[Música] Olá ora cá estou eu mais uma vez para vos falar sobre a vida e a obra de um grande autor da literatura mundial o meu nome é Seb barata e hoje vou falar-vos de João de Deus que foi um poeta e pedagogo português nascido em 1830 e falecido em 1896 é considerado o poeta do amor e também o educador que soube ensinar os portugueses a ler com a sua cartilha Maternal João de Deus Nogueira Ramos mais conhecido simplesmente por João de Deus nasceu em São Bartolomeu de messines no Algarve a 8 de março de
1830 filho da Isabel Gertrudes Martins e de Pedro José dos Ramos modestos proprietários dealii naturais e ali residentes João de Deus era o quarto de 14 irmãos a primeira instrução recebe-a em casa a situação socioeconómica da família não permitia a seguir os estudos liceis com vista a uma carreira Universitária por isso ingressou no seminário Episcopal de Coimbra então o único caminho acessível aos menos abonados para prosseguir estudos em 1850 aos 19 anos de idade como não tinha vocação para a vida eclesiástica deixou o seminário e ingressou na universidade de Coimbra como estudante de direito envolvido
na vida Boémia coimbrã teve na universidade Um percurso académico conturbado com diversas interrupções e reprovações por faltas boémio Generoso irónico irreverente improvisando poemas que acompanhava a guitarra a sua personalidade fascinou sucessivas gerações de estudantes os fracos recursos familiares levaram a que João de Deus vivesse em Coimbra uma vida de quase indigência para o ajudarem os amigos e condiscípulos coligiu as suas poesias que foram aparecendo na imprensa coimbrão na época concluiu o curso de Direito em 13 de julho de 1859 portanto apenas 10 anos depois de ter ingressado e mesmo assim por instâncias e até ameaças
dos seus condiscípulos entre os quais se incluí a melhor intelectualidade da época nomeadamente o onter de Quental Teófilo Braga e outros elementos da chamada geração de 70 terminado o curso optou por permanecer em Coimbra praticando pouca advocacia e continuando a escrever como o seu interesse pelos tribunais era pouco em 1862 aceitou o convite para ir para beija como redator do periódico obg então o jornal de maior expansão no alentejo nesse período colaborou em diversos periódicos da Imprensa regional do sul de Portugal e permaneceu em beij até 1864 nesse ano regressou à sua terra natal onde
se tornou redator da folha do Sul mas mantendo a colaboração com a imprensa Regional Alentejana e algarvia tentou praticar Advocacia em São Bartolomeu de messines e em Silves mas sem sucesso pelo que em 1868 optou por partir para Lisboa cidade onde levou uma vida de grandes privações passava o tempo nos os cafés em particular no no famoso Martinho da arcada onde se reuniam os intelectuais da época em constantes tertúlias sem nunca procurar encontrar uma forma estável de ganhar a vida para sobreviver recorria à realização de traduções à escrita por encomenda de sermões e e de
Dios para cerimónias religiosas e para festas de caridade colaborando com os seus poemas em publicações liter áreas diversas diz-se que nesse período costurou roupas de senhora entre outras atividades a fim que lhe pudessem render algum dinheiro numa das tertúlias surgiu a ideia de tentar a eleição de João de Deus como Deputado às cortes e por esta via obter uma subvenção que lhe permitisse viver com alguma dignidade não por sua vontade mas para condescender com o pedido dos amigos lá concorreu às eleições de 22 de março de 1868 como candidato independente pelo círculo de Silves a
eleição não foi fácil mas saiu vitorioso iniciou a sua atividade parlamentar nas cortes a 18 de Maio de 1868 embora com pouca vontade em declarações que foram publicadas no correio da noite ele terá dito que diis querem vocês que eu faça no Parlamento cantar recitar versos deve ser gaiola que talvez sirva para dormir lá dentro a ouvir a música dos outros pássaros dormirei com certeza estas palavras retratam a sua atitude perante a atividade parlamentar em 1868 ainda participou na maioria das sessões embora se intervir Mas no ano seguinte faltou a 10 das 13 sessões que
