[Música] [Música] Olá seja bem-vindo seja bem-vinda estamos começando mais um programa entrevista coletiva de antemão Grato pela sua audiência programa de hoje temos como tema um abrigo indígena essa causa extraordinária que mexe com muitas paixões com muita polêmica né Às vezes as opiniões são diversas Mas uma coisa é certa e a gente tem que admitir mesmo quem tem resistência Eles chegaram aqui muito antes da gente e para ouvir um pouco da história das causas das lutas dos povos indígenas indígenas que hoje vive um momento singular no país nós temos a honra aqui de receber a
presidente da Federação dos povos e organizações indígenas de Mato Grosso Eliane schuna Carla muito bem-vinda graça pela presença Eu que agradeço a oportunidade de estar aqui e falar um pouco dos povos indígenas de Mato Grosso acredito que é necessário né falar da gente para a gente então obrigada pelo convite nos acompanha também jornalista look Marlon bem-vindo look Obrigado Cláudio bem os povos indígenas estão aí né como disse a centenas de anos séculos milênios e a gente precisa entender um pouquinho melhor para começar de como se referir aos povos indígenas é até muito pouco tempo esses
dias né como se o índio fosse tudo igual né e isso é outro erro né mas eu queria começar ele um pouquinho no processo de educação mesmo né antes da gente chegar nessa nessa diferença que é óbvia para gente mas tantos ainda não o tratamento né quando a gente fala índio e fala indígena tem uma diferença e você pode explicar para gente essa diferença Sim há uma grande diferença né Hoje é como a nossa pauta tá muito em alta né mas o termo correto é povos indígenas né ou indígena porque índio para nós ele é
carregado de muita de muito preconceito de muita discriminação E além disso a gente o movimento indígena entrou em um acordo que é foram dado nome de índio para gente porque os portugueses quando aqui chegaram acreditavam que estavam para índia então a gente ficou de índio então a gente não é índio da Índia nós somos indígenas com 305 povos atualmente mas naquela época era muito maior e hoje gente fala indígena eu sou indígena do povo bacairi e com isso a gente tem vários povos né E como ser bem disso nós somos diferentes se pegar um Xavante
e for falar comigo na língua dele eu não vou entender porque a gente tem troncos linguísticos diferentes e talvez a gente só se comunique no próprio português que a gente aprendeu Mas é isso é interessante a gente pensar quer dizer é um erro geográfico né que acabou por batizar os indígenas brasileiros que algumas pessoas preferem tratar por povos originários antigamente falava povos primitivos o que também carrega consigo toda uma questão pejorativa né porque eu primitivo é ultrapassado né e não é bem isso são ciências diferentes são percepções de mundo cosmogônicas diferentes e a gente tem
que aprender a respeitar e essa diversidade em Mato Grosso nós falamos em 43 povos indígenas mais dois po lados como é que surgiu a ideia da fepoint para de certa forma organizar um pouco esse processo é uma pauta extensa e não é e há muita resistência a ela também né ele então a frequente ela tem 20 anos de caminho né afepoint ela nasce com as nossas lideranças de ter uma instituição única que representasse todos nós E com isso afeponte ela foi vindo caminhando uma hora parou uma outra hora realmente deslanchou mas ela não existia de
direito só de fato ela não tinha CNPJ não tinha registro e em 2015 é por uma necessidade de as nossas lideranças em Brasília viram que se a gente não se organizasse no modo do não indígena nós não teríamos vez e vós Porque como nós somos 43 povos é muito difícil cada um povo vem aqui por exemplo na com uma demanda então é muito mais fácil ter uma organização que apresente uma demanda de coletividade né e enfrenta as lutas e as ameaças de frente de uma forma organizada pelo não indígena mas a gente também mantém a
nossa organização sócio-cultural desse povo 2015 a gente se organiza em 2016 nós temos a nossa primeira Assembleia lá na aldeia o mutina do Povo multina em Barra do Bugres né E foi um povo que quase Acabou também né Sim foi um povo quase exterminado agora que tá nessa revitalização da cultura tem uma primeira Assembleia lá inclusive com uma audiência pública aqui da casa né foi a primeira audiência pública externa numa aldeia E com isso em 2017 a gente faz uma outra Assembleia lá nos Paris no Rio Verde porque nós também não temos conhecimentos técnicos e
aquelas primeira Assembleia teve alguns erros que o próprio cartório não aceitou né e a gente faz uma segunda em 2017 já com é orientações né jurídicas E com isso a gente nasce né Por direito a gente nasceu há seis anos mas para a gente afepo a gente já tem uma história de 20 anos com alguns resultados né E nós estamos aqui em 2017 foi eleito o primeiro presidente que foi o crisão do Xavante né e ficou até o ano passado e eu estou como no segundo eu sou a segunda Presidente Eleita também ano passado em
