sou Fabiana Parro fonodiólogo mãe mãe da Beatriz do Artur esposa do Dr Lucas cheguei a Paranaguá em 2006 casei com o Lucas O Lucas é parnanguara nasceu aqui se criou aqui saiu para estudar e eu conheci ele em São Paulo e namoramos 4 anos enquanto ele fazia residência em São Paulo e depois que ele terminou a residência a gente se casou e veio para Paranaguá então em 2006 foi quando eu tive um contato mais íntimo com o Paranaguá uma cidade que me recebeu de braços abertos e conheci pessoas incríveis que foram me abraçando e me
ajudando 2007 eu comecei a trabalhar na pai de Paranaguá que foi um grande ensinamento também para mim por toda dificuldade né que a pai enfrentava eh não só financeiramente a gente sabe né as dificuldades da população que necessita de um atendimento da pai então foi esse meu início aqui em Paranaguá em 2008 nasceu a Beatriz eh nasceu no dia 15 de Novembro então o nascimento dela nessa data até me emociona porque foi um momento muito importante da minha vida onde eu me tornei mãe né E então eu sentia muita falta dos meus pais da minha
família aqui em Paranaguá e quando eles decidiram vir morar aqui foi um momento muito especial porque aí Paranaguá se tornou a minha casa mesmo né é a cidade onde eu escolhi ter minha família em 2011 nasce o Artur eh O tão esperado Artur também foi um momento muito importante tanto quanto da Beatriz eu e o Lucas a gente sempre quis ter três filhos então o nossos sonhos estavam se concretizando uma família sempre junta eh trabalhando com os filhos tudo caminhando perfeitamente uma vida muito tranquila a gente é muito reservado muito tranquilo e quando o Artur
fez um aninho eh eu descobri o câncer de mama eu acho que esse momento foi o momento mais difícil da minha vida eh por o Lucas ser médico também eh eu acho que foi não só difícil para mim mas para ele também por saber tudo que eu ia passar né as dificuldades os desafios eh a gente com duas crianças pequenas Artur Só um aninho então foi um momento muito difícil para mim por Coincidências ou providências de Deus foi em outubro que essa minha batalha começou eu digo que Desde outubro de 2012 a minha vida é
rosa e foi aí que eu comecei a ter um olhar diferente pra vida mesmo né Eu acho que quando você passa por uma dificuldade muito grande você começa a repensar repensar tudo e nesse momento vem muito e a fala dos seus pais aqueles ensinamentos que você recebe lá atrás né que muitas vezes você escuta e não não faz sentido pra sua vida naquele momento e quando você vem eh com uma dificuldade muito grande você começa a repensar e eu lembro muito da minha mãe quando eu era pequena ela falava assim você tem que ser forte
quando você cai você machuca enfim e ela dizia você tem que ser forte em frente chore mas levanta e vai minha mãe minha mãe é uma pessoa muito forte né E então me vinha muito isso Eh vai ser difícil mas seja forte e durante esse período eh eu conversava muito com Deus a fé é uma coisa que na dificuldade te fortalece te fortalece muito Então nesse nesses meus diálogos com Deus e eu sempre falei e Deus me mostre o porquê o porqu que eu estou passando por essa dificuldade em momento nenhum me questionei eh por
comigo né o que eu fiz não nunca foi esse o meu pensamento o meu pensamento foi para quê Porque eu acredito que quando você eh tem uma dificuldade muito grande na sua vida isso tem um sentido tem um significado Então eu queria entender o porqu o por que eu precisava estar passando por aquilo por que que a minha família precisava estar passando por essa dificuldade porque o câncer é uma doença que ele acomete toda uma família não é só a paciente é toda uma família toda uma família adoece junto então o meu questionamento era esse
o que qual é o significado disso para minha vida e daí num determinado momento veio o meu pai também no meu pensamento naqueles ensinamentos lá da Infância e o meu pai dizia eh Tudo na vida tem um porquê Deus não deixa a gente passar por uma uma dificuldade sem estar junto com a gente e isso isso tem um significado e ele me ensinou muito eh a ouvir o silêncio meu pai é da daquelas pessoas que gosta do silêncio e foi no silêncio que eu conseguia organizar o meu pensamento estar mais perto de Deus e começar
