[Aplausos] Recentemente eu tava lendo uma reportagem e assim que eu li, eu pedi pra produção chamar essa cientista e esse paciente. A gente vai receber agora uma prova de que o Brasil é mais do que bunda e futebol e carnaval. Pô, não, eu já tô de Brasil é só isso, pô.
A gente vai, a gente vai conhecer uma pesquisadora brasileira que abriu uma nova perspectiva no tratamento de lesões na coluna. O nosso convidado ficou tetraplégico, mas por causa da pesquisa da nossa convidada, ele vai entrar aqui andando. Chama lá, Diguinho.
>> Doutora Tatiana Sampaio e Bruno. [Música] Muito bem, bem-vinda, doutora. Bem-vindo, Bruno.
Obrigada. Queria, antes de mais nada, vou começar com a história do Bruno, tá bom, doutora? Daqui a pouco a gente fala como é que o Bruno entrou andando aqui.
Ô Bruno, você sofreu um acidente de carro? >> Acidente de carro. >> Quantos anos você tinha?
>> Tinha 23 anos. >> Quantos anos você tem hoje? >> 31.
>> Ah, quase há 8 anos, 7 anos. >> Isso foi em 2018. >> OK.
Alguns anos atrás você sofreu um acidente de carro e quebrou a coluna. >> Isso. Quebrei o pescoço e a coluna na altura da T8.
Mas a compressão medular foi na altura da C6. >> O que que para quem é lego, o que que é? Você tá falando de muito número.
Essa é é o número da vértebra. >> Isso é o número da vértebra. >> Quanto mais alto quebra, mais movimento se perde.
>> Se você quebra a vértebra, para quem tá em casa entender, aqui embaixo, você perde o movimento da perna. Se quebra a vértebra mais para cima, você perde braço, você perde dos órgãos internos do braço. Às vezes você quebra tão em cima que você só nem a cabeça você mexe.
>> Perfeito. >> E você quebrou bem em cima. Isso na C6 é a perto daqui do da nuca >> e da cabeça para baixo é a cesta vértebra.
>> Isso. >> Ou seja, você perdeu o movimento da perna, dos órgãos, dos braços também. >> Do braço também.
Perdi o movimento. Não, da cabeça. Eu tinha aqui.
Só sobrou a cabeça. >> É, aqui eu mexia >> e você entrou andando aqui. >> Você me cumprimentou.
Você levantou a mão e me cumprimentou. >> Sim. >> Como que isso foi possível?
>> Então, eu sofri o acidente, né? E logo depois do acidente eu já fui muito rápido assim, ser atendido, hospital, etc. Meu tio é médico, ele já organizou tudo ali para eu ser atendido.
E antes da cirurgia, uma pessoa da equipe que ia que ia realizar meu procedimento comentou do estudo da UFRJ da Dr. Tatiana, OK? E aí comentou e tal.
E aí meu tio leu o estudo rapidinho ali e eu tenho uma outra tia de segundo grau que é neurocirurgiã e ela falou tipo: "Ah, vamos colocar ele no estudo pior que ele que ele tá e ele não não tem como ficar, então vamos correr esse risco. " Olha, um dos grandes um dos grandes temores do ser humano é ficar paralítico, é quebrar a coluna, porque eu acho que de todos os campos de lesões, esse é o que mais aterroriza, esse é o que não tem conserto. E vê uma notícia, eu li a notícia, por isso que eu pedi para chamar vocês.
ali umas duas semanas atrás. E quando eu soube o trabalho da da Tatiana, o seu caso, eu falei: "Eu, poxa vida, velho, eu quero conhecer essas pessoas". É é bem revolucionário.
Tem tem imagens dos exames do Bruno pra gente entender. Olha lá. >> É ali é ali, essa daí é a C6, né?
>> Doutora, aquele lá é a vértebra quebrada. O que que é aquilo? Ah, >> isso daí é depois da da cirurgia.
>> Depois da cirurgia. Isso já é o >> Agora, doutora, a gente conheceu o caso do Bruno e eu queria que a doutora agora contasse para todo mundo o que que é exatamente que a pesquisa da doutora fez que causou que fez o Bruno vi andando para cá e me cumprimentar e tá tendo uma vida normal hoje. O que que é que a doutora pesquisou?
Quantos anos foram de pesquisa antes de mais nada? E pelo que eu percebo, o Bruno tá enfatizando muito o caso que foi rápido. >> Assim que ele chegou no hospital, tomaram a medida.
A rapidez para usar a a eu chamo de medicação, eu chamo de tratamento. Como que eu chamo? >> Pode ser medicação.
>> A medicação. A rapidez para aplicar a medicação, fruto da pesquisa da doutora, >> ela é essencial para reverter o processo de de paralisia? >> É, fez várias perguntas juntas.
Vou começar pela última. Ótimo. >> Eh, é quanto mais rápido, melhor, tanto para medicação quanto pra própria cirurgia.
Porque quando uma pessoa sofre uma lesão, a lesão inicial que é causada pelo impacto é só o começo. Depois e quando a medula ela fica dentro da coluna que é osso. Então quando ela começa a inchar, ela fica a a essa compressão do inchaço dentro do osso faz com que essa lesão se perpetue por alguns dias até.
