E aí [Música] E aí E aí [Música] E aí é a ideia desse módulo a psicanálise na cidade é de pensarmos a psicanálise no mundo contemporâneo que o mundo Urbano que o mundo dos grandes conglomerados hoje em dia setenta por cento da população vive nas cidades Então como é que a psicanálise pode ser pensada e pode ser exercida perde uma forma Ampla nas cidades então A ideia é que a gente possa a partir desses quatro encontros está pensando a cidade em si EA psicanálise dentro dessa cidade nessa cidade e para essa cidade e a psicanálise
EA cidade tema desta série do Café Filosófico ao longo dos tempos a forma do homem lidar com a natureza e dominá-la para construir o seu sustento além de Guiar as trocas econômicas e eu também a circulação de afetos e o mundo agrícola analógico geograficamente limitado passamos a viver numa sociedade tecnológica e virtual Urbana E globalizadas como está a transformação da nossa forma de estar no mundo muda também as nossas trocas emocionais e como a psicanálise pode nos ajudar a compreender e melhorar nossa vida nesses centros urbanos que hoje são as principais sedes da vida humana
que moldam nosso jeito de pensar de sentir de existir como é que a vida se da nossa cidade hoje em dia e a gente pensar a partir da psicanálise também como operar como é que a psicanálise pode e efetivamente nessa cidade contemporânea e o Freud ele começou a vocês vejam ele começou com aquilo que a gente chama de dispositivo um dispositivo absolutamente simples que é um divã e uma poltrona e ele colocou o Mundo De Pernas pro Ar ele começou a fazer no trabalho com dispositivo individual depois a psicanálise foi ser ampliando e foi trabalhando
com grupos Há muitos trabalhos com grupos depois da psicanálise foi abrindo mais ainda e foi trabalhando com instituições foi lançado um livro no Brasil que chama-se as clínicas públicas de Freud de 1918 a 1938 esse livro é do motor a chamada Elizabeth Ann tanto e ela fez uma pesquisa extraordinário o que muitos de nós psicanalistas não sabíamos o texto vai a partir de um texto do Freud que é o progresso da terapia psicanalítica alguma coisa assim as traduções centro são diferentes de 1918 é no Congresso de Budapeste três meses antes de terminar a Primeira Guerra
Mundial E aí nesse momento nós pensávamos que ser um texto basicamente colateral na na obra do frete né e a Elizabeth fez uma pesquisa incrível e viu que se não era um texto colateral era um discurso de abertura do congresso de Budapeste onde ele faz uma convocatória um chamado aos psicanalistas para trabalharem na cidade para trabalhar e na cidade nos países distribuídos pela primeira guerra mundial onde como vocês devem imaginar viu calço ele fez acho chamado e quero dizer a vocês Quais eram alguns dos psicanalistas que atenderam ao chamado e que começaram a trabalhar efetivamente
na área social Vejam Só Melanie Klein tá na Freud Bruno Betel Rainer Esse é o raio ofenil a todos da primeira linha se constituíram-se 5/12 clínicas públicas psicanalíticas em cinco países onde os psicanalistas colocavam como a gente diz hoje o próprio corpo não dá para gente trabalhar na área social sem colocar o próprio corpo esse trabalho foi indo até que evidentemente em 38 com a ascensão do nazismo tudo isso acabou e essa história surpreendente mente foi apagada também e quando eu li esse livro eu quero dizer a vocês que eu senti um profundo alívio é
porque tudo isso que nós vamos falar aqui eu vejo tem uma história então é a psicanálise como o trabalha com o inconsciente e trabalha como se constitui os laços inconscientes um indivíduo nos grupos nas instituições e agora na cidade então se eu tô pensando na cidade eu tô pensando no território bom então para entrar pelo território para compreender com maior profundidade o território eu comecei a estudar um pouco de história né E aí tem alguns autores aqui Arnold toynbee que um Historiador inglês clássico clássico né e eu queria trazer para vocês o que ele relata
dessa passagem que o homem faz do paleolítico para o início da civilização ele demorou 20 milhões de anos para poder começar a pensar para poder começar ter uma estrutura de pensamento que vai aguentar o pensamento dentro dele o homem no território começa Quando surge a agricultura se isso começa na região ali que hoje em dia o Estado de Israel que a Jericó e utilize no Eufrates porque ali porque ali havia muita água e começam a entender como é que funciona a agricultura a agricultura EA domesticação dos animais a mineração E isso tem um impacto um
