[Música] k ah ah fazer segurança num lugar comum já não é fácil agora imagina trabalhar no Carandiru ou no que restou dele o Pavilhão Nove já não existe os corredores não vem mais presos mas as histórias essas ainda andam por lá eu comecei a trabalhar ali faz uns anos depois que uma parte do presídio virou parque e outra ficou como Centro de Treinamento a função era simples vigiar evitar invasões e garantir que ninguém entrasse onde não devia só que tinha coisa ali que não precisava de vigilante para sair a primeira vez que escutei os gritos
Foi numa terça-feira perto das 2as da manhã o turno da madrugada sempre foi o mais pesado O Silêncio do lugar não era normal não era um silêncio qualquer era um silêncio pesado como se tivesse algo no ar a gente fazia a ronda em dupla eu e um parceiro chamado Damião Cara velho de serviço já tinha visto coisa demais na vida ele sempre dizia aqui tem coisa mas o melhor que a gente faz é fingir que não vê naquela noite a gente estava passando perto de um corredor que dava para a ala desativada uma parte que
não foi demolida mas que ninguém entrava de repente ouvimos era um grito mas não um grito comum não um grito de briga ou de bêbado invadindo era um grito de desespero de gente sofrendo pedindo ajuda Damião parou na Hora virou para mim e falou baixinho você ouviu isso eu só consegui balançar a cabeça o barulho parecia vir de dentro da ala fechada lá fundo eu tentei engolir seco e disse será que entrou alguém Damião respirou fundo olhou o relógio olhou pro corredor escuro e falou se entrou Que Deus ajude mesmo assim a gente foi lanterna
na mão cacetete no outro pé atrás de pé o corredor cheirava mofo e ferro velho e o eco dos nossos passos parecia gritar Junto com a voz que tínhamos ouvido o portão que levava a ala desativada estava trancado como sempre cadeado no lugar mas a voz ela veio de dentro dessa vez não era um grito era um sussurro um pedido de socorro baixo entrecortado como se alguém tivesse dificuldade para falar Socorro meu sangue gelou na hora olhei para damião e ele tava branco feito vela mas antes que a gente pudesse reagir o barulho mudou padas
várias vindo na nossa direção lá de Dentro e não era uma ou duas era como se tivesse uma multidão se aproximando mas sem ninguém ali Damião segurou meu braço e sussurrou Anda agora a gente saiu dali sem olhar para trás sem falar nada o barulho parou no instante que cruzamos o corredor de volta mas naquela noite eu não consegui dormir na manhã seguinte fui perguntar para um segur mais antigo um cara que trabalhou antes da desativação Quando contei a história ele só Balançou a cabeça e disse aqui isso Sempre teve Mas ninguém mexe ninguém responde
você fez bem em sair eu só perguntei uma coisa o que tinha lá dentro ele me olhou sério como se não quisesse dizer mas depois de um tempo respondeu isso aí que você ouviu foi onde deixaram os corpos depois do massacre eu não queria mais saber de nada depois disso na noite seguinte eu jurei para mim mesmo que não ia passar perto daquela ala de novo mas tem coisa que parece que puxa a gente sem Explicação o turno começou como sempre Ronda checagem dos portões e aquela sensação estranha no ar Damião não tocou no assunto
do dia anterior e eu também não quis falar nada mas cada passo que a gente dava pelo Pátio a sensação de que tinha algo errado só aumentava foi quando o rádio chou câmbio tem alguém no corredor da ala desativada a voz era do Marquinhos um dos seguranças do portão principal Olhei pro Damião e ele me olhou de volta peguei o rádio e respondi Negativo por qu a resposta veio quase de imediato eu vi alguém passando lá eu não queria ir Damião também não mas segurança é segurança se tinha Invasão a gente precisava averiguar pegamos as
lanternas e seguimos pelo mesmo caminho da noite anterior só que dessa vez o corredor parecia diferente tava mais escuro o cheiro de mofo e ferro parecia mais forte o eco dos nossos passos não batia certo e pior de tudo o portão estava entreaberto na hora gelei o Cadeado ainda estava no trinco mas a corrente pendia frouxa como se tivesse sido aberta por dentro Damião segurou firme o cacetete e falou quase sem voz isso não era para estar assim a gente trocou um olhar rápido e acenamos um pro outro empurramos o portão devagar e ele abriu
rangendo arranhando o silêncio da madrugada como unha arranhando vidro a primeira coisa que sen ti foi o cheiro podre como carne apodrecida Há dias a segunda coisa foi o frio um frio seco Cortante que não fazia sentido ali dentro a terceira coisa foi o sussurro baixinho vindo do fundo do Corredor exatamente onde tinham jogado os corpos depois do massacre Socorro era a mesma voz só que dessa vez não tava mais longe tava perto Damião apontou a lanterna a luz tremeu na parede suja e descascada revelando as portas das antigas celas agora trancadas e enferrujadas o
chão tinha marcas escuras que eu prefiro nem pensar no que Eram a voz continuou Socorro a lanterna começou a piscar o rádio chiou o ar ficou pesado Meu Coração batia tão forte que eu podia sentir no pescoço Foi aí que veio um barulho de correntes sendo arrastadas lá do fundo e de repente algo correu na nossa direção Não vimos o que era só ouvimos os passos acelerados o som das correntes se sacudindo o eco de algo se movendo rápido demais para ser humano Damião gritou eu congelei a lanterna apagou o portão bateu sozinho Atrás da
gente e por um segundo o que quer que fosse parou bem na nossa frente o rádio explodiu em estática a lanterna reacendeu e não tinha nada ali nada visível pelo menos Damião me puxou pelo braço e saiu correndo eu fui atrás sem pensar duas vezes cruzamos o corredor de volta empurramos o portão com força e trancamos do lado de fora o silêncio voltou mas a sensação não foi embora naquela noite eu pedi transferência de setor camão nunca Mais tocou no assunto mas de vez em quando de madrugada os guardas novos relatam ouvir correntes arrastando na
ala desativada depois daquela noite eu evitei ao máximo passar perto da ala desativada Damião também sempre que alguém mencionava algum barulho estranho vindo de lá a gente trocava um olhar rápido Mas ninguém falava nada melhor fingir que aquilo nunca aconteceu só que tem coisa que não deixa a gente em paz Na semana seguinte outro segurança um novato chamado Jorge pegou o turno da madrugada ele não sabia da história ninguém contou nada mas logo na primeira noite veio pálido me perguntar você já ouviu gente gritando naquela ala velha eu não respondi só perguntei de volta o
que você ouviu Ele olhou pro lado como se estivesse com medo até de falar era grito Mas não era só grito tinha choro gemido de dor Parecia um monte de gente Desesperada como se tivessem sendo espancados meu sangue gelou que horas foi isso umas 3 da manhã claro que foi sempre é às 3 da manhã Damião escutou a conversa mas só Balançou a cabeça e se afastou eu fiz o mesmo mas aquela coisa ficou martelando minha cabeça no dia seguinte outro guarda relatou o mesmo e na outra noite mais um A história se espalhou os
