[Música] [Música] essa é a nossa terceira videoaula da primeira semana de curso nós estamos ainda fazendo aqueles debates iniciais debates que vão percorrer todo o curso as oito semanas do curso vão nos acompanhar ao longo das oito semanas se na primeira aula nós nos perguntamos O que é literatura e na segunda aula nós perguntamos para que serve a literatura chegou a vez de nós discutirmos O que são teorias da atura né ou seja o curso se chama teoria da literatura e eu preciso definir o que são teorias da literatura junto com vocês tal como nas
duas primeiras aulas eu estou abrindo com uma citação dessa vez do professor crítico teórico inglês Terry eagon e a citação é a seguinte devidamente compreendida a teoria literária tem suas bases um impulso democrático nunca elitista e a este respeito quando ela realmente mergulha no no está sendo desleal para com suas próprias raízes históricas o que que o igon tá nos apontando que as raízes históricas da teoria literária é muitas vezes de classes elitizadas mas como a teoria literária é um esforço de entendimento sistemático sobre a Literatura ela acaba atraindo as suas origens Então essa é
a definição de teoria literária que é o que está logo abaixo uma teoria é sempre um estudo sistemático e integrado então o que que é uma teoria da literatura é um estudo sistemático integrado da literatura Ou seja é a maneira de eu desenvolver conceitos dispositivos aproximações que passem a entender o fenômeno do Literário de maneira sistemática integrada Claro bom isso é só uma definição Quais são as especificidades da teoria literatura ou seja isso aqui não é teoria de cordas isso aqui não é teoria dos números complexos Qual é a especificidade de quando nós vamos tratar
teoria da literatura ou seja o que que ela precisa como ela precisa se comportar diante dos objetos uma primeira resposta a isso é dada pelo velc e pelo varin num livro importante sobre teoria da literatura em que ele em que eles dizem assim é preciso que você demarque o que é crítica literária do que é história literária Ou seja a crítica literária trabalha com abordagem concreta das obras uma obra é lida pelo crítico e o crítico escreve uma leitura uma hip de leitura uma aproximação em relação a essa obra A história literária por outro lado
ela dispõe as obras no tempo de modo a relacionar essas obras e a relacionar os processos históricos dos quais essas obras derivam ou seja o crítico trabalha no presente da leitura da obra ele pegou uma obra lê a obra e responde com a com aquilo que ele tiver com seu Arenal crítico aos sentidos daquela obra isso é crítica literária história literária é quando eu organizo no tempo os livros e as sociedades das quais esses livros são derivados bom se eu tenho esses dois Arcos eu vou tentar com vocês agora acrescentar um terceiro arco que é
o arco da teoria ou seja para entender como essas esses três Campos se enamoram se entrelaçam se combinam né No primeiro sentido as obras são lidas no presente do tempo pelos críticos dentro desses textos e com certas orientações teóricas ou seja os críticos Eles não têm nenhuma orientação CL el Eles já são munidos de algumas orientações teóricas as sistematizações no Mundo Ideal elas partiriam desse primeiro gesto crítico ou seja agora que eu tenho uma leitura crítica de memórias psomas de brascubas de Quinas Borba de papéis avus etc etc eu soluciono Teoricamente um dilema da obra
machadiana por exemplo Tá e por fim ou seja ainda é um terceiro movimento eh que depende da Leitura particular das obras eu vou organizar essas obras na Linha do Tempo teoria é sistematização crítica elaboração de hipóteses paraa leitura da obra história da literatura a maneira como eu organizo no tempo essas obras e as sociedades correspondentes a essas obras eu acho que é bastante tranquilo assim mas eu já queria apontar alguns riscos né Eh por exemplo um apontado pelo igon ele diz assim não eh a teoria ela está num num plano que parece mais teórico digamos
e a crítica e a história da literatura elas estão num plano mais prático sim e aí o wilon diz ah muitas vezes o conhecimento sobre a Literatura se dá numa dialética entre os polos prático e os polos teóricos né ou seja de um lado tá a teoria que diz ah uma metáfora é assim eh uma construção é determin do jeito e de outro lado está a crítica e a história literária que estão lidando com a literatura materialmente sim eu só coloca uma uma pulguinha atrás da orelha de vocês espera uma mosquinha na sopa de vocês
