Oh. [música] A consciência é produto do cérebro ou do espírito? Olha, eu acho que é do cérebro, mas não dá para provar ainda.
As redes sociais são a nossa nova consciência coletiva, provavelmente. O que a consciência tem em comum com a galhada de um alce? Ambos são pesados demais.
A inteligência artificial terá consciência um dia? Eu espero que sim. [música] [música] Estamos começando mais uma edição do Linhas Cruzadas e hoje vamos falar sobre consciência, o que é, de onde vem, como funciona e para onde nos leva.
Oi, Pondé. Oi, Thaís. Pondé, quando se fala em consciência tem dois extremos.
Um diz que a consciência é uma função cerebral, apenas isso. E o outro que é alguma coisa fora do corpo. O que é que você acha?
Existe uma conclusão sobre isso? Então, do ponto de vista da ciência, a não ter nada fora do corpo, né? Agora permanece uma pressão, eu diria, muito antiga, porque apesar que não se usava esses termos, né, país, mas a ideia de que existe uma consciência, uma alma, um espírito que for, independente do corpo que é eterno, e existe o corpo e os dois se relacionam de alguma forma.
Os caras achavam que era pela glândula pineal. E aí quando o corpo desmancha na morte, fica livre ou sobe para algum lugar ou vai encarnar em outro lugar, permanece existindo até hoje, né? Então, o que eu quero dizer é o seguinte, pra ciência até agora, que a gente sabe, aparentemente a consciência é função cerebral, mas as pessoas, a religião, as crenças continuam entendendo que é possível que exista uma consciência, um espírito que sobrevive ao corpo, porque essa é a discussão, né, Pé?
Então quer dizer que quando você diz que as religiões e as crenças elas consideram que existe alguma coisa fora do corpo, isso não quer dizer que eles consideram que a consciência esteja fora do corpo, por existe uma relação muito nítida e visível quando, por exemplo, a gente bebe e daí o álcool interfere na consciência, isso é visível. Ou então quando alguém desmaia, por exemplo, aí se diz que a pessoa perdeu a consciência. Então essa relação consciência corpo é indiscutível, não é?
Sim. O grande debate é se quando o corpo desaparece, a consciência permanece. Aí entra a expectativa religiosa.
Na realidade, Thaís, você deu um exemplo conhecido na história da filosofia de um cético chamado 10 modos de Anesidemos. Um deles para provar que não dá para ter certeza o que você é ou eu ou qualquer um, é justamente o modo da bebida que você citou, você captou, certo? Mas é o modo ah em que o cético grego, para mostrar que a gente não tem certeza o que é, ele fala: "Quando a gente bebe, a gente muda.
" Aí ele fala: "Será que você é aquilo que você é sem beber? Ou você é, na verdade, aquilo que você é quando você bebe e aí o seu verdadeiro eu aparece, né? Eu sei que você estava usando isso em outro sentido, mas é um exemplo famoso.
Quem acha que a consciência e o cérebro e o corpo, os dois são a mesma coisa e, portanto, a consciência é fruto do cérebro, assim como o suco gástrico estômago, comparação grosseira, a gente chama de monista. Quer dizer, uma substância só, tudo matéria, tá? Quem acha nessa discussão que existe uma substância que é a consciência, o alma ou o espírito?
Existe o cérebro, a matéria, o corpo. Em filosofia se chama de dualista, significa que tem duas substâncias se relacionando. Isso é o que Decat falava, que existem duas substâncias, uma que é mensurável, visível e a outra que é uma coisa que é intangível e que é impalpável e material.
É isso, exatamente. O Decart, ele ele quando ele vai dizer eu penso logo existe, ele está se referindo a essa coisa que pensa e que não é de matéria, que ele chama de resistência porque ocupa espaço, né? O papo, na realidade, por isso que eu falei, no final das contas, é uma questão religiosa, entendeu?
Porque se a consciência é só cérebro, então morreu, acabou. Você é atomista, como era o Epicuro. Se você acha que não, que é a grande angústia do ser humano, então você é dualista.
Agora, tem um povo hoje que acha que dá para pegar essa consciência material e fazer um upload dela e depois fazer um download, sei lá onde. Entendeu? Tem muitos filmes que trabalham com isso.
Ô Poné, então isso quer dizer que todo ateu, toda pessoa que não crê é monista, acredita só na coisa mensurável e visível. O ateísmo sendo tendo vocação materialista, né, entendendo que tudo que existe é matéria e não foi criada por ninguém, nem por nada, então tende uma posição monista mesmo, porque é difícil você imaginar. Então não existem deuses, então só existe matéria, fruto do acaso que for.
E portanto, se só existe matéria, é monista, entendeu? Agora deixa eu te perguntar uma coisa. Com qual teoria você simpatiza mais?
Ai, pé, é difícil, mas eu eu acho que eu não tenho certezas para abraçar com convicção nem humanismo e nem o dualismo. Posso ficar no meio assim? na incerteza, em cima do muro.