Então é, o ideal é sempre operar o mais rápido possível para liberar a compressão. >> Como chama o o a medicação, o tratamento? >> Chama polilaminina.
>> Polilaminina. O que que é a polilaminina? >> A polilaminina ela é uma uma um produto que a gente faz no laboratório a partir da laminina.
Laminina é uma proteína natural que a gente tem no corpo e que quando durante o desenvolvimento, que é quando o nosso cérebro e a e a medula estão em formação ainda na barriga da mãe, eh os axônios, os neurônios, eles andam por cima dessa lamelina, como se fosse uma pista, >> OK? >> Tá? Então vai ali por cima.
Então, na verdade, usar menina para regenerar eh esse tipo de lesão faz todo sentido, porque quando a mêdula se formou lá atrás, como ele tava quando o Bruno tava na barriga da mãe dele, eh esses axônios que foram danificados na lesão, eles já foram em cima de lamina. Então, na verdade, o que a gente tá fazendo é meio que imitando a natureza, né? Colocando ali a mesma coisa de volta.
Era uma engenharia reversa. >> É essa que é a ideia. Da onde que veio o seu insight de pesquisar essa substância como uma cura para lesões na coluna?
Meu insite foi que eu descobri um jeito de fazer essa proteína aquela menina ficar >> é sintética. >> A proteína não. A proteína ela é extraída.
>> Da onde? >> Da placenta. >> Da placenta.
Você recebe doação de placenta. Como que é? >> Sim.
Sim. A empresa que tá produzindo, né? Agora >> é a farmacêutica que é o laboratório Cristalha.
eles eh extraem da placenta. >> Como é que funciona uma parceria de uma pesquisadora da universidade com laboratório? Você levou pro laboratório a ideia para e eles acreditaram e bancaram a pesquisa?
>> Sim, sim. Exatamente. >> Quantos anos de pesquisa >> a pesquisa?
No total 26, 27, muito tempo. Desde o do momento inicial da descoberta todo esse tempo. >> É o trabalho de uma vida.
>> É o trabalho de uma vida. O insite então veio quando você tava lendo, se informando a >> Não, o insite veio quando eu estava trabalhando com a laminina, que é essa proteína. Desculpa interrompendo, mas é que eu sou tão curioso para esse caso.
Vocês estavam trabalhando com a com a laminina para quê? >> Então, eu estudava eh o processo de eh formação de de grandes eh como é que eu vou explicar isso? Eu estudava como as proteínas se associavam e dissociavam.
algumas proteínas, a hemoglobina, por exemplo, do sangue que deixa o sangue vermelho, são quatro subunidades. >> Aí você pode estudar como elas se juntam, como elas se separam. E o o objetivo desse tipo de estudo é simplesmente conhecer a natureza, quais são as forças que levam essa associação e dissociação para um dia, quem sabe, ser usado para alguma coisa.
>> Essa é mais uma engrenagem >> na na pesquisa de como funciona algumas coisas que ainda não foram descobertas. Isso. A gente busca os princípios porque aí a partir do conhecimento do princípio você pode usar para outras coisas.
Então eu tava estudando essa proteína, eu queria eu queria na verdade associar ela. Ela tem três partes e eu queria separar as três partes. Mas aí quando eu tava ali começando a a fazer os primeiros testes e tudo, tirando espectros, no caso, eh aí eu vi que ela fazia associações.
Então ao invés de conseguir separar ela, eu tava fazendo ela se juntar com as outras. Isso foi meio por acaso. E aí esse foi o momento da da descoberta, vamos dizer assim, >> foi onde veio o insite.
Falou: "Opa, >> isso, isso é >> se se essa substância age assim, talvez. Você já tinha conhecimento do de de de fratura em coluna para associar? >> De verdade não tinha.
Eu tava usando essa proteína sem saber que ela era aquela que fazia o caminho quando ele tava lá na barriga da mãe. >> Eu nem sabia. Eu sabia que aquela menina era uma proteína legal que tinha três subidades, só isso.
>> Você e você tinha um feeling que, opa, isso aqui vai chegar em algum lugar. >> É, no primeiro momento eu falei: "Nossa, que coisa grande, vamos ter que fazer alguma coisa com isso". >> O, >> mas eu só fui descobrir para que servia um pouquinho depois.
>> É aí que eu quero saber, porque os insightes acontecem quando duas ou mais ideias se cruzam. >> Em que momento você cruzou esse seu estudo com fratura na coluna? Foi logo depois, foi quando eu vivo, além de ser legal e ter três subidades que eu quero dissociar, agora eu tenho que saber para que que isso serve.
Mas foi pouco tempo depois, sei lá, uma semana depois eu já sabia. >> E e como que funciona um ambiente assim? É você sozinha pesquisando ou você tem uma equipe?
>> É, tem uma equipe sempre pesquisando. >> Você supervisiona? É, eu supervisiono, eu sou chefe do laboratório, tem vários pesquisadores trabalhando.
Esse eh essa esse momento, né, que eu vi esse fenômeno em particular, nesse dia eu tava sozinha. Foi uma coisa que eu tava sozinha e eu fiz, mas era tava relacionado com a tese de uma aluna. >> OK.
