[Música] a nossa ideia tentar responder como está a saúde mental das mulheres no pós pandemia né e o que que incide né O que que Quais são as estruturas sociais que compõem os sofrimento das mulheres né então a gente tá levantando vários dados e também conversando com especialistas para entender né como é que são essas dinâmicas essas relações E essas pressões que as mulheres sofrem e que geram esse sofrimento psíquico né e o que a gente identificou até agora através dos dados Júlia é que os dados assim são muito claros em mostrar que as mulheres
são maioria né nas diagnósticos de ansiedade depressão que são os transtornos mentais mais incidentes no Brasil e enquanto os homens eles representam mais transtornos causados por substâncias mas que ainda tem um número bem menor O que que a gente pudesse resumir isso né O que que gera essa diferença tão grande porque que as mulheres estão tão mais representadas né nesses diagnósticos que estruturas que estão por trás disso você diria assim na tua experiência se eu fosse resumir em uma palavra machismo o machismo me explica acho que boa parte dessas questões né explica por exemplo Porque
que as mulheres exercem mais práticas de autocuidado do que os homens são a maioria nos consultórios são nos consultórios de saúde em geral né mas especificamente em termos de saúde mental são a maioria nos consultórios de Psicologia nos consultórios de psiquiatria porque elas buscam mais ajuda né compensação os homens né eles são a minoria justamente porque eles têm esse entendimento né de que ser homem né será autossuficiente a ser forte né isso acaba muitas vezes fazendo com que eles não entrem em contato com as próprias questões com as próprias emoções eu até tava lendo alguns
dados recentemente é sobre suicídio por exemplo né o suicídio ele é uma das principais causas de morte não a maior causa de morte no mundo né então estima-se segundo a Organização Mundial da Saúde e em torno de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente no mundo né a maior causa de mortes entre jovens no mundo então é uma taxa é bastante importante elevada né e os dados mostram também Inclusive tem um boletim epidemiológico do Ministério da Saúde que é de 2021 falando que os homens apresentam quase quatro vezes mais chance de cometer suicídio do que
as mulheres né E aí vai se falar um pouco sobre essas questões de gênero né e o próprio boletim fala né possíveis hipóteses né que fazem o que né O que a gente pode trazer para que os homens seja a maioria é dos casos de suicídio notificados porém as mulheres são as maior a maioria nos consultórios de Psicologia né Acho que tem de psiquiatria enfim né Acho que tem uma relação bastante interessante as mulheres buscam mais Apoio às mulheres buscam mais ajuda né exercem mais as práticas de autocuidado justamente porque essas mulheres né são ensinadas
historicamente a buscar em Mais ajuda e entrar em mais Eco contrato com as próprias emoções Né nenhuma mulher vai ser chamada de fraca ou de frouxa né Se ela chorar em compensação o homem né ele aprende desde pequenininho que ele Não Deve Chorar né ele deve reprimir essas emoções Então essa ideia de masculinidade né feminino esses estereótipos eu não gosto nem de usar o termo papel de gênero Não porque eu acho que papel de gênero dá uma ideia de que existe papel a ser exercido por homens ou mulheres essa coisa bem binária né Eu acho
que existe uma ideia de estereótipo mesmo né do que a sociedade espera e atribui né a homens e mulheres e essa ideia que eu acho que hoje em dia voltou com muita força né nas redes sociais a gente vê aí movimentos de coach ganhando fortunas né estabelecendo Essa lógica de que mulheres né precisam apresentar um conjunto determinado de características e os homens outras né e que eles necessariamente precisam ser diferentes né Então as mulheres elas buscam mais ajuda e isso atua como fator de proteção né então quando a gente vai pensar em conceito de fator
de risco de proteção né O que que é o fator de risco fator de risco é tudo aquilo que nos coloca nessa condição de vulnerabilidade né E aí se a gente for pensar em termos de gênero nesse recorte né as mulheres são muito mais vulneráveis né sobre vários aspectos E aí a gente vai falar um pouquinho mais sobre especificamente depois mas os homens mas a saúde mental a busca de apoio né A Busca pelos Serviços de Saúde esse autocuidado né enfim acaba atuando como fator de proteção para essas mulheres ou seja diante dos fatores de
risco né diante dessa realidade que as mulheres historicamente são mais vulneráveis né pela própria questão de gênero né pelas expectativas sociais que são colocadas sobre as mulheres as constantes violências e micrograções das quais dessas mulheres estão expostas né a cultura machista que coloca essa mulher numa condição de vulnerabilidade principalmente não sei principalmente mas né num papel no lugar importante a sobrecarga de trabalho né colocado nos ombros dessas mulheres faz com que essas mulheres sejam mais vulneráveis mas elas também buscam mais ajuda né então mulheres é elas são maior número de Diagnósticos né de ansiedade depressão
