Shalom, shalom a você que nos assiste através da TV Sião. Sejam bem-vindos ao programa Torá em Debate. Eu sou o professor Mateus Andona e todas as semanas estou aqui às terças-feiras 20 horas na tvci.com apresentando o programa Torá em Debate, que é um programa que trata de assuntos teológicos, assuntos que são de importância para sua caminhada, como servo do Deus de Abraão, Isaque e Jacó, como discípulo de Yeshua, o nosso Messias. E o programa de hoje é um programa muito especial, né? Assim como todo o programa Torá em Debate, mas o programa de hoje também
o próximo tratarão de um tema muito importante, um tema que é extremamente necessário tanto nos meios judaicos e principalmente nos meios cristãos também. É o tema pardez. Puxa vida, o que é pardez? pardez é a hermenêutica judaica, os métodos de interpretação que os judeus têm há séculos para se interpretar as Sagradas Escrituras. Então, neste programa Torá em Debate, estaremos estudando sobre os métodos de interpretação que os judeus têm há milhares de anos, que ajuda a Israel, tem ajudado a Israel a extrair o máximo dos escritos sagrados. Então você vai acompanhar comigo e irá entender os
níveis de interpretação que os judeus utilizam para a a o texto sagrado, né, diante de qualquer texto sagrado. Então você pode acompanhar conosco, especialmente você que é da ABN, pode e deve participar comigo, interagir comigo no programa Torá em Debate. É só você postar no post do programa aí na nossa página restrita da ABN no Facebook. Então, todos os membros da ABN, eu saúdo a todos com o Shalom Vrahá e aguardo a participação de todos vocês mais ao término do programa. O que seria então o pardê ou a hermenêutica ou a exegese judaica? Então, esse
assunto é um assunto eh muito importante e eu começarei aqui dando uma introdução a respeito do próprio termo hermenêutica, né? O que que significa isso? E depois nós chegaremos eh à origem da palavra pardez. Por que os judeus usam este acróstico, né, chamado pardez, para referir-se ao seu sistema de ensino e interpretação dos textos sagrados. Então, acompanhe comigo na tela. Eh, a seguinte explicação a respeito da palavra hermenêutica. Veja aí, hermenêutica, né? Eu coloquei aqui o grego, né? hermeneu, que significa no original interpretar ou traduzir. É o estudo da interpretação textual, ciência ou arte de
se interpretar o texto. Então, hermenêutica, basicamente, simplificando um pouco o seu conceito, o seu significado, é isso. É a arte, o método, a metodologia que se utiliza para se interpretar um texto. propriamente dito é um texto que nós vamos tratar aqui no programa de hoje. Pode ser também tradição oral, mas não é o caso é do pardê. O pardê é aquilo que os judeus usam, são os métodos judaicos para a interpretação do texto da Torá, dos profetas, dos escritos e todo o texto de origem judaica. E eu quero partir com você de uma premissa. E
essa premissa eu já a utilizei em outros programas Torá em Debate. A premissa é uma premissa não minha, mas do rabino Shaul, também conhecido como o apóstolo Paulo. E o apóstolo Paulo declara, não é, lá em Romanos, no capítulo 3, versos 1 e 2, aquilo que você vai visualizar na tela agora. Veja qual é, pois a vantagem do judeu? Qual é a utilidade da circuncisão? Muita sobre todos os aspectos, principalmente porque aos judeus foram confiados os oráculos de Deus. Esta é a nossa premissa. Por quê? Porque eu quero falar a você, eu quero mostrar a
você, né? Muitas pessoas nos assistem e perguntam: "Mas o que que eu tenho a ver com esse método milenar que os judeus usam para se interpretar a Bíblia?" Não é? Se eles tivessem realmente, muitos cristãos usam esse argumento, se eles tivessem realmente alguma capacidade extraordinária de se interpretar a Bíblia, eles teriam descoberto, por exemplo, que Yeshua era o Messias, não é? ou teriam eh eh evitado algumas tragédias ao longo da sua história. Olha, veja bem, nós não estamos aqui tratando de eh de uma canonização, né, de uma de uma exaltação de sobremira aos métodos de
interpretação judaicas. Mas eu estou querendo mostrar a você que esse legado que Israel carrega, o legado que traz, que Israel traz consigo a respeito da interpretação das escrituras, ele é muito válido para todos que querem interpretar a escritura sagrada no contexto original. Primeiro porque a Bíblia foi confiada aos hebreus, aos judeus. Paulo fala isso, né? A vantagem dos judeus se baseia neles. A eles foram confiados, no fato de a eles terem sido terem sido confiados os oráculos de Deus. Então, se a eles foram confiados os oráculos de Deus, se eles representam um povo escolhido, né,
para manifestar a glória de Deus a toda a humanidade, para ser bênção para as famílias da terra, luz para as famílias, os homens. se eles receberam esse legado, se eles têm esse compêndio nas mãos, se a eles, né, a eles foram dados os profetas, a eles foram dados os reis, a eles foram dados os patriarcas. Então, tudo isso representa um legado muito importante para todo aquele que deseja compreender a Bíblia no contexto original. A Bíblia é um livro judaico. Grande parte dela, a maioria dela é escrita em hebraico ou aramaico, que são línguas do povo
judeu. É um livro dado dentro do contexto histórico, dentro da história de Israel. Compêndio esse que os judeus têm cuidado e preservado há milhares de anos, pelo menos 3.500 anos. Então, não se pode jogar fora todas essas características. Não se pode jogar fora todas essas vantagens, diria eu, a respeito da interpretação do contexto original dos escritos sagrados. Nós não podemos ler um texto de 2000, 3.000 anos de idade com a nossa cabeça marcada no século XX, como um típico homem do século XX após modernidade. Não. As escrituras foram compostas ao longo de séculos, há pelo
menos 2000 anos em Israel, dentro do povo judeu, no contexto social, econômico de Israel. Então, é impossível você saber com plenitude, né? Saber com certeza a interpretação de um texto que compõe as Sagradas Escrituras sem ter o quê? Sem ter esse acesso a essa sabedoria judaica, a esses métodos judaicos de se interpretar as Sagradas Escrituras. Eu costumo dizer que é como se você, por exemplo, recebesse uma incumbência de fazer um trabalho sobre a obra de William Shakespeare, né? você recebeu aí uma incumbência de fazer um trabalho, uma análise das principais obras escritas por William Shakespeare.
