E aí, [Música]? E aí, [Música]? Tá bom, tá começando.
Então, a nossa formação de hoje sobre a "Apologia de Sócrates" de Platão é porque eu escolhi esse texto, né? Primeiramente, o que falar sobre esse texto produzido por Platão? Por que meditar um pouco sobre a figura de Sócrates?
E eu acho que esse texto tem dois aspectos aqui que me chamam atenção. Primeiro, é lógico que esse é um texto que acaba salientando bastante alguns aspectos que eu entendo serem fundamentais da concepção clássica de educação, na própria concepção cristã, depois católica, de educação, né? Nós temos ali toda uma análise, uma exposição.
Platão faz uma descrição de quando Sócrates realmente é preso, no AM, e nessa prisão ele acaba tendo um conjunto não só de vivências, mas de discursos e expressões. Ele aponta a maneira como Sócrates vê a vida, como ele compreende essa realidade humana, e como nós deveríamos lidar com determinadas situações. Ele vai chamar atenção para alguns pontos que, de fato, me parecem imprescindíveis na questão da concepção clássica de educação.
Além disso, eu acho que algumas coisas que ele coloca também são extremamente pertinentes no momento que nós vivemos hoje na nossa sociedade, que é um período bastante confuso, né? E eu acho que Sócrates pode talvez nos dar algumas luzes nesse sentido. A primeira dificuldade que nós enfrentamos quando falamos do pensamento socrático, como todos sabem, é justamente a questão de que Sócrates não escreveu nada, não produziu nada.
Nós sabemos que não temos uma obra de Sócrates, né? O que nós temos são relatos e testemunhos de discípulos de Sócrates, como Platão e Xenofonte, né? Então, a imagem que eles apresentam de Sócrates é uma imagem altamente positiva, né?
Ou seja, Sócrates é considerado ali o grande mestre, que eles tiveram. Então, tanto Platão quanto Xenofonte e outros, na medida em que Sócrates é preso e depois morre, acabam criando um certo tipo de gênero literário, que é a apologia. E ela nada mais é do que você fazer a defesa de algo.
Então, falar da "Apologia de Sócrates" é, de certa maneira, falar da defesa que Platão procurou fazer do seu mestre e mostrar que Sócrates, no fundo, foi mais um inocente, é profundamente injustiçado pela sociedade ateniense. Xenofonte, na sua "Apologia", vai mais ou menos na mesma linha, e outros discípulos também. Agora, a dificuldade surge porque você pega um comediante como Aristófanes, que escreveu uma peça de teatro chamada "As Nuvens", onde ele apresenta a figura de Sócrates de uma maneira um pouco diferente, ironizando evidentemente e mostrando às vezes que Sócrates é um vendedor do saber, quase que a ideia de que ele fosse um sofista como qualquer outro, né?
Alguém que está ali preocupado em levar a sua vida, cobrar para ensinar, etc. Então, ele mostra uma imagem bem carregada, uma caricatura muito forte de Sócrates. Às vezes, fica toda essa discussão, né?
Qual foi o Sócrates histórico, real, ou se é aquilo que Platão disse, ou se Xenofonte disse, ou se Aristófanes disse. Não, evidentemente, eu não pretendo dirimir essa questão. Já se escreveu muito sobre isso, há muitas discussões, mas a verdade é que, na grande maioria das vezes, o que nós falamos sobre Sócrates, o pensamento dele, a sua filosofia, ou como ele vê a educação, etc.
, é baseado muito mais naquilo que os seus discípulos disseram sobre ele. Na grande maioria das vezes, leva-se em consideração bastante o que Platão escreveu. Quando nós pensamos enquanto civilização ocidental e concepção clássica de educação, lógico que existem textos que são fundamentais também nesse sentido, como a "Ilíada", a "Odisseia" de Homero, né?
Os mesmos outros textos, não é, ali no contexto do mundo grego, mas eu escolhi começar pela "Apologia de Sócrates", que é um texto que eu, particularmente, gosto muito, acho muito interessante, e eu acho que é um dos textos que todos deveriam ler. Eu acho uma pena, né, que os nossos jovens, e principalmente ali, eu acho que um adolescente de 16 anos, 17 anos, já teria condições de ler esse texto, se fossem, evidentemente, preparados para isso. Ah, e não tanto no sentido de ficar ali às vezes filosofando no sentido do extremamente técnico, não é isso, mas de ter um contato com essa obra, porque ela nos traz muitas coisas, né?
