tá conosco, professor Sidney Leite, doutor em relações internacionais. Eh, vou pedir a você, a gente precisa te liberar, claro, mas eu vou passar para você aí a primeira pergunta da entrevista. >> Professor, eh, a pergunta é justamente essa, né?
a gente tá falando desde cedo, aliás, professor é muito gentil de ouvir, mas mais uma vez bobagens que eu tô falando daqui. Eh, eu agradeço demais o professor que tá sempre com a gente. Eh, o que que é possível a partir de agora nessa Venezuela, depois que Trump eh garantiu que os Estados Unidos vão administrar o país essa transição?
Ele disse que não vão colocar militares, pelo menos não é essa a ideia dele. Falou num grupo, falou em experiência usar a expertise americana, principalmente no no que se fala do petróleo. E também já descartou logo de cara o principal nome da oposição eh da Venezuela, que acabou de ganhar o Premio Nobel da Paz, a Maria Corina Machado, dizendo que ela não tem apoio popular.
Eh, de que forma os Estados Unidos podem comandar essa transição eh para que a Venezuela volte a ser pacífica? Professor, um grande abraço pro senhor. >> Grande abraço.
Eh, Barão, Megalha, André. Eh, nós tivemos o segundo bombardeio que foi eh essa essa conferência, né, essas declarações que que foram feitas. abriu-se uma caixa de Pandora com muitas informações, eh, e que, portanto, vão virar páginas de livros de história.
Eu diria mais do que páginas, vão virar eh capítulos, né, de livros de história sobre a América Latina, sobre a ordem, sobre o sistema internacional, sobre o governo, o governo Trump, né? O fato é que o regime ainda não caiu. Maduro foi eh aprisionado, está a caminho de Nova York junto com a sua esposa, não é?
Mas o regime chavista ele é maior do que o próprio o próprio Maduro. Ele está eh institucionalizado na Venezuela há mais ou menos 26 anos, né? Então esse dia seguinte não é tão fácil.
quanto possa parecer, não é, eh, pro Trump, as últimas pesquisas mostram que o regime tem mais ou menos 1/3, né, de apoio da população eh da Venezuela. E não há exemplo na história, e aí a gente pode estender eh para além da América Latina de uma transição que tivesse da de um regime autoritário para um regime democrático, em que os protagonistas fossem os próprios atores, as próprias forças sociais daquele país. Não há exemplo, não é?
Não serão os Estados Unidos lá a partir da da Casa Branca ou da casa de praia do presidente na Flórida que vão, né, eh, governar a Venezuela. a experiência do Iraque, a experiência eh eh do Afeganistão, não é? O desastre do Vietnã são exemplos claros, não é, de que este modelo eh totalmente ineficiente no médio e no longo prazo.
>> Professor Megalhe, falando aqui agora, eh, um momento da coletiva que me chamou atenção foi um um instante ali em que em que Donald Trump, aparentemente de improviso, ele não parecia estar lendo nada, eh, puxou a doutrina Monroe, né? a doutrina Monro do século XIX, que determinava que a América era dos americanos, né? Na prática, essa parte do planeta aqui seria administrada de acordo com os interesses dos Estados Unidos, né?
Eh, esse esse princípio América para os americanos, acabou trazendo algumas consequências, né? A hegemonia dos Estados Unidos, intervenções como em Porto Rico, no Panamá, na própria Cuba, né? Eh, e o corolário do Big Stick, que era uma espécie de eh método de intervenção na América Latina, falando suavemente, mas sempre andando com um grande porrete, né?
Eh, Donald Trump tava de bom humor, falou suavemente hoje, mas eh Maduro sentiu o peso do porrete nessa madrugada. Eh, de que maneira o o senhor entende? Eh, é eh eh essa nova leitura da doutrina Monroe agora pro pro século XX.
Eh, Megani, o documento, não é, do programa do projeto de segurança do governo Trump, que foi anunciado há há poucos dias atrás, dá uma ênfase, a um protagonismo que a América Latina e muito menos a América do Sul não tem desde pelo menos o governo Rooselt lá na época da Segunda Guerra Mundial. foi inclusive tema do meu do meu eh doutorado. Então, a ação de hoje ela é tirar do papel esse protagonismo que apareceu no documento, documento mais substancial, né, de como o governo Trump pensa segurança, defesa e política externa.