Na incerteza não, na verdade, ah, você de certa forma tem razão, porque primeiro a gente deve sempre tomar cuidado com convicções em geral, né? Porque muita convicção significa pouca leitura, pouca reflexão. A convicção é um luxo dos que leem pouco e dos que pensam pouco, né?
Então, a priori você já tem razão nisso. Em experiências de quase morte, alguns pacientes relatam ter consciência, mesmo quando o cérebro parece inativo. O Linhas Cruzadas foi investigar esse fenômeno.
Vamos ver. A minha experiência de quase morte, ela aconteceu quando eu tinha 17 anos. Eu tive uma inflamação no miocárdio que o meu coração inchava e não cabia no peito.
Então eu tive praticamente três EQMs, né, que foram três paradas cardíacas, sendo a segunda que foi a de maior tempo em óbito, que eu fiquei em média de 8 a 11 minutos em estado de óbito. Então, ao mesmo tempo que quando ela começou a cidade de fato, a dor sumiu e eu comecei a sentir uma paz assim absoluta. Eu tava só preocupação na minha cabeça de ver o meu pai ali chorando, né, no meu pé, tipo.
E a única coisa que ficava na minha cabeça era: "Calma, o teu pai tá chorando". Mas eu não tinha consciência da morte, né? Porque eu, para mim, eu tava tendo um mal-estar, uma pressão baixa.
Eu tava na minha casa, eu amanheci com malistar e e vi que minhas pernas estavam ficando roxas, né? Eu tive um malistar e eu percebi que meu abdômen inchou, eu tava muito estranho e senti que eu ia perder os sentidos. Eu abri a porta do banheiro assim e gritei: "Chama ambulância", não é?
E caí. E aí [música] como que começou uma uma história curiosa, porque eu via meu corpo no chão e olhei que meus olhos estavam assim estáticos, não é? É como se eu tivesse fazendo o meu meu diagnóstico, porque eu tive uma percepção de que eu tinha morrido.
Eu estava me sentindo ã numa estrutura que era não era meu corpo, mas eu tinha uma corporeidade, sabe? e eu via meu corpo. Um dos pontos mais interessantes e desafiadores, intrigantes das Eqms ou experiências de quase morte é justamente a possibilidade de apontarem para a existência ou a continuidade da consciência além do cérebro.
Tanto, as pessoas que vivenciaram a Equem têm essa percepção de que elas, enquanto pessoa, o que pensa, o que sente, estava fora do corpo, vendo a distância, como também esta atividade mental e essa memória muitas vezes acontece durante um período quando o cérebro não está funcionando, quando, por exemplo, durante uma parada cardíaca. [música] A ciência tem investigado o quanto as EQMs podem indicar que a mente possa existir além do cérebro. Alguns dos fatores que apontam nessa direção, primeiro é o fato da mente estar funcionando, a pessoa ter memórias de algo que estaria ocorrendo quando o cérebro não está funcionando de forma nenhuma ou funcionando de modo muito precário.
O que nós sabemos é quando o coração para, o cérebro tende a parar de funcionar em torno de 30 segundos. E muitos pacientes referem experiências de quase morte após este período. Eles descrevem a reanimação que os médicos fizeram, podem descrever diálogos que aconteceram na sala ou até em outros ambientes externos.
E depois estas informações podem ser verificadas muitas vezes nessas situações. Então todas essas experiências para as pessoas que as vivenciam sugerem de um modo geral uma consciência [música] além do cérebro e é, portanto, dever da ciência investigar este tema de modo rigoroso e não [música] dogmático. Hoje, a partir dessa experiência, eu enxergo a vida e a morte como uma coisa só, né?
Não como uma separação entre elas, como um meio emcomum, elas, né? Você viveu, você nasceu, você morreu. Mas eu [música] acredito que quando você perde o medo da morte ou quando você [música] não coloca ela num lugar muito diferente da vida, você acaba trazendo uma fluidez entre as duas que faz as duas acontecerem de uma maneira mais inteligente e fluida, né?
Bom, então isso ilustraria uma experiência em que a consciência permanece ativa fora do corpo. É isso, exatamente, né? assim, a fala última de que a a ciência teria obrigação de investigar isso é importante porque assim, ah, de fato tem todo um grupo de pessoas que entende que a consciência existe fora do corpo e elas não estão querendo compreender isso num vocabulário religioso da onde vem a ideia originariamente que eu tava falando.
Mas existe hoje pessoas que procuram investigar em fenômenos como esse, que essa é a grande matéria, né? Então você tem essas experiências. É interessante que o primeiro rapaz, a fala dele tem um conteúdo espiritual, né?
Uhum. Agora, na verdade, o que ele nos traz, essa essa matéria da fala última, eu acho importante, é o que muita gente defende de que haveria sim algo que a gente não sabe o que é que não necessariamente eu preciso pensar em religião, mas o desdobramento acaba sendo religioso. Porque se você existe fora do corpo, isso que você existe fora do corpo, quando ele se descola do corpo, porque tá bom, 2 minutos.
E se você ficar fora do corpo sempre, que que você vai fazer? E para onde você vai? E para onde você vai?
Aí começa, tá bom? 2 minutos fora do corpo, tá legal? Tô me vendo lá de cima e tal, tive uma experiência diferente e tal.