A primeira coisa que uma pessoa séria e entendida vai fazer antes de tocar na obra de Shakespeare vai ser entender o contexto histórico, o que que estava acontecendo no mundo, especificamente na Inglaterra, de onde veio o Shakespeare. O que que estava acontecendo na Inglaterra no século X, por exemplo, quando o Shakespeare escreveu suas obras, primeiro tem que se entender qual era o contexto, então, o que que Shakespeare via nas ruas, quem era o rei na época, né? em que situação a Inglaterra se encontrava em relação aos inimigos ali na Europa? Como estava a economia, como
era a sociedade, como se dividia a sociedade na época shakespeana, vamos dizer. Estudaria-se antes de tocar na obra de Shakespeare, estudaria-se então sobre a Inglaterra do século X, sobre o contexto histórico social da Inglaterra do século X. Estudaria também o inglês desta época, o idioma inglês dessa época, né, que difere um pouco do inglês atual, mas a pessoa o quê? Uma pessoa séria que deseja exprimir ao máximo todo o conteúdo da obra shakespeana, ele terá o cuidado de ler esta obra no original. Porque toda tradução é também uma recreação. Toda tradução nós temos eh algo
que é acrescentado e algo também que é subtraído. Então, a pessoa quer fazer uma análise eh eh à luz da originalidade, ela vai querer, ela vai desejar ler no original. Então, a pessoa vai estudar, né, o inglês medieval, ela vai aprender a interpretar obras escrita escritas nesse idioma nesta época. Aí, então, depois de ter sido de ter se provido de todo o conhecimento do contexto histórico, social, cultural, né, da época na qual Shak Shakespeare escreveu, depois de estar munido das ferramentas para se ler a obra de Shakespeare no original, aí sim a pessoa pode, né,
se debruçar sobre a obra de Shakespeare e fazer ali uma análise sem interferências. É claro que nós vamos ler também pessoas que escreveram sobre Shakespeare, mas aquele que deseja fazer um trabalho único, ele vai além do material, a das referências que ele utilizará, ele também vai pesquisar, vai ter uma preocupação de pesquisar tudo no original. E a Bíblia também é assim. A Bíblia é um livro judaico. A Bíblia eh eh foi escrita, na maioria dela, em território de Israel, né, pelo povo judeu, tem sido guardada pelo povo judeu, no idioma do povo judeu. Então, como
é que as pessoas hoje se fazem, isso que eu acabei de dizer, se fazem com tanta obra aí fora, por que não fazer o mesmo com as Sagradas Escrituras? Que o apóstolo Paulo diz que é um legado a Paulo fala lá em Romanos 9, a eles pertence a lei, o culto, a glória, as alianças. Então, se tudo pertence a Israel, por que não fazer uso das formas de interpretação que Israel tem? E esse é um dos motivos, a você que me assiste, que nós temos hoje tantas divisões nos meios cristãos. Nós temos divisões no meio
católico e temos centenas e centenas de divisões no meio protestante. Por quê? A maioria das razões, né, grande parte das razões que incluem essa essas separações, essas divisões, são razões interpretativas, são eh eh discordâncias de interpretação, discordâncias de hermenêutica. Então, a pessoa discorda da forma do outro interpretar, eu interpreto assim, o outro interpreta diferente, não concordamos, nos tornamos inimigos, aí eu saio e crio a minha própria denominação, meu próprio movimento. Quantas denominações protestantes nasceram eh a partir desta atitude de uma discordância interpretativa? Então, tá aí uma uma ferramenta para ajudar a combater essa multiplicação de
doutrinas e de denominações. Voltarmos ao original. O que importa para nós é o que o texto significou para aqueles que o ouviram a primeira vez, né? O que as palavras de Deus significou lá os israelitas aos pés do Motoreb. O que as palavras de Isaías significaram ali para aqueles judeus em Jerusalém? as palavras de Jeremias aos habitantes de Jerusalém, o que elas significaram quando eles a ouviram. Então, isso é o mais importante, é termos a preocupação de analisarmos os textos sagrados no seu contexto original. E para isso nós temos métodos que os judeus utilizam-se deles
há milênios para se interpretar as Sagradas Escrituras. E é sobre esses métodos que nós falaremos hoje aqui para você. Então, acompanhe na tela comigo. Nós vamos, antes de tratar sobre eh o método pardez de interpretação judaico, nós vamos aqui dar um contexto histórico. É muito importante o contexto histórico, como eu acabei de dizer. Então, vamos falar aqui como que surgiu, como que foi eh eh eh cunhado, né? como que foi ali solidificado, como que surgiu esse método de interpretação judaico da Bíblia, das Sagradas Escrituras. Então, para começar, nós vamos, nós sabemos que esses métodos de
interpretação, eles representam uma herança dos fariseus, né? Os fariseus iniciaram o movimento no século I antes de Cristo lá em Israel e eles apregoavam o retorno às sagradas escrituras. Eles apregoavam a não dependência total do templo dos sacerdotes e levitas, os quais já estavam corrompidos, né? Nós temos aí o surgimento eh dos saduceus. Os saduceus eram a classe de religiosos que controlavam o templo. Eram, na grande maioria sacerdotes, mas grande parte deles também não era de linhagem aarônica nem levítica, eles haviam comprado a posição de sacerdotes e por isso havia muita corrupção nesse meio. Os