a entender algumas coisas e durante um um período desse de de pensamentos e me veio um questionamento que quem tem câncer não tem como não pensar nisso eu vou morrer vou morrer e se eu morrer como que vão vai ficar minha casa meus filhos um aninho três aninhos tão pequenos né como que vão contar para eles da mãe era esse o meu Penso Em alguns momentos o que eu vou o que que eu tô deixando pra sociedade eh o quem eu sou nesse mundo como vão contar de mim pros meus filhos isso era uma coisa
que ficava muito na minha cabeça sabe e nesse momento eu comecei a entender muitas coisas e ao mesmo tempo as pessoas começaram a chegar até mim e pedir ajuda e eu entendia isso como um sinal de Deus mesmo me direcionando pro que ele esperava de mim e as pessoas chegavam até mim e falava Fabiana você tá passando pelo câncer mas você tá tão bem você pode conversar com a minha amiga uma professora ela tá passando por isso e eu acho que a minha missão começou aí eh eu mesmo doente eh nada bem apesar das pessoas
me verem bem eu comecei a ajudar as pessoas e eu acho que o projeto do Instituto ele vem justamente disso eu falo que nós no Instituto somos mulheres que resolvemos transformar dor em amor ao próximo e foi aí que eu comecei a pensar como eu poderia ajudar essas mulheres de uma forma mais efetiva então Eh em 2013 a gente começou a organizar o projeto que hoje todo mundo conhece o Instituto peit aberto já se passaram 10 anos do Instituto E hoje nós temos uma equipe com mais de 50 voluntários entre os voluntários nós temos voluntários
da área da saúde que o foco principal do Instituto hoje além do acolhimento a essa mulher e a sua família é a questão da reabilitação eh durante o tratamento e pós-tratamento então a gente tem uma equipe de nutricionista fisioterapeuta enfermagem advogado Enfim uma equipe para dar suporte para essa mulher durante todo esse percurso da do tratamento do câncer e junto a isso nós temos as oficinas onde a gente tem Voluntários de costura que confeccionam produtos então é uma equipe muito grande que tá lá eu tenho voluntários que estão a 9 anos junto com a gente
é uma equipe muito sólida que está ali trabalhando no Instituto durante esses anos acredito que mais de 400 mulheres já passaram pelo nosso atendimento e essa mulher nunca vem sozinha né Essa mulher vem com a família muitas vezes a gente precisa eh acolher mais a família do que a própria mulher porque a mulher eh Quando recebe um diagnóstico às vezes tira força né de dentro a gente nem sabe de onde vem essa nossa força porque a gente é mãe a gente tem que dar conta é da casa do trabalho enfim e a família fica da
Sada então o Instituto muitas vezes entra no apoio o acolhimento dessa família hoje em atendimento a gente tem mais de 160 mulheres sendo atendidas junto com sua família e a gente faz doação de perucas a gente arrecada cabelo e confecciona essas perucas e depois essas perucas são doadas mecha de cabelo nós já perdemos a conta né a última conta que nós fizemos mais de 1500 mechas de cabelo já foram doadas mais de 450 perucas confeccionadas então é uma equipe muito grande que vem fazendo a diferença na vida de muitas famílias em 2000 2017 eu recebi
uma menção rosa cidadã honorária de Paranaguá e eu fui até a câmara com os meus filhos e na época o meu menino me questionou eles eu nunca tinha levado os meus filhos à cama né e ele me questionou durante a sessão ele falou mãe então são eles que decidem a nossa vida eu olhei para aquele menino tão pequeno né falei olha que incrível o pensamento dele né e é isso são eles que decidem a nossa vida e muitas vezes a gente não pensa nisso a gente simplesmente volta e enfim quando ele me falou isso veio
algo no meu coração a gente precisa pensar muito em quem a gente põe aqui dentro porque realmente são eles que decidem a nossa vida então aí me deu um um um um start junto a isso essa missão no Instituto que você começa a ajudar as pessoas você começa a ser voz que que a gente faz dentro do Instituto o que que eu durante esses anos fiz ali dentro do Instituto além de acolher você escuta a mulher e tenta resolver o problema dela resolver o problema daquela pessoa que não tem voz que ninguém escuta que muitas
vezes chega eh no médico Nem entende o que o médico tá explicando para ela sai com um monte de papel não sabe para onde vai Qual é o próximo passo Então dentro do Instituto eu comecei a enxergar a necessidade da população o quanto a a população precisa de alguém que seja voz mas além de ser voz que escute porque muitas vezes o que que eu vi ali eh ninguém escutava aquela mulher ninguém entendia a necessidade dela então a gente eu comecei a ser voz dessa mulher então foi esses dois momentos que fizeram com que eu
