Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Meus queridos irmãos e irmãs, nós celebramos hoje São Boaventura.
São Boaventura é um desses grandes teólogos, doutores da Igreja que nos ensinam a amar Jesus, ele, quando criança, teve uma doença e, inclusive o seu pai, que era médico, se desanimou de que a criança pudesse ser salva, mas a mãe, católica, piedosa, fez uma promessa a São Francisco de Assis e o pequeno Giovanni, que era o nome de batismo de São Boaventura, foi curado. Depois, mais tarde, quando São Boaventura foi para Paris, o grande centro intelectual da época, conheceu pessoalmente os franciscanos e ficou fascinado por aquele movimento apostólico, o que atraiu verdadeiramente o coração de São Boaventura? Ele mesmo nos diz, dizendo que naquele movimento ele via o frescor da Igreja nascente, , da Igreja que nascia outra vez, como Jesus nasceu na pobreza de Belém, a pobreza franciscana, mas não somente isso, "imitatio Christi", a imitação de Cristo que São Boaventura via em São Francisco de Assis, a realização daquele ideal cristão que é a configuração a Cristo, veja, aqui pode parecer uma coisa pretensiosa, isso é coisa de franciscano, etc.
e tal, mas, na verdade, o que nós temos aqui é um dado muito concreto: São Francisco de Assis, embora não fosse sacerdote ordenado, teve a graça de se configurar a Jesus de uma tal maneira que recebeu no seu próprio corpo os estigmas de Nosso Senhor e, portanto, ali, na carne, São Boaventura via que a união com Cristo nos transforma em Cristo. Eis aí, uma das grandes contribuições da teologia de São Boaventura e da teologia franciscana, que é essa centralidade da virtude da caridade, enquanto em outras teologias se enfatiza muito a fé, as outras virtudes, aqui a vontade ardente, a chama de amor é o típico dessa ordem seráfica, ardente de amor por Cristo. Deixa eu explicar, o que acontece é o seguinte, quando nós amamos uma coisa, nós nos transformamos naquilo que amamos, ora, se eu amo a baixeza, eu me transformo naquelas vilezas, naquelas coisas.
Você vê claramente, a pessoa que se entrega ao pecado, se entrega à sujeira, se entrega às coisas mundanas, ela vai ficando cada vez mais feia, cada vez mais tremenda, horrorosa de se ver e de se conviver, mas uma pessoa que ama Jesus, este amor não é uma coisa qualquer, é a ação do próprio Espírito Santo no coração da pessoa, porque ali o Espírito Santo se transforma em chama de amor, em labareda que vai consumindo a pessoa e transformando-a no Cristo e a pessoa tão unida a Cristo pode dizer como São Paulo: "Vivo, mas não eu, é Cristo que vive em mim". As pessoas que conheceram São Boaventura e o testemunho dele diziam que era um homem tão bom, tão afável que o próprio estar com ele, movia os corações. O que nós podemos dizer de um homem configurado a Cristo?
Então, que São Boaventura de lá do céu nos ilumine e nos dê essa graça, peçamos junto com ele a graça do Espírito Santo que nos configure a Cristo, que verdadeiramente nos une como a Esposa se une ao esposo num só corpo. São Francisco, nós podemos dizer, era um só corpo com Jesus, Boaventura não recebeu os estigmas, mas pela bondade do seu coração também alcançou este configurar-se a Cristo, uma só realidade: "Vivo, já não eu, o Cristo vive em mim", peça o Espírito Santo. Deus abençoe você.
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.