Olá, moçada! Bom dia, tudo bem? Sejam bem-vindos de volta!
Dia 9 de março, moçada, hoje uma meditação importantíssima. Bom, como se as outras não fossem. Na verdade, uma dose dupla de meditações estoicas escolhidas pelos nossos autores, muito bem escolhidas, aliás, sobre um aspecto fundamental da nossa existência.
Engraçado que um aspecto que tem sido reforçado pelos estudos mais modernos na área da Psicologia é a questão da ambiência, o modo como o ambiente impacta o nosso modo de ser, o modo como nós nos construímos. Nós temos duas meditações aqui no dia 9 de março: uma de Epicteto e outra do quarto nome desse grande quarteto da filosofia estóica do período romano, que é o Mônio Rufo. Ele já esteve aqui numa meditação anterior e agora ele volta.
Mas, sem mais delongas, espero encontrá-los todos bem. Vamos direto à leitura, primeiro do Epicteto, que diz: "Acima de tudo, fica de olho nisto: que nunca fiques tão preso a teus velhos amigos e conhecidos a ponto de ser rebaixado até o nível deles. Se não o fizeres, estarás arruinado.
Deves escolher se vais ser amado por esses amigos e continuar sendo o mesmo ou se vais te tornar uma pessoa melhor em detrimento dessas companhias. Se tentares conciliar as duas coisas, nunca farás progresso, nem farás o que tiveste um dia. " O modo como nós escolhemos aquelas pessoas com as quais vamos conviver—os nossos amigos—são, para nós, de alguma maneira, um reflexo do modo como nós vemos a vida.
E não é uma questão de ser snob, de ser arrogante, nem nada disso, mas de querer uma versão melhor de si mesmo. Você pode ficar aí com o seu grupo de sempre, com seus amiguinhos de infância, fazendo exatamente as mesmas coisas, pensando meio que mais ou menos igual, etc. , etc.
Esse ambiente medíocre, no sentido latino da palavra, né? Mediano, que não é nem muito para cima, às vezes também não é muito para baixo, ele vai te determinar também. Cuidado!
Existe uma frase que eu sempre cito, salvo engano, é do Sêneca, que diz que se você convive com um limpador de chaminés, é impossível que você não se suje de fuligem. Se você convive com um limpador de chaminés, vai ter fuligem em você. Se você convive com um grande leitor, é impossível que isso não te toque de alguma maneira.
Se você é casado com uma pessoa que te alavanca, que te joga para cima, isso vai contaminar positivamente o seu modo de ser. Não existe uma pessoa indiferente. "Ah, não, mas esse meu amigo, esse cara, eu gosto dele, é indiferente.
" A presença dele não, minha esposa! "Ah, não, é lá essas coisas, mas é indiferente, tá ali, tudo é joinha. " Não existe isso de pessoa indiferente; ou ela te coloca numa situação melhor, ela é para você uma mola propulsora, ou ela te joga para baixo.
É como a busca pelo conhecimento: ela nunca pode parar. Se ela para, ela regride. Você não para no ponto em que você está e fica nele, não!
Ou você está avançando, ou você está regredindo, ou você está ficando mais inteligente, ou você está emburrecendo. Assim é a convivência com as pessoas. Existe um segundo comentário do Mônio Rufo que diz: "De boas pessoas aprenderás o bem, mas se te misturar aos maus, destruirás a alma que tinhas.
" Existe uma frase de Platão que eu adoro: "Os iguais vão com os iguais. " Quando você olha para os seus amigos, entenda: você é mais ou menos aquilo ali. Os iguais acabam.
. . um cachorro cheira o outro, não é isso?
De maneira mais vulgar, um cachorro cheira o outro. Um bandido chega na cidade nova, ele não vai procurar o padre, ele não vai procurar o gerente do banco, ele não vai procurar o advogado; às vezes, vai para se defender, mas ele vai procurar onde estão os outros bandidos, porque os iguais vão com os iguais. Se você gosta de filosofia, você vai procurar gente que gosta de filosofia, que troca ideia sentado num café, lendo um livro, clube de leitura.
É isso que você vai procurar. O fato de você estar aqui, nesse canal, assistindo diariamente leituras históricas, diz o tipo de companhia que você está procurando. Você dificilmente vai encontrar isso daqui num baile funk, dificilmente.
E não é uma crítica apriorística, é só o reconhecimento de um fato. No comentário dos nossos autores, a frase mais citada do empresário palestrante Jim Rohn, talvez seja mais correto, é: "Você é a medida das cinco pessoas com quem passou mais tempo. " Essa frase batida de internet, mas que tem lá sua sabedoria.
Oem James Clear aconselha jovens escritores e empreendedores a encontrar seu ambiente, um grupo de pessoas que os pressionem a ser melhores. Eu me lembro, quando eu nadava, eu fui nadador durante muitos anos, tive uma carreira como atleta da seleção brasileira, e quando eu queria melhores resultados no treino, quem que eu procurava? Quem eram os caras que treinavam melhor para eu estar na raia ao lado ou na mesma raia?
Eu ia fazer uma série de 10 tiros de 200 m, e falava: "Quem? Qual é o cara que tá com os melhores tempos em séries assim? " "Ah, é o fulano de tal, então eu vou para a raia ao lado, porque eu vou sair com ele no bloco, eu vou tê-lo como parâmetro.
