representante dos Estados membros aqui reunidos. Este deveria ser um momento de celebração das Nações Unidas, criada no fim da guerra, aonde simboliza a expressão mais elevada da aspiração pela paz e pela prosperidade. Hoje, contudo, os ideais que inspiraram os seus fundadores em São Franciscos estão ameaçados como nunca estiveram em toda a sua história.
O multilateralismo está diante de nova encruzilhada. Autoridade desta organização está em cheque. Assistimos à consolidação de uma desordem internacional marcada por seguidas concessões à política do poder.
Atentados à soberania, sanções arbitrárias e intervenções unilaterais estão se tornando regra. Existe um evidente paralelo entre a críd multilatelarismo e o enfraquecimento da democracia. O autoritarismo se fortalece quando nos omitimos frente à arbitrariedade, quando a sociedade internacional vacila na defesa da paz, da soberania e do direito, as consequências são trágicas.
Em todo mundo, forças antidemocráticas tentam subjugar as instituições e sufocar as liberdades. Cultuam a violência. Exalta a ignorância, atuo como milícias físicas e digitais e ser feio à imprensa.
Mesmo sob ataques sem precedentes, o Brasil optou por resistir e defender sua democracia reconquistada há 40 anos pelo seu povo, depois de duas décadas de governos ditatoriais. Não há justificativa para as medidas unilaterais e arbitrárias contra as nossas instituições e nossa economia. A agressão contra a independência do poder judiciário é inaceitável.
Esta ingerência em assuntos internos conta com o auxílio de uma extrema direita subserviente e saudosa de antigas hegemonias. falsos patriotas arquiteto e promovem publicamente ações contra o Brasil. Não há pacificação com impunidade.
Há poucos dias e pela primeira vez em 525 anos de nossa história, um ex-chefe de estado foi condenado por atentar contra o Estado democrático de direito, foi investigado, indiciado e julgado e responsabilizado pelos seus atos em um processo minucioso. teve amplo direito de defesa, prerrogativa que as ditaduras negam as suas vítimas. Diante dos olhos do mundo, o Brasil deu um recado a todos os candidatos autocratas e aqueles que os apoiam.
Nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis. Seguiremos, seguiremos como nação independente e como povo livre de qualquer tipo de tutela. Democracias sólidas vão além do ritual eleitoral.
Seu vigor pressupõe a redução das desigualdades, a garantia dos direitos mais elementares, a alimentação, a segurança, o trabalho, a moradia, a educação e a saúde. A democracia falha quando as mulheres ganham menos que os homens ou morrem pelas mãos de parceiros e familiares. perde quando fecha suas portas e culpa migrantes pelas mazelas do mundo.
A pobreza é tão inimiga da democracia quanto o extremismo. Por isso, foi com orgulho que recebemos da FAL a confirmação de que o Brasil voltou a sair do mapa da FOME este ano de 2025. Mas no mundo ainda há 670 milhões de pessoas famintas e cerca de 2 bilhões 300 milhões enfrentam insegurança alimentar.
A única guerra que todos podem sair vencedores é a que travamos contra a fome e a pobreza. Esse é o objetivo da aliança global que lançamos no G20 e que já conta com o apoio de 103 países. A comunidade internacional precisa rever suas prioridades, reduzir os gastos com guerras e aumentar a ajuda ao desenvolvimento.
aliviar o serviço da dívida externa dos países mais pobres, sobretudo os africanos, e definir padrões mínimos de tributação global para que os super ricos paguem mais impostos que os trabalhadores. A democracia também se mede pela capacidade de proteger as famílias e a infância. As plataformas digitais trazem possibilidade de nos aproximar como jamais havíamos imaginado, mas tem sido usadas para semear intolerância, misogenia, xenofobia e desinformação.
A internet não pode ser terra sem lei. Cabe ao poder público proteger os mais vulneráveis. regular não é restringir a liberdade de extensão, é garantir que o que o que já é ilegal no mundo real seja tratado assim também no ambiente digital, no ambiente virtual.
Ataques à regulação serve para encobrir interesses escusos e dar guarida a crimes como fraudes, tráfico de pessoas, pedofilia investidas contra a democracia. O parlamento brasileiro corretamente apressou-se em abordar esse problema. Com orgulho, promulguei na última semana uma das leis mais avançadas do mundo para proteger, para a proteção de crianças e adolescentes na esfera digital.
Também enviamos ao Congresso Nacional projeto de lei para fomentar a concorrência nos mercados digitais. e para incentivar instalação de data centers sustentáveis. Para mitigar os riscos da inteligência artificial, apostamos na construção de uma governança multilateral em linha com o Pacto Digital Global aprovado neste plenário o ano passado.
Senhoras e senhores, na América Latina e Caribe vivemos um momento de crescente polarização e instabilidade. Manter a região como zona de paz sempre foi e é a nossa prioridade. Somos um continente livre de armas de destruição e massa, sem conflitos étnicos ou religiosos.
É preocupante a equiparação entre a criminalidade e o terrorismo. A forma mais eficaz de combater o tráfico de drogas é a cooperação para reprimir a lavagem de dinheiro e limitar o comércio de armas. Usar força letal em situações que não constituem conflitos armados equivale a executar pessoas sem julgamentos.
Outras partes do planeta já testemunharam intervenções que causaram danos maiores do que se pretendia evitar, com graves consequências humanitárias. A via do diálogo não deve estar fechada na Venezuela. O Haiti tem direito a um futuro livre de violência e é inadmissível que Cuba seja listada como país que patrocina o terrorismo no conflito na Ucrânia, no conflito na Ucrânia, todos já sabemos que não haverá solução militar.