guardas mais antigos diziam que isso sempre acontecia por aquela época do ano era o mês do massacre e eu Teimoso que sou fiz a pior coisa que podia ter feito decidi escutar com meus próprios ouvidos Dessa vez fui sozinho eu precisava saber peguei minha lanterna chequei o rádio e esperei o silêncio da madrugada tomar conta do presídio a ala desativada parecia ainda mais escura do que eu lembrava o cheiro de humidade era forte mas o pior era aquela sensação de peso no ar como se alguém estivesse me observando andei devagar pelo corredor pisando leve para
não fazer barulho o Portão de ferro ainda tava lá fechado e trancado com a corrente Mas eu sabia que isso Não significava nada quando cheguei perto Fiquei em silêncio absoluto e foi aí que ouvi os primeiros sussurros não por favor não a voz era baixa trêmula um segundo depois um outro som tomou conta do Corredor pancadas secas fortes como se estivessem batendo em alguém desgraçado vai morrer aqui dentro o arrepio subiu pelas minhas costas aquela Cena aquilo não era só um barulho era uma lembrança como se o próprio prédio tivesse guardado o que aconteceu ali
meu corpo dizia para eu sair dali mas minha cabeça não deixava eu queria ver apontei a lanterna pro portão e no momento que a luz bateu nos trilhos enferrujados Alguém passou correndo lá dentro não foi uma sombra não foi um vulto foi alguém um homem magro sem camisa correndo pelo corredor escuro meu coração disparou mas antes que eu Pudesse reagir ele parou de repente e virou o rosto para mim a lanterna piscou Eu Juro pela minha vida ele não tinha olhos a escuridão tomou conta do rosto dele como se os olhos tivessem sido apagados só
buracos negros vazios ele levantou a mão e apontou para mim o rádio explodiu em estática o portão tremeu sozinho E então os gritos começaram de novo não era um não eram dois eram dezenas homens gritando chorando pedindo ajuda o som encheu a Ala inteira era como se o massacre estivesse acontecendo ali de novo na minha frente meu corpo finalmente obedeceu saí correndo dali como se minha vida dependesse disso mas antes de sair pelo portão eu ouvi uma última coisa uma voz rouca baixa sussurrando perto do meu ouvido você é um deles agora Tem coisa que
a gente escuta e finge que não acredita mas quando você trabalha num lugar como o Carandiru aprende que nem tudo pode ser explicado Eu fui segurança lá por quase 6 anos quando entrei o massacre de 1992 já tinha virado história antiga mas as marcas daquele dia ainda estavam por todo lado o chão manchado as paredes marcadas de tiro e as histórias que ninguém queria contar os mais velhos falavam pouco mas de vez em quando escapava um comentário tem gente que nunca foi embora daqui diziam no começo S achei que fosse só jeito de falar mas
depois daquela noite eu entendi que Alguns prisioneiros nunca saíram era uma Madrugada Fria daquelas que o vento assobiava pelas frestas das celas abandonadas eu fazia a ronda pelo que restava do Pavilhão Nove o lugar já estava quase todo desativado mas ainda tinha uns corredores intactos o concreto rachado os portões de ferro enferrujados e um silêncio que apertava o peito a luz da lanterna tremia na minha mão quando dobrei um dos corredores foi ali que eu vi um homem parado ao fundo usava uma Calça bege suja sem camisa magro costelas aparecendo os pés descalços no chão
gelado pensei que fosse um invasor tinha muito curioso que entrava no presídio à noite para mexer onde não devia Ei minha voz saiu firme mas decou esquisita pelo corredor vazio o homem não se mexeu Eu dei um passo à frente apontando a lanterna para ele foi aí que o frio bateu forte de um jeito estranho um arrepio seco daqueles que fazem os pelos do braço arrepiar a luz da Lanterna bateu no rosto dele e meu sangue gelou o homem não tinha olhos não eram buracos vazios nem escuridão Eram só pálpebras fechadas costuradas a fina puxada
como se tivessem passado linha e agulha ali eu queria correr queria gritar mas meu corpo travou o homem mexeu a boca e falou sem abrir os lábios ninguém sai daqui a lanterna piscou o corredor tremeu com um barulho de correntes arrastando e quando a luz voltou ao normal ele não estava mais lá Naquela noite meu corpo ainda tremia quando voltei para a sala de segurança não falei nada para ninguém Afinal quem ia acreditar em um conto desses mas o que eu vi estava tão fresco na minha memória que não conseguia parar de pensar naquela figura
naquele rosto sem olhos tentei me convencer de que tinha sido só minha imaginação Mas a sensação de que algo estava errado de que aquele homem nunca deveria estar ali me perseguiu por dias nos dias seguintes o Clima no Carandiru ficou estranho algumas coisas começaram a acontecer que não dava para ignorar às vezes os gritos que vinham de dentro o som de cadeado se fechando Passos ecoando onde não devia ter ninguém parecia que o presídio estava ainda mais vivo mas de uma maneira macabra só que ninguém falava sobre isso ninguém comentava nada e cada vez mais
os novatos estavam ficando com medo de fazer a Honda no setor antigo foi aí que uma noite eu resolvi voltar a Curiosidade me consumia precisava entender o que estava acontecendo o que eu tinha visto era madrugada e o pátio estava Deserto o único som que eu ouvia era o vento cortante mas o silêncio era mais denso pesado como se o próprio ar estivesse guardando algum segredo fui até o corredor onde eu vi sem saber o que esperar o chão rangia sob meus pés e quando virei à esquina a primeira coisa que notei foi que o
corredor estava mais escuro do que o Normal e então vi de novo a figura estava lá no fundo parado na mesma posição como se estivesse me esperando as pálpebras costuradas a pele esticada o rosto inexpressivo mais uma vez ele não tinha ó ele se virou lentamente como se não tivesse pressa de nada e a boca se mexeu novamente mas dessa vez não falou nada ele só olhou o silêncio no ar era tão denso que dava para ouvir o som da minha Respiração pesada e ansiosa eu me sentia paralisado com a sensação de que ele estava
tentando dizer algo mas que não conseguia ou que talvez não fosse necessário o que ele queria com isso Por que me mostrava sua presença dessa maneira fiquei ali estático sem saber o que fazer a lanterna nas minhas mãos quase sem força para segurar iluminava aquele ser mas não dava para enxergar mais do que aquilo só o rosto desfigurado sem vida o ar parecia pesado E cada segundo ali dentro parecia mais longo do que uma hora quando Finalmente consegui tomar coragem saí correndo sem olhar para trás sem dar tempo para o medo me dominar nas semanas
