Beleza. Bom, formei e falar, agora eu quero entrar em alguma empresa para aprender de verdade e tinha uma oportunidade para um processo seletivo para Motorola na época. E aí eu entrei, me cadastrei lá, acho que talvez até um amigo meu aqui, o Juninho, meu amigo de infância, não tá dando para ver, tá escuro, não sei se ele tá aqui.
A gente entrou junto nesse processo seletivo, a gente foi passando, passando, sem falar que era amigo e na Motorola na época, tal. Aí chegou, a gente tava na fase final, eu cheguei para ele, falei: "Juninho, cara, vai aí, eu vou vou largar". Você é doido, Ramirinho?
Você me chama de Ramirin? Falei: "Ah, cara, não, eu quero empreender, eu tô novo ainda, eu quero, eu já vendi, eu gosto de falar com gente, eu quero arriscar ainda. Boa sorte, eu vou largar".
Falei: "Cara, você é doido? " Ué, ele entrou na Motorola, trabalhou na Philips, Nokia, já tem uns quase 10 anos que ele trabalha na Apple, o Juninho. E eu fui para cá.
Bom, representante de alimentos, que que eu fiz, pô? Já vendia o sanduíche natural. e já tinha, já gostava disso.
Tinha um um lugar aqui no em BH nessa época, chamava Espetinho do Luizinho. Era um cara que vendia espetinho, um espetinho, um churrasquinho, sabe? Numa esquina.
Quem conhece aí, quem é de BH já foi lá, lembra disso? Quando ele lá no início que bombava assim, era uma esquina, era 300, 400, 500 pessoas ou mais. Falei: "Pô, legal, esse cara ganha dinheiro com isso aqui, será que ele fabrica os espetos?
" conversando com ele, falou: "Não, eu produzo, mas eu compro alguns". Eu falei: "Ah, então tem fábrica". Achei uma fábrica de espetins, petinhos filé do Marcial, fui lá e comecei a representar esse cara.
E aqui em Belo Horizonte, pô, não tem marca, que que tem bar, né? Restaurante. Comecei a abrir a carteira vendendo para todo mundo espetinho.
E aí chegou num ponto que eu tinha uma carteira grande. Falei: "Pô, mas se eu já tenho restaurante, vou vender mais coisa". Eu comecei a vender eh defumados, queijo, uma série de outros produtos para os mesmos clientes.
Até que um dia me acharam no LinkedIn já minha conta é antiga gastaça do LinkedIn, né? Veio um cara lá de São Paulo, me convidou para um processo seletivo. Fui para lá num hotel aqui em Belo Horizonte, tinha umas 40 pessoas.
E aí ele foi me apresentar o que que era o Clicon. Ele chegou, ó, nós vamos entrar aqui em Belo Horizonte daqui umas duas semanas. Nós somos um site que vai vender coisas com desconto de 50% para um monte de gente usar.
Eu falei: "Ah, não entendi. " Falei: "Cadê o site? " Falei: "Ele foi abrir um flip chart assim, falou: "Nós vamos fazer isso".
Eu falei: "Mas cadê o site? " Falei: "Não, é isso que nós vamos fazer". Eu falei: "Caralho, naquela época não era tão esse tanto de site que a gente via, tinha lá submarina e tal".
Falei: "Cara doido, eu tenho que chegar no restaurante, pedir pro restaurante dar 50% de desconto e desses 50% de desconto o restaurante pagar 30% de comissão pro site. Eu eles vão me linchar aqui. " Só que eu falei: "Ah, velho, beleza".
E tinha duas vagas, eu fui um dos que ele chamou, cara, mudou minha vida porque ali eu comecei a viver, eu entrei pro digital, né? no nos anos 2010. E não era igual hoje que tem um tanto de startup, tanto de oportunidade, tanto de gente empreendendo.
E imagina em Belo Horizonte a galera já é desconfiado, né? Mineiro, eu tendo que chegar nos restaurantes, clínics, pedir para dar 50% de desconto e ó e ainda sempre tem que me pagar 30%. Mas foi um sucesso, né?
Muita gente aqui pegou as compras coletivas, né? Peixe urbano, grupon. Eu aprendi demais porque ali eu trabalhei 3 anos.
Eu entrei como um vendedor, né, e a gente abriu a operação em Minas e todo. Eu eu era gerente da operação em Minas, fui ser gerente, tendo Uberaba, Uberlândia, eram mais de 20 vendedores. Eu abri o mercado e a gente desenvolveu esse mercado concorrendo direto com o peixe urbano e com o grupo que chegou depois com um monte de grana.
E uma das coisas que mais valiosas que eu aprendi lá é a questão dos talentos. O nosso time era o mais inxuto, os caras pechurbando, grupão com grana para caramba, contratando Deus imundo. E a gente batia de frente com eles porque construímos um time né?
Então aprendi demais lá. Os caras teve uma época que o CEO eh era o vice-presidente da Yahu América Latina e eu trabalhava com ele. Então ali era white label, o tanto de projeto que eles fizeram.
Eu eu convivi com isso e eu falei: "Pô, não, do digital eu não saio mais, né? " Aqui, gente, foi aí, tá vendo? Aqui já tava começando, cara, a piscina, o Clicon, ele começou a ir para uma linha de de viagens e tudo mais e fechou as operações locais.
Então, fui um dos primeiros a ser contratado e um dos últimos a ser mandado embora. E depois que sai de lá, eu falei: "Eu só entem outro projeto se for no digital". Falei comigo mesmo, né?
Não, não saio, não vou voltar pro mundo tradicional. E aí eu tinha comprado uma casa com o que eu fiz lá no Clicon, uma era um lote grande e uma casinha. Falei: "Ah, vou trabalhar de pedreiro.
" Meu ano sabato foi trabalhando de pedreiro junto com a galera da obra. Então, batil, coloquei forro de teto, instalei pia, se precisar de alguma coisa de serviço de pode me chamar que eu tô dentro. E quando eu faço orçamento, a galera não me engaloba também não, porque eu sei como é que funciona, entendeu?
E tava tudo bem, foi legal para caramba. Fiquei lá, sei lá, uns seis meses dentro da obra ali para finalizar. E isso é uma experiência muito legal, porque eu só queria voltar se fosse para um projeto digital.
M.