fariseus, então, chamado em hebraico de peruxim, os separados, eles eh têm um movimento em Israel popular, vale a pena dizer isso, onde eles queriam ensinar o povo a não depender do templo para a sua vida religiosa. Para isso, eles teriam que ensinar o povo a ler e a escrever. Então, eles alfabetizavam as pessoas, eles criaram as sinagogas. Foi nesse período quando depois de, na verdade, as sinagogas surgiram antes, né, com o exílio babilônico, mas os fariseus eh oficializaram esse sistema de culto eh no século 2, 3 anes de Cristo lá em Israel. Então eles criaram
o sistema sinagogal, criaram o culto sinagogal, criaram o ensino das escrituras na sinagoga, porque antes era feito só no templo. Então eles criaram um sistema de estudo sistemático da Torá e dos profetas e escritos para ser feito durante um ano. E isso era feito na sinagoga, onde a palavra, a Torá, os profetas eram lidos publicamente. Eles criaram bateimidras, casas de estudos, onde a pessoa poderia estudar a Torá. Eles ensinaram as pessoas a orar diretamente a Deus. Antes, se a pessoa quisesse saber a vontade de Deus, ela tinha que se dirigir a um profeta ou um
oráculo. Então, os fariseus falaram: "Não, nós vamos ensinar as pessoas a orarem diretamente a Deus". Então, eles criaram regras de oração, ensinavam as pessoas a orar. A famosa oração que Yesua ensina a vir no Sheebaime, o Pai Nosso que estás nos céus, é uma típica oração farisaica dessa época. Então isso é mais uma prova que Yesua tinha fortes vínculos com o movimento farisaico. Até porque em Lucas 4 diz lá que ele ensinava nas sinagogas, né? Ele tinha posição de ensino nas sinagogas até mesmo antes de se revelar como Messias. Então já mostra que ele era
de uma classe de ensino bíblico, possivelmente possivelmente da classe farisaica, como ele atesta também lá em Mateus, capítulo 23. nós fal falaremos aqui daqui a pouco. Então, acompanhe na tela comigo algumas características sobre esse momento onde o pardes, a hermenêutica judaica surge. Veja aí. Então, nós temos esta preservação e difusão do conteúdo bíblico canonizado para a população. Então, tudo isso faz parte da revolução farisa lá do século I antes de Cristo. Eh, próximo item, né? A tradição rabínica. materializada na forma de sinagoga e desbaterem midraste ou casas de estudo, muito contribuiu para o estudo e
interpretação tanto da Torá escrita quanto da Torá da tradição oral. Isso é muito importante porque nós temos através dos fariseus não só a importância da Torá escrita, mas eles nos mostram as a importância da Torá oral. A Torá oral pro judeu até nos dias de hoje, ela tem igual ou até maior importância do que a Torá escrita. São preceitos que foram passados desde Abraão, oralmente, de pai para filho. Isso foi até colocado no papel nos dias no período intertestamentário e também depois no período de composição da da Michiná. Mas a lei oral tem importância muito
grande para Israel. Sempre teve e tem. E os fariseus eles apregoavam a importância dessa lei oral também e não apenas da lei eh escrita, não é? Então, o próximo item, veja só, os autores da Bíblia utilizam-se da mesma forma de interpretação judaica, principalmente os autores do Novo Testamento. Aí eu coloquei para você, veja, no item de cima, há uma referência de Mateus 23 verso 2, né, que Yeshua fala: "Na cadeira de Moisés assentam-se os escribas e fariseus. Fazei tudo que eles vos disserem, mas não os imiteis nos seus atos." Nós temos também, né? Isso é
um Yesua atestando a autoridade farisaica para o ensino e interpretação bíblica. Dois textos de Primeira Coríntios 10:4 e de Gálatas 3:19, textos que falam eh sobre a lei oral, né? Temos aqui o apóstolo Paulo utilizando pedaços da lei oral, da tradição oral judaica nas suas cartas. Primeiro Coríntios 10:4 fala sobre a pedra. Ele menciona essa pedra que seguiam os israelitas no êxodo e que dava água. E essa pedra ele fala que era uma alusão ao próprio Yesua, ao próprio Masi. A Torá não fala de pedra nenhuma que seguiu israelitas no deserto. Então Paulo tira essa
informação da lei oral, porque a lei oral atesta a presença desta pedra, né, que acompanhou os israelitas. Lá em Gálatas 3:19, Paulo fala algo que não está constando na lei escrita, no relato escrito. Paulo fala que a Torá foi dada, foi ministrada por anjos. Deus utilizou um intermediário que foi Moisés, mas ele ministrou a Torá ao povo, revelou a Torá ao povo com anjos lá no relato do Antigo Testamento. Nenhum lugar tá falando que Deus ministrou a Torá, deu a Torá através de anjos para o povo. Então, mais uma vez, ah, então o que o
apóstolo Paulo escreveu não é verídico? Não é verídico. Só que ele usa eh aspectos da lei oral e não só da lei escrita. Isso é para mostrar para você que os apóstolos Yeshua também utilizavam-se muito da tradição oral. É claro que tanto Yesua quanto Paulo tinham objeções graves em relação a dogmas judaicos, farisaicos também, que iam em desacordo, que que iam em contradição com a Torá, com os mandamentos de Deus. Toda tradição ou todo mandamento de homens, coisas que não haviam sido prescritas na Torá, que fossem contra os mandamentos da Torá, aí não só Yesu
como Paulo, mas eu também sou contra. Toda aquela tradição do meu povo que fere os escritos sagrados, a Torá, os profetas ou os escritos, eu não aceito. Então, toda tradição, nós temos que reter as boas tradições. Yeshua ia a sinagoga segundo o seu costume. Lá em Lucas capítulo 4 diz isso muito bem. E o ato de ir, se ir a uma sinagoga não é um mandamento bíblico. Deus não criou sinagoga. Deus não criou sequência de culto, de liturgia numa sinagoga. Deus não ordena ler essa Torá em público todo sábado. Mas na época de Yesua, os