seguintes Os relatos começaram a surgir alguns colegas mais antigos começaram a me contar coisas que me gelar ainda mais diziam que ele sempre aparecia para os guardas que estavam em turnos mais isolados como se estivesse observando como se fosse uma presença constante Dentro daqueles muros mas ninguém jamais conseguia se aproximar o suficiente para entender o que realmente estava acontecendo as aparições eram rápidas quase como se ele quisesse mostrar que estava ali mas nunca para interagir completamente alguns guardas acreditavam que ele era o espírito de um prisioneiro do massacre de 92 aquele que não conseguiu escapar
ou que de alguma forma ainda estava preso dentro dos limites do Carandiru ouvi de Uma colega de trabalho que certa vez um dos guardas mais novos viu o homem de novo desta vez mais próximo ele teria tentado falar com o Prisioneiro mas antes de chegar perto o homem desapareceu novamente como se tivesse se dissolvido na escuridão isso deixou o guarda em choque e ele nunca mais quis trabalhar à noite no Carandiru eu por outro lado não conseguia esquecer a ideia de que esse Prisioneiro estava de alguma forma ainda preso ali seja no Mundo físico ou
no Sobrenatural não saía da minha cabeça algo não estava certo mas ninguém mais parecia disposto a confrontar o que quer que fosse alguns diziam que em breve o presídio seria desativado de vez e que isso significaria o fim de tudo a libertação para todos até mesmo para as almas que ali ficaram presas mas uma parte de mim sabia que mesmo com a desativação do presídio ele que nunca sairia dali cada vez mais a sensação de que ele ainda Estava ali vagando pelos corredores crescia dentro de mim era como se o próprio Carandiru tivesse se tornado
um ímã para as almas daqueles que não conseguiam partir o som dos Passos ecoando as portas que se fechavam sem explicação as sombras que se moviam tudo isso me fazia pensar que o presídio ainda guardava muito mais o que estava visível a gente só não sabia o quê um dia enquanto fazia minha Ronda encontrei Algo no chão era uma foto desbotada meio Rasgada de um homem com um olhar fixo quando vi o rosto fiquei congelado era o homem que eu tinha visto tantas vezes tentei procurar mais sobre ele mas não havia registros claros e as
histórias pareciam mudar Dependendo de quem as contava o que todo mundo dizia é que ele era um dos prisioneiros mais problemáticos do presídio um homem conhecido por sua violência e crueldade ele estava entre os muitos mortos durante o massacre mas ao que Parecia não se foi e nunca iria em outra noite voltei até onde o encontrei pela primeira vez na ala mais sombria e deserta do Carandiru a cada passo que eu dava o ambiente parecia mais an Como se o próprio lugar estivesse tentando me engolir a lanterna piscou e eu quase perdi a coragem mas
continuei andei até o final do corredor e no instante em que a luz iluminou a parede vi as marcas Furiosos arranhões como se algo ou Alguém tivesse tentado sair dali mas o que mais me assustou foi o que estava escrito abaixo dos arranhões a frase estava borrada quase ilegível Mas dava para ver que dizia eu estou aqui e vocês nunca vão me encontrar meu coração disparou o medo tomou conta de mim mas ao mesmo tempo senti que estava mais próximo de entender o que estava acontecendo algo mais profundo mais antigo estava preso ali e o
pior era que eu não tinha ideia Do que fazer agora eu só queria que o Carandiru fosse mesmo desativado logo mas o que me aterrorizava era a ideia de que mesmo sem as grades e os muros aquela presença aquele Prisioneiro jamais iria embora eu não sabia mais o que pensar as semanas passaram e o Carandiru continuava sendo um lugar marcado por mistérios e histórias que ninguém ousava contar em voz alta o que eu vi o que todos vimos não podia ser desconsiderado algo naquele lugar estava Profundamente errado e não era só o fato de ser
um presídio famoso por tantas tragédias havia Algo mais algo que nos observava algo que ainda andava pelos corredores esperando para ser encontrado ou talvez esperando que esquecê depois que o Carandiru foi oficialmente desativado tudo o que restou foram os ecos das Almas presas ali nenhuma das histórias mais bizarras que ouv ao longo dos anos se comparava ao que eu vivi ao Que muitos de nós vivemos naquele lugar o presídio agora vazio e silencioso ainda carregava consigo uma energia que ninguém conseguia explicar era como se o lugar tivesse absorvido as dores e angústias daqueles que ali
viveram de modo que mesmo após as portas fechadas o mal ainda continuava presente eu nunca mais voltei ao local e não conheço ninguém que tenha ido o que acontece lá agora ninguém sabe talvez algum dia alguém ainda se atreva a entrar e Descobrir o que realmente aconteceu ali mas uma parte de mim acredita que no fundo o Carandiru nunca foi só um presídio era um ponto de encontro de Almas Perdidas e aquelas paredes aquelas grades serviam apenas para segurar as dores de pessoas que nunca puderam encontrar paz e sobre o Prisioneiro que nunca saiu eu
sou convencido de que ele nunca deixará o Carandiru ele está lá ainda à espera de que alguém o encontre ou de que o lugar finalmente seja Esquecido eu nunca vou esquecer daquela C quando me pediram para assumir a guarda da área perto dela algo me dizia que eu deveria recusar mas ninguém realmente escapa de ser designado para algum setor do Carandiru o lugar era vasto e a distribuição dos presos sempre era feita de forma aleatória dependendo da Necessidade e do espaço Mas quando eu passei pela primeira vez naquela ala meu estômago deu um nó A
Cela 14 como Chamávamos era pequena quase abafada e ficava em uma das extremidades do bloco perto de um corredor mal iluminado os outros guardas sempre Falavam sobre ela com um certo receio mas sem querer entrar em detalhes alguns diziam que era maldita outros que as pessoas ficavam doidas quando ficavam muito tempo ali claro que isso tudo parecia apenas superstição de quem passava tempo demais em um lugar como aquele cheio de dor e violência mas logo eu começaria a ver Coisas que não consegui explicar No começo eu nem imaginava o que estava por vir o turno
de madrugada era sempre o mais pesado o silêncio no Carandiru se torna um peso insuportável e a sensação de estar sendo vigiado é constante lembro como se fosse hoje a primeira noite em que fui design para monitorar aquela parte era uma rotina mas algo ali estava fora do lugar no início eram só pequenos detalhes as luzes que piscavam mas nada muito estranho de vez em quando Um barulho como se algo estivesse arrastando no chão não se tratava de cadeados ou correntes era algo mais profundo como se o próprio Edifício Estivesse se movendo os detentos Av
naquela cela no entanto eram os mais complicados de lidar não porque fossem violentos mas porque simplesmente pareciam se perder mentalmente após passar muito tempo ali começaram a surgir rumores sobre as condições do local algo que parecia afetar os presos De maneira bizarra o que era ainda mais estranho é que com o tempo Ninguém queria ser colocado naquela cela nem mesmo os prisioneiros mais temidos uma vez um novo detento chegou um cara Durão com fama de Invencível ele foi designado para a4ª quando o vi entrando pensei esse aí vai durar mais tempo do que os outros
