o olá caríssimos e caríssimos é com satisfação que eu apareço aqui novamente eu sou túlio augusto professor de sociologia sociólogo e hoje eu queria trazer um assunto uma abordagem filosófica e sociológica de um assunto que nos têm considerado a todos eu tô falando aqui da cor 2019 da pandemia do coronavírus cujos votos nós já contamos aí na casa dos centenas de milhares cujos infectados nós já contamos na casa dos milhões e é um assunto muito avassalador e sem querer vender nenhuma falsa esperança mas também sem acentuar nenhuma histeria desnecessária eu quis vai visitar um clássico
da sociologia que embora não seja muito novo tem muito a nos dizer sobre esse momento específico e nós estamos vivendo eu tô falando desse distinto senhor aqui se chama nordeste e oi e o livro dele é a solidão dos moribundos é um livro de 1982 e que tá que tá lidando com essa ideia da morte com a ideia de como a sociedade trata os seus doentes os seus moribundos né mas antes disso uma uma breve menção a quem foi nove agiliza quem é esse nosso protagonista aqui de hoje né se você não conhece norbert elias
a trate de conhecer você já deve sinta-se devidamente apresentado aí novamente elias é um sociólogo alemão nasceu na breslávia que é uma região que a pertenceu a polônia quando ele nasceu pertencia à prússia né nasceu em 1897 e morreu em 1990 viveu aí praticamente todo o século 20 e deixou uma vasta obra eu a easy hbo exibe parte dela aqui com muito orgulho ele escreveu mais de 20 livros dentre eles alguns clássicos eu destacaria esse aqui os alemães a luta pelo poder ea evolução dos hábitos e no século 19 e 20 com um livro que
me foi muito caro durante o mestrado sobre o tempo a sociedade os indivíduos que lidam com problema sociológico fundamental os estabelecidos e os outsiders que também é uma produção notável mas sem sombra de dúvida a cereja do bolo essa daqui chama-se o processo civilizador um livro em dois volumes no colo primeiro volume ele vai lidar com uma história dos costumes e o segundo a formação do estado e da civilização esse livro foi publicado a em 1939 mas teve o reconhecimento a bastante tardio não apenas esse livro mas toda obra do elias só em 69 foi
publicado em inglês e aí foi descoberto pelo pelos acadêmicos pelos sociólogos por exemplo eleitorais em geral e aí a obra do elias foi devidamente visitada e foi dado a ela um lugar de destaque que merece nesse texto em que é de 1982 o elias falavam sobre a questão da morte e se pudéssemos resumir esse livro é um livro pequeno é um ensaio na verdade é a gente numa única frase eu a gente poderia dizer que ele tá dizendo que essencialmente a morte é um problema dos vivos e por mais que esse reconhecimento seja óbvio demais
ou parece um truísmo ebute aí uma reflexão sociológica e filosófica de peso e que foi a trazida de um ponto de vista privilegiado é essa a questão aí que eu tô querendo a tratar com vocês hoje pois bem ele começa dizendo que existem inúmeras maneiras de lidar com a ideia da morte nessas maneiras variam conforme o tempo conforme as sociedades a uma mais antiga mais clássica delas é mitologi zando a morte né seja estabelecendo uma espécie me avisou de barrá-la se você conhece um pouco de mitologia nórdica ou se você assistir o seriado vikings sabe
que eu tô falando ou então na nosso modelo cristão aí que mais conhecido que a ideia de inferno e de paraíso não é mas a morte começa muito antes desse do que simplesmente eduardo de morrer ele vai mostrar que a morte é um processo e que esse processo começa a se dar com isolamento tácito ou seja não evidente a dos mais velhos e dos moribundos de como os doentes vão sendo afastado da vida social eles vão tendo os seus papéis sociais sendo desfeitos farelados as suas relações sendo constantemente esfriados e portanto eles vão perdendo os
vínculos sociais mais efetivos is clarão processo doloroso para todo mundo para quem está envolvido nisso para as pessoas que tinham vínculos com o vírus que vão sendo afastados e também claro para eles próprios próprios moribundos né a questão fundamental de da morte a questão social da morte ela é para ele de difícil resolução basicamente por um fator porque os vivos não se identificam com os moribundos isto é não há uma compatibilidade de identidades social entre os moribundos e os vivos né a morte ela é essencialmente um problema dos seres humanos nessa aqui típica e exclusiva
dos seres humanos não é nenhum animal se preocupa com a questão da morte se dá conta tem ciência da própria morte e portanto não se antecipa a ela portanto não não cria mecanismos aí de tentativa de anik da de se distanciar da própria aniquilação né essa é uma questão humana e que portanto a modula de maneira geral a vida humana né e posta que se dá a morte há também uma questão muito curiosa e que nos traz uma um ponto de reflexão importante para se inscrever para se entender a civilizações né essas formas elas variam
conforme o tempo conforme a realidade conforme a sociedade né mas é curioso ele faz uma observação não há uma noção por mais bizarra que seja que não encontre pessoas dispostas acreditar nela desde que ela ofereça alívio para ideia de morte ou seja há sempre um sistema de crença por mais absurdo o bizarro que possa parecer que encontra adeptos os mais variados desde que ofereça para esse seu cliente para esse seu adepto um alívio com a ideia da morte né um alívio com a consciência do ideal da morte que é de dificílimo confronto né que nos
