Bem-vindos à nossa live de cenário econômico e alocação global. Eu sou o Roberto Polit, head de estratégia de portfólio do BTG Pactual Advisors. Eu tenho o prazer aqui eh comigo eh João Scandius, sócio do BTG, estrategista chefe eh de Portfólio Solutions.
É, e hoje a gente vai conversar um pouquinho com ele sobre a a nossa visão de cenário e como a gente tá direcionando e ajudando nossos clientes a alocarem os portfólios à luz eh de tudo o que tá acontecendo no mundo. Eh, eu já tive o prazer de estar em outros debates com o João e não por acaso. A gente sempre traz ele no momento de uma volatilidade mais alta, sempre com um movimento de incerteza no mercado.
uma série de perguntas sendo feita por investidores, né, movimentos erráticos de mercado, eh decisões volátil voláteis de governos. Então, é sempre eh muito bom estar com você aqui pra gente poder debater, enriquecer eh a ideias, discussões para poder trazer eh o o fundamento paraa tomada de decisão eh dos nossos clientes. Eh, João, obrigado novamente.
Bom, obrigado pelo convite, Polite. Prazer estar com todos vocês aqui hoje. Eh, então, João, para começar, eh, a gente tá vendo no jornal todo esse efeito, né, desse movimento do Trump.
né? Eh, desde, obviamente, começou antes da da eleição, mas depois da eleição a gente viu uma certa calmaria. Eh, e, eh, quando ele anunciou que ia ter a famosa data do anúncio de tarifas, né, eh, no famoso Liberation Day, eu acho que aquele foi um turning point do mercado.
Eh, e o mercado levou um susto muito forte, teve uma movimentação muito brusca dos dos ativos. E aí eu queria que você trouxesse pra gente aqui pra gente entender um pouquinho quais as preocupações, né? E o que que é realmente uma preocupação, o que que é ruído, né?
O que que a gente pode considerar de todo esse movimento? Ele ele foi e voltou com algumas decisões. Depois a gente pode falar de outras decisões que ele voltou, mas qual é a principal preocupação com relação eh esse movimento de tarifas, o efeito na economia e juros e nos ativos?
A gente vai caminhando nessa linha para tentar decifrar um pouquinho isso. Tá bem. Bom, polícia, de fato, assim, o Liberation Day, né, dia 2 de abril, foi um choque pros mercados, né?
Todo mundo sabia que o Trump, enfim, né, tem uma agenda de tarifas, eles já tinham começado a implementar essa agenda antes do dia 2 de abril, né, com México, Canadá e China, com aço e alumínio, né, mas o que sempre se esperou assim, ah, vai ser uma agenda em que ele basicamente vai querer levar alguma vantagem aqui e ali, né, aquele lado mais negocial dele, The Art of the Deal, né, o livro dele e tal. É um pouco essa visão que o mercado tinha que viria uma coisa, enfim, eh, forte, mas não tão forte quanto o que veio, né? O que veio ali, eh, mostra de fato uma escalada tarifária que foi muito acima do que o mercado, do que o Fed esperava, né?
Qualquer agente econômico esperava, o próprio mundo, né, também, né? Então, o que o que que tá mostrando essa agenda do Trump? Ele tem diversos objetivos, né?
Alguns deles não econômicos, geopolíticos, mas alguns econômicos. do ponto de vista econômico, acho que eles estão indo para três objetivos que eles estão perseguindo com esse tema de tarifas, né? A gente tem eh um objetivo que é uma reindustrialização americana, que ela é importante particularmente para esse governo, naquilo que tem a ver com segurança nacional, né?
Existe uma leitura, eu acho que tá correta, que tem certas indústrias que é preciso ter em casa ou muito próximo de casa, porque se entrar numa guerra ou se tiver uma pandemia, você pode ficar na mão, né? se não tiver aquilo. Então eles estão com essa visão a sobre aço e alumínio.
Acho que precisava ser tudo, mas tem algumas eh áreas ali que são importantes com iss de segurança nacional. Eles vêm a própria indústria automotiva nesse sentido, porque obviamente isso pode ser num período de guerra transformado numa indústria de tanques, né? Eh, e vem eh outros setores, né, que ainda tão entrando, né, no radar de tarifas, mas, por exemplo, eh, a parte de semicondutores, eh a parte toda de eh enfim, equipamentos de saúde e fármacos.
Lembrando que a gente teve uma pandemia recente, os Estados Unidos ficou na mão da China, né, para, eh, enfim, vacinas e para certo tipo de medicamento, eh, e equipamento de segurança de saúde. Então, tudo isso tem a ver com uma agenda de segurança nacional, né? Essas aí, esses setores, eles estão merecendo tarifas setoriais específicas na margem de 25%, né?
Já colocou sobre aço alumínio, já colocou sobre automóveis e autopeças, com algumas exceções, tá? Depois me parece que tem um certo objetivo arrecadatório, né? O Trump ele prometeu mundos e fundos de corte de imposto e é preciso financiar isso de alguma maneira, né?
E ele sempre tem uma visão de que eu acho que é errada, né? A teoria econômica não corrobora, mas há uma visão de que eh quem paga a tarifa é quem exporta pros Estados Unidos. Então você pode colocar a tarifa à vontade, que é uma maneira de coletar dinheiro em cima dos outros, né?
Então ele tem essa visão e por isso que na hora de falar em tarifas recíprocas eles largaram de 10% para todo mundo. Uhum. Né?
