após termos conhecido os objetivos e tipos de precificação nós vamos agora tratar dos seus impactos apresentando exemplos de cidades que adotaram políticas nesse sentido pelo gráfico nós podemos verificar que a propensão ao uso da bicicleta e a realização da caminhada não sofreu significativas alterações com a adoção dessas políticas de precificação mas houve uma inversão na tendência do uso do transporte público e do transporte privado o o valor da tarifa e também a área coberta pelas medidas né Eh foram significativas para essa mudança no padrão de deslocamento a taxa de congestionamento em Londres trouxe uma série
de impactos que são apresentados pela transport for Lon que são essas que estão listadas nesse slide então houve um aumento significativo dos passageiros de ônibus em um ano a redução dos atrasos dos ônibus a redução de 15% do total de quilômetros viajados 30% dos congestionamentos reduzidos em 3 anos anos 39% a menos de veículos particulares dentro da zona receita de pelo menos 100 milhões de libras anualmente desde 2008 que dá mais ou menos aí mais do que 720 milhões de reais e ultrapassando 150 milhões de libras aí a gente tá falando de mais de R
bilhão deais eh entre os anos de 2014 e 2018 e também uma redução dos acidentes envolvendo pedestres e ciclistas outros exemplos de cidades com medidas de precificação que a gente tá mencionando aqui são as cidades de Estocolmo e de Milão a taxa de congestionamento em Estocolmo gerou na cidade uma redução dos tempos de viagem a redução das filas de carro em 33% no pico da manhã e em 50% no pico noturno a redução de tráfego entre 18 e 22% entre os anos de 2006 e 2013 e gera cerca de 155 Milhões de Dólares de receita
anual ou seja mais de R 850 milhões deais já em Milão essa política de tarifação tá inserida dentro desse projeto que é o Milan ecopass emissions que é de 2012 e gerou uma redução de 33% das emissões de CO2 em 3 anos a receita de 30 milhões de euros em 2017 com investimento de 26 milhões em transporte público e transporte sustentável e também eh teve como efeito a requalificação do espaço público com mais espaço para pedestres ciclistas estações de bicicleta e também carros compartilhados como nós já comentamos Singapura foi a primeira cidade a utilizar um
sistema de cobrança eletrônica que é esse ERP que é um sistema considerado sofisticado até os dias de hoje o sistema de cobrança ele funciona com a implantação de um dispositivo dentro de cada veículo que com a inclusão de uma forma de pagamento nele ou seja um cartão de crédito a cobrança é feita no momento em que o veículo atravessa o portal que é isso que a gente tá vendo na foto quando a cobrança não é finalizada uma multa é cobrada no pedágio as tarifas elas são ajustadas buscando manter a fluidez nas estradas pelo menos em
85% do tempo pelos custos de manutenção e operação a proposta apresentada em 2014 contemplava uma transição do desse sistema né nessa nesses moldes que que eu acabei de falar para um sistema baseado na distância no ano de 2020 o restrin então ele ia ser realizado pelo GPS como a gente já falou né E o valor da tarifa seria dado de acordo com a distância percorrida essa transição faria com que esses portais fossem retirados e e as unidades desse novo sistema né que passaria a fornecer essas informações eh seria uma unidade diferente dentro do veículo né
então Eh como a gente já falou esse sistema foi o primeiro do mundo e Serviu de referência para que outros sistemas fossem posteriormente sendo implementados também bem eh pensando nos possíveis impactos paraa Equidade que as políticas de precificação podem ter no contexto do Brasil nós mapeamos cinco principais desafios que eu vou apresentar aqui para vocês agora eh o primeiro deles está ligado à configuração socioterritorial porque na maioria das cidades brasileiras do subúrbio e as áreas periféricas são ocupados por populações principalmente negras pobres ou empobrecidas e que diariamente Precisam fazer longos deslocamentos para poder realizar atividades
básicas como trabalho e educação acesso à saúde acesso ao lazer E aí vou falar um pouco sobre algumas das causas que estão ligadas a esses desafios e também algumas consequências que né advem nesses desafios então falando sobre a parte de configuração socioterritorial eh algumas causas que podem ser apontadas são que existe uma infraestrutura né Eh pior de mobilidade e de atividades Urbanas no geral nos subúrbios e áreas periféricas os investimentos eles são os historicamente concentrados em áreas que TM eh maior valor associado ao uso da terra né então isso causa um afastamento da classe trabalhadora