estresse Elas têm mais elas mulheres elas relatam mais e de ação suicida do que os homens e até mesmo tentativas de suicídio são mais comuns em mulheres do que homens só que o suicídio em si é mais comum em homens do que mulheres né e uma das hipóteses de que os homens eles são mais agressivos né pela própria cultura que legitima essa agressividade eles têm mais acesso a arma de fogo né então eles eles buscam essa essa pratica um ato de forma mais consistente incontendente do que as mulheres né por meio de objetos uso de
objetos mais letais é os homens são mais impactados que as mulheres por essa dimensão Econômica E aí a gente entra de novo na questão do papel de gênero e da masculinidade né que impõe que esses homens sejam os provedores né Então essas oscilações econômicas elas deixam fazem com que os homens sejam mais vulneráveis nesse sentido né É E os homens buscam menos a rede de apoio né uma rede de apoio efetiva por outro lado né as mulheres fazem mais usos né nas tentativas de suicídio de medicamentos né e outras tentativas que muitas vezes não são
efetivas né Essas Mulheres sobrevivem né a essa a essa tentativas de suicídio mas é ela sofre muito mais né Elas não conseguem levar acabam muitas vezes né mas aí depois elas vivem né O resto da vida tristes culpadas né sentenciadas e estigmatizadas né como mulheres que não se amam que mulheres que são egoístas mulheres que pensaram né em deixar a família em deixar os filhos né Então isso acaba sendo uma sentença né de culpabilização para suas mulheres para o resto da vida existe também um fator aí nessa busca maior pelo cuidado também essa necessidade de
eu preciso estar bem para cuidar assim isso pesa assim um pouco assim no sentido do homem ser mais fechado e mais individualista digamos assim tem essa pressão pelo provimento econômico mas a mulher tem que estar ali disponível emocionalmente né Por uma família isso também pesa nessa busca de ajuda maior assim por esse cuidado de saúde mental Provavelmente sim eu não tenho nenhum dado assim específico falando sobre isso né mas assim a mulher né é criada nós somos criadas para sermos cuidadores né o conceito de cuidado é atribuído a mulher historicamente né Isso é uma questão
secular ocidental Oriental a mulher exerce esse lugar de cuidado né E isso traz uma responsabilização né Essa Ideia de que essa mulher ela precisa abdicar de si mesmo e ser extremamente devotada ao cuidado do outro né então a mulher é a principal responsável pelo cuidado dos filhos e mesmo com todos os avanços sociais isso é ainda é uma diferença gritante né embora a gente veja hoje em dia nos parquinhos muito mais papais brincando com as criancinhas né Na hora de que a coisa aperta né E que o homem ou mulher precisa casal precisa decidir quem
abre mão das suas demandas para exercer o cuidado sempre vai ser ou né provavelmente para a gente não ser assim taxativo né vai ser a mulher que vai fazer esse movimento de abrir mão é as mulheres são a maioria nos cuidados de idosos né então por exemplo aquela situação em que os filhos algum filho precisa se encarregado cuidado com os pais né basicamente quem faz esse essa prática de cuidado é mulher então a gente aprende isso desde criança a gente aprende quando a gente ganha bonequinha quando nos dizem que a gente tem que né cuidar
da bonequinha colocar a boneca para dormir né ou quando essas meninas né acabam assumindo muitas vezes o cuidado dos irmãos mais novos né ou quando elas são convidadas né a cuidar ajudar a mãe no Cuidado da casa enfim nos trabalhos domésticos estimulado ajudar o pai fora de casa ou exercer outros papéis que não sejam de cuidado né então é muita coisa mudou mas Nem Tudo mudou na verdade muita coisa mudou muita coisa não mudou acho que esse é o grande paradoxo né É então sim a gente tem isso como uma grande missão né uma atribuição
e isso nos coloca nesse lugar de que a gente tem que segurar o rojão o tempo todo né E para segurar o rojão a gente precisa também então Acho que sim isso é uma variável importante né E isso traz também muita culpa né porque a gente se culpa eu digo uma vez eu falei né nasce uma mãe nasce uma mulher culpada mas eu acho que se a gente pensar é anterior a isso né nasce uma mulher nasce uma pessoa culpada né porque a gente tem toda essa expectativa que é colocada sobre a gente e a
gente cresce né com a missão de dar conta de tudo existe todo uma romantização dessa ideia de que a gente tem que dar conta de tudo né esse conceito de mulher forte mulher guerreira né mulher multiteskin né multi-tarefa acho que isso são artifícios né dispositivos que nos colocam aquela ideia de seja sobrecarregada mas seja uma sobrecarregada feliz né então acho que tem muito a ver com isso também né Essa Ideia de que nós temos aí um poder o super poder né de ter de conseguir dar conta de tudo então a mulher que não consegue ela
falha e afinal de contas nós somos assim tão poderosa se a gente falha nessa possibilidade de dar conta de tudo então nós temos algum problema se eu não consigo ser uma uma mãe primorosa uma ótima profissional cuidar da casa é com Primor E ainda por cima Está linda e maravilhosa para o marido à noite né e super disponível para transar bom tipo de mulher eu sou alguma coisa de errado alguma coisa de errado que tá acontecendo alguma coisa tá acontecendo de errado né então eu preciso buscar ajuda preciso buscar ajuda eu preciso entender Qual o