Independente da tarifa, independente do saldo comercial, foi 10%. Me parece que os 10% estão aí para não serem negociados. E aí é uma visão como um piso, né?
acho que vai ficar ali de 10. E aí tiveram as tarifas chamadas recíprocas, né? Que de recíprocas tem muito pouco, porque, por exemplo, o Japão coloca tarifas baixíssimas nos Estados Unidos, mas tem um saldo comercial enorme.
O Japão pegou uma tarifa gigantesca que foi de 24%. Até teve uma crítica para saber como ele fez essas contas para chegar nessas tarifas recipas. foi com base em saldo comercial dividido por importações.
Ele queria no fim zerar o déficit entre os países. Exatamente. O que também não faz menor sentido porque ele quer zerar o déficit país a país, né?
Eh, isso não faz sentido, né? Então, assim, mas foi assim que eles escolheram fazer e tal. Isso gerou muita apreensão no mundo.
Foram tarifas extremamente elevadas. Para ter uma ideia, eh, quando a gente começou esse governo, a tarifa média americana era de 2,3% sobre as importações global, média. Global, eh, ela chegou a subir nesse Liberation Day para 27%.
Tá, depois já teve um retrocesso, a gente já viu que ele deu os 90 dias, né, para uma série de países negociarem. Esses 90 dias provavelmente vão ser rolados depois mais à frente, né? Então, já teve um certo retrocesso nisso e mesmo paraa China em que as negociações agora começaram, mas de uma maneira muito ainda preliminar, né?
Não teve um telefonema, né, do Trump com Xijinpim, eh, a gente vê que eles já recuaram também um pouco. Aí eu acho que tem duas coisas, né? Um pouco é uma preocupação que o Trump tá sentindo com eh consumidor americano, né?
Ele se incomodou, você acha, com efeito que isso teve nas bolsas ou nos preços? Eu não tenho dúvida de que se incomodou, incomodou sim com a forte reação que os mercados tiveram. E não foi só bolsa, né?
Acho que incomodou muito o governo americano, que foi uma queda de bolsa com alta de juros de treasure. Isso é super atípico e com perda do valor do dólar, né? Essa combinação é super atípica, tá?
O que a gente tá acostumado a ver numa crise americana, na pandemia, mesmo uma crise de 2008, uma crise financeira, costuma ver a bolsa cair, tá? O juro é fechar. Então o treasury se valoriza em preço com a queda de juros e o dólar fica mais forte.
A gente viu bolsa caindo, mas o treasury perdendo valor, juro abrindo, né? E o dólar mais fraco. Isso certamente não caiu bem no governo americano, né?
Mas foi rápida a mudança. Acho que isso tem um aspecto positivo, porque ele retroagiu rapidamente, né? Ele tá fazendo, a gente tá falando aqui que a gente sempre viu e volatilidade dos mercados, a gente tá vendo a volatilidade das decisões, né?
O decide uma coisa, reverte outro dia, o que é positivo. Ele tá até num num cenário de teste, né? Ele tá fazendo talvez um trial de colocar tarifas ou sair algumas medidas e depois corrigir isso.
Indo nessa linha, João, desse movimento, eh, esse impacto é bastante forte. que eu acho que no final do dia nós estamos falando aí de dois efeitos que a gente já até calculou, né, na nossos comitês a gente tem falado isso, a gente já tá revisitando eh o crescimento e inflação, né? E obviamente a a o recálculo desses dois fatores relevantes para o mundo de investimentos fez com que obviamente esse movimento de mercado acontecesse, né?
Então, eh, num primeiro momento, fala um pouquinho do da nossa visão desse impacto. É claro que a gente ainda não sabe qual vai ser o desfecho de tarifa, porque, obviamente, a o crescimento ou a desaceleração da economia vai depender do volume de tarifas efetivas ao final de todo esse processo. A gente ainda não sabe.
Mas o que que é hoje a gente tá falando e dá uma dimensão da mudança de crescimento e de inflação. E aí depois a gente entra no ponto que eu queria falar, que é bem interessante nesse mundo de investimentos, como o João falou, é esse fluxo atípico, né, de fuga do dos ativos americanos. Então, se você puder colocar pra gente aqui, vamos lá.
Eh, obviamente que assim pros Estados Unidos uma tarifa, né, ela é um choque que a gente chama de oferta em economia, né, e um choque negativo de oferta. Quer dizer, isso reduz a disponibilidade de produtos, né, eh, na na economia americana de produção, etc. Então, reduz crescimento de PIB, tá?
E ao mesmo tempo aumenta a inflação, né? Por que que reduz? Bom, o aumento de inflação ele é muito óbvio, né?
Porque as coisas que se você importa ficam mais caras, né? E essa que é a tarifa que o consumidor americano vai pagar, que o Trump acha que não, mas mas paga, né? Então isso aí fica mais caro.
Na parte de crescimento, como é que se dá o efeito? São múltiplos canais, né? Obviamente que tem uma questão de confiança, né?
Os consumidores estão mais apreensivos, com fato que as coisas vão ficar mais caras. Eh, tem um aspecto de investimento, né? Muitas empresas podem até num primeiro momento segurar investimentos porque elas não sabem eh quanto é que elas vão pagar, né, por insumos, né?
Um varieegista não sabe se vai poder ter um produto chinês na prateleira ou se vai ficar inviável. E mesmo empresas locais que usam produtos importados também tem essa incerteza, não é? Quer dizer, que a economia não é tão redonda.
Eu faço tudo nos Estados Unidos, vários produtos são tem componentes importados que t o seu custo impactado e assim afetando o investimento também. Exatamente. Aí você vê, por exemplo, uma indústria automotiva, né?