Ela marcou profundamente a nossa civilização. O mundo ocidental foi marcado por muitos elementos presentes nesse texto. Então, eu gostaria de chamar a atenção para alguns pontos da obra.
Não vou aqui expor cada capítulo, cada livro, não é isso, não há tempo para isso. Eu quero apenas expor algumas ideias, alguns pontos, articular. E é lógico, a partir disso, no fundo, convido cada um dos senhores a ler esse texto, a ler essa obra, e a partir dessas informações, ter determinados referenciais até para poder compreender um pouco melhor o próprio texto, a própria obra.
O evidente é que esse vídeo não substitui a leitura, e não é a leitura do diálogo; é o melhor do diálogo, não da obra feita por Platão. Bom, então, como nós sabemos, Sócrates foi acusado, segundo a narrativa platônica. Ele foi acusado de corromper a juventude e foi acusado de ateísmo, né?
Então, a questão de se negar a adorar os deuses atenienses, e, além de não querer praticar determinada religião e não adorar os deuses de Atenas, etc. , ele também foi acusado de acabar levando à corrupção da juventude, incitando a juventude a se revoltar, a ficar, digamos assim, protestando, incomodando as. .
. Pessoas, e evidentemente que Sócrates vai procurar, segundo Platão, se defender dessas acusações. Ele vai apresentando, muitas vezes, todo um conjunto de argumentos e ideias para poder justificar isso.
Uma coisa que chama a atenção em Sócrates é que ele entende que recebeu uma missão. Ele tem que, de fato, defender que recebeu uma missão do divino. Portanto, ele, na realidade, está sendo acusado e preso não porque corrompeu a juventude, não porque ele, de fato, negasse a existência de qualquer divindade.
Aí, a gente vê que o próprio conceito de ateísmo no mundo antigo é um pouco diferente daquilo que vai surgir no contexto da modernidade a partir do século XVII e XVIII. Ou seja, a ideia de que o ateu é aquele que nega totalmente a possibilidade da existência do divino. No contexto do mundo antigo, vê-se que no caso de Sócrates é diferente: ele é acusado de ateísmo não porque não acredita em uma divindade, mas porque ele nega a existência de algumas divindades, principalmente ligadas à questão de Atenas e outros lugares.
Ou seja, ele critica e questiona profundamente uma determinada concepção do divino e um certo tipo de prática religiosa, e ele é classificado nesse contexto como um ateu, da mesma forma que os primeiros cristãos, que também muitas vezes foram acusados de ateísmo porque se recusavam a adorar os deuses romanos, principalmente a figura do imperador. Ora, o que Sócrates vai dizer sobre isso? Ele vai dizer que, em um determinado dia da sua vida, ele estava visitando o Templo de Apolo e um dos amigos que estavam com ele resolveu consultar esse templo.
E quem foi consultado? O Oráculo de Delfos, para consultarem a sacerdotisa. E, a partir dessa consulta, o amigo voltou todo feliz, dizendo para Sócrates que foi revelado que ele seria o homem mais sábio da Grécia.
Sócrates, então, disse que achou tudo muito estranho, falando: "Ah, você não entendeu direito", ou "Você não compreendeu muito bem o que a sacerdotisa disse" ou "Ela se enganou de alguma forma". Mas não fazia sentido eu dizer que eu sou o homem mais sábio da Grécia. Enfim, o amigo dizia assim: "Eu e ele".
Então, resolveu lhe provar que alguém ali teria se equivocado, e no entendimento dele, como provar? Qual é a melhor forma? Eles vão, é simples: "A estratégia que eu vou usar é conversar e dialogar com aquelas pessoas, com aqueles grupos que são considerados os mais sábios de Atenas".
Então, o primeiro grupo que ele procurou foram os políticos e, depois, os poetas, e, depois, os artesãos. Ele procurou e, de fato, narra que teve uma decepção profunda ao conversar com essas pessoas. Ele foi percebendo que elas muitas vezes apresentavam a fachada de que eram sábias e queriam vender uma certa imagem de que eram sábias, mas que, no fundo, não eram portadoras de uma verdadeira sabedoria.