meu problema o que que eu tenho de errado que eu estou fazendo que não tá certo porque afinal de conta se alguma coisa não tá funcionando a culpa é minha sou eu sou eu que tenho aí alguma coisa que precisa tratar precisa resolver isso a maioria muitas vezes é dito é Dito pelo outro se eu tô lá lavando a minha louça chorando não vai faltar você não tá bem você tem que ficar ajuda ninguém vai parar para pensar espontaneamente que se eu tô lá lavando a louça chorando é porque existe um contexto né que favorece
o meu adoecimento no sofrimento existe uma razão para minha dor né E isso não significa que essa que isso é um defeito meu né tipo que eu tenho algo tem uma vulnerabilidade individual mas que eu tenho um contexto adoecedor relações adoecedores né mas o pensamento automático o movimento automático é se você não tá bem você buscar ajuda porque problema é seu é alguma coisa com você e a gente internaliza isso acho que isso conversa muito também com até com a minha próxima pergunta que a historicamente a loucura a histeria né entre aspas assim foram atribuídas
as mulheres assim justamente porque a mulher que questionava essas normas era tratada né como se tivesse um problema né assim mas e a gente também tem evidências de que as mulheres são mais medicalizadas né E que recebem mais este diagnósticos né então esses números também podem estar impactados por isso assim que as mulheres é mais fácil uma mulher receber o diagnóstico de depressão ansiedade do que um homem assim é difícil dizer né em termos de profissionais de saúde se a gente pensar no profissional de saúde mental que emite um diagnóstico seja ele psiquiatra psicólogo que
é o contrário do que muitos pensam psicólogo também psicólogo também pode né dar diagnósticos é complicado pensar que esses diagnósticos possam estar enviesados mas a gente sabe também que ninguém é tábula rasa né De que estamos inseridos dentro de uma cultura dentro de contexto que o viés é acaba né acontecendo e que nem todos os profissionais vão saber lidar com isso então sim né Eu conheço um caso vários casos Eu Sou psicóloga Clínica atualmente né Eu pedi demissão do meu emprego de professor e pesquisadora né na universidade na PUC do Rio de Janeiro justamente porque
eu senti essa necessidade de poder fazer esse trabalho mais individualizado com mulheres hoje eu atendo mulheres do Brasil fora do Brasil atendo só mulheres exclusivamente mulheres porque essa questão de gênero sempre foi uma questão muito importante para mim e São muitos os casos das mulheres que chegam no meu consultório depois de terem tido experiências com profissionais homens ou mulheres né é experiências nas quais ela se sentiram desrespeitadas na sua condição de mulher né de Diagnósticos que elas discordavam então assim ó chego eu tive um pós-parto difícil meu marido não estaria aí para mim não tá
nem aí para criança eu passo as madrugadas todas todas acordada enquanto ele ele dorme no final de semana ele joga futebol o dia todo com os amigos vai para o churrasco no domingo joga no sábado e eu fico sozinha com bebê de noite quando ele chega do trabalho eu tô aqui numa suposta lua de mel com meu filho que é isso que se espera de uma mulher ele licença maternidade que ela esteja lá plena descansando e dormindo né e curtindo o seu bebê né mal sabe as pessoas o quanto a licença maternidade ela é solitária
né cansativa e em muitos aspectos devastadora e ele chega do trabalho à noite na expectativa de que ele vai poder descansar pegar o filho 5 minutinhos cheiroso limpinho né que depois ele vai poder seguir a rotilhinha dele de banho demorado futebol na TV cervejinha né jantar com calma jantar uma comida quente que isso é algo muito difícil para uma mulher que quando se tem filho pequeno e poder fazer o sono maravilhoso reparador dele enquanto a mulher dá conta né então é [Música] muitas vezes essas mulheres chegam nos consultórios dizendo Olha eu estou muito triste eu
quero eu tenho vontade de tirar a própria vida eu não tô bem eu só tenho vontade de chorar eu tenho medo de tudo né eu não consigo relaxar e aí veio diagnóstico de ansiedade e depressão totalmente descolado do contexto das experiências que essa mulher vive né então isso é um debate na área de saúde mental né porque a gente não consegue atomizar a gente é impossível você embora isso aconteça muitas vezes na prática né é impossível não dá para você descolar a pessoa do seu contexto e do seu contexto quando eu falo o contexto história
eu tô falando de contexto atual A Realidade Atual Mas também essa Cultura né esse cenário social e histórico no qual a gente está inserido E aí entrando um pouco né na tua experiência hoje no consultório Quais que são as principais queixas assim das suas pacientes quando elas chegam aí assim o que que você tem e como que isso não sei se faz quanto tempo se tá só no consultório Mas como que isso mudou assim durante a pandemia não posso a pandemia né Essas queixas O que aconteceu é fazendo assim o meu trabalho na clínica online