mas em três dias ele já estava diferente nos primeiros dias ele se recusava a falar só ficava encarando o corredor com Os olhos perdidos quando consegui falar com ele ele me disse com a voz tremendo você não sabe o que é estar lá dentro chefe não tem paz é como se algo estivesse sempre olhando pra gente nos dias seguintes ele começou a se comportar de maneira ainda mais estranha não comia direito passava horas encarando nada e Parecia ter perdido o controle sobre o próprio corpo a luz da cela começou a piscar cada vez mais e
ele ficou mais e mais agitado quando a Equipe tentou tirá-lo dali ele teve um acesso de raiva nunca visto antes eu presenciei isso de perto e ao tentar contê-lo ele me disse com uma calma assustadora eu não vou sair não tem como sair daqui e então a luz da cela piscou de novo e ele desabou no chão inconsciente outros presos que estavam nas celas próximas começaram a se queixar de gritos durante a noite pedidos de Socorro vindo da 214 fui até lá algumas vezes em momentos Diferentes tentando entender o que estava acontecendo mas nada parecia
fazer sentido um dia entrei na cela sozinho a primeira coisa que notei foi a temperatura estava mais fria do que qualquer outro lugar dentro do Carandiru o ar parecia pesado e a sensação de estar sendo observado era forte demais para ignorar quando comecei a olhar ao redor percebi algo que eu não tinha notado antes as marcas nas paredes manchas que pareciam ser de Sangue mas que não se dissipavam com o tempo como se tivessem sido absorvidas pela pedra fria mas o que realmente me deixou com os cabelos arrepiados aconteceu em uma noite que nunca vou
esquecer eu estava fazendo a ronda como sempre quando de repente ouvi o som de uma cadeira sendo arrastada pelo chão vindo da direção da cela 24 fui até lá pensando que algum detento estava se movendo Quando entrei a cela estava vazia mas a cadeira estava lá Mexendo sozinha como se alguém tivesse acabado de se levantar e saído a luz piscava de maneira ainda mais intensa do que o normal e pude ouvir uma respira como se estivesse sendo seguida por algo ou alguém eu não sabia mais o que pensar quando fui relatar o ocorrido ao chefe
de turno ele apenas Balançou a cabeça Essa ca não é boa aqueles que ficam lá bem eles nunca saem de verdade nem fisicamente nem mentalmente el nunca me contou os detalhes completos todos est Ali eu apenas desejava não estar mais ali naquele lugar maldito a sensação de desespero foi aumentando com o tempo sempre que passava perto da cela 24 sentia um peso no peito como se fosse difícil respirar como se as paredes estivessem pressionando contra mim em uma noite a sensação foi tão intensa que ao passar na frente da cela não consegui evitar e olhei
pela grade o que vi foi algo que jamais conseguirei explicar direito não era um homem mas uma Silhueta uma sombra de pé dentro da cela quando as luzes piscavam a sombra se movia como se estivesse se aproximando de mim mas eu sabia no fundo que não era uma ilusão eu sabia o que estava vendo algo estava ali algo que não deveria mais existir os meses se passaram e a situação piorou os detentos que passavam tempo ali mesmo que por curtos períodos saíam de lá de maneira irreconhecível eles começavam a perder o controle mental a apresentar
sintomas de paranoia Alucinações e até mesmo surtos um Guardião que estava Próximo daquela ala me contou em uma noite que um dos prisioneiros mais antigos havia sido encontrado horas depois de ser colocado na 214 catnic com os olhos arregalados e a respiração ofegante ele não falava mais só tremia como se estivesse em um estado de pânico constante ninguém jamais teve coragem de investigar de fato o que estava Acontecendo naquele lugar o medo sempre falava mais alto o Carandiru estava repleto de horrores A4 a mais algo que não se apagava mesmo após tantos anos de sofrimento
eu nunca mais voltei para aquela ala e sempre que escuto alguém falar sobre a cela 214 uma parte de mim se arrepia não sei o que era nem o que aconteceu ali mas eu sei uma coisa aqueles que ficaram naquela cela nunca foram os mesmos e se você um dia se deparar com aquela ala Deser continuar andando e nunca olhar para trás o que aconteceu ali o que ainda está lá não deve ser questionado porque no fundo Todos sabem algumas coisas não foram feitas para serem explicadas eu nunca consegui esquecer o que aconteceu no Carandiru
nem mesmo depois que o presídio foi fechado e quando me pediram para dar meu relato sobre as coisas estranhas que ocorreram no Pavilhão Nove onde tudo aconteceu Durante o massacre de 1992 Eu sabia que aquilo não ia ser fácil Afinal a verdade sobre aquele lugar não é fácil de engolir trabalhei como segurança no Carandiru por mais de 10 anos e o que vi durante esse tempo eu nunca vou conseguir esquecer o lugar estava podre em todos os sentidos Mas mesmo depois da desativação algo Ficou ali algo pesado algo que nunca saiu o Pavilhão no era
o centro das maiores tragédias do presídio foi lá onde o Massacre aconteceu era um lugar sujo Sombrio e por mais que tentássemos ignorar sempre havia uma sensação estranha de que algo de muito ruim estava prestes a acontecer não demorou muito para que a energia no local ficasse ainda mais densa após o massacre o Pavilhão foi desativado Depois de toda a violência mas por um bom tempo A Construção ainda ficou de pé como um monumento macabro do que aconteceu os outros pavilhões foram sendo esvaziados Mas o nove ficou lá fechado sem vida sem ninguém para ocupar
e foi então que as coisas começaram a acontecer eu estava de folga mas ouvi os boatos entre os meus colegas de serviço fui chamado para ajudar em uma ronda Extra algo rápido só para garantir que não havia mais nada ali não queria ir mas não tinha escolha quando cheguei ao Pavilhão Nove o ar estava pesado mais denso do que nunca era como se o lugar ainda estivesse vivo como se ainda guardasse os ecos dos Gritos de dor que haviam sido lançados ali Anos Antes a primeira vez que percebi que algo não estava certo foi logo
que entrei na ala o corredor estava escuro e mesmo com as luzes acesas algo parecia cobrir a visão como se estivesse embaçado tudo estava mais quieto do que o normal como se o tempo tivesse parado naquele corredor olhei para os lados as selas estavam vazias mas em uma delas a porta estava levemente entreaberta a minha curiosidade me fez Me aproximar fui até a grade da cela e olhei lá dentro mas não vi nada só o vazio no entanto logo que virei de costas para continuar a ronda ouvi o som de Passos pesados arrastados aquela sensação