E, no caso dos políticos, isso fica claro. Quando você começa a questioná-los, a fazer determinadas perguntas, eles não sabiam responder ou explicar quase nada. Então, livre disso, já foi a primeira decepção.
Eram pessoas que, às vezes, tinham um certo domínio de retórica e oratória, mas nada mais que isso, e não sabiam explicar muita coisa, movidos pela sede de poder e, portanto, apresentando uma imagem positiva para manter esse poder perante a sociedade. Dos poetas, ele diz a mesma coisa: ouvia as poesias que eles clamavam, mas quando você perguntava sobre a origem e a estrutura daquela poesia, eles não sabiam explicar. Ou seja, a poesia é muito mais fruto de uma certa inspiração divina do que realmente resultado de uma sabedoria da qual eles seriam portadores.
E Sócrates também disse que não viu essa sabedoria nos poetas. Viu poesias bonitas, mas não que foram criadas por eles, sozinhos, a partir de uma sabedoria conquistada. E, no caso dos artesãos, ele diz a mesma coisa: porque só porque, às vezes, dominavam uma determinada técnica, achavam que eram sábios.
O fato de você saber fazer uma determinada coisa e reproduzi-la não quer dizer que você já sabe por causa disso. Então, devido a essas experiências, ele de fato começou a achar que, ali no Oráculo de Delfos, realmente teria ocorrido alguma coisa no sentido de que ele recebeu uma missão e talvez realmente fosse o mais sábio de todos os homens. Mas aqui, segundo Sócrates, na Apologia de Platão, e lógico, Sócrates falando isso ali para aqueles que estão julgando, tem ali os seus discípulos.
Existem pessoas que vêm do julgamento; ele é julgado, e Platão vai escrevendo, narrando isso e mostrando Sócrates falando essas coisas, ao mesmo tempo em que instiga o diálogo, fazendo perguntas e interlocuções. Então, ele se dirige aos seus acusadores, mas também aos seus discípulos; ou seja, aqueles que o amavam, que estão defendendo, mas aqueles que o prenderam e acusaram, e entendem que ele tem que sofrer. E aí, povo, tudo isso, ele disse: "Olha, de fato, eu realmente recebi uma missão, e essa missão era ajudar as pessoas a passar por um processo de despertar da consciência".
E por que esse despertar da consciência? Porque muitas vezes a autoimagem, ou seja, a imagem que a pessoa tem de si mesma. .
. É extremamente irreal e ilusória a forma como a pessoa se vê. Ela se vê, às vezes, como uma grande pessoa, grande e sábia, mas, na realidade, não é nada disso.
Isso é uma aparência. Você já parece que é uma coisa, mas, no fundo, ali na realidade, no seu cérebro, é outra. A Vitória diz: "A minha missão é despertar a consciência das pessoas, é fazer com que elas acordem desse sono profundo.
" Por isso, ele se compara, né? Aí tem muitos que comparam até a questão de Sócrates, o famoso galo de Asclépio, né? Porque ele diz: "O que o galo faz?
" O galo, a pessoa está ali dormindo e, quando ele começa a cantar, a carne já disseram que o galo faz, ele acorda a pessoa, que desperta a pessoa do sono profundo. Só que, portanto, disso, olha a missão que eu recebi. Talvez seja mais ou menos essa: despertar as pessoas desse sono profundo, dessa letargia, dessa falsa consciência e das ilusões.
E ele disse: "No fundo, é por isso que as pessoas estão irritadas comigo, estão nervosas. " Ou seja, "vocês estão me prendendo, estão me acusando," e um monte de gente quer que eu seja preso e morto. Não é porque eu corro pela juventude e não é porque eu não acredito em nada ou tenho uma vida moral e religiosa; é porque, de fato, incomodo o erro das pessoas.
Eu levei as pessoas, né? Ou pelo menos colaborei para que realmente elas vissem a sua verdadeira realidade, a sua condição, a sua situação. Então, essa tomada de consciência sobre si mesmas e esse despertar da consciência, o início de realmente ter uma vida íntegra, a vida na liberdade.