né se intensificou Com certeza na pandemia né então de 2020 para cá eu já consigo fazer assim uma análise bem interessante assim as mulheres chegaram sobrecarregadas em 2020 e as mulheres continuam chegando sobrecarregadas em 2023 né a pandemia no período de suposto confinamento né que no Brasil de fato nunca aconteceu um confinamento né propriamente dito mas naquele período de maior restrições isolamento que as pessoas ficaram mais em casa essas essa sobrecarga ela se acentuou porque aquela mulher que era responsável pelo cuidado Continuo sendo uma diferença né que aquela aquela terceirização desse cuidado né a creche
a babá né a sogra a mãe a vizinha né já não podiam estar tão disponíveis então isso Acabou recaindo mais sobre a mulher né E muitas das queixas que chegaram nesse período de maior isolamento era relacionadas ao cuidado né ao excesso de de demandas né em cima dessas mulheres e desentendimentos com parceiro as taxas de divórcio estouraram no mundo todo né E muito se atribui ao fato de que essa convivência se tornou compulsória então é muito diferente você se relacionar com seu marido né tipo no início da manhã Bom dia meu amor e vai cada
um para o trabalho né E se encontra no final do dia é muito diferente do que você conviver 24 horas né então muitas chegaram a função disso desentendimentos com os maridos com os parceiros né A grande maioria da maioria das minhas pacientes são [Música] relacionamentos heterossexuais né então cara que tem esse recorte que a gente precisa considerar né mulheres solteiras que moram sozinhas que têm relações com outras mulheres né as queixas são diferentes mas as mulheres que vivem em relacionamentos com homens elas trazem muito isso assim trazem muito isso na pandemia Olha eu tô cansada
meu marido não tá nem aí meu marido não divide as tarefas comigo eu tô tendo que trabalhar em Home Office E ainda ter que dar conta de tudo sozinha e eu não aguento mais hoje em dia é a questão é a pandemia acabou eu voltei para o trabalho presencial mas continuo extremamente sobrecarregar então assim nove entre 10 das ilhas pacientes chegam no consultório porque cheio de sobrecarga então o que que acontece né Hoje em dia as mulheres são a maioria das a maioria dos lares hoje em dia tem a mulher com o principal provedora né
pelo menos os últimos dados que eu vi mas acredito que isso não mudou então assim bom que justificava entre aspas a mulher estar sobrecarregada dentro de casa o fato do homem ser provedor Tá OK mas e agora que as mulheres são as provedores porque que elas continuam assumindo todo o trabalho doméstico eu lembro de um caso de uma pessoa que me disse que ela ela estava sem trabalho o marido trabalhava aí ele chegava do trabalho ela cuidava de toda a casa sozinha cuidava da filha e quando ele chegava do trabalho ele chegava de madrugada ela
acordava botava o relógio despertar para colocar a comida na mesa para ele que chegava com fome e ela achava isso justo porque afinal de contas ele estava ganhando e ela não estava trabalhando e essa é uma outra questão importante a invisibilidade do trabalho doméstico a invisibilidade do trabalho de cuidado porque é o trabalho né eu falo muito para minhas pacientes né que não estão trabalhando muitas foram demitidas no pós-parto né no retorno da licença maternidade Isso é uma questão muito séria né tem o caso de amigas minhas que precisaram que treinaram capacitaram né pessoas durante
a gravidez a gestação para poder co brir o GAP na licença maternidade delas mas na verdade ela estavam treinando substitutos né porque quando elas voltam ela só demitidas e aquela pessoa que elas treinaram assumem o lugar delas né Tem vários casos assim nas minhas relações pessoais que isso aconteceu eu me perdi no que eu estava falando não me ajudar como que tá falando disso eu falo tanto não tô te ouvindo não você tava falando que não mudou né o fato das mulheres aí eu tava falando especificamente desse caso dessa pessoa que eu conheci e que
acordava de madrugada para colocar comida para o marido que chegava do trabalho e aí esse marido foi demitido né E essa mulher precisou né trabalhar fazer faxina trabalhar informalmente fazer mil coisas então todo dia ela acordava 5 da manhã né organizava tudo e ia trabalhar e voltava à noite e mesmo assim ela continuou Fazendo tudo sozinha mesmo ela sendo a única provedora e o marido continua passou a ficar em casa sem fazer nada e ela né ele não procurando Mais Emprego Porque ela tava dando conta das contas né financeiramente ela supria e do ponto de
vista da demanda doméstica ela sofria também cuidado com o filho ela sofria também E aí esse marido arrumou emprego voltou a chegar de madrugada ela continua trabalhando mais horas fora de casa ganhando mais que ele mas em compensação ela voltou a acordar de madrugada para colocar a comida dele no prato se não bastasse sentar junto com ele para ele não comer sozinho né Então as mulheres elas assumiram esse lugar no espaço coletivo no mercado de trabalho que isso é uma luta histórica né do movimento feminista então sim conseguimos né com muitas dores e muitas dificuldades