se realizaram nesse ano portanto de 1868 pouco depois da sua eleição parlamentar a vida de João de Deus mudou completamente casou com Guilhermina das mercê batalha uma senhora Fina de boas famílias deste casamento nasceram quatro filhos entre os quais João de Deus Ramos que continuaria a obra pedagógica do seu pai de que eu depois falarei lá mais adiante com o casamento e a passagem pelas cortes ganhou maior disponibilidade sua vida o que lhe permitiu iniciar a publicação sistemática da sua obra poética e dramática bem como manter uma colaboração com a imprensa periódica e continuar a
produzir traduções e adaptações de obras de diversos autores também por esta altura talvez por influência do seu amigo anter de Quental aderiu ao ideário socialista afirmando que era socialista Por Ser Cristão e e amava os seus semelhantes a sua bondade inata tornou sensível aos problemas da educação o que o levou a envolver-se nas campanhas de alfabetização em 1876 João de Deus escreveu a cartilha Maternal o novo método de ensino da Leitura que o celebrizou e haveria de distinguir como um dos maiores pedagogos do seu tempo a cartilha seguia um processo muito semelhante ao método português
de Castilho que António Feliciano de Castilho empreendera 25 anos antes Castilho tinha falecido há menos de um ano e o seu método tinha caído na descrença ele nunca tinha sido bem aceito pelos professores a cartilha Maternal incorpora para além da experiência de Castilho os trabalhos de alguns pedagogos estrangeiros a obra foi recebida com muitos elogios sendo saudada como utilíssima e genial pelos principais intelectuais entre os quais o Alexandre arcolan e o Adolfo Coelho Ora eu tenho aqui um exemplar da cartilha Maternal que como poderão talvez ver vamos lá ver se eu consigo mostrar isto começa
depois no no início com assim as primeiras letras letrinhas assim muito grandes e depois vai andando vai andando até que pouco a pouco as letras vão crescendo ou por outra as letras vão minguando e e e e para o final já começa a ter depis assim uns uns texte zinhos e entretanto as letras vão continuando a minguar continuando a minguar e e e no fim termina já facto com vários textos não é de leitura já que já começam a preparar as crianças para começar a ler livros portanto é um método de facto muito interessante como
método relativamente inovador na época a cartilha foi 2 anos depois aprovada como o método Nacional de aprendizagem da escrita da língua portuguesa cujo uso passou a ser obrigatório nas escolas esta obrigatoriedade seria mantida até 1903 quando o método se tornou facultativo graças a essa decisão governamental o João de Deus foi nomeado vitaliciamente com comissário geral da Leitura com uma pensão anual de 900.000 Reis em Maio de 1882 por iniciativa do Mecenas casimir Freire reuniram-se algumas dezenas de cidadãos para fundarem a associação de escolas móveis pelo método João de Deus foi assim que se chamou com
o fim de está na escritura de Constituição ensinar a ler escrever e contar pelo método de de admirável rapidez do senhor dror João de Deus os indivíduos que o solicitarem até onde permitam os seus meios económicos enviando nesse intuito às diversas povoações da Nação portuguesa professores devidamente habilitados não se envolvendo em assuntos políticos nem quaisquer outros alheios ao seu fim a associação chama Sis Associação de jardins escolas João de Deus uma instituição particular de solidariedade social dedicada à educação e à cultura no seu âmbito funciona o museu João de Deus e a escola superior de
educação João de Deus além de várias dezenas de jardins de escola e centros infantis a expansão do método da cartilha Maternal foi seguida de um autêntico fenómeno de culto pela figura do poeta tornando numa das figuras mais populares do último quartel do século XIX em Portugal Nesse contexto foi organizada no dia 8 de março de 1895 uma grande homenagem Nacional ao poeta no cortejo incorporaram se alunos do jardims escola até às universidades de todo o país que foram saudar o João de Deus a sua casa no dia seguinte durante um saral Em sua homenagem no