Essa atualização da doutrina Morel que você muito bem, né, definiu de que ela teve várias atualizações ao longo da história, não é? Ela se dá no contexto ali dos anos 20, do século XIX, processo de descolonização da da América. E depois ela serviu a a objetivamente aos interesses, não é, da República Imperial Norte-Americana, primeiro sobre o Caribe e depois se estendendo paraa Ásia e para outras regiões do planeta.
Me parece que essa esse essa declaração que a gente acabou de assistir, não só do Trump, mas também do Marco Rúbio, anotem esse nome, candidato fortíssimo às próximas eleições nos Estados Unidos, eh tinha pelo menos dois alvos muito claros, né? A Rússia e principalmente a China. É o não dito, não é?
Que às vezes o o silêncio é muito mais eh rotundo, não é, do que a fala, né? Mas na prática, e de certa forma ele tem razão, o governo eh Bush, o governo Obama e mesmo governo Biden não dera menor eh importância para a América América do Sul, não é? E ele com essa ação, com a forma como se de essa ação, usando a elite eh das Forças Armadas norte-americanas, um plano muito meio eh urdo, né, demonstra que, de fato, a América do Sul eh volta a entrar fortemente, né, no farol, no radar dos Estados Unidos e com isso querendo neutralizar esse avanço das últimas décadas, especialmente comercial, né, da China sobre o continente.
>> Professor, isso é bom? Eh, eu sei que é uma pergunta muito ampla, né, que tem muitas nuances, mas tem muita gente que que toparia, que não se importaria da gente ser um 51º ou 52º, né, estado americano. Tem muita gente que que que estaria bastante confortável com essa situação de quintal dos Estados Unidos.
O que que o Brasil tem a perder ou a ganhar com esse esse protagonismo? ou éramos felizes e não sabíamos com o fato de de ninguém se importar muito com o que acontecia aqui ao sul do Eucador. Eh, Megali, a América do Sul, vamos centrar na América do Sul, ela tá muito dividida do ponto de vista político ideológico.
Essas bolhas que a gente vê aqui no Brasil, de alguma forma, se estendem eh por todo por todo o continente, né? Então, de fato, você vai ter uma adesão, uma aderência, inclusive de governos. Nós já vimos as declarações do presidente da Argentina, provavelmente o futuro presidente do Chile vai eh na mesma linha, o próprio líder, né, eh do Paraguai, futuro presidente da Bolívia, né, de a adesão a a esse novo estado de coisas, né?
Agora, se nós acreditamos no Estado nação, na soberania e autonomia dos Estados, é, eh, na verdade um passo para trás, não é? Porque eh seria aceitar que um outro estado, mesmo sendo uma superpotência como Estados Unidos, eh ditassem eh regras, ditassem formas, caminhos a partir das quais a América do Sul deva eh se organizar, fazendo tábula rasa, transformando numa página em branco a própria sociedade, né, eh latino americana. Eu não tô querendo só responsabilizar aí eh os os Estados Unidos ou essa nova política, né, dos Estados Unidos para a América do Sul.
De fato, nós não somos vítimas. da América do Sul, líderes latino-americanos têm cometido uma série de erros estratégicos em termos de política externa, desenvolvimento econômico e social, mas não deixa de ser um um retorno, né, à aqueles cenários do início do século XX, não é, eh, do Quintal, da República das Bananas, não é? Isso, sem dúvida, eh, de alguma forma aparece, não é, tanto na fala de de Trap como na fala eh do secretário de estado eh Marco Marco Rúbio, né?
Não seria bom? Respondendo objetivamente a sua pergunta, o melhor cenário é que as forças sociais politicamente organizadas, não é? Saindo deste cenário eh de uma ditadura que se perpetuou no poder, não começou com uma ditadura, né?
Foi um longo processo em que o governo, a medida, o governo venezuelano, à medida que foi perdendo aquela exuberância econômica da época da da das commodities, né, do do preço alto do petróleo, ele foi se fechando cada vez mais. E hoje, sem dúvida, tecnicamente, a Venezuela é uma ditadura. Não existe autonomia, né, eh, entre os poderes.
Os partidos políticos de diferentes matizes ideológicos não estão representados, não é? Mas como eu falei, se a gente olhar paraa história e eu sou historiador, eu tenho que de alguma forma confio, não é, na experiência histórica. Nenhum processo de transição ele deu certo sendo construído por uma força externa ao país, externa à sociedade.
É claro que o Brasil tem um papel muito importante, a Colômbia, próprios Estados Unidos como mediador dessas forças políticas, sociais, ideológicas, mas não intervir, determinar qual é o caminho. O Afeganistão e o Iraque estão aí como provas de que isso dá muito errado. Nós estamos conversando com o Cidney Leite, professor e doutor em relações internacionais na programação da Band News FM.