de ser observado de estar sendo seguido me apertou o peito voltei rapidamente para o corredor mas nada parecia estar ali estava tudo normal exceto por um silêncio ensurdecedor por um instante comecei a Me perguntar se minha mente não estava pregando peças Mas então eu vi no final do Corredor uma sombra uma figura escura esguia se movendo mais rápida do que qualquer ser humano poderia andar ela desapareceu tão rapidamente quanto apareceu mas foi o suficiente para me fazer sentir uma onda de frio intenso uma sensação de pânico que se espalhou pelo meu corpo eu Sabia que
não estava sozinho fui até a porta da cela novamente com a sensação de que alguém Ou algo estava me observando de dentro e foi quando vi a sombra apareceu de novo dessa vez mais próxima eu podia ver o contorno de algo humano mas não era uma pessoa era algo diferente a forma parecia se distorcer conforme se movia e seus olhos eu juro estavam brilhando de uma maneira Estranha como se estivessem refletindo alguma luz que eu não conseguia ver a figura me encarava sem se mover até que algo muito estranho aconteceu as luzes comearam a piscar
Mais uma vez e o som de passos no corredor aumentou não eram mais os passos arrastados de antes agora parecia que alguém estava correndo mas as pegadas eram pesadas como se a pessoa tivesse botas enormes eu olhei para o lado e vi a sombra se aproximando mas quando tentei correr algo me impediu era como se o próprio ar tivesse ficado mais denso me segurando me impedindo de sair dali o pânico tomou conta de mim eu não conseguia mais respirar direito naquele Momento eu sabia que algo muito ruim tinha acontecido naquele Pavilhão algo que ainda estava
lá que ainda estava se alimentando da dor que fora gerada naquele lugar eu tentei sair mas as portas não abriam a chave parecia não funcionar e os passos começaram a se aproximar cada vez mais então tudo ficou em completo silêncio novamente quando Finalmente consegui sair do Pavilhão o ar fora da construção me pareceu mais leve mas minha mente ainda estava presa Naquilo nos dias que se seguiram voltei à mesma ala várias vezes nunca mais encontrei a sombra de perto no entanto Seme Senti a presença dela como se estivesse observando de algum lugar esperando por algo
entre os meus colegas ouvi histórias de que aqueles que passaram muito tempo naquela ala até mesmo depois de ser desativada começaram a ter pesadelos alguns viram aquela figura nas paredes outros juravam que a sombra o Seguia até em casa durante a noite eu não fui exceção por meses eu sentia como se estivesse sendo observado como se a coisa não quisesse me deixar em paz outro Guarda me contou que em uma de suas rondas noturnas ele viu algo que parecia ser a figura de um homem mas sua silhueta era distorcida quase sem forma ele tentou falar
com a coisa mas a figura desapareceu rapidamente deixando uma sensação gelada no ar os boatos sobre o Pavilhão Nove não Paravam muitos começaram a acreditar que a figura que rondava aquele lugar era um espírito do massacre de 1992 ou talvez fosse algo ainda pior algo que foi gerado por toda a violência e dor que permeavam o ambiente algo que nunca ia deixar aquele lugar e até hoje quando alguém menciona o Carandiru sempre falam sobre aquela sombra a figura escura que mesmo após a desativação ainda parece habitar o Pavilhão no não sei o que ela é
nem o Que ela quer mas uma coisa é certa quem viu Nunca mais foi o mesmo a voz no chuveiro não foi uma coisa fácil de se entender quando começamos a ouvir os ninguém acreditava Afinal era só mais uma história de preso falando uma coisa de quem estava lá dentro com a cabeça cheia de fantasias Mas as coisas começaram a ficar estranhas e logo as coisas que diziam que eram apenas boatos passaram a ser faladas com mais Seriedade eu estava lá fazia parte da equipe de segurança do Carandiru desde os primeiros anos da década de
90 Ninguém imaginava que a coisa pudesse piorar mas aos poucos algo se mudou por dentro daquele presídio lembro como se fosse ontem do primeiro relato que ouvi sobre aquela história um colega de trabalho velho de guerra no presídio estava com a cara pálida como se tivesse visto o diabo em pessoa ele me disse que durante a madrugada ouviu uma voz Chamando o nome dele enquanto ele tomava banho no chuveiro e o pior ninguém estava lá nenhuma Alma viva só ele e o som da água caindo Achei que ele estava exagerando mas o medo nos olhos
dele era algo que não dava para negar ele falou que na hora pensou ser uma Alucinação mas a coisa foi se espalhando não foi só ele cada vez mais os presos começaram a relatar o mesmo tipo de coisa nos banheiros no fim de tarde ou nas madrugadas uma voz sussurrava o nome de Quem estava L mas o mais bizarro é que nunca ninguém se dava conta de quem falava não havia ninguém e ainda assim a voz estava lá Clara sem confusão o mais perturbador é que quem escutava não conseguia nem olhar para trás não conseguia
descobrir de onde vinha os presos que diziam ter ouvido a voz começaram a ficar mais nervosos não conseguiam mais ficar sozinhos em qualquer lugar dentro da prisão muitos deles começavam a gritar e aí Todo mundo achava que estavam pirando alguns dos mais experientes no presídio até tentaram ignorar dizendo que aquilo era só parte do inferno psicológico que era estar lá mas o pior foi quando começaram a adoecer a primeira vez que alguém desmaiou após ouvir a voz foi durante uma ronda minha eu estava fazendo a Patrulha regular quando passei pelo setor das celas a luz
estava fraca piscando e os sons ecoavam de um lado para o outro lá no fundo onde ficavam os Banheiros ouvi um barulho não era usual o som das torneiras nem o de Passos era um sussurro um sussurro que gelou o sangue na minha pele eu estava longe mas parecia estar dentro do banheiro bem perto de mim e aí um grito ecoou seguido de um desmaio o sujeito que caiu no chão estava transtornado não conseguia nem falar direito só chorava os mais velhos começaram a falar de uma lenda diziam que nos tempos mais antigos do presídio
durante os confrontos violentos alguns Detentos tinham sido torturados e mortos nos banheiros a coisa mais estranha era que ninguém sabia ao certo se essas mortes haviam realmente acontecido ou se eram só mais uma história criada entre os presos mas a questão é que mesmo Quem não acreditava passou a se preocupar cada vez mais Os relatos sobre a voz no chuveiro se multiplicavam eu mesmo que sempre fui cético comecei a ficar preocupado uma noite quando fiz minha Ronda sozinho Decidi entrar no banheiro onde as coisas tinham acontecido o lugar estava vazio mas algo me fez ficar
tenso a água das torneiras estava vazando a luz piscava a sensação de estar sendo observado era indescritível de repente ouvi um sussurro achei que fosse algum outro segurança fazendo brincadeira mas quando olhei para trás não tinha ninguém a sensação foi de um arrepio profundo algo que não se consegue explicar a situação piorou quando um dos carcereiros mais Novos o foi encontrado em estado de choque ele estava apavorado gritando que ouviu o próprio nome sendo sussurrado enquanto Estava no banho o Marcos nunca foi de fazer teatro Mas o que ele relatou eu não consegui mais desconsiderar
