Olha, gente, o fim do ano letivo pode trazer muita ansiedade para quem ficou de reavaliação escolar, a famosa recuperação, né? E essa é a situação que envolve também os pais, como lidar com os filhos que estão nesse processo, como ajudar essas crianças. Sobre esse assunto que a gente vai conversar agora com a Audini Fernandes, que é psicóloga escolar.
Bom dia, obrigada por ter vindo aqui pro L1 hoje. Bom dia, que prazer estar aqui com vocês. [risadas] Audini, chegou aquela fase, né, da expectativa aí pelo boletim final para saber se o aluno, o adolescente, a criança ficou de recuperação, né?
Como é que essa fase ela, por que que essa fase ela gera tanta ansiedade tanto na comunidade escolar quanto nos pais também, né, que ficam nessa expectativa? Eh, esse esse momento, né, de receber as notas é como se fosse o resultado de todo o ano letivo, né, se você ficou em recuperação ou não, como se quisesse falar algo em relação a se o ano foi bom ou ruim, né? E a gente precisa entender que é natural que esse processo de ansiedade, de medo, de preocupação, ele exista e ele é até saudável de existir.
Não tem como dizer assim: "Ah, não fica ansioso, vai acontecer". O que a gente precisa ficar em alerta é os níveis de intensidade, né, dessa ansiedade, do que é que ela vem trazendo como sinais físicos, a frequência, né, para ver de fato se isso traz um prejuízo. Mas é algo natural assim de ser esperado.
E quais seriam esses sinais, Odine? Quando é que a gente precisa acender o alerta para que realmente a ansiedade tá afetando aquela criança, o estudante, o adolescente, né? E quando quando não, quando essa ansiedade é considerada normal, o que que os pais podem fazer para identificar esses sinais?
Certo? O primeiro ponto assim da identificação é conversar com esse aluno, né? Conversar sem julgamentos.
A gente precisa entender que esse processo de recuperação é algo natural do processo de aprendizagem, é recuperar a aprendizagem. Então é uma oportunidade que a escola tem de ser recuperado esses conteúdos do que de fato ele aprendeu ou não e de fato colaborar com esse rendimento escolar. Então o que precisa ser observado, né, primeiro ponto é conversar.
Então o que é que ele está sentindo para que ele consiga falar abertamente? A partir do momento que a família sai desse papel de reclamar, de brigar, nesse momento muito assim de punição, eh, o aluno ele começa a se sentir mais à vontade que faz parte do processo. Se aconteceu, eu não posso estar voltando no problema, no problema.
E a solução, que que eu posso fazer diante disso? A partir do momento que a família tem esse esse papel, né, essa essa postura, com certeza vai abrir mais para um diálogo mais saudável e aí poder identificar o que é que ele está sentindo, como é que ele está vivenciando esses dias e observar também alguns sintomas físicos, né? Então, eh, os tremores, as mã suadas, se tem alguma alteração no sono, se tá dormindo demais, se dormindo de menos, se de certa forma ele apresenta uma fuga, né, dessa escola, desse estudo.
Às vezes essa fuga ela vem diante de um comportamento inadequado. Então, ah, ele bagunça tudo, ele tá muito estressado para tentar, de certa forma, fugir, né? Observar também eh sinais físicos mesmos de suço, dorese, de idas ao banheiro, de como de fato ele tá sentindo.
A alimentação também pode ser um indicador, tá comendo demais, tá comendo de menos e de fato assim e dá oportunidade para que ele fale e expresse o que tá sendo sentido. Eu acho que isso é um ponto muito importante da participação dos pais, do diálogo, né? Porque tem muitos pais que acabam provocando essa ansiedade de alguma forma, justamente com essa cobrança que você falou, né?
Ah, eu paguei tão caro o colégio o ano todo para quando chegar agora você ficar de recuperação. E isso afeta diretamente essa cobrança, né? E até essa comparação de repente, olha, tá vendo seu irmão passou direto, você não passou.
Isso afeta o estudante, né? Com certeza. E assim, não é o momento, né?
Então tem que ter ser muito cuidadoso. Essa essa família precisa ser muito cuidadosa diante do que vai ser falado, do que vai ser eh feito, né? Nesse momento.
Não é o momento de est apontando erros, como eu falei, é o momento de pensar em solucionar. Então é dar o apoio emocional que ele precisa, a segurança de que, ó, estamos juntos, a gente vai fazer dar certo, né? O que é que você precisa, pensar em práticas rápidas assim de estudo para que de fato ele se sinta mais preparado.