Professor, a gente tá aqui com a Larissa Biscai, que vai falar sobre a repercussão de líderes internacionais, sobre a imprensa internacional também, como é que está vendo esse discurso do presidente Donald Trump. No discurso, o presidente Donald Trump deu a entender que o próximo alvo vai ser Cuba. E a gente vai falar sobre isso também, mas eu queria antes aproveitar e tentar me colocar aqui na posição do nosso ouvinte que está preocupado agora com algumas eh situações, digamos, mais mundanas.
Mas espera aí, eu corro algum tipo de risco, eu, cidadão brasileiro, de de haver uma guerra, de haver um contra-ataque eh aqui num país vizinho e e além o meu bolso, o que isso pode significar? aumento de gasolina a curto prazo. Eh, não sei se o senhor me entendeu, mas essas preocupações diante de uma geopolítica mais mundanas, mais imediatistas.
>> Bom, o o pior cenário que nós temos é a Venezuela entrar numa guerra civil anárquica, incontrolável, não é? sem a sem condições, não é, de governabilidade. Esse é o pior cenário.
Acho que esse cenário está distante, mas provável é o é o início de uma transição. Eu até agora não entendi. Aliás, o Megal fez uma observação muito pertinente algum alguns minutos, né?
eh atrás, quando ele falou que foi muito rápido esse processo, por mais eh que sejam assimétricas as forças militares dos Estados Unidos e da Venezuela, mas esa aí se penetrou na capital do país, se chegou ao quarto do presidente. Ninguém me tira da cabeça que há algum tipo de conivência, algum tipo de eh participação de forças que inclusive estavam no governo. Tô falando de traição.
Isso é provável eh que tenha eh acontecido. Então, me parece que esse processo de transição ele vai acontecer, né? Não não sabemos ainda qual vai ser a natureza desse processo e como ele vai se encaminhar.
Aí é fundamental a gente observar a posição dos militares venezuelanos. Nós temos mais ou menos 2000 generais altamente comprometidos com o regime, que participaram inclusive de violência. tortura, mortes de eh adversários políticos, segmentos da sociedade.
Eles esperam que no novo regime eles sejam anistados. Eu não tenho dúvida disso, né? Agora o o a a Venezuela é um grande exportador de petróleo.
Isso vai ter um impacto no preço do petróleo. E o petróleo, por mais que as novas fontes de energia estejam na ordem do dia, estejam em debate, quase tudo que a gente tem, né, a esse computador que tá na na minha frente, este rádio, este carro de quem tá nos ouvindo, tem petróleo porque tem plástico, é movido a a combustível diesel, né? Então, é provável, mas a gente não tem uma dimensão muito clara, né, do impacto de que isso vai causar, eh, por exemplo, no preço do petróleo.
A Venezuela é membro da OPEP, é um protagonista, né, eh, portanto, da questão do do da energia, né, eh, com base eh no petróleo. alguma repercussão vai acontecer, porque o eu repito, o que aconteceu hoje não é uma página que vai constar num livro de história, é um capítulo inteiro, não é? Porque eh há uma dimensão local na Venezuela, uma dimensão regional, América do Sul, Américas de uma forma geral.
E Trump falou: "Agora tá provado que eu sou capaz de derrubar, não é? qualquer líder que vá eh ameaçar a segurança eh dos Estados Unidos. Não sou eu que tô dizendo, foi o próprio presidente dos Estados Unidos.
Então isso também tem uma repercussão eh eh global. >> Professor, eh vamos dar uma atualizada então nas repercussões. A fala foi tão longa, né, que deu tempo de as repercussões serem colhidas enquanto ela ainda estava acontecendo.
E também eh os ecos pelo mundo do ataque dessa madrugada com a Larissa Biscaia. Diga lá, Larissa. Os líderes mundiais repercutem e também se posicionam sobre a ação militar americana na Venezuela.
Começando pelo presidente da Argentina, Ravier Miley. Ele que comemora desde as primeiras horas do dia. Primeiro, logo que ataque aconteceu, ele compartilhou no X notícia sobre a captura de Nicolás Maduro e fez um trocadilho com o nome do partido dele, que é o Lá Libertada Avança, afirmando que a liberdade avançou.