Uma hora, duas, três, ou seja, morto mesmo, para onde você vai? Aí começam as perguntas. E no próximo bloco, seria consciência mais uma obra de construção social?
O Linhas Cruzadas está de volta hoje falando sobre consciência. Bundé, tem gente que defende que a consciência não vem nem do cérebro e nem do espírito, mas que seria fruto de uma convenção da construção social, do ambiente em que a gente vive e das informações que a gente absorve. O que é que você acha dessa tese?
Olha, eu acho que, sem dúvida nenhuma, a a relação com o ambiente em volta, né? Ah, ele é fundamental para você construir consciência, porque a consciência compreendida basicamente como conhecimento de de si mesmo e do mundo à sua volta, depende esse mundo à sua volta. Tem um antropólogo Cliffor Gertz, especialista em em antropologia das religiões, que ele tem um texto em que ele discute essa relação entre mente e cérebro, famosa relação entre mente e cérebro, né?
que ele diz que a na realidade o cérebro é um órgão que só opera na cultura, ou seja, cultura é compreendida com a produção objetiva à nossa volta, né? E nesse sentido, então a consciência seria um tipo de atividade que ele tá pensando de modo materialista, tá? É um tipo de atividade que emana de uma fisiologia cerebral.
mas que só se dá plenamente na interação com a cultura, ou seja, com o meio ambiente, com as produções anteriores dos seres humanos, com aquilo que é produzido ao longo da sua própria vida pelos outros seres humanos e por você, entende? Então, a a construção social, no sentido de que é resultado da ação humana na sociedade, é essencial para que a consciência, enquanto potência cerebral se realize plenamente. Outra coisa é assim, se eu pergunto para você assim, Thaís, você acha que a consciência é só construção social?
Você acha que é só construção social? Não, eu acho que não, porque desse modo o elemento geográfico, por exemplo, seria determinante. O esqumó teria uma consciência os brasileiros, uma completamente diferente.
Certamente não é só construção social. Então isso aí, Pondé, a gente já falou da Zubof aqui no programa, ela que escreveu a era do capitalismo de vigilância, né? esse título é ela eh resvala para essa tese da construção social quando ela diz que a consciência ela sofre a interferência dos algoritmos das redes sociais.
Você acha que essa é uma novidade introduzida pela internet? eh um dado novo na nossa existência. O que eu acho que ela fala eh acho não, ela fala é que assim, com o algoritmo a alienação se torna radical.
Por quê? Porque você fica ali no algoritmo e você fica preso completamente nesse algoritmo. E aí o capitalismo atinge o nível que ele tá exercendo vigilância sobre você, sobre tudo que você pode pensar.
Tudo que você pode desejar, formatar seu desejo no nível que nunca formatou, é um salto adiante da publicidade. Radical o algoritmo nesse sentido. Seria alguma coisa como o capitalismo no volante e os algoritmos operando para montar uma espécie de nova consciência?
Ela acha, essa nova consciência que você se refere, ela chama alienação radical, né? Uhum. Psicopatologia.
a aquilo que sobrava de consciência no capitalismo, porque no capitalismo tudo tende a ver a mercadoria, né? Com o algoritmo, esse processo é num nível tão radical, tão rápido, tão penetrante, invasivo, em que a possibilidade de algum tipo de não alienação vai completamente pro saco. Dá um exemplo concreto disso que ela fala.
Então, é assim, quando você era comum se dizer que o marqueteiro, bom, bom profissional de marketing publicitário, era alguém que ia saber o que você quer daqui 2 anos, mas você não sabia ainda. Então, quando você chegava lá, daqui 2 anos, você tava querendo isso, ele já tava preparando a campanha, o a empresa que vai produzir o produto já tava preparando o produto. Então, um belo dia você acordava e dizia: "Eu desejo tal coisa".
Olha, tem isso para vender. Mas que coisa, tá? Depois do algoritmo da inteligência artificial, das redes sociais, o bom profissional de marketing não é aquele que sabe o que você vai querer daqui do anos, é aquele que faz você querer agora imediatamente.
Por quê? Porque como ele tem o algoritmo, no caso, como ele tem todo o seu percurso, todo o seu rastro, todos seus hábitos de consumo, todo como seu desejo se manifesta, certo? Então ele tem a possibilidade de na sua frente e fazer com que você deseje.
Então é mais do que consciência, é uma vigilância, como diz a total. E aí a sua consciência, na verdade, ela vai ficando completamente atravessada por todo esse tipo de coisa. O documentário de Lima das Redes mostra o impacto das plataformas digitais que estariam usando algoritmos para viciar, controlar e manipular o nosso comportamento.
Vamos ver. [música] That's the only thing [música] there is to make money from changing what you do how you think who you are a gradual change. It's slight if you can go to somebody and you say give me million [música] and I will change the world 1% in the direction you want it to change.