Eh, muitas autopeças vem de fora, mesmo você faça o produto acabado nos Estados Unidos, muitas autopeças elas vem de fora, né? Então, nesse sentido, assim, isso acaba dando uma desestruturada. E é uma das razões também porque ele voltou atrás, não foi só mercado financeiro, não.
A gente tem o Main Street, né? As empresas do setor real também batendo lá em Washington, dizendo: "Olha, pera lá, isso aqui não tá funcionando, vai destruturar, vai ter um efeito ruim e tal". Então assim, ele tá voltando um pouco atrás por isso.
Então os canais são esses. Tem obviamente um canal também, né? O fato de que o consumidor vai pagar mais caro, sobra menos dinheiro para comprar.
Então assim, tem uma eh por tá sendo uma taxação nesse sentido, né? Sobra menos recurso para comprar, então o consumo cai e tem o próprio efeito da bolsa sobre o consumo americano, porque o americano ele tem uma exposição às bolsas de valores, né? né, tanto a poupança, enfim, financeira dele, como também a parte especificamente de fundos de aposentadoria, os chamados 401 K, tem uma grande exposição à bolsa.
A bolsa cai, sujeito fala: "Ó, tô tendo uma perda, né? Melhor segurar os gastos aqui. " Então, tudo isso leva.
A intensidade disso depende, obviamente, da duração do choque, da intensidade das tarifas e tal, né? Então, começando pelo lado de inflação, já teve pior, né? A gente já calculou a tarifa no no ber 27 e hoje eu diria que ela tá nos 23% ainda super alta quantra os 2.
3 que era a pré-tarifa. Você acha que isso vai acabar ainda caindo um pouco mais? Tá, eu tô trabalhando entre 15 e 20 como resultado final desse processo, o que ainda é muito alto, tá?
Não vamos nos enganar que não não é não é que ele vai voltar atrás em tudo, né? Acho que tem agenda tarifária aí. Mas enfim, assumindo aí uns 18%, a gente calcula que a inflação que no nosso cálculo o núcleo do PCE, né, tirando alimentos e combustíveis, a gente calculava em 2,8% esse ano antes das tarifas, tá?
Agora já tô com R,94, tá? Então teve aí um impacto eh grande, desculpa, 3,74 374 74 o PCE é a medida preferida de inflação que o Banco Central acompanha, né? Exatamente que o Fed acompanha mais do que o CPI, né?
Eles acompanham muito o PCE, que é o deflator do consumo no PIB, né? Um índice de preços para isso. Então, então ali tem quase um ponto percentual de impacto na nossa visão, tá?
Do lado de crescimento, a gente revisou para baixo também. Então, a gente começou o ano com 2,5, tá? Já estávamos na faixa de 2.
2 e agora a gente foi para 1. 4, tá? Dos quais 0.
8 é uma herança do ano passado, que a gente chama em economia de carrego estatístico, não é crescimento desse ano, é mais um efeito base, né? Então assim, é crescimento, não tô no campo de recessão, tá? Porque a economia entrou bem nisso, assim, a economia americana tava dando um show de bola, né?
Assim, foi um tiro no pé, né? Exatamente. Foi um grande tiro no pé que que o governo Trump resolveu dar com essa questão de tarifa.
Mas enfim, é o que é que revisou para 1. 4, não é restão, mas é isso. É um choque de oferta, né, pros Estados Unidos.
Agora assim, é um choque global também. As pessoas ficam falando só de Estados Unidos, mas olha, pro resto do mundo também é um choque. Relativa, piorou pro Estados Unidos, mas relativamente piorou para todo mundo.
Piorou. Tem países que são super afetados, né? Você pega um Canadá e um México, né?
São muito afetados por uma tarifa americana, né? Porque 80 a 90% das exportações desse país vão paraos Estados Unidos. Então, se pensar colocar uma tarifa, mesmo que seja parcial como tá sendo ali, eh, isso tem um efeito muito grande.
A Europa é muito afetada, a China é muito afetada, né? Então, eh, todo mundo é afetado. Pro resto do mundo, como tá tendo pouca retaliação, acaba que é um choque de demanda, né?
Os Estados Unidos vai demandar menos, vai crescer menos, eh, os produtos vão ficar mais caros, vão demandar menos desses países. Então, é um pouco assimétrico, né? que os Estados Unidos vai aumentar a inflação e reduzir crescimento.
Pro resto do mundo vai mais afetar crescimento do que a inflação. Em alguns lugares até pode baixar a inflação, é, em alguns lugares, tá? E nessa linha, João, tem dois pontos que eu queria abordar, que é como o Banco Central eh eh percebe tudo o que tá acontecendo.
E e nós temos reunião do Banco Central Americano agora na próxima quarta-feira. a gente tinha uma expectativa de como ele ia conduzir eh as quedas de juros daqui para frente e obviamente houve uma mudança nesse tom, né, nesse tom ou na expectativa. Eh, eh, nessa linha, como é que você tá enxergando a atuação do Banco Central?
A gente teve até alguns dias de susto, eh, o Trump falando que quer demitir o Puel, que é o presidente do Banco Central. E aí ele voltou atrás depois que o mercado reagiu, eh, e hoje ele falou: "Não, não quero, não vou demiti-lo porque ele tem um mandato até início de 26, não tem por demiti-lo. " Então, o mercado também tá apreensivo, né?