gigantesco porque pensam seguintes Quando o homem sai da coleta por esse ele pega e come pega e come pega e come quando ele tem que plantar esperar o fruto crescer e aí colher o fruto para isso ele precisa construir dentro dele uma estrutura de demora mas futuro negativa mas futura que não é vai e faz tá então essa demora para que o fruto cresça para comida se de permitiu que o homem por exemplo atravessasse o deserto porque ele pode tô mexer com o cabelo ele consegue a guarda alimentos e a partir disso altera-se radicalmente a
relação dele com território ele deixa de ficar simplesmente fixo ali e ele começa a atravessar o deserto mais tarde ele vai poder atravessar os oceanos é tão vejo como uma forma que se dá da produção humana vai alterar radicalmente o território Oi gente vai gerar relações entre os homens EA like se dá a diferenciação do trabalho é ali que vai ter começa a se aqueles que pensam aqueles que fazem filho todas as contradições também Começam a surgir nesse momento mas para pensar foi de na mente a gente pode dizer o seguinte é que quando o
homem tem que segurar e não efetivar o que ele quer imediatamente gera-se o mal-estar e essa ideia com Freud vai trazer no mal-estar na civilização que esse mal-estar é alguma coisa que eu não posso realizar de qualquer jeito eu não posso simplesmente realizar o meu desejo eu tenho que segurar para que a gente possa para que possamos estar juntos aqui todos nós estamos efetuando uma renúncia se não nós não poderíamos estar aqui e a partir daí que o Fred vai pensar o mal-estar na civilização outro conceito muito importante que a gente pode pensar disso é
por Freud e vai chamar de processo primário processo secundário quando o processo primária que eu tenho uma atenção dentro de mim e eu quero soltar sua atenção quero descarregar sua atenção e no processo secundário é o que eu tenho a sua atenção dentro de mim eu tenho que segurar ela dentro de mim olhar para dentro de mim olhar para fora e ver como é que eu vou resolver essa questão que tá me agoniando então vejam que eu vou misturando aqui um pouquinho da questão do Freud com território né Tem um outro autor da economia chama-se
cal Poliane diz o seguinte ele tá falando do começo da revolução industrial e da construção das cidades então ele coloca que é antes tinham os pessoas viviam ao redor do feudo e plantavam né isso estabelecia um jeito de vida e um jeito de vir para um jeito de lá social o pessoal tava ali andava para onde ele queria dentro daquele início ele foi de andar filho quanto surge o tear que a Revolução Industrial vai se dá a partir do tecido da lan e é fundamental que se criou ovelha e para criar ovelha nós precisamos ter
cercas e a criação dessa cercas para as ovelhas altera radicalmente a relação entre as pessoas no território e junto com isso e para haver uma produção industrial é necessário que haja um acúmulo de forças é necessário que se dê em cadeias produtivos então tem a madeira do tear tem Alan tem a pessoa que faz o tear tem que fazer a manutenção do tear tem Quem opera então vocês vejam não dá para fazer isso no ambiente rural isso só pode ser feito no ambiente Urbano e essa outra passagem altera também radicalmente a vida das pessoas porque
elas vão ter que ir em direção à cidade é a mesma coisa que aconteceu com o Brasil nos últimos 50 60 anos quando tem essa passagem da vida rural para a vida urbana então a gente pode ver que as pessoas que estavam no Rural vem Urbano mas quando eles vêm para o urbano a uma grande fragmentação de todos os vínculos que eram Rurais é de onde estão esses Cacos de vidros estão no inconsciente Eles estão no inconsciente e eles vão aparecer na cidade tudo aquilo que se rompeu aquilo que se fragmentou de alguma maneira vai
aparecer como aparecermos nós psicanalistas que trabalhamos na cidade hoje com aquilo que foi negado o que foi que não foi dito do que o Fred fez em 1918 a 38 Então essa é uma outra passagem que altera profundamente as relações humanas os homens as pessoas vão se dirigir à cidade as famílias no primeiro momento vão separar a vida na cidade a completamente diferente enfim alteram-se os veículos em outra situação que eu queria trazer para vocês também é de um filósofo que chama-se Bauman o Bauman ele aquele que trabalha com as questões da sociedade líquida tudo
isso ele vai analisando de um ponto de vista o território e ele diz o seguinte que antigamente por mais difíceis e contraditórias e até brutais relações que existiam o o dono do Capital dono do dinheiro ele olhava ele estava próximo de quem trabalhava quando começa a indústria essa relação só não é tão próximo e imagina então quando começa o capitalismo financeiro essa relação do dinheiro com o território o dinheiro se desterritorializa completamente então deixa de existir inclusive para o capital esse acosso da contradição social essa coisa que fica esse incômodo da contradição social é simplesmente