Depois continua a tese. Depois foram vários alunos que >> já tinha sido observado isso antes. >> Não, >> você não tinha conhecimento.
Isso não, >> não. Esse fenômeno delas se juntarem, que é o segredo, né, para para funcionar. Isso aí ninguém sabia.
>> E como que só você observou até então? Foi insistência, foi sorte? >> Sorte.
>> Foi você tava eh eh compulsiva em em mexer com isso e observou mais que todo mundo? Nada compulsivo, nada compulsivo. Não tava procurando.
Foi s >> sorte naquela hora você viu, você falou: "Opa, será que eu vi isso mesmo? " >> É isso mesmo. Foi tipo isso.
>> Mas você consegue provocar isso ou foi uma coisa ao acaso? >> Não, eu tava eu tava testando vários solventes para proteína >> e aí de repente cheguei num que isso acontecia. Foi igual você achar a senha de um cofre que ninguém sabia a combinação.
>> Exatamente. Exatamente. E é mais ou menos essa ideia.
Quer dizer, eu botei lá um número qualquer e abri o cofre. >> Mas e mas isso não basta porque não é só por acaso descobrir a senha do cofre, depois que você abre o cofre tem uma ferramenta lá. Aí é que tá.
O que que eu vou fazer com essa ferramenta? E foi isso que vocês, sua equipe chegou à conclusão. Isso aqui pode servir para devolver movimento a pessoas com fratura na coluna, que sempre foi um uma um dos piores problemas da da humanidade.
>> Sim. Sim. >> E daí até fazer o o Bruno andar, quanto tempo se passou?
Ah, >> do momento dessa descoberta até ele andar, foram 20 anos. >> 20 anos. >> 20 anos.
E tem mais pessoas que já usufruíram do do benefício dessa substância ou foi só o Bruno até o momento? >> Então, nós fizemos um estudo que teve oito e aí depois também eh fizemos um um tratamento compassivo que chama que é possível fazer enquanto o estudo clínico tá aberto em mais sete pessoas. Então foram 15 no total.
>> 15 pessoas recuperaram movimentos, sensibilidades graças a essa substância. >> Não, deixa eu organizar. Sim.
>> Então, no estudo clínico foram oito, >> sendo que duas dessas pessoas são lesões assim muito graves e a pessoa entra na emergência depois de um acidente. Então, duas pessoas morreram, >> OK? >> Durante a internação.
Os outros seis recuperaram movimento, sensibilidade e movimento, mas nenhum tanto quanto ele. >> OK. O Bruno é o é o é o ápice do estudo até o momento.
>> Ele é o ápice do estudo até o momento. >> Vamos falar do tratamento do Bruno. Por que que agora sim a pergunta do Roger, por que que o Bruno voltou a andar?
O por que que quanto tempo demorou do início do tratamento até o Bruno levantar da cama e andar? >> Até andar eu acho que independente uns se meses assim. >> A substância ela vai tipo, é, é como eu sou lego, tá?
Não vai me chamar de burro, hein? Eu tô tentando, eu tô tentando também. >> Se precisar eu vou chamar, tá?
>> Cala a boca aí, gordão. Cala a boca aí. Quando é descobrir a a fórmula do professor do professor aloprado, eu te chamo.
Vem cá. O o é é mais ou menos como pôr um gesso num num osso quebrado que demora, ele vai se regenerando e depois de algum tempo é que você recupera o movimento. Porque põe de novo o exame.
Percebe-se ali nessas vértebras de cima que e é parece um tecido, parece uma cicatriz, parece um um algo que foi refeito, foi regenerado. Então ali o que você tá vendo aí é uma imagem eh que tá mostrando o a instrumentação que foi colocada. É artrodino isso.
Você perdeu uma vértebra, ela esmagua literalmente. É. >> É.
Então isso é a parte, vamos dizer, ortopédica. >> Ortopédica é a mecânica, é o pino. >> Isso.
Isso. A medula tá lá por dentro. Você não tá vendo a medula aí, não?
>> Então, eh, é para qu o problema não é só que quebra o osso, porque o osso a gente põe um um um material ortopédico e se sustenta. O problema, na verdade, da perda de movimento é porque você perde >> o pedaço do cérebro, o fio cerebral que manda. Esse é o problema.
Exatamente. >> E essa substância regenera isso, cicatriza isso. >> Mas eu eu sei que falta a Anvisa fazer testes e tal, mas isso futuramente poderá ter serventia para quem não tem nada no velice, por exemplo, para ajudar outro qualquer um.
>> Velio andar, velho. Quando a coluna desgasta, a dor nas costas, isso vai chegar lá? >> Eh, não, não exatamente, né?
É, não, porque essas essas causas, né, são mais relacionadas à parte óssea >> ou desgaste da cartilagem, que é o disco, >> especificamente a ligação nervosa do cérebro com os movimentos. Exatamente. É um tratamento para regeneração da parte nervosa mesmo.