fariseus haviam criado essas tradições. E Yeshua acatou com muita alegria essas tradições do seu povo. Ele tinha orgulho de ir a sua sinagoga. lá em Nazaré e depois em Cafarnaum e ensinar a Torá conforme a tradição oral. Essas coisas não haviam sido prescritas na Torá, mas eram tradições boas. Essas aí nós acatamos. Então veja na tela. A igreja cristã recebeu da sinagoga não apenas o texto da Bíblia, mas também as formas de interpretação. Então veja, se hoje a igreja cristã herdou muita coisa do sistema sinagogal, né? O o o o por exemplo, nós temos tanto
na Igreja Católica quanto na igreja protestante, nós temos momentos do serviço que são eh eh louvores, né? São hinos, são palavras de louvor. leitura de salmos, nós temos a leitura pública das escrituras, nós temos o estudo público das escrituras, nós temos o a organização, né, em presbíteros, em diáconos, né? Então, tudo todo tudo isso é um sistema organizacional que veio da sinagoga. Toda sinagoga judaica até os dias de hoje funciona do mesmo jeito. Nós temos a a liturgia, nós temos no início da do serviço da Torá do sábado, o psuqui de Zimbrá, que são louvores,
né, salmos. Depois nós temos orações, depois nós temos a leitura da Torá, depois nós temos uma explanação e mais orações de louvores no final. Então, a igreja cristã herdou muita coisa da sinagoga, sua liturgia, sua sequência de culto, né, a necessidade de se estudar as escrituras todas as semanas. Deveria também fazer uso de algo que a sinagoga dava ao judeu, que eram o quê? As formas interpretativas dos judeus. Então, é isso que nós estamos falando hoje. É profíuo para o meio cristão fazer uso desses métodos interpretativos judaicos até para evitar possíveis desvios eh doutrinários em
relação a interpretações interpretações textuais. Mais uma vez aqui não estou colocando eh as interpretações propriamente ditas, né, de Israel como absolutas. Não, eu estou querendo dizer aqui a respeito dos métodos de interpretação judaicos que são muito benéficos para todo estudioso das Sagradas Escrituras. Bem, então nós vamos eh ver agora quais são os quatro tipos de métodos, né, que os judeus usam desde antes de Yeshua para se interpretar os escritos sagrados. Veja aí na tela comigo. Os quatro métodos da exegese judaica são chamados de pardez. Lembrando que pardez é uma sigla, é um acróstico. P.R.Dd.Ee.Ss. Pardez
é o que está escrito em hebraico ali em amarelo. Pardez da direita para a esquerda. E os quatro métodos são esses quatro que vocês estão vendo abaixo. A primeira letra de cada um dos métodos forma a palavra pardes. Então veja, o primeiro método ali à direita embaixo é chamado de pschat. é aquela interpretação literal, superficial do texto sagrado. Se você se aprofunda um pouco mais no texto, você vai chegar no estágio remes. O remes é quando nós usamos uma alusão ou uma alegoria para interpretarmos um texto sagrado. O terceiro método, o mais utilizado dos quatro,
diria eu, é o método da drah. Daí que vem a palavra midrash. Então, drash é um método muito utilizado, muito utilizado por Yeshua, por Paulo, por todo o rabino de Israel, que é o método da associação textual. É quando nós usamos um texto para explicar, para nos ajudar a entender um outro texto ou às vezes juntamos dois textos que vão nos ajudar a entender um terceiro texto. Então esse método de drash ou associação, ele é muito importante para nós e eu vou falar muito dele nos programas de hoje e o da semana que vem também.
E o quarto nível de interpretação judaica, depois que você passa do modo do do do nível superficial, aprofunda-se mais um pouco, vai por remes, aprofunda-se ainda mais, chega na drach. Por último, nós temos o sod. O SO é o segredo, é aquele significado oculto que são os mistérios, né, da Torá que que os profetas dizem e que realmente existem, mas eles têm, você tem que cavar muito para poder alcançá-los, né? Não são fáceis de serem alcançados, por isso que eles são eh segredos, né? Por isso que são sod. Então, nós vamos falar sobre esses quatro
eh métodos da interpretação judaica e eles estão em ordem de eh aprofundamento. Então, o mais superficial é o PAT, depois o Remes, depois o Drash e depois o Sod. Para que você tenha uma uma compreensão, um entendimento claro a respeito de como os judeus usam esses quatro métodos para se estudar um texto, eu vou dar exemplos aqui. Neste primeiro programa, eu darei dois exemplos e darei outros exemplos na sequência desse programa e também teremos lá a conclusão. Mas nesse programa aqui eu apresentei o método pardes e eu agora quero falar sobre exemplos. Nós vamos colocar
em prática esse método interpretativo do pardes com uma parábola, com uma parábola de Yeshua. Então acompanha aí na tela a parábola que está lá em Mateus, no capítulo 13 versos 31 e 32. Veja aí. Outra parábola lhes propôs, dizendo: "O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e plantou no seu campo, o qual é, na verdade, a menor de todas as sementes, mas crescida é a maior que de todas as hortaliças e se faz árvore, de modo que as aves do céu vem anear-se nos seus ramos." aparentemente uma
uma palavra, um ensino de Jesus eh bem aparentemente simples, não é? As pessoas leem aqui. Eu já vi muitas pregações de de de pastores protestantes, né, que vão ensinar sobre essa passagem lá de Mateus 13, a parábola da mostarda. E aí eles pegam semente de mostardas, né, e exemplificam, mostrando como que a semente de mostarda é pequenininha, não é? e fazem uma associação com a mostarda, eh, com a fé, que na verdade essa associação com a fé é uma outra parábola de Exua, né, que ele fala que se a nossa fé fosse como eh eh