ele estava visivelmente alterado Tremendo com os olhos arregalados como se tivesse visto um monstro ele não queria mais voltar ao Carandiru o medo era algo visível nele Algo que se colava na pele e não saía mas o mais sinistro aconteceu quando dois presos um chamado Zé e outro chamado Augusto disseram que haviam escutado a mesma coisa eles estavam lá no banheiro tomando banho e a voz apareceu do nada começaram a se debater e gritar mas quando a equipe chegou os dois estavam De Joelhos chorando eles estavam como se tivessem visto o fim do e ao
tentarmos acalmá-los eles repetiam a mesma coisa a voz a voz ela chamou Nossos nomes o pior no entanto foi depois após alguns dias de histórias repetidas o rumor de que a voz no chuveiro vinha de uma alma presa por ali tomou uma forma mais concreta na mente dos detentos alguns diziam que poderia ser o espírito de alguém que havia morrido de maneira Cruel nos tempos antigos ou até mesmo alguém que havia se perdido nas batidas de algum confronto violento dentro do presídio as lendas começaram a se formar e a coisa foi Ficando cada vez mais
densa eu como parte da equipe passei a investigar os relados não queria dar ouvidos àquelas histórias fantasiosas Mas cada vez mais algo me dizia que tinha algo de verdade ali no final mais do que medos ou ideias fantasiosas as coisas que aconteciam ali tinham um peso que ninguém conseguia explicar Algo Se arrastava pelo presídio algo que não fazia sentido Não havia mais um banheiro simples não havia mais apenas água caindo havia uma presença Uma presença com intenções desconhecidas e assim os rumores sobre a voz nos chuveiros com seu sussurro cortante se espalhavam mais e mais
e não era mais só sobre as lendas antigas do Carandiru mas sobre algo vivo algo presente ali aguardando o Carandiru nunca foi um lugar tranquilo mas teve uma época em que as coisas pareciam piorar ou talvez com o passar dos anos os rumores começaram a tomar uma forma mais concreta e Os relatos de coisas Estranhas que aconteciam ali começaram a ganhar corpo o caso do homem sem rosto foi sem dúvida um dos mais marcantes no começo a história soava como uma daquelas lendas urbanas que se espalham entre os presos mas logo a coisa tomou uma
proporção que ninguém mais conseguia ignorar o primeiro relato que euv sobre o homem sem rosto veio de um carcereiro o Júlio ele estava com a cara pálida mais do que o normal e foi logo se aproximando de mim no corredor Nos Olhamos por um momento e foi quando ele falou Sem Rodeios eu vi ele vi ele ontem à noite eu não entendi logo então ele foi mais direto o homem sem rosto Ele está andando pelo pátio de novo confesso que fiquei cético Porque até então eu já tinha ouvido muitas histórias de Detentos sobre coisas que
supostamente tinham visto durante a noite mas quando o Júlio me disse aquilo houve algo no tom dele que fez meu corpo arrepiar não era brincadeira não era aquele tipo de Conversa de quem quer assustar era sério ele estava visivelmente perturbado como se tivesse visto algo que não poderia ser explicado ele me contou que a primeira vez que o viu foi numa madrugada qualquer ele estava na torre fazendo a ronda de rotina quando olhou para o pátio lá entre as sombras ele viu uma figura de pé um homem aparentemente mas algo estava errado a luz da
lâmpada distante iluminava parcialmente o rosto da figura e foi quando Júlio percebeu Que não havia rosto algum nada um vazio o homem estava parado olhando para o lado de fora mas quando Júlio tentou se aproximar para ver melhor a figura se moveu rapidamente e desapareceu nas sombras ele ficou paralisado de medo mas ainda tentou racionalizar o que viu afinal ele era um homem Acostumado à aqueles pesadelos diários Mas aquilo era diferente muito diferente com o tempo Os relatos começaram a se espalhar entre os Detentos inicialmente ninguém acreditou no que Júlio havia dito mas logo começaram
a surgir outras histórias semelhantes um preso o Edson contou que viu o homem sem rosto caminhando pelo Pátio a passos lentos como se estivesse observando todos que estavam ali Edson disse que quando tentou olhar mais de perto o homem virou-se de repente e desapareceu entre as celas ele ficou tão assustado que passou os dias seguintes sem conseguir dormir direito dizendo que Sentia a presença daquele ser o observando a todo momento outros começaram a falar sobre o homem sem rosto também o Sérgio que estava no Pavilhão Nove jurou de pé junto que em uma das noites
acordou no meio da madrugada com a sensação de estar sendo observado quando olhou pela janela da sela viu a figura vagando pelo Pátio Mas o pior não era a visão da figura e sim o fato de que por mais que ele olhasse o homem nunca parecia se aproximar nunca Se movia para um lugar mais claro como se estivesse ali apenas para observar e ele por algum motivo não conseguia desviar o olhar logo a história foi tomando uma proporção maior cada vez mais presos começavam a dizer que via um homem sem rosto que ele estava lá
todas as noites sempre no mesmo lugar sem se mover apenas observando de longe mas o mais estranho de tudo era que ninguém sabia quem ele era ou de onde vinha nunca se aproximava o suficiente para Poder ser identificado e o mais macabro se alguém se aproximasse ele sumia não havia um movimento físico apenas um desaparecimento repentino Algumas Noites eu mesmo fui lá com outros colegas de segurança para tentar ver se conseguíamos identificar o que estava acontecendo a sensação de estar sendo observado era tão forte que era difícil ignorar naquelas madrugadas a prisão ficava em um
silêncio pesado interrompido apenas pelos ecos dos Passos no concreto naquela escuridão o pátio parecia se estender sem fim e foi ali naquelas horas mortas que todos sentimos a presença algo que não estava certo era como se o ar estivesse mais denso carregado de uma tensão pal no entanto nunca vimos nada o homem sem rosto continuava sendo apenas uma história a coisa foi ganhando uma aura de mistério e Os relatos se tornaram cada vez mais detalhados alguns detentos começaram a associar o homem sem rosto Com antigas histórias de pessoas que morreram dentro do presídio alguns diziam
que ele poderia ser um espírito vingativo outros falavam que poderia ser um antigo det que foi executado nas sombras do Carandiru mas na verdade ninguém sabia eu como segurança comecei a me perguntar se aquele homem sem rosto era só uma projeção Coletiva dos medos de quem estava preso ali Afinal o Carandiru não era um lugar fácil para ninguém todos os Dias a violência o medo e atenção tomavam conta de cada canto era possível que a mente de quem estava ali criasse essas visões essas figuras como uma forma de lidar com o pesadelo diário mas algo