Às vezes acontece de uma pessoa ter eh uma hérneia de disco que fica muito numa pér fica muito avançada e aí o disco começa a comprimir a medula e a pessoa perde o movimento. Então, nesse caso falando >> poderia ser usado também no futuro. >> Tem a foto da ressonância aí.
Cadê >> aí? A medula é aquele que tá esmagadinho ali atrás da vértebra. >> É esse aí a medula.
Isso >> ali a a gente tá circulando aí onde tá a medula. É aquilo que se perdeu, aquilo que foi danificado. E é isso que faz perder o movimento.
Se fosse só o osso era mais fácil. O problema não é o osso. >> O problema é a a ligação do cérebro com os movimentos do corpo, com cortou, né?
Só ficou espremido. >> Desmagar. É, é como pegar um fio, desencapar e esmagar o fio.
Você você perde a conexão >> e e não tem o que se fazer. até agora. Ah, D.
Tatiana, você imagina o que patenteou. >> Então, nós pedimos a patente em 2007. >> Eu já tentei patentear coisa no Brasil, coisa que eu inventei, eu desisti.
>> Foi a patente foi concedida em 25, 18 anos depois. >> Ela dura 20 anos. Quer dizer, não dá para, se a gente dependesse de patente.
>> Mas exato. Aí você vai ficar esperando sair a patente, aí você tá ferrada. Mas isso é um dos problemas do Brasil, né, cara?
Os os países mais desenvolvidos, eles facilitam a patente, facilitam a pesquisa, facilitam a criatividade. Por isso que e e se o cara que inventou o iPhone fosse brasileiro, não tinha o iPhone até hoje, né? Imagina.
Mas aí a doutora foi correndo aí como deu, não é verdade >> isso? >> Como deu. >> Como deu.
E deu, [ __ ] é sensacional ver o Bruno entrar andando aqui. >> Uhum. >> Como é?
Quantas aplicações são? Como é que funciona? É o médico que aplica na hora da cirurgia ou pós cirurgia que tem tratamento?
É com seringa, é com remédio, como é que é? >> Eh, é uma seringa, uma injeção, uma vez o médico eh faz a aplicação durante a a cirurgia >> com o o corpo aberto, >> direto no local. >> Isso.
Isso. Então, no caso dele, que a maioria dos casos é assim, precisa fazer uma cirurgia, né? já vai abrir de qualquer jeito.
Então, aproveita que tá vendo, tá exposto e injeta lá. Mas é possível fazer a injeção mesmo sem abrir? Ah, o Bruno, ele o Bruno e eh deu a a grande sorte, a grande bênção do tio ser da área, foi e eh eh eh voluntário, não é, na hora da operação, mas pessoas que já estão há algum tempo, alguns anos que perdeu o movimento, essa substância, se a pessoa se submeter a uma nova cirurgia para ingestar para injetar a substância, ela pode resolver problemas de paralíticos que já estão com alguns anos com problema?
Isso é o que a gente deseja que aconteça, assim, pelo pela lógica, provavelmente sim, não vai ter tanto efeito, porque você já vai ter uma cicatriz no local. Eh, então não, eu imagino que vai funcionar, mas por enquanto a gente ainda não pode responder o quanto vai funcionar. Então isso é que a gente continua pesquisando.
>> Já tem uma cicatriz no local, >> tem uma cicatriz no local. E se e se for refeito o dano em uma cirurgia, você refaz o dano de uma ponta a outra e aplica no novo novo dano feito cirurgicamente? Isso pode funcionar?
>> É uma ideia. Eh, tem existe essa possibilidade. Eh, às vezes, eh, então dentro do da medula você tem os axônias, são esses fios que foram rompidos, mas tem outras coisas ali também.
Então, fazer, vamos dizer assim, uma retirada de toda essa parte para colocar que tá lesionada, né, que sofreu a lesão, para colocar um tecido novo, você precisa de mais do que a polilaminina, que a polilaminina é um líquido, >> né? Parece você olhar para ela, parece água. >> É um líquido condutor.
>> Isso é, ela vai ser injetada num tecido que aí é mais durinho, né? E aí ali ela vai formar essa essa rede e aí ali vai fazer a condução, vai formar os condues, vamos dizer assim. >> Mas a hora que a gente injeta ela é um líquido.
Então para fazer isso que você essa ideia que você tá dando, que é uma ideia que a gente eh gostaria de desenvolver também, a gente vai precisar de um enxerto, né, de um enxerto maior, eh, que seja como se fosse um bloquinho mesmo de medula para colocar no lugar. E no no no próprio cérebro, ele serviria para restabelecer conexões, alguma coisa assim? Não, >> colocar a poli na menina para restabelecer conexão no cérebro.
>> Isso. >> Então, sim, >> provavelmente sim. A gente tem alguns resultados bem preliminares com animais ainda.
Eh, mas o problema é que no cérebro você pode ter conexões mais inesperadas, né? Então é mais, >> eu acho que a gente vai ter que ter mais cuidado para para >> eh monitorar exatamente o que acontece, mas em princípio >> sim, porque na medula acho pior que pode acontecer é você dar ordem para mexer uma perna e mexer a outra perna, vamos dizer assim, né? Você acha que se as conexões forem erradas, né?