" Quem é o seu parâmetro? Qual é o seu parâmetro de excelência ou de mediocridade? Quando eu fui fazer.
. . É ruim a gente ficar autocentrado assim, né?
Mas eu me orgulho dessas coisas. Quando eu fui fazer doutorado na Itália, "Fi", assim: onde no mundo estão os melhores estudiosos de Platão? Nessa área que eu sou um especialista em Platão.
"Ah, os melhores estudiosos de Platão nessa área estão em tal lugar, é para lá que eu quero ir. " Não vou fazer meu doutorado no Paraguai. Não vou fazer meu doutorado, entendeu?
Eu vou lá para a Europa, onde estão os caras que estão estudando com mais afinco essas páginas sobre o AOR, e isso te coloca em outro patamar. A simples convivência, o modo de ver como os caras trabalham, já te coloca em outro patamar. Então, essa coisa de nascer nessa cidade, os mesmos amigos, você gosta das mesmas pessoas, você odeia as mesmas pessoas pelos mesmos motivos.
Você entra no restaurante, chama todo mundo pelo nome, todo mundo te chama pelo nome. Isso não te causa nenhum desconforto, isso não te causa nenhuma vontade de crescer. Escolhas, vida medíocre.
A escolha, seu pai pode lhe ter dado um aviso quando viu você andando com as companhias. Lembre-se: você acaba se tornando seus amigos. Meu pai sempre me falava isso, meu pai e minha mãe sempre diziam: “Você anda com gente igual ou melhor a você, nunca pior.
” Nossa, eu tinha 2 anos de idade, acho que eles já me falavam isso. Você anda com gente igual ou melhor, nunca pior. Uma das máximas de G transmite melhor essa ideia: “Diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és.
” Toma consciência, tome consciência de quem você permite que entre na sua vida. Não como um elitista snob, mas como alguém que está tentando viver a melhor vida possível. É complicado.
Se eu quero ser um vegano, conviver com uma galera que vive na churrascaria, entende? Então eu tenho que me recolocar. A ambiência conta muito.
Ah, eu quero ser um grande leitor e só convivo com gente que odeia livro… fica muito difícil, fica muito complicado, atrapalha esse projeto. Pergunte a você mesmo sobre as pessoas que conhece e com quem passa tempo: elas estão me tornando melhor? Elas me encorajam a seguir em frente e me consideram responsável ou me arrastam para o nível delas?
Agora, com isso em mente, faço a pergunta mais importante: devo passar mais ou menos tempo com essas pessoas? Nossa, gente, olha, eu conheço muitas pessoas. Amigos, eu tenho pouquíssimos, pouquíssimos.
Eu procuro selecionar muito, porque são pessoas com quem dá para você ter uma boa conversa, dá para você ter um aprofundamento quando precisa ter um aprofundamento, mantendo-se num nível de boa comédia quando é para ter um nível de boa comédia. Eu tenho muito cuidado com esse tipo de coisa, porque já errei também nas minhas avaliações e posso errar em algum momento, mas é bom a gente ficar sempre tomando cuidado. A segunda parte da citação de G nos diz o que está em jogo, né?
Essa escolha. “Se eu sei como passas teu tempo”, disse ele, “então sei o que pode vir a ser de ti. ” Quando eu olho para aquilo com que você gasta o seu tempo, eu sei o que vai ser de ti.
É inevitável. Uma pessoa que lê, uma pessoa que fala de filosofia, uma pessoa que fala de alta cultura não tem como ser diferente daquilo que ela consome. E o mesmo serve para o que é medíocre ou inferior.
Cuidado com as companhias, com a ambiência. E isso serve não só para pessoas, mas eu falo do ambiente do seu espaço mesmo. A minha família sempre teve uma grande preocupação em ter, desde que a gente era muito pequeno, em casa, um espaço que era tão importante para nós quanto a cozinha, que era o que a gente chamava de escritório, o escritório da casa.
Eu lembro que eu mal andava, tinha lá a minha escrivaninha, a escrivaninha da Érica, minha irmã, ou uma estante de livros. Nunca faltou. A gente assinava jornais físicos, né?
Era a época de assinatura dos jornais físicos. Outro dia, a gente estava falando disso do seu pai também, né, amor? Então, era assim.
Na minha casa, era da seguinte maneira: eu quero ver televisão, minha irmã quer estudar, ela tem prioridade. Então você baixa a televisão ou você desliga a televisão. Você não quer estudar?
Não vai estudar. Mas quem vai estudar, quem vai ler, tem prioridade sobre todos os outros. Ah, a gente queria ficar ouvindo música no quintal e não sei o quê.
Isso vai atrapalhar o estudo da minha irmã ou meu estudo, então nós não vamos ouvir a música agora. É ambiência, cara, é ambiência! Isso diz tudo.
Hoje, eu me lembro de quando a gente treinava de madrugada. Outro dia mesmo, falando com o meu técnico, com o Gino, falei: “Gino, como é que a gente era moleque, treinava 5 horas da manhã na água gelada, água de 16º, 15º, 17º de frio. ” Aí a gente está falando dessa questão da ambiência.
Ele passava na porta de casa, pegava a gente, um punhado de amigos que faziam exatamente a mesma coisa, e a gente saía de lá feliz, estava todo mundo imbuído daquela visão de mundo, né? Por isso é muito bom tê-los aqui. Tenham um excelente dia, gente.
Beijo!