Oi [Música] hoje programa diálogo Sem Fronteira tem a satisfação de receber a professora Juliana Polônia Seja bem vindo a professora muito obrigada pelo convite Professor um prazer estar aqui novamente participando do programa A professora Poloni é formado em história pela Federal do Espírito Santo depois ela seguiu no mestrado doutoramento em arqueologia em Portugal Algarve e depois continuou seus estudos aqui no Brasil em pós-doutoramento com apoio da Fapesp no núcleo de estudos e pesquisas ambientais no laboratório de arqueologia pública e ela lidera um grupo de pesquisa sobre a Ecologia da repressão e da Resistência justamente o
tema da nossa conversa de hoje então eu gostaria de começar a professora Polônia perguntando sobre o tema o que nós podemos entender por a pressão e da Resistência aquela hoje é da repressão e da Resistência um tema novo é o termo cunhado em 2008 com o lançamento do livro de autoria do professor sarank alberione e do professor Funari de mesmo nome que trata da questão das ditaduras na América Latina e tem por objetivo a investigação das culturas materiais relacionados a contextos de repressão ou de resistência em especial é esse campo tem se dedicado bem mais
a questão dos contextos ditatoriais latino-americanos mas não precisa necessariamente estar restrita a esse campo pode investigar qualquer campo de repressão de resistência mesmo em contextos Democráticos ou em contextos mais antigos ah e também tem uma outra vertente que a investigação da ciência que é produzida durante os períodos ditatoriais aí mais na Ótica da antropologia da ciência história da ciência de grossinho virar como que é a disciplina a teologia foi levado a cabo em regimes de força as relações estreitas entre política e ciência nesse caso específico entre arqueologia e determinados regimes políticos na história da humanidade
claro que novamente o tema de predileção do campo tem sido a produção ecológica nos contextos ditatoriais sobretudo recentes no caso do Brasil ditadura de Vargas e a ditadura militar quer dizer então há uma relação entre esses ditaduras que houve por exemplo causa que lá e ela muda principalmente na Guerra Fria seria desde 47 até 89 do século passado e eventualmente também outros contextos ditatoriais mas aí uma pergunta que eu gostei de fazer Professor Polônia é a seguinte é que a professora mencionou que arqueologia pode estudar Isso também outros continentes em outros contextos históricos e os
períodos então nosso público muitas vezes associa arqueologia a coisas muito antigas vestígios com milenares grandes realizações e a professora está no mostrando ao que está muito próximo de nós às vezes o poucos anos como é que foi feita essa passagem da teologia como uma disciplina voltaram para coisas muito antigas a algo que também se preocupa com o passar do Recente é essa definição da arqueologia como algo relacionado e a isto estuda a cultura material de épocas muito antigas da Claro relacionado a uma das etimologia da palavra radiologia arquivo né que remete a coisas muito antigas
mas o próprio Professor Funari Nos alerta que existe um outro sentido para a palavra arqueologia que o estudo das relações de poder na verdade arqueologia eu estudo da humanidade a partir da sua cultura material nada impede Que Nós estudamos a história da humanidade a partir da sua cultura material no contexto contemporâneo mas estamos falando de um campo que a teórico-metodológico que tem as suas teorias e as suas metodologias próprias que podem ser aplicadas a qualquer períodos qualquer período histórico e como nós estamos falando de contextos estritamente relacionados a questões políticas e como é o caso
das ditaduras dos desaparecidos políticos nos contextos de repressão de resistência nada mais apropriado do que fazer arqueologia nesses contextos nesse sentido de que nós estamos investigando na verdade é as relações de poder que se estabeleceram nesses contextos específicos quer entre a as relações entre o governo e as camadas da população que nesse caso específico contestavam esses governos quer entre a relação na relação entre a ciência produzida os cientistas o campo científico do período e esses governos autoritários a professora tem se dedicado em particular a Esse estudo da produção da ciência durante os períodos ditatoriais e