um grão de mostarda, mas aqui não, aqui ele tá falando que o reino dos céus, né, é semelhante a um grão de mostarda, ou seja, ele compara não a fé, mas agora o reino dos céus, ele compara o reino de Deus, né, eh, são sinônimos. O reino de Deus é compado a um grão de mostarda, que é que um homem plantou no seu campo, que é a menor de todas as sementes, mas que quando plantada ela cresce e vira maior de todas as hortaliças e se faz a árvore. Veja só, e uma árvore tão grande
que os as árvores do céu fazem ninhos nos seus galhos, nos seus ramos. Eu digo a você que essa talvez é uma parábola, uma das parábolas de Yeshua mais mal interpretadas ou mal compreendidas eh de todas as parábolas que Yeshua proferiu. Isso porque ele dizia em parábolas. E aqui mesmo em Mateus 13 ele explica pros discípulos por que ele ensinava em parábolas. Por quê? A parábola é um recurso judaico muito utilizado até nos dias de hoje, quando você quer passar uma mensagem, mas de forma implícita, de forma que apenas pessoas específicas vão entender a sua
mensagem, a moral da história, vamos dizer assim, o ensino principal. A parábola é um recurso que você dá admoestação, dá o seu parecer, eh, de forma implícita, ou seja, a massa, a população, a grande multidão vai ficar só no pchat, na interpretação superficial. Mas aquelas pessoas que têm ouvidos, né, que estão ali atentas, que estão sintonizadas ali em sintonia com as palavras de Yeshua, elas vão entender o que que Yeshua quis dizer, né? Então essa esse foi um método que Yeshu utilizou nessa ocasião aqui. Nós vemos que Yeshua tem uma palavra muito importante e que
passa despercebido. Por quê? Porque ele você tem que utilizar para para interpretá-lo, você tem que utilizar desses métodos de interpretação judaica. Você tem que entender que a a a interpretação de um texto, ela é crescente, ela tem níveis de interpretação. Esses níveis são o pardes. Então, veja só. Se nós começarmos aqui a analisar de forma superficial apenas, você vai entender, ah, que interessante, né? O reino dos céus, uma pequena semente, a menor de todas, mas quando plantada vira maior das hortaliças e eh serve de ninho para muitas aves, né? Então você pode pensar, ah, né,
na interpretação pchat, no no superficial, que é boa, nós nós nós nós eh conseguimos eh eh eh eh extrair muito apenas da interpretação pchat, mas ela é pata, ela é superficial, tem mais níveis aí é mais abaixo. Então pato é isso. Ah, então né, aquilo que era pequeno Deus honrou e se tornou grande, né? O reino de Deus começou pequeno, vai se tornar grande. Assim como a mostarda fica uma grande árvore, espalha os seus ramos e daquela semente pequenininha, ela vira uma grande hortaliça com ramos grandes que os pássaros vêm fazer ninhos nos seus galhos.
Bom, o problema é que Yeshua não queria que essa parábola fosse interpretasse, fosse interpretada no pxat. Isso porque o pchat seria a interpretação que as pessoas teriam, que a massa teria, por isso que ele usou a parábola. Então o pchato é aquilo que vai suprir a a suprir ali no caso aqui, nesse caso, nessa parábola, a multidão. Você vai entender daqui a pouco porquê. Se você aprofunda um pouquinho mais, nós temos o segundo nível de interpretação, que é o remêmeas. Que que é oas? Alusão. Alusão. Então, será? Aí você começa a pensar pelo método do
nível do pardez, no nível remes. Será que Yeshua está fazendo uma alusão a outros elementos? Será que o sujeito dessa parábola, se o objeto principal dessa parábola é outro? E ele usou alusões, ele usou substitutos? Será que ele quis dizer semente? mesmo de mostarda. Será que ele se referiu literalmente à mostarda? Aí a pessoa já começa a pensar no nível remes, ou seja, alusões. Será que foi feito ou não foi feito uma alusão, né, direta ou indireta, de elementos que sim seriam mais importantes do que uma simples eh semente de mostarda ou pé de mostarda.
Será que o pé de mostarda tá no lugar de um outro ensino, de um outro objeto que Yesua queria ali dar um ensino? Bom, eu tenho a certeza que sim. Sabe por quê? Dê uma olhada agora nessa foto que nós vamos mostrar para você. Veja, esse é o rabino Schula, né? fundador do nosso trabalho. E essa foto foi tirada no ano passado. Estávamos eu, meu pai, o rabino Marcelo e o rabino Schulam indo paraa casa do rabino Schulan, lá em Mevcerira Edsiono, aos arredores de Jerusalém. E no caminho na estrada, eh, no ali na região
de Jerusalém, o Rabino Schulam parou o carro no acostamento, desceu do carro e começou a colher essas essas e eh e plantinhas aí que você está vendo. E aí eu perguntei: "Mas, Rabino Schula, o que você está fazendo colhendo esses raminhos aí?" Ele disse: "Não, isso aqui é mostarda, mostarda para eu temperar o prato que eu vou fazer para vocês daqui a pouco." Aí eu dei uma olhada, veja só, mostarda eh, puxa vida, não é? Então eu falei: "Mas essa é a mostarda de Israel, do Oriente Médio". Falou: "É, essa é a mostarda da Bíblia".
Todas as vezes que algum alguém da Bíblia menciona mostarda, é isso aqui que eles tinham em mente. É isso aqui que a isso aqui eles se referiam, porque essa é a mostarda de Israel. Agora veja você aí na tela, veja a mostarda lá de Israel, ela chega, ela não, ela chega ao máximo, pessoal, a 40, 50, 60 cm. E os ramos dessa mostarda, né, são tão fininhos e pequenos que nemum um um beijaflor consegue fazer ninho em ramo de mostarda. Veja só, são galhos finos, são galhos pequenos, né? Essa é a mostarda lá de Israel.