no teatro Dona Maria o Rei Dom Carlos impus ao autor a GR Cruz da ordem de Santiago da espada apesar da sua fama o método da cartilha Maternal tinha adversários e pouco depois daquela homenagem Nacional o ministério do reino decidiu mandar retirar das salas de aula os quadros da cartilha que lá estavam expostos pouco depois desta polémica decisão o João de Deus caiu do an com problemas cardíacos e viria a falecer no dia 11 de janeiro de 18 1996 na sua residência com 65 anos de idade o funeral ocorreu dia 15 com honras de estado
na Basílica da estrela Seguindo para o cemitério dos Prazeres posteriormente seria trasladado em 3 de Maio de 1903 para o mosteiro de jerónimos e em 1966 o seu corpo foi solenemente transladado do mosteiro de jerónimos para o Panteão Nacional na portanto na Igreja de Santa grácia em Lisboa após o termo da sua edificação juntamente com os corpos de outras grandes ilustres figuras portuguesas Ora bem depois disto eu Deia agora falar mais da sua obra literária na literatura da sua época o João de Deus ocupou uma posição singular e destacada situando-se no momento em que o
ultra romantismo já estava a esgotar-se não se identificou com as preocupações filosóficas e sociais da geração de 70 num artigo que publicou em oens em 1863 fazia a primeira condenação pública da escola Ultra romântica defendendo um lirismo purificado ligado à tradição dos cancioneiros galego-portugueses às cantigas populares do romanceiro e a certos aspectos do Camões lírico formalmente o João de Deus recupera o soneto AD pelos românticos e cultiva quase todas as formas poéticas desde a da elegia e do epigrama à fábula dando uma nova vida às formas tradicionais de redondilha maior e menor no que de
certo modo preparou o advento da moderna poesia o lirismo de João de Deus é intimista e os temas fundamentais da sua lírica são Deus e a mulher ou seja a aspiração religiosa e o impulso erótico é um poeta do amor Adoração em que se fundem o amor Místico e o sensual não canta cada mulher que cruza na sua vida mas a mulher mulher com USC numa aese que suando a materialidade aspira a tudo o que é Belo e estável não encontramos nos seus poemas algo de obsceno de pervertido de cado da hipócrita que possa macular
a puríssima naturalidade do seu impulso para a mulher exprimindo sempre num estilo simples utiliza um vocabulário restrito em que aparecem repetidamente palavras como lua nuvem ave perfume lágrima exprima os sentimentos de um modo espontâneo e direto quase infantil numa linguagem muito próxima da oralidade a sua poesia distingue-se sobretudo pela grande riqueza musical e rítmica onde como vimos lá atrás os primeiros poemas do João de Deus apareceram na imprensa Regional de Coimbra durante o tempo que ele permaneceu naquela cidade e nunca mais parou de escrever poemas que foram Santos portanto publicados nos baos variados periódicos não
só lá de Coimbra mas depois também do alentejo e do Algarve e depois em Lisboa após o seu casamento foi então possível iniciar A recolha sistemática dessa obra desa logo no ano em que ele se casou publicou a coletânia flores do campo saí portanto nesse ano de 1868 a que se seguiu uma pequena recolha de 14 poemas intitulada ramo de flores que saiu em 1869 e que é considerada a sua melhor obra poética ambas estas recolhas resultaram da seleção feita por José António Garcia Blanco portanto um editor é entre os poemas publicados na imprensa periódica
são obras com lives de ultra romantismo representativas portanto daquela primeira fase da produção poética do João Deus os seus textos seriam depois reunidos e organizados por Teófilo Braga deste trabalho resultou a publicação de folhas soltas em 1876 despedidas de verão Em 1880 e campo de flores em 1893 esta última obra além de conter outros poemas engloba o conteúdo das obras publicadas anteriormente tantas publicadas pelo Garcia Blanco como pelo Teófilo Braga pelo queê funciona como uma coletânia da sua obra poética que eu tenho aqui esse Camp de flores eh de facto um livro maravilhoso e enorme