se aperta um botão e passa o dinheiro do lugar para o outro não há qualquer compromisso com território Ok então vejo que é uma outra passagem muito recente que a gente tá vivendo junto com isso eu queria falar do Taviani onde ele também vai trabalhando como as empresas vão ficando primeiro tenho um tem um processo da criação dos estados nacionais EA partir daí as muitas empresas vão ficando maiores do que os estados nacionais você tal maneira que os estados nacionais já não tem poder já não tenho o controle sobre aquilo que ocorrem no seu território
e finalmente para fazer se recorrido eu quero trazer o Milton Santos quando ele coloca que a globalização fragmento o território fragmento o território o território da cidade e ao invés de comunicação cria muita informação outra feito Ele disse que as grandes marcas por exemplo estudar para entender fragmento um território como é que fragmentam território um jovem da Periferia um jovem das nossas comunidades mais empobrecidas tem um sentimento isso a gente até pode falar depois que profunda invisibilidade e ele não se sente visto ou se ele se sente visto ele se sente mal visto é muito
bem no Imaginário desse jovem ele passará a ser visto e sairá da invisibilidade a partir do momento em que ele use um tênis de marca não é o pênis que ele tá querendo Olha o boné que ele tá querendo ele tá querendo que essa marca Gere uma saia da invisibilidade e que ele possa se transformar num sujeito evidente que só efeito Imaginário e que tem graves consequências e o Milton Santos fala também que a contra a globalização essa perversa aquele disto é e a globalização sim mas através da continuidade da proximidade e da afetividade então
quando nós estamos trabalhando na cidade nós temos uma grande um grande foco de trabalhar com a proximidade das pessoas com a comunicação entre as pessoas e com afetividade das pessoas mas o que que isso tem a ver com a psicanálise tem a ver com a psicanálise psicanálise trabalha com a circulação da palavra nós psicanalistas estamos preocupados como é que a psicanálise circula como é que a palavra circula na cidade Como é que os afetos circulam na cidade no próximo bloco esses dispositivos tem que ter um espaço vazio onde o novo possa surgir onde a palavra
possa surgir onde o desejo possa surgir ou do sujeito possa surgir um é uma cidade é feita de espaços e de pessoas de concreto aço e sentimentos da urgência da miséria e da violência de injustiças e esperanças e a partir do trabalho de escuta dos territórios da cidade que a psicanálise busca cuidado dos seus habitantes tentando compreender os laços que unem a cidade aos sujeitos que nela vivem que fazem a cidade e que dela são constituídos vocês vejam que diz lado do início da civilização e a planta o alimento vai constituindo o sujeito eu e
o Alan vai dizer que o inconsciente o discurso do outro fazer tudo isso que tá fora de mim entrar dentro de mim e me constitui uma parte disso eu sei outra parte disso eu não sei Oi e eu sou também vivido por essas relações todas que então dentro de mim através como né É é essa como é que entra para dentro de mim vai entrar para dentro de mim a partir do Édipo como a gente chama que que é o Édipo não é só papai com mamãe não é isso é como é que as relações
na família transmitem as relações do território quando o bebê tá aprendendo a falar ele tá quando ele aprende a palavra água e são milhares de anos que estão entrando aqui para dentro água é através de uma estrutura de linguagem tão vejo quando a mãe dos água Edis fome o mundo tá entrando para dentro dele é uma parte disso ele vai saber outra parte ele não vai saber Então essa é uma questão importante e outra coisa que quando entra o mundo para dentro dele e é muito fácil e a nossa tendência é essa que a gente
o mundo entrou para dentro de mim e eu leio o mundo a partir daqui do cantor dentro de mim só que ou eu consigo diferenciar o que entrou dentro de mim aquilo que está fora de mim e aquilo que está dentro de mim me serve como orientador para eu entender o que tá fora ou aquilo que entrou dentro de mim faz com que eu veja o mundo de Fora igualmente com aquilo que está em mim que é o que Freud chama de um Clichê esse Clichê chama-se a transferência bom então quando me apresenta um com
o outro e eu me relaciono com outro como se esse outro fosse aquele outro muita gente diz assim armas a psicanálise só fala do passado e só solutamente não é verdade porque quando eu leio você a partir da minha experiência não consigo ver a minha experiência quem é você mas você aquilo que eu acho você é eu tô trazendo o passado para o presente não é isso e esse passado é presente na medida que ele pede que eu te vejo então se canais não fala do passado a psicanálise fala do presente e do Futuro todo