Então a gente tem a certeza agora que Yesua não estava falando de mostarda. Porque se ele estivesse falando verdadeiramente de uma mostarda, eu ia falar que ele não entende nada de botânica, nada de de hortaliça e nada de semente. Primeiro que a semente da moçada não é a menor das sementes. Nós temos sementes muito menores do que a semente de mostarda. Segundo porque quando a mostarda cresce, ela não se torna árvore jamais. e os seus ramos jamais conseguiriam abrigar nenhum de pássaro algum. Então aí nós temos a partir do remes, nós temos a ideia de
que Yeshua não estava falando de semente de mostarda, nem de pé de mostarda, que eram objetos que ele usou para fazer a parábola. O seu ensino era outro. A mostr mostarda está no lugar de um outro sujeito do ensino. E a partir do Remas, nós começamos a ver quando nós lemos, por exemplo, sabemos que a semente de mostarda não é a menor das sementes. Então, a que que Yeshu estava se referindo? que a semente de mostarda, apesar de ser a menor de todas as sementes, uma pessoa, um estudioso, um judeu quando estuda as escrituras e
que quando estudasse deparasse com um texto eh desses, ele iria analisar, pera aí, onde nas Sagradas Escrituras é utilizado o termo semente ou em hebraico zera. O termo zera semente é utilizado nas escrituras em referência a quem? E se você pesquisa, você vai descobrir que a palavra zera nas escrituras é utilizada para descendência. Semente simbolizando descendência. E na maioria das vezes referindo-se à semente de Abraão, ou seja, ao povo de Israel, ao povo judeu. Semente de Abraão, Z era Abraão, né? A tua descendência, Abraão, a tua descendência. Essas referências usam todas aí na no lugar
de descendência a palavra semente. Então, será que Yesua estava se referindo a Israel? E por algum motivo ali, talvez tivesse ali alguma legião romana ou alguns dos fariseus ali ou alguma liderança romana. Yesua, para não incitar e não causar polêmica, utilizou-se de uma parábola como um típico rabino de Israel. E utilizou então uma uma fez uma alusão a Israel, utilizando-se a semente de mostarda, mas referindo-se à semente de Abraão, ao povo judeu, à nação de Israel. E a comprovação disso, veja aí na tela, nessa próxima, nesse próximo slide, é que o texto, o texto lá
de Deuteronômio, capítulo 7, verso 7, diz exatamente isso. Veja, Deus falando para Israel: "Deus não vos teve, não vos teve o Senhor afeição, nem vos escolheu porque fosses mais umos do que qualquer povo, pois erreis, na verdade o menor." Olha aí, menor de todos. os povos. Então aqui nós temos a certeza que Yesu estava fazendo sim uma referência à semente de de Abraão ou ao povo de Israel, porque ele faz também uma alusão ao texto de Deuteronômio 7, que todo judeu atento, né, quando ouviu essa parábola e ouviu mostarda menor das sementes, entendeu na hora
que Yesua não estava falando de mustarda, mas na verdade de Israel. Então a menor das sementes é uma referência ao povo de Israel que é o menor dos povos. segundo o próprio Deus. Bom, mas esse aí ficamos então ainda ficamos então ainda no Remes. E o Remês, graças a Oremas, conseguimos conseguimos entender que Yeshua não estava falando, é, na verdade, só de eh não estava falando a respeito de semente nenhuma, estava falando de de um povo que era o povo de Israel. Mas qual seria o ensino? Agora nós vamos para Adrash. O que é Adras?
Adras é uma associação textual. é, nós vamos utilizar eh a pessoa utilizar outros textos para se explicar um terceiro texto, um texto para se explicar um outro texto ou dois textos para se explicar um terceiro texto. Quando nós lemos a respeito, se sabemos que Yesua está falando de Israel e ele diz que esta semente de mostarda, apesar de ser a menor, quando plantada, se torna uma maior das hortaliças, se faz árvore, estende os seus ramos e nesses ramos vem aninhar-se as aves do céu. Nós temos que pesquisar na escritura qual referência existe onde Deus usa
uma imagem de uma árvore para falar de Israel, onde Deus usa a imagem de ramo se estendendo para falar da promessa dada a Israel, onde Deus fala de ninhos ou animais que se abrigam nos ramos dessa árvore Israel, onde isso é falado na nas sagradas escrituras uras na Torá ou nos profetas. E usando o método drash, nós encontramos um texto maravilhoso que fala a respeito de Israel, usando-se uma analogia de uma árvore e também de ramos e também de animais que se abrigam nesses ramos. Ela está lá em Ezequiel, no capítulo 17. Veja aí na
tela comigo. Ezequiel capítulo 17 versos 22 a 24. Assim diz o Senhor Deus: "Também eu tomarei a ponta de um cedro e a plantarei do principal dos seus ramos cortarei o renovo mais terro e o plantarei sobre um monte alto e sublime. No monte alto de Israel o plantarei e produzirá ramos." Veja aí, dará frutos e se fará cedro excelente. Debaixo dele habitarão animais de toda sorte e a sombra dos seus ramos se aninharão aves de toda a espécie. Veja só. Saberão todas as árvores do campo que eu, Adonai, abati a árvore alta, elevei a
baixa, sequei a árvore verde e fiz reverdecer a seca. Eu sou Adonai, disse e o fiz. Isso é fantástico, porque nós temos aqui uma referência clara que Yesu estava fazendo a essa passagem de Ezequiel. Ele não só referiu a Deuteronômio 7, mas também fez referência a Ezequiel 17, dizendo o seguinte, que as promessas dadas a Israel, qual foi a moral da história? As promessas dadas a Israel, que era a menor das nações, né, elas não foram esquecidas. Então, essa parábola da mostarda foi uma parábola de esperança para os judeus. Yesu estava dizendo: "Olha, Israel ainda