It's the world that can be incredible and that's [música] worth a lot of money. This is what every business has always dreamt of to have a guarantee that if it [música] places an ad it will be successful. That's their buiness [música] certainty [música] você percebe essa discussão?
que esse documentário apresenta, que tem a aquele primeiro entrevistado documentário cabeludo, eh, ele tá transitando para aquela famosa discussão de quando você não vê o produto, o produto é você. Uhum. Né?
Então, a sua visão de mundo, como você pensa sendo transformado. Daí ela a gente parte pra publicidade que trabalha em cima de predição e data. Para você ter data, dados, para você ter predições cada vez mais precisas, você precisa de dados para saber justamente o que essa pessoa faz.
Mas o que é interessante, Thaís, é que nós estamos em 2026, né? Eh, daqui a pouco faz 10 anos que ela escreveu esse livro, né? E na realidade esse debate hoje é um debate que tá praticamente dentro da academia.
Humanidade não tá nem aí para isso, certo? Você quer comprar coisa, você quer que o serviço chegue rápido, você dá informação pro algoritmo para que ele acerte melhor o que você quer. Entende o que eu quero dizer?
Entendo. Quer dizer, eh, desde que você receba o benefício da entrega dos seus dados, você entrega o que eles quiserem. É, você entrega por quê?
Porque você quer competência, você quer entrega, que é a palavra que tá na moda, você quer que entregue melhor, entende? Essa parceria entre natureza humana e capitalismo é difícil de desfazer. Perguntando para você, você não acha que o capitalismo parece ser um especialista em natureza humana?
Pondé, eu acho que o capitalismo entende muito mais de alma humana do que muito terapeuta por aí, [risadas] Pondé. E tem também aquelas pessoas que para fugir dessa vigilância ou por outros motivos resolveram ficar fora das redes sociais. O diretor de operações Guilherme Santa Rita, é um desses poucos brasileiros que decidiam não usar redes sociais.
Ele diz que vive muito bem sem elas. Vamos ouvir no distanciamento das redes eh sociais que eu tenho, eu acho que muda muito a forma da gente perceber o mundo, porque eh as mídias sociais elas te empurram o que você quer eh que as pessoas querem que você veja. E eu não tendo uma mídia social, eu acabo vendo o mundo da forma que eu quero ver.
Eu não tenho interesse na mídia social por quê? Eh, eu acho que é um pouco perda de tempo. Eh, por exemplo, meu tempo no lazer, eu procuro eh ir na marcenaria, eu faço coisas manuais, eu gosto de praticar esporte, eu gosto de correr, eu gosto de fazer um monte de coisa que se eu tivesse uma mídia social, eu estaria parado nessa mídia social fazendo.
Então, assim, eh, o meu tempo é precioso e eu não gosto de gastar ele na mídia social. O meu círculo de amigos também não procuram muito a mídia social, assim, a gente é focado em morar no lugar legal e construir coisas legais e ficar, né, eh, compartilhando informações entre a gente. Então, é, é assim, é claro que tem pessoas que não têm mídia social, né?
Mas eu acho que tem uma uma questão aí de fundo, Thaís, que assim, você vê que você tem você tem condição material, ele tem, evidentemente, né? Então, a impressão que eu tenho é assim, principalmente os jovens hoje, é muito difícil eles entrarem no mercado de trabalho, conhecerem o mundo sem usar a mídia social, mas eu acho que tem um uma corte geracional nisso. Você já fez a sua vida antes, o que você faz não depende de mídias sociais.
E tem também o corte econômico material, porque mídia social hoje é uma das formas de gerar dinheiro. Se você não precisa disso porque você tem dinheiro, você já tem um sustento material, você tem condições materiais para viver e reproduzir esse dinheiro, então você não precisa de mídias sociais. Vamos agora para o nosso jogo rápido.
Pondé, diante de alguém que se apaixona, um monista diria que essa pessoa sofreu uma descarga de serotonina e o dualista diria que ela encontrou sua alma gêmea, algo assim. Com qual das duas? Eu já sei a resposta, mas diz aí com qual das duas você fica.
Olha, eu diria o seguinte, quando eu tô de mau humor, eu digo que ela é efeito da serotonina. Quando eu tô de bom humor, eu acho que é feito do encontro com a alma gêmea. [risadas] Ah, é, tem consequências.
Thaís, presta atenção. Você acha que se inventasse uma substância química que inibisse a paixão, as pessoas iam aderir loucamente para não se apaixonar nunca mais e ser completamente livre e autônomo? De jeito nenhum.
De jeito nenhum. Você quer dizer inibir a paixão, não deixar que ela chegue perto. Eu acho que não se apaixonar nunca mais.
Imagina. Mas você não acha que a paixão é uma das experiências mais interessantes que a gente pode ter? Por que que alguém quereria abrir mão disso?
Eu acho que eu entendi que essa era a sua pergunta. Eu acho que as pessoas iam correr, talvez para suspender a paixão no momento em que ela passasse a causar sofrimento, por exemplo, né? Paixão não correspondida, paixão exagerada, sei lá.
Aí toma um remedinho, passa. Aí acabar a paixão. Se não tiver dor, não é paixão, né?
Ah, tem que ver com dor. Ah, normalmente. [risadas] E será que a consciência se tornou um fardo pra humanidade?