e muitos obstáculos mas estamos do lado de fora de casa trabalhando ganhando nosso dinheiro culpando nossos lugares nossos cargos né porém isso não nos tirou desse compromisso dessa responsabilidade do trabalho doméstico então a sobrecarga ela vem muito nesse sentido porque se antes a gente tinha que ser muito boa né na nossa missão de mãe mulher e dona de casa esposa e dona de casa né agora a gente também tem que dar conta de tudo isso mais todas as demandas do trabalho então eu acredito que a sobrecarga né Ela é uma das principais razões senão a
maior né da busca da lua do crescimento das mulheres e da busca por ajuda né Por cuidado em termos de saúde mental eu vi um estudo recentemente eu não tenho os dados aqui eu preciso precisaria procurar Mas eu vi um estudo recentemente falando né de que os casos de declínio cognitivo né a incidência de declínio cognitivo e o diagnóstico de demências né das mais diversas demências incluindo Alzheimer tem teria uma relação tem uma relação com esse histórico de sobrecarga que as mulheres são submetidas né então uma mulher que eu preciso procurar um estudo se eu
não me engano Eu até vou procurar aqui rapidinho [Música] então assim aqui ó apareceu bem rapidinho só uma Uma Eu só coloquei isso aqui já apareceu né as mulheres são desproporcionalmente mais afetadas pela doença de alzheimer elas correspondem a dois terços de todos os pacientes com Alzheimer e a maioria esmagadora dos cuidadores de pessoas com Alzheimer são mulheres né Então as mulheres são quase duas vezes mais propensas que os homens a desenvolver a doença de alzheimer então é muito interessante essa questão né então assim [Música] os fatores de risco eles são né as quais a
gente ou mulheres estamos expostas são imensos é todo um contexto é todo um sistema que opera para manter a mulher nessa condição e nesse status né de vulnerabilidade e que vai trazer desdobramentos ao longo da vida toda então pensando transversalmente né hoje o momento presente eu estou sobrecarregada eu estou estressada eu estou triste eu estou deprimida eu estou ansiosa eu estou sobre efeito de medicação né que é algo que tem também todo um estigma assim como a busca psicoterapia né então fazer psicoterapia ou tomar uma medicação antidepressivo isso muitas vezes está associado a ideia de
fraqueza é um atestado de que você falhou de que você não deu conta né então existe também o estigma social muito forte em relação a isso né embora ele seja menor nas mulheres do que nos homens né se ele perguntou a questão do estigma da loucura bom muito antes de se falar e loucura já se falava em Bruxas né então tudo aquilo que fugia da Norma era considerado né qualquer comportamento desviante era considerado loucura né eu conheço casos de mulheres que né eu lembro que quando eu estava na graduação fiz uma pesquisa sobre o movimento
de desinstitucionalização né a luta de manicomial no Brasil e os modelos de atenção à saúde mental existentes na época essa ideia de caps né de capsi tava tava começando né Foi lá no início dos anos 2000 então eu tive oportunidade de conhecer um Hospital Psiquiátrico né que já não recebia mais pacientes mas que ainda contava com algumas alguns poucos pacientes né nas suas instalações conheci alguns Caps já instalados e funcionamento e Algumas casas de passagem né que faziam esse processo de ressocialização e eu conheci alguns algumas histórias né e eu me lembro que me chamou
muita atenção por exemplo a história de mulheres mulheres que transaram antes do casamento mulheres que levantavam o tom de voz dentro de casa para está a ordens do pai mulheres que não quiseram casar com pretendente né é escolhido pela família família mulheres que lutaram pela sua felicidade e que foram parar nesses lugares tem aquele caso daquele livro né Girl interrupto né que acabou virando um filme Garota interrompida né E que conta a história de uma mulher com suposto se eu não me engano diagnóstico borderline ou bipolar já não me lembro mais e que receberam esse
diagnóstico ela foi parar no manicômio né E na verdade nada mais eram ali do que mulheres né vítimas de violência e mulheres traumatizadas pelo sua história de violência e mulheres lutando pelas suas escolhas então a mulher que luta por suas escolhas ela nunca é bem Vista né tanto é que hoje em dia a mulher que luta que defende fotos feministas ela é mal amada solitária infeliz né é e que por isso ela usa a bandeira do feminismo como uma forma de mascarar a sua né a sua incompetência sua fragilidade e a sua a sua incapacidade
enquanto mulher as estruturas né que fazem com que as mulheres sofram mais né vivam mais com sofrimento mental falou muito sobre atribuição do Cuidado sobre essas outras decisões né que agora a gente tem que lidar né com a carreira a própria maternidade e tal e aí eu queria entender um pouco assim hoje como é que primeiro né entender como é que isso se dá a tua experiência você consegue fazer uma leitura de como que isso impacta mulheres diferente tipo a gente pensa em ter sexualidade de raça de classe né são mulheres algumas mulheres vão conseguir