que é que é o seguinte a gente não pode achar que só porque está no plano teórico esse plano não é todo tensionado e não está sempre em disputa eu vou demonstrar aqui para vocês logo na sequência dos slides como o plano da teoria também está em disputa Ou seja quando eu falo que algo é teórico Ocupa um lugar teórico parece que é um lugar mais pacificado mais apacentar e não é verdade ou seja eu vou demonstrar aqui logo adiante como o polo da teoria também é muito tensionado no geral a não ser opiniões muito
triviais por exemplo quando foi publicado o Memórias pimas de Bras curvas todo o resto está em disputa qual o ângulo que eu uso para abordar o quanto eu sublinho ou não determinado aspecto o que que eu devo levar em conta e o que que eu não devo levar em conta tudo isso está em disputa no plano da crítica da história e da teoria vou dar alguns exemplos disso tá a gente vai ver lá na semana 6 com calma diversas correntes de teoria da literatura mas agora na semana um eu vou só dar alguns exemplos inclusive
de correntes que nós nem vamos abordar com tanto Cuidado lá na semana 6 para vocês verem como tudo isso está em disputa tá E por exemplo existe uma tendência a recuperar ao máximo o contexto de um autor e a partir disso explicar determinada obra O nome disso é storicismo ou seja em vez de tratar a obra a partir de outros ângulos eu trato a obra explicitamente ou quase exclusivamente a partir do momento em que ela foi escrita o nome disso é historicismo da mesma forma ou seja análoga essa abordagem também existe abordagem de pensar nas
experiências ou nas intenções do autor para ler determinada obra e o nome disso é biografismo Ou seja eu utilizo a biografia do autor para ler a obra desse autor eu coloquei aí uma imagem do mon ter Lobato que eu acho que é talvez o autor que mais é atravessado por isso né ele tem posições eh controversas é o mínimo né Ele é tem evidências de práticas racistas ao longo da vida né Eh sobretudo na juventude tem cartas onde ele Explicita isso e aparecem posições racistas nos livros em que medida eu consigo dialogar a figura biográfica
do Monteiro Lobato e a sua literatura Isso é uma tensão enorme tanto para crítica quanto pra história da literatura quanto pra teoria porque a teoria vai decidir em que medida isso é pertinente ou não há teorias que vão dizer isso é absolutamente pertinente e Há outras teorias que vão dizer não eu não posso considerar o autor na análise da obra esses serão os nossos dilemas como eh praticantes de teoria da literatura ao longo do do curso tá um segundo exemplo eh tem a ver com o Estabelecimento de critérios estéticos p Enes para os objetos literários
Ou seja eu dizia assim um determinado poema é bom se lhe apresentar isso um determinado um determinado romance é bonito é relevante caso ele represente isso o nome disso que claramente é uma é uma corrente muito em desuso é absolutismo literá Ou seja é é uma corrente absolutista ela estabelece parâmetros de beleza ou de feiura ou de adequação ou de inadequação e a partir desses parâmetros Analisa as obras né Aí eu eu trouxe até uma imagem do Walter Benjamin nesse slide eh que é que é um grande crítico materialista em que ele propõe justamente o
inverso isso é o teórico ou crítico ele não deve lidar com o romance que ele imagina que devesse ser escrito nós devemos sempre lidar com o texto literário tal como ele se apresenta para nós existe um poema eu preciso ler o poema eu não tenho que ler o poema que eu gostaria que esse poema fosse isso seria seria uma crítica absolutista isso seria uma teoria absolutista e agora eu vou trazer ainda um terceiro exemplo eh vocês estão vendo aí no slide aquela famosa imagem do lugar de fala né que diz assim e no no primeiro
balão vou reproduzir aqui eu sou parte da minoria se Sim esse é o meu lugar de fala se não aí tem uma segunda pergunta né Há alguém dessa minoria presente senão a minha fala ofende alguém Ah então eu posso falar né Eh se há alguém dessa minoria presente tenho algo real a esclarecer se não eu deixo a outra pessoa falar se sim eu falo respeitando a fala da outra pessoa né esse é uma uma um meme uma ilustração prática de como funciona o lugar de fala o que que é o lugar de fala o lugar
de fala eh que tem forte forte teor político sociológico consiste em considerar a experiência do sujeito para avaliar se é confiável ou não o relato ou a obra estética que essa pessoa está produzindo né ou seja eh eu eu É como se eu perguntasse assim eh qual é o lugar de fala do Carlos drumon de Andrade para conseguir expressar certas experiências que ele não viveu dentro de sua obra um teórico da literatura e esse é o nosso ponto aqui pode pode concordar ou discordar dessa noção Ou seja eu posso me valer do lugar de fala