E os preços dos ativos, né? A gente sabe que um componente importantíssimo de qualquer precificação, de qualquer ativo no Brasil e no mundo é o Fed Fund americano, né, que é o juros eh eh equivalente à nossa Selic aqui. Então, a gente tinha uma expectativa e hoje, obviamente, à luz de tudo o que tá acontecendo, eh, o Banco Central tem um mandato eh de manter a inflação controlada e lá fora, no nos Estados Unidos, eles têm um mandato também eh de eh manter um nível de equilíbrio de emprego, né?
a gente tá olhando para tudo isso e tá tentando interpretar como que eles vão agir. Eh, como é que você tá enxergando esse movimento, é, isso isso é bem importante, né, que você tocou, você tocou em termos e realmente cruciais, né? Teve a questão realmente que você falou da das críticas do Trump ao Paulo e teve essa conversa de será que ele pode demitir o pau assim, a gente não acha que ele tem o poder eh político para fazer isso e jurídico, né, assim, o direito de fazer isso, né?
Mas teve essa conversa e suje deixou os mercados super apreensivos. Depois, mais uma vez, acho que é mais um exemplo de que o Trump é sensível, quando os mercados ficaram muito apreensivos e começou a ter um prêmio de risco muito grande para isso, o Trump voltou atrás, disão, não vou demitir, né? E aí acho que também tem uma uma questão, não é só a questão jurídica, não, mas acho que politicamente é mais interessante pro Trump deixar o pau lá, né?
Porque com a desaceleração da economia ele vai poder apontar o dedo pro pau e dizer: "Olha, ele devia ter cortado o juro, não cortou e a culpa é dele". Tem alguma coisa parecida aqui, né? Pois é, né?
que é é um bod expiatório muito muito óbvio e tal. Então acho que ali acho que tem uma serventia política, né? Se o Trump vai e de fato substitui o pau, se fosse possível, ele estaria tendo o quê?
E a responsabilidade pelo que acontece a partir daí, né? Com inflação e com crescimento. É melhor deixar a culpa com outro, né?
E tal. Mas olhando pro pro Fed, né? Assim, o Fed, como você falou, ele tem um mandato dual, né?
Então ele tem um mandato que é estabilidade de preços, entendido como inflação de 2% e pleno emprego, né? E o problema de um choque de oferta é que cada coisa vai para um lado. A inflação vai subir, o crescimento e o mercado de trabalho vão piorar, né?
E aí o Fed vai olhar para que lado, né? Normalmente Banco Central num choque de oferta ele olha mais pro crescimento. Porque a ideia é o seguinte, olha, em condições normais, com ancoragem de expectativas, o preço muda de patamar.
Sei lá, você colocou um uma tarifa sobre um produto, sobre automóvel, automóvel muda de patamar, isso é percebido como inflação no primeiro momento, mas uma vez que mudou de patamar, ficou mais caro, ele vai ficar naquele novo preço. Isso não é inflação, isso é uma mudança de preço, né? Inflação é um processo contínuo de alta de preço e generalizado.
Se é um preço só ou alguns e é uma coisa que mudou de patamar e fica, isso não é percebido pelo Banco Central como um processo inflacionar. Então ele pode olhar mais pro lado do crescimento. O problema é que isso supõe que as expectativas de inflação vão ficar ancoradas, né?
Porque os agentes seguiam por expectativa. Se começar todo mundo a achar que aquilo é um processo inflacionário, aquilo vira um processo inflacionário, né? E como esse choque ele é muito grande, muito maior do que o Fed esperava, né?
E ele vem depois de anos de pandemia, em que a inflação ficou muito mais alta do que era a meta, o risco de uma desancoragem aumenta muito. Então, qual é a postura do Fed nesse momento? É dizer: "Olha, meu primeiro papel é garantir a ancoragem de expectativas, tá?
Se eu perder isso aí vai aumentar muito o custo da política monetária, que é o que aconteceu no Brasil, infelizmente. " Sim, né? Então ele tá dizendo, primeiro eu tenho que garantir isso.
E como é que você garante isso? É, como é que você garante isso sendo conservador? Você não vai sair cortando o juro com no meio de uma alta da inflação por tarifa.
Você vai esperar passar esse choque, né? Ter uma confiança de que o pior já passou, já fez uma inflexão ali e aí dá uma olhada pro emprego. E aí se o emprego começar a deteriorar, você vai e finalmente corta o juro.
Mas você não corta preventivamente. Não tem vacina nessa história, né? tem remédio, mas não tem vacina.
Então, o que eu acho que o Fed vai fazer é esperar, né, e esperar provavelmente ali para setembro, algo assim, quando já vai ter possivelmente passado o pior do choque inflacionário das tarifas e ele vai ter mais clareza sobre o crescimento, tá? Então acho que é um pouco por aí que a gente tá vendo. E aí eu acredito que ele pode cortar pelo menos umas três vezes os juros até o final do ano.
Aí 325 a curva, né, pessoal? A gente também eh o mercado precifica essa expectativa nas curvas de juros e as curvas de juros estão mostrando mais ou menos essa essa queda de três, né? Eh três eh três quedas de 0,25 e pro ano que vem mais duas e alguma coisa, né?
Então, e a a nossa visão de BTG tá muito alinhada com a do mercado, mas importante dizer é eh, pessoal, que a tendência ela continua. A gente tinha uma expectativa de queda eh de juros nominal, essa tendência continua. O que eu acho que mudou um pouco, né, João, é que eh com a inflação mais alta, a gente tá vendo que o juros real ele tá ficando mais apertado, né?
a gente tinha um juros real que desconta os juros eh do Fed Fund eh e desconta a inflação para você ter o juros real. E aí a gente tá olhando esse juros real um pouco mais comprimido, né? Expectativas, a ancoragem que você falou é importante porque existe uma mensuração, né, que se faz com agentes econômicos para você ver como tá essa ancoragem de de expectativa de de inflação.