me dizia que não era apenas isso no final das contas a história do homem sem rosto se espalhou como fogo no mato a cada relato novo a coisa ia ficando mais real mais difícil de ignorar ninguém sabia o que estava acontecendo mas todos começavam a ter certeza de uma coisa Aquele homem estava lá todas as noites observando ele não falava não se aproximava mas estava sempre presente o estranho é que com o tempo ele simplesmente desapareceu da mente de todos não como se tivesse sido esquecido mas como se ele nunca tivesse existido como se de
alguma maneira o Carandiru tivesse absorvido aquela história eu sinceramente nunca consegui entender o que foi aquilo mas o fato é que se você conversar com qualquer um que passou por Ali vai ouvir alguém falar do homem sem rosto não com exagero não com medo mas com a certeza de que ele estava lá e que de alguma forma ainda está a presença dele ficou gravada naqueles corredores no pátio vazio nos banheiros e celas e o mais estranho é que de alguma maneira não importa o tempo que passe o homem sem rosto ainda é lembrado não por
quem viu mas pela sensação uma sensação que por mais que tentem ninguém consegue explicar quando eu comecei a trabalhar No Carandiru a primeira coisa que me ensinaram foi a nunca questionar o que acontecia ali dentro os mais antigos falavam sobre as coisas que aconteciam de noite sobre os nas celas vazias mas sempre de um jeito que fazia parecer mais lenda do que algo real contudo as coisas que aconteceram depois não deram espaço para dúvidas Uma das Histórias mais bizarras que Vivi foi das cartas do além no começo parecia coisa de detento alguma brincadeira de mau
gosto bilhetes Apareciam de repente nas celas vazias sempre com letras estranhas que ninguém sabia de onde vinham cada vez que um bilhete era encontrado mais aumentavam as dúvidas e a sensação de desconforto entre os carcereiros ninguém sabia dizer ao certo como aquelas cartas surgiam mas o mais assustador era o conteúdo delas lembro de uma noite em particular no final de turno quando fui fazer uma inspeção nas celas do Pavilhão S aquilo não era Incomum mas algo naquela noite estava estranho o silêncio estava denso mais pesado do que o normal quando passei por uma das celas
vazias o cheiro de mofo parecia mais forte como se o ambiente tivesse sido fechado há muito tempo foi aí que eu vi a primeira carta ela estava sobre a cama Dobrada cuidadosamente como se tivesse sido colocada ali por alguém a letra era de uma caligrafia estranha com traços distorcidos quase como se alguém Estivesse escrevendo com a mão esquerda ou com pressa a primeira coisa que pensei foi que algum detento tinha deixado aquilo ali para assustar os outros mas ao abrir o bilhete a primeira frase me congelou a morte de Paulo acontecerá na madrugada de amanhã
será na cela de vass vá na hora pensei que fosse mais uma das brincadeiras macabras que aconteciam por ali o Detento PA conhecido por ser problemático Estava sempre causando confusão mas não fiquei Muito tempo ali para refletir o bilhete foi ignorado por alguns mas outros guardas que viram o bilhete começaram a se mostrar incomodados quase como se algo fosse realmente errado no dia seguinte Paulo morreu Encontraram o corpo dele na famosa cela 22 exatamente como a carta tinha dito ele estava morto mas não havia sinais Claros de violência o médico Legista não conseguiu explicar o
que aconteceu tudo indicava que ele tinha sido agredido Mas nenhum ferimento Grave foi encontrado a autópsia apontou como causa da morte uma parada cardíaca mas ninguém entendia como isso tinha acontecido ele tinha 25 anos estava saudável nada fazia sentido o mais perturbador no entanto foi que a carta apareceu novamente desta vez no Pavilhão Nove em uma das selas desocupadas o bilhete estava de novo sobre a cama com a mesma caligrafia distorcida e como da última vez uma previsão a carta dizia Mário não verá o amanhecer sua hora Chegará na hora do banho de sol entre
as 10 e as 11 da manhã eu e mais alguns guardas ficamos desconfiados já tinha ocorrido uma coincidência com o Paulo mas seria demais acreditar que alguém de dentro da prisão tinha esse tipo de informação ou que era uma jogada de azar Mário um detento com passagem por crimes violentos não parecia um homem com muitos inimigos ou pelo menos ninguém que soubesse onde ele ficava a Cada hora do dia e por mais que tentássemos desconsiderar a carta um arrepio se espalhou pela espinha de todos nós eu fiquei de plantão naquele dia tentei me concentrar no
meu trabalho mas não conseguia deixar de pensar naquela previsão quando vi Mário saindo para o banho de sol comecei a ficar nervoso ele estava tranquilo como sempre sem nenhum sinal de perigo iminente mas algo no meu peito estava apertando e foi quando eu Ouvi um grito Mário caiu estava no chão com os olhos arregalados a boca aberta como se estivesse tentando gritar mas não conseguia ele morreu ali no pátio mais uma vez sem explicação médica Clara o coração dele simplesmente parou não foi ataque cardíaco não foi nenhuma causa natural ele estava de pé caminhando e
de repente desabou tudo foi como a carta havia dito os outros guardas ficaram em choque e as coisas começaram Vez mais estranhas de repente surgiram mais cartas algumas eram mais vagas outras mais específicas mas o padrão sempre se repetia previsões de mortes que de alguma forma aconteciam Nenhum de Nós conseguia entender como aquilo estava acontecendo as cartas apareciam em lugares improváveis como alguém de fora esse conhecimentoo do desendo dentro da prisão lembro de uma carta que dizia à meia-noite na enfermaria a morte de Silas será presenciada por todos ele será levado pelo espírito que ronda
as paredes e na noite seguinte Silas Um Detento que estava internado devido a um problema de saúde morreu de maneira ainda mais misteriosa foi como a carta disse ele morreu na enfermaria e o mais bizarro algumas testemunhas afirmaram ter visto algo uma sombra escurso dele antes que a morte acontecesse mas isso ninguém pôde confirmar porque ninguém sabia dizer ao Certo o que haviam visto foi quando na noite seguinte encontramos mais um bilhete desta vez estava na sela 16 no meio de um monte de papel rasgado como se tivesse sido jogado ali e o que estava
escrito Não tem como esquecer o bilhete dizia a próxima morte será de um guarda ele não verá o amanhecer estará sozinho na torre na manhã seguinte o mais estranho aconteceu o agente Barbosa que estava no plantão da torre foi encontrado morto sozinho como o bilhete Dizia mas o mais bizarro de tudo é que não havia sinais de luta nem ferimentos a única coisa que apareceu foi uma ins no chão perto do corpo dele que dizia ele foi levado pela escuridão nós não conseguimos mais entender o que estava acontecendo ali as cartas continuaram a aparecer e