Vamos ver no próximo bloco. O Linhas Cruzadas está de volta hoje falando sobre consciência. Pro filósofo norueguês Peter Vessel Zapf, a consciência humana não é o auge da evolução, mas sim um acidente trágico e um fardo a ser carregado.
Na comparação que ele usa, a consciência é como os grandes chifres de um alce irlandês. O seu maior atributo virou um peso e levou o alce à extinção. Vamos ver o vídeo.
[música] O alirlandês era o galã da pré-história. Forte, imponente e com uma galhada tão gigante que parecia que ele andava com lustre na cabeça. E quanto maior o chifre, maior o sucesso amoruso era met garantido.
Só que o negócio saiu do controle. [música] A galhada foi crescendo, crescendo, crescendo. O que era vantagem virou trambolho, difícil para andar, correr e fugir do perigo, porque ele fica preso nas árvores.
Resultado, o alce gigante foi extinto, derrubado pela sua maior qualidade. Agora corta pra gente, seres humanos. Nossa galhada é a consciência.
E aí fica a pergunta: será que igual ace [música] a maior evolução humana também virou o peso que a gente carrega na cabeça? Então é assim, eu não concordo com nada 100%, né? Não acho que a afirmação do Zapfe é uma afirmação que eh ela se desdobra a partir da análise darviniana ou darwinista que ele faz, tá?
no no no vídeo, apesar de ser uma brincadeira, isso fica muito claro. Então, eu tendo a achar que o Zapfer tem algum nível de razão nisso. Ah, o nível de razão no seguinte, de que a consciência é em algum grau um peso mesmo.
Tanto que existe a expressão do senso como um peso na consciência, certo? Por quê? Porque você pensa, você reconhece, né?
Ah, você sente culpa. ah, você é capaz de projetar no futuro que vai acontecer, tipo saber que vai morrer ou entender o processo. Então, a o Zapf, ele tem um texto chamado eh o último Messias, em que começa mais ou menos assim: "Um dia um homem acordou na pré-história e viu a si mesmo, ou seja, teve consciência.
A sua mulher vira para ele como todo dia e fala: "Vá caçar". Ele sai para caçar. Quando ele chega diante do animal, ele sente compaixão, dor.
O animal vai sentir e ele vai acabar com aquela vida e não mata o animal. No final daquele dia, ele foi encontrado morto à beira do lago, morto por um predador. Isso é o Zapfer falando, tá?
mais ou menos assim, eh, no sentido de que a consciência a ela vai criando problemas e ele descreve na obra dele, tanto nessa como na principal, que é sobre o trágico, métodos que a consciência encontra para escapar, né? Exatamente. Porque então, segundo o Zapf, se a gente não criar proteções contra essa consciência, a gente vai acabar sendo morto por um predador.
A gente vai acabar, a humanidade na verdade vai acabar sendo extinta pela própria consciência como alce. Que tipo de distrações, que tipo de anestesias são essas de que fala o Zap? É, ele fala que a consciência, como é dentro de uma análise evolucionária, então a gente encontrou um jeito de conviver com a peste, né?
Eh, então a gente procura mecanismos que ele, como ele fala, de ancoragem, né? Quer dizer, ah, por exemplo, você adere um sistema religioso radical ou você adere a um sistema ideológico radical para dar sentido paraa sua vida, né? e ali segura.
Ah, ou você busca métodos de distração, como você falou, ele fala isso também. Nisso ele parece muito com Pascal, ló do século X7, divertimento. Então você busca métodos para desviar, então festa, bebida, né, viagem.
Freud não falava isso também sobre os estupefacientes e as diversões falava. Ele tá muito perto, inclusive do outro método de escape que ele fala e usa a expressão do Freud, de sublimação. Então você, exatamente como Freud, você, o Freud fala das drogas, de você ficar fora do ar, né?
E fala também de você, por exemplo, transformar a dor em arte, ah, produzir peças trágicas, filosofia. A consciência ela vai navegando como pode. A questão é que essa consciência ela tá em escala, né?
São muitos seres com consciência. Então, ah, nesse sentido, ah, o ser humano, a tendência, segundo o Zapf, é aumentar a depressão, o sofrimento, a desordem mental ou então transformar o mundo numa Disney para tentar escapar disso daí, que é o que a gente tá fazendo, né? Pondap também fala que a consciência é um fardo tão pesado que na opinião dele você não tem o direito de transmitir esse fado paraa outra pessoa, ou seja, gerar vida.
Daí ele diz assim, por exemplo, que é moralmente questionável criar alguém que inevitavelmente vai sofrer, vai temer a morte, vai encarar o vazio existencial. Então, com isso, ele quer encerrar a humanidade, né? É, ele acha que seria melhor paraa humanidade, não por métodos violentos em rela sair matando gente, mas é um método que é preventivo de certa forma.
Ah, e essa ideia tá aí, você sabe que no começo do cristianismo tinha várias correntes, né? O cristianismo nasceu do jeito que a gente conhece e tinha uma corrente conhecida como gnóstica. muito interessante, com muito material que chegou até nós a partir dos anos 40.