começasse a olhar paraa política de uma família de uma forma diferente eu não venho de família de político não tenho isso de carreira não eu sou uma pessoa uma cidadã que gosta de escutar o povo e tentar ajudar então acho que foi isso que me fez a começar a pensar na possibilidade de mudar Paranaguá de uma outra forma ouvindo e agindo pro povo eu conheci o Adriano na Câmara dos Vereadores Em alguns momentos eh ele nos ajudou dentro do Instituto e uma coisa que me chamou atenção e no Adriano é que ele vinha nos ajudar
e ele sempre falava Fabiana eu não quero aparecer eu não estou fazendo isso para aparecer tanto ele quanto a Patrícia quantas vezes foram ao Instituto nos ajudar e isso me chamou muita atenção e eu pensei esse político di gente Ele não tá aqui só para aparecer não ele está nos ajudando sem querer nada em troca então isso me fez ter um olhar diferenciado pro Adriano em 2020 Adriano me chamou para uma conversa e falou Fabiana e eu gostaria muito que você tivesse ao meu lado nessa caminhada nessa mudança de Paranaguá porque eu acompanho o seu
trabalho e vejo o o que você faz com tão pouco né e eu falei Adriano eu eu ainda tenho que pensar com relação a isso porque eu não sou política e me fou frase falou você não é mas você faz política no seu meio né O que você faz é política isso é política ouvir fazer pelo povo e foi aí que eu comei a pensar o que é política realmente política é gostar de gente é isso e eu comecei a mudar a minha visão paraa política e num momento conversando com o meu marido eh sobre
essa possibilidade né ele falou para mim uma frase que eu acho que foi falei para Adriana eu falei Adriana o meu marido falou uma frase que foi decisiva para mim Eh quando a gente quer uma mudança que a gente acha que precisa mudar alguma coisa a gente precisa se envolver nó não adianta a gente só reclamar então quando ele falou isso para mim eu falei eu acho que a minha missão no Instituto ela cresce eu deixo de querer ajudar um grupo de mulheres com câncer e passo por uma missão ainda maior foi quando eu sentei
com o Adriano e falei pode contar comigo o nosso dia a dia ali no Instituto eh me trouxe um conhecimento que muitas vezes a a gente não vivencia no dia a dia então estar ali receber uma mãe que chega para você e fala eu preciso conversar só que hoje eu não consegui tomar café da manhã eu eu preciso fazer meu tratamento mas eu não tenho que dar de comida pros meus filhos em casa você começa a ver uma outra realidade uma realidade do povo que precisa precisa de ajuda e às vezes é um saneamento básico
meu filho vive doente e você vai entender o qu essa criança brinca no esgoto Claro ela vai ficar doente então aonde tá o problema é claro que Paranaguá é uma cidade que tem muitas demandas eu entendo isso mas quando você tá ouvindo aquela mulher que chega ali você começa a a ver a realidade né a pessoa precisa pegar uma condução condução não chega e o patrão tá esperando tem hora para chegar né E ela só quer trabalhar ela só quer condições uma cidade com condições para ela poder deixar o filho na creche poder ir trabalhar
ter um café da manhã né muitas vezes aquela mulher chega pra gente e fala eu não quero uma cesta básica eu quero trabalho eu não acho trabalho Então são são muitas as demandas mas que quando você consegue ouvir a população e o Instituto além de ouvir ele vai até essa mulher então a gente consegue entender a realidade dela né ela tá fazendo uma quimioterapia mas ela não tem o que comer a imunidade dela tá baixa adianta Então você precisa dar condições para essa família né A Aonde ela mora não tem condições nenhuma de acesso ela
tem que pegar um ônibus para ir para Curitiba para fazer uma radioterapia ela o quanto ela tem que andar para porque a rua dela não tem estrutura pro ônibus chegar ela precisa andar Quanto depois de um tratamento debilitada ela precisa chegar até um ônibus ir até Curitiba essa mulher muitas vezes não tomou café da manhã então assim são muitas coisas que quando você tá do lado vivenciando isso você fala Alguém precisa olhar para essa família para essa mulher Então esse meu olhar né Eu acho que isso me fez querer seguir nessa missão eu acho que
eu posso fazer muito mais do que eu faço ali dentro do Instituto essa mudança esse olhar essa vivência tá de perto com essa mulher com essa família isso faz com que a gente queira uma Paranaguá diferente a Paranaguá de todos