por exemplo buscar ajuda profissional algumas mulheres vão conseguir terceirizar né serviços para aliviar essa carga de cuidado como é que isso se difere como é que isso impacta nesse sofrimento né a questão socioeconômica ela é uma variável importantíssima quando a gente fala de saúde mental quanto maior a vulnerabilidade socioeconômica né Maior a vulnerabilidade emocional durabilidade em Saúde Mental Então isso é uma questão que a gente tem que considerar ela é importantíssima a gente não como eu falei anteriormente a gente não consegue descolar impossível descolar a saúde mental do contexto social econômico histórico cultural não dá
é impossível né então assim o que a gente vai ver né de que sim mulheres são mais sobrecarregadas que homens mulheres são maiores vítimas né dessa desse contexto Qual a gente está inserido né Nós somos minoria nesse conceito né dentro desse contexto porque muitas vezes confundem as pessoas confundem minoria com a ideia de número né mas quando a gente fala de minoria ficar falando de de direitos garantia de direitos né então nós como mulheres somos um grupo minoritário nesse sentido mas também por estarmos mais expostos a uma série de dispositivos que nos colocam nessa condição
nesse sentido mulheres negras são mais vulneráveis porque a questão racial é uma questão séria Muito séria no Brasil e eu não me sinto no direito de me colocar nesse lugar de fala por eu não ser uma mulher preta né mas eu tenho muitas colegas pretas que trabalham nessa Perspectiva da né do racismo né da raça da interseccionalidade mulher e raça e a gente sabe o quanto isso é algo sério da mesma forma que eu não vou me colocar aqui no lugar de fala de uma mulher trans ou de uma mulher lésbica né ou com qualquer
outra orientação mas também sei de colegas que fazem trabalhos maravilhosos nesse sentido que também vão trabalhar né dentro de dessa perspectiva desse recorte né de de orientação gênero raça por exemplo né eu orientei uma dissertação de Mestrado muito interessante de uma de uma mestra a Fernanda pavio tchanck que inclusive eu posso até indicar para você depois o contato dela porque ela é maravilhosa e ela trabalha nessa Perspectiva da interseccionalidade né de E essas questões de gênero e a gente trabalhou o conceito de estresse de minorias né o estresse de minorias é um conceito [Música] um
pesquisador norte-americano Mayer e ele vai falar justamente isso né de que existem existe as variáveis que nos colocam que nos tornam vulneráveis ao estresse e que é geral das pessoas por exemplo brasileiros são né de repente mais ansiosos mas né Do Que Sei lá pessoas de outros países outros contextos socios culturais então ser brasileiro Talvez seja uma variável como um a todos nós porém existem variáveis expressoras específicas de grupos de cada grupo então mulheres têm variáveis vulnerabilidades que são específicas e que não são compartilhadas ou compartilhadas por exemplo com homens né mulheres pretas possuem vulnerabilidades
né variáveis estre específicas de mulheres pretas e que não são comuns aos homens pretos e nem as mulheres brancas né E por aí vai e ele vai falar dentro desse conceito de espécie de minorias de que quanto mais vale grupos minoritários você faz parte mais vulnerável você será né e eu tenho vários estudos com a Fernanda que eu posso te passar os links e que vão falar vão falar sobre isso né então uma mãe solo Preta vai apresentar mais provavelmente né mais condições de vulnerabilidade vai estar mais no lugar de maior vulnerabilidade do que uma
mulher branca e que a mãe solo mulheres mães vão apresentar mais vulnerabilidade do que mulheres sem filhos né mulheres numa menor socioeconômico vamos apresentar maiores vulnerabilidades do que as mulheres por exemplo que não tem essa questão do dinheiro né do material como fator de preocupação tem um outro dado que eu até tava lendo aqui eu só preciso achar e é da organização pan-americana de saúde né É ela vai falar que ela vai trazer justamente essa questão né de que a variável sócio-conómica né Ela é uma variável importantíssima né quando a gente fala de saúde mental
Eu até queria achar esse dado especificamente para vocês mas vai falar justamente isso né de que os países porque a gente tem aquela ideia Em algum momento se falou de que as taxa de suicídio era maiores em países é em determinado país agora tudo me lembrava de algum país nórdico E aí passou essa ideia de que ele era Japão já não me lembro mais que se passou em algum momento essa ideia né de que dinheiro não traz felicidade né mas o dinheiro não traz felicidade Ok mas ele proporciona né uma uma estrutura para que você
possa buscar essa felicidade né buscar ter uma vida melhor né então assim eu costumo dizer o que é eu vou para praia viver de miçanga e viver de sei lá vou para praia vender miçanga se eu não arrumo nenhuma grana eu consigo um puxadinho para dormir eu consigo um prato de comida do restaurante do meu amigo e assim eu vou levando a vida maravilhoso até a primeira dor de dente porque quando eu tiver uma dor de dente eu preciso buscar ajuda de um profissional né E aí se eu não conseguir resolver essa dor de dente