eu não tô perguntaria isto quer dizer como é que fica a questão Nós pegamos o ponto de vista da história da ciência eu disse estudar a produção de conhecimento durante período de repressão porque ele a a uma série de limitar as limitações a uma série de constrangimentos uma série de controles são feitos durante esse período mas as pessoas que atuaram nesse período naturalmente continuaram Então como que nós agora que estamos passadas algumas décadas Mas essas pessoas continuam tão concorda a delicadeza como se tratar principalmente por causa que mais vai sente e ditaduras mais próximas de
nós que as pessoas estão vivas ou mesmo que não estejam vivas levamos alguns formula perguntando se diz mais Ampla e como a disciplina está formada por essas por essas períodos Nossa períodos por essas perspectivas mas conservadoras perspectivas de ligarmos antiliberais Então como que a disciplina se pode haver com isso é uma quer a ambígua porque é essa questão é o mesmo tempo a força do campo científico e seu grande problema é a força porque como qualquer outro Campo científico é fazer ciência fazer política e arqueologia nasceu consciência no contexto dos estados nacionais ligada diretamente a
necessidade que esses estados tinham de produzir um passado próprio uma história Pátria e aqui logia providenciava elementos materiais para essa história então é estudar com textos reflexivos é uma forma de demonstrar muito claramente essas ligações que estão no nascimento da própria disciplina entre política e ciência tão é essa é a força do campo que já estava lá na origem de já hoje exatamente agora é também o seu grande problema como professor alertou porque é temer nós estamos falando de contextos no caso específico da é de tutoriais repressivos que nos deixaram muito muitos muitos poucos vestígios
quer em termos de documento e muitas vezes quer em termos de vestígios materiais que a arqueologia se dedica e por outro lado é por ser muito recente sobre todas as últimas ditaduras latino-americanas nós estamos lidando com familiares vivos de pessoas desaparecidas nós estamos lidando com torturadores que ainda ocupam os mesmos lugares de podemos estamos lidando com investigadores que denunciar os os seus colegas e que continuam na cadeira então é é um campo extremamente difícil de investigação Mas por outro lado é a arqueologia por tratar justamente da investigação da história humana através da cultura material é
um campo que possibilita sobretudo em contextos em que os documentos foram destruídos ou não existem possibilita a construção a a produção o vir à tona de histórias que de outra forma não poderiam ser resgatados em absoluto então vivemos essa contradição entre a força da do próprio campo e as suas limitações evidentes por isso é um campo extremamente político a partir da política quando nós estamos fazer aqui logia da repressão e da Resistência sabemos que estamos fazendo política ao mesmo tempo em que estamos fazendo ciência Estamos tomando posicionamento mais explícito do que eventualmente as pessoas seus
estudiosos se dão conta em outras áreas agora é um outro aspecto a professora lidera juntamente com a procuradora Inês Soares um grupo de pesquisa sediado aqui na nossa Universidade Estadual de Campinas justamente grupo do CNPQ na cadastrado no CNPQ esse diabo aqui então a pergunta é a seguinte é a questão do caráter interdisciplinar dessa perspectiva Este estudo porque quem não sabe onde estudo técnico que o arqueólogo domina mas também aspectos que são sociais políticos jurídicos Então como que a professora ver essa questão do caráter interdisciplinar E transdisciplinar deste grupo de pesquisa e dessa área e
eu diria que o campo ele tá sentado talvez em três pilares principais uma discussão que tá no âmbito da própria ciência que é a necessidade de nós abrirmos o campo da arqueologia para períodos recentes arqueologia do contemporâneo o tratamento expulsão da própria disciplina no interior da comunidade científica ao segundo Pilar que é o Pilar da investigação da arqueologia a partir do ponto de vista da história e da antropologia da ciência nesse sentido é uma tomada de posição da ciência a partir de uma perspectiva externalista da ciência que ver ciência como não só como fruto de