as mortes continuaram a acontecer mas a cada bilhete a sensação de que alguém ou algo estava por trás de tudo aquilo aumentava Nenhum de Nós conseguia dar uma explicação racional Para aquilo começamos a pensar que algo mais estava acontecendo que o Carandiru com toda a sua história de violência e morte era o ponto de convergência para algo que não conseguíamos ver quando você entra em um lugar como o Carandiru começa a perceber que ele tem vida própria que a prisão é mais do que paredes e Grades ela tem uma história e talvez essa história não
tenha acabado as cartas do além eram um sinal de que o o Carandiru estava possuído por algo Muito mais antigo e sombrio do que qualquer um de nós poderia compreender e depois de tudo o que aconteceu a única certeza que tenho é que se você for lá à noite pode sentir a presença algo que vigia que sabe o que vai acontecer e que já está esperando pela próxima carta eu trabalhei por anos no Carandiru quem passou por lá especialmente como segurança sabia que o lugar tinha uma energia densa carregada algo que você não conseguia ver
mas sentia o tempo Inteiro muitos dos mais antigos contavam histórias Mas a gente sempre achava que era só paranoia imaginação até que eu vivi uma experiência que mudou minha visão sobre aquele lugar era algo que eu não conseguiria explicar por palavras normais algo que nunca imaginei que pudesse acontecer comigo o que sentíamos no Carandiru o que eu senti era um peso invisível uma presença que não dava para tocar mas parecia estar Sempre lá nos observando e às vezes tentando nos parar eu estava fazendo Patrulha sozinho naquela noite o turno da madrugada é sempre o mais
tenso porque o movimento é quase nulo e o silêncio pesando não sei se o silêncio das prisões sempre foi assim mas no Carandiru ele tinha um peso quando você andava pelos corredores o som das suas botas no chão parecia amplificado como se tudo ao redor estivesse em silêncio Absoluto te ouvindo eu estava andando pelo corredor mais longo Aquele que passava por diversas celas vazias quando percebi que algo estava diferente já faziam mais de do anos que eu estava ali então conhecia bem cada canto cada curva mas naquela noite algo no ar estava estranho como se
a temperatura tivesse mudado de repente o ar ficou pesado eu tentei ignorar pensando que era só atenção de estar sozinho naquela parte da prisão Mas então Algo aconteceu primeiro senti um arrepio no pescoço um frio que subiu pela espinha pensei que fosse só um susto mas então senti como se uma mão invisível tivesse tocado o meu ombro eu parei na hora olhei para trás e não havia ninguém nenhuma Alma Viva o corredor estava vazio com as luzes fracas iluminando as celas fechadas Minha respiração ficou pesada e um nó G eu tentei rir daquilo tentando convencer
minha mente de que era só Atenção do trabalho voltei a andar com o peito apertado mas não foi por muito tempo Quando cheguei perto do final do Corredor a sensação de que algo me observava Aumentou a mão invisível voltou dessa vez mais forte era como se uma força estivesse pressionando meu ombro me empurrando para trás tentando me parar eu senti uma pressão crescente no meu peito como se alguém estivesse ali com a mão firmemente pressionando contra mim me impedindo de continuar eu Parei tentando respirar tentando entender o que estava acontecendo mas nada fazia sentido olhei
para os lados novamente mas tudo estava tranquilo as celas vazias o silêncio de sempre só que agora o parecia mais denso Eu Tentei continuar sentindo aquela pressão cada passo parecia mais difícil como se algo estivesse me puxando para o fundo do Corredor me forçando a voltar como se algo ali no Carandiru não me quisesse mais por ali foi então que as luzes Começaram a piscar eu olhei para o teto para as lâmpadas que estavam tremendo como se houvesse algum tipo de energia Fora do Normal circulando ali minha mente Começou a correr eu já tinha ouvido
histórias de coisas assim mas nunca imaginei que fosse viver algo tão palpável algo que eu sentia no corpo não só na cabeça de repente a pressão no meu peito ficou ainda mais forte a sensação de que havia alguém ali com uma força invisível Era tão real que parecia que eu não ir respirar meus passos ficaram mais lentos mais pesados a mão invisível estava agora pressionando contra o meu peito Como se quisesse me esmagar eu parei sentindo o coração disparar naquele momento eu não sabia se era um problema psicológico se o medo tinha tomado conta de
mim ou se havia algo realmente estranho naquele lugar a sensação foi ficando mais intensa eu olhei para o lado e foi quando vi lá no fim do Corredor bem no final onde as sombras tomavam conta vi uma figura não era uma pessoa não era um corpo era uma presença uma sombra algo que eu não conseguia descrever bem ela estava parada ali me observando o pior não era a figura Mas a sensação que ela me causava a sensação de que eu não deveria estar ali de que aquele lugar não era mais meu eu respirei fundo e
comecei a andar para trás sentindo a pressão ainda maior como se alguém estivesse me puxando cada Passo foi mais difícil que o anterior o que quer que fosse aquilo não queria que eu continuasse eu voltei rapidamente me afastando da sombra da sensação do Peso invisível que parecia ter se apoderado de mim quando voltei para o posto de segurança estava suando com um coração ainda disparado fui direto para o banheiro tentando me recompor tentando pensar em algo racional em alguma explicação mas não consegui não havia explicação só havia o peso da presença e O que mais
me assustava era que não era a primeira vez que alguém sentia aquilo nas semanas seguintes outros guardas começaram a relatar experiências semelhantes Eles não queriam falar muito sobre isso mas quando o faziam sempre mencionavam a mesma sensação o toque invisível a mão que os empurrava a pressão no peito o peso que não conseguia ser explicado alguns diziam que se você estivesse sozinho em determinados corredores sentia que algo Estava te vigiando esperando você dar o próximo passo como se você fosse um intruso naquele lugar como se o Carandiru tivesse vida própria e não quis ninguém ali
houve um incidente meses depois que só reforçou aquilo que sentíamos um colega meu estava patrulhando sozinho como eu estava naquela noite ele começou a relatar a sensação de uma mão invisível pressionando seu peito empurrando-o para trás e uma sombra no fim do Corredor o Que aconteceu depois ninguém sabe explicar direito ele foi encontrado desmaiado sem nenhum sinal físico de violência mas com um rosto tão pálido como se tivesse visto algo impossível de descrever o pior talvez é que nós começamos a perceber que as coisas estavam se intensificando eu sei que o Carandiru tem sua história
de violência Mas aquela sensação de que algo estava por trás de tudo algo que não podíamos ver Mas podíamos sentir isso era algo Novo algo que não dava para explicar