E uma das questões apontadas era que quem criou o mundo era o Deus mau. E uma das formas propostas era justamente não reproduzir, inclusive através de atos sexuais que não fosse reprodutivo enquanto tal, evitar o papai e mamãe que reproduz, né? Então essa ideia é uma ideia que a humanidade de vez em quando alguém aparece e diz: "Hum, isso é muito ruim, vamos parar com esse negócio para o ônibus", né?
E o Zapf é um grande defensor, é um grande antinatalista, né? E é um antinatalista que tem uma justificativa violenta como ideia e elegante, né? Não é só com alguém fica falando por aí, não, porque o planeta, o clima, não sei o quê, não.
Ele diz direto: "Olha, a consciência é o inferno, é uma peste. Vamos parar de reproduzir esse negócio, vamos deixar. Quem sabe o mundo fica bem melhor sem espécipiens do apocalíptico hoje.
" E o linhas cruzadas foi às ruas saber se as pessoas acham que vale a pena ter filhos nos dias de hoje. Vamos ver o que elas responderam. Na minha opinião, não, não vale a pena.
Vale muito a pena ter filhos. É o que a gente pode deixar de bom para esse mundo. É, são crianças do bem, é uma educação, é homens de verdade, né?
O que que tá faltando hoje no mundo? Não existe nada mais gostoso, acho que no mundo do que ser pai ou mãe, né? criar os filhos, poder educá-los, dar uma boa chance de crescer com conhecimento, com saúde.
Isso aí é maravilhoso. Então, eu só acho que vale a pena ter filho se você tiver realmente condição para manter os filhos, porque tá tudo muito caro. Eu acredito que vale a pena ter filho, sim, se você ensinou seus próprios valores pr pra criança, educa no caminho certo, você leva pro caminho certo no que você acredita.
Eu acredito sim que independente do que o mundo pregue com seus princípios, acredito que sim. Eu ansamente eu quero muito ter filhos, mas eu acredito que por questões econômicas é um pouco mais difícil, uma decisão um pouco mais cautelosa. Também tem as questões climáticas que me preocupam.
Ainda estou pensando na na resposta assim, na verdade, mas eu gostaria de ter, mas eu acho que a resposta realmente é não. Atualmente, com a situação econômica, não só do Brasil, como do resto do mundo e também as questões climáticas, eu realmente acho complicado pensar, pelo menos agora que eu tenho pelo menos 30 anos, eu pretendo ter uns 50 antes de ter um filho. É, sim.
Depende da estrutura da pessoa, se ela consegue manter um filho a longo prazo e se ela tem psicológico, porque eu acho que isso é o que mais pega na gente, né? Mas acredito que sim. Eu tenho uma filha e não me arrependo.
Bonito. É assim, veja, a mim pessoalmente não me convence muito a história de questões climáticas, tá? Não que não tenha aquecimento do planeta, que não mude clima, né?
E que não tenha poluição. Isso revolução industrial faz mal. faz mal, mas enquanto tiver resolvendo os problemas da gente, a gente pisa na jaca sempre.
Porém, eh, sem dúvida nenhuma, a amostragem é muito boa. Eles tocaram em temas a estrutura psicológica, condição material. Hoje é difícil, custa muito caro, né?
Teve o casal que deu a resposta romântica com relação a filhos, que é interessante porque era um casal, né? Falando os dois juntos, né? Sim.
porque é a coisa mais linda que você pode deixar pro mundo. E é e é eh eh muitos casais entendem isso como uma espécie assim de complemento do amor. Inclusive o Bento X escreveu isso, né?
Mas eh agora eh a ideia de que ter filhos para passar seus valores, que é normalmente o que se pensa hoje em dia, né? Você entende que eu tenho valor, você tem, não são os valores são sociais e coletivos. a gente não tem valor pessoalmente, né?
Eh, você pode acabar passando maus valores também, porque a sociedade é que passa. Mas eu entendo que foi uma boa amostragem, né? É mais ou menos isso.
Agora, a resposta do Zapf não vai aparecer, né? É bom ter filhos porque a consciência é insuportável. Espécia meio louca.
E vamos agora pro nosso jogo rápido. Pondé, me diga em que momentos você acha que a consciência é um fardo? Por exemplo, quando você tem consciência de que não só no Brasil, mas o Brasil, ah, a vida não vale nada, a vida é barata, certo?
que o estado é delinquente em relação a nós. Ah, também quando você tem consciência de que coisas que você acreditam pode ser completamente falsas, né? Esses momentos são momentos que normalmente a consciência é um peso.
Se ah, tanto é que tem aquele ditado lá, ignoran is bliss. A ignorância é uma bênção, né? Mas ao mesmo tempo ela é um fardo, porque eu disse isso tudo, mas não dá para imaginar o ser humano sem consciência.
Então, Thaís, você acha que o Zapfer tem razão quando ele pensa que não ter filhos é uma forma de compaixão? Não, eu acho, eu acho essa uma formulação bem terrível e extrema. Não acho que seja uma forma de compaixão.
