o quarto conto Oi Maria A Maria estava parada mais de meia hora no ponto de ônibus estava cansada de esperar e se a distância fosse menor teria ido a pé e era preciso mesmo ir se acostumando com a caminhada o preço da passagem estava aumentando tanto além do cansaço a sacola estava pesada No dia anterior no domingo havia tido festa na casa da patroa ela levava para casa os restos o osso do pneu e as frutas que tinha enfeitado a mesa ganhar as frutas e uma gorjeta o osso a patroa ia jogar fora eu estava
feliz apesar do cansaço a gorjeta chegará numa hora boa os dois filhos menores estavam muito gripados precisava comprar xarope e aquele remedinho de desentupir nariz daria para comprar também uma lata de Toddy as frutas estavam ótimas e havia melão as crianças nunca tinham comido melão Será que os meninos e não gostar de violão com a Palma de uma de suas mãos do ia tinha sofrido um corte bem no meio enquanto cortava o pernil para a patroa a coisa faca a laser corta até a vida e quando o ônibus apontou lá na esquina Maria baixou o
corpo pegando a sacola que estava no chão entre as suas pernas o ônibus não estava cheio havia lugares Ela poderia descansar um pouco cochilar até a hora da descida E ao entrar um homem levantou lá de trás do último banco fazendo um sinal para o trocador e passou em silêncio pagando a passagem dele e de Maria e ela reconheceu o homem Há quanto tempo que saudades e como era difícil continuar a vida sem ele Maria sentou-se na frente e o homem sentou-se ao seu lado e ela se lembrou do passado do homem deitado com ela
chá da vida dos dois no barraco um dos primeiros enjoos da barriga enorme que todos diziam os gêmeos Oi e da alegria dele Ah que bom nasceu era um menino e haveria de se tornar um homem Oi Maria viu sem olhar que era o pai de seu filho ele continuava o mesmo é bonito grande o olhar assustado não se fixando em nada e ninguém eu senti uma mágoa imensa E por que não podia ser de uma outra forma porque não podiam ser felizes Oi e o menino Maria Oi como vai o menino e cochichou o
homem quem sabe que sinto falta de vocês e tem um buraco no peito tamanho a saudade tô sozinho não arrumei não quis mais ninguém se você já teve outros outros filhos e a mulher abaixou os olhos como que pedindo perdão quem é ela teve mais dois filhos É mas não tinha ninguém também eu ficava apenas de vez em quando com outro homem e era tão difícil ficar sozinha e dessas deitadas repentinas loucas surgir nos dois filhos menores e veja e veja só Homes também os homens também e eles haveriam de ter outra vida com eles
tudo haveria de ser diferente Oi Maria eu não te esqueci já tá tudo aqui e no buraco do peito e o homem falava mas continuava estático preso fixo no banco o cochichava com Maria as palavras sem entretanto virar para o lado dela ela sabia o que o homem dizia e ele estava dizendo de dor de prazer de alegria de filho de vida de morte é de despedida e do buraco saudade no peito dele e desta vez ele cochichou um pouco mais alto e ela ainda sem ouvir direito adivinhou a fala dele é um abraço um
beijo um carinho no filho o e logo após levantou rápido sacando a arma o outro lá trás gritou que era um assalto Maria estava com muito medo não dos assaltantes não da Morte sim da vida eu tinha três filhos o mais velho com 11 anos era filho daquele homem que estava ali na frente com uma arma na mão e de lá de trás vinha recolhendo tudo motorista seguia viagem havia o silêncio de todos no ônibus apenas a voz do outro se ouvia pedindo aos passageiros que entregassem tudo rapidamente e o medo da vida e Maria
e aumentando o meu Deus como seria a vida dos seus filhos era a primeira vez que ela viu um assalto no ônibus imaginava o terror das pessoas o comparsa de seu ex homem passou por ela e não pediu nada se fossem outros assaltantes e ela teria para dar uma sacola de frutas um osso de pernil e uma gorjeta de 1000 cruzeiros eu não tinha relógio algum no braço nas mãos nenhum anel ou aliança aliás nas mãos Tinha sim tinha um profundo corte feito com a faca a laser que parecia cortar até a vida os assaltantes
desceram rápido Maria olhou Saudosa e desesperada para o primeiro foi quando uma voz acordou a coragem dos demais alguém gritou que aquela lá da frente conheci os assaltantes Maria se assustou ela não conhecia assaltante algum conhecia o pai de seu primeiro filho conheci o homem que tinha sido dela e que ela ainda amava tanto e Ouvi uma voz negra vai ver que estava de coleiro com os dois outra voz vinda lá do fundo do ônibus acrescentou calma gente se ela estivesse junto com eles teria descido também se alguém argumentou que ela não tinha descido só
para disfarçar estava estava mesmo com os ladrões foi a única a não ser assaltada mentira eu não fui eu não sei eu não sei porquê Oi Maria Leônia direção de onde vinha a voz e vi um rapazinho negro e magro com feições de menino e que lembravam vagamente o seu filho é a primeira voz aqui acordou a coragem de todos tornou-se um grito aquela aquela negra estava com os ladrões o dono da voz levantou e se encaminhou em direção a Maria a mulher teve medo e raiva que merda não conhecia assaltante algum não devia satisfação
a ninguém olha só a nega ainda atrevida desse homem lascando um tapa no rosto da mulher alguém gritou lixa lixa lixa os passageiros desceram em outros voaram em direção a Maria o motorista tinha parado o ônibus para defender a passageira calma pessoal que loucura é esta e essa mulher de vista todos os dias mais ou menos nesse horário Ela tá no ônibus comigo está vindo do trabalho da luta para sustentar seus filhos lixa lixa lixa Maria Penha sangue pela boca pelo nariz e pelos ouvidos a sacola havia arrebentado e as frutas rolavam pelo chão Será
que os meninos iriam gostar de melão Tudo foi tão rápido tão breve Maria Tinha saudade de seu ex homem porque estava fazendo isso com ela o homem havia segregado um abraço um beijo um carinho no filho ela precisava chegar em casa todo transmitir o recado Estavam todos armados com facas a laser que cortam até a vida do Roni vocês fazem ou quando chegou a polícia o corpo da mulher estava tudo dilacerado Olá tudo pisoteado Maria queria tanto dizer ao filho que o pai havia mandado um abraço é um beijo um carinho