Se forem trocadas, >> trocadas, >> a fisioterapia tem como corrigir, >> OK? >> Mas se for isso no cérebro, já é um problema mais complicado, né? mais delicado.
>> Mas a doutora, como é que até chegar num ser humano você começou testando em quê? Rato. >> Primeiro em ratos.
Primeiro em células isoladas, né, no laboratório. >> Células isoladas. Quando você diz células humanas, células animais, céulas >> células animais.
É possível fazer com células humanas também, >> mas a gente não fez. A gente fez com células de camundongo, de rato. >> Ok.
E aí você começou com ratos. >> Aí depois ratos. Aí depois nós fizemos um teste em cachorros e depois passamos para >> ser humanos.
Hoje você já tem testes, bastante testes em seres humanos acontecendo, >> não? Então, nós tivemos esse com os oito que eu te falei, eh, e não temos mais nenhum estudo. Nós fizemos aplicação em mais seis pacientes.
Eh, eh, fizemos mais, não, foram sete pacientes, eh, por uso compassivo que chama. Então, quando tem um estudo clínico aberto, eu vou explicar isso bem direitinho, porque às vezes as pessoas perguntam: "Ah, mas eu não posso fazer uso compassivo é agora". Então, já explico isso.
Eh, >> o uso compassivo ele é autorizado quando o tratamento, quando a droga ela está em estudo clínico. Então, a droga está em estudo clínico. Aí você pode fazer o uso compassivo, que é usar por fora do estudo clínico, é com autorização do hospital, do comitê de ética, eh, termo de aceite, tem um monte de documentos que tem que ser feitos, mas é possível fazer.
Nesse momento não está em estudo clínico, a gente tá esperando a autorização da Anvisa para abrir um novo. >> Uhum. >> Eh, então, nesse momento, a gente não pode fazer para ninguém.
>> E por que que tá demorando o estudo da Anvisa? >> Eu acho que porque é uma coisa muito nova e eles têm uma eh tem uma exigência grande, né? Tem um certo sentido, né?
A gente é bom a gente saber que tem uma uma agência regulatória que que é exigente, né? >> Claro. Claro.
Sem dúvida. Sem dúvida alguma. Ô Bruno, como é que foi o o Você quando acordou você tinha noção?
Porque você apagou no acidente, só acordou quando que você acordou? >> Depois da cirurgia. Eu sofri o acidente.
Eu não lembro de nada e eu me falaram que na hora do acidente eu já tava, já não tava sentindo nada. Eu só mexi o pescoço. Frao?
>> Não lembro disso. Mas falaram que eu fiquei brigando com meu pai, fiquei xingando todo mundo. >> Quem que tava no carro?
>> Tava eu, meu pai, minha madra e meu irmãozinho. >> Que aconteceu com todo mundo? >> O rto ficou bem.
Só meu pai que quebrou o fêmor aqui, mas nada perto do que eu passei. >> Ok. >> E aí eu não lembro de nada.
E eu só lembro que eu acordei depois da cirurgia assim, sem mexer nada. Eu só mexi o pescoço. Aí eu olhei, no meu subconsciente já tinha alguma coisa assim que me dizia que tinha acontecido alguma coisa bem séria.
Mas aí eu olhei assim pro redor, aí tava meu pai, minha mãe e os médicos, eles começaram a me explicar o que tinha acontecido. Aí eu comecei a tentar mexer o corpo, eu não sentia nada, não mexia nada. E aí eu entendi o que tava acontecendo.
Eles tinham me falado que eu tinha entrado no estudo, tal. Na hora assim, para mim não, estando no estudo ou não, não tinha. >> Você não assimilou nada?
Não, não assimilou nada. >> Mas você sabia que você tinha ficado tetraplégic? >> Não, eles não tinham me falado de início, só tinham falado pro meu pai e pra minha mãe.
>> Quando que você descobriu que tinha ficado tetraplégico? >> Putz, acho é, foi uns três, quatro dias depois. >> Como você reagiu?
>> Eu fiquei bem mal na hora ali, porque eu tive 23 anos >> bagunçando, vivendo feliz, saudável ali e do nada >> é >> perdi todos os movimentos. Isso é bem intenso assim de receber essa notícia ali. Então, fiquei bem triste na hora, no começo eu só tomava rivotroil e dormia.
>> E aí depois, num dado momento assim, eu eu vi que tava a minha família inteira do meu lado, tava todo mundo comigo, todo mundo tava cuidando de mim e eu sempre fui um cara bem com energia bem positiva assim e tal. Aí eu falei: "Ah, tô vivo, vou aproveitar do jeito que dá". E é isso.
E aí depois de umas três semanas começou a voltar ao movimento ali. >> Como é que foi voltar ao movimento? É de uma hora para outra ou é gradativo, >> cara?
É gradativo e é uma loucura assim, tipo, na hora que voltou mexeu o meu dedão do pé. Assim, eu não mexia nada, não sentia nada. >> Foi de baixo, foi de baixo para cima.
>> Foi de baixo para cima. >> Gradativo. >> Gradativo.
Aí mexeu primeiro o dedão do pé. >> Imagina alegria. >> É, na hora para mim não mudou nada, né?