Você acha que um reforço ou mesmo o cuidado dos pais em casa, o que é que pode ajudar? Ó, beleza, a recuperação, OK, vamos agora daqui pra frente. Como é que os pais podem ajudar emocionalmente esse estudante?
Então essa esse apoio e essa segurança emocional é fundamental, né, para que ele entenda e pensar em cronograma juntos, né? Essa rotina precisa ser construída porque ele vai ter pouco tempo, né, para recuperar essa aprendizagem, mas a família junto com a escola também tem que dar recursos. Então, como é que ele pode fazer para aprender?
E a maior parte das queixas assim dos familiares é tempo, né? Aldina, eu não tenho tempo e agora ele tem aí duas semanas para estudar e eu não não tô trabalhando, não consigo parar no trabalho para isso. E assim, não é o tempo que vai dizer muita coisa, às vezes é o apoio que ele dá, que faz toda a diferença.
Se ele fica ali só julgando, só tentando ter uma atitude punitiva, não vai funcionar. Ele precisa mostrar que tá junto do aluno e se ele consegue fazer de formas básicas. Por exemplo, ah, tô indo estudar enquanto levo na aula de recuperação no carro, vai, faz um questionário e vai respondendo junto com ele, deixa um bilhetinho dentro do caderno carinhoso, sabe?
Eu acredito em você, filho. Dá o seu melhor, sabe? num lanche, né, em crianças eh menores, faz lá um lanchinho mais cuidadoso, né, para que não traga também só esse senso de punição, de punição.
Mostra que tá do lado esse encorajamento. Então, às vezes não é nem o tempo só que você passa ali estudando, é como você enxerga e como você age diante desse processo. E claro que as famílias que têm oportunidade, né, eh, pode usar como aliado esse apoio pedagógico, né, esse reforço escolar, eh, não tem problema nenhum, porque vai conseguir ser mais pontual, mais direcionado, ter algo mais estratégico para fazer dar certo.
Eu falei da comparação em casa, de repente os pais comparar com o irmão, dizer que o irmão passou, mas e quando o próprio estudante, a própria criança ou adolescente começa a se comparar, minha turma toda passou, minha turminha ali, min, minha roda de amigos passou e eu fiquei de recuperação, né? Acontece isso também. Acho que principalmente nessa fase da pré-adolescência, né, de se sentir um pouco menos incluído naquele naquela turma, a todo mundo tá evoluindo e eu tô aqui de repente perdendo minhas férias, alguma coisa assim.
Esse processo de comparação, ele existe, né? Sendo em equilíbrio, ele é até saudável, né? Uma competição saudável de, ah, eu preciso também, isso vai gerar um estímulo maior para que ele possa estudar, mas com muito cuidado para que isso não seja excessivo e não esteja adoecendo, né?
Porque não vai funcionar. Você acha que vai funcionar comparando com o irmão que passou e você não? O primeiro ponto que a gente tem que ter consciência, né, quanto pais, quanto educadores e os próprios alunos, é que a aprendizagem de cada um ela acontece de forma diferente, as pessoas têm ritmos diferentes e tá tudo bem, sabe?
Então, entender qual é o déficí desse aluno? A é a área de exatas, é a matemática Audini, que ele não consegue, tá tudo bem, ele não precisa ser bom em todas as disciplinas. Às vezes ele nem se identifica com aquela área, né?
Exatamente. Ele não se identifica, ele não consegue, ele tem as limitações e tá tudo certo. Então vamos trabalhar diante dessas limitações, mas sem essa comparação, entendendo a particularidade, né, e respeitando cada um, sem dúvida.
Aldini, e quando essa ansiedade ela afeta o sono, apetite, o humor da criança, é preciso procurar um profissional para que possa ajudar os pais, de repente, que não sabem lidar ou que precisa realmente de uma ajuda profissional para cuidar aí dessa fase? Sim, a alimentação, o sono são ótimos indicadores pra gente observar qual é o momento certo de encaminhar e de buscar ajuda de um profissional. Então, a partir do momento que você identificou que durante aquele bimestre, durante aquele semestre, alguma coisa não deu certo, você buscou outras estratégias, ainda não funcionou, né?
Então essa criança ela tá comendo demais, tá comendo de menos, você percebe, né, esses sinais de ansiedade, o comportamento também teve alguma alteração, o sono, o ideal é que você busque ajuda profissional. Você pode tanto e estreitar mais esse vínculo com a escola, ter a escola como parceira, né, saber a opinião da escola, como é junto com o professor, porque você vai conseguir ter um parâmetro melhor da criança em outros ambientes sociais, né? E a escola é fantástica para dar esse retorno e eh marcar, né?