Bom, então, só que eu fiz isso, provavelmente muita gente está irritada comigo por causa disso, por causa dessa missão que eu recebi. Ele diz, de fato, "talvez eu seja o homem mais sábio da Grécia, né? " E, portanto, essa questão de ser o mais sábio não é no sentido de que eu sei tudo.
E aí vem a famosa frase dele, né, que muitas aparecem dependendo da tradução: "sei que nada sei. " Ou seja, essa ideia: "sei que nada sei. " Sócrates diz, de fato, "devido a isso, eu sou mais sábio que os outros.
" E não porque eu saiba tudo; não porque eu saiba, ou seja, portador de uma sabedoria no sentido positivo de ter o conteúdo ali, né, dominado, seja um conjunto de informações, um conjunto de conhecimentos. E aí tem um domínio desse conjunto; eu sou possuidor de uma sabedoria no sentido positivo de saber várias verdades. Ele diz: "Não, não é isso.
Eu sou sábio, eu sou mais sábio que o outro. Por quê? Porque eu sei que nada sei.
" Ou seja, eu tenho consciência da minha própria ignorância, eu tenho consciência das minhas próprias limitações, daquilo que eu não sei. Portanto, né? Portanto, o que ocorre é que as pessoas estão incomodadas porque, quando eu comecei a questionar, perguntar e refletir com essas pessoas, eu comecei a mostrar para elas que elas não eram tão sábias como achavam.
Elas diziam: "Eu sou mais sábio. " Não porque eu sei tudo, não porque eu sei a verdade, mas porque eu sei que não sei. Ou seja, eles não sabem, eu também não sei, mas a diferença é que eles acham que sabem e eu sei que não sei.
Então, é aí que está o princípio da sabedoria, segundo Sócrates. Ora, o princípio da sabedoria está justamente no que? Na consciência da própria ignorância, no reconhecimento da própria ignorância.
E esse é o princípio da sabedoria. Sócrates, evidentemente, mais apresentando outros argumentos, outros elementos, vou mostrar que, de fato, ele está sendo preso, acusado de maneira injusta. Não vai se desenvolvendo diálogo nesse sentido e vão ocorrendo vários pormenores nesse texto de Platão que é "Apologia de Sócrates.
" E o que é interessante em todo esse processo é que aqui a gente vê o próprio conceito de sabedoria, né? Mas, além dessa coisa do "sei que nada sei," a gente vê aqui um elemento que é extremamente socrático, uma expressão que aparece mais ou menos no texto, mas no desenvolvimento do texto. Aí deve estar ali e talvez seja a grande identidade do socratismo: é o famoso "conhece-te a ti mesmo.
" Ou seja, nesse despertar da consciência, nessa tentativa de cumprir a missão que o divino lhe deu, o que Sócrates quer fazer nesse despertar da consciência é levar as pessoas a se conhecerem. Ou seja, esse processo do exterior para o interior. E aí tem algumas passagens que são belíssimas nesse sentido, onde ele fala que o grande problema das pessoas é que elas cuidam extremamente do seu corpo, da sua história, da exterioridade.
Então, há uma preocupação com a corporeidade, há uma preocupação com a sua saúde, com a sua estrutura física, com o que vão beber e comer, com as riquezas, com as posses, né? Aí ele vai elencando as várias preocupações e cuidados das pessoas. Ele diz: "Mas qual é o verdadeiro e grande cuidado, o primeiro que nós deveríamos tomar?
É o cuidado de si. " E o que é o cuidar de si? Segundo Sócrates, não é no sentido narcisista — não é isso — não vai entrar nisso.
O cuidado de si, deseja o cuidado da alma, né? E quando ele fala em alma, né, não só nesse sentido do princípio vital; ou seja, não é alma no sentido apenas daquilo que me vivifica, mas é alma também no sentido do centro da minha identidade, do meu ser. Então, por isso que a questão socrática não é apenas antropológica, mas é educacional e ética.
Ou seja, a impressão que dá é que a grande pergunta que está por trás. . .
Esse é o padre Henrique de Lima Vaz, por exemplo, em seus textos de ética, ele chama. . .
Muita atenção para isso, né? Principalmente na ética filosófica, um, né, quando ele faz ali toda uma reconstrução histórica. Muita atenção justamente para isso.
Vai falar da grande pergunta, talvez, que Sócrates faz: é como devemos viver? É como devo agir? Como eu devo viver agora?