Onde estão aqui Reunidas todos os poemas conhecidos do João de Deus além dos textos líricos esta compilação inclui também os textos satíricos e epigramático as fábulas e uma peça de teatro em verso uma grande parte da sua produção em prosa foi depois então também reunida na coletânia prosas editada também pelo Teófilo Braga Mas postumamente no ano de 1898 o João de Deus foi também ainda autor de obras destinadas ao teatro diversas na maior parte delas tradições e adaptações de obras de autores estrangeiros para além destas obras todas que já mencionei deixou um dicionário pródico de
Portugal e Brasil que saiu em 1870 mas claro a sua obra mais conhecida até hoje viria a ser a cartilha Maternal que eu já vos tinha mostrado e mostro outra vez que ainda hoje mantém muitos seguidores Ora bem agora então para terminar eu vou ler alguns testes retirados então aqui do campo de flores que mostram aquilo que eu acabo de dizer sobre a obra do do grande Poeta João de Deus começo por ler aquilo que aoo que consta foi a sua primeira poesia provavelmente escrita lá em São Bartolomeu de messines porque no primeiro ano em
que ele entrou para a universidade esteve lá pouco tempo deixou logo as aulas e voltou para para a Terra e passou lá o resto do ano consta que lá escreveu muitos poemas e regressou depis então no no ano seguinte não é no ano letivo seguinte h queele regressou para cuí então eu vou ler esta que é considerada geralmente a sua primeira poesia e que foi publicada num no Eco do Lima um jornal portanto no ano de 1851 que se chama pomba Casto Lírio Branca pomba és tão linda em seu alvor não há estrela mais bela
de tão mágico fulgor Cândida Pumba alvo Lírio és tão linda meu amor diz Donzela já sentes palpitar te o coração já os teus sonhos Donzela tão sossegados não são sabes já pobre inocente Quanto custa uma paixão Mas tu Donzela decoras pareces desfalecer Donzela não me confias segredos do teu sofrer diz Donzela não dizes tens vergonha de dizer tenho sim ninguém mos sabe só mos tem ouvido a lua quando em céus anad lá alta noite flutua quando só de noite sismo em terna imagem na tua ó não me iludas Donzela meigo anjo do Senhor anjo do
céu amor devem só do céu ao criador não mereço Branco Lírio teu Celeste aroma e cor ora Depois deste iria então ler dois poemas que têm ligação um com o outro o primeiro apareceu em 1855 e chama-se oração e foi dedicado a dona Raquel Nazaré que era uma menina de uma família ilustre de Coimbra que o protegeram e que estava muito doente na altura mas muito então é assim oração no álbum de Raquel olha por ela tu dos céus que habitas do mundo ó criador ampara o Lírio delicado e frágil ampara a débil Flor do
manto que te envolve e de on dependem Sis sem conto dos céus ela baixou à Terra estrela tua Anjos dos Anjos teus átia do seio à Terra ingrata num suspiro de amor ou na terra a proteje ou sobre nuvens volva a te o seio senhor não permita que a dor seus lábios mur senhor que és Deus e pai senhor a cujo alo vacila o mundo e o Cedro cai Ah Nunca os olhos seus Lágrimas turbem de acerba ansiedade nunca Senhor por ti que óis te firmas dos céus na imensidade se o raio e as nuvens
sobre nós disparam veloz rasgando os ares à tua voz bom Deus lá vai sumir-se nas entranhas dos mares se há flor Filha do Sol que a luz só vive a luz mandas ó Deus e saudoso no céu na glória esperas bom pai os filhos teus do mundo ó criador que o mundo abrange dentro em tua Clemência ampara o lírio dedicado e frágil protege a inocência um poema mesmo angustiado ele sofria mesmo com a doença daquela menina o outro que eu disse que também tinha ligação com este chama-se Raquel e foi escrito depois então da menina