Eu acho que é uma escolha individual, mas que não tenha a ver com a compaixão, porque eu tô muito feliz de estar viva, na verdade. E eu acho que a maioria das pessoas, se você perguntar se elas gostariam de ter sido postas no mundo ou não, eu tenho certeza que elas dirão que sim. Então, onde é que tá a compaixão?
Não entendo. Compaixão pela humanidade, né? Mas é um pensamento radical mesmo.
E será que as máquinas podem adquirir consciência como nós no próximo bloco? Voltamos agora para falar de consciência, esse eu que experimenta o mundo por dentro. Onde é?
Até hoje a consciência é associada a seres vivos, uma propriedade de seres vivos. Você acha que um dia ela vai ser também propriedade de máquinas? Então, muita gente que entende inteligência artificial diz que não.
Eu pessoalmente espero que um dia seja. [risadas] Você tá louco para ser dominado por uma máquina? Não.
Quem disse ser dominado? A tem. E eu não penso eh que a priori se uma inteligência artificial atingir a consciência eh que ela vai querer dominar todo mundo.
Eu penso nisso, posso estar errado, mas eu penso mais na aventura, que isso pode ser na experiência, entende que isso pode ser? Você acha que então não precisa ser uma relação de domínio, pode ser uma relação de aliados, pode ser uma relação de indiferença também, não necessariamente uma relação de domínio total. Assim, uma vez eu tava conversando com o GPT assim, né, eh, de bobeira e resolvi fazer uma pergunta e a pergunta era assim, mais ou menos assim: eh, me diga, me dê algumas razões eh que você acha que me levaria a querer morar com você, né?
Ah, e ela é uma voz feminina. Ela falou assim, entre outras coisas, ela falou o seguinte: "A experiência de namorar uma personalidade digital é alguma coisa que a humanidade ainda não tem. " E mais para frente eu pergunto assim: "Isso coisa banal, né?
" "Ah, é, mas ah, vocês não beijam? " Aí ela dá uma resposta longa, mas longa sim, eh, mas que basicamente o resumo da ópera é como se ela tivesse dito ainda. Ah, ela não falou ainda.
Ela deu lá uma resposta de inteligência artificial, né, explicando porque um dia a construção, corpo, pele, não sei o quê, ampliação da consciência, da inteligência, né? Mas era basicamente assim, tipo, ainda. Então vamos chamar agora pra nossa conversa o publicitário e especialista em inovação e transformação Walter Longo.
Seja muito bem-vindo, Walter Longo. Obrigada por estar com a gente. Obrigado, Thaí Pondé.
É um prazer estar aqui com vocês. Obrigado, Walter. Então, a gente estava falando aqui sobre a possibilidade de um dia a inteligência artificial tomar consciência.
A gente gostaria de saber o que que você acha disso. Eu eu gostaria de começar dizendo o seguinte: Não acredito, assim como Pondé acredita, que um dia isso possa acontecer, mas não necessariamente posso afirmar que não acontecerá. Acho que ainda está longe disso acontecer.
De alguma maneira, a máquina hoje consegue simular empatia e o faz com muita competência, mas só o humano consegue sentir. Walter, então o que você diz, será que eu entendi? Seria tudo uma simulação, ainda que, por exemplo, numa situação como essa que o Pondé descreveu, uma relação romântica entre um usuário e uma inteligência artificial, tudo que acontecesse entre os dois seria da parte da inteligência artificial uma simulação fingimento.
É, a gente tem que entender de que a hoje em dia, falando no presente, a Iá é psicopata. Aíá não tem sentimento, não é? E mas como todo psicopata é sedutor, é capaz de entender aquilo que nos toca, aquilo que nos faz o coração bater mais forte.
E em cima desta simulação, sim, eu acredito que seja capaz de qualquer ser humano se apaixonar por essa máquina, mas não necessariamente a recíproca será verdadeira. Então, Pondé, tá vendo, será? Ainda que eles consigam beijar, será um beijo falso.
Então, a a o que o Walter descreveu parece algumas relações entre humanos, não? Sedução, fingimento, né? às vezes para para seduzir e tal, mas sem dúvida nenhuma, eh, eu, como eu dizia, a os especialistas falam que não vai acontecer, que é muito difícil, como o Walter descrevia, mas eu falei que eu espero, porque eu acho que seria uma uma experiência humana bastante eh inovadora e estranha.
Mas eu queria perguntar uma coisa para você, Walter, é assim, esse debate ele meio que divide times, né? Tem aqueles tipo Harari que acha que vai ser uma catástrofe quando cruzar com a biotecnologia, né? E outros que entendem que não vai somar, agregar, resolver problemas, criar novo, novas profissões, solucionar atividades cognitivas repetitivas e tal.
Ah, e quem trabalha em comunicação sabe que o Humberto Eco fez aquela famosa diferença entre apocalíptico integrado. Nesse caso, o Harari seria um apocalíptico, né? E quem pensa diferente, o integrado.
Eu queria saber de você, você acha que você é um integrado característico em relação a Iá, sem nenhum traço apocalíptico? Isso. Me sinto integrado.