Acabou minha lua de mel com meu com meu romântico estilo de vida e eu não vou conseguir estar bem enquanto não melhorar esse problema no meu dente eu não vou conseguir dormir bem com dor né E isso serve para várias outras coisas da nossa vida né então se você não tem condições de dar comida para o seu filho se você não tem condições de pagar as contas no final do mês se o boleto chega né e eu não tenho como pagar eu não consigo dormir bem eu não consigo também eu não consigo trabalhar bem né
eu não consigo me relacionar bem com as pessoas eu não consigo ter condições de discernimento para fazer boas escolhas e aí começa uma bola de neve que vai me colocando numa condição de Sofrimento cada vez maior né E se nós formos pensar né que a maioria da população pobre é preta né e o quanto isso historicamente coloca né a questão da raça como uma variável Central na nossa sociedade na desigualdade né na nossa sociedade é e o quanto essas mulheres elas acabam né as mulheres pretas ou as mulheres pobres né que na maioria são pretas
colocam essas mulheres na margem tudo que há né do que existe em termos de recurso isso é muito injusto a desigualdade ela se apresenta e múltiplas porque a gente não tá falando só de morar numa área de risco a gente não tá falando só da mulher preta pobre que não tem condições de pagar uma escola para os seus filhos ou de né mas a gente tá falando também dessa mulher que às vezes nem sequer sabe que existe um tratamento para ajudar essa mulher nesse sofrimento que ela se encontra que existe um medicamento que pode ajudar
na depressão né que existe uma modalidade de psicoterapia efetiva para aquele caso que aquele filho que todo mundo acha que é diferente que não fala que não responde que existe a possibilidade de levar esse filho para um atendimento para uma avaliação e que existe uma resposta né e um tratamento mas essa resposta esse tratamento não está acessível para ela né tem uma uma hipótese uma teoria né de que a questão financeira o dinheiro ela ele influencia até certo ponto nosso níveis de bem-estar e felicidade então assim se você compara aquela pessoa que não tem nada
o que vive numa situação financeira muito ruim versos aquela que vive numa situação que ela não é rica ela não é Milionária mas ela consegue dar conta das suas demandas né comparando esses dois grupos a variável dinheiro ela acaba influenciando nos níveis de bem-estar agora quando você compara o grupo que tem uma situação financeira tranquila né aperta aqui Aperta ali mas consegue sobreviver e da contra essas coisas Versa aquela pessoa que tem muito tipo tem muito não sabe nem contar Quanto tem aí a variável dinheiro então assim esse grupo mais vulnerável é a maioria no
Brasil esse grupo precisa de maior atenção esse grupo precisaria ter mais acesso esse grupo precisaria ter maior assistência é para esse grupo para essa grande maioria que os serviços deveriam estar orientados né É porque é esse grupo que sofre mais e esse grupo precisa mais e Esse grupo é o que menos tem assistência essa mãe desse menino que é dito chamado de diferente talvez ela nunca vai conseguir um diagnóstico de autismo para esse filho e talvez ela consiga porque ela conseguiu selar alguém indicou um serviço vinculado uma universidade que é gratuito ou que faz um
atendimento social essa mulher vai lá ela pede para o patrão para patroa né para o chefe uma horinha de folga para não ir trabalhar naquele turno para poder levar o filho né Toda Uma logística extremamente difícil para conseguir levar esse filho para esse atendimento E aí esse filho recebe um diagnóstico de autismo e essa mulher recebe né volta com esse laudo na mão e ela faz o que com isso ela faz o que com isso né então se antes ela convivia com a dúvida né e com esse filho diferente agora ela está duas três quatro
cinco vezes mais preocupada porque agora esse ser diferente tem o nome tem um diagnóstico né o profissional disse para ela que existe um caminho mas esse caminho ela não pode percorrer porque é trabalhoso porque custa porque demanda investimento financeiro de tempo e a sua mulher não tem nem tempo e nem dinheiro para ajudar esse filho então não não dá para não olhar para essas questões né e por isso que eu acho tão interessante hoje em dia dentro da Psicologia é esse movimento né de profissionais de colegas se especializando para atender demandas específicas de grupos minoritários
específicos eu acho isso muito interessante sensacional né Eu Me Lembro uma vez uma aluna minha me contou uma história que me marcou bastante né ela era uma ela é preta e ela foi buscar psicoterapia para lidar com questões de autoestima e ela foi fazer psicoterapia com uma psicóloga Branca né E ela disse que a primeira coisa ela quando ela abriu a boca para falar que ela tinha né estava sofrendo por questões de autoestima e tudo mais a primeira coisa que psicóloga disse talvez até com a melhor das intenções né é de que porque você nem
você nem tem os traços de uma mulher preta né então tentando dar um up na autoestima Mas acabou estigmatizando ainda mais né então assim tem algumas alguns colegas que vão dizer assim não mas a ciência a técnica né Tipo eu não preciso ser mãe para acolher uma mulher que a mãe né com um psicóloga não preciso ser preta para poder acolher as demandas porque eu vou utilizar uma técnica que supostamente seria Universal né mas eu acho que eu defendo ideia de que não de que esse lugar de fala ele é importantíssimo muitas pacientes minhas que