Tipo, não mexia nada. Mexi só o dedão do pé. Aí todo mundo >> Mas perde um sinal.
Não existe tetraplédico que mexe o dedão do pé. >> É, eu não sabia. Eu sou leigo na nessa parte de medicina.
>> Você nunca tinha ficado tetraplédico? Sim. >> Nunca.
Aí o pessoal todo comemorou tipo, ah, mexei o dedão do pé e tal. Aí eu fiquei olhando assim, falei: >> "E daí? Que eu vou fazer com isso?
" É, é isso. E e aí eles me explicaram, né, que tem aquele negócio de quando o sinal do cérebro vai até uma extremidade do corpo, significa que o sinal do cérebro tá percorrendo o corpo inteiro. >> Exato.
>> Então existe a esperança de poder voltar a outros movimentos, que aí foi quando mudou o meu diagnóstico pelos médicos. O meu diagnóstico primário ali era que eu ia ser um cadeirante, que eu não ia ser nem não ia ser nem independente, iam ter que me carregar na cadeira de roda. >> E aí >> mexer o pescoço.
>> É. E aí quando eu mexi o dedão do pé, eles falaram: "Não, agora pode ser que tenha a probabilidade dele ser um cadeirante mais independente". >> Depois onde mais voltou o movimento foi joelho.
>> Foi voltando bem gradativo assim, era bem estranho a volta porque tipo, não sei, você vai imaginar que é não, você voltou a mexer, já voltou a esticar tudo. Não é isso. Primeiro mexer o dedão do pé bem devagarzinho assim.
Aí depois eu eu sentia que eu conseguia acionar o músculo, os músculos da perna iam voltando. Primeiro minha perna direita, a esquerda ela voltou bem, depois meu, todo meu lado esquerdo ficou um pouco pior que o direito, >> tá? >> Mas o foi voltando bem aos poucos assim, aí mexeu um pouco aqui, aí depois começou a voltar meu braço, bem devagar.
Isso daí demorou um mês e meio mais ou menos para começar a voltar tudo assim aqui. >> Em que momento você falou: "Opa, eu vou voltar a andar". O estudo deu certo?
Então, eu lembro que no hospital que eu fiquei no Rio de Janeiro, eles tinham um meio que um guindastezinho assim que ele te levantava e deu um certo momento lá que eles me levantaram e eu tava conseguindo sentir que eu tava firmando minhas pernas assim no chão, tipo da eu tinha a sensação de que eu eu não conseguia ainda, não tinha nem equilíbrio, não tinha força, mas eu tinha a sensibilidade de que tava alguma coisa tava se firmando. Aí eu comecei a a ficar mais, quando eu mexi o dedão do pé, eu já mudei um pouco minha minha cabeça, assim, eu já fiquei mais animado. >> Legal.
>> Já fiquei mais feliz. >> Doutora, importante isso. >> Muito.
A a a o o otimismo do paciente deve ajudar, né? A gente tá falando de cérebro, a gente tá falando de condução, a gente tá falando o cérebro, não tô falando de mística, não tô falando de de sobrenatural, a gente tá falando de uma conexão elétrica, né, de força, de de >> o fato do Bruno ser jovem fez toda a diferença ou não especificamente? A diferença tá na rapidez da aplicação ou, desculpe, mas complementando a pergunta, ou no tamanho da do dano que a medula teve.
Então você que as suas perguntas são perguntas técnicas muito importantes e que a gente não tem uma resposta para dar. Quer dizer, os três, provavelmente o fato dele ser mais jovem, provavelmente eh o fato de ter sido rápido e também o fato de eh da lesão dele não não ter sido uma lesão, por exemplo, onde tem perda de substância dele ficou uma lesão fechada, né? >> É.
Põe de novo a foto da na tomografia da lesão da >> Isso da da põe a medula ali, porque a gente vê que teve um dano, mas tipo, não é que rompeu, esmigalhou, estraçalhou, ele comprimiu. >> Aham. >> E e dependendo do tamanho do dano, a, a substância pode ajudar mais, mais rápido, melhor.
>> Sim, provavelmente tudo isso é é verdade. O estudo que a gente fez com oito, não dá para você estratificar, né? Dá para você dizer esse grupo assim um N muito pequeno.
Eh, por isso a gente precisa pesquisar mais. Mas se a gente considerar a literatura que existe tanto para humanos quanto para animais, as três coisas t a ver. Eh, agora, em relação à questão de de não ter sido um corte total, é muito raro, né, esse tipo de lesão que tem uma secção que separa em duas partes.
>> Geralmente já a cabeça vai junto, não sobra nada. Então isso acontece, mas é muito raro. >> Eh, de modo geral, de modo geral, não, o que é definido como uma lesão completa, né?
Então a gente fala assim, não, todos os pacientes eram de lesão completa. Lesão completa é lesão neurológica completa. Significa que nenhuma condução existe, não tem nem sensibilidade e nem controle motor.
Isso não significa que foi cortado, que separou em duas partes, né? Essa separação em duas partes a gente faz em rato, >> né? Então, não é comum fazer esse tipo de experimento, mas a gente às vezes faz, é que você separa em duas partes e trata e a gente viu regeneração.