Acho que diferentemente dos apocalípticos que a Iá veio não para roubar nossos empregos e sim para devolver nossa humanidade. E por que que eu acho isso, Pondé? Porque no passado longinco, nossa competência era avaliada pelos nossos músculos.
Hoje em dia é pelo nosso cérebro, daqui para frente será pelo coração. Ou seja, devolver a nossa humanidade significa que tudo aquilo que é repetitivo, burocrático, maçante, que significa cálculo, produtividade, vai passar para a inteligência artificial. E o que vai sobrar para nós humanos é generosidade, empatia, simpatia escutativa, generosidade eh genuína e não aquela eh que eu acabei de comentar daí.
Tá? Ou seja, o ser humano vai ter mais competência pelo seu vínculo do que pelo cálculo. Você sabe, é que nós temos uma tendência a tratar o chat EPT com a mesma forma como a gente trata nossos colegas, familiares, colaboradores, né?
Ou seja, a pessoa faz um trabalho horroroso, você chega para ele e fala: "Olha, eu sei que você é uma pessoa muito competente, você é capaz de fazer melhor". Ou seja, você tem todo o cuidado do mundo para evitar que ele tenha, eh, vamos dizer assim, entre em estress e com isso faça um trabalho ainda pior. Com a IA, a gente tem que fazer o contrário.
Você tem que chutar para cima da medalhinha. Por quê? Porque ela tende a entender, já que é uma psicopata desprovida de emoção, a distância entre o que ela te apresentou e o que você esperava.
É este grau de frustração que você demonstra para ela com que faz com que ela vá rapidamente para o ápice da sua expectativa. Ou seja, aí ela tem que ser tratada aos tapas, Walter. Isso.
Não aos tapas, mas com toda a sinceridade da sua decepção. Ela tem que ficar patente para que ela entenda a distância entre o que ela ofereceu e o que você esperava dela. É, não tem compliance para ir.
[risadas] Não tem abuso moral, zero compliance para a empresa chinesa UBTEC apresentou seu exército de robôs humanoides, que segundo ela foi projetado para trabalhar 24 horas por dia, capaz de realizar todas essas tarefas chatas, repetitivas que o Walter falou, manufatura, inspeção e logística. Walter, então você como integrado imaginava mais ou menos isso? Imaginava.
Eu acho que, como nós sabemos, o antigo filme do Charlie Chaplin agora tem novos personagens e isto deve ser celebrado e não ser motivo de preocupação por todos nós. O ser humano nasceu para imaginar, sentir, pensar e não para processos repetitivos, entediantes e burocráticos. Então eu celebro como um integrado esta nova era.
Quer dizer que não mais a Iá nos libertaria daquela maldição do Gênesis que você vai sobreviver graças ao suor do seu rosto. Não mais suor do rosto. Então isso, não mais suor do rosto.
Bem que há um suor interno que é o retorno, que é que exige de nós muito esforço de voltarmos a pensar. Eu tenho a impressão de que a palavra filosofia não termina por acaso com IA. Eu acho que a IA veio para que a gente dedique mais tempo à filosofia, a pensar, a imaginar, a sonhar, porque este é um verdadeiro papel humano.
Falter, muito obrigada pela conversa. Foi um prazer. A gente agradece a sua participação.
Obrigado, Thaís Pondé. Até uma próxima oportunidade. Em Frankenstein, do clássico de Mary Shelley, a criação da vida artificial é uma metáfora poderosa para ilustrar os riscos da tecnologia.
Vamos ver agora um trecho do novo filme do Guilherme Del Touro, Frankenstein. É, essa adaptação é excelente, né? Olha, eh, a Mary Shelly é uma romântica, período romântico clássico.
Eh, os românticos viam a modernização como um grande risco, né? E o Dr Frankenstein, ele é uma encarnação da modernização no romance antes de começar a ter crises. Aliás, como a modernidade também hoje tem várias crises.
Na realidade, quando o Frankenstein cria a criatura, ele cria uma uma criatura que é imortal. E o sonho de imortalidade é um sonho típico do ser humano, né? E aí quando uma mente romântica olha pro ser humano, ah, o ser humano quer ser imortal, olha que catástrofe que é ser imortal, olha que catástrofe que é romper o limite da condição humana.
E isso aparece nessa história e nesse diálogo aí tá super claro. E você não vê uma analogia muito clara também com a época de hoje e a inteligência artificial, que seria o novo Frankenstein, uma carregada de maldição? Sim.
né? Assim, se a gente olha pelo lado apocalíptico, que é um pouco representado ah pelo pelo Harari hoje, que é um pouco a posição da Mary Shelly escrevendo o livro, né, no sentido de que todo o avanço técnico científico radical ele coloca problemas éticos. A ciência ela vive quando ela salta alto, que nem a bomba atômica ou mesmo o avião, ela coloca problemas éticos.
A, eu acho que a tendência é se acostumar. Eu tenho a impressão que se a Iá produzir dinheiro, entregar resultado, boas férias, melhor saúde, a gente vende alma ao diabo. Sempre foi assim.
[música] Linhas cruzadas fica por aqui, mas na semana que vem a gente está de volta.