Horas mais tarde, o Milei compartilhou um trecho de uma entrevista que ele deu pra CNN, que vai ao ar só no dia 11 de janeiro, em que ele dizia apoiar uma ação americana na Venezuela. E Milei compartilhou dizendo que estava prevendo o futuro quando deu essa entrevista. Na fala, ele comparou a América Latina com Cuba na década de 1970 e afirmou que Maduro, que ele classificou ele como ditador narcoterrorista, contaminou o continente todo com a epidemia socialista.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, anunciou que ordenou a mobilização de militares pra fronteira do país com a Venezuela depois do ataque. A imprensa americana chegou a noticiar que venezuelanos tentam deixar a Venezuela pela fronteira com a Colômbia. Fotos que mostram a população praticamente com a roupa do corpo.
São pessoas que saíram ali com pequenas sacolas, bolsas, sacolas plásticas, como se fosse de mercado, mesmo tentando cruzar a fronteira a pé. Gustavo Petro classificou as ações de Washington como uma agressão à soberania da América Latina e disse que elas terão como consequência uma crise humanitária. O presidente do Chile, o Gabriel Borek, também foi às redes sociais e afirmou que o governo do país expressa preocupação e condena as ações militares americanas na Venezuela.
Ele pediu uma saída pacífica paraa crise e pede respeito aos princípios do direito internacional. Ministério das Relações Exteriores do México afirmou que esse ataque aéreo viola os princípios das leis internacionais, que ameaça também a estabilidade na região. Esse foi um comunicado oficial que afirma que a América Latina e o Caribe são uma zona de paz construída com base no respeito mútuo e sem uso da força.
Esse texto ainda diz que o México tá à disposição para facilitar, mediar e dar apoio pro pro diálogo entre os Estados Unidos e a Venezuela. Aqui no Brasil, mais cedo, a gente teve a o pronunciamento do presidente Lula. Ele que afirmou que os bombardeios e a captura de Nicolás Maduro ultrapassaram a linha do aceitável e que os atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela.
Lula, que cobrou uma resposta da Organização das Nações Unidas, condenou o uso da força. Por aqui também a gente teve a reação do secretário geral da ONU, Antônio Guterres. Ele que expressou profunda preocupação com a escalada da violência como o respeito ao direito internacional.
Essa cobrança do do respeito ao direito internacional, um posicionamento meio geral. todos os líderes repetindo a mesma frase. Antônio Guterres ainda pediu respeito aos direitos humanos e ele destaca ao estado democrático de direito.
Antigas aliadas da Venezuela, a Rússia e a China também se posicionaram. Ministério das Relações Exteriores de Moscou cobra esclarecimentos imediatos. O regime de Vladimir Putin afirma que as ações americanas constituem uma violação inaceitável.
Ministério condenou anteriormente o que chamou de ato de agressão armada contra a Venezuela. Já a China volta a dizer que a ação americana viola o direito internacional. manifestação feita em um comunicado oficial pelo Ministério das Relações Exteriores e a China afirmou que tá extremamente chocada com a ação militar de hoje.
União Europeia, por meio da diplomata Kaja Calas afirmou que apesar de condenar o regime ditatorial instalado na Venezuela, é preciso que haja uma transição pacífica de poder no país. Calas afirmou que conversou com o secretário de Estado americano com o Marco Rúbiel e com o embaixador da União Europeia em Caracas. Apesar de reconhecer a falta de legitimidade do governo de Maduro, a União Europeia cobrou também respeito às leis internacionais.
E mais cedo, o primeiro-ministro do Reino Unido, Kir Starm, ele veio a público, disse que não ia comentar porque queria mais informações, mas foi muito rápido em afirmar que o Reino Unido não tinha de forma alguma alguma coisa a ver com esse ataque na Venezuela. >> Veja que tá difícil encontrar um apoio integral, né, à dos Estados Unidos. Professor, gostaria que o senhor comentasse sobre eh a o papel que China e Rússia terão nas próximas semanas, nos próximos meses, em relação a essa crise e e também o papel do Brasil.
O Brasil deveria ter um papel de maior protagonismo eh nessa questão toda. A gente viu uma hora de entrevista coletiva e de pronunciamentos e o o nome do nosso país não foi citado. A gente viu citada Argentina, Colômbia, Honduras, Cuba.
O nome do Brasil não foi citado. E basta você olhar o mapa da América do Sul para entender a importância geopolítica do Brasil como um vizinho, inclusive de fronteira com a Venezuela. Bem, em relação à China e à Rússia, eh, e ação, não é, do governo Trump se dá eh num momento, que eu diria favorável a ao governo Trump, não é?