dessas regiões e tão logo da infraestrutura de mobilidade urbana com melhor oferta o crecimento praeda das cidades demanda longos deslocamentos cotidianos paraa realização das atividades produtivas por uma parcela muito grande da da população e algumas consequências que estão relacionadas a esses desafi são a restrição do acesso a atividades como educação saúde lazer e cultura uma maior dificuldade né para essa parcela da população que reside nas áreas periféricas de obter vagas de trabalho a restrição do acesso à áreas centrais pelas populações periféricas né que tendem aí ao centro apenas para as atividades produtivas o crecimento também
Urbano nas franjas metropolitanas né porque lá o preço da terra é mais barato fazendo com que a população de menor renda consiga residir e isso vai fazendo com que essa população V pagando cada vez mais distante e tendo que fazer viagens cada vez mais longas já falando sobre o desafio ligado a privilégios e exclusões eh a gente percebe né que as estruturas de mobilidade urbana no Brasil elas garantem privilégios a determinados grupos isso é algo que é bastante eh falado também no curso sobre mobilidade antirracista né e isso vai fazer com que determinados grupos sejam
privilegiados enquanto outros sejam cada vez mais excluídos em contextos como brasileiro eh confrontar privilégios é Um Desafio muito árduo e que demanda um engajamento muito grande de diversos atores algumas causas que estão ligadas a esse desafio né Eh existe uma maior oferta do sistemas de transporte em regiões que beneficiam né diretamente As populações de maior renda mantendo assim os privilégios Os territórios com população majoritariamente Branca tem acesso a melhor infraestrutura quando comparada as áreas eh onde a população residente é e mais sua maioria prip paro o racismo estrutural ele restringe o acesso da população negra
e determinadas áreas da cidade a mobilidade tem um custo muito elevado na renda individual ou familiar eh as condições eh dos transportes muitas vezes são inseguras principalmente para mulheres periféricas e aqui a gente tá falando eh de risco de furto assaltos sedes né e outros tipos de violências que podem ocorrer eh em estações dentro dos veículos ou mesmo nas vias públicas as viagens pendulares São longas né e a oferta de vias em regiões eh periféricas elas t tem ser bem piores né então o mobiliário Urbano tendia a ser pior a sinalização tendia a ser pior
a pavimentação também eh como consequências a gente observa né a manutenção da estrutura social garantindo assim as elites a perpetuação né do seu estatus de suas comodidades perpetua essa dificuldade de ascensão social das populações economicamente vulneráveis eh a miação da população de menor renda para meios de transporte individuais que são eh menos Seguros como por exemplo as motocicletas e um elevado número de sinistros com vítimas feridas e mortes de trânsito especialmente envolvendo motociclistas pedestres e ciclistas [Música] eh existe também um desafio que nós mapeamos que tá ligado às questões de governança né porque assim a
dinâmica da política no Brasil ela se expressa de várias formas e Alguma delas eh acabam refletindo nas opções de mobilidade que são ofertadas para populações em determinadas áreas das cidade esses aspect aspectos políticos eles podem ser observados tanto na escala Nacional como também na Municipal e podem dificultar muito adesão de políticas de caráter redistributivo nas mais diversas áreas da cidade contribuindo paraa manutenção da hierarquia social algumas causas que estão ligadas a esse desafio São que o sistema de transporte ele é planejado para priorizar veículos particulares eh o sistema de transporte público ele é planejado para
poder garantir um modelo de negócio que beneficie o setor privado ainda que isso Acabe significando o sucateamento do serviço em determinados casos as políticas de mobilidade elas são tratadas como políticas de governo e não como políticas de Estado então elas têm um prazo de validade né a duração ali de uma gestão não tem garantia de que elas eh tornem perenes né se tornarão perenes e a implantação de uma política de tarifação ela pode est associada a riscos eleitorais né pode gerar uma impopularidade paraas lideranças né que é implementarem e isso pode desgar uma imagem ruim