Então a a a princípio parece que tá ancorado, né? Mas obviamente com esse primeiro susto ele vai querer ser mais cauteloso, mas a tendência não mudou. Eh, pegando esse gancho, João, de taxa de juros real, né?
Eh, eh, o, eu quando eu invisto no título americano, seja de 10 anos ou de 30 anos, eu tenho uma expectativa de retorno e todos os pretos, preços dos bonds e de outros ativos estão baseados nessa expectativa. Essa fuga, João, de eh de recursos dos Estados Unidos para fora, né? A gente teve esse movimento que você mencionou, você eh você eh colocaria isso?
Eh, é difícil colocar sempre no mercado, é muito difícil você ter causa efeito, né? É difícil saber o que vai acontecer, é difícil saber o que o investidor vai fazer com o fato que aconteceu, né? Interpretar o que aconteceu é também difícil.
Mas na tua visão, esse movimento, ele é uma discrença, ele é eh uma busca por um retorno maior, acreditando que o dólar vai se desvalorizar? Porque a gente teve uma desvalorização pessoal eh do começo do ano até agora do dólar em relação a moedas emergentes. Tem um índice que a gente usa que é o DXY, né, de de XY, que é a cesta de de e eh moedas eh principalmente desenvolvidas.
E você teve uma desvalorização do dólar da ordem de 8%. E obviamente esse movimento de bolsa, saída de bolsa e saída de título público, eh, o que que você tá enxergando desse movimento? O que que pode estar por trás disso?
Tá bom? Olha, assim, a gente não tem uma evidência ainda forte assim de uma grande saída de fato de de investimentos. Não, não, que tá tendo tem uma diminuição talvez de fluxo de entrada, porque antes também olhava para assim ano passado, eh, até o início desse ano era muito assim excepcionalismo americano e só dá para comprar ativo americano, né?
E dentro do ativo americano, basicamente tecnologia. Então era muito concentrado nisso tudo. Acho que eh o que tá acontecendo agora levou muita gente a pensar, eu tenho que talvez diversificar um pouco mais.
E de fato a gente na gestão de portfólios tem sempre portfólios diversificados, né, em outras regiões, além de Estados Unidos, etc. Embora os Estados Unidos tenha um papel preponderante porque uma economia maior, né, mais pujante, com mais produtividade que outras, mas enfim, tem uma diversificação, tá? Acho que tem um pouco mais de de dessa diversificação.
Agora, eh, eu não só apolaria muito assim, a gente viu de fato em abril, né, alguns momentos essa correlação, né, de bolsa caindo nos Estados Unidos, juro abrindo, voltaram quase que todos voltaram, voltaram bastante. E essas questões de correlação a isso, assim, quando tem um momento de crise, muitas vezes elas se quebram, depois elas voltam. Então, tem que tomar cuidado também para não extrapolar isso e dizer isso.
Agora é isso que vai ser daqui para frente. Não dá para ter mais, né? Eh, Estados Unidos, não dá para ter Estados Unidos sem R, eu não acho que é muito por aí não, né?
A gente tem que olhar com cuidado. Eh, ainda é um mercado financeiro, enfim, gigante que é eh dominante num certo sentido, né? Eh, muita gente tem se perguntado, será que o dólar vai perder o papel de reserva de valor?
Eh, eu não apostaria nisso, né? Tem, claro, os Estados Unidos tem os seus defeitos e e tem, acho que agora um certo prêmio de risco, né? Eh, por um governo mais mercurial, vamos dizer assim, né?
Uhum. Mas eh, poxa, quem é que vai ser essa reserva de valor no mundo, né? Eh, a Europa, poxa, zona do euro, exato.
Eh, tem, né, um certo status de valor, mas, poxa, aquilo é uma mal gama de países, não tem uma política fiscal consolidada, eh, um mercado de títulos que é muito menos líquido que o americano, né? Você pega o mercado alemão, ele é 15 vezes menos líquido que o mercado americano. Então, eh, e aí tem aquela fragmentação, é um pouco alemão, um pouco francês, italiano, grego, isso, aquilo e tal, pode ter crises fiscais, como já teve há uma década atrás, e isso pode colocar em risco o próprio euro, né?
Então, tem uma série de questões que não é tão simples. Você olha para uma China, claro, um país super vigoroso, interessante, produzindo novas tecnologias, mas tem uma conta de capital fechada, né? você não coloca e tira dinheiro da China com o seu bel prazer, né?
Então isso tudo coloca um pouco, o dólar ainda vai ter o seu papel. O que não significa dizer que o dólar, assim, a a moeda não pode se desvalorizar. O dólar eh se for olhar assim meados dos anos 2000, ele era muito mais fraco contra o euro, contra o Yend, do que ele é hoje.
Então pode ter ciclos de desvalorização, mas não se quer dizer que isso vai perder o papel de reserva de valor. Perfeito. Eu quis colocar isso pro João, porque eu recebo várias perguntas de clientes, né?
dizendo por e agora a gente tinha combinado de diversificar meu portfólio. A gente tem um número mágico de 30% offshore 70. É um número genérico que a gente modelou como sendo um número eficiente de a alocação global dentro de um portfólio eh de de investidores no Brasil.
30% lá fora e 70 aqui. E obviamente os 30% lá de fora tá muito canalizado pros Estados Unidos. Então esse debate é importante, a gente tem falado bastante no comitê da pujança da economia americana.