Como que eu vou responder como eu devo viver se eu não sei quem eu sou? E, do ponto de vista socrático, não tem como saber quem eu sou se eu não cuido, não analiso, não cultivo toda uma observação e análise daquilo que vai além da exterioridade ou da mera corporeidade. Então, o cuidado de si pressupõe o cultivo da vida interior, e cuidar da própria alma significa ficar não apenas voltado para a exterioridade, para aquilo que eu posso captar no âmbito da esterilidade da sensibilidade, mas tomar essa postura de ensimesmamento, né, de uma reflexividade, esse voltar-se sobre si, evidentemente por intermédio da razão no pensamento.
Então, esse 180 graus, onde eu volto sobre mim mesmo e vou examinando, investigando de fato o que é, né, o que, de fato, eu sou. Oi! E aí, só que você vai ver.
. . Ah, eu sou uma alma.
Eu sou um ser capaz de pensar, escolher e agir. Então, na medida em que eu vou realizando esse ato de autoconhecimento e vou me vendo como uma alma, ou seja, um ser capaz de pensar, inteligir, refletir, ter consciência da própria consciência, bom, e ver a minha real situação. Ele disse que essa era a intenção, e muita gente ficou incomodada com isso.
E ele diz: quando os jovens começaram a me seguir, eu não estava corrompendo a juventude. Eles simplesmente se aproximaram, viram o que eu estava fazendo, e questionando, perguntando, e levando as pessoas a questionarem, refletindo sobre a sua real situação. Os jovens viram isso, se encantaram e começaram a me seguir.
E depois, muitos começaram a fazer o que eu fazia, mas não que eu mandei eles fazerem. E aí, visitaram. .
. Oi, e devido a isso, seja, aqui, incomodamos tantas pessoas, e eu estou aqui, me prenderam, estou sendo acusado, e agora querem que eu morra. Mas tudo isso é injusto, porque, no fundo, só procurei cumprir a missão que eu recebi do divino, e já intenção, digamos, revolucionária nenhuma, mas fazer com que as pessoas despertassem a partir de todas aquelas considerações.
Nós vemos, o quê, então, né? Ou seja, do ponto de vista educacional pedagógico, como eu já dizia, para Sócrates, a educação não pode simplesmente ficar ali focada na questão da educação da corporeidade, da dimensão física, ou de toda a questão da sensibilidade. Ou seja, o autoconhecimento não é o voltar-se sobre si.
Toda essa questão da reflexividade é muito importante para buscar se conhecer, e, principalmente, devido a toda essa conotação ética e de moral, né? E aí entra uma questão ética-moral muito séria. Ou seja, que é justamente esse apego, né?
Às riquezas, aos bens desta vida, etc. e tal. Então, na realidade, Sócrates mostra que, infelizmente, a maioria das pessoas está profundamente preocupada, e vamos assim, com os bens materiais, com as riquezas ou com a fama e a glória dessa vida, mas não tem esse cultivo, né, de cuidar da própria alma.
O motivo disso, hum. . .
e ele de fato entende que isso é um grande problema, ou seja, na medida em que o ser humano se preocupa com tudo, menos em cuidar da sua própria alma e se conhecer, e ter uma vida que, de fato, esteja de acordo, né, com a verdade, com a racionalidade do certo, nessa busca constante. É por isso que no seu método, ou seja, que vai ser explicitado por Platão depois, em outros diálogos, como no Teeteto, né? Ele, quando fala ali desse mesmo, eles se comparam à parteira, né?
E a mãe dele era parteira. E eles se comparam a uma parteira porque a parteira não gera a criança, né? Ela só ajuda a criança a nascer, que está ali.
Então, ele entende que a maiêutica é justamente isso, ou seja, por um lado, uma dimensão primeiramente catártica, né? É o que ele tentou fazer: fazer com que as pessoas se purificassem das suas velhas ideias, das suas concepções equivocadas, das suas ilusões, e acordassem daquele sono profundo. No processo educacional, deve fazer justamente isso, né?
Fazer com que a pessoa aprenda a pensar, a buscar o autoconhecimento, a refletir, e, portanto, se libertando de um monte de ilusões ou concepções equivocadas. Mas a maiêutica não se reduz apenas a isso. Ela está ligada não só a essa dimensão de purificação, de catarse, mas a dar à luz a novas ideias, né?
