Algumas dores cabem nos exames, elas vivem no silêncio. E às vezes tudo que uma mulher precisa é ser escutada. Eu cresci como filha única e desde cedo carreguei um desejo, ter uma irmã, dividir a infância, os segredos, a hora de dormir.
Mas ela nunca veio. Anos depois, descobri que minha mãe teve uma perda e o que seria uma nova vida virou silêncio. Um silêncio que cresceu comigo.
sentava à mesa, dormia no quarto ao lado. Talvez por isso eu sonhasse tanto em ter duas meninas, dar a elas o que eu não tive uma a outra. Quando a primeira chegou, foi como atravessar um portal, mas logo depois veio o susto, maneurisma.
E com ele o limite, a maternidade como eu sonhava teria que parar por ali. Como seguir quando tudo dentro de mim ainda dizia assim? Foi ali que algo se moveu.
Não para desistir, mas para mergulhar, estudar, escutar, cuidar. E eu percebi essa dor, ela não era só minha, era a dor das que não conseguem engravidar, das que perderam bebês, das que vivem o luto de um ventre silencioso, das que escutam um laudo dizendo: "Você não pode". E foi por elas que nasceu o cartas a doutora.
Hoje, quando a casa se aquiieta e as pequenas mãos das minhas filhas me tocam com ternura, eu penso nas que ainda esperam, nas que voltam para casa com o silêncio ao lado, nas que ainda não tem para quem cantar uma canção de Ninar para contar uma história antes de dormir. E é por isso que eu escrevo: Porque carta é semente, é coragem em forma de palavras. As histórias que leio aqui são reais.
Os nomes foram mudados, as cenas redesenhadas, mas a dor essa não se inventa. Cada carta nasceu de uma mulher que disse: "Doutora, eu não aguento mais". E então eu escrevi de volta com tudo o que a ciência me ensinou e tudo que o silêncio me revelou.
Cartas da doutora nasceu para ser mais que um programa. É um espaço, uma escuta, um recomeço. Se você chegou até aqui, não chegou por acaso.
Bem-vinda ao Cartas a Doutora, onde cada carta é escutada, cada silêncio respeitado e cada mulher acolhida por inteiro.