Ela ainda tá crescendo num ritmo muito acelerado à luz da da velocidade de cruzeiro e ela é muito forte em relação a outras opções que você tem, como China, como Europa, né? Então acho que isso é importante. A gente viu certo movimento até o nós aqui no Brasil a gente falou: "Opa, quem sabe agora sobra um pouquinho de fluxo internacional de investidores lá de fora pro Brasil, né?
Mas a a a o que a gente eh fala bastante, né? É que o Brasil ele precisa fazer a lição de casa dele, né? e também precisa torcer para dar tudo lá certo lá fora.
Então acho que tem essa essa combinação. Então eu acho, pessoal, aqui uma mensagem importante. Eh eh não mudou eh muito a locação como a gente tá direcionando a carteira dos clientes e eh ainda mais a gente tá percebendo como a diversificação é importante, né?
E eh quando a gente olha para ativos americanos, a bolsa até o treasury, eles quase que voltaram. O S&P quase voltou ao patamar de antes do Liberation Day. O o título público de 10 anos também tá rodando seus 4:27, que é um pouco abaixo do do final do ano.
Então assim, a gente não tá vendo uma disfunção, né, eh, do mercado a ponto de falar: "Puxa, vou para outro lugar". Porque assim, a gente viu uma valorização do ouro, mas o ouro é um ativo eh eh eh, vamos dizer acessório ao portfólio. Ninguém vai colocar todo o dinheiro em ouro que não rende juros, né?
Claro que se você soubesse que ia subir 30% você faria isso, mas como a gente na hora de alocar pessoal, a gente não sabe o que vai acontecer. Então a gente tá e fazendo esse movimento com muita cautela, mantendo, né, ainda a importância da da locação internacional e na carteira. a gente basicamente eh eh da carteira internacional que a gente olha, a gente eh eh tem uma sobrealocação em Estados Unidos, né, João?
Eh e nossas carteiras, pessoal internacional, agora a gente tem uma modelagem de um portfólio balanceado de 40% em equity e 60 em renda fixa, um portfólio global e preponderantemente alocado nos Estados Unidos. Acho que grande parte dessa locação da parte de de equity tá nos Estados Unidos ainda, porque a gente avalia que em termos relativos, mesmo à luz de tudo que aconteceu, quando você junta as pecinhas e fala quanto que o e Estados Unidos vai crescer à luz do impacto que isso pode ter na Europa, na China, os desafios de China, de Europa, né? a gente percebe que relativamente quando você coloca, analisa preços históricos, né, de de múltiplos de bolsa, de expectativas de de lucro também, né, porque a gente tá eh mesmo nesse movimento tendo lucros expressivos, né, nas das grandes empresas americanas.
Então, eu acho que à luz disso a gente continua na mesma toada. Tanto é que no nosso último comitê a gente manteve as alocações eh do jeito que a gente vinha mantendo mesmo eh tendo esse movimento, né, João? Isso.
Porque assim, eh alguns aspectos aí, né? Eh, a gente já tinha feito alguns movimentos que nos protegeram, né, nessa volatilidade que a gente teve. Então, eh, já desde final do ano passado a gente tinha comprado alguma proteção contra eh uma possível queda de bolsa.
Não que a gente adivinhasse o que vai acontecer, mas a questão de gestão de risco, né? as bolsas ali acima acima dos 6. 000 pontos é já muito, né?
Para esse ficado meio para perfeição. A gente ali acha que é interessante comprar um pouco de de perfeição. É, de proteção.
E o ideal é você comprar proteção antes de ter o acidente, né? is e a gente fez isso, a gente tinha reduzido os índices chamados de raild, né, de de na renda fixa, né, que são os índices os os papéis mais arriscados também, mais por uma questão de que o spread tava muito comprimido. A gente falou quanto mais tem para ganhar eh e esse tá valendo o risco?
A gente achou que não, né? Então a gente já tinha feito uma uma redução para isso. Então a gente entrou bem posicionado, vamos dizer assim, em termos relativos para eh esse movimento, né?
mais que a gente adivinhasse a intensidade, mas a questão um pouco de se preparar de acordo com o contexto de preço, né? Eh, essa coisa toda. Agora, essa é a vantagem pessoal da gestão ativa, tá?
Desculpa te interromper, mas eh um investidor para fazer esse movimento sozinho é muito difícil quando você tá do ponto de vista do gestor. Aliás, pessoal, só um um um parênteses aqui. A gente tem para o cliente nosso acessar a estratégia internacional, nós temos feeders locais, fundos locais que acessam exatamente a cabeça aqui do João e de todo o time de alocação e que usufrui de todas esses movimentos, né, essas defesas.
eh do portfólio de construir proteção, sair de uma classe, mudar para outra. Agora a gente tá indo mais para high grade e soberano, né? Eh, porque a gente viu que a gente achou que ia abrir os spreads dos emergentes, então a gente fez esse movimento também na bolsa.
a gente fez um movimento. Então, esse essa para você usufruir disso, você tem um produto que um fundo local que investe no exterior que exatamente gerido pelo time de portfólio, que é o o Auto Invest Global, que é esse portfólio balanceado 4060. Então, tá na na plataforma para vocês e e qualquer dúvida acessem e perguntem ao seu assessor.
João, queria aproveitar fazer o gancho com o Brasil agora, né? a gente sabe como é que tá lá fora, então não mudamos a cabeça, tem que diversificar. Estados Unidos é o é o core do portfólio ainda.