Ou seja, por isso que o mestre é aquele que não só ajuda na purificação, mas que ajuda a gestar as novas ideias da alma daquele educando, fazendo com que ali nasça, realmente, né, as novas concepções. Então, agora, isso mostra, né, você já voltando para a prova questão da estrutura da Apologia de Sócrates. Nós vamos, todo o processo de ser preso, de ser acusado, e as defesas que ele vai fazendo, até que chega o momento que, de fato, tem esses elementos.
Como eu disse, eu, seja, Sócrates mostra como que ele recebeu uma missão, procurou cumprir essa missão e está pagando o preço de ter, de fato, cumprido, né, incomodou muitas pessoas. Oi! E aí, vão ficar mais irritados com ele ainda, porque vão sugerir à sogra.
Você pergunta a Sócrates, né? O que, de fato, ele então gostaria, né? Qual é a sugestão dele para que ele, enfim, resolvesse essa situação.
E ele entende que ele fez um bem tão grande pelo Estado ateniense, pela cidade, né, por aquela realidade, que ele deveria se aposentar e ser sustentado até o. . .
Final da sua vida, ele e sua família, então é óbvio que se desperta ainda mais daquelas pessoas. O que ele realmente entende, isto é, se ele cumpriu sua missão e estava na sua integridade, verdade, porque ele ia aceitar lá as opções que estão apresentando, né? Alguns queriam que ele fugisse.
A fuja ou não, jeito que você fugir. Fazer, mas se eu fugir isso, eu tô te reconhecendo que eu tô errado. Não, não vou fugir, né?
Eu não posso ir contra a minha consciência. Eu não posso ir contra aquilo que realmente eu procurei viver de maneira tão clara, tão íntegra, tão verdadeira. E também não aceita fugir; ele não aceita pagar, não é uma multa, né?
Ele não aceita tantas outras opções. A principal é quando dizem para ele: "Olha, vamos combinar o seguinte: você vai ser solto, você vai ficar livre, né? Tranquilamente, desde que ao sair daqui, você não incomode mais ninguém.
Você só precisa prometer para nós que você não vai sair daqui, você não vai continuar fazendo perguntas, fazendo questionamentos, né? Querendo levar as pessoas a pensarem" ou, como você disse, "fazer as pessoas acordarem". Não basta você parar com isso, ou seja, segue a tua vida, você vai ficar livre, solto, né?
Não vai ser preso e morto, desde que você pare de fazer perguntas, questionar e querer levar as pessoas a pensarem sobre a realidade delas e acordarem dessa suposta ilusão que elas ficam. Sócrates não aceita isso de jeito nenhum. E aí, de fato, tem a famosa frase dele, ou seja, "eu não aceito; prefiro morrer do que ter uma vida assim".
Por quê? Porque uma vida que não pode ser pensada é uma vida que não vale a pena ser vivida. E isso é muito sério.
Manda as frases extremamente, né? É importante que nós encontramos na Apologia, ou seja, o que Sócrates está querendo dizer com todas as letras, né? É que existe, sim, uma questão de dignidade moral.
Bom, então, se para continuar vivo o sentido meramente biológico, físico, eu preciso abrir mão de um dos meus princípios, eu preciso ir contra uma própria lei que eu ajudei a defender e eu preciso, de certa maneira, abrir mão da minha natureza. Porque se eu não posso perguntar, se eu não posso questionar, se eu não posso refletir, se eu não posso pensar sobre a própria vida, seja minha ou do outro, é como se eu tivesse que abrir mão da mesma natureza racional da minha alma. Então, Sócrates diz: "Para ficar vivo, para ser só e continuar vivo, eu preciso abrir mão de tudo isso; eu prefiro morrer".
Porque existem coisas que realmente são imprescindíveis, inegociáveis. Nós vivemos uma época, por exemplo, que dá dó, é triste. No momento que nós estamos, essa pandemia, a doença, sei lá o que é.
Nem vou entrar em detalhes, visto que não tenho conhecimento disso. Mas a gente vê o quê, né? A doença existe e, simplesmente, a maioria das pessoas surtaram.