tempo e é isso que o Ford chama da repetição da compulsão à repetição eu fico repetindo cenas do meu passado no meu presente e não vejo o meu presente né é outra coisa que eu tô querendo outro conceito que eu tô querendo pegar do Freud para gente seguir caminhando é o conceito de pulsão bom então vocês vejam quando o bebê tá com tem a primeira mamada ele tem uma necessidade quando ele mama ele conhece o seio já é uma relação é essa relação que entra para dentro dele e o quem cuida dele isso entra no
corpo dele e sua entra na boca dele e sua entra nas entranhas dele físicas Então o meu corpo físico vai sendo transformado escupido a partir da experiência que eu vou tempo então quando eu tenho sede Eu tenho sede de alguma coisa eu tenho certeza daquilo que eu gosto quando eu tenho dor eu tenho dor de alguma coisa isso é que em linhas Gerais o Fred vai chamar de punção então eu tô falando aqui daquilo que eu a coloca que são os quatro conceitos fundamentais da psicanálise são inconscientes a transferência a compulsão à repetição e a
função e agora eu vou dar mais um passo e vou falar para vocês como é que a gente trabalha na cidade na cidade a gente vem desenvolvendo uma metodologia que nós chamamos discuta territorial ou seja como é que nós podemos escutar a partir da psicanálise dentro dessa interdisciplinariedade Essa pulsação da cidade que nós estamos falando aqui a cidade pulsa quando a gente começa a conhecer a gente vai vendo que embaixo desse tablado aqui Existe vida humana existem muitas pessoas trabalhando aqui existem muitas relações Eu trabalho aqui para que eu possa tá aqui existem muitas histórias
que se entrelaçam preocupar sentado aqui Existem muitos conflitos Existem muitos desejos esse muita criação e esse espaço é fundamental porque as pessoas sobrevivem vivem sobrevivem desse trabalho que podem inclusive construir as suas vidas a partir desse trabalho E então vejo que embaixo desse tablado nesse espaço aqui existe uma vida humana que pulsa e pulsa pulsa e a cidade pulsa cidade pulsa essa vida que nós estamos falando aqui ela tá na calçada ela tá na praça Ela tá no ônibus Ela tá no metrô Ela tá no shopping ela tá em todos os lugares bom e quando
você canários vai fazer escuta territorial vai atrás dessa pulsação da cidade Põe atrás desses Laços que são inconscientes e que constituem a cidade é isso que nós amamos escuta territorial e para essa escuta territorial a gente trabalha com dispositivos então escuta territorial como nosso amamos ela se dá através de dispositivos esse dispositivo tem uma metodologia então pra gente pensar em dispositivos dispositivos nós começamos com o pensamento for ele discos dispositivos ele sempre surgem a partir de uma urgência social pode ser por bem ou por mal pode ser um panóptico como ele diz uma prisão ou
pode ser alguma necessidade profunda daquele momento que nós precisamos nos organizar para operar sobre ela ele disse também que o dispositivo nunca pode ser criado e com saber só ele precisa ser nesse dispositivo todos os saberes presentes na cultura nesse momento que são ser utilizados para tratar desses dessa urgência social que sempre uma coisa muito grave nos hoje em dia no Brasil e no mundo temos inúmeras urgências sociais gravíssimos então um primeiro conceito é do for quando eu tô fazendo a minha escuta territorial eu vou construir dispositivos que Consigam a escutar e operar sobre a
sua urgência social que tem no território da cidade outro autor é o delicioso que ele fala que os dispositivos são máquinas de fazer ver e fazer falar Imagino que de interessante bom então eu consiga na vista eu vou criar um dispositivo numa urgência social e para poder operar sobre essa urgência social eu vou tratar de criar máquinas de fazer ver e fazer falar é aquilo que pulsa na cidade que não é falado que não é dito que não circula Tá certo outro autor que interessante que a gente trabalha também é uma ganden é um filósofo
contemporâneo Vivo onde ele disso que o sujeito só é no dispositivo vocês Imaginem só ou Será que alguém 1900 quando Freud lançou a Interpretação dos Sonhos poderia sonhar com avião e os estilos a vocês o pessoal mais jovem nós aqui os mais velhos nós sabemos o que era um mundo sem o celular as relações Se alteraram muito com celular com a internet as relações alteraram rádio que são dispositivos que alteram radicalmente a nossa forma de vínculo como lá o plantio EA domesticação dos animais também alteraram radicalmente a nossa nossa forma de vidro outra coisa com