E para Brasil, João, a gente eh nesse movimento a gente eh sofreu aí de tabela onde as curvas de juros cederam. A gente teve um movimento expressivo de curva de juros, tanto nominal quanto real, né? A curva de NTNB teve uma queda expressiva da ordem de 100 bips em alguns vértices, um pouquinho mais.
E a gente também teve uma queda da inflação implícita que então a pré-fixada também caiu. E a pergunta que não quer calar, né? A gente sabe que tem reunião do Banco Central agora na quarta-feira.
A gente tá refazendo contas e o mercado também tá refazendo contas à luz de tudo que tá acontecendo. Eh, como é que você vê a expectativa de juros para Brasil e aí como que a gente tá direcionando as carteiras para o Brasil no nosso portfólio de alocação global? esse último movimento importante que a gente fez de mudança de de alocação no portfólio local.
Perfeito. Olha, eh a discussão no Brasil obviamente é sobre eh esse fim de ciclo, né, assim, de política monetária, né, tá num ciclo de aperto, que é um pouco na contramão do do resto do mundo, né, que vinha relaxando eh a política monetária, cortando juros. Eh, agora esse choque externo, né, ele introduz uma incerteza, reduz o crescimento global e e como não tá tendo, como eu falei, uma retaliação e o próprio Brasil, né, não retalhou, não colocou tarifas de volta, né, nos Estados Unidos e tudo mais, eh, a gente acaba tendo um choque que é liquidamente desinflacionário, né?
Eh, ele é desinflacionário por menor crescimento global, portanto menos exportações também americanas, né? Eh, ele é desinflacionário pelo fato de que a gente teve já uma queda de preço de algumas comodas, principalmente o petróleo, que além disso a o PEP tá aumentando a produção, né? A demanda global, expectativa de que reduza, é, o crescimento e a produção tá aumentando.
Então, o petróleo tá sendo desinflacionário, né? Eh, claramente isso também ajuda aqui no no cenário de Brasil. Eh, e claro, o câmbio acabou voltando.
Esse contexto de dólar fraco, né, no mundo também se tornou mais fraco em relação ao real. Isso também ajuda a reduzir pressão inflacionária. E um outro aspecto que aí é mais global, eh há uma expectativa de que os chineses acabem eh também eh tentando redirecionar produtos que eram exportados paraos Estados Unidos para outras partes do mundo e aí possivelmente aceitando preços mais baixos.
Então, na parte industrial também pode ser desinflacionário, né? Então, esse conjunto acaba colocando um cenário em que a política monetária aqui não precisa, não tem tanto mais trabalho a fazer, né, em termos de apertar. E é isso que o mercado vem eh de alguma forma refletindo, né, colocando menos alta de juros eh daqui paraa frente.
O Banco Central tem dito e o Galipo disse, né, outro dia, olha que eles estão vendo, né, ainda eh a a magnitude desse ciclo, né, falando num gerúndio, né, estão calibrando a política monetária, então não acabamos o ciclo, tá? A gente vai ter reunião agora essa quarta-feira do COPOM. expectativa que a gente tenha uma alta de meio ponto percentual nessa reunião.
A gente aqui na casa trabalha com uma alta adicional de de 25 pontos base, né, em junho, mas é um pouco mais, enfim, incerta se vai ter com 15%, né? É, se minera com 15%, né? A gente não vê redução no final do ano.
Algumas casas já tão vendo talvez uma redução no final do ano. Mas agora assim, o mercado sempre que você se aproxima de um fim de ciclo, o mercado já quer adivinhar, ah, quando é que vem a queda, né? Cílo de alta, a pessoa já vê, ah, quando é que vai cair, né?
E aí já tem uma tendência a aplicar juro, já veio acontecendo. A gente já viu nesse último mês um bom fechamento, como você mencionou, de curva de juros. No parte da das NTNBs é que o que aconteceu foi interessante, o juro nominal fechou bastante e nas BS o que mais fechou foi a implícita, né, que é a inflação percebida por aquele instrumento.
O juro real não fechou tanto assim e a gente vê aí uma oportunidade, né, porque ainda deve acontecer esse fechamento, esse alongamento de prazo, esse fechamento. Então, você pegar uma NTNB um pouquinho mais eh longa eh ali você tá eh eventualmente mais bem posicionado para capturar um fechamento de juro real. Juro real no Brasil tá muito alto, né?
Eh, atipicamente al é sonho de consumo de investidor esse juro real no Brasil. Pois é. Pois é.
Então assim, foi até uma uma a gente fez o um comitê semana passada, né, também o local, fizemos o internacional e o local. E no no comitê local, a gente decidiu eh ir para uma posição sobrealocada em NTNB, né, o Tesouro IPCA, como muita gente conhece. Perfeito, pessoal.
A gente também tá eh orientando, né, nossos clientes a construírem eh uma posição de NTNB, né? Ela é uma posição que é interessante do ponto de vista de portfólio, porque ela te dá a liquidez, a transparência e a profundidade e ela te dá a locação numa tese, né, de juros real. A gente sempre, pessoal, quando fala de portfólio, a gente tem que ter dois pontos, fatores na cabeça, proteção de inflação e proteção e dólar, né?
Dois fatores de IPCA e dólar a gente não esquece nunca. Então, a gente precisa colocar IPCA nas carteiras. E uma forma bastante ágil e tática de alocar nas carteiras essa tese de juros real é fazer uma carteira de títulos públicos, que é o que a gente tá trabalhando, olhando.
