Quando eu realizei o sonho de conhecer o museu do Luvre em Paris, eu tive que montar um pequeno um pequeno mapa para poder fazer a rota de peças que eu não queria perder. É um museu gigantesco, é impossível ver tudo num dia só. E tinha algumas coisas que eu queria muito ver.
Eu queria muito ver a Venus de Milo, Monalisa, até o clássico. Sei, vai no Luvre, não vê esses lugares. Podem não ser as peças mais impressionantes, mas é meio que um ponto de parada obrigatório.
Eu pude ver o código de Amurab, que já tinha lido tanto sobre ele no seminário, mas foi na sala 172 da ala de Nom que eu pude encontrar uma peça bem pouco badalada, mais importante para mim. Era uma escultura de mármore chamada Torço masculino de Mileto. É uma peça de mármore datada de 480 a.
Cristo foi encontrada a sudoeste da atual Turquia, na região de Mileto. A estátua representa o torço de um jovem sem cabeça, também sem os dois braços e sem as pernas. A perna direita vai só até acima do joelho.
E é uma peça que eu queria muito ver, não por ela em si, mas por causa de um poema que eu havia lido sobre essa peça. Foi um poema que Heiner Maria Hilk escreveu falando sobre essa peça. O poema diz o seguinte: "Não conhecemos sua cabeça legendária, na qual as pupilas maturavam, porém seu torço ainda arde como uma luminária em que seu olhar mais tênis se detém.
Fica e brilha, senão o leve reflexo da curva do seu peito não te cegaria, nem o sorrir no giro dos quadris iria correr para este centro que portava o sexo. Seria apenas uma pedra deformada sob ombros de diáfana derrocada. E como pelos de fera, não brilharia e nem teria toda sua forma rompida como uma estrela, lugar não haveria que não te veja.
Precisas mudar tua vida. Embora ele nunca tivesse visto a cabeça da estátua, o Ruk sabia que essa cabeça devia ser incrível, que o olhar devia ser tênue como o brilho daquela escultura. R podia sentir uma cabeça inexistente o observando por meio de olhos que faltavam, olhos que ele não via, mas que ele sabia que deviam estar olhando ele.
Pode parecer intrigante que o poeta se sinta observado por uma estátua sem cabeça, mas é a partir da maravilha artística do torço que ele imagina a imponência e o caráter arrebatador daquela cabeça. De fato, esse mundo é uma escultura quebrada. E como Hilk, nós somos observados por olhos que nós não conseguimos contemplar.
Nós não vemos Deus, mas nós podemos nos sentir observados por aquilo que não está explícito no mármore arruinado da existência. Uma vez que o que nós podemos contemplar da escultura de Deus é tão magnífico e poderoso, como será então aquilo que dele nós ainda não vemos? Ele que é o próprio autor torço da vida.
Mas veja, quando eu tava lá no Luvre com minha esposa, era os versos finais da poesia do Hilk que me cativavam. Ele diz: "Lugar não haveria que não te veja, porque aqueles olhos quebrados da estátua que ele não conseguia enxergar deveriam ser tão incríveis. Aquela escultura o observava em qualquer lugar que ele estivesse, de uma forma muito mais poderosa do que se houvesse realmente uma cabeça ali.
A ausência da cabeça e dos olhos magníficos é que davam esse aspecto sobrenatural a aquele torço que observava Huk onde ele estivesse. Lugar não haveria que não te veja. Por isso que o Huk atribui aquele torço a Apolo que era uma divindade.
Apenas uma divindade poderia nos enxergar onde quer que nós estivéssemos. E o que isso cobrava do Hilk? Ele encerra a poesia com o mandamento: "Precisas mudar tua vida".
Ninguém poderia ser contemplado por olhos tão magníficos, ainda que não vistos, e permanecer do mesmo jeito. A experiência de Heiner Maria Hilk é a experiência de quem entende que é visto. É a experiência de quem precisa mudar de vida por não conseguir fugir daqueles olhos lendários.
Eu, como cristão, eu não acredito na divindade de Apolo, nem acredito que uma estátua pode me enxergar, mas eu acredito em um único Deus que habita nos altos céus. Um Deus que, embora invisível, sempre me contempla com olhos de fogo por dentro e por fora, onde quer que eu esteja. Ele me conclama a mudar de vida.
Como eu posso fugir de um Deus como esse? Fugir de Deus é como fugir da minha própria pele, é como fugir do oxigênio, é como tentar fugir dos átomos. Fugir de Deus é como tentar fugir da existência.
Por isso que eu acho o livro de Jonas tão poderoso. É a história de um homem que tentou fugir de Deus, mas que mesmo sem enxergar a Deus, foi visto por dentro e por fora, por meio de olhos lendários que o fizeram mudar de vida. No meu novo livro, Arruinados pelo amor de Deus, eu analiso o livro de Jonas e o livro de Naum para enxergar através de não só um diálogo bíblico, mas também com várias fontes da literatura mundial, o que Deus espera de nós acerca de juízo, acerca de graça e acerca de restauração.
É preciso mudar sua vida e eu espero que Arruinados, pelo amor de Deus, seja um material que te mostre que é impossível fugir dos olhos que tudo vem. Você encontra o livro na Amazon e nas melhores livrarias. M.