dezembro na aldeia o banco vermelho e sou a primeira mulher dessa nova geração sendo eleita quando foi questionar a questão desse tratamento povos indígenas e tudo mais nós só que na nossa aí Época de Escola de primeiro e segundo grau a gente aprende na escola que era assim é o dia do índio professor ia lá fantasiava gente aquela coisa toda como é que foi então da década de 90 Quando a senhora diz para poder se transformar isso uma conscientização já que veio pela educação no Brasil dizendo que já não somos mais índios é povos indígenas
como que foi isso essa virada de chave essa virada é de chave traz a gente tem um movimento né e o movimento ele é muito dinâmico da mesma forma que a educação é muito dinâmica né e percebendo que o termo índio traz muito muitas dores também né e a gente conversou e entrou no consenso que nós queremos ser chamado de indígenas para gente é respeitoso ser indígena né e ser índio Traz esse processo histórico de muita de muita dores muitos de nós fomos exterminados então com isso com essa virada a gente entrou em um acordo
e todos os povos indígenas passaram adotar o termo indígena e com o tempo com amadurecimento dessa força política e da própria sociedade nós conseguimos eleger a nossa primeira deputada né na legislação legislação anterior que ajoelha e ela conseguiu com o projeto de lei mudar o próprio nome da FUNAI que era Fundação Nacional do Índio Hoje é a Fundação Nacional dos povos indígenas e que muda e o dia do índio não é dia do índio é dia nacional dos povos indígenas porque nós estamos num processo dinâmico de educação né assim eu acredito na educação Talvez as
pessoas da minha geração ainda vão estar carregando preconceitos em relação aos povos indígenas mas as crianças não porque elas já vão ver pessoas indígenas no Parlamento pessoas indígenas em vários locais Isso vai ser de certa forma naturalizado da mesma forma que alguns povos negros Por falar nisso na Assembleia Legislativa nós tivemos aqui um momento especial que foi uma audiência pública numa segunda-feira no decorrer da semana nós tivemos um outro movimento uma audiência pública que no meu ver foi inédito Cláudio porque foi é numa praça né uma praça que tem um simbolismo muito grande aqui para
nós cuiabanos que foi no monumento Ulisses Guimarães bom vamos voltar na Assembleia a gente fala de educação políticas públicas quando o deputado Luís Cabral convoca e traz o secretário de educação então a gente tá falando em povos indígenas no Araguaia nós temos Xavante nós temos aqui para o norte também muito mais povos né como é que foi esse momento para vocês Foi um momento inédito né a frequente ela decidiu fazer o acampamento Terra livre aqui em Cuiabá porque Cuiabá é a capital da onde acontece as coisas e onde está os poderes instituídos e ao nosso
pedido né o lúdio ele convoca o secretário que ele foi convocado para que possa responder as demandas das lideranças que vieram da Aldeia E como eu disse para o secretário é quem veio são as nossas autoridades as nossas autoridades vieram falar com as autoridades daqui não indígena colocar suas demandas colocar seus anseios e em relação à educação porque a educação escolar indígena ela é diferente ela precisa ser diferente porque não é porque nós somos melhores não porque a gente tem uma língua diferente a gente tem uma cultura diferente e a educação nós somos povos orais
então nós estamos agora começando a registrar estamos agora começando utilizar as tecnologias então é importante que a educação atenda esses anseios para que a língua não se perca para que aquele costume Não se perca né para que a gente possa manter e o estado de Mato Grosso é rico nisso então assim a gente precisa de um material didático né a gente precisa específico porque muitas vezes você é tipo inglês muitas vezes das nossas línguas você se inscreve de uma de um jeito você fala de outro né então a gente precisa unir a educação tradicional a
regular que tem aqui na cidade como a nossa educação a dias letivos e que não vai ter aula mas são educativos porque vai ter rituais até dança Vai ter um momento que as nossas crianças elas vão estar ali aprender mais velhos por quê essa sensibilidade exatamente então assim é importante que elas estejam ali porque eu aprendi assim a minha mãe aprendeu assim mas é importante que elas tenham também conhecimento não indígena porque elas também têm o direito ser médica de ser advogado e elas precisam desse conhecimento que teve a presença do secretário de educação e
ela foi convocada em função de uma sugestão do governo uma mensagem que tira né do Conselho de Educação do Estado de Mato Grosso ou um representante dos povos indígenas e aí a gente tá falando dessa especificidade né seja do ponto de vista dos rituais do aprendizado da língua do material didático do Ritmo né porque um outro ritmo eu lembro de ter acompanhado uma audiência em no Pará sobre a lógica de alteração de data de dias letivos na Amazônia em função da cheia por exemplo então quer dizer enquanto estava todo mundo tendo aula a escola tava
de férias porque era um momento que era muita seca e você não chegava de barco naquele localidade então a especificidades que só quem entende da política e para a educação indígena que aliás começa no governo Dante né um projeto com um projeto chanecas Então não é se a gente olhar São 30 anos quase nada né E como é que ficou o resultado disso quer dizer continua discussão houve um substitutiva há uma espécie há uma esperança de que realmente volte os povos indígenas para o conselho então a audiência pública ela teve dois momentos né ela teve