A gente obviamente dá uma assessoria para poder escolher o que que a gente acha que faz mais sentido, o que vértice faz mais sentido. Então a gente faz esse trabalho também, a gente ainda tá olhando juros real da ordem de de 7%. E aí, obviamente, a gente tem eh em eh paralelo, né, a a à utilização de títulos públicos, a gente obviamente tá usando, aproveitando do subsídio de isenção fiscal para ter outros produtos, como carteira administrada de isentos, que é um produto bastante eh eh forte da nossa locação, né?
você tem a isenção, você tem a gestão ativa aí e investe em títulos eh privados com uma gestão do time de portfólio solutions, assim como tem os fundos, né, de gestores renomados, que a gente aloca fundos de debentores incentivados e os bancários, pessoal, a gente também aproveita dos bancários para fazer esse essa sintonia do portfólio, que você tem que ter o bancário, o título público, o crédito privado, eh, em harmonia do portfólio para você usufruir desse, eh, eh, dessa onda e dessa crença. que eh a gente acha que nesse patamar eh obviamente esse é um dos ativos, né, João, que o preço, o dólar voltou, a curva pré voltou, a bolsa subiu e e o juros real ainda ficou. Então, é um pouco até um consenso de vários gestores, eu ouvi de vários gestores eh falando que olha, é uma oportunidade você tá aplicando na na NTNB.
Eh, e para finalizar aqui, eh, no nosso portfólio, a gente ainda tá, pessoal, underweight, eh, abaixo do do peso neutro nos portfólios para bolsa e ativos de risco, porque num patamar de juros dessa ordem, né, de 14% ao ano, eh quando a gente fala numa expectativa de inflação, nossa expectativa de, se eu não me engano, 5,70, a gente tem um juros real muito forte. Mas pessoal, para aqueles clientes que tão alocados no CDI bonitinho, CDI de liquidez diária, a minha provocação aqui é que nesses momentos onde a gente percebe que o juros vai cair, são nesses momentos que a gente sabe, né, pela história e algumas análises que a gente faz, que os ativos de mais risco começam a andar mais. Não precisa exatamente ter a queda de juros, mas a gente percebendo que o ciclo de subida de juros terminou e tá começando um ciclo de queda, os investidores já se antecipam e já fazem a sua movimentação de alocação.
Então, alguma coisa mais longa em NTB ou uma locação em em risco em renda variável. A gente tem também uma classe de ativos que eu acho que é importante aqui, que a gente tá usufruindo e aproveitando os portfólios, que é crédito estruturado, bem gerido. Então a gente, eu acho que a gente tem uma oportunidade bastante interessante.
João, eh, a gente tá finalizando aqui, eu vou deixar aberto para perguntas. Você queria fazer algum recap geral e e sugerir alguma coisa pra turma? Olha, é, política, acho que isso só vale a pena realmente eh pensar nessa questão assim da importância da diversificação, né?
Acho que tanto tem um portfólio aqui, como você falou, bem montado, né? Acho que temos excelentes oportunidades aqui e como a gente tava falando nessa questão das NTNBs, né? Porque é preciso você antecipar o mercado, né?
Você fala: "Ah, eu tô muito bem aqui só no CDI e tal, p tem que se antecipar os aos mercados e a gente nunca sabe quando é que o mercado vai andar, mas ele tá com um preço bastante interessante, né? E tá defasado, etc. E lá fora, eh, eh, primeiro assim, a gente tem que ter um um portfólio que é diversificado, né, globalmente, como a gente tem, né, os nossos portfólios 4060, eles têm uma exposição global, mas lembrando assim, eh, por que que é um pouco mais Estados Unidos, né, nisso tudo?
Por algumas razões, mas primeiro assim, se olha para juro, eh, o juro americano é muito mais alto do que o juro alemão, né, do que o juro japonês, né, do que esses outros todos. Então, se você quer um carrego, né, ali oferece mais do que eh tem nos outros países, né? Não é para para não ter nada nos outros, mas tem que pesar um pouco essa questão do carrego, mercado mais líquido, mais profundo e que tem melhor carrego.
E na renda variável falar: "Ah, então vamos ter primo tudo em Europa, tudo resto. " Lembrar que 40% do lucro das empresas da SPI vem de fora dos Estados Unidos. Então ali já é uma maneira portófic mesmo estando em ações americanas você está diversificando.
Muito bom. E aí se o dólar tá se desvalorizando, esses lucros estão se valorizando, né? Será que de repente a empresa europeia, né, com euro, é muito mais caro do que tava há qu meses atrás, vai tão bem assim?
Então tem que tomar cuidado só com esses raciocínios que são um pouco eh, enfim, simples, né? Mas às vezes eh perde esse ponto. Acho que os Estados Unidos ainda oferece uma maneira, não só o carrego na renda fixa, mas oferece também essa diversificação global.
Perfeito, João. Queria te agradecer muito. A gente eh tem, se vocês quiserem mandar perguntas aqui, pessoal, eh tem o Kanei aqui, não sei se tem perguntas.
Deixa eu dar uma olhadinha. Bom, eh, o João é super acessível, tá sempre com a gente. Te agradeço muito pelas esse bate-papo.
Eu sempre aprendo muito com você, não só nos comitês, mas com essas lives. E a ideia aqui é sempre trazer conteúdo importante pra tomada de decisão de vocês nos di a dias. Então, eh, acessem o vosso assessor pra gente ajudar cada vez mais construir carteiras de forma prudente, diligente e com muita curadoria de todo o nosso time.
Muito obrigado a todos. Até a próxima. Obrigado, polite.