O recente encontro no Alasca despertou a esperança de uma saída negociada. É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista. Isso implica levar em conta as legítimas preocupações de segurança de todas as partes.
A iniciativa africana e o grupo de amigos da paz, criado por China e Brasil pode contribuir para promover o diálogo. Nenhuma situação é mais emblemática do que o uso desproporcional e ilegal da força do que a da Palestina. Os atentados terroristas perpetrados pelo Ramá são indefensáveis sob qualquer ângulo, mas nada, absolutamente nada justifica o genocídio em curso em Gaza.
Ali, ali sob toneladas de escombros estão enterradas dezenas de milhares de mulheres e crianças inocentes. Ali também estão sepultados o direito internacional humanitário e o mito da superioridade ética do Ocidente. Esse massacre não aconteceria sem a cumplicidade dos que poderiam evitá-lo.
Fome é usado como arma de guerra e o deslocamento forçado de populações é praticado impunemente. Quero expressar minha admiração aos judeus que dentro e fora de Israel se opõe a esta punição coletiva. O povo palestino corre o risco de desaparecer.
só sobreviverá como um estado independente integrado à comunidade internacional. Esta é a solução defendida por mais de 150 membros da ONU. é afirmada ontem aqui nesse mesmo plenário, mas obstruída por um único veto.
É lamentável que o presidente Mammud Abbas tenha sido impedido pelo país anfitrião de ocupar a bancada da Palestina nesse momento histórico. Palastramento desse conflito para o Líbano, para a Síria e o Irã e o Qatar. Fomenta escalada armamentistas sem precedentes.
Senhoras presidentas, bombas e armas nucleares não vão nos proteger da crise climática. O ano de 2024 foi o mais quente já registrado. A COP 30 em Belém no Brasil será a COP da verdade.
Será o momento de os líderes mundiais provarem a seriedade de seu compromisso com o planeta. Sem ter o quadro completo das contribuições nacionalmente determinadas, a chamada NDCs, caminharemos de olhos endados para um verdadeiro abismo. O Brasil se comprometeu a reduzir entre 59 e 67% suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa em todos os setores da economia.
Nações em desenvolvimento enfrentam a mudança do clima. ao mesmo tempo que lutam contra outros desafios. Enquanto isso, países ricos usufrui de padrão de vida obtid custas de 200 anos de emissões de gases.
Exigir maior ambição e maior acesso a recurso e tecnologias não é uma questão de caridade, é apenas uma questão de justiça a corrida por minerais críticos essenciais para a transistoria energética não pode reproduzir a lógica predatória que marcou os últimos séculos. Em Belém, o mundo vai conhecer a realidade da Amazônia. O Brasil já reduziu pela metade o desmatamento na região nos dois últimos anos.
Erradicalo requer garantia, condições dignas de vida para seus milhões de habitantes. Fomentar o desenvolvimento sustentável é o objetivo do fundo Florestas Tropicais para sempre que o Brasil pretende lançar para remunerar os países que mantém suas florestas em pé. É chegado o momento de passar da fase da negociação para a etapa da implementação.
O mundo deve muito ao regime criado pela convenção do clima, mas é necessário trazer ao combate à mudança do clima para o coração da ONU, para que ela tenha a atenção que merece. Um conselho vinculado à Assembleia Geral com força e legitimidade para monitorar compromissos dará coerência à ação climática. Trata-se de um passo fundamental na direção de uma reforma mais abrangente da organização que contemple também um conselho de segurança ampliado nas duas categorias dos seus membros.
Poucas airas retrocederam tanto como o sistema multilateral de comércio. Medidas unilaterais transform em letra morta princípios basilares como a cláusula de nação mais favorecida. Eles organizam cadeias de valor e lançam a economia mundial.
em uma espiral perneciosa de preços altos e estagnação. É urgente refundar o OMC em bases modernas e flexíveis. Senhoras e senhores, este ano o mundo perdeu duas personalidades excepcionais.
o ex-presidente do Uruguai, Pepe Murrica, e o nosso querido Papa Francisco. Ambos encarnaram como ninguém os melhores valores humanistas. Suas vidas se entrelaçam, se entrelaçaram com as oito décadas de existência da ONU.
Se ainda estivesse entre nós, provavelmente usariam esta tribuna para lembrar que o autoritarismo, a deção, a degradação ambiental e a desigualdade não são inexoráveis, que os únicos derrotados são os que cruzam os braços dos resignados, que podemos vencer os falsos profetas de oligarcas que exploram o medo e monetizam o ódio e que o amanhã é feito de escolhas diárias e é preciso coragem de agir para transformá-lo. No futuro que o Brasil vislumbra, não há espaço para a redição de rivalidades ideológicas ou esfera de influência. A confrontação é inevitável.
Precisamos de lideranças com clareza de visão, que entendam que a ordem internacional não é um jogo de soma zero. O século XX será cada vez mais multipolar. Para se manter pacífico, não pode deixar de ser multilateral.
O Brasil confere crescente importância à União Europeia, a União Africana, a, a CELAC, aos bricks e ao G20. A voz do sul global deve ser respeitada e ouvida. A Oro, a Ouro tem hoje quase quatro vezes mais membros do que os 51 que estiveram na sua fundação.
Nossa missão histórica é a detornada novamente portadora de esperanças e promotora da igualdade e da paz, do desenvolvimento sustentável e da diversidade e da tolerância. Que Deus nos abençoe a todos e muito obrigado.