agamben fala também que é super interessante ele diz assim existem dispositivos sagrados que são dispositivos para manter aquilo que já existe existem dispositivos Profanos que são dispositivos para movimentar aquele que já existe tá muito bem então retomando nós vamos trabalhar no território da cidade enquanto psicanalistas construindo dispositivos pautados e que funcionam a partir desses quatro conceitos fundamentais da psicanálise eu tô inconsciente a transferência a compulsão à repetição EA pulsão o que sejam que sejam que responda urgências sociais e sejam máquinas de fazer ver e fazer falar e que Tragam o profano de alguma maneira Ou
seja que mexam com aquilo que está estabelecido para fazer o dispositivo Ainda ajuda me ajudou muito a filosofia e tem o autor que eu gostei muito de conhecer que a contemporânea também que é o bad é o francês é que trabalha com filosofia e psicanálise Ele disse que a filosofia não serve para dizer qualquer coisa que a filosofia ela serve para fazer uma passagem um diálogo entre lógicas que não dialogam entre si lógicas que não conversam entre si as lógicas que não conversam entre si quando a gente tá na urgência da cidade criando um dispositivo
A Urgência que vem do território é uma lógica que não conversa uma coisa com a outra como na filosofia eu brinco dizendo que quando nós estamos trabalhando essa situações vamos ver abacate é uma fruta abacate com limão tem uma lógica agora abacate com parafuso não tem gosto o parafuso é outra coisa só que quando nós estamos trabalhando o território da cidade nos encontramos o tempo inteiro abacate com parafuso o encontramos abacate com parafuso e nós temos que dar conta disso que nem o filósofo tem que dar conta disso nós psicanalistas nessas situações sociais críticas como
a gente disse nós temos o tempo inteiro e dá conta de alguma coisa que não dialogam entre si vejam nos deparamos com a morte com a violência com a miséria com nós tamo lá com nosso próprio corpo né são coisas que não tá logo entre si o Ou seja quando eu vou fazer um dispositivo Eu também preciso fazer um dispositivo criar um dispositivo que crie a possibilidade de do diálogo entre coisas que não dialogam entre si é mas aí o Badoo Coloca mais um concerto que eu queria depois eu paro de falar de concerto ele
fala mais um concerto ele disso que falando no território no espaço o vazio é essência do lugar e olha só o vazio a essência do lugar ou seja o acontecimento novo ele não pode se dar no espaço no espaço preenchimento ali está o que já é é o novo acontecimento ele tem que se dar num espaço vazio onde possa surgir o novo acontecimento e onde possa surgir o sujeito nós psicanalistas estamos sempre atrás o sujeito né Nós não conversamos com pessoas a gente até começa a conversar com pessoas mas ele tá sempre atrás Onde está
o sujeito Onde está o sujeito o sujeito está no espaço vazio na clínica individual no consultório a mesma coisa o sujeito precisa nessa clínica alipsa se criar um espaço vazio onde o sujeito possa começar a falar de si e do seu desejo e daquilo que se quer ele sabe que está dentro dele quando a gente vai fazer os dispositivos a gente pensa com o mesmo conceito esses dispositivos tem que ter um espaço vazio onde o novo possa surgir e onde a palavra possa surgir onde o desejo possa surgir onde o sujeito possa surgir bom então
é a gente vai fazendo assim Oi gente vai escutando a cidade ou vai escutando uma instituição EA partir dessa coisa que pulsa na cidade que é essa urgência muitas vezes trabalhando com o estado com secretário de estado no chama ou da Prefeitura e diz olha eu tenho um problema aqui e muitas vezes não sabe qual é o problema ele sabe que tem urgência não sabe direito qual é e nós vamos escutamos escutamos escutamos escutamos essa pessoa esse secretária até começar a entender alguma coisa sem a menor pressa de entender bom e depois nós vamos o
território e no território é que vai ter que a gente vai entender com melhor precisão o que que é essa urgência e a partir daí é que nós vamos então construir um dispositivo nessas característicos no próximo bloco A gente escuta o sujeito a gente não houve a pessoa vejam que tem uma diferença e é o que define precisamente as máquinas desejantes é o seu poder de conexão ao infinito em todos os sentidos e em todas as direções a vida nas cidades apresenta um número crescente de problemas e precariedades as novas ondas migratórias o crime organizado