questão em termos da própria de ciência dos cientistas mais como fruto de um contexto político-econômico-social maior mais amplo e de um terceiro Pilar que é o Pilar da Justiça de transição sobretudo nas os países que enfrentaram ditaduras recentes Nesse contexto a justiça de transição se Embasa em três pilares principais primeiro é do direito a verdade das pessoas saberão que aconteceram por exemplo com seus parentes desaparecidos o que que aconteceu nesses últimos momentos onde estão enterrados o segundo é o direito à justiça de que se faça Justiça de que os os culpados sejam punidos de alguma
forma pelo que fizeram faz uma reparação e o terceiro é o Pilar da reparação que essas pessoas esses familiares possam de alguma forma receber em Reparação por aquilo O que aconteceu com eles ou com seus parentes e nem sentiu que a arqueologia pode contribuir muito como nós havíamos dito é a pouco são contextos em que é muito difícil encontrar documento os documentos foram destruídos ou não existem e arqueologia é por tratar da materialidade ela é capaz de resgatar essa história através de outros documentos que no caso são os documentos a cultura material de construção de
edifícios bebê restos humanos que se possa ver também sorteados aos desaparecidos por exemplo que podem dizer um pouco sobre si foram torturados se não foram Como morreram se tiver um preso se foram alimentados se não foram Como foram tratados nesses últimos dias é uma outra coisa que para concluirmos a conversa que gostaria de perguntar é a seguinte ao Esse parece que justamente é uma Vanguarda que a América Latina pode do ter nada a paciência está justamente Nisso porque também outros lugares como a Espanha Portugal que passaram por ditaduras um pouco um pouco algum momento até
coincidindo com a Guerra Fria mas em qualquer mulher demora mais antigo ainda do que a Guerra Fria e que agora começa a se interessar pelo tema Então gostaria que a professora falasse sobre a a possibilidade de que nós tenhamos também essa possibilidade de fornecer elementos para os centros os grandes centros como no caso da Europa que se possa utilizar essa metodologia caso específico daquela já da repressão e da Resistência o campo deve muito ao trabalho do grupo de Antropologia forense da Argentina que é uma referência mundial no estudo de com textos relacionados à repressão e
resistência e eu acho que que o trabalho ação dessa equipe de Antropologia forense e não só na em toda América Latina Brasil inclusive e em contextos na África na Europa em todos os lugares do mundo é que têm buscado ultimamente a investigar esse tipo de contexto mostra é a força dos cientistas latino-americanos e de certa forma também incorpora a luta é o princípio da cooperação sul-sul o ou seja da importância dos cientistas que estão abaixo da linha do Equador que digamos assim para o mundo científico de modo geral eu acredito que da mesma forma que
equipe de um topologia Florença tem feito esse trabalho é amplo E extremamente importante de qualidade no mundo o campo da arqueologia da repressão e da Resistência que é um campo novo também poderá vir a contribuir nos próximos anos não só nos contexto latino-americano mas em outros contextos em outros continentes também é nesse sentido de levar novas metodologias novas abordagens científicas para questões que são eminentemente políticas é umas arqueologia eu não sou atropologia uma antropologia e arqueologia acostumada com questões políticas mais lidamos com esse outro que está vivo há muito tempo então nós temos essa experiência
que pode ser incorporada também a esse um específico e que pode contribuir muito no futuro em outros contextos em outras em outros lugares Olha a professora Polônia queria agradecer muito sua participação no programa porque tem certeza que o nosso público saiu muito mais informado sobre um tema de extrema relevância que é sobre as ditaduras recentes e o a contribuição que a arqueologia pode ter em relação a isso que agradecer muito a participação no programa agradeço a oportunidade Professor muito obrigada eu lembro a todos que este todos os programas e alguns sem fronteiras estão disponíveis para
download no site da RTV Unicamp e também no canal da RTV no YouTube e com isso eu convido a todos ao próximo programa diálogo sem Fronteira a E aí E aí [Música]