morrer ela morreu e pouco depois Morreu também a sua mãe e ficou portanto sozinha uma irmã que se chamava Cândida e então o João de Deus dedica este poema à Dona Cândida Nazaré com o nome da irmã falecida Raquel desp o luto da tua solidade e vem junto de mim Lírio esquecido do Orvalho do céu tens nos meus olhos pronto de Piedade e se és mulher irmão dos que hão sofrido mulher sou irmão teu consolos não te dou que não existe quem de Lágrimas suas nunca exulte possa as de outro enxugar não pode alívios dar
quem vive triste mas é me Doce a mim chorar se escuto alguém também chorar botão de rosa murch luz de Aurora que pecado equilibra o teu martírio na balança de Deus se é como justo e bom que ele se adora quem te há mudado a ti ó Rosa em Lírio e em Lírio os lábios teus não ench de bálsamos o cálix da Flor da mais humilde e esses espaços não ench de luz não veio o filho seu Lírio dos Vales só por amor de nós pregar os braços nos braços de uma cruz mulher mulher quando
eu no cemitério levanto o pó dos túmulos sozinho eis digo eis o que eu sou mas quando pense bem nesse mistério da virtude infeliz vai teu caminho Dois Mundos Deus criou Deus não dispara a seta envenenada à pombinha que éo já despedir com mão traidor e Vil imagem sua Deus não volve ao nada não aniquila a flor que ao chão caíra lá desse eterno Abril HS de cisne espirando alçar teu canto HS de lá quando a lua da montanha te acen o extrema Deus voar Cândida ao céu e ébria de Encanto no oceano de amor
que as almas banha unir teu canto ao aos céus seus delas mãe e irmã cinzas cobertas de um só lanço de terra ó desventura ó destino Cruel vejo-as ainda ir com as mãos incertas guiando-se uma a outra à Sepultura e a mãe Raquel Raquel desde então à janela do ocidente teão de ver como a bússola seu Norte fita pensando em quê ó não nos V também Pumba inocente é grande a eternidade e é certa a morte espera vive E crê dois poemas realmente dramáticos agora vou leros um poema muito interessante Este não é assim muito
alegre mas mas é já muito engraçado e já é de outro géo e que se chama Maria da Graça olh este poema está aqui parte dele digamos a parte mais interessante aqui na cartilha é Maria da Graça que diz no dia do seu oavo aniversário ora então um poema dedicado a uma menina que fazia 8 anos or vamos lá gostas de contes Maria pois jun vou eu contar que me contar um dia e me há de sempre lembrar houve um tempo uma menina desse idade o pouco mais chamava-se ela Angelina que era o encanto dos
Pais os pais eram pobrezinhos não a podiam trazer bem vestida coitadinhos mas que haviam de fazer nem tudo a todo já dado e vestir bem vestir mal andar limpinho aciado é o ponto principal ela o cabelo as orelhas o rosto no pescoço enfim as mesmas chatinhas velhas cheiravam a alegrim Só isto fosse ela cega lhe dava graça a valer quanto mais sendo tão meiga que mais não podia ser às vezes que não havia nem um bocado de pão e a pobre mãe não podia disfarçar a aflição já ela toda ansiada por ver a mãe a
chorar principiava Coitada com as lágrimas também não sei porque se consome e não t que me dar a mim Não Me Custa a for custa-me vê-la chorar e beijando e Abraçando a mãe para a distrair toda trémula chorando fingia que estava a rir quando chegou à idade de já dizer tudo bem claro e com facilidade a mãe fez o que convém pô-la na escola que a gente não é como os animais que vem unicamente com os olhos nada mais quem teve a grande desgraça de não aprender a ler sabe só o que se passa no
lugar on onde estiver assim como um porco imundo que vê dois palmos do chão do mais que vai pelo mundo nunca pode dar razão pô-la na escola que havia de uma senhora de bem que ensinava e recebia só dos ricos mais ninguém lá levou vestidinha pobremente já se vê e toda envergonhadas sem saber de quê a mestra que se algumas tratava com mais amor era as pobres disse a umas das que trajavam melhor todas são alunas minhas aqui todas são iguais e às vezes pobrezinhas tendo menos valem mais façam lugar as meninas a esta que