vai cumprir o seu papel. Israel ainda se fará cedro, se fará árvore e as aves do céu, ou seja, as nações, ainda vão se abrigar nos seus ramos. Foi uma palavra de esperança que Yeshua deu. Talvez ali na circunstância ele não poderia ter falado abertamente esses termos, mas ele utilizou-se de uma parábola e passou a mesma mensagem. E quem tinha ouvidos para ouvir, ouviu. Não temam. Apesar da circunstância não ser muito favorável agora para Israel sobre ocupação romana, não é? Deus será fiel para cumprir as suas promessas. E assim é o reino dos céus, assim
é o reino de Deus. Lembrando que Israel na Torá é chamada de reino de sacerdotes. O reino de Deus, ele foi eh implantado, o protótipo do reino de Deus foi implantado na nação de Israel. Então a nação de Israel também é chamada de reino de Deus. né? O modelo padrão estabelecido ali pela Torá fazia de Israel uma extensão do reino de Deus na terra. Então, Yesu estava dando o quê? Um ensino de esperança. E migrando agora pro último nível interpretativo que é o SOD, qual é o segredo? Qual é a moral dessa parábola? O segredo
é muito simples. Esta parábola que Yesua deu fez alusão a dias de glória de Israel, dias que virão, dias que foram profetizados inicialmente por Deus lá em Gênesis no capítulo 12. Em ti, Abraão, serão benditas todas as famílias da terra. uma referência que faz eh uma alusão que faz referência a Isaías capítulo 12, a Isaías capítulo 2, que muitas nações subirão ao monte de Adonai e lá junto com Deus, Abraão, Isaque e Jacó pedirão para aprenderem mais da instrução da Torá de Deus. vinde e subamos ao monte do Senhor para que ele nos ensine a
sua palavra, porque de Sião sairá a lei e a palavra do Senhor de Jerusalém. De Israel sairá a instrução. Então, eh, são profecias que mostram essa glória, não é, de Israel. Então, nós temos palavras proféticas em relação a Israel, que Yeshua faz eh eh eh referência aqui de forma implícita. Então, isso seria o SOD. Então, relembrando, não é, o nível pchat seria a interpretação que todas as pessoas que já leram essa parábola tiveram. Uma semente de mostarda literal que exu estava falando sobre um pé de mostarda e uma sementinha de mostarda. A pessoa que estuda
um pouco mais, que aprofunda, que cava um pouco mais, vai chegar no remes na alusão. Será que Yesua está fazendo alusão? Será que essa semente aqui faz referência a uma outra coisa? Sim, faz. A nação de Israel. Quando chegamos no Drash, encontramos a passagem de Ezequiel que explica a promessa de Deus para Israel de fazer de Israel o quê? Uma árvore frondosa para que nações ali se abriguem nos seus ramos, né? Aprendam com ela, se aproximem a ela. É o apóstolo Paulo fala, né? Os gentios sendo aproximados a Israel. Olha aí, Israel cumprindo o seu
eh plano e o último nível é o Sod. Nós fazemos referência a essas promessas que foram dadas a Israel, Israel sendo bênção para a humanidade através de Yeshua. Então nós temos aí os quatro níveis de interpretação e você vê como é diferente, não é? Como um complementa e aprimora o outro. Então você nunca deve se contentar só com o pchat, você deve cavar mais. A maioria das pessoas se contentam apenas com pchat. leem a Bíblia só no na interpretação chato, mas é necessário você cavar um pouco mais. Muito bem. Eh, nós demos aqui este exemplo,
foi um exemplo muito simplório e eu gostaria de passar rapidamente para o próximo exemplo, onde você poderá fazer uso das ferramentas interpretativas judaicas, da hermenêutica judaica, para entender o verdadeiro significado de uma passagem bíblica. E esta próxima passagem se encontra lá em João, no capítulo 9. É um texto que você conhece muito bem. Eu gostaria de ler essa passagem com você. Acompanhe aí na tela. Caminhando Yesua, Jesus viu um homem cego de nascença. É necessário que façamos as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Ele diz: "A noite vem quando ninguém pode trabalhar". Dito
isso, cuspiu na terra e, tendo feito lodo com a saliva, aplicou aos olhos do cego, dizendo-lhe: "Vai e lava-te no tanque de Siloé". Ele foi, lavou-se e voltou vendo. Levaram, pois, os fariseus o que dantes fora cego, e era sábado no dia que Yeshua fez o lodo e abriu os olhos ao cego. Então os fariseus, por sua vez, lhe perguntaram: "Como você voltou a ver?" Ao que ele lhe lhes respondeu: "A ele, Yesua, Jesus aplicou lodo nos meus olhos. Lavei-me, agora estou vendo. Por isso, alguns dos fariseus diziam: "Este homem não é de Deus, porque
não guarda o sábado". Passagem que você já leu inúmeras vezes, mas que se faz necessário nela também os métodos de interpretação judaica, ou seja, a preocupação de se entender um um texto, uma passagem no contexto original. O que as pessoas que ouviram ali entenderam dessas palavras de Yesua? Eu não estou preocupado com o que você entende hoje no século XX, mas o que aqueles judeus? O que aqueles fariseus que ouviram essas palavras de Yeshua, aquele homem que foi curado, o que eles entenderam? O que o ato de Yeshua significou para aquelas pessoas que viram aquilo
acontecendo? Bom, o modo phatal ele é claro. Você tem ali Yesua faz ali o lodo, aplica aos olhos daquele cego e aquela pessoa volta a ver. E era sábado. E aí os fariseus falam que Yeshua não podia ser de Deus porque ele não estava guardando o sábado. Muitas pessoas já ensinaram sobre isso, mas ficam apenas no nível chato. Se você aprofunda um pouco mais, vamos ao rêmias. Alusões. Será que Exu está fazendo alusão a algo? Será que ele não poderia apenas ter dito ao cego vê e ele estaria vendo novamente? O que que ele fez?