Eu prefiro sempre pecar por excesso. Então, tá tendo alguma preocupação, tá tendo alguma dúvida, né, alguma dificuldade, busca ajuda profissional para ver. às vezes até não tem necessidade de de uma continuidade, mas é um direcionamento necessário.
A gente tá falando aí da recuperação final, é o tudo ou nada agora, né? principalmente para os adolescentes que não tem mais aquela chance de repente que tem ali antes do ensino médio. Mas a gente tem que entender que isso é um processo construído ao longo do ano.
É importante o acompanhamento ao longo do ano e todo esse diálogo que os às vezes os pais deixam para o final do ano, é importante que ele aconteça ao longo do ano. A falta de cobrança mesmo e o encaminhamento para que esse momento não chegue, porque o importante é evitar a recuperação, né? É, essa recuperação final, ela não se dá apenas com uma única prova, né?
Então, precisa de fato esse acompanhamento do que é que está acontecendo, porque não vai ser uma prova que vai levar um aluno à recuperação final. Então tem muitos sinais que podem ser observados desse baixo desempenho e intervido o quanto antes para que de certa forma ele não não esteja, né, eh, nessa situação, né, que com certeza vai gerar uma tensão maior, uma ansiedade e um estresse maior. É possível uma criança despertar ansiedade só nessa fase por conta desse resultado final ou ela já vem dando sinais, dando indícios de que se trata de uma criança ansiosa, do adolescente ansioso e que tudo é eh a bomba relógio, digamos assim, é a recuperação final e é aí que começa a dar os indícios.
Sim. Eh, ele pode apresentar, né, agora nesse final de ano uma ansiedade diante desse contexto, uma ansiedade muito mais intensa, tá? Então ele pode sim mostrar, mas assim é um padrão de comportamento algumas vezes que é mostrado antes, então precisa observar.
Só que agora tem uma situação que ele foi exposta que é um indicador muito grande de uma ansiedade maior. Então é acompanhamento realmente que deve ser observado, né, Odine? O que é que a gente poderia deixar aqui na prática?
Uma orientação para que os pais possam lidar com essa situação e também para que os próprios estudantes possam lidar com essa situação, né? Porque querendo ou não, não é o fim do mundo. Claro que é uma expectativa gerada em relação ao ano letivo, mas que tem vida após a recuperação, né?
Sim, com certeza. Assim, o primeiro ponto é esse apoio mesmo, sabe? Não, não eh avaliar aquele aluno apenas pela recuperação, apenas por uma disciplina ou algumas disciplinas, tem que validar o esforço dele.
Calma. Quanto mais eu reclamo, quanto mais eu tento usar isso agora como aprendizagem de uma forma punitiva, mais vai atrapalhar esse processo. Então eu preciso acalmar meu coração, entender que faz parte do processo e se aconteceu, vamos lá, né?
Então, até para que passe essa segurança e ela existe muito com o diálogo. Então, muitas vezes o o a gente que tá sempre presente em escola, o que as falas dos alunos é minha mãe vai fazer isso, ai meu pai vai fazer aquilo. Às vezes não tá nem preocupado de fato com a prova que ele vai ali enfrentar e sim com o comportamento dos pais diante disso e com as consequências.
Claro que as consequências elas vão existir, né? né, as consequências diante do de um esforço talvez que não aconteceu, mas a família precisa estar de olho nesse contexto, né? Então assim, dar esse apoio, mostrar positividade no processo, encorajamento de que ele consegue, que você está junto, pensar juntos em estratégias assim mais práticas, né, como é um momento assim mais pontual, que é que pode ser feito para estudar filho, o que é que funciona com você?
Será que se a gente chamasse aquela professora seria melhor? Será que se a gente fizesse um questionário seria melhor? Então vê essas estratégias que fazem sentido, né?
e confiar aí nesse processo e a parceria com a escola também, sem dúvida conversar o que é que ele pode estudar mais, né? O que é que ele você percebe maior dificuldade para que a gente possa focar? Então a escola sem dúvida vai ajudar bastante.
Perfeito, Odine. É uma uma um ciclo aí, um grupo, né, estudante, pais, escola, que deve estar sempre aí de mãos dadas juntos durante todo o processo, né? Exatamente.
Obrigada, viu, Odini? Muito obrigada pelos seus esclarecimentos aqui no AL1. Eu que agradeço.