É o único jeito a gente provar a regeneração é assim, mas no caso do dos dos humanos, eh, a o tipo de lesão varia, mas todos eles eram completos. Quer dizer, não havia nem sensibilidade e nem eh movimento abaixo daquele nível. Ou seja, se seja como for, é impressionante, porque quantas jovens de 22 anos tiveram o mesmo tipo de lesão e, infelizmente, estão paralisados.
E esse não foi o caso do Bruno, que entrou em contato com o estudo e a substância. Da onde veio esse nome? Melan, como que é?
>> Polilaminina. É feio, né? >> Não é feio, mas é grande, né?
>> É. Para mim, sabe o que parecia? que aquele remédio de dormir melatonina faleram uma polimelatonina agora vou dormir mais ainda.
Você que batizou >> não, eu já ouvi gente falando polimelanina. >> Polimelanina teve teve uma >> é alguém que tem três cor. É preto, é branco, é amarelo, é vermelho.
>> É, tem várias, tem várias eh várias maneiras de >> Você que batizou >> mais ou menos. Eh, a gente submeteu um artigo para uma revista científica e o editor não gostou do nome e aí ele falou: "Não, tem que chamar de polilaminina". >> Ah, >> porque ela menina polimerizada, então tem que ser polilaminina.
Aí quando você submete um artigo pra revista, tá quase sendo aceito, aí você aceita tudo, né? É lindo esse nome, é lindo. Qual que você tinha sugerido?
O nome que a gente tinha sugerido era hiperlaminina, que também não é laminina é o nome da proteína. Ah, mas é mais fácil hiper e ele tinha um sentido. É porque tem uma outra proteína parecida com a meninina.
Parecida não, mas que se estuda nos mesmos contextos, chama fibronectina. Isia uma coisa chamada eh super fibronectina, >> OK? >> Que fazia era parecida e a a laminina era mais do que a do que a super fibronectina.
Eles falam, vamos botar hiperclaminina. >> Mas enfim, tinha uma historinha, mas o editor não gostou. Provavelmente ele trabalhava com fibronectina e ficou magoado.
Dizer que era mais. >> Ah, aí meteu essa. >> Ah, meteu essa, rebaixou.
Mas tudo bem. Fica simpática. >> Tá bom.
Mas cadê o tem fotos do Bruno no hospital? Cadê? Ô louco, Bruno, você lembra dessa aí?
É você? >> Lembro. Aí eu lembro.
Aí, na verdade é uma fisioterapia que você faz, que quando você sofre uma lesão medular, você tem que recuperar meio que a circulação no corpo assim de sangue e aí você fica deitado, você fica na horizontal e eles te colocam em uma cama que sobe pra vertical, aí o fica circulando lá o sangue e aí você desmaia. Aí você tem que deitar de novo e subir de novo para ir reacostumando o corpo a ficar de pé, >> como se você fosse uma ampulheta. >> É, >> você joga a areia, cai areia embaixo, depois você vira ampulheta, para areia de cima e para baixo.
>> É tipo isso, >> ampulheta, >> fisioterapia. >> Ué, mas foi o que ele disse, bicho. Tem mais aí?
Cadê? >> Aí, ó. >> Tomando, tomando suquinho.
Tomando. Ô, Bruno, imagina que você foi o aço do hospital quando você saiu andando, hein? Como é que as enfermeiras, os médicos devia ter v ficar feliz?
Fala: "Meu Deus, velho, nunca vi isso aqui antes". >> Então, desse hospital eu não saí andando. Desse hospital eu ainda saí com cadeira sendo carregado.
Mas todo mundo nesse hospital que foi acompanhando uma minha evolução, foi acompanhando o que tava acontecendo, todo mundo desacreditava assim, falava: "Não acredito que ele tá mexeu o dedão no pé". Aí >> ninguém nunca tinha visto isso. >> É, acho que acho que não, porque o pessoal ficou impressionado.
>> Doutora, tem algum segredo? A fórmula eh da mais uma vez vou perguntar. É como que eu chamo medicação.
>> Pode ser medicação, medicamento, droga, tratamento, tudo vale. >> Ou é um hormônio, é uma substância. É uma substância, é um remédio, é uma medicação.
Ok. >> Ok. Tem >> qualquer um desses, tá certo.
Hormônio não. >> Ok. Tem segredo na fórmula dessa medicação?
>> Não tem segredo nenhum. Tudo que tem ali já foi descrito e aberto há muitos anos. Desde que a gente publicou o trabalho com ratos 2010.
>> OK. É que já não tem novidade nenhuma, mas tudo bem. >> Outros laboratórios podem ver o que você fez e partir a pesquisa a partir daí?
>> Pode teoricamente >> até a patente. >> Pois é, a patente diz que a gente precisa, quer dizer, se alguém for produzir, se formar, >> se alguém for produzir nos próximos do anos, vai ter que pagar royalt. Eu eu não sei qual é o o trabalho de extrair, mas é de placenta.
Qualquer placenta? >> Sim. Quer dizer, tem bastante placenta, né, todo dia.