um momento de realmente trazer as demandas das bases em relação a própria educação que você citou Mas a gente não teve muita resposta em relação ao conselho nós estamos em conversa com os parlamentares né de continuar assim no conselho essa Nossa essa nossa proposta que tem que o conselho indígena escolar continue no conselho de educação para que as coisas possam ser discutidas de forma Ampla e tem um olhar da base mas a gente também tem algumas críticas a esse projeto de lei porque a gente viu algumas falhas ali Talvez um conselho ele é um controle
social né então assim ele precisa ter participação da sociedade não só da gente mas das outras categorias e a gente viu que tá muito limitado as coisas tem que ser limitadas Mas elas precisam atender a essência do Conselho então assim nós queremos estar a gente viu algum substitutivos que mantém a gente ali mas olhando todo o próprio conselho ele perde muitas coisas né E nós estamos ansiosos eu acredito que o governador não vai voltar atrás né porque senão ele já tinha retirado e ele tem a maioria aqui na casa né mas assim a gente se
mantendo lá já é uma grande Vitória embora a gente lamenta pelos categorias que não estarão ali nossa luta também é coletiva e é com os demais os múltiplos olhados normalmente acrescentam né são perspectivas distintas e a gente entende e defende isso também né agora o lucro também citou a questão dessa audiência pública que foi feita lá na praça Ulisses Guimarães né na quinta-feira na quinta-feira no dia 13 de Abril tivemos a presença do Raoni que é uma autoridade né extraordinária agora é o primeiro ATL né eu queria que você falasse um pouquinho dessa lógica do
até ele né que é o acampamento Terra livre a gente viu alguns sites publicando inclusive que os indígenas estavam acampados para economizar Hotel né enfim eu queria que você falasse um pouquinho do que é o ATL Porque tem uma tela em Brasília também que já é histórico né inclusive olhando sua pergunta claro essa foi a primeira vez que nós tivemos aqui né sediamos nesse momento quando a pele que é o acampamento Terra livre é na lógica de Brasília para que os nossos parentes venham e ficam acampados no lugar de visibilidade aqui na capital e o
lugar de visibilidade na nossa opinião é a praça Alice Guimarães até porque a gente sabe que o Lice Guimarães foi um grande defensor da Democracia né E nós consideramos a praça aquela praça uma Praça dos poderes aqui em Cuiabá a gente está no centro de tudo ali e com isso eles vem sim para ficar acampados e a própria foi pointe ela fornece uma estrutura de alimentação de segurança né e assim a proposta é de ter visibilidade para as questões indígenas porque as pessoas que vão circular ali Elas vão olhar o artesanato algumas vão trocar uma
ideia com parente né Então as pessoas a gente também oferece muita câmbio com a própria sociedade lógico a gente vai sofrer algumas ofensas como a gente sofreu mas necessário que a sociedade matou a grossense Se acostume conosco porque nós a gente tem uma ideia que parece que nós estamos muito longe distante e a capital embora não tenha uma aldeia próxima ou não tem uma aldeia o seu território nós estamos todos os dias aqui nós estamos em busca de atendimento médico de atendimento nas aldeias nossas lideranças estão aqui por vezes a gente está pintados nós estamos
com brincos estamos com penas e o olhar do cuiabano o olhar às vezes é como se nós fôssemos estranhos em nossa terra de alienígena então assim a ideia foi Point é a gente tá num cenário a nível de estado não favorável porque nós temos um estado muito conservador né Isso é histórico mas é necessário de quebrar essa barreira então a gente veio aqui nós vivemos acampados por visibilidade mostrar para a sociedade que nós somos parte da sociedade nós somos cidadãos né viemos Pedir respeito mas também a gente veio falar para os poderes instituídos olha mas
existimos e nós só queremos que os nossos direitos sejam respeitados E implementados então quando a gente vem para Assembleia que é a casa do Povo nós estamos dando um recado para os nossos parlamentares esta casa também é Nossa Eu voto os meus parentes voltam então vocês também precisam pensar em políticas públicas para gente políticas públicas construídam a partir da base é isso mas a gente precisa fazer um intervalo né E a gente vai voltar rapidinho Contando um pouquinho mais dessa ação ação em Brasília esse momento singular que a gente vive né com o ministério dedicada
causa né nos povos indígenas tem muita coisa pra gente explicar pra gente entender melhor né como que são como que é de um dia a dia né Essa resistência que cada vez mais está organizada e cada vez mais está instruída dentro do caminho para a resistência para advoca-se para incidência e a gente fica feliz com isso estamos aqui de portas abertas fiquem conosco é rapidinho a gente vai e volta [Música] [Música]