Tudo bem pessoal? Hoje comentários sobre Cara de um Finho de Outro. O novo filme dirigido por Daniel Chong e uma ótima surpresa da Pixar para uma história original e já fazia bastante tempo.
A Pixar passou por muitos problemas na pandemia, por uma decisão da Disney de descartar os filmes originais para adição de catálogo de serviço de streaming. Depois que a pandemia passou, era tarde demais porque o público ficou acostumado a receber os filmes originais no catálogo. Existiam exceções, né?
Filmes que já haviam sido estabelecido no imaginário conseguiam grande repercussão. No caso de cara de um focinho de outro, eu vejo que existe um marketing muito interessante para conseguir lidar com uma situação atípica até mesmo pro estúdio e isso faz toda a diferença. O Daniel Chong é um profissional que trabalha bastante tempo na Pixar desde Bolt e ele tem também uma história no Cartoon Network com um urso sem curso.
Então é um profissional que ele já tá na área consolidado, tem aqui a chance de dirigir um filme com a marca Pixar e é um longa que eu tenho certeza que não só vai estabelecer uma franquia e a Pixar busca muito isso, como também é uma das principais novidades do estúdio na sua história recente. Existe uma premissa que até poderia ser confusa de misturar ficção científica com uma comédia de erros, uma comédia que passa pelo timing cômico, sátira ácida, referência a filmes, que precisa lidar com caos, loucura, mas é tão interessante. sair do cinema realmente muito satisfeito, porque eu vejo que até situações que poderiam ser complexas, o filme sabe trabalhar com inteligência através dos artifícios típicos de uma animação, de você utilizar criatividade, imaginação.
A transferência de consciência interppécies poderia se tornar complexo para caramba, poderia criar problematizações ao estilo avatar. O filme reconhece que não é um avatar e o filme vai fazer piada com tudo isso e consegue estabelecer a sua protagonista nessa jornada caótica. Curiosamente, é uma história que ela se afasta um pouco daquela noção do sentimentalismo, muitas vezes da melancolia, daquela história da Pixar que precisa em algum momento arrancar uma lágrima do espectador, das famílias no geral.
Aqui existe muita ironia, humor físico para abraçar a situação completamente absurda. E o Daniel Chong foi um diretor perfeito para isso. Só que ainda assim tem aquele coração Pixar, quando existe uma metáfora toda que começa no ativismo ambiental para lidar com memórias e legado familiar, que é muito bem estabelecida.
Para salvar a floresta da destruição, a jovem ativista Mbil usa uma tecnologia secreta para transferir sua mente para de um castor robótico. Infiltrado no ecossistema, ela tenta unir os animais selvagens para proteger o próprio lar contra os planos de um prefeito inescrupuloso. O que faz esse filme dar certo, até na lógica Pixar é estabelecer uma protagonista que rompe com o que você espera ver no protagonista da Pixar.
A Mabel é impulsiva, reativa. Muitas vezes ela briga em situações que ela mesmo sabe que tá errada. Eu gosto muito de quando a gente expande o olhar dessa situação e nota que, pera aí, tudo que eles estão apresentando aqui no começo dessa história lembra muito Avatar, como eu disse, aí eu penso que o roteiro é extremamente sagaz ao reconhecer imediatamente isso, que a premissa é de um avatar com castores.
Só que ao invés de cair na armadilha do herói que desce para ensinar os nativos, o filme subverte o clichê com intervenções a personagem no ecossistema que frequentemente pioram as coisas. Se você quer microgerenciar natureza, as coisas podem sair do controle. Essa é uma das mensagens.
Eu tava vendo uma entrevista do Pitt Doctor de que esse projeto originalmente havia sido pensado com pinguins. E aí vem aquela situação, mas esa aí tem muita coisa já feita sobre pinguins, incluindo animações. Eles acabaram decidindo pelos castores, que foi uma decisão muito acertada.
Eu gosto de como esse filme acaba lidando com situações que poderiam ser melosas, melodramáticas, emotivas. para fazer piada, como uma própria situação da cadeia alimentar na floresta. Quando observamos a fauna sob a ótica humana, os animais possuem óleos opacos, posturas naturalistas, como bichos reais mesmo.
Só que no momento que a perspectiva muda pro mundo deles, eles se tornam extremamente expressivos e a movimentação ganha uma elasticidade característica da Pixar que torna experiência visual bem melhor. Chega um momento que você sabe que esse filme vai fazer uma escolha em que ele precisaria fechar com sentimentalismo a Laá Pixar ou ele precisaria abraçar sua premissa absurda. Se ele não abraçasse a premissa absurda, eu ficaria completamente revoltado com a oportunidade desperdiçada.
Tem um toque de caos no finalzinho que me lembrou muito Lunay Tunes das antigas em que aí você não se interessa por continuidade, você quer ver mesmo circo pega fogo caos. E o filme sabe fazer isso porque soube construir uma protagonista que estava preparada para essas situações. Traz uma lógica que não quer ser científica, que não vai promover as explicações ao estilo avatar.
É um tipo de produção muito bem feita, uma grande surpresa da Pixar, como eu falei, que mostra aí que o estúdio tem capacidade de continuar surpreendendo. Eu senti a falta de uma novidade na Pixar nesse tipo, paraa cara de um focinho de outro, nota oito. Na década passada, Pixar tinha um plano de mais histórias originais, menos sequências, pensando que com mais histórias originais você conseguiria estimular também novas franquias.
Esse plano acabou tendo muitos problemas por situações diferentes, eh, erros criativos da Pixar. E eu vejo que eles conseguiram naturalmente fazer isso, né, com cara de um focinho de outro. É uma animação que ela acaba levando as pessoas no cinema, as famílias, pela curiosidade e o conceito em si, ele é muito bem desenvolvido com uma magia que eu acredito que só a animação consegue lidar hoje em dia.
Certo pessoal, muito obrigado pela atenção, até mais e tchau.