A China está num num processo de negociação eh de tarifas, não é, com os Estados Unidos. A China não tem essas ambições, né, hegemônicas, globais. eh que o Trump eh propaga, né?
Na verdade, os objetivos hegemônicos da China estão muito mais no sul do Pacífico, ali na eh na Ásia, né? Então, com certeza a China, ou no Conselho de Segurança já deu declarações nesse sentido, vai eh repudiar o ataque, né? vai eh, digamos, condenar conveemência ao ataque, mas isso não tem um não extrapola esses limites estritamente, eu diria, diplomáticos na esfera do Conselho de Segurança.
A Rússia, por um outro lado, não é? O o Trump, embora tenha dito que não está satisfeito, não é, com o que o Putin eh tem feito, não é? Mas a proposta de acordo de paz que ele está, né, mediando e que de alguma forma ele propôs é quase que uma eh, digamos consagração da vitória militar russa na Ucrânia.
Então, não há, o que eu estou querendo dizer, que não há da parte eh de Putin em querer nesse momento, não é, levantar essa bandeira, dar suporte para uma resistência eh eh do governo eh venezuelano, não é, do regime eh xavista, não é? O que haverá já está acontecendo, né? são eh discursos enfáticos, discursos veementes contra a agressão da eh da soberania, violação do direito internacional, mas na prática o que tá acontecendo é o exercício da política das grandes potências, que tem como base o quê?
Superioridade militar, né? Se a gente acompanhar desde o início dos 57 minutos, parece um roteiro de um filme de guerra, não é? Com detalhes de exuberância militar e tecnológica, que não, isso não é aleatório.
É claramente quer se demonstrar, ó, nós temos superioridade militar, não é? Nós vamos impor a paz por intermédio da força. Aliás, isso foi dito eh na campanha.
Bem eh eh comentando o papel do Brasil. O Brasil é um protagonista regional. Às vezes eu dei aqui eh entrevistas falando, ó, nós temos muitas dificuldades, por exemplo, de ter um protagonismo nas questões do Oriente Médio, mas nós estamos falando da América do Sul.
Nós estamos falando, portanto, do principal líder eh regional. Então, de fato, a nossa política eh externa nesse momento deve concentrar a sua estratégia e estar presente nesse momento, não é? eh ali na Venezuela, nesse acompanhando, participando, até se for o caso, né, com o mediador do processo de transição, não dá apenas para eh a gente exercer uma espécie de diplomacia estritamente midiática, né, de afirmar que repudiamos o ataque eh é eh uma agressão ao direito eh internacional, é uma agressão ao conceito de soberania.
Isso não vai ter efeito prático nesse cenário, né, que está acontecendo. Eh, eu diria que a política externa brasileira, nesse momento, ela precisa ser menos idealista e imaginar o mundo como deveria ser, deveria ser mais realista, encarar os fatos como de fato e desculpem a redundância estão se apresentando, não é? eh na realidade, assumir aí um protagonismo que até o momento o Brasil tem tido uma posição muito mais discursiva do que objetiva e prática.
>> Nós estamos ouvindo o professor Sidney Leite, doutor em relações internacionais. Professor, daqui a pouco a gente vai ter que te perguntar de Cuba, né? né?
O presidente americano Donald Trump no discurso meio que deixou encaminhada eh uma intervenção também em Cuba, seria a próxima intervenção do governo americano. Mas antes a Larissa Biscaia continua por aqui agora para falar também da repercussão na imprensa internacional, né, Larissa? >> Com certeza.
Começando aqui pela América do Sul, na Argentina o Lion exibiu o título A queda de Maduro na capa do site. Isso ao longo de todo o dia, e deu destaque para comemoração feita por Javier Milei e também por membros do governo dele pela ação militar. O espanhol E país trouxe análise de colunistas que apontaram o interesse americano no petróleo da Venezuela e também paraa polarização política aqui na América Latina no contexto atual.
Na França, o Lemonde trouxe destaque pra fala de Donald Trump na coletiva, em que afirmou que os Estados Unidos pretendem governar a Venezuela e estabelecer as empresas petrolíferas americanas por lá. E esse foi o mesmo ponto de destaque da Deit da Alemanha, que apontou pro tamanho da ação que foi feita hoje. Do Qatar, a Aljazira, que costuma cobrir foco ali no Oriente Médio, deu destaque pra invasão militar ao longo de todo o dia.