Todo aquele teatro, né? Cuspiu na terra, misturou, fez ali um lodo, aplicou aos olhos. Quer dizer, todo mundo estava vendo. Aquilo foi algo que ele fez para para que as pessoas vissem. E se ele poderia ter simplesmente dado a ordem e ele escolhe não fazê-lo, ele escolheu não fazê-lo, é porque as coisas fazem alusões. Exu estava dando um ensino através desse lodo que havia feito. Então, o remes já induz a pessoa a pensar que o lodo em si já é um ensino. Exu está fazendo alusão a algo. Se você pesquisa um pouco mais, se você
se aproxima mais dali do contexto cultural da época, nós estamos lidando com um cego, uma pessoa doente, a pessoa com uma enfermidade, a cegueira. E este homem eh era um cego de nascença, ou seja, algo que ele nasceu com aquela deformidade e era cego. E todo mundo ali conhecia aquele cego, todo mundo ali daquela região dos do da região ali do cego conhecia, sabia quem era. U, então, perante aquelas pessoas ali, lembrando-se de um ponto principal que as pessoas se esquecem, era sábado. Yesua, naquele dia de sábado, cospe ao chão, faz uma mistura e aplica
aquela mistura aos olhos do cego. Isso é uma referência direta a remédio. Yesu estava ali, para aquelas pessoas que viram, ele estava fazendo um remédio. estava simulando ali a ação de quem faz um remédio para uma outra pessoa. O remes me indica essa alusão. Yesu estava fazendo alusão ali a ao ato de se fazer um remédio. Tudo bem? Até aí entendemos. Mas para que isso? Aí chegamos no método drash. O drash é a associação com textos. E eu sei, estudando um pouco o material judaico eh desta época de Yeshua, eu sei que havia ali regras
ferrenhas dos fariseus, dogmas que não eram mitesvot, não eram mandamentos da Torá, mas dogmas de homens, eh ordenanças de homens. Os fariseus haviam proibido nos dias de Yesua, se fazer qualquer tipo de remédio no sábado. Ou seja, pessoas ficavam doentes, pessoas morriam porque não recebiam assistência médica no sábado, nos dias de Yesua, chegaram a um legalismo tal em relação ao Shabbat que nem fazer o bem pro próximo você podia. Na própria época de Yeshua, estava registrado em rabinos mais antigos que se uma pessoa está consta até hoje na Michiná, você pode pesquisar, a Michiná diz
que se uma pessoa, se um judeu, se fosse para ele se sentir melhor de uma simples gripe, se você tivesse que fazer uma mistura, um prato especial pra pessoa se sentir melhor, de uma gripe ou de um resfriado, de uma coisa menos grave, mesmo que fosse sábado, você podia fazer. Então, os mais antigos já tinham tinham estipulado. A Michiná já atesta que se era para se fazer os judeus se sentir melhor, se era para fazer o seu próximo se sentir melhor, você podia violar o Shabat para ministrar vida ao seu irmão. Ele tinha que quebrar
o shabato porque você tinha que fazer remédio. Você tinha que acender o fogo, tinha que colher lenha, tinha que levar esse remédio até o sujeito. Tudo isso incide em algo que quebra que quebra quebra na verdade o Shabat. Mas por que que os rabinos antes de Yesua haviam permitido esse tipo de coisa? Porque eles entenderam o chamado picuarnefes, um princípio bíblico que traduzido é preservação da vida. O mandamento foi dado pro homem e não o homem pro mandamento. Yesua usa as mesmas palavras que eu estou dizendo aqui agora. Então, a preservação da vida tem prioridade
sobre os mandamentos. Nas escrituras, apenas três mandamentos você não pode quebrar para se manter vivo. Se for um caso de perigo, de morte iminente, de vida ou morte, você pode quebrar todos os mandamentos para preservar sua vida, exceto três. Não cometer idolatria, não entregar um inocente à morte e não cometer nenhum tipo de promiscuidade sexual. Então, tirando esses três mandamentos que você realmente morre, se você tiver numa situação de vida ou morte, você não vai adorar a um falso Deus, nem deitar-se com a pessoa, nem entregar o inocente à morte para se livrar, né? Isso
aí não fazemos. Pode ver, conferir ao longo da Bíblia, mas todo o resto, esses mandamentos sofrem prioridade. A vida tem prioridade sobre esses mandamentos. Então, o Shabbat foi feito e eh é pro homem, não homem pro Shabat. Então, quer dizer, Yesu até fala, né? Se o se o se o se o jumento do do seu irmão cai no buraco no dia do Sabbat, você não vai resgatá-lo, por que que você não pode fazer o bem para uma pessoa, o ser humano, que é muito mais importante que um animal? Então, na época de Exu, os fariseus
haviam invertido aí esses valores de mandamentos. Então, Yesu estava fazendo referência a essa a esse ensino que atestava a permissibilidade de quebra de Sabat para a preservação da vida. Uma pessoa tava doente. Então, Yesua fazendo aquilo ali, ele está demonstrando para as pessoas ao seu redor que o quê? é permitido fazer remédio, é permitido eh eh eh eh tratar do próximo mesmo no dia de Shabbato. É claro que a própria cura é o ensino, é claro que a própria cura em si já é um testemunho, mas além disso, o fazer o lodo também foi o
ensino contra esse dogma farisaico da época, um dogma errôneo, né? Porque o Sabbat ele ele perde a prioridade para a vida. Se é para manter a vida em uma situação de vida ou morte, né, a pessoa deve receber a sua medicação. Por isso que lá em Israel, hospital pronto atendimento não fecha no shabat. Mesmo no Yonkipu, o dia mais sagrado do nosso calendário, os os médicos e as ambulâncias dos pronto atendimentos funcionam no Yonkipu. E por que que nem um rabino atesta isso como pecado? Porque os rabinos entendem o conceito de picuar nefes é feito
para a preservação da vida. Muito bem. Eh, no próximo programa nós abordaremos mais exemplos da hermenêutica judaica, do pardes e também teremos a nossa conclusão final. A você, meu caloroso shalom e até a semana que vem com o próximo programa Torá em Debate. Yeah.