assim femininos então em 1852 surgiu o jornal da senhoras esse
jornal vinha com todo um editorial pensando numa valorização das mulheres é claro que colocando num contexto histórico daquele momento a gente vai pensar numa valorização da mulher mais voltada para a questão espiritual para as questões domésticas ou seja questões relacionadas à Vida da mulher como mãe como esposa na década seguinte de 1860 constringimento das causas abolicionistas a mulher vem com um papel mais centrado arrecadar dinheiro arrecadar fundos para organização do movimento abolicionista é tão relacionada a linha de frente vamos dizer assim da política mas de forma indireta ali usando a causa da Abolição como uma
forma de se colocar no discurso público e principalmente porque nesse contexto é ser abolicionista e pensar na questão da Abolição da escravidão também era visto com bons olhos principalmente para as mulheres da elite brasileira a partir da década de 1870 outros jornais femininos foram fundados pensando muito mais na questão da mulher tendo direitos iguais à educação essa educação comparada com a dos homens viria principalmente para que a mulher pudesse ter uma formação que fizesse dela esposa uma melhor mãe ainda não tão relacionado a outras questões emancipatórias ao mesmo tempo que existiam outras figuras que escreviam
em jornais que defendiam uma educação voltada para a questão da emancipação financeira da mulher e jornais que já começavam aí a pontuar o desejo pelo voto feminino informações significativas vieram a partir de 1891 com a discussão da Assembleia constituinte para Nova Constituição da República é super interessante esse momento porque nós vamos começar a ter início de debates a respeito da inserção da mulher na política porém alguns deputados e boa parte deles não concordavam com o fato da mulher brasileira poder participarem então do voto ou até mesmo se candidatar a algum cargo político isso porque a
justificativa desses deputados vinham em torno da ideia de que a votação poderia levar ao fim ou até mesmo prejudicar o papel da mulher como mãe como esposa dentro da casa dela né dentro da questão doméstica nós temos um exemplo bem conhecido do deputado Barbosa Lima que defendia que o voto da mulher poderia acabar entre aspas com os alicerces da família brasileira então nós tivemos aí uma forte discussão e o voto feminino não foi inserido na Constituição de 1891 ou seja nós iniciamos aí o nosso país a nossa República com essa questão o cidadão ele vai
ser considerado apenas o homem Alfabetizado maior de 21 anos é curioso porque quando a gente pega ali o texto da Constituição de 1891 ela não deixa explícita ou não foi explicitado que a mulher não tinha esse direito nós temos ali apenas a ideia de que o cidadão teria esse direito ao voto essa questão da mulher não estar citada diretamente também foi algo para brechas e questionamentos sobre a nova constituição bom mesmo com isso o movimento pelo sufrágio feminino ou seja pelo direito ao voto das mulheres não foi abandonado no início do século 20 nós tivemos
aí a iniciativa e a mobilização de diversas mulheres que foram destaque e que contribuíram depois para culminar no voto feminino na década de 30 um exemplo é em 1910 a fundação do Partido Republicano feminino feito por leolinda Daltro e Gilka Machado essas duas mulheres aí então de destaque vão fundar esse partido e Mesmo não tendo ali a o direito da participação política de votar de serem votadas a ideia das duas mulheres era fundaram um partido que chamasse a atenção para causa e para essa discussão é bem legal o exemplo da leolinda Porque ela passou cinco
anos como professora no sertão de Goiás ensinando etnias indígenas a língua portuguesa ali Olinda tinha uma visão como professora de que a educação indígena deveria acontecer é o ensino da língua portuguesa deveria acontecer mas claro sem apagamento ou sem retirar as características culturais das etnias indígenas inclusive pensando que o ensino da língua portuguesa poderia muito mais contribuir para a integração dos indígenas interior do Estado a leolinda também tentou uma participação no Instituto Histórico geográfico e na discussão a respeito do que fazer com as etnias indígenas mas ela foi impedida de participar mesmo assim a iniciativa
do Partido Republicano foi bem importante para chamar a atenção da sociedade para discussão inclusive como professora a le Olinda trouxe também uma discussão dentro de uma escola que ela lecionava lá no Rio de Janeiro chegando a fazer uma marcha com 90 mulheres em 1917 lá no Rio reivindicando esses direitos femininos Infelizmente o Partido Republicano feminino desapareceu no final da década de 10 mas nós temos aí uma espécie de surgimento de uma nova figura importante para o movimento dos direitos das mulheres em 1918 que é aberta a luz ela era filha do cientista dolfo Lutz se
formou em biologia na universidade de sorbone em Paris e de volta ao Brasil começa então uma iniciativa de reivindicação os direitos da mulher especialmente o voto feminino uma das questões muito fortes da bertaluz era essa questão da emancipação feminina em um artigo numa revista em 1918 ela vai dizer o seguinte a mulher não deve viver parasitariamente de seus sexo antes deve tornar-se capaz de cumprir os deveres políticos que o futuro não pode deixar de repartir com ela aberta Lute sempre falava sobre as mulheres se unirem em ligas em associações e é por isso que 1922
ela vai formar a Federação Brasileira para o progresso feminino essa Federação tinha várias questões a respeito dos direitos das mulheres mas como eu disse o foco vai ser um sucesso feminino e isso vai trazer diversas consequências para essa questão eu tô falando bastante aqui sobre essas mulheres mas é importante destacar que boa parte das mulheres da Federação Inclusive a própria Beta Lutz fazia parte de uma elite Econômica brasileira e isso ajudava bastante de certa forma aí poderem transitar dentro dos espaços políticos também de serem ouvidas é mas a gente não pode esquecer que nesse mesmo
contexto da década de 10 nós temos o surgimento do movimento operário aqui no Brasil e as mulheres trabalhadoras pobres que estavam nessas fábricas e que também reivindicavam os seus direitos também se organizaram de certa forma no entanto como a professora da Unicamp Margareth hagocita essas mulheres operárias elas faziam parte dos movimentos mas por conta da questão machista da época também foram deixadas de lado e não se tornaram líderes nesse movimento operário essa foi uma das grandes perdas para discussão a respeito dos direitos do trabalho das mulheres inclusive do voto feminino nesse momento de toda forma
mesmo fazendo parte da elite essas mulheres da Federação que eu comentei com vocês elas não deixavam de sofrer críticas por conta das suas reivindicações então é muito comum a gente ver no jornais nas revistas charges que que satirizam toda essa questão do movimento feminista principalmente pensando naquele mesmo argumento que eu comentei com vocês lá do século 19 de que o voto feminino iria masculinizar as mulheres ou queria fazer com que a família brasileira tradicional pudesse cair é num fim por conta dessa participação das mulheres na política é até interessante pensar que um dos argumentos das
mulheres da Federação era de que não o voto não iria fazer com que elas perdessem tempo doméstico ou que não iria atrapalhar tanto assim até uma forma de fazer uma certa conciliação com essas elites políticas para conseguir esses direitos bom mas então vamos avançar um pouquinho aí no século 20 no início da década de 30 o Getúlio Vargas toma o poder por meio da chamada Revolução de 30 e aí em 34 após a Revolução Constitucionalista nós temos a assembleia que iria discutir a nova constituição brasileira e a Federação da Berta Lutz vai ser muito importante
para essa discussão do voto feminino e aí que nós vamos ter algumas condições para que essa mulher pudesse participar da política [Música]