são mães me procuram porque eu sou mulher e mãe né E que disse claramente para mim assim eu não quero fazer a terapia com uma pessoa que fala da Maternidade sem conhecer o que é ser mãe a dificuldade de ser mãe né Eu jamais faria psicoterapia com homem porque o homem não sabe o que é a dor de ser mulher e por aí vai e eu defendo muito essa essa escolha e defendo muito esse movimento das colegas que buscam dos colegas né que buscam trabalhar nessa Perspectiva da interseccionalidade porque ela é extremamente importante porque estamos
Porque vivemos num país extremamente diverso né e que não acolhe né não abraça todos e todas da mesma forma então que a Ludmila fala de lugar de fala né Eu acho que a gente tem que respeitar o nosso lugar de fala mas também respeitar o lugar de fala do outro que é diferente do nosso e para a gente finalizar eu queria assim entendeu o que que você vê como assim né porque a gente no final das contas acaba vendo muitas soluções individuais né as mulheres assim tão buscando individualmente psicoterapia as mulheres que tem condições de
fazer isso né buscam sei lá investem em auto cuidado investem ter um hobby esse tipo de coisa que pode né apoiar ou terceirizam né alguns serviços e para aliviar sobrecarga mas quase que seriam as soluções coletivas que a gente poderia ter né para cuidar né da Saúde Mental das mulheres brasileiras em toda essa diversidade assim políticas públicas efetivas né claro que a sociedade enquanto sociedade tem um papel importante né a gente tem aí os coletivos as ONGs né os movimentos sociais que são importantíssimos mas a gente tem que tomar um cuidado no sentido de entender
que esses movimentos são importantes e eles são necessários mas também é necessário que as políticas públicas institucionais aconteçam de forma efetiva a gente tem o SUS no papel ele é maravilhoso sus no papel ele é perfeito né É mas ele precisa ser melhor gerido né Essa estrutura precisa funcionar melhor né a saúde mental ela sempre foi colocada em últimos planos né a gente teve avanços importantes né pensando historicamente mas a gente também teve um retrocesso nos últimos anos nos últimos quatro anos absurdo né se falou em abertura de manicômios né não com esse nome mas
se questionou isso né se trouxe isso então assim políticas públicas políticas públicas que acolham essas mulheres né políticas públicas que permitam a assistência a saúde mental dessas mulheres mas que veja mas que entenda que essa assistência à saúde ela não pode ser descolada de políticas públicas que permitam que essas mulheres tenham maior garantia de direitos não adianta você ter lá um Caps o caps na esquina da sua casa todo bem com boa aparato com profissionais ali à disposição se essa mulher vai voltar para casa e ela vai continuar apanhando do marido e não vai ter
medidas protetivas efetivas de Fato né proteger essa mulher não adianta oferecer um horário né uma vaga possibilidade de um atendimento psicológico ou medicamento farmacológico gratuito na farmácia popular se essa mulher vai lá para casa vai continuar não tendo que comer ou vai continuar desempregada porque acabou porque teve filho porque a mãe né ou porque o marido abusa emocionalmente dessa mulher impede que essa mulher busque busque trabalho e por aí vai né então tem que ter uma perspectiva integrada né tem que pensar na sociedade né e nos dispositivos de uma forma sistêmica para que essa mulher
possa ser amparada assistida e apoiada em todos os aspectos né e eu acho que isso é algo que a gente tem que caminhar muito ainda no Brasil são tantos direitos superceados né são tantos fatores limitadores que é difícil né Realmente eu entendo o quanto é difícil fazer a coisa funcionar Mas a gente não pode desistir né então é um trabalho complexo é um trabalho que envolve toda sociedade né que grita e que precisa né de um olhar mais efetivo Por parte dos governos e das instituições mas que é possível E para isso existe Como eu
como eu costumo dizer eu dizia para os meus alunos para as Minhas alunas né Precisa de gente que brigue né Precisa de gente que grite né Não tem aquela música do Caetano Veloso acho que é que diz se você não você pode até você pode dizer que me ama você pode me amar mas se você não disser como é que eu vou saber né então assim a gente precisa gritar a gente precisa mostrar as nossas dores né para que a gente seja ouvida foi assim com a Lei Maria da Penha né é assim em relação
aos nossos direitos e garantia de direitos como mãe como mulher parto a lei do acompanhante né A lei a própria Lei Maria da Penha né Então essas leis existem não foi porque um belo dia um deputado um senador sei lá acordou vamos apoiar essa causa não porque a dor não é deles não espere que o movimento aconteça da parte de quem usufrui do status Então quem grita é quem sente a dor e a gente não pode sofrer silenciada Então acho que é mais ou menos isso [Música]