o desemprego a falta de moradia e assistência às cidades deixam de ser um lugar prático Onde encontramos tudo que precisamos para nossa vida e passam a ser uma estrutura sufocante que nos condena a ser parte de uma massa cada vez mais Exausta buscando sobreviver se as cidades dos mecanismos são como resgatar seus cidadãos dessa condição de indigência que que nós estamos preocupados enquanto psicanalistas que trabalham no território nós estamos preocupados com o sujeito do desejo e nós estamos preocupados com o sujeito dos direitos nosso trabalho no território além e a clínica Esse é também vejo
pegando lá o Milton Santos que eu tava dizendo é trabalhar na possibilidade da continuidade e da afetividade isso acontece quando a gente consegue montar dispositivos onde a palavra e o afeto pode circular e as pessoas podem se encontrar e produzir projetos entre si e parcerias com o estado com a iniciativa privada acontecer o setor quem quer que seja mas projetos que sejam que vão gerando essa proximidade entre as pessoas nesse espaço vazio que esse processo vai surgir esse dispositivo e o que que a gente tem filho para a gente Tem trabalhado muito na formação de
profissionais que estão na linha de frente das políticas públicas então no Sistema Único de Saúde no Sistema Único de assistência social são os pessoais o pessoal que a gente diz que trabalha na trincheira Eu quero um contato direto com uma dor com a miséria com a Morte e a gente vai construindo dispositivos onde verdadeiramente eles possam falar e pensar acerca do seu trabalho então nós fizemos cuidar do cuidador é quando o profissional Pode falar exatamente daquilo que Ele tá vivendo no seu trabalho é isso que transformam os o trabalho esse que cuida do profissional e
são tipos de trabalho que nós fazemos outro tipo de trabalho que nós fazemos é pesquisa a partir daí nós fizemos e a partir dessas pesquisas a gente trabalhou e ajudou a construir o parça exatamente fazendo a sua escuta e contribuindo com a equipe com o material que vinha da sua escuta o que que seria necessário e urgente para fazer na cidade dentro daquilo que a cidade tinha qual a população estação de rua porque hoje é sua público muito o gestor público gestor privado do terceiro setor ele não tem muitas vezes como entender isso que tá
por debaixo desse tablado e as relações que estão aqui por debaixo não tem então ele trabalha como que tá aqui em cima e isso muitas vezes gera uma enorme perda de trabalho humano e de dinheiro e não opera na urgência social tem alguns anos atrás uma grande empresa eram chamou que eles estavam muito preocupados com toda razão que eles tinham construído um prédio grande e na cidade de São Paulo processo a sede e construíram esse prédio e com um prédio quase terminado eles virão é exatamente onde ficaria a portaria do prédio era um dos pontos
mais importantes de travestis da cidade de São Paulo que ficava exatamente na portaria do prédio e não chamaram nós temos aqui uma urgência ou emergência o que fazer Olá tudo bem diante das urgências Temos que montar um dispositivo é isso conforme a gente tá falando aqui e fizemos uma escuta territorial Montamos uma equipe e interdisciplinar e com ordenados por mim e pela melhor com psicólogos mais jovens com o antropólogo bom e com uma jornalista nós começamos a fazer escuta territorial como é que a gente faz eu te anda pela cidade plana pela cidade de repente
a gente vê alguma coisa que o mergulho um mergulho quando a gente mergulha a gente escuta o sujeito a gente não houve a pessoa vejam que tem uma diferença a gente não houve a pessoa a gente escuta o sujeito na transferência é ruim consciente Ah tá então gente escuta esse sujeito que aparentemente é difícil mas não é difícil pensa bem eu entro num bar ah e tem o sujeito atendendo de você boa tarde boa tarde tudo bem é nós estamos estudando aqui vendo como é que faz a questão com a travestis aqui E como que
como que é conta pra gente sabe o que que acontece a gente gosta muito delas vem aqui vendo bar conversam Oi e aí começa depois vai falar com motorista de táxi Bom dia como vai o senhor eu sou fazendo creme entender aqui como é que se questão da sua vez a não tem que tirar tudo daqui tem que tirar tudo daqui essas eles atrapalham muito esse lugar aqui E por que isso acontece isso acontece aquilo e de noite veja o que a gente tá escutando a cidade de noite de dia no bar vai falar com
a mulher da loja mulher da loja de Jó o jogo dou muito bem com ela posso como é clientes meus fregueses inclusivos faço aqui compram pagam tudo direitinho um tem confusão depois que ser mais ou menos entendeu território a gente vai falar com elas já entendendo Então como é que é acontecendo tá acontecendo eu e elas falam só a gente não vai ouvir lá como nós vamos escutá-las como sujeitos e ela imediatamente percebe que é uma outra escuta todas as vezes assim ó e é Nossa trabalhamos por metas eu quero comprar uma casa para o