junto à opinião pública como consequências né ligadas a esse desafio a gente observa a exclusão das populações negras pobres e periféricas e atividades que não são ligadas ao a trabalho a naturalização da redução de linhas longas né Eh que são menos lucrativas E aí a população periférica fica des assistido em determinados horários em determinados dias da semana eh o aumento da necessidade de transbordos Nord ações ou viagens negativas que são as viagens que muitas pessoas fazem eh no sentido contrário né ou em outro sentido que não do destino para então conseguir fazer o A Viagem
no sentido desejado eh a não implementação de estratégias de precificação devido aos riscos de baixa popularidade junto ao eleitorado e a impossibilidade do desenvolvimento de estratégias de precificação em áreas que são desassistidas pelo Estado out o desafio que nós mapeamos tá ligado aos custos né a mobilidade ela tem um custo significativo tanto pros atores envolvidos na operação como paraa população que depende da mobilidade para poder realizar suas atividades todos os dias e isso acontece tanto do ponto de vista financeiro como também do ponto de vista eh da Saúde Mental e física da população a forma
como o sistema ele é ofertado ele gera custos que são materiais e também imateriais pros usuários em função do modelo de financiamento também tá cada vez mais distante um equilíbrio financeiro que Garanta eh receita pros gestores e operadores e qualidade de serviço eh algumas causas que estão associadas a esse desafio São que a tarifa eh é o único ou a principal fonte de financiamento do transporte público coletivo né em muitas cidades em um modelo que consiste em numa planilha de custos eh dividido pelo total de usuários pagantes a remuneração das empresas é calculada conforme o
número de passageiros transportados e não pelo serviço prestado e a maioria dos usuários cativos do transporte público São das CL CD algumas consequências ligadas a isso eh é o alto valor das tarifas né O que contraria a legislação que fala que a tarifa precisa ter um valor módico né para ser inclusiva ter o seu papel social né e as tarifas então acabam sendo excludentes para grupos economicamente vulneráveis quanto mais alta a tarifa maior a tendência da queda do número de passageiros E aí uma queda na receita eh demanda um ajuste na tarifa né E aí
fica um ciclo vicioso e o transporte vai se tornando assim cada vez mais inacessível com população de baixa renda a dificuldade de um equilíbrio financeiro dos sistemas mesmo nos casos a onde existe subsídio do estado e a menor concentração de linhas de transporte público coletivo em áreas periféricas justificada pelo número reduzido de passageiros e a Principalmente nos finais de semana e uma tendência elevada lotação dos veículos e o último desafio que nós mapeamos está ligado à ideia de cultura do automóvel e faltas de opções do transporte público coletivo o o desenvolvimento urbano né baseado na
cultura do automóvel fez surgir essa noção de que o uso do carro ou da motocicleta né é motivado único e exclusivamente por um fator cultural ligado ao estatus mas a gente precisa ter cuidado com isso né e tentar entender quais são outras possíveis motivos ações que levam a população a utilizar os veículos particulares pra gente também não correr o risco de desenvolver uma narrativa que seja eh elitista né que não considerem outras razões que levam as pessoas a utilizar carros imos algumas causas que estão ligadas a esse desafio né Eh uma delas é que determinados
grupos sociais os grupos de maior renda tendem a dificultar o acesso de transportes públicos em determinadas áreas da cidade e pelo Impacto que eles acreditam que vai ter na desvalorização dos imóveis o modelo Urbano ele é pensado para facilitar as viagens de carro né e de moto então elas são mais ágeis mais confortáveis mais convenientes falta investimento Federal para promoção de modos públicos coletivos e modos ativos e o acesso às atividades urbanas eh são de Fato né facilitados pelo uso de veículos particulares e como consequência a gente tem por exemplo a restrição né do acesso
de modos públicos de transporte a espaços que são planejados para veículos particulares em determinadas áreas a perpetuação da ideia de que o automóvel é o móvel mais confortável e conveniente de transporte nas cidades brasileiras e uma migração eh do transporte público para transporte particular individual eh a pesquisa de orçamento familiar do ibg ela mostra que essa migração ela acontece em todos os níveis de renda nos níveis mais baixos a gente sabe que isso pode pode custar um endividamento dessas famílias né mas mesmo assim elas optam por isso em função da da falta de infraestrutura para
atender as necessidades de mobilidade né dessa dessas [Música] pessoas