agora vem com é das mais pequeninas no meio aí fica bem e ela assentou-se no meio das Tais por sinal até mostrando certo receio de se LH chegar ao pé com efeito era Maria das Tais meninas mofar de alguma que não podia tanta ques a ostentar e mal viram descuidada a mestra com outras diz a que era mais ESTV ada Zando da infeliz Quem te deu esse vestido isso era da tua mãe porque lhe está tão Comprido isso que préstimo tem diz a outra olha esta fita do Cabelo era melhor a tal que uma guita
já nem se lhe sabe cor assim levaram o dia a ponto que já as mais estavam na zombaria que estavam fazendo das Tais A pobre com a vergonha porque a fizeram passar à noite deita-se e sonha que havia ela de sonhar que vê cair uma estrela do grande colar de Deus tão brilhante que só ela alumiava esses céus e a Estrela vinha descendo amparando-se no ar como uma pomba sustendo as asas para poisar e pisou a poucos passos e ela cega de esplendor sente que a tomam nos braços e a beijam com muito amor beijo
como só lhe dera a própria mãe que a criou mas essa mãe bem Não era quem era e nisto acordou abre os olhos vê na mesa onde a mãe tinha uma cruz Oh que enchoval Que riqueza e põe-se Jesus Jesus acoda mãe e pasmada espantada do que ve de mãos postas ajoelhada reza sem saber o quê ergue-se então e desdobra uma capa um chail um véu vestidos muitos de sombra e tudo feito do céu daquela seda tão pura de tão delicada cor que a gente vê nessa altura Onde está nosso Senhor e assim toda entremeada
de estrelinhas Tais e quais as de uma noite estrelada brilhantes Como cristais ao outro dia Angelina vai à escola e mal entrou parece que a luz divina toda a casa alumiou Oh como aquelas vaidosas não haviam de ficar de vergonha as presunçosas nem levantavam o olhar assim é que a providência costuma fazer aos Viz que levam a insolência a zumbar de uma infeliz Hoje é dia do os teus anos o presente que te dou é mostrar-te os desenganos que esperam quem se exaltou quisera que toda a vida te conservasse o senhor meiga humilde e condoída
com a miséria e a dor ora depois então destes votos vou terminar então com dois poemas muito pequeninos mas muito muito conhecidos vão-se logo lembrar deles o primeiro não é não é o total de um poema é só um bocadinho que é na passagem um fragmento de um poema que é muito grande e que ocupa Quatro páginas mas eu vou ler só aquele bocadinho que é de facto aquele que é muito conhecido o poema chama-se a vida a vida é o dia de hoje a vida é ai que mal soa a vida é sombra que
fog a vida é nuvem que voa a vida é sonho tão leve que satisfaz como a neve e como o fumes vai a vida dura um momento mais leve que o pensamento a vida leve o vento a vida é folha que cai a vida é flor na corrente a vida é sopro suave a vida é estrela cadente voa mais leve que a ave nuvem que o vento nos ares unda que o vento nos mares uma ap Jota lançou a vida pena caída da asa de ave ferida de Vale em vale impelida a vida o vento
a levou E então para terminar agora sim terminar mesmo de vez vou ler- vos um poema muito engraçado que toda a gente conhece dia de anos que ele dedicou a Zeferino Brandão com que caiu na asneira de fazer na quinta-feira 26 anos que tolo ainda se os desfizesse mas fazê-los não parece de quem tem muito miolo não sei quem foi que me disse que fez a mesma tulice aqui o ano passado orora o que vem Aposto como lhe tomou o gosto que faz o mesmo coitado não faça tal Porque os anos que nos trazem desenganos
que fazem a gente velho faça outra coisa que em sua não fazer coisa nenhuma também não lhe aconselho mas jos não caia nessa Olhe que a gente começa às vezes por brincadeira mas depois se se habitua já não tem vontade sua e falos que queir ou não queira ora muito bem É mesmo verdade e pronto olhe por aqui me fico Espero que tenham gostado hoje desta conversa sobre o grande João de Deus considerado o grande poeta do amor em Portugal Espero poder voltar para a próxima semana se dej me dar vida saúde para isso para
vos falar sobre a vida e a obra de outro grande autor da literatura Mundial ora passem muito bem