meu pai eu trabalho por metros eu só quero que Europa aqui um ponto de passagem Europa muito interessante Então eu vou faço um plano um business plan e o faço um plano de trabalho volto é os programas muitos deles a gente marca para o internet não nós não tá ficamos a gente não trafica Oi gente não não é o gráfico não é nosso negócio mas nós precisamos ter Posso sim porque os clientes querem eu não uso mais os clientes querem Ah e assim a gente foi entrando e aí começamos a entender que tinha vizinhos que
queriam evidentemente que expulsá-los e fazer um todo um então usar um luzes para filmar os carros a chapa do carro para que a pessoa ficasse constrangida e depois eles perceberam que está absolutamente legal e assim Foram uns vendo que todas as atitudes que eles tomavam a legais e nós começamos a estudar então isso antes do nosso trabalho depois começamos a estudar muito movimento LGBT movimento social que a gente viu que você acha em preso tomar qualquer atitude repressora e ela estaria se metendo numa enorme confusão com toda razão você não carinho se metendo uma enorme
confusão Então escutamos escutamos esse foi um diagnóstico que a gente fez 20 dias não mais do que isso 15 20 dias fizemos um diagnóstico o e fomos falar com a pessoa que nos contratou nós vamos ler um texto sobre o que tá acontecendo lá embaixo o lemos o texto para ela ela ficou muito surpresa não tinha a menor ideia do que estava acontecendo eu não tinha a menor ideia de como a humanidade se dava ali naquele território uma vida humana se jogava ali naquele território vida humana se jogar fazer né saímos com ela para passear
levamos ela e ela olhava para baixo mas quanto a camisinha foi para o Zé Fulano para gente trabalhar na rua gente precisa olhar o chão se a gente não olha o que tá no chão a gente não entendi aquilo que está certo não é então depois ela levou o presidente a empresa para fazer ciúmes para você e a nossa recomendação para essa empresa foi a seguinte O que é melhor coisa a fazer era nada rigorosamente nada e eles entenderão e eles entenderão hoje e seguem lá até hoje o presidente da empresa Dias um dia diz
na reunião do conselho é esses psicanalistas fizeram Esse estudo eu estou de acordo e eu tô já cortou se tiver alguém que gosta também Aproveite porque não tenho nada contra certo e elas trabalham lá e nós trabalhamos aqui o e as coisas vão se dar conforme o território da cidade vai se delineando a cada um sobrevive com respeitosa América estão lá até hoje e no próximo bloco quando a política pública quer tirar a população de rua EA população de Rua Volta Dos Mas como que eles voltam sou de uma caso além de corrigir suas disparidades
econômicas uma cidade precisaria gerenciar a economia mental das pessoas que nela moram mas como escapar das urgências cotidianas dos problemas de uma cidade para criar espaços de cuidado como não abandonar quem já enfrenta a miséria material e também a miséria afetiva que dá é que nós estamos montando uma clínica social no bairro de São Paulo O que é mais ou menos Central mas ele é cercado por um território muito complicado de comunidades e favelas muito consagradas e tem uma instituição ali que é muito bem equipada Que nós conhecemos tem ambulatório que tem creche que tem
um setor que trabalha com adolescentes em conflito com a lei que foi assim que nos conhecemos instituição que tem em contraturno escolar que tem um curso profissionalizante e eles estavam insistindo há muito tempo que a gente montasse um serviço Clínico ali o tanto para atender os funcionários como para atender a comunidade que frequenta a instituição que que nós estamos fazendo de novo a escuta territorial Então nós vamos falar com a enfermeira do ambulatório e perguntar mas o que aparece aqui que é tão que é mais grave tem até pressão tem a questão sexual tem a
questão de tijolo em conta um monte de coisa a gente já começa vai falar com uma enfermeira da creche a relação com os filhos é muito complicada pega que do dia no dia seguinte a criança vem com a mesma fralda que a comunidade eu não tenho dinheiro para trocar fralda que as pessoas estão sem comida Então as crianças chega a questão do lanche e da merenda é muito importante pega com as famílias que as mães não sabem como lidar com essas crianças e vai falar com o motorista do do carro que vai levar as crianças
para escola começaram a fazer algumas visitas domiciliares Na Favela Também é Sim estamos estudando para ver qual é a principal urgência Quais são as principais urgências que tem ali e quais são os dispositivos de atendimento que a gente vai fazer que tem uma ver com essa urgência tem a ver com essa urgência Então nós vamos fazer atendimentos individuais alguns para determinar os casos para outros casos não vão fazer grupos vão fazer grupo mas que tipo de grupo nós vamos fazer pensando nesses conceitos todos que eu trouxe aqui para vocês mas que nós vamos fazer o