Mas >> isso vai custar caro depois ou não? >> Olha, eu não não eu acho que é uma uma pergunta que seria melhor respondida pela empresa que que tá que fez o investimento, né? Mas eles dizem que na coletiva de imprensa que foi feita aqui aqui em São Paulo uns dias atrás, umas semanas atrás, eles disseram que não, que seria não seria caro e que o objetivo era ser >> a droga de uso social.
>> Hoje em dia tem uns remédios que parece que é é ligado à raridade da doença. Custa 20 milhões, 3 milhões, as coisas assim. >> Tem tem medicamentos hoje que custam muito muito caro, né?
Mas a ideia deles não é essa, né? A ideia não é elitizar o o tratamento, a ideia é ser um tratamento corrique, até porque, [ __ ] muitos acidentes, infelizmente assim acontecem. >> Uhum.
>> E é uma E é uma droga que deve é é uma droga a ser aplicada pelo cirurgião. >> Sim. >> Só o cirurgião pode aplicar essa droga.
>> Sim, só o cirurgião pode aplicar. Sim, isso sim. >> Tem aí vídeo do Bruno se recuperando.
Cadê? >> Tem vez que vai, tem vez que >> é >> não vai como antes, né? Isso.
>> Olha, ol, >> tem que fazer muita força. >> Abre os dedos. Mais, mais, mais, mais, mais.
>> Ó, o dedo do meu que tá melhor. Ó, o dedo do meu que eu tenho mais independência. [Música] Vai, Bruno.
>> Dona Edna. >> Aí sim, Bruno. >> Show de bola.
Melhor, >> eu imagino, eu imagino a alegria, cara. Bruno, [Aplausos] >> mas é engraçado que o dedo mais importante é o que voltou primeiro. >> É, voltou.
É meio tortinho, né? Mostra para nós o primeiro dedo que voltou aí. >> É esse aí, ó.
Para dar aí, ó. >> Voltou bem. >> Ô, >> ô, Daniel, >> dá para mostrar, dá para usar, hein.
>> Eu imagino que a patente seja mundial. Você podia ter pedido para tirar nos Estados Unidos, onde o negócio corre mais rápido ou não? Uhum.
Eu acho que hoje existe essa previsão de fazer a patente diretamente eh com NPI e nos Estados Unidos, mas na época não tinha essa possibilidade. >> Mas olha a dificuldade que o Brasil coloca, cara. É se se alguém descobre um negócio desse, tem que sair daqui e fazer lá fora, porque aqui aqui não dá, bicho.
27 anos ou para sair a patente vai ficar com dois anos de É brincadeira. >> Olha, mas a gente conseguiu. >> Que ótimo.
Fico feliz. Não, eu chamei vocês aqui porque os trancos e barrancos, mas deu para fazer. >> É, mas não precisa ser os trancos e barrancos, porque olha o benefício da sua descoberta, não?
O benefício que uma pesquisadora brasileira está trazendo pra raça humana. Não, o o o o o Brasil tinha que exaltar, né? A história da medicina tá sendo mudada aqui.
Isso aqui é um é uma coisa gigantesca. Ô, ô, ô, doutora, teve gente que quis participar dos testes, mas, infelizmente, teve que ser negada por critérios. Quais são os critérios >> paraa pessoa poder entrar no teste da substância?
Então, o teste que a gente já fez, né, que já fechou, eh, o critério principal era ser lesão completa. >> Então, significa nenhuma sensibilidade e nenhum movimento. Então, às vezes você, a pessoa parecia que não tinha controle nenhum e aí você ia testar, mas ela conseguia identificar qual era a perna direita, qual era a perna esquerda o toque.
>> E aí significa que alguma condução tem, >> que aí você não ia saber se foi o remédio ou se foi a condição. >> Exatamente. Mas posteriormente, pessoas que não tiveram a a a lesão completa vai poder usufruir do do benefício.
>> Sim, sim, sim. A ideia é >> recuperação mais rápida, >> é a exigência da lesão completa só pra gente poder dizer que o remédio tá funcionando. >> Tem previsão de quanto tempo até isso ser liberado?
Tem muito mais teste para ser feito? Previsão é o quê? Quantos anos até essa droga normalizar?
Eu acho que dois a três. >> Dois a três. Em 10 anos pode ser que seja bem normalizada o uso dessa substância.
>> Sim, acho. Espero que sim. >> Legal.
Que legal. Quero agradecer muito a Dr. Tatiana Sampaio, parabenizar a doutora e toda a equipe.
Quero também agradecer o Bruno por ter vindo, viu Bruno? Quando eu li a notícia que, poxa, uma doutora brasileira na frente de uma pesquisa e um e um brasileiro, um um rapaz jovem que recuperou seus movimentos graças ao trabalho de uma mulher brasileira, eu fiquei muito feliz, muito animado e agradeço vocês e é fiquei feliz vocês aceitaram o meu convite. Muito obrigado por terem vindo, tá bom?
>> Desejo sorte para todos vocês, tá? Obrigado. >> Pode ficar assim.
Fica assim um pouquinho. Fica sentar agora, Diguinho. >> Bom, agradecer a plateia.
Muito obrigado, meninos e meninas. Tudo de bom. Obrigado você de casa também e siga com a nossa programação.
Tchau.