Bom, então, uma coisa é as pessoas terem receio, tomarem cuidado, fazerem o que precisa fazer para evitar algumas coisas. Mas a impressão que dá, e aí eu acho mais triste ainda, são aqueles que se dizem cristãos e católicos e parece que só existe essa vida, só existe isso daqui; não existe mais a eterna, não existe a alma e não existe algo depois. Isso é muito sério, porque parece que para manter essa vida, as pessoas estão dispostas a abrir mão do que for.
Sócrates não tinha nada a ver com a questão do cristianismo ou o que for, ele vem e nos ensina uma coisa extremamente profunda. Ou seja, a vida é uma coisa bonita, a vida é uma coisa dela, mas não vale a pena viver de maneira desfigurada e de maneira moralmente indigna, onde eu preciso abrir mão do meu caráter. Se eu preciso abrir mão da verdade, da minha consciência, eu preciso corromper minha consciência; eu preciso abrir mão de coisas verdadeiras e princípios inegociáveis, é melhor morrer.
E aí, Sócrates, de fato, termina o diálogo dizendo isso: "Olha, eu estou caminhando para a morte; vocês estão caminhando para a vida, tá bom? Vocês vão continuar vivos". Ele toma cicuta, lá, morre, etc.
Eu digo: "Estou caminhando para a morte; agora, quem é que vai levar a melhor parte e quem é que caberá o melhor quinhão? " Ele disse: "Não sei, mas Deus sabe". Então, ele não nega a existência do divino, mas ele questiona profundamente a prática ateniense em relação à religião.
Bom, então, a partir de tudo isso, eu entendo o que de fato é a Apologia de Sócrates, escrita por Platão. E, independentemente, repito, em todas aquelas funções nesse texto aqui, o que é próprio do socratismo e o que já é, né, platonismo. Elementos da filosofia de Platão.
É difícil, às vezes, separar uma coisa da outra, mas, independentemente disso, eu acho que Sócrates vem e nos mostra a importância, né, desse processo educacional. Eu te ajudar a despertar a consciência para a verdade, para aquilo que é nobre. É, né, é importante o fugir também, é uma ideia de que o importante é vender uma falsa imagem para os outros.
Não, eu preciso me conhecer realmente como eu sou. E se eu quero realmente ser sábio, eu preciso, em primeiro lugar, reconhecer a minha própria ignorância. E, a partir disso, entrar em todo um processo de purificação das minhas ideias, das minhas opiniões, dos meus conceitos e buscando constantemente a verdade.
Essa busca contínua, segundo o socratismo, e a partir disso, na medida em que também vou, aos poucos, me conhecendo e despertando na minha consciência para tantas coisas, eu também vou vendo aquilo que realmente é importante, é essencial. Não adianta me preocupar tanto com as coisas. Que passam e que se desintegram, isso é efêmeras, mas eu devo buscar realmente vivenciar o verdadeiro cuidado.
O cuidado da alma é o cuidado daquilo que é íntimo de mim, que me ajuda a ser um ser humano melhor e que vai me ensinar a como realmente viver enquanto ser humano, fiel à minha natureza. E agora, se eu tentar fazer tudo isso e, infelizmente, muitos se incomodarem, hum, esse para continuar vivo, eu precisar abrir mão de tudo isso. É melhor morrer de uma forma digna do que continuar existindo como o escroto, um velho bom.
Então, os pontos que eu gostaria de salientar são esses. E repito: leia o texto, pense um pouco nessas questões, né? Porque vale a pena.
É um texto, um clássico da nossa civilização, da nossa cultura, e que infelizmente a maioria não leu, não conhece. Peço desculpas, né, pela dificuldade que tive aqui, ou seja, caiu a internet, travou tudo, aí fiquei alguns minutos fora. Eu tentei resolver, mas tive que sair e voltar de novo.
Vamos ver se tem alguma pergunta aqui. O áudio está aqui com ela, lá da UNIF Marconi. Boa noite a todos, que a meditação.
Professor, obrigado, Marconi. É muito bom. Júlia, obrigado.
Pessoas, alunos, como estou? Legal. Se alguém tem alguma pergunta, gente, alguém quer fazer uma pergunta sobre "Apologia de Sócrates" antes da gente encerrar?
Se tiver alguma questão, pode fazer. O Ricardo, obrigado, bem colocado. E o Tiago, acho que alguém tinha pedido para falar o texto antes, né?