eu tô estudando por exemplo a Conceição Evaristo né eu digo ah con ção Evaristo tem completo lugar de fala em relação às suas narrativas que muitas vezes recortam a experiência da pobreza ou a experiência da negritude ela viveu essas experiências e portanto essas experiências estão validadas quando transportadas pro objeto estético ou você pode descordar e dizer não eu não mobiliz o lugar de fala porque eu acho que não necessariamente a pessoa que viveu aquela experiência tem a melhor perspectiva eh possível para conseguir produzir uma forma estética Sobre aquelas experiências mas mais importante do que você
concordar com o lugar de fala ou discordar de lugar de fala nem é concordar ou discordar né usar a noção de lugar de fala ou não usar a noção de lugar de fala na sua crítica é entender que no campo da literatura essa posição existe ela tem um lugar histórico como nós vimos nas duas primeiras aulas e ela tensiona outras posições Ou seja é claro que a ideia de retirar a análise do autor do objeto estético tensiona com a ideia de lugar de fala ou eu considero o autor E com isso posso considerar também o
seu lugar de fala ou eu não considero o autor para fazer determinada crítica literária e Por conseguinte para organizar Teoricamente o meu sistema integrado para se analisar os fenômenos literários bom outra questão interessante a discutir é a relação entre literatura teoria da literatura e a produção contemporânea esse é o nosso último o debate dessa da da da da nossa terceira vídeoaula o que que eu tô querendo dizer com isso eh é óbvio que essas três ações crítica literária história literária e teoria literária Elas têm tempos distintos no manejo com os objetos da literatura Isto é
a crítica literária é quase imediata ela tá lá no jornal você abre a folha abre o Estadão abre um determinado jornal e você encontra lá uma opinião de alguém sobre um determinado livro A História literária ela vai sendo construída e uí a partir da crítica e a teoria tende a ser desses três dessas três ah formas de agir aquela mais demorada assim porque ela vai precisar da crítica fazer generalizações a partir da crítica para se para construir uma teoria o que eu quero dizer é o seguinte a partir dessas diferentes formas de agir a produção
contemporânea sempre é vista a partir de uma teoria que não é contemporânea a essa produção ou seja Há sempre um determinado caso um delay entre a crítica e a teoria literária sempre um crítico vai mobilizar para ler um livro contemporâneo teorias que não são exatamente contemporâneas mesmo que esse Delei seja mínimo assim Às vezes tem um livro de teoria do ano passado e você tá lendo e tal mesmo que o Delei seja mínimo Por que que é interessante falar sobre isso porque tem a ver com a maneira como os livros produzidos contempor contemporaneamente alteram a
teoria literária médio e longo prazo né alteram as teorias da literatura a médio e longo prazo e alteram a história da literatura Eu só quero falar sobre esse Delei é importante ter esse Deli em mente porque nós adoramos literatura contemporânea espero que vocês também consumimos literatura contemporânea e nem sempre temos os instrumentais teóricos adequados para ler essa literatura porque justamente ela tá sendo produzida a partir daqueles autores no momento presente bom o que que nós vimos hoje estudamos as relações entre teoria da literatura história literária e crítica literária vimos alguns debates no campo da teoria
só para para exemplificar a vocês essas diferentes teorias da literatura que existem Lembrando que lá na semana 6 nós vamos ver com calma diversas correntes de teoria da literatura abordamos exemplarmente a noção de lugar de fala e eu ainda mencionei aqui alguns aspectos específicos sobre a relação entre crítica teoria e história da literatura para o momento contemporâneo né embora isso eu espero que seja uma conclusão que está aí no coração de vocês nesse momento embora teoria da literatura sugira um nome abstrato teórico pacificado apacentar espero que eu tenha conseguido demonstrar que não Ou seja eh
dentro do limite possível do que se é brigar no campo da literatura há enormes disputas sobre quais correntes literárias seguir quais teorias da literatura abordar como realizar críticas a partir de determinadas teorias e é o que nós vamos ver também ao longo das outras sete semanas do curso revejam as aulas quando quiserem acessem os monitores acessem os professores estamos sempre à disposição espero que vocês tenham gostado também de mais essa videoaula um grande abraço tchau tchau [Música] k [Música] [Música]