grupo um grupo aberto e ninguém vai falar eu peço áudios ninguém vai falar vocês vão façam isso a enfermeira nos a vida todo mundo avisa não vamos falar porque que eu não vou falar Porque se forem falar vão ter que falar os conflitos que tem na comunidade que não pode falar porque se expõe muito pra gente está estudando exatamente quais são essas demandas mais agudas e o que nós estamos pensando não não decidimos ainda é como estruturar os grupos a partir dessas demandas que não seja uma fala e que a pessoa tem aqui falar tudo
que ele tem que expor expor no território agora se eu for um grupo para falar como é que eu lido com meu filho se for um grupo para dizer bom que que eu faço com o pessoal que está deprimido na minha família é como fala fazer um grupo para tratar os conflitos familiares vão falar então vejo se a gente for é como um ficar na lista de classe média montar um consultório de classe média ali não vai funcionar essa experiência eu tenho desde que eu comecei a trabalhar com adolescentes e crianças de rua em 1976
há 43 anos tênis e era uma pergunta que não me sair ainda na faculdade psicologia disse assim bom mas se a gente atende no consultório é porque que só podemos atender no consultório é porque que eu não posso atender em outro lugar e aí eu fui fazer o estágio numa numa Associação que existe até hoje que eu gosto muito chama-se a sua o Afe organização de auxílio fraterno são as freiras oblatas com táticas que entendem tudo de boa tudo eu ia fazer rondas noturnas com elas embaixo dos viadutos e eu descobri que era simplesmente dizer
boa noite Como vai senhor como é que sotaque tá acontecendo aqui como é que só chegou aqui não precisa mais do que isso a pessoa falar é muito porque ninguém nunca perguntou isso para esse sujeito nunca ninguém perguntou o que está em jogo o trabalho no território é uma atitude de escuta e é uma atitude de escuta Oi e a gente não tem receio de escutar um outro exemplo de política pública de situação generalizável ainda com a população de rua tô pegando esse exemplo posso pegar outros é quando a gente começa a entender que uma
pessoa não vai para rua por uma ruptura sódio zinco Ela vai para rua porque rompe uma coisa compra a família contra o trabalho compra educação contra a comunidade e ela vai para rua oi e ela vai para rua estabelece todos esses Laços que ela tinha anteriormente na rua e a gente começa a escutar isso na clínica que ele não consegue sair na rua que tudo que tá ali que é dele tá ali opa é isso aqui é política pública e quando a política pública quer tirar a população de rua Oi e a população de Rua
Volta disso mas como que eles voltam soderma caso eles voltam porque tudo aquilo que importa para ele está ali o mundo mudou muito nós estamos um período de uma profunda transformação profunda transformação no Brasil e no mundo um trabalho social e eu não acho que ele devo a continuar sendo esse sendo feito como ele era feito antes eu acho que não comporta mais eu acho que nós temos que encontrar outros caminhos temos que encontrar os cabelos eu penso o que o trabalho social o trabalho no território hoje não é necessário que a gente encontra um
outro pacto que encontre outras parcerias O Estado está completamente sobrecarregado e complicadíssimo nós quem trabalha aqui com as políticas públicas ver o desmanche que o Estado está tendo né então tem uma capacidade algumas coisas é necessário o estado e é preciso mas é muito importante que a empresa privada também entra com a sua parte dessas Tavares e é muito importante e o terceiro setor também entre a sua parte neste trabalho então na crise social entre nós estamos eu vou terminar com Freud novamente em 1918 porque nós estamos mais ou menos como em 1918 no fim
da primeira guerra mundial não é isso ou nós inventamos coisas novas e para operar no território ou nós não iremos dar conta bom então eu espero que a psicanálise possa contribuir junto com outros saberes exatamente para gente operar nessas situações sociais tão crítica mas reflexões no site e Facebook do Instituto CPFL e no canal do Café Filosófico no YouTube Os migrantes que vieram da zona rural e que estão nos morros da nossa cidades e tem aqui uma fragmentação do território mas não há uma reterritorialização dos laços não é um novo Território que se existe uma
repetição com Tina da fragmentação das vidas que se deram na sua passagem do campo para a cidade é E aí [Música] E aí