com qual nós nos confrontamos com muita dificuldade na sociedade e essa busca por um sistema de crenças por ajuda em um sistema de crenças é uma cidade uma maneira mais apaixonada do que na sociedade menos envolvidas ou do que se deu na sociedade do passado isso porque a essa essa necessidade de garantia contra a transitoriedade da vida ao contra finitude da vida ela é arrefecida ela é diminuída portanto ela ela isso revela claro o inseto nível de estágio civilizacional né nossa avançamos ao longo do tempo na maior segurança e previsibilidade individual isso nos permitiu te
a questão da morte - permanente no nosso dia a dia né na nossa vida nossa sociedade contemporânea a questão da morte ela não é tão presente como já esteve em sociedades do passado isso porque essa segurança social em que nas sociedades modernas nós adquirimos e também a a previsibilidade da das vidas individuais também acentuou essa essa esse distanciamento essa diminuiu portanto essa necessidade de lidarmos com essa questão o tempo todo permanentemente a morte ele vai nos dizer aí ela é muitas vezes chamada de recalcada né e é recalcado aqui não naquela maneira como você se
reporta aquela sua amiga falsa é calcada no sentido freudiano coberta de recalque que é um mecanismo descrito pelo freud que de é uma instância psíquica o mecanismo de defesa psíquica que é muitas vezes existe lado com base em experiências negativas ou dolorosas que tivemos no passado sobretudo na primeira infância isto é uma série de experiências dolorosa cria e nós essa esses mecanismos de defesa essas ideias de recalque e que bloqueiam acesso a memória bom e se não bloqueia pelo menos restringem o acesso a memória quanto ao tratamento daquele tema o tema no caso a questão
da morte né por temos diversos problemas aí com a questão da morte e suas bloqueia ao longo da vida isso é comum em muitos indivíduos a percepção real ou a o ato de lidar mesmo com essa noção de morte ele vai dizer olha a muitas pessoas que são incapaz de conviver o de lidar com um moribundo exatamente porque elas não conseguem conviver com a ideia da própria morte porque a vivência com o moribundo ela fragiliza as nossas fantasias pessoais de eternidade fantasias muitas vezes inconscientes que nós temos né oi e essa é uma vez sem
sombra de dúvida um fator que torna pelo mesmo ponto de vista individual a morte é recalcada freudianamente falando bom um outro fator que ele destaca a dificuldade de oferecer ajuda e afeição ao moribundo que é um segundo ele um problema geral da nossa época basicamente porque nós temos uma visão e aí esperou eu acabei de falar que o moribundo a visão do moribundo contato a imagem do moribundo ela perturba de maneira avassaladora os nossos ideais construídos contra a morte contra a finitude da vida isto é nós todos erigimos mecanismos de defesas que que tendem a
nos afastar desse medo dessa desse reconhecimento da ideal de morte né muitas vezes essa defesa é inconsciente ou semiconsciente ele dá portanto com o moribundo e em geral do nosso tempo é confrontar e ver aí muitas vezes rasgado aos pedaços esses nossos ideais de defesa contra a ideia de morte né ah o sentimento também muito comum na noção de morte que está presente em diversas sociedades e que teve conosco ao longo do tempo que a ideia de punição não é que a ideia de que a morte é sempre uma punição estava muito claro eles a
tradição bíblica quando o adão e eva são punidos por pelo fato dela ter comido a maçã com a expulsão do paraíso e com a modalidade né se antes eles eram eternos tinham a vida eterna agora eles são colocados em carne osso e terão que ter aí uma vida que é e vai fornecer e que não é perene né uma vida que vai acabar em algum momento que que portanto eles não tem mais a vida até nessa noção de punição que tá aqui tá muito vinculado a matrizes religiosas é uma constante nas nossas sociedades e ele
destaca também a questão da morte como um perigo biosocial né de como a morte vai sendo constantemente empurrada a pelo impulso civilizacional para os bastidores da vida ou seja a a morte e de todas a ele e todos ligados a elas sejam os doentes os velhos né os moribundos eles vão sendo consequentemente expulsos os bastidores da vida social isso claro provoca o isolamento e provoca a solidão dos moribundos também só cento e contribui decisivamente para isso na solidão dos moribundos da qual ele trata e já no título do seu livro é uma prova de como
é esse processo e da é eu fácil de como a morte já esteve presente em outra sociedade sobretudo da idade média se a gente pensar a morte era algo muito mais fácil era ser encontrado né o que não é nada bom mas era alguém com quem e era considerado alguém muito velho morria de forma natural ou de forma violenta com muito mais naturalidade com muito mais frequência portanto a a morte é um tema muito mais presentes nas conversas nas artes na poesia na música e na vida social como um todo né morrer era um ato