Aí eu vou fazer isso. Vai ficar bem na semana que vem, na segunda-feira. Aí a gente, aos poucos, vai se acostumando, né?
Então, na segunda-feira que vem, eu continuo novamente a minha devisão das nove e quinze até no máximo dez horas. E sempre vai ser um tema nesse sentido na semana que vem. E aí a pergunta: qual a tradução recomenda para "Apologia"?
Olha, eu gosto da tradução da coleção "Os Pensadores" e é uma tradução interessante, né? Eu uso, eu estou certo da coleção "Os Pensadores", etc. , e ensino.
Eu recomendo mais essa, né? Infelizmente, essa coleção "Os Pensadores" tem muitos problemas nas traduções, mas é só dá para usar. Bom, então a Anna quer ser pergunta a mesma coisa.
Alguma edição, toda a coleção "Os Pensadores". Maria Cristina, boa noite, obrigado. E perfeito, obrigado.
Mateus Rosa, pode. . .
Osasco, aí a beleza, pessoal. Eu que agradeço a participação de vocês. Então, uma pergunta do William aqui: Professor, pode-se fazer uma relação entre a morte de Sócrates e Jesus Cristo?
Olha, tem um livro que faz justamente essa relação, né? É muito comum na história fazer essa relação, viu, William? Era na Idade Média, tinha lugares que chamavam, usavam uma expressão "São Sócrates, Só Love", em "São Sócrates", né?
E fazer uma comparação, seja, Sócrates não escreveu nada, Jesus também não, né? Sócrates morreu pelo que viveu e ensinou. Jesus, de uma certa maneira, também.
Então, o que eu vou fazer é essa comparação, mostrando que tinha semelhanças em vários aspectos, mas também chamando diferenças, né? Mas tem um livro que eu acho que é do. .
. Eu não estou lembrando o nome do autor agora, mas tem um livro que faz essa comparação sim. E eu não estou lembrando agora o nome, mas se você quiser, manda uma mensagem para mim no meu e-mail ou pelas redes sociais.
Manda uma mensagem para mim no Instagram, William. Eu passo o nome do autor para você e do livro que faz essa comparação de Jesus e de Sócrates, tá bom? O Ricardo pergunta aqui: Professor, o filósofo, ele vive um dilema e da conversão?
É aquela história, né? Só que o seu. .
. Entendi a pergunta do Ricardo. Alexandre aqui: "E se eu sou filósofos vivos de leva na conversão?
" Sim, né? Eu acho que todo filósofo nessa busca da verdade, do conhecimento, ele vai acabar se deparando com essa coisa do sentido da vida, né? E vai acabar se deparando com esse problema de Deus, né?
E aí, aquela história: você vai se converter ou não? É um processo pessoal, né? Mas que passa por essas questões.
Passa assim, eu vivo nesse ambiente há anos e vejo isso claramente, né? O Léo, o Filipe pergunta: "E o livro 'Apologia de Sócrates'? " Léo, da coleção "Os Pensadores", a edição que estou indicando vocês, encontra até em PDF na internet, né?
O Marconi faz uma pergunta ali: "Qual a relação entre Mística socrática, platônica e Agostinho? " Marconi, a gente vai tratar disso. Alguém tiver interesse, gente, na quarta-feira, às nove e quinze, do mesmo horário, no meu canal do YouTube, toda quarta, vou estar fazendo uma sequência de aulas agora sobre filosofia e mística.
Então, eu vou tratar disso, Marconi. Eu vou falar sobre. .
. Eu vou começar, justamente, por Platão e Sócrates, né? A mística na tradição filosófica.
Quer ver? Primeiro, vou estar falando da mística na base antropológica dela e depois vou seguir uma sequência falando de Platão e Plotino, falando Agostinho, sobre como a mística foi pensada por alguns filósofos, tá? Relações entre mística e filosofia começam na quarta-feira agora às nove e quinze aqui no meu canal, tá bom?
Bom, então, essas questões eu respondo lá. Sim, Fábio Florence, por Fábio, tá? E paralelo entre a morte do Fox e de Cristo?
Sim, e como eu já tinha dito antes, né? Então, a questão do TJMS é mais isso. E aí.
. .