Emissora apontou também para outros líderes, presidentes ou ditadores que foram levados pelos Estados Unidos anteriormente, como o Manuel Noriega do Panamá em 1989, também na época com argumento de tráfico de drogas, de combate ao tráfico de drogas. além do presidente do Iraque, Saddam Hussein, em 2003. Por fim, o The Times of Israel trouxe a contextualização, vários títulos.
Quem é Nicolás Maduro? Quais são os outros países que podem ou que não podem se envolver nesse conflito? E um destaque ainda que o Ministério das Relações Exteriores de Israel orientou a população a evitar deslocamento pra América do Sul.
>> Obrigado, Larissa. Professor, eh, deixei aqui no ar a situação de Cuba, né, ali no finalzinho do discurso. O, o presidente Donald Trump, primeiro ele leu um discurso que estava escrito num papel e depois ele passou a fazer o Trump show, né?
Passou a improvisar ali. Eh, e neste momento do improviso, não me lembro se foi neste momento, foi eh questionado por um dos jornalistas, ele acabou citando Cuba e dizendo que Cuba é um é um desastre, que o governo cubano é um desastre. inclusive chamou Marco Rúbio, que é um eh que é cubano, né?
Eh, para ele próprio dar o seu depoimento sobre o, enfim, o quão e o tamanho da desgraça que o que o que o regime de Cuba seria pros cubanos. Enfim, e é um assunto que é pauta constante, né, na no salão oval. >> E ele deixou meio que encaminhada eh ou encaminhada um caminho eh com perdão do trocadilho para que ataque Cuba também.
Foi essa percepção do senhor? >> Sim, inclusive ele usou a a expressão que é o próximo alvo, né? O próximo cenário eh da da ação, né?
Que está sendo direcionada eh para pras Américas, não é? Cuba tem uma situação bem diferente da Venezuela, né? Porque a a em dois episódios, né?
que também tiveram uma magnitude eh global, não é? O episódio da crise dos mísseis, que quase levou a uma a uma terceira guerra mundial, não é? Ali nós estamos no é o auge da Guerra Fria e o episódio da invasão da baia de plaia Giron, chamada nos Estados Unidos da Baia dos Porcos, né?
Eu eu compararia, eu eu se fosse para fazer uma comparação, eh, o cenário de Cuba tá muito mais próximo do que foi aquele cenário do Vietnã, que o os Estados Unidos levaram muito tempo para entender que a reação do povo vietnamita era uma reação em defesa da a da soberania nacional, do direito de existência eh de um estado, de um país, de uma nação que de alguma forma sempre foi ocupado e invadido. Isso explica de alguma forma eh a vitória e foi uma vitória innegável, né, do Vietnã sobre as tropas eh norte-americanas. Em Cuba, nós temos um cenário muito parecido.
Talvez agora Cuba eh viva uma debilidade econômica, não é que não vivera lá nos anos 60 e até os anos 70, quando recebia a apoio logístico, militar, econômico eh da União Soviética. Então fica difícil a gente fazer uma uma previsão, né, de que uma ação como essa hoje teria sucesso em Cuba, mas é muito provável que a reação eh cubana seria muito mais veemente, não é? Então é um é um cenário muito mais espinhoso, difícil, como se mostrou ação eh levada a cabo eh na na Venezuela.
Mas fica claro no discurso do atual presidente e Marco Rúbio tem o Megal lembrou muito bem, né, um interesse muito especial sobre Cuba, né, as bases eleitorais de Marco Rúbio, né, estão lá entre os latinos e principalmente aqueles cubanos que foram pros Estados Unidos a a a segunda, a terceira eh geração, né? Então, é, digamos assim, de grande interesse de eh Marco Rúbiel eh colocar Cuba, não é, eh no farol, né, e levar adiante um projeto de intervenção eh em Cuba. >> É, ele não é ele não é cubano exatamente, né?
Ele é filho de cubanos, nascido na Flórida. A Florida tem uma comunidade de cubanos gigantesca e e e ali e se você for fazer uma pesquisa, 100% são radicalmente contra o regime de >> de de Fidel e bem o regime nascido com Fidel, né? Eh, e a comunidade venezuelana na Flórida tem aumentado bastante também, né?
Cresceu muito nos últimos tempos e é a mesma lógica. São pessoas que também são radicalmente contra o regime de Maduro. Professor Sidney Leite, doutor em relações internacionais.
Agradeço demais mais uma participação aqui na Bandus FM. Até a próxima. >> Até a próxima.
Um forte abraço.