muito mais público do que é hoje nós conseguimos em certa medida privatizar essa ideia de morte tornará privada e tomar uma privatizada e certo sentido também o afastamento social das crianças do elemento biológico da morte é também uma noção do estágio civilizacional no qual nós estamos e a respeito desse afastamento e aí dos moribundos ele nos traz uma reflexão importante né nós nunca fomos tão assépticos na condução dos moribundos para o afastamento da vida social né nós nunca conseguimos fazer a o envio dos cadáveres de moda bom então tecnicamente eficiente e tão inodoro do leito
de morte para o sepultamento né é uma contratação forte né mas a bastante verídica né antigamente o tratamento do cadáver ficava a cargo da família do morto hoje não nós temos pessoas agentes devidamente remunerados para isso e que fazem isso lidam com isso de maneira profissional isso também é revelador desse afastamento da ideia de morte do devemos do seio da vida social ou pelo menos uma tentativa de afastamento dessa ideia né essa ocultação dos moribundos na vida social da sobretudo das crianças é uma questão muito presente nos nossos dias ele vai nos dizer é porque
ela tá em tiga intimamente ligada a esse desconforto peculiar que a presença dos moribundos gera em todos nós né gera nas não nem tanto nas crianças mas os adultos né e por isso é essa é um uma obsessão dos adultos afastar as crianças da ideia de morte de morte porque muitas vezes nós não sabemos o que dizer né nós sabemos como tratar nós sabemos lidar que isso é uma constante e é isso ele chama isso de um dilema civilizacional né porque a informalização de muitos dos padrões de costumes que aconteceu aí alguns decorrer do século
20 ela dificultou os espaços de manifestação de afeto e de sentimento em ambiente público o ambiente semi público em razão da vida social sempre em conjunto nós estamos permanentemente a nos refugiando em formas de nos afastar das demonstrações mais claros ou mais calorosas de afeto e portanto lidar com os com os moribundos é se torna embaraçoso porque muitas vezes o que eu moro no mundo precisa é de uma comunicação mais sincera de uma comunicação mais afetuoso é tudo que ele precisa mas nós estamos sempre permanentemente embaraçados antes essa possibilidade porque a gente não sabe o
que dizer não sabe o como agir como proceder como como lidar com a questão da morte e dos moribundos que são sem sombra de dúvida os mais próximos a essa essa ideal essa ideia de morte né que são certa maneira candidatos naturais a enfrentar essa morte mais rapidamente né e isso cria um efeito que a rotina instituto institucionalizada dos hospitais ela acaba sendo a melhor construção na que nós temos para lhe dar a melhor construção social que nós temos para lidar com a morte é evidente que isso gera uma série de de contatos e e
preparos do moribundo muito impessoais e muito distanciados mas é foi a melhor maneira que e civilizacional encontrou a para lidar com essa questão e isso novamente é mais um elemento essas rotinas institucionalizadas dentro dos hospitais é mais uma forma de isolamento desses moribundos né e seguir ele vai nos falar do silêncio dos vivos né de como é porque o silêncio sempre se pede silêncio em volta dos mortos mas é evidente que são problema tão somente para os vivos e não para os mortos né essa ideia que você provavelmente já vivenciou na pele quando sua mãe
falava para você se comportar no velório ou para você não ficar pulando em cima dos túmulos no cemitério né porque a ideia que você tem que falar baixo perto dentro de um cemitério no velório que é uma ideia de silêncio de você tem que reagir de maneira muito comedida tudo isso na verdade está demonstrando uma preocupação que é a dos vivos nessa solenidade esse silêncio no tratamento dos mortos é sem sombra de dúvida uma preocupação do mundo dos vivos né não abalar a paz dos mortos e ela é revelador de um desejo a semiconsciente de
se afastar essa animalidade humana da da do centro da vida social né não essa solenidade em silêncio com que nós tratamos as cerimônias os rituais ligados aos mortos é também um desejo semiconsciente de nos afastarmos o ideal de morte na vida social a morte e ele vai nos dizer é o fim onde o último da vida naturalmente e portanto a dificuldade ao a resistência na desmitologização da morte ou seja o ato de desmitologizar a morte ela é proporcional ao medo que se tem dessa morte né é tão mais difícil falar da morte o lidar com
a naturalidade da morte maior o medo que nós temos de enfrentar a própria morte maior o medo que nós vivos e no ideal de morte né e ele vai dizer que não é a morte aqui perto o temor né é mas é o medo antecipado da morte né esse medo que naturalmente ele está na consciência dos vivos bem essa foi uma síntese e aí bastante breve do pensamento no albert linhas eu te convido a ler o livro que é bem menos superficial do que eu tô tratando aqui e que é uma leitura rápida fácil presente
nas melhores casas do ramo e claro se você assistiu aguentou esse vídeo até agora pelo amor de deus tem a bondade aí de dar um joinha dá um like deixar um comentário divulgar esse vídeo para alguém claro mais importante é se inscrever no canal permaneciam vivos atuantes e sem presentes aqui no canal um abraço e até a próxima